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domingo, 17 de maio de 2026

O controverso final do casal 'Loquinha' em "Três Graças"

 O casal “Loquinha”, de Três Graças, entrou para a história recente da teledramaturgia não apenas pela química arrebatadora entre Juquinha, de Gabriela Medvedovsky, e Lorena, interpretada por Alanis Guillen, mas pela maneira como a novela rompeu um padrão cansativo e limitador imposto aos casais lésbicos nas novelas brasileiras. Pela primeira vez em muito tempo, duas mulheres se apaixonaram livremente desde o início, sem um homem servindo como intermediário emocional, sem um casamento hétero frustrado como gatilho narrativo e sem a velha lógica de “descoberta” baseada em sofrimento conjugal. Era desejo, encanto e paixão acontecendo de forma direta, espontânea e luminosa. E talvez tenha sido justamente por isso que o público tenha reagido tão mal ao desfecho.


O desenvolvimento de Juquinha e Lorena foi um pequeno acontecimento cultural dentro da própria Globo. Em uma emissora historicamente conservadora em suas cúpulas, acostumada a impor limites velados à representação LGBTQIA+, a novela surpreendeu ao blindar o casal de censuras tradicionais. Não houve “cota de beijos”, nem aquele constrangimento clássico de sugerir intimidade sem mostrá-la. Juquinha e Lorena tiveram um relacionamento completo: trocaram olhares, desejo, afeto, cenas domésticas e muitos beijos em horários nobres, sem a narrativa pedir desculpas por isso. O sucesso internacional da novela ajudou a consolidar essa liberdade criativa e transformou as duas em um dos casais mais populares da dramaturgia recente. Por isso o final foi tão decepcionante.

O problema nunca esteve na ideia de barriga solidária em si. Famílias plurais existem e podem render histórias emocionantes. O erro foi a escolha completamente artificial de Juquinha como gestante do filho de Viviane, vivida por Gabriela Loran, e Leonardo, personagem de Pedro Novaes.

domingo, 10 de maio de 2026

'Loquinha' quebrou paradigmas em “Três Graças”, mas a reta final ficou aquém da grandeza do casal

 A uma semana do fim de "Três Graças", já é impossível negar o tamanho do impacto causado por Loquinha, o casal formado por Gabriela Medvedovsky e Alanis Guillen. Juquinha e Lorena não apenas conquistaram o público, mas entraram para a história da teledramaturgia como o primeiro casal lésbico da televisão aberta brasileira a receber exatamente o mesmo tratamento dado aos casais heterossexuais. Sem censura evidente, sem “cota de beijos”, sem a limitação constrangedora de um único selinho reservado ao último capítulo.


Durante décadas, a representação homoafetiva nas novelas brasileiras caminhou em passos lentos. Em produções mais antigas, sequer existia beijo. Depois, vieram os rápidos selinhos, geralmente exibidos apenas uma ou duas vezes ao longo de quase 200 capítulos, sempre cercados por rumores de cortes, regravações e pedidos para “amenizar” cenas consideradas ousadas demais. Isso mesmo enquanto a Globo sustentava um discurso progressista diante do público.

Nos últimos anos, porém, a pressão das redes sociais e da imprensa tornou esse tipo de censura cada vez mais difícil de sustentar. Um exemplo recente foi o casal Kelvin e Ramiro, interpretados por Diego Martins e Amaury Lorenzo em "Terra e Paixão".

terça-feira, 7 de abril de 2026

"Loquinha" transforma "Três Graças" em um experimento envolvente e mais eficaz que as novelas verticais originais

 Descobertas, afetos e desafios marcam os novos capítulos da jornada de Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky) na nova novelinha vertical da Globo. O casal “sensação” de "Três Graças" ganha uma nova história com foco no cotidiano e na construção de uma vida juntas. Produzida pelos Estúdios Globo, com roteiro de Marcia Prates e direção artística de Luiz Henrique Rios, ‘Loquinha’ estreou nesta segunda-feira, dia 06 de abril, nos perfis da TV Globo nas redes sociais.


