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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Por que a Globo não valoriza Lícia Manzo?

O Brasil sempre teve grandes autores de novelas. Tanto que o folhetim virou uma das grandes marcas do país, sendo referência em vários lugares do mundo. A Globo exporta produções com grande facilidade e as histórias já foram traduzidas em diversos idiomas. Uma das receitas deste sucesso é a pluralidade do time dos escritores. Cada um tem características específicas, o que implica na identidade de sua obra. E, mesmo tendo escrito apenas duas novelas, pode-se afirmar que Lícia Manzo vem se destacando neste cenário da teledramaturgia. 



A autora (que também é atriz, diretora, produtora e roteirista) já colaborou em vários episódios do extinto "Sai de Baixo"(1996/2002), e escreveu, em parceria com colegas, uma temporada de "Malhação" (2003/2004) ---- justamente a de maior sucesso do seriado adolescente (conhecida como a fase da "Vagabanda"). Estreou como titular na linda série "Tudo Novo de Novo", em 2009, sendo supervisionada por Maria Adelaide Amaral. Mas foi em 2011 que Lícia se tornou mais conhecida do grande público em virtude da impecável "A Vida da Gente", sua primeira novela. Ela emocionou o telespectador com uma história extremamente delicada e dramática. E se ainda havia alguma dúvida do seu talento, a mesma foi aniquilada depois de quatro anos. Afinal, a escritora voltou a sensibilizar com a sensível "Sete Vidas", em 2015.

Não é qualquer autor que consegue retratar a alma humana tão bem quanto Lícia. Seu estilo lembra muito o de Manoel Carlos, uma vez que também costuma utilizar as situações cotidianas para desenvolver a história e seus personagens são quase todos de classe média. Outra semelhança é a ausência de núcleo cômico, focando somente nos dramas.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Letícia Colin e Isabelle Drummond repetem a bem-sucedida parceria de "Sete Vidas" em "Novo Mundo"

"Novo Mundo" vem presenteando o telespectador com uma produção caprichada, bons personagens e história convidativa. Não por acaso vem fazendo sucesso. E um dos muitos acertos da novela escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão, dirigida por Vinícius Coimbra, foi a escalação de duas atrizes talentosas: Letícia Colin e Isabelle Drummond. As intérpretes de Leopoldina e Anna Millman estão impecáveis desde o primeiro capítulo e ambas repetem a bem-sucedida parceria que tiveram na primorosa "Sete Vidas", trama das seis, de Lícia Manzo, exibida em 2015.


A princesa e sua professora de português são amigas e cúmplices. A relação próxima das duas foi evidenciada logo na estreia e os autores aproveitaram o dado histórico para beneficiar o folhetim. Afinal, segundo consta, Leopoldina realmente teve uma pessoa para auxiliá-la na língua e os responsáveis pela trama resolveram transformar essa mulher na mocinha do enredo e na confidente da personagem histórica. Deu certo. E uma das causas do êxito é, justamente, o elogiado trabalho anterior das intérpretes.

Em "Sete Vidas", as duas eram Elisa e Júlia. Primas que se consideravam irmãs. As meninas também eram confidentes no enredo envolvente e delicado de Lícia Manzo, protagonizando inúmeras cenas emocionantes e complicadas dramaticamente. O desempenho delas foi admirável, imprimindo toda a carga necessária em cada conflito dos perfis. Até porque as novelas da autora têm muito mais texto do que 'ação'.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"Sete Vidas", "Além do Tempo" e "Êta Mundo Bom!" formaram uma trinca de ouro no horário das seis

A faixa das seis da Globo apresentou uma boa sequência de novelas, começando no início de março de 2015 e chegando ao fim em agosto deste ano. Uma novela impecável foi substituída à altura e a substituta cedeu lugar à outra tão boa quanto. Ou seja, três folhetins da melhor qualidade e que presentearam o público com histórias repletas de atrativos. As produções são "Sete Vidas", "Além do Tempo" e "Êta Mundo Bom!", escritas por Lícia Manzo, Elizabeth Jhin e Walcyr Carrasco, respectivamente.


