sexta-feira, 30 de julho de 2021

Tudo sobre a coletiva online de "Nos Tempos do Imperador", nova novela das seis

 Nesta segunda-feira (26/07), a Globo promoveu a coletiva online da nova novela das seis escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão, "Nos Tempos do Imperador", que estreia no dia 9 agosto. A trama é uma espécie de continuação de "Novo Mundo", sucesso escrito pela dupla em 2017. É o primeiro folhetim da emissora a estrear já quase todo gravado e ainda durante a pandemia do novo coronavírus. Participaram os dois autores, Selton Mello, Mariana Ximenes, Letícia Sabatella, Rogério Brito, Alexandre Nero, Michel Gomes, Dani Ornellas, Gabi Medvedovski, e o diretor Vinicius Coimbra. A jornalista Monica Sanches mediou a conversa. Fui um dos convidados e conto um pouco como foi esse bate-papo. 

"É uma sequência da ideia de "Novo Mundo", a diferença é que já temos um Brasil estabelecido devido a independência promovida por Dom Pedro I. A Rede Globo solicitou essa continuação logo após o término de "Novo Mundo", mas era uma ideia que nós já tínhamos. Dom Pedro II é um dos brasileiros mais queridos de todos os tempos. Ele fez muitas coisas importantíssimas pro país que temos hoje. A gente tentou fazer uma novela que tivesse algum movimento, alguma aventura, e por isso ela vai até a Guerra do Paraguai. E também colocamos personagens negros que não estão naquela figura dos escravizados. Vamos ver personagens negros complexos, livres e fazendo a sua procura pela abolição. Para a gente ver que a abolição não é resultado de uma canetada", contou Thereza Falcão.

"Hoje entregamos nosso bloco 26 da novela. Fizemos em 26 semanas. Já está quase toda pronta. A gente está há muito tempo com essa novela. Começamos a trabalhar logo depois de "Novo Mundo". Isso em 2017, estamos em 2021. Em março de 2020 estávamos preparados para mostrar isso, mas a coletiva foi cancelada e veio a pandemia.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Reprise de "A Vida da Gente" relembra o último grande papel de Nicette Bruno na televisão

 A morte de Nicette Bruno ainda machuca. A veterana faleceu em dezembro do ano passado, vítima da covid-19. A atriz era uma das figuras mais queridas e admiradas, tanto pelo público quanto classe artística. A sua perda foi (e continua sendo) uma das muitas feridas abertas em virtude da pandemia do novo coronavírus. Mas a decisão da Globo em reprisar "A Vida da Gente" veio como um alento para os fãs. 


É a chance do público prestigiar o último grande papel de Nicette na televisão. Iná é avó das protagonistas Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manuela (Marjorie Estiano). Normalmente, a figura da avó não tem muita importância nas novelas, o que é uma pena e prejudica os atores mais velhos. Mas na primorosa novela de Lícia Manzo, que marcou a estreia da escritora como autora de folhetins no horário das seis em 2011, é diferente. 

Iná é avó de Ana, mas 'mãe' de Manu. Isso porque Eva (Ana Beatriz Nogueira), sua filha, nunca suportou Manuela e jamais fez questão de esconder ou camuflar sua preferência por Ana. Mas Manuela não fica desamparada graças ao amor e compreensão de sua vó. As duas são confidentes e grandes amigas. Iná aconselha a neta e a ajuda em tudo o que pode.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Orlando Drummond cumpriu sua missão e jamais será esquecido

 Nesta terça-feira, dia 27, faleceu Orlando Drummond, aos 101 anos. O ator, dublador e humorista morreu em casa, no bairro de Vila Isabel, Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla dos órgãos, após ter passado quase dois meses internado por conta de uma infecção urinária. É mais uma triste perda no meio artístico, mas o eterno Seu Peru cumpriu sua missão com louvor. 


