sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

"Coração Acelerado" tem início acelerado demais

 O início de "Coração Acelerado", nova novela das sete da Globo, escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, chama atenção menos pelo impacto emocional que promete e mais pela pressa com que tenta chegar a ele. Em seus primeiros capítulos, a trama parece correr contra o relógio, atropelando acontecimentos que, em outra circunstância, pediriam tempo para amadurecer e envolver o público.


Há uma clara sensação de excesso: conflitos surgem e se resolvem rapidamente, personagens são apresentados sem o devido respiro, e pequenas viradas acontecem antes mesmo de o telespectador conseguir compreender plenamente as motivações em jogo. O resultado é uma narrativa fragmentada, que dá a impressão de ainda estar se procurando, sem uma estrutura sólida que organize os eventos de forma orgânica.

O romance dos mocinhos, Agrado (Isadora Cruz) e João Raul (Filipe Bragança), elemento central de qualquer novela, sofre especialmente com essa aceleração. A relação é empurrada goela abaixo do público, sem a construção emocional necessária para gerar identificação ou torcida.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Os merecidos vencedores do troféu APCA de 2025

 A APCA de 2025 anunciou os vencedores da premiação nesta segunda-feira (26/01) e a categoria televisão agraciou os concorrentes mais justos. Ainda que quase todos os indicados tenha feito por merecer, as escolhas foram incontestáveis e, de fato, consagraram os melhores. 


Na disputa de Melhor Novela, a vitória de "Guerreiros do Sol" (Globoplay) se impõe com justiça. Em meio a concorrentes de peso como "Beleza Fatal", "Garota do Momento" e "Três Graças", a obra vencedora se destaca por revitalizar a força da ficção com densidade dramática, apuro estético e uma abordagem nua e crua da violência e do sofrimento de um povo em plena época do cangaço. Foi a melhor novela de 2025, mesmo com apenas 45 capítulos. Todos os elementos estavam lá, além do irretocável elenco, o texto primoroso de George Moura e Sérgio Goldenberg e a direção precisa de Rogério Gomes. Diante de tamanha grandiosidade, nem deu para entender o remake de "Vale Tudo" ter sido um dos concorrentes. Destoou dos demais indicados e ainda mais do vencedor.

Esse rigor artístico se reflete também em Melhor Ator, categoria especialmente disputada. André Lamoglia, em "Os Donos do Jogo"; Jaffar Bambirra, em "Dias Perfeitos"; Johnny Massaro, em "Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente"; e Thomás Aquino, em "Guerreiros do Sol", entregaram performances consistentes e variadas, mas Irandhir Santos se sobressai ao construir um personagem de camadas profundas, marcado por contradições internas e presença cênica magnética.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

"Três Graças" presenteia público com aguardadas catarses e ótimos embates

A novela "Três Graças, escrita por Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Ze Dassilva, vive um de seus momentos mais potentes ao apostar em capítulos que expõem feridas emocionais sem abrir mão do conflito dramático. Todos os acontecimentos recentes vêm prendendo a atenção do público com aguardadas catarses, que vieram após uma construção minuciosa dos autores através de um desenvolvimento muito bem estruturado.


A sequência em que a vilã Arminda (Grazi Massafera) abandona momentaneamente sua couraça de frieza para ir atrás do filho Raul (Paulo Mendes) nas ruas é um desses acertos. Ao mostrar a personagem vulnerável, quase perdida, a trama humaniza quem até então parecia movida apenas por impulsividade e total crueldade com seu herdeiro. É uma virada inteligente: Arminda continua sendo vilã, mas passa a ser também mãe, e essa contradição dá densidade à narrativa e prende o espectador pelo afeto e pela surpresa. A escolha de tirá-la de seus ambientes de poder e colocá-la em contato direto com a dureza da rua reforça visualmente essa fragilidade, além de permitir à atriz explorar nuances emocionais que enriquecem ainda mais a personagem.

Outro destaque é o embate entre Ferette (Murilo Benício) e a filha Lorena (Alanis Guillen), que escancara o preconceito ainda presente em muitas famílias. O homofóbico, ao questionar de forma agressiva o namoro da filha com outra mulher, funciona como espelho incômodo de uma realidade social persistente.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Todos os Telefilmes Regionais que serão exibidos no Cine BBB de 2026

 Na segunda-feira passada, dia 19 de janeiro, o público começou a conhecer histórias que celebram a diversidade cultural do Brasil. O projeto Telefilmes Regionais, que ganhou uma nova janela de exibição em 2026, traz produções no formato de ficção com até 50 minutos de duração gravadas em sete estados brasileiros (Bahia, Espírito Santo, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo) e no Distrito Federal. Obras originais criadas em parceria com afiliadas e regionais da TV Globo, cada telefilme é um retrato autêntico das tradições, sotaques e expressões culturais de diferentes regiões do país, contando com equipes e elencos formados por talentos locais.  


