A novela "Três Graças" acerta em cheio ao resgatar um elemento clássico da teledramaturgia: o confronto físico como ápice catártico de uma rivalidade bem construída. A sequência em que Gerluce, vivida por Sophie Charlotte, finalmente estapeia a vilã Arminda, de Grazi Massafera, não é gratuita nem apelativa e, sim, consequência dramática de uma escalada de violências emocionais, morais e até criminais.
Há tempos parte da crítica torce o nariz para esse tipo de recurso, sob o argumento de que ele contraria uma desejável sororidade feminina. Mas "Três Graças" demonstra que uma coisa não anula a outra. Aqui, não se trata de mulheres disputando um homem ----- Arminda, aliás, jamais demonstrou interesse por Paulinho (Rômulo Estrela). O embate nasce de algo muito mais grave: as consequências do esquema de remédios falsos comandado por Ferette, papel de Murilo Benício, que quase custou a vida de Lígia (Dira Paes), mãe da protagonista.
Somam-se a isso as humilhações constantes sofridas por Gerluce dentro da casa da vilã, enquanto cuidava de Josefa (Arlete Salles), e, sobretudo, o ato imperdoável de Arminda ao tentar matar Joelly (Alana Cabral), empurrando-a da escada durante a gravidez.