Orlando deixa um legado respeitável. Embora seja uma figura amada e conhecida por todos, muito em virtude do aluno icônico da "Escolinha do Professor Raimundo", o humorista foi um dos dubladores mais requisitados do país e deixou sua emblemática voz em vários personagens de sucesso. Scobby Doo, Alf (o ETeimoso), Popeye, Gargamel ("Os Smurfs") e o Vingador, de "Caverna do Dragão", foram alguns deles. Ele começou na rádio e foi a partir da experiência que aprendeu a moldar sua voz.

O ator entrou até para o Guinnes Book, o livro dos recordes, por ter dublado o cachorro medroso do desenho por 35 anos. Orlando estava casado (com Dona Glória, de 86 anos) há quase 70 anos e deixou dois filhos, cinco netos ---- três também dubladores ---- e dois bisnetos.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

"Ilha Record" não passa de uma cópia de vários realities, mas promete entreter o público

 A Record sabe que os realities ganharam uma força em tempos de pandemia, onde a dificuldade das produções inéditas se tornou imensa. Nada mais simples do que confinar pessoas em um espaço, sem risco da covid-19, e aproveitar as brigas e embates que todos terão ao longo da disputa de um prêmio em dinheiro. Para o hiato entre o final do fracassado "Power Couple Brasil" e o início de "A Fazenda 13" não ser grande, a emissora 'criou' um formato próprio chamado "Ilha Record", que estreou nesta segunda-feira. 

Na verdade, o formato não tem novidade alguma. É apenas uma cópia de várias fórmulas de outros realities conhecidos do grande público. Treze "famosos" são confinados em uma espécie de casa de praia, com vista para o mar, e dois grupos são formados para a disputa de provas de força, agilidade e raciocínio. Os participantes são eliminados nas votações e não há escolha popular. Lembra "No Limite"? Bastante. A diferença é o conforto do casarão e a eliminação não ocorrer 'para valer'. Isso porque os jogadores que saem são confinados em uma caverna e de lá assistem tudo o que acontece no programa, podendo interferir em decisões e provas. Lembra o 'paredão falso' do "BBB"? Sim. 

Há vários momentos com depoimentos dos jogadores sobre algum desentendimento ou acontecimento relevante no programa, algo que se assemelha ao "Masterchef", da Band, e "De Férias com o ex", da MTV. Aliás, há outra similaridade com o reality da MTV: a presença de um misterioso guardião que só aparece com alguma missão que deixa o clima tenso na casa.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Após dez anos, reprise de "A Vida da Gente" mostra que Manu, Rodrigo e Ana deveriam ter terminado sozinhos

 A primeira exibição de "A Vida da Gente" ocorreu entre 2011 e início de 2012. A novela preciosa de Lícia Manzo sempre foi uma das mais elogiadas da Globo e se tornou a segunda mais vendida no mercado internacional. A reprise, dez anos depois, por conta da pandemia do novo coronavírus, comprovou todas as qualidades já observadas na época. Foi um novelão inesquecível. Mas o olhar do público muda ao longo do tempo. É natural. E revendo a história é possível constatar que o final deveria ter sido outro. 


A autora criou um enredo fascinante e envolvente, onde o vilão era a vida e todos os personagens tinham qualidades e defeitos. Era possível entender o lado de todos, dependendo da perspectiva de cada um. Por isso o público se torna tão passional quando acompanha a história e sente uma intimidade com aquelas pessoas que parecem tão reais. O triângulo amoroso envolvendo Manu (Marjorie Estiano), Rodrigo (Rafael Cardoso) e Ana (Fernanda Vasconcellos) é o que mais desperta sentimentos no telespectador. Muito pela forma como tudo aconteceu. Mas a novela nunca foi sobre casais. A autora contou uma história de amor entre irmãs. O resto era consequência. 

