sábado, 28 de fevereiro de 2026

Dennis Carvalho foi um dos melhores diretores da teledramaturgia brasileira

 A morte de Dennis Carvalho, neste sábado (28/02), aos 78 anos, não representa apenas a despedida de um diretor, como marca o fim de uma era em que a teledramaturgia brasileira consolidou linguagem, escala industrial e ambição estética sob um mesmo comando criativo. Dennis foi, ao longo de cinco décadas, uma engrenagem central da TV Globo, ajudando a moldar sua identidade artística e também suas contradições.


Sua chegada à emissora, em 1975, para atuar na primeira versão de "Roque Santeiro" foi simbólica. A novela acabou censurada pela ditadura militar antes da estreia, tornando-se um dos casos mais emblemáticos de intervenção política na cultura brasileira. A frustração daquele projeto abortado revelava o ambiente de tensão em que a televisão operava  e Dennis testemunhou, desde cedo, como arte e poder se entrelaçavam na dramaturgia nacional.

Como ator, mostrou talento ao viver Inácio, em "Brilhante" (1981), um personagem gay, filho de Chica (Fernanda Montenegro),  em um momento em que a representação LGBTQIA+ na TV aberta ainda era cercada de estigmas e limitações.

Romance de Lorena e Juquinha em "Três Graças" é um marco na teledramaturgia

 A novela "Três Graças" marca um divisor de águas na teledramaturgia brasileira ao construir com sensibilidade, profundidade e naturalidade o romance entre Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovski). Longe de estereótipos ou da superficialidade que por tantas vezes limitou personagens LGBTQIAPN+ na televisão aberta, o casal é desenvolvido com o mesmo cuidado, complexidade emocional e protagonismo tradicionalmente reservados aos pares heterossexuais. 


A construção de Lorena e Juquinha é um dos maiores acertos dramáticos da obra. Os autores Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva pensaram muito bem no desenvolvimento das duas. A relação cresce diante do público de forma orgânica: começa na identificação mútua, amadurece nos conflitos cotidianos e se consolida no afeto explícito, vivido sem subterfúgios. Não há caricatura, nem fetichização e, sim, humanidade. O roteiro entende que o amor entre duas mulheres não é “tema”, é história. E isso faz toda a diferença.

Muito desse êxito se deve à química arrebatadora entre Alanis Guillen e Gabriela Medvedovski. As duas atrizes constroem uma parceria cênica deliciosa: os olhares sustentados, o toque que vira segurança, o riso compartilhado após o aumento gradativo da intimidade, enfim, tudo pulsa verdade.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

"Três Graças" apresenta sequências de tirar o fôlego

 O capítulo deste sábado, dia 21, de "Três Graças'", marcou uma nova virada na trama: Joélly (Alana Cabral) entrou em trabalho de parto depois que Lena (Bárbara Reis) bateu o carro enquanto era perseguida por Samira (Fernanda Vasconcellos). Muito assustada, a jovem, que estava indo ao shopping com a amiga para comprar peças do enxoval do bebê, percebeu que a bolsa estourou. Indecisa, ela acabou aceitando ser levada ao hospital por Samira e Edilberto (Júlio Rocha), já fazendo apelos para que não peguem a criança depois do nascimento. 

No local do acidente, Lena acordou, ferida e desorientada, enquanto Raul (Paulo Mendes) e Jorginho (Juliano Cazarré) a encontraram e perguntaram sobre Joélly. Uma pessoa que observou tudo afirmou que a jovem tinha sido levada por uma mulher de cabelo curto e Raul concluiu que se trata da chef do restaurante da Fundação Ferette. Ele lembrou do cartão que ela lhe entregou com um endereço para o momento de a bebê nascer e correu até o lugar com Jorginho. No trajeto, pressionado, Raul contou para o pai de Joélly sobre o acordo que fizeram com Samira em troca de pagar suas dívidas com Bagdá (Xamã). Revoltado com a atitude de Raul, Jorginho obrigou ele a descer do carro e seguiu sozinho para o endereço.

Enquanto isso, a chef de cozinha e Edilberto chegaram com Joélly numa clínica clandestina. A jovem estranhou o local e implorou para que Samira não levasse o bebê depois do parto, mas ela ignorou os apelos e disse que Joélly vai se acostumar com a falta da criança, assim como aconteceu na sua experiência pessoal.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Alana Cabral é uma grata surpresa em "Três Graças"

 A estreia de Alana Cabral como uma das protagonistas em "Três Graças" tem sido um dos pontos mais interessantes da atual safra de novelas. Em seu primeiro papel à frente de uma trama, e ainda tão jovem, a atriz demonstra uma segurança que chama atenção na trama de Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgilio Silva, dirigida por Luiz Henrique Rios.


