terça-feira, 22 de novembro de 2022

Casal formado por Brisa e Oto é o maior acerto de "Travessia"

 A atual novela das nove vem tendo um início conturbado. "Travessia" tem enfrentado várias críticas a respeito da fragilidade de seu roteiro, dos conflitos pouco interessantes e dos vários furos que a história apresenta. A audiência também não anda correspondendo. Mas entre tantos erros presentes na trama que estreou há pouco mais de um mês, há algum acerto? A resposta é sim. O casal formado por Brisa (Lucy Alves) e Oto (Romulo Estrela) é o maior êxito do folhetim até então. 


 O curioso é que Glória Perez acertou em algo que costuma ser uma das maiores dificuldades das novelas: os mocinhos. Não é incomum os protagonistas acabarem ofuscados pelos enredos paralelos e romances secundários. É complicado criar um par central que caia no gosto do público. A própria autora já enfrentou muitos problemas em folhetins anteriores. O sucesso de Jade (Giovanna Antonelli) e Lucas (Murilo Benício), em "O Clone" (2001), foi quase uma exceção. Basta lembrar o fracasso do romance de Sol (Deborah Secco) e Tião (Murilo Benício) em "América" (2005) ou o de Maya (Juliana Paes) e Bahuan (Márcio Garcia), em "Caminho das Índias" (2009), além dos péssimos mocinhos que eram Morena (Nanda Costa) e Theo (Rodrigo Lombardi) em "Salve Jorge" (2013). 

 Agora, em "Travessia", Gloria teve uma preocupação para desenvolver a relação dos personagens. Não houve uma construção rasa e apressada. O famigerado amor à primeira vista, que funcionava há muitos anos, mas que passou a ser a ruína de qualquer casal na teledramaturgia, não aconteceu. Brisa e Oto vivenciaram um clichê que raramente falha na ficção: o ranço à primeira vista.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

"Encantado`s" é um encanto de série

 O Globoplay estreou nesta sexta, dia 18, mais uma série exclusiva: "Encantado`s". Uma coletiva presencial com o elenco, as autoras e a equipe foi realizada na última quarta-feira, dia 16, no Kinoplex Globoplay no Leblon, Rio de Janeiro, e fui um dos convidados. O clima era de alegria diante da realização de uma produção escrita por duas mulheres pretas com um elenco majoritariamente preto, sem o estereótipo da violência como sustentação do roteiro. As gravações ainda foram feitas na época da pandemia do novo coronavírus e todos conseguiram produzir sem problemas a primeira temporada de onze episódios, sendo que o primeiro e o segundo foram exibidos no evento. O público presente se divertiu genuinamente.


A série conta a história de dois irmãos, Olímpia (Vilma Melo) e Eraldo (Luis Miranda), que aos 50 anos precisam lidar com a morte do pai e assumir a gerência de um local que funciona como supermercado durante o dia e, à noite, vira a escola de samba Joia do Encantado. Cabe a Olímpia, proprietária e gerente-geral do "Encantado`s", a gestão sustentável do comércio. E a Eraldo, presidente da Joia do Encantado, a missão de realizar o próximo desfile do grêmio recreativo. Conectados pelos laços sanguíneos e pelo amor que os une, os dois vivem encontros e desencontros na tentativa de conciliar suas distintas maneiras de seguir os sonhos. 

Criada pelas roteiristas Renata Andrade e Thais Pontes, que assinam a obra em parceria com Chico Mattoso e Antônio Prata, responsáveis pela redação final, a série é fruto da oficina de humor para roteiristas negros realizada pela Globo em 2018. Renata classifica a trama como uma comédia de sonhos e a descrição se mostra perfeita.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Clarice voltou e "Cara e Coragem" continua ruim

A atual novela das sete da Globo chegou ao capítulo cem no dia 22 de setembro. Após muitas tentativas da emissora para emplacar a trama de Claudia Souto, dirigida por Natalia Grimberg, a realidade que impera é que a produção se tornou um caso perdido. "Cara e Coragem" até apresentou um ponto a mais de audiência que a sua antecessora em seus meses iniciais, mas já está empatada com a deliciosa "Quanto Mais Vida, Melhor!" e sem um terço da repercussão. Praticamente ninguém comenta nas redes, ninguém se importa com o enredo e as cenas apresentadas não ajudam. 


