quarta-feira, 21 de abril de 2021

"Plantão BBB" foi uma boa ideia que chegou atrasada

 A Globo estreou o "Plantão BBB" no dia 5 de abril. Quase três meses depois da estreia da vigésima primeira edição do reality. O programa, comandado pela ex-BBB Ana Clara, com cerca de 40 minutos, ocupou a vaga do extinto "Vídeo Show", logo após o "Jornal Hoje". Vale lembrar que o péssimo "Se Joga" também chegou a preencher a lacuna da grade vespertina por um período. 

O intuito da atração é surfar a onda da grande repercussão do "BBB 21", que vem quebrando recordes de audiência (a melhor média dos últimos sete anos), e sendo assunto dominante das redes sociais. Tanto que fica claro a falta de planejamento do formato. Foi algo criado às pressas para unir o útil ao agradável: tentar acertar na faixa mais problemática da Globo atualmente e render mais um pouco sobre um reality que já é um sucesso.

Em termos de audiência, não deu muito certo. O programa vem perdendo várias vezes para o quadro "A Hora da Venenosa", do "Balanço Geral", da Record. O aumento da duração do "Jornal Hoje", desde março do ano passado, com o início da pandemia do novo coronavírus, tinha sido uma estratégia bem mais vantajosa.

terça-feira, 20 de abril de 2021

"Todas as Mulheres do Mundo" tratou da romantização do 'esquerdomacho'

Um dos lançamentos da Globoplay em 2020 foi "Todas as Mulheres do Mundo". A série estreou no serviço de streaming da Globo em abril, ainda no início da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Quase um ano depois, a emissora estreou a produção em sua grade em virtude da escassez de seriados ou novelas inéditas por conta da interrupção das gravações. O último episódio foi exibido nesta terça-feira (20/04), após onze semanas no ar.


A série, escrita por Jorge Furtado e Janaína Fisher, é uma adaptação da obra de Domingos Oliveira (dramaturgo, autor e diretor falecido em março de 2019, aos 82 anos). Com direção de Patrícia Pedrosa, a trama é fruto da adaptação de oito textos de Domingos: "Todas as mulheres do mundo", "Edu coração de ouro", "Separações", "Amores", "Os inseparáveis", "A primeira valsa", "BR 716" e "Largando o escritório". 

O protagonista da série é Paulo (Emílio Dantas), um homem apaixonado pela liberdade, pela poesia e pelas mulheres. Por todas as mulheres. Do mundo. É capaz de encantar-se à primeira vista diversas vezes e se entregar, a cada relação, com a intensidade de quem vive o eterno amor.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

"Mulheres Apaixonadas no Viva" matou as saudades do público de um dos maiores sucessos de Manoel Carlos

Exibida entre 17 de fevereiro e 10 de outubro de 2003, "Mulheres Apaixonadas" foi a última grande novela de Manoel Carlos. O autor, que se equivocou com "Páginas da Vida" (2006), "Viver a Vida" (2010), e "Em Família" (2014), escreveu uma trama que foi um enorme sucesso e entrou para a galeria de grandes folhetins da teledramaturgia. A reprise, que chegou ao fim nesta sexta-feira (16/04), repetiu o êxito no Canal Viva e liderou a audiência entre os canais a cabo.


Após novelas excelentes, como "História de Amor" (1995), "Por Amor" (1997) e "Laços de Família" (2000), Maneco conseguiu emplacar uma quarta trama de sucesso seguida e surpreender o telespectador através de uma obra tão boa quanto as anteriores. O folhetim apresentou uma gama de histórias repletas de dramas envolventes e ainda presenteou o público com personagens muito bem construídos. O elenco também era um dos pontos fortes. Difícil apontar algum ator que não tenha ido bem em meio a tantos grandes nomes.

Todos os núcleos tiveram destaque, onde temas fortes e muitas vezes emocionantes permeavam os conflitos e os dramas dos personagens. Difícil esquecer o ciúme doentio de Heloísa (Giulia Gam em seu melhor papel na carreira); a bonita relação que Téo (Tony Ramos) tinha com a menina Salete (Bruna Marquezine); o alcoolismo de Santana (Vera Holtz); o romance de Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli); o preconceito de Paulinha (Ana Roberta Gualda); o agressivo psicopata

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Carmen Silva e Oswaldo Louzada foram um dos maiores trunfos de "Mulheres Apaixonadas"

 A reprise de "Mulheres Apaixonadas" no Viva está perto do fim e um dos maiores sucessos de Manoel Carlos repetiu o êxito no canal a cabo. A novela é conhecida pelas tramas secundárias fortes que ofuscaram a trajetória da Helena, vivida pela ótima Christiane Torloni. E um dos enredos mais lembrados e amados pelo público é o dos avós maltratados pela neta. Um marco na teledramaturgia, sem exagero. 