Com 25 episódios curtos e no formato vertical, a novelinha mergulha no universo emocional das protagonistas ao retratar os desafios de uma relação que se fortalece em meio a interferências externas, jogos de poder, ciúmes e disputas afetivas. Enquanto Lorena e Juquinha decidem morar juntas, elas se deparam com as maldades de Lucélia (Daphne Bozaski), a mando de Ferette (Murilo Benício), que, na história, é mencionado nas falas de Macedo (Rodrigo García). O capataz se junta a Lucélia com objetivo de separar o casal ‘Loquinha’. Entre intrigas, manipulações digitais e armações, as duas jovens enfrentam desafios que colocam à prova a força do amor que as une. A chegada de Teca (Ingrid Gaigher), ex-namorada de Juquinha, vem balançar os rumos deste enredo.

Ao mesmo tempo em que o romance avança, a novela vertical também acompanha o processo de amadurecimento pessoal e profissional das duas. Um bar surge como ponto de encontro fundamental da história, reunindo personagens, afetos, tensões e descobertas que impulsionam a trama.

terça-feira, 17 de março de 2026

Participação de Luiz Fernando Guimarães em "Três Graças" foi breve, mas significativa

 A participação de Luiz Fernando Guimarães em "Três Graças" foi breve, mas cumpriu bem a função de dar densidade a um momento específico da trama. Como Michelangelo, ele apareceu inicialmente como um observador silencioso, acompanhando de longe a leveza do relacionamento entre Juquinha (Gabriela Medvedovski) e Lorena (Alanis Guillen) na piscina de um clube, até encontrar espaço para se aproximar e dividir um pouco de sua própria história.


O texto trabalhou um contraste direto entre gerações ---- de um lado, o passado marcado pelo medo, pela repressão e pela necessidade de esconder afetos; de outro, um presente mais aberto, ainda que não livre de julgamentos. Luiz Fernando Guimarães conduziu essa transição com sobriedade, evitando excessos. Seu Michelangelo não fez um grande discurso, mas um relato contido, quase casual, sobre uma vida inteira vivida com cautela, reprimindo desejos por medo de violência ou julgamento. Essa escolha deu mais naturalidade à cena e evitou que ela soasse didática.

Houve também um elemento extratextual que acabou enriquecendo a leitura do público. Casado há quase 30 anos com o empresário Adriano Medeiros, com quem tem um casal de filhos, o ator manteve por muito tempo sua vida pessoal de forma discreta, sem grande exposição.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Romance de Lorena e Juquinha em "Três Graças" é um marco na teledramaturgia

 A novela "Três Graças" marca um divisor de águas na teledramaturgia brasileira ao construir com sensibilidade, profundidade e naturalidade o romance entre Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovski). Longe de estereótipos ou da superficialidade que por tantas vezes limitou personagens LGBTQIAPN+ na televisão aberta, o casal é desenvolvido com o mesmo cuidado, complexidade emocional e protagonismo tradicionalmente reservados aos pares heterossexuais. 


A construção de Lorena e Juquinha é um dos maiores acertos dramáticos da obra. Os autores Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva pensaram muito bem no desenvolvimento das duas. A relação cresce diante do público de forma orgânica: começa na identificação mútua, amadurece nos conflitos cotidianos e se consolida no afeto explícito, vivido sem subterfúgios. Não há caricatura, nem fetichização e, sim, humanidade. O roteiro entende que o amor entre duas mulheres não é “tema”, é história. E isso faz toda a diferença.

Muito desse êxito se deve à química arrebatadora entre Alanis Guillen e Gabriela Medvedovski. As duas atrizes constroem uma parceria cênica deliciosa: os olhares sustentados, o toque que vira segurança, o riso compartilhado após o aumento gradativo da intimidade, enfim, tudo pulsa verdade.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Tudo sobre a segunda coletiva online de "Três Graças", a próxima novela das nove

 A Globo promoveu na sexta-feira retrasada, dia 26, a segunda coletiva virtual de "Três Graças", a próxima novela das nove. Participaram os autores Aguinaldo Silva, , o diretor Luiz Henrique Rios e os atores Grazi Massafera, Miguel Falabella, Samuel de Assis, Túlio Starling, Pedro Novaes, Alanis Guillen, Andreia Horta, Leandro Lima, Fernanda Vasconcellos, Mell Muzillo, Augusto Madeira, Rejane Faria, Otávio Muller, Pedro Ogata, Barbara Reis, Carla Marins, Daphne Bozaski, Rodrigo Garcia, Marcello Escorel, Juliana Alves e Murilo Benício. Fui um dos convidados e conte sobre o bate-papo a seguir. 


