O início de "Coração Acelerado", nova novela das sete da Globo, escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, chama atenção menos pelo impacto emocional que promete e mais pela pressa com que tenta chegar a ele. Em seus primeiros capítulos, a trama parece correr contra o relógio, atropelando acontecimentos que, em outra circunstância, pediriam tempo para amadurecer e envolver o público.
Há uma clara sensação de excesso: conflitos surgem e se resolvem rapidamente, personagens são apresentados sem o devido respiro, e pequenas viradas acontecem antes mesmo de o telespectador conseguir compreender plenamente as motivações em jogo. O resultado é uma narrativa fragmentada, que dá a impressão de ainda estar se procurando, sem uma estrutura sólida que organize os eventos de forma orgânica.
O romance dos mocinhos, Agrado (Isadora Cruz) e João Raul (Filipe Bragança), elemento central de qualquer novela, sofre especialmente com essa aceleração. A relação é empurrada goela abaixo do público, sem a construção emocional necessária para gerar identificação ou torcida.