Mostrando postagens com marcador morte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador morte. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Glória Menezes: uma vida inteira dedicada à arte

 O Brasil se despede de uma de suas maiores damas da dramaturgia. Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais. A partida aconteceu menos de 24 horas depois da morte de outra gigante da nossa arte, Laura Cardoso, aos 98 anos. Em um intervalo de poucas horas, o país perdeu duas mulheres que ajudaram a construir a história do teatro, do cinema e, principalmente, da televisão brasileira.


É difícil encontrar palavras para uma perda tão grande. O público mal havia começado a assimilar a ausência de Laura Cardoso e precisou, quase imediatamente, se despedir também de Glória Menezes. Duas damas da dramaturgia, duas artistas amadas por gerações e duas trajetórias que atravessaram décadas, deixando personagens que permanecerão para sempre na memória afetiva do país.

Glória marcou época. Foi admirada pelo público e pela crítica e construiu uma carreira extraordinária no teatro, no cinema e na televisão. Só na TV Globo, onde estreou em 1967, participou de mais de 40 telenovelas.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Laura Cardoso: a atriz que o Brasil chamou de sua

 O Brasil perdeu nesta segunda-feira, dia 17 de agosto, uma de suas maiores atrizes. Aos 98 anos, partiu Laura Cardoso, de causas naturais, deixando para trás uma trajetória que se confunde com a própria história da televisão, do rádio, do cinema e do teatro brasileiros.


A notícia era, de certa forma, aquela que o Brasil mais temia. Porque Laura não era apenas uma atriz admirada: era uma presença familiar. Era como se fosse a avó, a mãe, a vizinha, aquela pessoa querida que atravessou gerações levando talento, delicadeza, humor e humanidade para dentro de nossas casas. Sua partida deixa um vazio imenso, mas também a certeza de que alguns artistas jamais morrem por completo. Permanecem vivos nos personagens que criaram e nas emoções que provocaram.

Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, no Bixiga, em São Paulo, filha de imigrantes portugueses humildes, Laura descobriu ainda adolescente que queria ser atriz. Aos 15 anos, iniciou sua trajetória no radioteatro, numa época em que a televisão sequer havia chegado ao Brasil.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

"Preta – Eu Não Ando Só": documentário emocionou ao retratar, com delicadeza e coragem, a despedida de Preta Gil

 Exibido pela TV Globo na última segunda-feira (20), logo após a novela Quem Ama Cuida, o documentário ""Preta - Eu Não Ando Só" entregou um retrato sensível, íntimo, difícil e profundamente humano de Preta Gil. A produção, que também chegou ao Globoplay, reuniu imagens inéditas --- muitas gravadas pela própria cantora em seu celular --- e cumpriu a missão de mostrar, sem filtros, os últimos anos de sua vida, marcados pela luta contra o câncer de intestino.


Mais do que um registro sobre a doença, o documentário se revelou uma celebração da vida. Com direção delicada e uma narrativa muito bem construída, o filme teve coragem para expor situações extremamente dolorosas e íntimas, sem recorrer ao sensacionalismo. Pelo contrário: tratou cada momento com respeito, sensibilidade e verdade, permitindo que o público acompanhasse não apenas o sofrimento de Preta, mas, principalmente, sua imensa vontade de viver.

Diagnosticada com câncer em janeiro de 2023, a cantora decidiu documentar sua própria jornada ao lado de amigos e familiares.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Renato Machado deixa legado de rigor e elegância no telejornalismo brasileiro

 O jornalismo brasileiro perdeu, na quinta-feira passada, 16 de julho, um de seus profissionais mais respeitados. Renato Machado morreu aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Com uma trajetória marcada pelo rigor jornalístico, pela elegância na condução da notícia e por uma atuação que atravessou diferentes gerações do telejornalismo, construiu uma carreira de destaque na TV Globo ao longo de quase quatro décadas. O jornalista deixa a esposa, Mônica Morel, a filha, a atriz Maria Eduarda Machado, e uma neta.


