sexta-feira, 27 de março de 2026

"A Nobreza do Amor": o que esperar da nova novela das seis?

 Uma superprodução que conecta um reino africano a uma pacata cidade do interior do Nordeste do Brasil e propõe uma união intercontinental através do amor, do desejo de justiça e do encontro com a ancestralidade. Em ‘A Nobreza do Amor’, uma fábula afro-brasileira dos anos de 1920 que chegou ao horário das seis da TV Globo no dia 16 de março, a distância de um oceano não é empecilho para um encontro de almas: Alika (Duda Santos) e Tonho (Ronald Sotto), uma princesa da África e um trabalhador do Brasil, protagonistas dessa história que reúne aventura, romance, humor e grandes emoções.


Criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr., com direção artística de Gustavo Fernández e produção de Andrea Kelly, a novela se passa em dois universos fictícios, distantes geograficamente, mas com fortes entrelaçamentos que ajudam a revelar a face de um país que tem na África a fonte de uma das suas mais nobres raízes ancestrais. De um lado do oceano, Batanga, ex-colônia portuguesa, reino da costa ocidental da África, marcada por uma disputa de poder central na trama. Do outro, Barro Preto, interior do Rio Grande do Norte, cidade onde litoral e sertão se cruzam, produzindo paisagens singulares de um microcosmo de Brasil, em seus conflitos e diversidade.

 

Um golpe de estado em Batanga dá início a essa trama envolvente, que reúne grande elenco e conta com cenas de tirar o fôlego. O ambicioso Jendal, vilão interpretado por Lázaro Ramos, é o responsável por trair e derrubar o rei Cayman II (Welket Bungué), usurpando seu trono,

quinta-feira, 26 de março de 2026

Tudo sobre a segunda coletiva online de "A Nobreza do Amor", a nova novela das seis

 A Globo promoveu na primeira quinta-feira de março, dia 5, a segunda coletiva virtual de 'A Nobreza do Amor', a nova novela das seis, escrita por Duca Rachid, Elisio Lopes Jr. e Julio Fischer, dirigida por Gustavo Fernandez. Participaram a diretora de conteúdo da Globo, Kellen Julio, e os atores Marco Ricca, Érika Januza Lázaro Ramos, Bukassa Kabengele, Rayssa Bratillieri, Rodrigo Simas,Kika Kalache, Ana Cecilia Costa, Rita Batista, João Fernandes, Nikolly Fernandes, Paulo Lessa, Hilton Cobra, Lucínio Januário, André Luiz Miranda, Welket Bungué, Edu Mosssri, Michel Blois e João Pedro Zappa. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir. 


Kellen Julio contou sobre o projeto: "Que honra apresentar esse projeto tão incrível. Sou diretora de inovação, diversidade e conteúdo dos Estúdios Globo. Entrei na empresa em 2018 para desenhar a brasilidade do nosso audiovisual. Entrei na Globosat, que nem existe mais, e com a fusão das empresas saio de um universo menor e desenho a diversidade de toda empresa olhando para o povo negro. 'A Nobreza do Amor' ressignifica a relação do Brasil com a África. A gente resgata um posicionamento e enquadra a África no imaginário, após anos de uma abordagem tão reducionista. O horário das seis é tão precioso porque tem as crianças chegando da escola, os pais chegando do trabalho e trazendo uma estética linda com a novela. É uma revolução. A gente tem um diálogo muito bom para investir na dramaturgia sem estereótipos e com uma proposta de Brasil que a gente acredita. É um orgulho abrir esse debate".

Lázaro Ramos falou sobre seu primeiro vilão: "Nunca foi um sonho da minha vida fazer vilão. Meu sonho era fazer herói. Quando Elisio me convidou pro projeto quis muito fazer. Tá sendo uma descoberta e um prazer falar coisas absurdas e maldades, além de acompanhar esse universo que vem sendo contado.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Gerluce e Paulinho têm uma construção primorosa em "Três Graças"

 A trajetória de Gerluce (Sophie Charlotte) e Paulinho (Romulo Estrela) em "Três Graças" é um raro exemplo de construção cuidadosa e coerente dentro da teledramaturgia recente. Desde o início, a novela optou por um caminho menos apressado, permitindo que o envolvimento entre os dois florescesse de forma orgânica. O jogo de conquista conduzido por Paulinho deu à narrativa um charme especial, valorizando cada avanço emocional até que a mocinha, aos poucos, cedesse não apenas ao encanto do mocinho, mas também à possibilidade de se permitir amar.


Essa base sólida foi essencial para que o relacionamento alcançasse camadas mais profundas conforme a trama avançava. Quando o amor finalmente se estabeleceu, ele não surgiu como um ponto de chegada, mas como o início de um vínculo que seria testado por circunstâncias complexas e moralmente desafiadoras. E é justamente aí que a novela acerta com ainda mais precisão.

