Não há mais como contestar: a teledramaturgia nacional mergulhou no etarismo. Com o perdão da grosseria, praticamente não existe mais velho em novela. Os elencos agora são majoritariamente compostos por atores jovens e as figuras dos avôs e avós desapareceram quase por completo. Em cada produção, dá para contabilizar apenas um, ou no máximo dois atores com 70 anos ou um pouco mais. Isso porque intérpretes acima dos 80 em folhetins atuais virou quase utopia.
Etarismo, de acordo com a Academia Brasileira de Letras, se refere ao preconceito contra pessoas com idade avançada. Também chamado de idadismo ou ageísmo. A expectativa de vida do brasileiro vem aumentando a cada ano e atualmente está em 77 anos, mas a teledramaturgia nacional parece retroceder. O curioso é que a questão virou uma espécie de assunto proibido, uma vez que as diretorias das emissoras, principalmente as da Globo, maior produtora de novelas do país e do mundo, não comentam ou repercutem a evidente mudança no processo de escalação. Os autores também não se pronunciam publicamente, o que parece uma mordaça imposta pelos empregadores.
As novelas e séries gravadas na época do controle sanitário eliminaram por completo a presença de idosos em cena e havia todos os motivos para tal, já que eram o grupo de risco da covid-19.