Renato iniciou a carreira no jornalismo em 1969, no Jornal do Brasil. Em 1982, ingressou na TV Globo e participou da cobertura da Guerra das Malvinas, um dos primeiros grandes acontecimentos internacionais de sua trajetória na emissora. No ano seguinte, assumiu o posto de correspondente em Londres, de onde acompanhou fatos históricos, como o desastre nuclear de Chernobyl e outros acontecimentos de grande repercussão na Europa.

Ao longo de sua trajetória na Globo, Renato apresentou o Jornal da Globo e o RJTV e integrou a bancada do Jornal Nacional. Entre 1996 e 2010, viveu uma de suas fases mais marcantes como apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Benedito Ruy Barbosa levou o Brasil rural para o centro da dramaturgia e não haverá outro igual

 A morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, poucos meses depois da despedida de Manoel Carlos, representa mais do que a perda de um dos maiores novelistas da televisão brasileira. É o fim de uma geração de autores que escrevia a partir de um universo muito particular, reconhecível desde a primeira cena. Se Manoel Carlos eternizou o cotidiano da classe média alta da Zona Sul do Rio de Janeiro, Benedito fez exatamente o oposto: transformou o Brasil rural em protagonista de suas histórias.


Num período em que boa parte da teledramaturgia caminhava para os grandes centros urbanos, ele insistiu em voltar os olhos para o interior. Fazendas, plantações, rios, peões, colonos, boias-frias, jagunços, coronéis e famílias divididas pela posse da terra nunca serviram apenas como pano de fundo. Em suas novelas, a terra era personagem. Produzia riqueza, despertava cobiça, separava famílias, alimentava lendas e moldava o destino de gerações.

Sua identidade autoral já estava evidente em Os Imigrantes, exibida pela Band entre 1981 e 1982, uma superprodução que retratava a formação do povo brasileiro a partir das ondas migratórias.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Juca de Oliveira: o rigor e a grandeza de quem fez da arte um compromisso eterno

 A morte de Juca de Oliveira, aos 91 anos, neste sábado (21/03), encerra uma das trajetórias mais sólidas e elegantes da dramaturgia brasileira. Dono de uma presença cênica rara, ele construiu uma carreira marcada pela inteligência interpretativa, pela dicção impecável e por uma capacidade singular de transitar entre o teatro, a televisão e o cinema sem jamais perder densidade artística.


No palco, onde muitos o consideram insubstituível, Juca consolidou-se como um ator de rigor técnico e apuro intelectual. Sua formação teatral foi determinante para o tipo de intérprete que viria a ser: alguém que compreendia profundamente o texto, que valorizava o subtexto e que nunca se rendia a soluções fáceis. Essa base sólida o acompanhou também em seus trabalhos na televisão, onde alcançou enorme popularidade sem abrir mão da qualidade.

Entre seus papéis mais marcantes está o inesquecível João Gibão, de "Saramandaia" (1976), personagem que sintetizou bem sua habilidade de equilibrar o fantástico e o humano.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Dennis Carvalho foi um dos melhores diretores da teledramaturgia brasileira

 A morte de Dennis Carvalho, neste sábado (28/02), aos 78 anos, não representa apenas a despedida de um diretor, como marca o fim de uma era em que a teledramaturgia brasileira consolidou linguagem, escala industrial e ambição estética sob um mesmo comando criativo. Dennis foi, ao longo de cinco décadas, uma engrenagem central da TV Globo, ajudando a moldar sua identidade artística e também suas contradições.


Sua chegada à emissora, em 1975, para atuar na primeira versão de "Roque Santeiro" foi simbólica. A novela acabou censurada pela ditadura militar antes da estreia, tornando-se um dos casos mais emblemáticos de intervenção política na cultura brasileira. A frustração daquele projeto abortado revelava o ambiente de tensão em que a televisão operava  e Dennis testemunhou, desde cedo, como arte e poder se entrelaçavam na dramaturgia nacional.

