A novela Coração Acelerado, escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, chegou ao fim nesta sexta-feira (14/08) deixando a sensação de uma oportunidade desperdiçada. Desenvolvida a partir da pesquisa de opinião e comportamento “Brasil no Espelho”, realizada pela Quaest a pedido da emissora para mapear o perfil do público brasileiro, a trama foi pensada para reunir personagens jovens, o universo da música sertaneja e um forte tom de brasilidade. A estratégia era criar uma história capaz de conversar diretamente com o público. O problema é que nenhuma pesquisa consegue substituir o principal elemento de uma novela: uma boa história.
O fracasso de audiência, repercussão e crítica mostrou justamente isso. As autoras não conseguiram construir uma estrutura narrativa minimamente sólida, capaz de prender o interesse do público e desenvolver conflitos consistentes ao longo dos meses. Pelo contrário: o principal fiapo de enredo, o amor de infância entre João Raul (Filipe Bragança) e Agrado (Isadora Cruz), foi praticamente solucionado na primeira semana, com o reencontro dos mocinhos e a imediata formação do casal, sem qualquer construção elaborada.
Foi impossível torcer por eles diante de uma relação de infância tão frágil, que parecia ter se resumido a uma conversa de cinco minutos. Agrado ainda escondia sua verdadeira identidade de João Raul, mas isso pouco importava, já que os dois ficaram juntos logo de cara.