Desde os primeiros capítulos, Alana construiu Joelly com delicadeza, evitando exageros. Sua interpretação aposta no naturalismo, o que faz com que os conflitos da personagem pareçam orgânicos. Para alguém em seu primeiro protagonismo, é notável a forma como ela sustenta cenas longas e emocionalmente exigentes sem perder o tom. Claro que dividir o protagonismo com Sophie Charlotte (Gerluce) e Dira Paes (Lígia) serve como ponto de apoio importante, mas seu bom desempenho merece reconhecimento.

Há ainda um desafio adicional em sua composição: Joelly é uma adolescente impulsiva, que muitas vezes faz o que quer, toma decisões precipitadas e contraria conselhos. Um perfil assim facilmente poderia irritar o público ou gerar rejeição. Ainda mais diante da relação com outra figura irresponsável, o instável Raul (Paulo Mendes).

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Cobertura do Carnaval da Globo no RJ foi repleta de erros, mas Milton Cunha passou ileso

 A cobertura do Carnaval pela Globo neste ano foi muito ruim e todas as novidades apresentadas se mostraram um fiasco. As muitas críticas nas redes sociais se mostraram justas diante de tudo o que foi apresentado. Mas, em meio a tantos problema perceptíveis, a presença de Milton Cunha novamente foi o ponto alto das transmissões.


Milton foi, mais uma vez, o verdadeiro espetáculo à parte. Debochado, inteligente e um conhecedor raro do universo do samba, conseguiu traduzir para o público a complexidade dos enredos, explicar referências históricas e culturais com clareza e ainda manter o brilho e a emoção que o Carnaval exige. Seu entusiasmo é contagiante, sua leitura estética é precisa e sua capacidade de contextualização transforma alegorias e fantasias em narrativas vivas. Em vários momentos, o público assistia ao desfile pelos olhos de alguém que realmente entende e ama aquilo que está vendo. Vale destacar ainda suas performances na hora do fechamento dos portões, as entrevistas bem-humoradas e as brincadeiras com os integrantes das escolas.

Infelizmente, o restante da transmissão não acompanhou esse nível. A novidade do rádio aberto para ouvir a comunicação interna das equipes das escolas parecia uma boa ideia no papel, mas na prática se mostrou invasiva e pouco funcional.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Capítulo 100 de "Três Graças" faz jus ao que a novela apresenta de melhor

 A cerimônia de inauguração da nova farmácia da Fundação Ferette na Chacrinha marcou o capítulo 100 de 'Três Graças', que foi ao ar nesta quinta-feira, dia 12, com uma sequência de acontecimentos impactantes, que se estendem para os capítulos seguintes. O evento foi idealizado por Xênica (Carla Marins) com o objetivo de fazer com que Ferette (Murilo Benício) acreditasse que seria um momento de celebração de suas ações sociais na comunidade, mas a intenção foi mostrar para todos que Rogério (Eduardo Moscovis) estava vivo.


Na ocasião, Gerluce (Sophie Charlotte) encontrou Paulinho (Romulo Estrela) a serviço, acompanhado do delegado Jairo (André Mattos) e Juquinha (Gabriela Medvedovski). O clima estava melhor entre os dois após ela pedir perdão por ter escondido informações sobre Rogério. A cerimônia começou e Ferette discursou para o público, apresentando Leonardo (Pedro Novaes) como seu sucessor no comando da Fundação. Arminda (Grazi Massafera) acompanhou o discurso de perto. Neste momento, Misael (Belo) estava com sua arma na mira do empresário, pronto para colocar o plano em prática no momento mais oportuno.


Enquanto isso, Zenilda (Andréia Horta) apareceu de surpresa no flat de Rogério. Ao saber de tudo o que aconteceu em torno da "morte" do empresário e sobre o esquema dos remédios falsos, a advogada selou com ele uma parceria para acabar com o ex-marido e Arminda e seguiram para o evento.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Flagra de Zenilda destacou Andreia Horta e proporcionou aguardada catarse em "Três Graças"

 O capítulo de Três Graças desta terça-feira (10/02) foi um dos mais fortes da novela até aqui, começando com uma sequência de grande impacto dramático e muito aguardada pelo público. Bem estruturado e emocionalmente consistente, o enredo encontrou seu ponto alto no momento em que Zenilda (Andreia Horta) flagrou Ferette (Murilo Benício) com  Arminda (Grazi Massafera). A virada exigia precisão e entrega total de sua intérprete, o que aconteceu lindamente.