Carmen Silva e Oswaldo Louzada eram atores com longa carreira no teatro e no cinema, mas pouco conhecidos dos telespectadores, mesmo após várias participações em novelas e séries, incluindo da extinta TV Tupi. Na época, estavam com 87 e 91 anos, respectivamente. Já sem muitas oportunidades nas produções, ganharam uma chance de ouro de Maneco e aproveitaram. 

A dupla caiu nas graças do público logo que surgiu na história e o núcleo protagonizado por Carlão (Marcos Caruso) foi ganhando cada vez mais importância. Isso porque tinha ali todos os ingredientes necessários para um bom folhetim: os 'mocinhos', a vilã e o perfil cômico.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Reprise de "Mulheres Apaixonadas" no Viva lembrou que Heloísa era desequilibrada, mas tinha seus motivos

 Novelas refletem o comportamento da sociedade e por isso algumas envelhecem mal e outras se mantêm atual. A importância da teledramaturgia para expor a evolução do comportamento das pessoas é grande. A questão já foi tema de alguns posts neste blog envolvendo "Laços de Família" e "Mulheres Apaixonadas", uma recém-reprisada e a outra em sua última semana de reexibição. Dois sucessos de Manoel Carlos. Mas agora vale uma reflexão a respeito da condução de uma personagem: Heloísa, interpretada por Giulia Gam, na produção reprisada pelo Canal Viva. 


O perfil foi um dos mais emblemáticos de "Mulheres Apaixonadas". O que mais caracterizava o título da novela, por sinal. Mas hoje em dia é possível observar a forma equivocada como o conflito acabou desenvolvido pelo autor. Heloísa é uma clássica ciumenta doentia. Insegura e grosseira, a irmã de Helena (Christiane Torloni) tem um sentimento de posse pelo marido, o cafajeste Sérgio (Marcello Antony). Controladora, a personagem vive em função do esposo e até fez uma laqueadura escondida para não correr o risco de engravidar e assim dividir a atenção do companheiro, ainda que seja com um filho. 

É evidente que se trata de uma mulher psicologicamente doente. Tanto que passa de todos os limites em vários momentos. Já pensou em se matar, capotou seu carro e colocou a sua vida e a de uma amiga em risco durante um surto de ciúmes e chegou até a esfaquear o marido durante uma discussão. Cenas brilhantemente defendidas por Giulia Gam.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Parte final desnudou todos os problemas que sempre estiveram presentes em "Amor de Mãe"

 A primeira novela de Manuela Dias estreou logo no horário nobre. Uma responsabilidade e tanto. Normalmente, todos os escritores da emissora estreiam na faixa das seis ou sete e somente depois migram para a cobiçada faixa das 21h. Mas os ótimos trabalhos da autora nas minisséries "Ligações Perigosas" e "Justiça" (ambas em 2016) a credenciaram ao posto. No entanto, não teve sorte. A produção estreou em 25 de novembro de 2019 repleta de louvores da crítica especializada, mas parte do público não comprou a história, que apresentava problemas em vários núcleos. E quando o enredo central parecia engrenar, houve a interrupção das gravações em 21 de março de 2020 por conta da pandemia do novo coronavírus. 

Voltou ao ar praticamente um ano depois, no dia 15 de março de 2021, com apenas 23 capítulos restantes. A produção já estava entrando na reta final, mas mesmo assim sofreu um corte. Porém, não parece ter afetado o roteiro, pois a verdade é que muitas tramas já estavam sem rumo antes da interrupção das gravações. O grande interesse ficou em torno do enredo de Lurdes (Regina Casé) à procura do filho Domênico (Chay Suede). E sempre foi a única parte do folhetim que caiu nas graças do público. O maior clichê dramatúrgico raramente falha. 

Já os demais conflitos, que já estavam se perdendo, tiveram desfechos decepcionantes. A constante troca de casais era um dos problemas do roteiro e seguiu assim até o final. Nunca houve uma construção sólida que despertasse alguma torcida do público. O menos pior foi o par formado por Camila (Jéssica Ellen) e Danilo/Domênico.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Sandro perdeu a relevância em "Amor de Mãe", mas Humberto Carrão mostrou seu conhecido talento

Não é fácil interpretar um personagem controverso que vai se regenerando aos poucos. Esse tipo de papel tem nuances que exigem mais do ator. Convencer o público fica mais difícil, até porque o perfil normalmente inicia a novela na postura de quase vilão ou vilã. É a típica pessoa que se acha injustiçada pela vida. Mas se tem um intérprete que tem facilidade na composição de 'revoltados' é Humberto Carrão.


O ator se destacou em "Amor de Mãe", novela das nove da Globo, escrita por Manuela Dias e dirigida por José Luiz Villamarim. Sandro entrou com a trama já em andamento e tinha poucas aparições, mas cresceu quando Kátia (Vera Holtz) afirmou para Lurdes (Regina Casé) que o rapaz, então preso, era seu filho desaparecido. A melhor protagonista da história iniciou uma saga para tirá-lo da cadeia e até cometeu crimes, como ter levado um celular para o bandido em um dia de visitação.