Como ator, mostrou talento ao viver Inácio, em "Brilhante" (1981), um personagem gay, filho de Chica (Fernanda Montenegro),  em um momento em que a representação LGBTQIA+ na TV aberta ainda era cercada de estigmas e limitações.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A grandiosidade do legado de Manoel Carlos

 Manoel Carlos foi um dos mais importantes autores da televisão brasileira, reconhecido por sua escrita sensível, realista e profundamente humana. Ao longo de sua carreira, construiu uma obra marcada pela observação cuidadosa das relações familiares, dos conflitos amorosos e dos dilemas morais do cotidiano, tendo o Leblon, um dos bairros mais ricos do Rio de Janeiro, como pano de fundo. Suas novelas não apenas alcançaram grande sucesso de público, como também deixaram marcas duradouras na memória afetiva dos brasileiros e na própria sociedade.


O autor começou a carreira escrevendo "Helena", em 1951, adaptação do romance homônimo de Machado de Assis. O nome viraria a sua maior identidade na teledramaturgia. Depois, Maneco escreveu "Maria, Maria" e "A Sucessora" em 1978, dois folhetins elogiados e densos. Foi coautor de "Água Viva", graças ao convite de Gilberto Braga, que não se sentia bem escrevendo a trama sozinho. Já um de seus primeiros grandes sucessos foi "Baila Comigo", exibida em 1981. A novela abordava temas como ambição, ética, relações familiares e disputas emocionais, tendo como eixo central conflitos entre pais e filhos. A trama se destacou pela construção psicológica dos personagens e pelo retrato sofisticado das relações humanas, características que se tornariam marcas registradas do autor. A trama apresentou a sua primeira Helena, vivida por Lilian Lemmertz. 

Em 1983, enfrentou seu primeiro grande trauma dramatúrgico: a morte de Jardel Filho, protagonista de sua novela, "Sol de Verão", perto do capítulo 120. O autor era amigo íntimo do ator e não conseguiu terminar de escrever a novela e deixou a Globo. Escreveu algumas novelas e minisséries na Manchete e retornou à Globo em 1991, onde escreveu "Felicidade", uma novela que se destacou pela delicadeza com que tratou o amor, a maternidade e os laços familiares.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Voa, Titina Medeiros!

 A notícia do falecimento da atriz Titina Medeiros, aos 48 anos, neste domingo (11/01), após uma batalha contra um câncer no pâncreas, deixou o Brasil artístico e o público em profundo luto. Sua morte, confirmada por familiares e amplamente repercutida nas notícias, marca a perda de uma artista que não só conquistou o grande público, mas também foi uma voz ativa e inspiradora na cultura teatral e televisiva brasileira.


Titina, cujo nome de batismo é Izabel Cristina de Medeiros, nasceu em Currais Novos (RN) e foi criada em Acari, no interior do Rio Grande do Norte. Ainda jovem, mudou-se para Natal, onde começou a estudar artes cênicas e rapidamente se envolveu com o teatro local, um caminho que moldaria toda sua carreira.

Sua trajetória começou nos palcos no início dos anos 1990, participando de dezenas de espetáculos, peças infantis, montagens clássicas e produções experimentais.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025: os artistas que deixaram saudade

 Nos últimos dias do ano, é hora de fazer um balanço de tudo o que passou ao longo de doze meses. O ano de 2025 foi marcado pelas muitas perdas que aconteceram entre cantores, atores e jornalistas. Vários nomes de peso deixaram o cenário cultural mais vazio e triste. Hoje se inicia a retrospectiva tradicional do blog e começando com saudade. 




Léo Batista (1932 - 2025): 

João Baptista Bellinaso Neto faleceu no dia 19 de janeiro, aos 92 anos, em função de um tumor no pâncreas, após internação para tratar dores abdominais e desidratação. O âncora e repórter, que esbanjou simpatia ao longo de quase um século de vida, se identificou mais com a imprensa esportiva ao longo da carreira, mas soube marcar espaço em muitas outras coberturas. Além de fazer parte do "Jornal Nacional", passou 40 anos cobrindo o Carnaval no Rio de Janeiro no rádio e na televisão. Dedicou cerca de 77 anos ao jornalismo, tendo sido 54 deles só na TV Globo. Conhecido pela sua voz marcante, Seu Léo virou referência na cobertura esportiva e até hoje muitos lembram de seu quadro no "Fantástico" ao lado de uma zebrinha de papelão que falava o resultado dos jogos dos campeonatos. Foi o primeiro apresentador do "Jornal Hoje", em 1971, do "Esporte Espetacular", em 1973, e do "Globo Esporte", em 1978. Nunca se aposentou e seguia trabalhando até ano passado em um quadro no "Globo Esporte". 


