A morte de Arthur Brandão entra para a história de "Quem Ama Cuida" como um daqueles capítulos em que roteiro, direção e interpretações alcançam um nível de excelência que transcende o melodrama tradicional. Exibido nesta terça-feira (2), o episódio não apenas marcou uma das maiores reviravoltas da novela até aqui, como também representou a despedida de Antonio Fagundes após 13 capítulos de uma atuação memorável, que deu densidade e humanidade a um dos personagens mais fascinantes da trama.
Arthur Brandão surgiu como um homem ferido pela vida, cercado por familiares que enxergavam apenas sua fortuna e incapazes de oferecer o afeto que ele tanto buscava. Ao decidir se casar com Adriana (Letícia Colin), sua fisioterapeuta e confidente, ele não apenas protegia sua herança daqueles que o abandonaram, mas encontrava uma rara oportunidade de recomeçar. A construção desse arco foi conduzida com sensibilidade pelos autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto, que transformaram um acordo aparentemente pragmático em uma das relações mais bonitas da novela.
Antonio Fagundes brilhou do primeiro ao último capítulo. Seu Arthur alternava amargura, ironia, fragilidade e esperança sem jamais perder a coerência dramática. Era um personagem que carregava cicatrizes profundas, mas que ainda acreditava na possibilidade de ser amado. O perfil era muito parecido com o que viveu em "Bom Sucesso", fenômeno das sete em 2019, escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm. Mas o intérprete conseguiu diferenciá-los.