O ponto de virada, o envolvimento de Gerluce no roubo da estátua das Três Graças, não apenas movimenta a trama, mas ressignifica completamente a relação do casal.

terça-feira, 24 de março de 2026

Laurinha Figueroa foi uma das vilãs mais emblemáticas da teledramaturgia

 A reprise de "Rainha da Sucata" no Vale a Pena Ver de Novo, em plena reta final, oferece uma oportunidade de revisitar uma das vilãs mais icônicas da teledramaturgia brasileira, Laurinha Figueroa, e reconhecer a magnitude da interpretação de Gloria Menezes. Laurinha não é apenas má; ela é essencialmente cruel, preconceituosa, racista e elitista, encarnando os vícios e contradições de uma elite marcada pelo poder e pela hipocrisia. A personagem se despediu da trama no capítulo emblemático reexibido nesta terça-feira (24/03).


O único traço de humanidade de Laurinha reside no amor pelo enteado Edu (Tony Ramos), sentimento que rapidamente se transforma em obsessão e catalisa muitas das ações mais perversas de Laurinha, revelando uma complexidade emocional rara para uma vilã da época. O autor Silvio de Abreu fez uma construção hábil.

Mesmo inserida em um enredo maniqueísta, Laurinha apresenta sutilezas que a engrandecem. Cada gesto calculado, cada olhar desconfiado, cada pausa estratégica expõe camadas de vulnerabilidade, frustração e desejo de controle.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Juca de Oliveira: o rigor e a grandeza de quem fez da arte um compromisso eterno

 A morte de Juca de Oliveira, aos 91 anos, neste sábado (21/03), encerra uma das trajetórias mais sólidas e elegantes da dramaturgia brasileira. Dono de uma presença cênica rara, ele construiu uma carreira marcada pela inteligência interpretativa, pela dicção impecável e por uma capacidade singular de transitar entre o teatro, a televisão e o cinema sem jamais perder densidade artística.


No palco, onde muitos o consideram insubstituível, Juca consolidou-se como um ator de rigor técnico e apuro intelectual. Sua formação teatral foi determinante para o tipo de intérprete que viria a ser: alguém que compreendia profundamente o texto, que valorizava o subtexto e que nunca se rendia a soluções fáceis. Essa base sólida o acompanhou também em seus trabalhos na televisão, onde alcançou enorme popularidade sem abrir mão da qualidade.

Entre seus papéis mais marcantes está o inesquecível João Gibão, de "Saramandaia" (1976), personagem que sintetizou bem sua habilidade de equilibrar o fantástico e o humano.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Samuel de Assis emociona em forte e necessária cena de "Três Graças"

 O capítulo exibido nesta sexta-feira (20/03) de "Três Graças" apresentou uma das cenas mais fortes da trama, ao mostrar o momento em que João Rubens (Samuel de Assis) decidiu colocar um ponto final no casamento com Kasper (Miguel Falabella). A sequência também teve um papel importante ao retratar um casal gay enfrentando conflitos profundos e complexos, como qualquer relacionamento heterossexual, reforçando a naturalidade e a seriedade dessas dinâmicas sem reduzi-las a estereótipos.


A cena em que João decidiu encerrar o casamento com Kasper foi daquelas que transcenderam o drama pessoal e se tornaram um comentário social potente e necessário. O texto já era, por si só, um dos mais contundentes da novela, mas ganhou outra dimensão na forma como Samuel de Assis o conduziu. Houve uma firmeza, uma dor que não explodiu gratuitamente, mas se impôs com lucidez, o que tornou cada palavra ainda mais cortante. Quando João expôs o egoísmo de Kasper, por ter roubado a estátua 'Três Graças' apenas por ego e sem pensar nele em nenhum momento, o conflito deixou de ser apenas conjugal: ele se transformou em um retrato das assimetrias raciais profundamente enraizadas na sociedade.

O texto teve um impacto necessário: 'Quando você é preto nesse mundo, o mundo não espera que você acerte. Ele fica parado ali de espreita, esperando pelo mínimo deslize seu pra poder te rotular, te julgar de bandido, de criminoso, de vagabundo.

terça-feira, 17 de março de 2026

Participação de Luiz Fernando Guimarães em "Três Graças" foi breve, mas significativa

 A participação de Luiz Fernando Guimarães em "Três Graças" foi breve, mas cumpriu bem a função de dar densidade a um momento específico da trama. Como Michelangelo, ele apareceu inicialmente como um observador silencioso, acompanhando de longe a leveza do relacionamento entre Juquinha (Gabriela Medvedovski) e Lorena (Alanis Guillen) na piscina de um clube, até encontrar espaço para se aproximar e dividir um pouco de sua própria história.


O texto trabalhou um contraste direto entre gerações ---- de um lado, o passado marcado pelo medo, pela repressão e pela necessidade de esconder afetos; de outro, um presente mais aberto, ainda que não livre de julgamentos. Luiz Fernando Guimarães conduziu essa transição com sobriedade, evitando excessos. Seu Michelangelo não fez um grande discurso, mas um relato contido, quase casual, sobre uma vida inteira vivida com cautela, reprimindo desejos por medo de violência ou julgamento. Essa escolha deu mais naturalidade à cena e evitou que ela soasse didática.

