quinta-feira, 13 de junho de 2024

A crise na teledramaturgia da Globo é uma realidade

 A crise da teledramaturgia nunca esteve tão evidente. Não por conta do esgotamento do gênero, como muitos insistem em afirmar, mas, sim, pela gestão acomodada e equivocada das empresas. Record e SBT nem merecem entrar no debate porque deixaram de ser competitivas há anos e se apequenaram com as novelas infantis e bíblicas, respectivamente, que não fazem mais sucesso e servem apenas para pagar contas. A Globo ao menos se diferenciava por ser a maior produtora de folhetins no Brasil e no mundo. Mas está a cada dia mais claro o quanto a líder vem se afundando em decisões que beiram o amadorismo. 


É importante ressaltar: a Globo teve o maior lucro em 8 anos e a receita líquida do primeiro trimestre atingiu R$ 3,7 bilhões, alta de 12% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia fechou o trimestre positivo em R$ 812 milhões. Portanto, a empresa vai muito bem, obrigado. Só que a forma como a cúpula do canal vem tratando o setor de teledramaturgia, que sempre foi um dos maiores trunfos da emissora, transparece um descaso inexplicável e que é observado pelo público que acompanha suas produções há muitos anos. 

O corte de custos é sentido na contratação dos elencos diante da não renovação de contrato de diversos nomes de peso, que acabam recusando posteriormente o chamado trabalho 'por obra'. Cadê os veteranos? Não há mais nomes acima dos 70 anos em praticamente produção nenhuma. Uma mistura de etarismo com 'pão-durismo'. E a redução das despesas também é visível na falta de qualidade de muitas cenas. Algo que era impensável na Globo.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Ilva Niño nunca teve o destaque que merecia

 O Brasil perdeu nesta quarta-feira (12/06) uma das atrizes mais longevas da teledramaturgia. Ilva Niño estava internada desde o dia 13 de maio, quando passou por uma cirurgia cardíaca, e partiu por conta de complicações da operação, quase um mês depois, aos 89 anos. 


Nascida em Floresta, Pernambuco, a veterana completaria 90 anos no dia 15 de novembro. Se mudou para o Rio de Janeiro logo após o início do regime militar de 1964  e foi levada para a televisão pelo autor Dias Gomes, que a escalou para "Verão Vermelho", em 1970, e "Bandeira 2" em 1971. Isso porque tinha trabalhado com o escritor nas peças "O Berço do Herói" e "O Pagador de Promessas". A parceria seguiu firme e forte na Globo. Desde então, nunca mais saiu da emissora e emendou uma novela atrás da outra. 

Foram oito décadas de carreira, sobretudo na televisão e no teatro, onde brilhou majoritariamente na pele de empregadas domésticas. A atriz nunca conseguiu fugir do estereótipo, mas não se incomodou.

terça-feira, 11 de junho de 2024

Mariana Lima se destaca como Tia Salete em "No Rancho Fundo"

 Quando um ator ou atriz se sai bem interpretando algum tipo específico é natural que os autores passem a escalá-lo (a) sempre para o mesmo papel. Afinal, é mais seguro apostar no que já deu certo ao invés de escolher um novo caminho. E o que deveria ser positivo logo vira algo negativo para o intérprete que vai ficando cada vez mais estigmatizado. Por isso é tão bom ver Mariana Lima em "No Rancho Fundo", atual novela das seis da Globo. 


O autor Mário Teixeira e o diretor Allan Fiterman presentearam a atriz com um papel totalmente diferente de tudo o que ela já fez na carreira. Tia Salete é uma mulher amargurada, conservadora, fanática religiosa, defensora dos valores familiares, antiquada e ainda assim uma boa pessoa. Muito de sua frustração com a vida se deu por conta de um trauma no passado, quando foi abandonada pelo então noivo (Vespertino - Thardelly Lima), que tirou sua virgindade prometendo casamento e sumiu no mundo. 

A personagem é uma 'agregada' da família Leonel. Irmã de Zefa (Andrea Beltrão) e cunhada de Seu Tico (Alexandre Nero), sempre viveu na mesma humilde casa dos pais de Quinota (Larissa Bocchino), Zé Beltino (Igor Fortunato) e Juquinha (Tomás de França).

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Tudo sobre a coletiva online de "O Jogo que Mudou a História", nova série do Globoplay

 O Globoplay promoveu nesta segunda-feira, dia 3, a coletiva virtual de "O Jogo que Mudou a História", nova série da plataforma de streaming da Globo. Participaram o criador José Júnior e os atores Babu Santana, Bukassa Kabengele, Ravel Andrade, Alli Willow, Fabrício Assis, Jailson Silva, Jonathan Azevedo, João Fernandes, Pedro Wagner e Samuel Melo. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo. 