Luiz Henrique Rios comentou sobre o contexto da trama: "Novela é entretenimento. O tom que a gente está tentando imprimir nessa história é que pareça real, mas sinta que não é. É uma verdade construída. Nossa vilã faz rir e chorar, nossa mocinha faz chorar e faz rir. É uma comédia fantasiosa, um tom tragicômico. Ser em São Paulo também é um diferencial. Um lugar muito intenso e que tem uma periferia múltipla. A gente construiu várias sonoridades nessa novela porque não existe sotaque paulista. Murilo Benício, por exemplo, criou uma sonoridade própria e estamos criando uma brincadeira com isso. Vocês vão ver muitas variações que saem da ideia formal, que extrai a realidade".

Grazi Massafera falou de sua vilã e da parceria com Murilo Benício: "Pra mim está sendo uma honra estar nessa novela. Essa parceria com o Murilo está rendendo um set delicioso com muita criatividade e esses vilões têm muita comédia e fantasia. Espero que isso divirta o público, tem, um tom acima, são personagens de composição, o que pra mim é muito novo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Tudo sobre a coletiva online de "Vermelho Sangue", a nova série do Globoplay

 O Globoplay promoveu na terça-feira retrasada, dia 23, a coletiva virtual de "Vermelho Sangue", a nova série da plataforma de streaming, escrita por Rosane Svartman e Claudia Sardinha. Participaram as autoras, a diretora Patrícia Pedrosa e os atores Alanis Guillen, Letícia Vieira, Pedro Alves, Laura Dutra, Bete Mendes, Rodrigo Lombardi, Heloísa Jorge, Alli Willow, Flávio Souza, Fafá Renó e Rogeann. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir. 


Rosane Svartman comentou sobre a ideia da série: "Durante centenas de anos essas histórias fantásticas falavam do espírito de sua época e com Vermelho Sangue não é diferente. Falamos até onde vai a ciência, valorizamos nossa biodiversidade, é uma série muito brasileira. Sempre falamos dos vampiros estrangeiros e agora são brasileiros e falamos de conflitos a nível pessoal. A pergunta da série é quem são realmente os monstros? A gente parte os conflitos a partir de suas personagens, que é a Luna e a Flora. O Globoplay fez uma encomenda de uma série de vampiros porque era algo que tinha boa audiência, como Vampire Diaries. E fizemos pesquisa na Serra da Canastra e vimos que lobisomem é algo que faz parte da nossa cultura. Aí pensamos que podia ser uma lobimoça no lugar do lobisomem e o logo ser o lobo-guará. Trouxemos um biólogo, o Rogério Cunha, para ajudar na pesquisa. Nós respeitamos o código do gênero fantástico, mas com uma cara brasileira. E temos uma qualidade internacional. A segunda temporada está prevista para 2026". 

Cláudia Sardinha complementou: "A Luna só quer ser normal e a Flora quer ser extraordinária. Já o Michel vai se aproximar estrategicamente da Luna e ela vai ficar dividida entre sua parte sobrenatural e a parte humana.

terça-feira, 18 de março de 2025

"Mania de Você" apresenta um dos piores triângulos já vistos na teledramaturgia

 A atual novela das nove da Globo está em sua penúltima semana e o clima é de alívio, tanto para o público quanto para a própria equipe de "Mania de Você". A novela se mostrou uma catástrofe e mesmo em plena reta final não apresenta qualquer sinal de mínima melhora. Entre tantos problemas na obra de João Emanuel Carneiro, fica até difícil citar apenas um, mas é necessário expor um núcleo terciário que irritou o telespectador desde o início e agora apresenta um dos piores triângulos amorosos da teledramaturgia, formado por Michele (Alanis Guillen), Cristiano (Bruno Montaleone) e Daniel (Samuel de Assis).