Houve também um elemento extratextual que acabou enriquecendo a leitura do público. Casado há quase 30 anos com o empresário Adriano Medeiros, com quem tem um casal de filhos, o ator manteve por muito tempo sua vida pessoal de forma discreta, sem grande exposição.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Tudo sobre a primeira coletiva online de "A Nobreza do Amor", a nova novela das seis

 A Globo promoveu na primeira quarta-feira de março, dia 4, a primeira coletiva virtual de 'A Nobreza do Amor', a nova novela das seis, escrita por Duda Rachid, Elisio Lopes Jr. e Júlio Fisher e dirigida por Gustavo Fernandez. Estiveram presentes os autores, o diretor e os atores Ronald Sotto, Duda Santos, Danton Mello, Cesar Ferrario, Nicolas Prattes, Theresa Fonseca, Fabiana Karla, Cássio Gabus Mendes, Vitória Rodrigues, Quitéria Kelly, Daniel Rangel, Fábio Lago, Raíssa Xavier, Marcelo Médici, Samantha Jones, Júlia Lemos, Emanuelle Araújo, João Fontenele, Carol Badra, Ítalo Martins e Lukete. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir.


Julio Fischer comentou sobre a essência do enredo: "É um universo fabular e temos elementos ficcionais, mas não são totalmente fantasiosos. Essa nossa ficção é muito calcada da pesquisa histórica. O protagonismo negro está desde a nossa primeira ideia, que foi contar a história de uma princesa negra. Foi uma preocupação nossa e a semente da novela foi a partir desse propósito. Vai existir um confronto para alcançar uma justiça e existe um confronto, mas visando um bem maior".

Duca Rachid complementou: "África não é uma só e trouxemos várias Áfricas. Trouxemos várias referências da literatura, assim como fizemos em 'Cordel Encantado', e podemos trazer uma riqueza de linguagem, mas calcada em pesquisa histórica. A gente tá fazendo uma novela dois em um e considero essa a mais difícil para mim.

sábado, 14 de março de 2026

Último capítulo de "Êta Mundo Melhor!" desrespeita elenco e público

 É normal que, em qualquer novela, algumas cenas gravadas acabem ficando de fora da edição final. A televisão trabalha com limites rígidos de tempo e, muitas vezes, pequenos ajustes são inevitáveis para que o capítulo caiba na duração prevista. No entanto, o que aconteceu no último capítulo de "Êta Mundo Melhor!" ultrapassa em muito esse tipo de ajuste comum. O episódio final foi marcado por cortes tão significativos que acabaram comprometendo a narrativa e demonstrando um profundo desrespeito tanto com o elenco quanto com o público.


Vários desfechos simplesmente desapareceram da tela. Personagens que acompanharam toda a trajetória da história tiveram seus destinos resumidos de forma abrupta ou sequer mostrados. Um dos casos envolve Olga (Maria Carol) e Carmem (Cristiane Amorim). As duas personagens foram parar na cadeia, mas as cenas gravadas pelas atrizes dentro da cela --- que dariam contexto e encerramento à punição --- não foram exibidas. O público só soube que elas existiam porque as próprias intérpretes publicaram fotos dos bastidores nas redes sociais. Ou seja, o material foi gravado, mas simplesmente não foi ao ar.

O mesmo aconteceu com o casamento de Zenaide (Evelyn Castro) e do detetive Sabiá (Fábio de Luca), outra sequência que acabou cortada.

sexta-feira, 13 de março de 2026

"Êta Mundo Melhor!" provou que "Êta Mundo Bom!" não precisava de continuação

 A continuação de "Êta Mundo Melhor!, que chegou ao fim nesta sexta-feira (13/03), após 220 capítulos, acabou provocando um efeito inesperado: ao tentar prolongar o universo de "Êta Mundo Bom!", a nova novela terminou evidenciando que a história original já estava completa. A obra criada por Walcyr Carrasco tinha um arco narrativo fechado e um desfecho satisfatório. Ao retomar esse universo, primeiro com textos do próprio autor e depois sob o comando de Mauro Wilson, a trama acabou revelando o risco de revisitar uma história cujo conflito principal já havia sido resolvido.


Desde os primeiros meses, a novela apresentou uma estrutura narrativa que parecia andar em círculos. A sensação recorrente era a de que o telespectador podia ficar semanas ou até meses sem assistir e, ao voltar, perceber que quase nada havia avançado. Isso aconteceu porque várias tramas foram reiniciadas ou reconfiguradas de maneira muito semelhante às histórias da obra anterior, criando uma estranha sensação de repetição constante, como se a continuação estivesse refazendo caminhos já percorridos.

A saga de Estela (Larissa Manoela) é um exemplo evidente disso. A personagem teve uma trajetória muito semelhante à de Maria (Bianca Bin) na novela original, inclusive no romance inicial com Celso (Rainer Cadete).