José Júnior resumiu sua trama: "O Rio de Janeiro tem mais de mil áreas deflagradas. O 'Jogo' é uma série que conta como surgiram os grupos armados. Surgem em 1979. A Falange Vermelha foi a primeira. Além desse surgimento, falamos das grandes guerras. Uma série que tem 12 protagonistas, 70% do nosso elenco é preto. Gravamos em todas favelas reais. Na Tavares Bastos, Vigário Geral, Parada de Lucas, no Dique, na Rocinha. A trilha sonora é feita de forma customizada. A nossa tem predominância de samba rock, funk, MPB. Uma pegada muita preta e nordestina. Há uma série de sotaques. Gravamos em dois presídios reais: o Complexo da Frei Caneca, já fechado, e o do Bangu 1, que está ativo. Orgulho em mostrar a história do ponto de vista do preso, da população, do agente penitenciário. Normalmente nesses filmes é mostrada a história sob o ponto de vista da polícia ou do jornalista, não do protagonista real. Minhas referências foram as histórias que eu ouvia. Não li livro algum, não tive referência. É uma série que vai impactar bastante quem vai assistir", adiantou.

Alli Willow comentou sobre sua personagem: "Faço uma freira e ela é minha grande personagem. Foi uma paixão minha. A gente foi muito impactado pela série e pela preparação. A gente mergulhou em muitas histórias. São fios de muitas realidades diferentes.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Obsessão de Daniel Ortiz por triângulos amorosos tira o rumo de "Família é Tudo"

 Não é mentira quando dizem que todo brasileiro é técnico de futebol e autor de novela. É normal bancar o especialista e fazer mil análises sobre as maiores paixões do país. Tanto que não precisa ser um crítico formado para observar os vícios (que também podem ser chamados de 'estilo') de todos os escritores de folhetim. Tem quem ame criar mil sequestros na história, quem goste de ressuscitar mortos, quem adore brigas entre mãe e filha, enfim. No caso de Daniel Ortiz, responsável por "Família é Tudo", é o triângulo amoroso a sua maior paixão. 


O autor ama criar vários triângulos amorosos em suas histórias, a ponto de dominar quase todos os núcleos com eles. E sempre com o intuito de dividir torcida e gerar engajamento do público. O de maior repercussão, e que até hoje rende uma leva de comentários indignados nas redes sociais de parte do público, foi o formado por Kyra (Vitória Strada), Rafael (Bruno Ferrari) e Alan (Thiago Fragoso) em "Salve-se Quem Puder". A 'fórmula' deu certo nessa trama e em "Haja Coração", seus dois sucessos anteriores das sete. Mas não quer dizer que funcionará sempre e a prova é o que vem acontecendo com a sua atual novela.

Há uma clara perda de rumo em "Família é Tudo" justamente pela preocupação do autor em focar quase tudo em cima dos triângulos que vem formando. A história foi vendida como uma saga de cinco irmãos que precisam morar e trabalhar juntos para a garantia do recebimento da herança da avó que desapareceu em alto mar.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Segunda temporada de "Encantado`s" mantém as qualidades da primeira

 Em meio ao sucesso da primeira temporada de "Encantado`s" no Globoplay --- cuja estreia foi em novembro de 2022 e a exibição na Globo entre maio e junho de 2023 ---, uma segunda já tinha sido encomendada e estreou na plataforma de streaming da emissora em março deste ano. A receptividade do público seguiu em alta e sua entrada na grade da tevê aberta se deu em pouco mais de um mês ---- um intervalo muito menor. E dá para entender todos os motivos para o êxito da série. 


Na primeira temporada, o público conheceu o funcionamento do mercado e da agremiação Joia do Encantado, que dividem o mesmo espaço no estabelecimento da família Ponza, em uma mistura de personagens apaixonados por ambos. De dia, é Olímpia (Vilma Melo) quem administra o comércio, sucesso entre os moradores do bairro, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Quando anoitece, é hora de arrastar as prateleiras e abrir espaço para o samba, a maior inspiração na vida de Eraldo (Luis Miranda). E é encarando as adversidades e levando o dia a dia com leveza que esses irmãos mantêm a união para tocar os negócios herdados pelo pai, Geraldo Ponza, também interpretado por Luis Miranda. 

Depois do desfile apoteótico que emocionou a avenida, Olímpia, Eraldo e toda a turma enfrentam novos desafios. Se a disputa entre os irmãos foi a base da primeira temporada, agora, sem deixar de lado os conflitos da dupla,

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Giullia Buscacio faz de Sandra um dos maiores acertos de "Renascer"

 Todo remake comprova que nem tudo o que fez sucesso no passado repetirá o êxito no presente. E "Renascer" tem sido uma das maiores provas. Muitos personagens que caíram no gosto do público em 1993 não conseguiram manter a boa aceitação 31 anos depois, enquanto outros que não despertaram tanta atenção assim anos atrás vêm sendo os pontos altos da adaptação quase copiada e colada de Bruno Luperi. É o caso de Giullia Buscacio como Sandra. 