Márcia Lage (1960 - 2025):

A carnavalesca faleceu no dia 19 de janeiros, aos 64 anos, vítima de leucemia. Márcia e seu marido, Renato Lage, formaram uma dupla consagrada no Carnaval do Rio de Janeiro. Foram campeões pela Mocidade Independente de Padre Miguel em 1990, 1991 e 1996. O casal voltou à escola em 2024 e para a dição de 2025 produziram o enredo "Voltando para o futuro - Não há limites para sonhar". Em mais de 30 anos de carreira, ela também trabalhou na Portela, Grande Rio e Salgueiro, onde conquistou o título do Grupo Especial em 2009, e em São Paulo com a Vai-Vai. 

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Morte de Odete Roitman não repetiu nem um terço do impacto da cena original de "Vale Tudo"

 O título da crítica já vai gerar o seguinte questionamento: 'Ah, mas vai ficar comparando?'. Desculpa, caro leitor, mas é para comparar. É o que acontece em qualquer remake. Sempre haverá o comparativo com a original. Não há problema algum nisso quando a adaptação tem qualidade. Serve até a nível de curiosidade. E no caso de "Vale Tudo" nem teria como não comparar porque o assassinato de Odete Roitman (Beatriz Segall) é uma das cenas mais memoráveis da história da teledramaturgia e já foi reprisada milhares de vezes. 


A própria Globo se aproveitou da sequência antológica para vender o capítulo desta segunda-feira, dia 6, porque foram várias cotas publicitárias enchendo o cofrinho da emissora e muita propaganda em todos os momentos possíveis. O marketing deu certo porque a trama teve média de 30 pontos pela primeira vez e a faixa das nove não tinha esse índice desde o final de "Terra e Paixão", o último sucesso do horário, de Walcyr Carrasco, que rendeu 32 pontos de média. 

Em relação ao lucro e aos números de audiência, só há motivos para comemoração. Mas em se tratando de dramaturgia e direção o resultado foi o mais decepcionante possível. Não pelo elenco, é bom sempre ressaltar. Todos fizeram o que foi proposto por Manuela Dias e por Paulo Silvestrini.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Berta Loran foi a primeira mulher a se destacar no humor nacional

 “Você pode perder apartamento, joia, dinheiro, e até um grande amor – 30 anos depois, quando você o reencontra, dará graças a Deus que o perdeu. Agora, o humor não pode ser perdido. Humor é tudo na vida” é o que dizia a atriz Berta Loran, que somou mais de sete décadas como humorista na televisão, no cinema e no teatro. Berta morreu na madrugada deste domingo, 28, aos 99 anos, após 10 dias internada em um hospital na Zona Sul do Rio de Janeiro. Nascida em Varsóvia, na Polônia, ela deixa a sobrinha Sarita Paskin. 


Batizada como Basza Ajs, a atriz nasceu em Varsóvia no dia 23 de março de 1926, e adotou o nome de Berta quando chegou ao Brasil, aos nove anos. Aos 14 anos, subiu em um palco pela primeira vez. A atriz entrou para a Globo em 1966 para integrar o elenco do programa 'Bairro Feliz', de Max Nunes e Haroldo Barbosa. Na época, ela já era conhecida internacionalmente, após ter passado um período atuando na Argentina e em Portugal. Berta conquistou o coração dos brasileiros e participou dos principais humorísticos da emissora, como 'Riso Sinal Aberto' (1966), 'Balança Mas Não Cai' (1968), 'Faça Humor, Não Faça Guerra' (1970), 'Satiricom' (1973), 'Planeta dos Homens' (1976), 'Escolinha do Professor Raimundo' (1990), 'Zorra Total' (1999) e 'A Grande Família' (2012). 