As histórias serão exibidas no Cine BBB, dentro do ‘Big Brother Brasil’ e, ainda, às segundas-feiras, no Tela Quente. Na estreia, brothers e público acompanharam ‘Caju, meu amigo’, uma produção da RBS que remontou ao pós-enchente de 2024 e trouxe as gaúchas Vitória Strada e Liane Venturella como as protagonistas Rafaela e Nice. A narrativa mostrou uma conexão impensável entre as duas mulheres de origens e trajetórias distintas a partir do amor por um cachorrinho, retratando uma vivência cada vez mais comum nos lares brasileiros: a presença dos pets e a relação dos humanos com os bichinhos.  
  
Para Gabriel Jacome, diretor de gestão e conteúdo da TV Globo, o projeto Telefilmes Regionais é parte central da estratégia da TV Globo para produzir e mostrar "histórias do Brasil para brasileiros". "O Brasil é diverso e profundamente criativo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Tudo sobre a segunda coletiva online de "Coração Acelerado", a nova novela das sete

 A Globo promoveu, no dia 11 de dezembro do ano passado, a segunda coletiva virtual de 'Coração Acelerado', a nova novela das sete, escrita por Maria Helena Nascimento e Izabel de Oliveira, dirigida por Carlos Araújo. Participaram as autoras, a cantora Paula Fernandes e os atores Filipe Bragança, Gabz, Claudio Mendes, Elisa Lucinda, Evaldo Macarrão, Lucas Wickhaus, Antônio Calloni, Daniel de Oliveira, Isadora Cruz, Letícia Spiller, Thomás Aquino, David Junior, Yrla Braga, Ricardo Pereira, Renata Caetano e Alexandre David. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir.


Maria Helena Nascimento resumiu como foi a criação da cidade fictícia da novela: "Bom Retorno foi uma criação engraçada. A nossa viagem pra Goiânia nos deixou ligada em cidades grandes, como Anápolis e Caldas Novas, e Bom Retorno é uma mistura das grandes com as pequenas". 

Izabel de Oliveira complementou: "Na cidade fictícia, vai ter as duas coisas: a cidade grande que vai representar o Grupo Amaral, mas também vai ter o rio, a ponte, enfim... Uma coisa legal que teve em 'Cheias de Charme' e que quero resgatar agora são os vilões engraçados.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Tudo sobre a coletiva virtual sobre os Telefilmes Regionais no Cine BBB

 A Globo promoveu na sexta-feira passada, dia 16, a coletiva online sobre os telefilmes regionais que foram produzidos em sete estados brasileiros e no Distrito Federal. Nesta segunda (19/01), estreou na faixa da 'Tela Quente' o primeiro deles, que foi exibido mais cedo no Cine BBB para os participantes do 'BBB 26'. Participaram o diretor de gestão e conteúdo da Globo, Gabriel Jácome, a gerente de curadoria e conteúdo da Globo, Verônica Nunes, além dos atores Murilo Grossi, Tiago e Diego Homci, Mônica Anjos, Clara Paixão, Daniel Rocha, Daniele Gonzales, Domithila Cattete e Vitória Strada. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir. 


Gabriel Jacome falou do projeto: "É o terceiro ano que estamos desenvolvendo telefilmes originais com as afiliadas. É um projeto que a gente se orgulha muito porque o Brasil é diverso e muito criativo. Quando a gente produz telefilmes com elenco local estamos provocando impacto cultural, conexão com o público. A gente dá voz a novos talentos, seja de vídeo e fora do vídeo, são histórias que nascem e dialogam com o país inteiro. Não precisa ser genérico para ser universal. O Cine BBB é um projeto que se tornou interessante. É o nosso cargo chefe do verão e tudo o que a gente consegue botar nesse conteúdo tem uma visibilidade enorme". 

Veronica Nunes complementou: "A gente quis trazer histórias de todos os lugares do Brasil de brasileiros para brasileiros. São feitos por criadores locais, diretores locais, produtores locais. Uma parceria para encaixar a Globo nas diversidades, a gente foge de estereótipos e damos espaço no Tela Quente, o horário nobre de muita visibilidade.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

"Coração Acelerado": o que esperar da nova novela das sete?

 Toda música sertaneja parece roteiro de novela. Há sempre um romance complicado, uma dose de sofrência, uma pitada de humor e, claro, muita emoção. É a partir dessa premissa que nasce a nova novela das sete da TV Globo, ‘Coração Acelerado’. Criada e escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, com direção artística de Carlos Araújo, a obra é uma comédia romântica musical, e estreou dia 12 de janeiro com uma proposta ousada: transformar o universo sertanejo em palco para uma história de amor, identidade e potência feminina.


A obra aborda a força das mulheres no universo da música sertaneja a partir da vida de Agrado Garcia (Isadora Cruz/Rafa Justus), uma cantora e compositora talentosa que batalha para conquistar uma carreira de sucesso. Criada na caravana de sua madrinha, onde a mãe se apresentava com outros cantores pelo interior do Brasil, a jovem cresceu embalada pelas canções de Marília Mendonça, Maiara e Maraísa, Simone e Simaria e outras cantoras que explodiram nas paradas musicais, despontando em um universo até então dominado por homens.

