O julgamento de Adriana (Letícia Colin) em "Quem Ama Cuida" foi um daqueles momentos em que a emoção conseguiu superar a lógica. As cenas exibidas entregaram tensão, grandes atuações e momentos marcantes para os personagens, mas também foram marcadas por uma sucessão de situações pouco críveis que enfraqueceram o impacto da injustiça sofrida pela protagonista.
O primeiro problema esteve na própria construção do caminho até o tribunal. A prisão preventiva de Adriana se sustentou em bases extremamente frágeis. A acusação de que ela estaria fugindo da Justiça, feita por Pilar (Isabel Teixeira), dificilmente justificaria tantos meses de prisão quando havia uma explicação simples e facilmente verificável para sua viagem: visitar a mãe no hospital. A novela perdeu ali a oportunidade de conceder uma pequena vitória à protagonista antes da queda definitiva. Se Adriana tivesse conseguido reverter a prisão naquele momento para depois ser condenada injustamente, o impacto emocional do julgamento teria sido ainda maior.
Os problemas aumentaram quando o julgamento finalmente começou. A revelação de que Pedro (Chay Suede) não poderia continuar na defesa porque havia sido arrolado como testemunha pelo Ministério Público funcionou como um plot twist dramático, mas esbarrou na falta de verossimilhança.