O único mote da história é o mistério do assassinato de Clarice (Taís Araújo) e não há mais nada de relevante a se contar. Para culminar, nem mesmo o conjunto de mistérios envolvendo o crime desperta interesse. Aliás, houve claramente uma intervenção da Globo para tentar erguer a produção: a antecipação da grande revelação sobre a falsa morte da personagem. Isso porque Clarice não morreu e estava em coma. Anita (Taís Araújo) é apenas uma 'sósia' mesmo e não a empresária fingindo ser outra pessoa. A escritora certamente não tinha planejado soltar o 'spoiler' tão cedo. Até porque a produção fica no ar até janeiro de 2023. A falta da intenção em revelar o enigma fica clara pela narrativa. A notícia não impactou em nada o roteiro. 

São raros os acontecimentos relevantes. Se o telespectador abandonar a novela por duas semanas e voltar depois, verá que não perdeu nada e tudo segue na mesma. Quem mais perde com isso são os atores. A novela é recheada de cenas burocráticas. Ou seja, são sequências que não despertam emoção, raiva, riso, nada. Porque não há situações que provoquem algo em quem assiste. É impossível se sentir envolvido pela história que está sendo contada.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

O show de Kelzy Ecard em "Todas as Flores"

 A novela exclusiva do Globoplay vem apresentando capítulos que prendem o telespectador. João Emanuel Carneiro anda bastante inspirado em "Todas as Flores". E entre os vários acertos do folhetim está o elenco bem escalado. São vários talentos, tanto na trama central quanto nas secundárias e terciárias. Kelzy Ecard é uma das que arrebataram o público logo de cara. Isso porque sua personagem vive uma sucessão de desgraças (o texto tem spoiler). 

Dona Dequinha é a mãe do rapaz que mais sofre na história: Diego, interpretado pelo ótimo Nicolas Prattes. Também é mãe de Jéssica (Duda Batsow) e Biel (Rodrigo Vidal). A família teve sua humilde casa demolida pela prefeitura no primeiro capítulo e ainda perdeu o pouco que tinha de dinheiro em um furto. Foram todos morar a rua, mas Diego foi parar na cadeia depois que aceitou a proposta de um ricaço para assumir um crime que não cometeu. Acabou enganado e a mãe precisou lidar com um filho na prisão e dois passando fome junto com ela. 

Para culminar, Dequinha sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e ficou internada em um hospital público. Enquanto estava impossibilitada, os dois filhos acabaram caindo nas garras de Galo (Jackson Antunes), um morador de rua envolvido com o esquema de tráfico humano promovido por Zoé (Regina Casé), a grande vilã do enredo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Ana Beatriz Nogueira foi uma ótima surpresa em "Todas as Flores"

 Todo ator tenta evitar ficar marcado como intérprete de um tipo só. E a armadilha costuma acontecer quando o profissional vai muito bem na pele de um determinado perfil de personagem. Aí todo autor o escolhe para viver perfis parecidos. O telespectador sabe de vários casos assim. Não é algo raro na teledramaturgia. Por isso é tão bom ver Ana Beatriz Nogueira como Guiomar em "Todas as Flores", novela original Globoplay, escrita por João Emanuel Carneiro e dirigida por Carlos Araújo (o texto tem spoiler). 


 A atriz é uma das mais talentosas do país e engrandece qualquer elenco. Sempre bom vê-la em cena. Mas Ana já estava virando quase uma expert em mães narcisistas, controladoras e interesseiras. Vinha de uma sequência em seus últimos trabalhos. A mais lembrada é Eva, de "A Vida da Gente", exibida em 2011 e reprisada ano passado por conta da pandemia. Foi seu melhor papel na carreira. A autora Lícia Manzo repetiu a bem-sucedida parceria com a amiga em "Um lugar ao Sol", encerrada no início do ano, e a 171 Elenice era um dos trunfos da novela das 21h. Entre outras mães controversas que a intérprete defendeu tão bem estão a Ilana, de "Caminho das Índias" (2009); a Emília, de "Além do Tempo" (2015); e a Néia, de "Rock Story" (2016). 