Primeiro, é preciso relembrar o equívoco que foi a saga de Michele e Cristiano. Os personagens começaram a segunda fase muito apagados e mal apareciam. No caso de Michele, o pouco destaque não era condizente, uma vez que a garota é irmã de Ísis (Mariana Ximenes), com quem nunca teve uma relação boa. Seria benéfico para ambas um foco no relacionamento, pois funcionaria para uma humanização de Ísis e mais cenas para a talentosa Alanis, que veio de um grande desempenho como Juma Marruá no remake de "Pantanal". Também serviria para explicar melhor as razões para o ódio que o pai, interpretado por José Augusto Branco, sentia pela filha mais velha. 

Michele e Cristiano trabalhavam como ajudantes de cozinha no restaurante de Viola (Gabz), o mais premiado do país, localizado em um resort de luxo. A morte do pai de Michele causou o desespero do casal por conta das dívidas que o falecido tinha deixado. Os dois ficaram sem teto rapidamente e pediram abrigo no resort de Mavi (Chay Suede).

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Trama de Michele e Cristiano é repleta de absurdos em "Mania de Você"

 A atual novela das nove da Globo vem enfrentando uma audiência cada vez mais preocupante, após muita correria, cortes grotescos de capítulos e cenas, encurtamento da primeira fase, entre outras modificações que só pioraram o que já estava ruim. A trama central de "Mania de Você" apresenta problemas visíveis de roteiro, mas agora é preciso apontar a quantidade de absurdos envolvendo um casal que tinha tudo para protagonizar um drama denso: Cristiano (Bruno Montaleone) e Michele (Alanis Guillen). 


Os personagens começaram a segunda fase muito apagados e mal apareciam. No caso de Michele, o pouco destaque não era condizente, uma vez que a garota é irmã de Ísis (Mariana Ximenes), com quem nunca teve uma relação boa. Seria benéfico para ambas um foco no relacionamento, pois funcionaria para uma humanização de Ísis e mais cenas para a talentosa Alanis, que veio de um grande desempenho como Juma Marruá no remake de "Pantanal". Também serviria para explicar melhor as razões para o ódio que o pai, interpretado por José Augusto Branco, sentia pela filha mais velha. 

A trama do casal só começa, de fato, quando a figura do patriarca sai de cena. E saiu de uma forma rasa, o que resultou em um desrespeito com o ator, que estava afastado das novelas desde 2017. A morte de Geraldo nem foi exibida.

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Tudo sobre a segunda coletiva online de "Mania de Você", a próxima novela das nove

 A Globo promoveu nesta terça-feira, dia 20, a segunda coletiva virtual de "Mania de Você", escrita por João Emanuel Carneiro e dirigida por Carlos Araújo. Participaram os atores Érico Brás, Eriberto Leão, Eliane Giardini, Mariana Ximenes, Alanis Guillen, Danilo Grangheia, Mariana Santos, Vanessa Bueno, Duda Batsow, Paulo Mendes, Liza Dala, Ivy Souza, Lucas Wickhaus, David Júnior e Thalita Carauta. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo.


Eliane Giardini comentou sobre sua nova personagem e como foi sair do sucesso da Agatha, em "Terra e Paixão", para outro projeto: "Você recebe outro texto e já começa a viajar no novo personagem. Uma das coisas boas de começar um trabalho novo é o processo incrível da caracterização. Vai se montando uma nova pessoa e você vai vendo o personagem se formando. O visual já diz muito sobre a pessoa e vai definindo a atmosfera da personagem. A Berta tem uma chegada tranquila na novela. É sócia do Molina (Rodrigo Lombardi), o filho mora no exterior, tudo de boa. Mas quando o filho volta acontece uma tragédia e tudo muda. A Berta vai passar por uma transformação trágica, o que modifica a pessoa. Impacta. Nossa família é um espetáculo e nossa trama é maravilhosa. Começa em mares calmos em Angra dos Reis e depois o filho dela morre. Berta tem muita afinidade com o neto e estou amando essa personagem".