A atuação de Andreia Horta nessa sequência confirma pela enésima vez o quão talentosa é. A cena não se sustentou apenas pelo choque da revelação, mas pela construção emocional cuidadosa que a atriz apresentou, conduzindo a personagem até uma catarse convincente e dolorosa. 

Desde os primeiros segundos, chamou atenção a forma como Andreia trabalha o silêncio. Antes mesmo de qualquer fala, o olhar de Zenilda já traduzia a mistura de incredulidade e percepção gradual do que estava acontecendo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Tudo sobre o jornalismo da Globo em 2026

 Em um ano importante para o Brasil, marcado por grandes eventos de relevância global, como Eleições e Copa do Mundo, a Globo fez um evento para anunciar que mobilizará toda a força das suas marcas de Jornalismo, nas diferentes plataformas, para conectar o público ao que acontece no país e aos fatos que movimentam o mundo. Na tarde desta quinta-feira, dia 5, em um encontro que reuniu imprensa, influenciadores e formadores de opinião, a Globo apresentou as principais novidades do seu jornalismo para 2026. 


Conduzido pela apresentadora do ‘Jornal da Globo’, Renata Lo Prete, o evento reuniu também William Bonner e Sandra Annenberg, âncoras do ‘Globo Repórter’; Maju Coutinho e Poliana Abritta, apresentadoras do ‘Fantástico’; Ana Paula Araújo, âncora do ‘Bom Dia Brasil’, Andréia Sadi, apresentadora do ‘Estúdio i’; Julia Duailibi, âncora do ‘GloboNews Mais’; Mônica Maria Barbosa, diretora do ‘Globo Repórter’; Fátima Baptista, gerente de Inovação e Projetos Especiais da Globo; e Cláudia Croitor, editora-chefe do g1.  

Renata Lo Prete abriu o encontro reforçando o compromisso da Globo com o jornalismo profissional, a importância da apuração e da checagem com isenção e agilidade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Participação de Crô funcionou bem em "Três Graças"

 A participação de Crô em "Três Graças" chegou ao fim nesta segunda-feira (02/02) e se destacou pela maneira cuidadosa com que o personagem foi reapresentado ao público. Ao trazer uma figura tão conhecida de "Fina Estampa" para sua nova novela, Aguinaldo Silva optou por uma abordagem contida e funcional, sem recorrer ao excesso ou à simples repetição de fórmulas que já deram certo no passado. Crô surgiu inserido na narrativa de forma natural, respeitou o novo contexto da trama e dialogou com os personagens e conflitos que movem "Três Graças".


Marcelo Serrado demonstrou familiaridade absoluta com o papel. O ator manteve os elementos que definem Crô, vide o humor peculiar, a ironia fina e o jeito expansivo, mas soube moldá-lo ao novo contexto. Essa escolha tornou o personagem reconhecível, mas também coerente com a história em que esteve inserido. Não houve a sensação de um personagem “importado” apenas para chamar atenção; houve, sim, a impressão de alguém que fez sentido dentro daquele universo.

Do ponto de vista narrativo, Crô cumpriu uma função clara. Sua presença, ainda que breve, ajudou a movimentar a trama, criou situações específicas e provocou reações nos demais personagens, contribuindo para o desenvolvimento dos acontecimentos.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

"Coração Acelerado" tem início acelerado demais

 O início de "Coração Acelerado", nova novela das sete da Globo, escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, chama atenção menos pelo impacto emocional que promete e mais pela pressa com que tenta chegar a ele. Em seus primeiros capítulos, a trama parece correr contra o relógio, atropelando acontecimentos que, em outra circunstância, pediriam tempo para amadurecer e envolver o público.


Há uma clara sensação de excesso: conflitos surgem e se resolvem rapidamente, personagens são apresentados sem o devido respiro, e pequenas viradas acontecem antes mesmo de o telespectador conseguir compreender plenamente as motivações em jogo. O resultado é uma narrativa fragmentada, que dá a impressão de ainda estar se procurando, sem uma estrutura sólida que organize os eventos de forma orgânica.

O romance dos mocinhos, Agrado (Isadora Cruz) e João Raul (Filipe Bragança), elemento central de qualquer novela, sofre especialmente com essa aceleração. A relação é empurrada goela abaixo do público, sem a construção emocional necessária para gerar identificação ou torcida.