Em 1991, iniciou uma longa parceria com o humorista Chico Anysio. Primeiro, integrando o elenco de 'Estados Anysios de Chico City' e, em seguida, vivendo a personagem portuguesa Manuela D’Além-Mar, na primeira edição da 'Escolinha do Professor Raimundo', exibida entre 1990 e 1995.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Que saudades de Yara Cortes

 A Globo vem reprisando "História de Amor", sucesso de Manoel Carlos, exibido na faixa das seis em 1995, e "A Viagem", fenômeno de Ivani Ribeiro, exibido na faixa das sete em 1994. E as duas novelas repletas de qualidades têm Yara Cortes brilhando do início ao fim. A atriz era uma figura frequente nos folhetins e sempre engrandecia das produções com seu carisma e talento. 


A veterana emendou "A Viagem" com "História de Amor" e foram as últimas novelas que contaram com seu talento. A atriz ainda participou de três episódios de "Você Decide", entre 1997 e  1998, mas não retornou aos folhetins e nem à televisão. Ela faleceu em 2002, aos 81 anos, vítima de insuficiência respiratória, e viveu seus últimos momentos cercadas por seus passarinhos em seu apartamento, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

As tramas atualmente reprisadas marcaram a despedida da intérprete das telinhas com duas personagens que fizeram jus ao seu talento. Não por acaso, viraram as mais emblemáticas de sua carreira, tão longeva e com mais de 20 novelas.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Abordagem da morte de Abel em "Dona de Mim" prova que a dor precisa ser sentida nas novelas

 Semana passada foi ao ar a sequência mais triste de "Dona de Mim", atual novela das sete escrita por Rosane Svartman e dirigida por Allan Fiterman: a morte de Abel, que marcou a despedida do grande Tony Ramos da trama das sete da Globo. Porém, a saída de um dos principais personagens do enredo não foi corrida e a autora soube aproveitar todos os desdobramentos dramáticos que um falecimento causa na vida de uma família. 


A sequência do acidente trágico teve efeitos especiais dignos e impactou o público. Não foi algo feito de qualquer maneira ou com gráficos toscos, como tem sido visto em vários folhetins recentes, vide "Família é Tudo" e "Vale Tudo", citando apenas alguns exemplos. E o principal foi o detalhamento do que aconteceu depois da morte de Abel e Rebeca  (Silvia Pfeifer). O desespero dos personagens diante do sumiço do empresário, a procura por notícias, as especulações a respeito, o telefonema avisando da descoberta do carro com o corpo da advogada, enfim, tudo foi dividido com o telespectador, o que rendeu cenas de intensa carga dramática. 

A cena do velório também foi aproveitada para destacar o talento os atores, especialmente Suely Franco, que protagonizou seus melhores momentos na trama através da profunda dor de uma mãe que enterrou um filho. Também foi interessante conhecer um pouco mais do ritual judaico, uma vez que Rosa rasgou o bolso da blusa de Jaques (Marcello Novaes), gesto que significa o coração dilacerado pela perda.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Tony Ramos fará muita falta em "Dona de Mim"

 Nesta terça (05/08), após alguns adiamentos e reedições de capítulos por conta da programação da Globo, que mexeu na grade para a transmissão de alguns jogos de futebol, foi exibido o capítulo que marcou a morte de Abel em "Dona de Mim". Quando a notícia saiu em vários sites houve uma imediata surpresa do público. A equipe da novela conseguiu segurar bem o segredo. No entanto, desde então as reclamações nas redes sociais são muitas, o que é compreensível. Tony Ramos enriquece qualquer elenco. 


A atual novela das sete ainda não engrenou. A história de Rosane Svartman está longe de ser um fracasso e elevou os índices da produção anterior, mas ainda não é um sucesso. E dá para entender porque o enredo ainda não fisgou de jeito o telespectador. Há uma impressão de um prólogo que nunca acaba. A trama parece que ainda não começou de fato, o que é um problema. Até mesmo sobre o que se trata o roteiro da obra é uma dúvida que naturalmente surge. A saga da Leona (Clara Moneke) se resume a que exatamente? Ela quer ser mãe de novo, após a perda de sua filha? Quer ficar com a Sofia (Elis Cabral) trabalhando de babá até o fim da vida? Quer fazer faculdade e ter um bom emprego? Quer tudo isso ao mesmo tempo? Enfim, são questionamentos pertinentes e que acabam enfraquecendo a narrativa. 