Mariana Ximenes complementou a colega: "Eu paquero a Eliane há muito tempo. É uma dádiva ter a Eliane como parceira, tanto na coxia porque a gente janta juntas, come camarão empanado com cerveja... Ela tem uma Mariana na vida dela como filha ainda por cima. E em cena é incrível. É uma atriz extraordinária.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Retrospectiva 2022: as melhores atrizes e os melhores atores do ano

 Com mais de cento e setenta cenas na retrospectiva de melhores cenas da televisão, obviamente não faltou ator talentoso na telinha. Portanto, chegou a hora de listar as melhores atrizes e os melhores atores do ano que está perto do fim. Vários se destacaram, emocionaram e protagonizaram grandes momentos em novelas, séries e minisséries. Vamos a eles.


Melhores Atrizes: 


1- Alinne Moraes. 

 Bárbara foi uma das personagens mais complexas de "Um Lugar ao Sol". Embora algumas atitudes parecessem de uma vilã, a patricinha vivia uma avalanche de sentimentos e tinha uma relação tóxica com Christian/Renato. Alinne esteve irretocável em cena e sua parceria com Cauã Reymond, Ana Beatriz Nogueira e Ana Baird foi incrível. 



2- Alanis Guillen.

A Juma Marruá do remake de "Pantanal" tinha que ser dela. A atriz teve um trabalho de composição fantástico e fugiu do elevado risco de cair na caricatura. A menina-onça que vivia com 'reiva' foi defendida com brilhantismo e a atriz saiu gigante da novela. Um reconhecimento que estava merecendo desde sua estreia na última temporada de "Malhação"

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Sem adaptações relevantes, sucesso do remake de "Pantanal" se deu pela força da história e dos personagens emblemáticos de Benedito Ruy Barbosa

 O remake de "Pantanal" teve um tratamento diferenciado da Globo. Houve um intenso trabalho de divulgação bem antes da produção estrear e enquanto estava no ar foi assunto de todos os programas de entretenimento da grade. Também investiu bastante na novela que teve um clima de superprodução. O esforço valeu a pena. A obra baseada fielmente na história escrita por Benedito Ruy Barbosa na Rede Manchete em 1990, que chegou ao fim nesta sexta-feira (07/10), teve uma boa repercussão e audiência satisfatória. Fez sucesso. Aumentou oito pontos a média geral da faixa em comparação com a antecessora, "Um Lugar ao Sol", que não recebeu o mesmo tratamento.


A fotografia e o elenco foram os grandes trunfos da trama adaptada por Bruno Luperi, neto do autor. A direção de Rogério Gomes impressionou na primeira fase, enquanto a de Gustavo Fernandez manteve a qualidade na segunda. As imagens --- com direção de fotografia de Walter Carvalho --- encheram os olhos e pareciam pinturas. A preocupação em gravar várias cenas sempre ao entardecer, aproveitando os breves minutos do pôr-do-sol diante do verde e das águas do Pantanal, teve um resultado deslumbrante e deve credenciar a obra para concorrer ao Emmy Internacional. 

A primeira fase foi impecável. Com poucos personagens e um bom ritmo, sem pecar pela lentidão ou uma correria desnecessária, a trama logo conquistou o telespectador através dos personagens emblemáticos criados por Benedito há 32 anos e pelos atores que aproveitaram a curta chance que tiveram.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Casamento duplo resulta em sequências emocionantes no centésimo capítulo de "Pantanal"

 A novela das nove da Globo apresentou um capítulo primoroso nesta quinta-feira, dia 21. O remake de "Pantanal" vinha andando em círculos há semanas, consequência da quase nula interferência de Bruno Luperi na obra original do avô, Benedito Ruy Barbosa, que era arrastada em 1990. Tudo vem sendo mantido quase idêntico ao folhetim original, inclusive os defeitos. Mas isso é tema para outro texto. Agora é necessário uma sucessão de elogios ao que foi apresentado no centésimo capítulo da trama. 


O casamento duplo de Muda (Bella Campos) com Tibério (Guito) e de Jove (Jesuíta Barbosa) com Juma (Alanis Guillen) rendeu longas sequências, onde a beleza da fotografia e a sensibilidade do texto dominaram. Após a turbulência envolvendo o temor de Juma com toda aquela situação, o que foi compreensível para uma menina que nunca foi socializada, a chegada da 'onça' foi muito bonita e a música tema do casal, "Amor de Índio", cantada por Gabriel Sater, deu o toque final ao momento. Embora com menos destaque, mas igualmente delicada, a união de Ruth com o peão mais querido de Leôncio (Marcos Palmeira) complementou bem a cena. 

