Arminda é daquelas vilãs que parecem ter saído diretamente do DNA mais puro de Aguinaldo Silva: excessiva, imprevisível, cruel e deliciosamente sem filtro. Em "Três Graças", a poucos dias de seu fim, a personagem surge como um furacão que bagunça a narrativa e, ao mesmo tempo, a eleva ---- e muito disso se deve ao desempenho afiado de Grazi Massafera, que abraça cada traço da vilã com coragem e precisão.
Depois de um período afastada das novelas longas ---- desde o sucesso de "Bom sucesso" (2019), em que brilhou como a doce Paloma ----, Grazi volta ao horário nobre movida por um desafio que claramente fez a diferença: viver sua primeira grande vilã. E não qualquer vilã, mas uma dessas figuras maiores que a vida, típicas da dramaturgia de Aguinaldo, que exigem entrega total e um domínio fino do exagero sem cair no ridículo.
Arminda reúne todos esses elementos clássicos: é rica, desequilibrada, verbalmente impiedosa, vive à beira de um surto e carrega uma caricatura que poderia facilmente se tornar um risco nas mãos erradas.