A família Boaz sempre foi o maior chamariz do folhetim, até porque é lá que Leona trabalha e criou um lindo vínculo com Sofia e todas aquelas pessoas que moram na mansão. Mas muitas situações que aconteciam ali passaram a andar em círculos e nem mesmo a chegada de Vanderson (Armando Babaioff) proporcionou uma reviravolta.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Início de "Êta Mundo Melhor!" é um grande obituário

 A continuação de "Êta Mundo Bom!", fenômeno de Walcyr Carrasco, exibido às 18h em 2016, mal começou e já demonstra uma forte aceitação popular, através de excelentes índices de audiência, o que não é uma novidade para a carreira do autor. O fato novo mesmo é a parceria com Mauro Wilson, que conduzirá "Êta Mundo Melhor!" sozinho a partir do capítulo 30. Mas o que tem sido visto até agora não é uma nova novela e, sim, um amontoado de resoluções um tanto apressadas de vários personagens e tramas da obra anterior. 

Imagem

Há uma nítida preocupação em eliminar o mais rápido possível todas as pontas soltas para iniciar um novo enredo. O problema é que "Êta Mundo Bom!" foi um folhetim com um final redondo, ou seja, concluído com habilidade por Walcyr, que não deixou qualquer possibilidade de uma continuação, ao contrário do que aconteceu com o final de "Alma Gêmea" (2005), por exemplo, que apresentou Rafael (Du Moscovis) e Serena (Priscila Fantin) reencarnados e se conhecendo crianças. 

Portanto, a solução do autor foi promover uma legião de mortes e viagens para justificar a ausência de diversos personagens da novela de 2016 em "Êta Mundo Melhor!". Isso porque alguns atores não aceitaram ou puderam participar da nova novela, como Marco Nanini e Camila Queiroz, que não toparam reviver o professor Pancrácio e a caipira Mafalda, respectivamente, ou Rosi Campos, que não conseguiu reviver a Eponina por conta de seu trabalho em "A Caverna Encantada", atual folhetim infantil do SBT.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Retrospectiva 2024: os artistas que deixaram saudade

 Na última semana do ano, é hora de fazer um balanço de tudo o que passou ao longo de doze meses. O ano de 2024 foi marcado pelas muitas perdas que aconteceram entre cantores, atores e jornalistas. Vários nomes de peso deixaram o cenário cultural mais vazio e triste. Hoje se inicia a retrospectiva tradicional do blog e começando com saudade. 




Quinho do Salgueiro (1957 - 2024):

Melquisedeque Marins Marques faleceu no dia 3 de janeiro, aos 66 anos, e estava afastado do Carnaval para tratar um tumor na uretra. Uma das maiores vozes da folia carioca, Quinho deu vida a vários sambas-enredo do Salgueiro e fez dos gritos "arrepia, Salgueiro, pimba pimba", "ai, que lindo, que lindo", e "que bonitinho" em suas marcas. Em 1993, viveu seu auge quando comandou um coro de mais de 60 mil pessoas na Sapucaí com o samba "Peguei um Ita no Norte" (Explode coração, na maior felicidade"), que virou um hino da escola. 



João Carreiro (1982 - 2024):

O cantor sertanejo morreu no dia 3 de janeiro, aos 41 anos, após uma cirurgia cardíaca. Ele tinha uma condição cardíaca chamada de prolapso da válvula mitral. João conheceu o sucesso a partir de 2009, com o lançamento do álbum "Os Brutos do Sertanejo" (Som Livre), que gravou em dupla com Hilton Cesar Serafim, o Capataz. A dupla se desfez em 2013 quando João precisou tratar de problemas de saúde. O retorno aconteceu três anos depois.

sábado, 5 de outubro de 2024

Emiliano Queiroz fez de todo coadjuvante um sucesso

 Morreu, na manhã de sexta-feira, dia 4, Emiliano Queiroz. O ator, recentemente, havia se submetido a uma cirurgia para colocar três stents no coração. Na última quinta-feira, dia 3, recebeu alta e foi para casa. Mas acordou se sentindo mal às 4h30, foi levado ao mesmo hospital, onde teve uma parada cardíaca e partiu aos 88 anos. 