Mas o principal ficou por conta do brilhantismo de Osmar Prado. O toque do berrante do Velho do Rio, deixando todos os convidados surpresos e Leôncio emocionado, foi o instante mais arrepiante do capítulo. Vale ressaltar a emoção de Marcos Palmeira, destacar a direção da equipe de Gustavo Fernandez e o belo texto a respeito da presença de Deus, dito pelo 'véio' em alternância com o padre, vivido pelo ótimo Cacá Amaral.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Alanis Guillen tinha que ser a Juma Marruá do remake de "Pantanal"

 Bruno Luperi vem adaptando com raras mudanças o sucesso de seu avô, Benedito Ruy Barbosa, exibido em 1990 pela Rede Manchete. O remake de "Pantanal" vem angariando merecidos elogios, tendo a beleza das imagens e a boa escalação do elenco como maiores trunfos. E o principal desafio da produção era encontrar uma nova Juma Marruá, papel que mudou a vida de Cristiana Oliveira há 32 anos. Como selecionar uma atriz que lembrasse a colega, mas ao mesmo tempo tivesse um diferencial? Bem, já está claro que a escolha foi a melhor possível. 

Alanis Guillen vem dominando o papel desde sua primeira aparição no início da segunda fase da trama. Grata revelação de "Malhação - Toda Forma de Amar", a última temporada do seriado adolescente exibida em 2019, a atriz reúne todos os requisitos essenciais para um perfil como o de Juma. Queriam um rosto novo, mas com uma mínima experiência para segurar o peso do papel. Uma jovem intérprete, mas sem procedimentos estéticos que dominam a classe artística hoje em dia, como silicone, lentes nos dentes, harmonizações faciais, etc. E se tivesse uma semelhança com Cristiana Oliveira melhor ainda. 

A atriz representa o conjunto perfeito. Porém, de nada adiantaria todas as características mencionadas  se a profissional deixasse a desejar na atuação. Afinal, Juma é mulher que cresceu isolada do mundo, criada apenas pela mãe superprotetora, e muitas vezes se comporta como um bicho selvagem. É um perfil que exige um intenso trabalho corporal somado ao processo dramático.

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Irritante flerte entre Zé Lucas e Juma nada acrescenta ao roteiro de "Pantanal"

 O remake de "Pantanal" vem apresentando poucas diferenças da versão original, exibida em 1990 na Rede Manchete. Na verdade são raras as alterações no texto e nas situações apresentadas. Isso porque Bruno Luperi não esconde a admiração e o respeito que tem pela obra do avô, Benedito Ruy Barbosa. O autor admite que se preocupou em 'não estragar nada'. É compreensível a sua atitude e o sucesso da trama na Globo vem provando que não está errado. No entanto, alguns conflitos mereciam alteração. Como é o caso do flerte entre Zé Lucas e Juma. 


Irandhir Santos e Alanis Guillen estão irretocáveis na novela desde o início. No caso de Irandhir ainda houve um bônus de seu brilhante desempenho na primeira fase como Joventino. É importante lembrar que o José Lucas de Nada só entrou na novela em 1990 porque o público se indignou com a saída de Paulo Gorgulho. O intérprete viveu Zé Leôncio na primeira fase e foi substituído por Cláudio Marzo na segunda. Os telespectadores escreviam muitas cartas reclamando da sua ausência. Benedito, então, criou um novo filho para o protagonista. 

Só que como foi um personagem criado sem muito planejamento, em determinado momento da trama o autor ficou sem saber o que fazer com ele. E o interesse cada vez maior em Juma serviu como conflito para Zé. Há até uma cena em que o filho de Leôncio tenta agarrá-la à força, algo que seria inadmissível atualmente para um personagem que não é um vilão.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Amor bem construído entre Juma e Jove é um dos maiores trunfos de "Pantanal"

 O remake de "Pantanal" vem sendo muito bem desenvolvido por Bruno Luperi. O autor tem feito poucas mudanças na obra original de Benedito Ruy Barbosa, seu avô, exibida em 1990 na Rede Manchete. Tanto que muitas cenas podem ser comparadas com a versão de 32 anos atrás de tão parecidas. O bem construído romance de Juma Marruá e Joventino é uma das situações que não foram quase alteradas e o encantamento da primeira trama vem se repetindo na adaptação. 