É importante ressaltar que Luciana Braga é uma ótima atriz e construiu uma Sandra irretocável na obra original de Benedito Ruy Barbosa. Sua química com Marcos Palmeira, o João Pedro na época, também era visível. No entanto, a personagem não chegou a ser uma das mais populares da história. Não é um perfil que vem imediatamente na lembrança do público que acompanhou a novela de 1993, ao contrário de Buba (Maria Luisa Mendonça), Tião Galinha (Osmar Prado) e Zé Inocêncio (Antônio Fagundes), por exemplo. 

Agora, no remake exibido pela Globo, a situação mudou bastante. Sandra tem sido o maior trunfo da arrastada segunda fase e muito por conta do talento de Giullia Buscacio. A atriz entrou com a novela em pleno andamento, o que costuma ser uma dificuldade a mais para o profissional, já que 'se depara' com um elenco bem entrosado e personagens 'íntimos' do público.

terça-feira, 28 de maio de 2024

Morte de Charles marcou o episódio mais dilacerante de "Sob Pressão"

 A quinta temporada de "Sob Pressão" estreou no Globoplay em 2022 e foi um dos maiores sucessos da plataforma de streaming da Globo. A série escrita por Lucas Paraizo e dirigida por Andrucha Waddington apresentou 12 episódios irretocáveis e somente agora, dois anos depois, está sendo exibida na televisão aberta. E nesta terça (28/05) foi ao ar o sexto episódio, o mais dilacerante da produção. 


A morte de Charles (Pablo Sanábio), um dos personagens mais queridos da série, foi um choque para os personagens e o público. A trama já tinha apresentado uma perda que marcou bastante quando Samuel (Stepan Nercessian) faleceu na segunda temporada. Mas a partida de Charles teve um impacto ainda maior diante dos dramas dos protagonistas na quinta temporada. Carolina (Marjorie Estiano) descobriu um nódulo no seio, enquanto Evandro (Júlio Andrade) se deparou com o pai , Heleno (Marco Nanini) ---- após anos de afastamento ----, já com estado avançado de Alzheimer e com um câncer terminal. 

Em meio a uma avalanche de sofrimento, vem a traumática perda de um grande amigo do casal. E toda a construção para a trágica morte foi primorosa. O arco dramático foi se intensificando a cada cena, com direito ainda a atrativos conflitos paralelos através personagens pontuais.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

"Justiça 2" foi uma grande decepção

 Manuela dias recebeu a missão de escrever uma nova temporada de "Justiça", após o sucesso da série exibida pela Globo há 8 anos. A autora criou quatro novas histórias que se interligam, repetindo o formato original, e manteve apenas uma personagem da história de 2016. A trama teve uma imensa repercussão na época e foram vários elogios. No entanto, apesar do saldo muito positivo, a produção teve problemas visíveis no desenvolvimento. E as incongruências da narrativa se agravaram em "Justiça 2" (o texto contém spoilers). 


O novo enredo chegou ao fim no Globoplay nesta quinta-feira (23/05), depois da liberação dos quatro últimos episódios, fechando o ciclo com um total de 28 capítulos. A sinopse da série resumiu bem o drama dos protagonistas. O motoboy Balthazar (Juan Paiva) é preso injustamente após ser reconhecido como assaltante do restaurante Canto do Bode em um catálogo digital de suspeitos da polícia. Violentada pelo tio na adolescência, Carolina (Alice Wegmann) muda de cidade para se distanciar da situação. Quando volta para Ceilândia (DF), revive traumas do passado e decide denunciar seu abusador. Renato (Filipe Bragança), um traficante de classe média, se muda para a comunidade do Sol Nascente. Com seu som alto ligado 24 horas por dia, passa a entrar em conflito com as vizinhas Geíza (Belize Pombal) e Sandra (Gi Fernandes). Em um momento de desespero, Milena (Nanda Costa) rouba um carro e acaba presa por um crime que não cometeu. 

Das quatro histórias, a única que não deu para engolir desde o primeiro ato foi a de Milena. A autora subestimou a inteligência do público do primeiro ao último minuto daquele enredo. O objetivo era claro: formar um casal lésbico sem sofrer a censura da televisão aberta. E a química entre Paolla Oliveira e Nanda Costa foi visível. Mas só química não sustenta uma trama.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Elenco é o ponto alto de "Justiça 2"

 A nova série da Globo, escrita por Manuela Dias e baseada no mesmo formato e universo de "Justiça", exibida em 2016, apresenta quatro histórias fortes e com elementos que prendem a atenção do público. No entanto, há várias incongruências no roteiro que prejudicam a narrativa. Ainda assim, o conjunto desperta interesse por conta de um fator decisivo: o elenco escalado. 


Os atores sustentam a história através de interpretações contundentes. A autora e o diretor, Gustavo Fernández, foram muito felizes na escolha do time de "Justiça 2" e em todas as cenas o êxito na escalação aflora. É até injusto citar um grande destaque porque a disputa é acirrada, inclusive entre os coadjuvantes e participações pontuais. 

Entre os protagonistas, Belize Pombal, Alice Wegmann e Juan Paiva acabam sobressaindo por conta da dramaticidade de suas respectivas histórias, todas impregnadas de sofrimento por todos os lados, onde não há um respiro sequer.