Quando criança, no concurso de uma rádio do interior de Goiás, Agrado conhece João Raul (Filipe Bragança/ Rafael Rara), um menino que, assim como ela, sonha em ser cantor. Os dois decidem apresentar juntos uma composição de Agrado, mas imprevistos os separam e provocam um desencontro que faz com que fiquem anos sem se ver.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O que esperar do "BBB 26"?

 A disputa já começou com a presença física do BBB em todas as regiões do país, com participação determinante do público na seleção dos participantes. As cidades de Manaus (AM), Salvador (BA), Brasília (DF), São Caetano do Sul (SP) e Porto Alegre (RS) receberam, cada, uma casa de vidro das quais saíram todos os Pipocas que vão compor o elenco da 26ª edição do reality. A partir de 9 de janeiro, o público votou e escolheu, entre quatro candidatos, um homem e uma mulher de cada região para participarem do ‘BBB 26’. A estreia do programa aconteceu na segunda-feira, dia 12 de janeiro, depois de ‘Três Graças’.


Outras surpresas estão reservadas para a temporada. Pela primeira vez na história do 'Big Brother Brasil', o público terá a oportunidade de substituir qualquer jogador da casa. Essa substituição virá de um espaço extra chamado laboratório onde um grupo de pessoas confinadas precisará conquistar o público e provar que sabe jogar e que merece uma das vagas na casa do 'BBB'. Sem regalias, os integrantes desse espaço viverão desafios e perrengues suficientes para que o público os conheça e decida quem terá a grande chance de entrar na disputa. Porém, com a ida de todos os participantes da Casa de Vidro que não foram escolhidos pelo público para o Quarto Branco, há uma grande dúvida sobre a permanência da ideia do tal laboratório. A chance de ser abolido é alta. 

 A casa do ‘BBB 26’ chega remodelada com um conceito que atravessa dois eixos principais: os sonhos mais comuns e os devaneios oníricos. Entre eles, a riqueza, a beleza, a eternidade, a possibilidade de voar, de viver um grande amor, a fama, as aventuras e viagens, além de paisagens improváveis que se cruzam de maneira surreal.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A grandiosidade do legado de Manoel Carlos

 Manoel Carlos foi um dos mais importantes autores da televisão brasileira, reconhecido por sua escrita sensível, realista e profundamente humana. Ao longo de sua carreira, construiu uma obra marcada pela observação cuidadosa das relações familiares, dos conflitos amorosos e dos dilemas morais do cotidiano, tendo o Leblon, um dos bairros mais ricos do Rio de Janeiro, como pano de fundo. Suas novelas não apenas alcançaram grande sucesso de público, como também deixaram marcas duradouras na memória afetiva dos brasileiros e na própria sociedade.


O autor começou a carreira escrevendo "Helena", em 1951, adaptação do romance homônimo de Machado de Assis. O nome viraria a sua maior identidade na teledramaturgia. Depois, Maneco escreveu "Maria, Maria" e "A Sucessora" em 1978, dois folhetins elogiados e densos. Foi coautor de "Água Viva", graças ao convite de Gilberto Braga, que não se sentia bem escrevendo a trama sozinho. Já um de seus primeiros grandes sucessos foi "Baila Comigo", exibida em 1981. A novela abordava temas como ambição, ética, relações familiares e disputas emocionais, tendo como eixo central conflitos entre pais e filhos. A trama se destacou pela construção psicológica dos personagens e pelo retrato sofisticado das relações humanas, características que se tornariam marcas registradas do autor. A trama apresentou a sua primeira Helena, vivida por Lilian Lemmertz. 

Em 1983, enfrentou seu primeiro grande trauma dramatúrgico: a morte de Jardel Filho, protagonista de sua novela, "Sol de Verão", perto do capítulo 120. O autor era amigo íntimo do ator e não conseguiu terminar de escrever a novela e deixou a Globo. Escreveu algumas novelas e minisséries na Manchete e retornou à Globo em 1991, onde escreveu "Felicidade", uma novela que se destacou pela delicadeza com que tratou o amor, a maternidade e os laços familiares.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Voa, Titina Medeiros!

 A notícia do falecimento da atriz Titina Medeiros, aos 48 anos, neste domingo (11/01), após uma batalha contra um câncer no pâncreas, deixou o Brasil artístico e o público em profundo luto. Sua morte, confirmada por familiares e amplamente repercutida nas notícias, marca a perda de uma artista que não só conquistou o grande público, mas também foi uma voz ativa e inspiradora na cultura teatral e televisiva brasileira.


Titina, cujo nome de batismo é Izabel Cristina de Medeiros, nasceu em Currais Novos (RN) e foi criada em Acari, no interior do Rio Grande do Norte. Ainda jovem, mudou-se para Natal, onde começou a estudar artes cênicas e rapidamente se envolveu com o teatro local, um caminho que moldaria toda sua carreira.

Sua trajetória começou nos palcos no início dos anos 1990, participando de dezenas de espetáculos, peças infantis, montagens clássicas e produções experimentais.