A morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, poucos meses depois da despedida de Manoel Carlos, representa mais do que a perda de um dos maiores novelistas da televisão brasileira. É o fim de uma geração de autores que escrevia a partir de um universo muito particular, reconhecível desde a primeira cena. Se Manoel Carlos eternizou o cotidiano da classe média alta da Zona Sul do Rio de Janeiro, Benedito fez exatamente o oposto: transformou o Brasil rural em protagonista de suas histórias.
Num período em que boa parte da teledramaturgia caminhava para os grandes centros urbanos, ele insistiu em voltar os olhos para o interior. Fazendas, plantações, rios, peões, colonos, boias-frias, jagunços, coronéis e famílias divididas pela posse da terra nunca serviram apenas como pano de fundo. Em suas novelas, a terra era personagem. Produzia riqueza, despertava cobiça, separava famílias, alimentava lendas e moldava o destino de gerações.
Sua identidade autoral já estava evidente em Os Imigrantes, exibida pela Band entre 1981 e 1982, uma superprodução que retratava a formação do povo brasileiro a partir das ondas migratórias.