E observando com maior atenção todo o novelo tão bem criado por Lícia, já com alguns pensamentos diferentes dos de dez anos atrás, não é absurdo achar que os três personagens deveriam ter terminado sozinhos. Um final infeliz, então? Um desfecho sofrido? Muito pelo contrário.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

"No Limite" fracassou no seu principal objetivo: entreter o público

 O "No Limite" estreou no dia 11 de maio. Uma semana após o fim do "BBB 21". O intuito de Boninho era claro: mantar uma parcela dos fãs do reality de sucesso que consagrou a vitória de Juliette. E inicialmente parecia que conseguiria. Mas, ao longo das semanas, o nível de interesse do público foi dissipando. O programa se manteve na liderança isolada, mas a audiência esteve longe da almejada, assim como a repercussão. A final foi exibida nesta terça-feira (20/07).

O formato é baseado no formato estadunidense "Survivor", que por sua vez é uma versão do programa sueco "Expedition Robinson". A primeira temporada estreou na Globo há quase 21 anos. E foi o primeiro reality do Brasil. Um fenômeno. Mas não repetiu o sucesso nas três temporadas posteriores. A quinta, exibida atualmente, tinha tudo para voltar com uma boa repercussão. A escolha de ex-BBBs para a disputa foi um ótimo chamariz. Mas o principal erro foi a permanência da exibição semanal. Pois o esquema funcionava há anos, quando não existia reality no país. Agora, após a produção de inúmeros realities de convivência, fica difícil o público se prender a algo que não desperta uma rotina. 

O principal atrativo seria o foco na convivência dos participantes ao longo dos dias, passando frio, fome e tantas outras dificuldades propostas pela competição. A parte em que eles conversavam ou discutiam pareciam ter pouca importância. Havia um protagonismo muito maior nas provas. E, sim, o formato do "No Limite" sempre foi esse.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Embate entre Ana e Manu resultou na cena mais memorável de "A Vida da Gente"

 Nesta terça-feira, foi reprisada a cena mais aguardada de "A Vida da Gente", exibida originalmente no dia 14 de fevereiro de 2012, também uma terça: a briga entre Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano). Ao saber através de Júlia (Jesuela Móro) que sua irmã não iria em seu casamento com Lúcio (Thiago Lacerda), Ana resolve ir ao encontro de Manu para entregar o convite pessoalmente e, quem sabe, fazer as pazes. Mas acontece justamente o contrário: uma explosão de mágoas e feridas expostas, que resultaram em uma das melhores cenas da história da teledramaturgia.

A sequência tem oito minutos de duração. Uma eternidade já na época em que a novela foi exibida, em virtude da mudança da linguagem dos folhetins, que precisaram de um maior dinamismo para não afugentar a atenção do público. Mas, ainda assim, Lícia Manzo é uma autora que costuma desafiar essa 'regra' em suas obras, sempre valorizando os diálogos. A sua primeira novela já tinha deixado bem explícita a sua forma de trabalhar. E a cena se tornou a maior lembrança que o telespectador tem da saga sobre o amor de duas irmãs. De fato, entrou para a história. 

 Assim que Ana chega, Manu a recebe com frieza, como tem sido desde que flagrou a irmã beijando Rodrigo (Rafael Cardoso), seu então marido e ex-namorado de Ana. Poucos segundos depois os ânimos já se exaltaram e o embate começou.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Paula merece ganhar o "No Limite"

 O "No Limite" está perto de seu fim e o reality, dirigido por Boninho e comandado por André Marques, não atingiu o sucesso esperado. A repercussão também ficou abaixo das expectativas. A falta da exibição de maiores detalhes da rotina dos competidores e a pouca criatividade das provas podem ter sido fatores que interferiram no resultando perante o público. Mas, deixando as questões que envolveram o reality de lado, é possível fazer uma boa análise do desempenho de cada participante ao longo do programa. E não há dúvida: Paula merece vencer. 

Paula participou do "BBB 18" e sempre foi ótima nas provas do reality comandado por Tiago Leifert. Não por acaso, na época, ganhou dos fãs o apelido de "Paula Croft", em alusão ao game e ao filme "Lara Croft - Tomb Raider" (2001). Quando a produção do "No Limite" divulgou que a volta do formato se daria com um elenco formado apenas por ex-BBBs era previsível que Paula fosse chamada, como de fato foi. E impressiona seu desempenho desde a estreia da disputa. 

