Quando Três Graças foi anunciada por Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva, a promessa era acompanhar a trajetória de três mulheres --- avó, mãe e filha --- marcadas pelo abandono, pela violência e pelas dificuldades impostas pelos homens que cruzaram seus caminhos. A força da novela estava justamente nessa rede feminina construída na ausência masculina. Porém, há poucos capítulos do fim, a sensação é de que a trama decidiu santificar justamente os homens responsáveis pelos maiores traumas das protagonistas.
A história de Lígia, Gerluce e Joelly sempre foi movida pela dor causada por seus parceiros. Dira Paes vive Lígia, abandonada grávida por Joaquim, personagem de Marcos Palmeira. O mais revoltante nem era o abandono em si, mas o fato de Joaquim ter permanecido a vida inteira praticamente ao lado da ex-companheira, na mesma favela da Chacrinha, sem nunca procurar a filha, a neta ou sequer demonstrar qualquer remorso verdadeiro.
Já Gerluce, interpretada por Sophie Charlotte, teve sua juventude destruída por Jorginho Ninja, papel de Juliano Cazarré. Na sinopse original, Joelly nasceria de um estupro cometido pelo traficante. A novela suavizou isso ao longo do caminho ---- talvez por censura da Globo, talvez por recuo dos próprios autores ----, mas manteve um relacionamento igualmente abusivo.