A química vista com Cristiana Oliveira e Marcos Winter em 1990 segue arrebatadora com Alanis Guillen e Jesuíta Barbosa. O acerto da escalação é visível. A única grande mudança foi em cima da personalidade de Joventino. Antes debochado e extrovertido, o personagem agora é melancólico e problemático. Muitos reclamam da mudança nas redes sociais, mas o autor se mostrou inteligente ao retratar o jovem de hoje em dia. São gerações totalmente diferentes. O mocinho de 32 anos atrás tecia comentários que o de hoje condena. E quem viveu a juventude na década de 90 tinha motivos para sorrir e ter otimismo, afinal, era uma época que marcou o recente fim da ditadura militar, por exemplo. Já atualmente anda difícil ter esperança. 

Mas voltando ao casal, a essência dos personagens segue presente, o que é fundamental para despertar comoção pelo nascimento do amor que os une. São duas pessoas com vivências distintas e temperamentos opostos. Enquanto Juma esbanja coragem e ameaça qualquer um que apareça em sua casa com um espingarda, Joventino é tímido e morre de medo de qualquer animal, principalmente de cavalo. Também foge de briga.

quinta-feira, 24 de março de 2022

Tudo sobre a terceira e quarta coletivas online de "Pantanal", a nova novela das nove

 A Globo promoveu nesta terça e quarta-feira a terceira e quarta coletivas online de "Pantanal", remake do sucesso de Benedito Ruy Barbosa exibido em 1990 pela extinta Manchete, adaptado por Bruno Luperi e dirigido por Rogério Gomes. Participaram da coletiva de terça a caracterizadora Valéria Toth e os atores Marcos Palmeira (José Leôncio), Jesuíta Barbosa (Jove), Alanis Guillen (Juma), José Loreto (Tadeu), Dira Paes (Filó), Gabriel Sater (Trindade), Guito (Tibério), Leandro Lima (Levi) e Bella Campos (Muda). 

Já o quarto bate-papo contou com a presença do cenógrafo Alexandre Gomes e os atores Karine Teles (Madeleine), Camila Morgado (Irma), Caco Ciocler (Gustavo), Silvero Pereira (Zaquieu), Victoria Rosseti (Nayara), Murilo Benício (Tenório), Isabel Teixeira (Maria Bruaca), Julia Dalavia (Guta), Paula Barbosa (Zefa), Juliano Cazarré (Alcides), Aline Borges (Zuleika), Lucas Leto (Marcelo), Gabriel Santana (Renato) e Cauê Campos (Roberto). Fui um dos convidados e conto sobre a conversa dos dois encontros virtuais. 

A caracterizadora Valéria Toth falou um pouco de seu processo: "Quis fazer uma novela digna da outra versão. O elenco é maravilhoso e coloquei todo meu amor e minha arte neste trabalho. Estou muito satisfeita e me emociono em cada chamada. Muitos atores que eu não conhecia e estou apaixonada por esse projeto.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Com um final desrespeitoso e deprimente, "Malhação - Toda Forma de Amar" foi uma completa decepção

Emanuel Jacobina foi um dos criadores de "Malhação" em 1995. Portanto, pela lógica, o autor deveria ser um dos maiores entendedores do longevo seriado adolescente da Globo. Porém, lamentavelmente, não é uma verdade. A última temporada merecedora de elogios do escritor foi a de 2010, que inaugurou a era de "subtítulos". Embora não tenha aparecido no crédito, a fase era chamada de "Malhação - Cidade Partida", protagonizada por Pedro (Bruno Gissoni) e Catarina (Daniela Carvalho). Já as temporadas "Seu Lugar no Mundo" (2016) e "Pro Dia Nascer Feliz" (2017) foram péssimas. A chance de voltar aos bons tempos e se redimir era com "Malhação - Toda Forma de Amar". Não deu.