A participante nunca reclamou das condições do acampamento (todos ficam vulneráveis ao vento, chuva e intenso calor). Sua capacidade de se adaptar a qualquer situação também é um ponto que a favorece muito no jogo. Está sempre tentando conciliar o grupo e evita maiores desentendimentos.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Apesar dos problemas, "Salve-se Quem Puder" foi a melhor novela de Daniel Ortiz

 Daniel Ortiz ainda pode ser considerado um autor 'novato'. Afinal, "Salve-se Quem Puder" foi sua primeira novela autoral, de fato. As duas anteriores foram criadas por outros escritores. A sua estreia como autor solo foi com a despretensiosa "Alto Astral", em 2014, baseada na sinopse da saudosa Andrea Maltarolli, falecida em 2009. Foi um começo bem-sucedido. Já a fraca "Haja Coração", de 2016, era um remake de "Sassaricando" (1988), de Silvio de Abreu, escritor veterano que o lançou. E a produção que chegou ao fim nesta sexta-feira, uma obra original, já pode ser considerada o melhor trabalho de Ortiz. 

A premissa de "Salve-se Quem Puder" tinha tudo para cair no absurdo e no ridículo, mesmo na faixa leve das 19h. Mas funcionou. Os sonhos das protagonistas Luna (Juliana), Alexia (Deborah) e Kyra (Vitória) são interrompidos quando elas presenciam a execução de um juiz (vivido por Ailton Graça) e são obrigadas a viver sob custódia do Programa de Proteção à Testemunha. Para sobreviver, elas mudam o nome, a aparência, o estilo de vida e vão morar na fictícia Judas do Norte, no interior de São Paulo, depois que são dadas como mortas. Luna assumia o nome de Fiona, Alexia virava Josimara e Kyra era Cleyde, novas pessoas com um padrão de vida bem diferente. Mas tudo deu errado e o trio acaba voltando para São Paulo. 

O início da novela tem um clima de superprodução. Isso porque abusaram dos efeitos especiais para a reprodução de um furacão no México, bem no dia que as protagonistas testemunham o assassinato que transforma suas vidas. E valeu a pena o esforço da produção. Foram 17 dias de filmagem. Os efeitos convenceram e não ficaram devendo aos filmes que utilizam os recursos em enredos com catástrofes naturais.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

"Salve-se Quem Puder" provou que é necessário um cuidado na escalação do elenco infantil

Não é fácil escalar um elenco e essa dificuldade duplica quando se trata de atores mirins. Embora exista muita procura, em virtude da necessidade dos personagens terem filhos, a oferta nem sempre condiz com a expectativa. Muitas vezes a profissão nem é o sonho da criança, mas uma ambição dos pais. Acaba sendo mais complicado achar pequenos que tenham desenvoltura diante das câmeras. Todavia, há muitos talentos revelados e exemplos não faltam. Mas o problema da seleção salta aos olhos em "Salve-se Quem Puder".


Alice Palmar e Ygor Marçal interpretam Queen e Mosquito, filhos adotivos de Alan (Thiago Fragoso). As crianças têm uma grande importância para o núcleo protagonizado pelo advogado. Afinal, é por causa da indisciplina dos pequenos que o personagem acaba contratando Kyra (Vitória Strada), chamada de Cleide, como babá. É o caso do patrão que se apaixona pela cuidadora de seus herdeiros, típico clichê visto inúmeras vezes em outras novelas, livros, peças teatrais e filmes. Ou seja, um cuidado maior na escalação era fundamental.

As crianças ainda não estavam prontas para tamanho desafio. O autor Daniel Ortiz escreve muitas falas para os personagens e os dois falam tudo decoradinho, parecendo um jogral. Não há emoção ou verdade em praticamente nada do que é dito.