 Guiomar chegou para quebrar a sequência. João Emanuel deu a oportunidade para a atriz viver uma mãe amorosa, íntegra, compreensiva e doce. Um perfil que muita gente não imaginava ver sendo interpretado por Ana Beatriz Nogueira. Não por falta de talento, mas por falta de oportunidade dada pelos demais escritores. E como o papel foi bem defendido.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

"Ilha de Ferro" deveria ter parado na primeira temporada

 A primeira temporada de "Ilha de Ferro" foi disponibilizada no Globoplay no dia 14 de novembro de 2018. A série teve repercussão e muitas críticas. A trama protagonizada por Cauã Reymond teve altos e baixos, mas foi uma produção caprichada. O elenco foi bem escalado e os episódios finais tiveram uma boa dose de adrenalina. Foi ótimo também ver um roteiro ambientado em uma plataforma de petróleo. A Globo exibiu a série, com nove capítulos, em sua grade em agosto de 2021. Já a segunda temporada estreou no serviço de streaming da emissora no segundo semestre de 2019 e na TV aberta no dia 25 de agosto deste ano (o último episódio é nesta quinta-feira, dia 10).


Criada por Max Mallman e Adriana Lunardi ---- com supervisão de Mauro Wilson e direção de Guga Sander e Roberta Richard e direção geral e artística de Afonso Poyard ----, a segunda temporada de "Ilha de Ferro" começa depois de uma passagem de tempo de três anos. Agora Dante (Cauã Reymond) é pai. Na verdade, pai solo. Depois que Bruno (Klebber Toledo), seu irmão, foi preso, ele assumiu a paternidade de Maria (Alice Palmar), mas a vida mudou mesmo após Leona (Sophie Charlotte) os abandonar. Com a filha, mas sem as presenças do irmão e da mulher, o petroleiro é um cara cada vez mais solitário.

Júlia (Maria Casadevall) foi embora, Buda (Taumaturgo Ferreira) morreu, e o amor de Dante é cada vez mais a PLT 137. Sua obstinação aumentou a produtividade da plataforma, ainda que às custas do bem-estar da equipe.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

"O Rei do Gado" sempre vale a pena ver de novo

 Um dos maiores sucessos de Benedito Ruy Barbosa começa a ser reexibido no "Vale a Pena Ver de Novo" nesta segunda-feira (07/11). "O Rei do Gado" é um dos grandes clássicos da teledramaturgia e um dos trabalhos mais elogiados do autor. Mas não é a primeira reprise. A Globo já reprisou a produção em duas ocasiões: em 1999 e em 2015 na comemoração dos 50 anos de emissora. A novela também foi transmitida pelo Canal Viva em 2011. Ou seja, é a quarta vez que a história é contada para o público. Agora a decisão foi tomada em virtude do recente sucesso do remake de "Pantanal", escrito pelo mesmo Benedito.


 A tradicional história do ódio entre duas famílias, cujo conflito é aumentado com o amor nascido entre seus herdeiros, foi abordada pelo autor e conquistou o público. A rivalidade entre os Mezenga e os Berdinazi era o eixo central da primeira fase da trama (passada em 1943), que durou sete capítulos e foi impecável. Antônio Fagundes e Tarcísio Meira protagonizaram ótimos embates e os fazendeiros que se odiavam foram brilhantemente interpretados por eles.

 Antônio Mezenga e Giuseppe Berdinazi eram homens poderosos, determinados e extremamente passionais. Defendiam seus interesses com unhas e dentes e a principal razão da grande rivalidade entre eles era a faixa de terra que ficava na divisa das duas fazendas ----- cada um era dono de um cafezal. Mas os eternos rivais não contavam que seus filhos se apaixonassem.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Reprise de "O Beijo do Vampiro" no Viva matou a saudade da última boa novela de Antônio Calmon

 A ousadia de Antônio Calmon lhe rendeu um estrondoso sucesso, em 1991, com a novela "Vamp". A trama que falava de vampiros e tinha um clima totalmente 'thrash' marcou a teledramaturgia e até hoje é lembrada pelo público saudosista. Em 2002, onze anos depois, o autor resolveu reviver a temática e escreveu "O Beijo do Vampiro", que fez uma legião de fãs, conquistados com a 'nova geração' vampiresca integrante da última boa novela de Calmon. A produção sempre foi uma das mais pedidas na internet para ser reprisada, mas como não foi um sucesso de audiência o desejo nunca foi realizado pela Globo. No entanto, o canal Viva, após ter lançado uma nova faixa de reprises, finalmente colocou a novela no ar.