Filho de um ourives e uma professora primária, Emiliano deixou seu estado natal, o Ceará, com pouco mais de 20 anos. Nesse período, ele pegou carona em um caminhão rumo a São Paulo, para participar de montagens profissionais de teatro, atividade a que se dedicava desde a infância, quando ainda morava na pequena cidade de Aracati, onde nasceu. Entre familiares e amigos de escola, era considerado um prodígio. 

Aos 10 anos, depois de se mudar com os pais para Fortaleza, o jovem participou de cursos livres de artes cênicas e logo decidiu que seguiria a carreira artística. Entrou para o Teatro Experimental de Arte, uma importante companhia cearense, aos 14 anos. Pouco depois, começou a trabalhar na Ceará Rádio Clube. Após um curto período em São Paulo, o então rapaz retornou ao seu estado natal e foi contratado pela TV Ceará.

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Cid Moreira: um dos maiores ícones do jornalismo brasileiro

 Nesta quinta-feira, dia 3, o Brasil perdeu uma das figuras mais emblemáticas da história do jornalismo. Cid Moreira faleceu, aos 97 anos, completados no último domingo (29/09). Ele estava internado no Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, desde o dia 4 de setembro, quando deu entrada com uma insuficiência renal crônica (antes vinha tratando de uma pneumonia em casa). O quadro piorou e Cid morreu de falência múltipla dos órgãos. 


O jornalista iniciou a carreira na rádio em 1944, depois de ser descoberto por um amigo que o incentivou a fazer um teste de locução na Rádio Difusora de Taubaté. Nos anos seguintes, entre 1944 e 1949, narrou comerciais até se mudar para São Paulo, onde trabalhou na Rádio Bandeirantes e na Propago Publicidade. Em 1951, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga. Foi lá que começou a ter suas primeiras experiências na televisão até 1956, apresentando comerciais ao vivo na TV Rio. Sua estreia como locutor de noticiários aconteceu em 1963, no "Jornal da Vanguarda", da TV Rio, o que marcou seu início de carreira no jornalismo televisivo. Nos anos seguintes, trabalhou nesse mesmo programa em várias emissoras, como Tupi, Globo, Excelsior e Continental. 

Em 1969, Cid voltou à Globo para substituir Luis Jatobá no "Jornal da Globo", que ia ao ar às 19h45. No mesmo ano, foi escalado para a equipe do então recém-lançado "Jornal Nacional", o primeiro telejornal transmitido em rede no Brasil. A estreia ocorreu em setembro de 1969, e Cid dividiu a bancada com Hilton Gomes.

sábado, 17 de agosto de 2024

Rei da televisão brasileira, Silvio Santos nunca perderá a majestade

 Neste sábado, dia 17 de agosto de 2024, o Brasil perdeu uma de suas mais emblemáticas figuras: Silvio Santos. O dono do SBT faleceu, às 4h50, aos 93 anos. Ele estava internado há 17 dias no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, por conta de uma infecção por Influenza (H1N1), e acabou desenvolvendo uma broncopneumonia. A notícia só foi dada por volta das dez horas da manhã, o que iniciou uma leva de homenagens em todo o país e uma cobertura integral da imprensa. 


Tamanha comoção é explicada com facilidade. Silvio Santos era o maior apresentador e comunicador do Brasil e o rei da televisão nacional. Dominava os palcos como poucos e não vivia sem seu auditório, sempre majoritariamente composto por mulheres, a quem chamava de "colegas de trabalho". Era o companheiro das donas de casa e das famílias que se reuniam todo domingo para vê-lo brincar, proferir seus famosos bordões e se divertir ao longo de muitas horas na programação. Nem parecia que estava trabalhando. Era visível que ali encontrava o seu lugar. 

Silvio nasceu Senor Abravanel, em 12 de dezembro de 1930. Natural do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, ele tinha outros cinco irmãos. Ainda criança, era apaixonado por cinema e ia sempre com um irmão assistir a sessões na Cinelândia. Na década de 1940, Silvio começou a trabalhar como camelô nas ruas do Rio e a ideia surgiu durante as eleições de 1946, quando começou a vender capas para títulos de eleitor e canetas.