O vínculo entre Sandro e Lurdes foi iniciado quando a batalhadora mulher trouxe o ''filho" para morar com sua família. A rejeição de Erica (Nanda Costa), Magno (Juliano Cazarré), Ryan (Thiago Martins) e Camila (Jéssica Ellen) era compreensível, até porque o rapaz voltou para o crime dias depois e levou relógios roubados para casa como depósito.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Ótimo em "Amor de Mãe", Irandhir Santos engrandece qualquer elenco

O talento de Irandhir Santos impressiona. Não há personagem que não interprete brilhantemente. Premiado ator de cinema, é um profissional respeitado e figura rara na televisão. Costuma selecionar muito bem seus trabalhos e tem o hábito de preferir sempre a mesma equipe. Por isso virou uma pessoa tão frequente nas produções dirigidas por José Luiz Villamarim. Certeza que esse fator pesou na hora de aceitar o Álvaro, grande vilão de "Amor de Mãe", que está em sua última semana.


É apenas o sétimo trabalho do ator na televisão e sua segunda aparição no horário nobre da Globo. A primeira foi em "Velho Chico", novela de Benedito Ruy Barbosa, exibida em 2016, onde viveu Bento dos Anjos, irmão de Santo (saudoso Domingos Montagner), e emocionou o público com seu desempenho. O intérprete agora teve a chance de mostrar uma nova faceta na pele de um perfil ambicioso e sem qualquer escrúpulo. O típico vilão maniqueísta presente em tantos folhetins.

Álvaro é dono da PWA, empresa do ramo do plástico em franca expansão. Polui o meio ambiente através de práticas ilícitas, era aliado de um miliciano que executava suas ordens sujas e passa por cima de quem se opõe a ele. Usa um cachimbo e está sempre bem vestido. Só falta um corvo no ombro.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

"The Voice +" trouxe um sopro de renovação, mas foi ao ar em um mau momento e manteve o principal equívoco do formato

 Não é novidade que o "The Voice Brasil" está a cada ano mais desgastado e com uma repercussão fraca. Ano passado foi o pior momento do reality musical da Globo, que perdia toda semana para "A Fazenda 12", da Record. O "The Voice Kids" ainda tinha um pouco mais de fôlego, mas até o formato com crianças sofreu desgaste. Com o intuito de retomar o fôlego de um produto rentável, a emissora criou o "The Voice +", que estreou no dia 17 de janeiro e chega ao fim neste domingo, dia 4 de abril. 

Com candidatos de 60 anos ou mais, a temporada nova conseguiu despertar interesse. Isso porque há muitos cantores veteranos no ostracismo que ganharam uma boa oportunidade com o programa, além de figuras carismáticas e de grande talento. Vários aposentados e que já nem tinham mais motivação na carreira. Ou então que querem alçar novos voos. É contagiante ver a animação e a emoção de vários vovôs e vovós no palco. E muitos que nem aparentam a idade que têm, vale ressaltar. O êxito da audiência nas tardes de domingo prova que funcionou. 

Entretanto, o equívoco observado no "The Voice Brasil e Kids" novamente aparece. A escalação dos técnicos. Cláudia Leitte e Daniel novamente? Nada contra os talentosos cantores, mas estiveram em várias temporadas dos outros formatos. Não tinha nomes diferentes? Ludmilla e Mumuzinho foram boas novidades, mas como não ter um técnico com mais de 60 anos para avaliar participantes que têm mais de 60?

quinta-feira, 1 de abril de 2021

"Arcanjo Renegado" é uma boa série da Globoplay

 A Globoplay lançou "Arcanjo Renegado" em fevereiro de 2020. Em fevereiro deste ano, a série estreou no canal aberto, após o "BBB 21". A trama policial é uma das muitas produções originais do serviço de streaming da Globo e teve um bom retorno com o assinantes --- é um dos produtos mais assistidos. Tanto que a segunda temporada foi garantida e com gravações já iniciadas. Como a pandemia do novo coronavírus ainda está longe de acabar, a emissora segue com dificuldades para estrear tramas inéditas em sua grade e acertou com a escolha. 

Mikhael (Marcello Melo Jr.) é o líder da equipe Arcanjo e Primeiro-Sargento do Bope (Batalhação de Operações Especiais) no Rio de Janeiro. Para ele, não existem desafios. Destemido e extremamente focado, comanda a experiente equipe em arriscadas ações, que vão desde o combate ao tráfico de drogas em comunidades cariocas até missões especiais. O enredo é bastante denso e o protagonista repleto de feridas não cicatrizadas de seu passado. 

Filho de um ex-policial, Sargento Afonso (Marcello Melo, pai do ator na vida real), Mikhael ficou órfão ainda criança quando o pai foi assassinado. Por isso, foi obrigado desde muito cedo a encarar as dificuldades da vida e se tornou cada vez mais introspectivo. Ainda assim, ele mantém uma forte ligação com sua irmã Sarah (Erika Januza).