 A reexibição, que está em sua última semana, reforçou todas as qualidades da história muito bem estruturada por Calmon. Muitos tinham até o receio da chamada memória afetiva ser a responsável pela saudade da produção e se decepcionar com a reprise. Mas a produção envelheceu muito bem. A trama, dirigida pelo saudoso Marcos Paulo, virou uma febre e teve até álbum de figurinhas. As crianças e os adolescentes foram os principais fãs do folhetim, que teve um grandioso elenco, personagens cativantes e uma enredo bem construído, repleto de efeitos especiais considerados ousados para a época. Um enredo de amor, entremeado por elementos sobrenaturais, drama, humor e a clássica luta do bem contra o mal foram as principais marcas do folhetim.

 A trama começa no século XII, com o vampiro Bóris Vladesco (Tarcísio Meira) se apaixonando perdidamente pela princesa Cecília (Flávia Alessandra), que vive um romance com o conde Rogério (Thiago Lacerda). No dia do casamento da princesa com o conde, o vampiro mata o noivo de seu grande amor em um duelo, assim como toda sua família.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

"Cine Holliúdy" manteve o bom humor e a leveza na segunda temporada

Baseada no filme homônimo de sucesso, exibido em 2013 ---- escrito e dirigido por Halder Gomes e coproduzido pela Globofilmes ----, "Cine Holliúdy" estreou sua primeira temporada em 30 de abril de 2019 na Globo. A série escrita por Marcio Wilson e Claudio Paiva teve um ótimo retorno da audiência e agradou. O resultado foi a garantia de mais duas temporadas. A segunda estreou no dia 23 de agosto, quase três anos depois, por conta do atraso das gravações em virtude da pandemia do novo coronavírus. 


Com direção artística de Patricia Pedrosa, a série segue explorando acontecimentos, símbolos e referências da cultura nordestina, brasileira e do pop mundial da década de 70, usando como pano de fundo uma narrativa divertida com a disputa entre cinema e TV. A fórmula não apresentou desgaste e a produção se mantém cativante. Ainda na primeira temporada, Francisgleydisson (Edmilson Filho) tinha o cinema como única atração cultural de Pitombas. Mas o protagonista não contava com a chegada da televisão, sua grande adversária. Por isso, decidiu fazer filmes em 'cearensês', com apoio de Marylin (Letícia Colin) e a despeito do prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele). 

Agora, o ano é 1974. Com a TV já establecida, o cinema de Francisgleydisson está cada vez mais vazio e decadente. Filmes, novelas, Copa do Mundo, festas regionais, discoteca, musicais e parque de diversões: tudo ao alcance do público. A cidade de Pitombas preseencia o auge da cultura dos anos 70, mesmo passando a impressão de ter parado no tempo.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

"Travessia" tem início confuso e pouco crível

 A nova novela das nove está há menos de um mês no ar. E já era esperado uma certa dificuldade na audiência inicial de "Travessia". Após uma novela de sucesso, como o remake de "Pantanal", há um natural luto do público, ainda mais diante de um folhetim que apresenta temáticas totalmente opostas da produção recém-terminada. A história de Glória Perez fala de tecnologia e metaverso, enquanto a anterior parecia um enredo de época diante de tantos personagens avessos até ao uso de celular. Mas é preciso pontuar: não é somente por conta de saudades da trama passada que a atual enfrenta certa resistência do público. 


Gloria Perez resolveu iniciar seu enredo de forma confusa. O primeiro capítulo teve um amontoado de acontecimentos que poderiam ter sido divididos em três ou quatro capítulos sem deixar o ritmo arrastado. Houve uma correria desnecessária a ponto da protagonista mal aparecer. Brisa apareceu brevemente na infância ao lado de Ari e logo houve uma passagem de tempo, mas utilizando a vida da Chiara (Jade Picon) como 'medidor' dos anos. Chiara parecia a protagonista. Tanto que Grazi Massafera dominou a estreia e Débora morreu em um trágico acidente de carro pouco depois de parir a filha. 

A impressão não mudou com o passar dos capítulos. O foco continua sendo Chiara e agora o deslumbramento de Ari (Chay Suede) com uma vida de luxos. Nada contra os personagens, até porque é cedo demais para maiores análises, mas o envolvimento do casal não desperta interesse até porque o rapaz está se mostrando um oportunista sem caráter. E ela é uma patricinha fútil e e com comentários xenofóbicos. As cenas estão ficando repetitivas.