A temporada, que chegou ao fim antecipadamente nesta sexta-feira por conta do encerramento das gravações em virtude da pandemia do coronavírus, tinha tudo para ser um sucesso de público e crítica. Jacobina usou a premissa da primorosa "Malhação - Viva a Diferença", escrita por Cao Hamburger, para tentar emplacar um êxito semelhante: o vínculo de amizade entre adolescentes surgido diante uma situação de grande adrenalina. Mas não era um encontro no metrô com uma das meninas entrando em trabalho de parto e, sim, um sequestro (que culminou em assassinato) presenciado por seis jovens em uma van. E todos esses adolescentes carregavam dramas aparentemente bem construídos.

Rita (Alanis Guillen), Guga (Pedro Alves), Anjinha (Caroline Dallarosa), Jaqueline (Gabz), Raíssa (Dora de Assis) e Thiago (Danilo Maia) estabeleceram um elo depois que viram Zé Carlos (Peter Brandão) ser levado diante de seus olhos. E a amizade foi crescendo à medida que as investigações sobre o assassinato do menino avançavam.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Alanis Guillen foi uma das melhores revelações de "Malhação - Toda Forma de Amar"

Não é fácil criar mocinhas que provoquem empatia no público e ainda ganhem torcida. No caso de "Malhação", seriado adolescente longevo da Globo, há outro agravante: lançar um novo talento com esse tipo de papel.  Ou seja, o autor precisa se preocupar com uma boa história, uma personagem bem construída e escolher (juntamente com a direção) uma intérprete desconhecida que convença em cena. É possível afirmar, portanto, que, apesar dos seus vários equívocos no conjunto da obra, Emanuel Jacobina conseguiu cumprir essa ingrata missão em "Malhação - Toda Forma de Amar".


Rita  é uma adolescente que teve sua filha tirada de seus braços pelo próprio pai e só soube da verdade durante a missa de sétimo dia do avô do bebê. Ao contrário do que acreditava, a menina não morreu no parto. A saga da personagem é lutar pela guarda da criança e enfrentar uma séria disputa judicial com a família que a adotou, no caso, Lígia (Paloma Duarte), Joaquim (Joaquim Lopes), Lara (Rosanne Mulholhand) e Filipe (Pedro Novaes), por quem ironicamente se apaixona e acaba correspondida. Um contexto que utilizou vários clichês da teledramaturgia e funcionou.

Alanis Guillen foi uma escolha bastante acertada para viver a determinada menina. No início da temporada, é preciso ressaltar, apresentou uma certa insegurança. Em algumas cenas mais pesadas, onde a emoção era muito exigida, acabou deixando a desejar. Compreensível. É sua estreia na televisão e quase sempre os jovens talentos do seriado começam irregulares.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Construção do relacionamento dos mocinhos é o principal acerto de "Malhação - Toda Forma de Amar"

A nova temporada de "Malhação" estreou em 16 de abril, ou seja, está há pouco menos de dois meses no ar. Embora ainda esteja no início, a trama vem despertando atenção em virtude dos bons conflitos apresentados por Emanuel Jacobina até então. São vários personagens carismáticos e bem construídos, convidativos dramas e lindos pares que começam a ser formados. A melhor construção, por sinal, vem sendo a do casal de mocinhos.


Filipe (Pedro Novaes) e Rita (Alanis Guillen) se conhecem por causa de Nina, a filha da mocinha que é adotada pelos pais do mocinho. O pai da garota colocou o neto para a adoção e Rita nem conseguiu pegar na filha depois que pariu. Ela nem sabia que a criança estava viva e só descobriu a verdade no dia da missa de sétimo dia do pai, mais de um ano depois do nascimento do bebê. Tudo isso foi contado no primeiro capítulo e desde então o público vem acompanhando os desdobamentos desse clichê tão comum na teledramaturgia.

O autor não teve pressa na junção do casal. Eles mal se olharam nas vezes que se viram diante da tensão de todo o contexto: Rita sempre agia com destempero diante da filha e recebia como troco o enfrentamento de Lígia (Paloma Duarte), Joaquim (Joaquim Lopes) e Lara (Rosanne Mulholhand). O único que aparentava uma certa empatia por aquela mãe desesperada era Filipe.