As novelas não apresentam semelhança alguma no quesito história, entretanto, as similaridades se dão justamente através de pontos fundamentais de um bom folhetim: elenco bem escalado, trilha sonora primorosa, personagens construídos com competência, dramas envolventes, conflitos convidativos e bom ritmo. As três tramas enriqueceram o horário das seis, cada um a seu modo. Para completar o conjunto harmonioso, todas representaram um crescimento de audiência na faixa, expondo o interesse do telespectador.

"Sete Vidas" elevou em dois pontos a média do horário, obtendo 19,4 no salgo geral, revertendo uma queda que parecia inevitável. Lícia Manzo conseguiu emocionar o público mais uma vez, após já ter atingido o objetivo com sua primeira novela, exibida em 2011: a inesquecível "A Vida da Gente".

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: os destaques do ano

A última retrospectiva e a última postagem do ano, honrando a tradição do blog, é sobre os grandes destaques de 2015. A Globo não teve sorte no horário nobre, mas em compensação emplacou o maior sucesso das 23h e exibiu duas novelas das seis primorosas. Já a Record conseguiu um êxito jamais alcançado com sua primeira novela bíblica, enquanto o SBT manteve a boa média alcançada com mais uma novelinha infantil. A Band exibiu duas ótimas temporadas do melhor reality culinário do país e o canal a cabo GNT produziu algumas boas séries. Enfim, vamos aos destaques deste ano:






"Verdades Secretas".
A melhor novela do ano e o maior sucesso de 2015. A primeira trama inédita das 23h (após quatro remakes), com 64 capítulos e média de 20 pontos, foi mais um grande acerto do autor Walcyr Carrasco, que repetiu a bem-sucedida parceria com o diretor Mauro Mendonça Filho, cuja direção primorosa foi um dos trunfos do folhetim. A história abordou com maestria uma sucessão de temas polêmicos e pesados, prendendo o telespectador diante da televisão até o começo da madrugada. Prostituição, submundo da moda, sexo, drogas, traição, enfim, foram várias temáticas fortes que permearam o roteiro da novela das onze. Destaque também para o excelente elenco, os dúbios personagens, a bela fotografia, além da trilha sonora de qualidade e dos instigantes conflitos.




"Sete Vidas".
A segunda novela de Lícia Manzo teve apenas 104 capítulos, ficando cerca de quatro meses no ar. E a autora mais uma vez, após a envolvente e impecável "A Vida da Gente" (2012), conseguiu emocionar o telespectador com seu texto repleto de sentimentos e com sua história recheada de personagens totalmente reais. Dirigida por Jayme Monjardim, a trama sobre um navegador solitário e traumatizado, que se via diante de sete filhos desconhecidos, foi fascinante e ainda abordou muito bem as novas formações familiares. O bem escalado elenco soube representar com competência todas as pessoas criadas pela talentosa autora e foi um prazer acompanhar todos os desdobramentos de uma história onde a grande vilã era a vida. O grau de realismo dos dramas era tão alto que muitas vezes o público tinha a sensação de espiar tudo pelo buraco da fechadura. Linda novela e elevou em dois pontos a média do horário.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: as melhores cenas do ano

Como foi um ano de grandes interpretações, automaticamente foi um ano de grandiosas cenas também. Vários atores se destacaram em 2015 (colocados na lista anterior) e foram muitas as sequências merecedoras de aplausos. Quase todas as novelas e séries contaram com bons momentos que merecem ser mencionados em mais uma retrospectiva. Vamos a eles.






Passeio no parque em "Sete Vidas". 
Foi a cena mais linda e tocante do ano. Lícia Manzo escreveu e os atores interpretaram uma delicada sequência, onde os sete irmãos do título se encontraram em um parque de diversões, retomando uma infância não vivida. Isso depois de uma briga séria protagonizada por todos. O momento serviu para uma bonita reconciliação, que resultou em um show de sensibilidade. Isabelle Drummond, Jayme Matarazzo, Thiago Rodrigues, Michel Noher, Ghilherme Lobo e Maria Eduarda de Carvalho emocionaram em meio a uma perfeita trilha sonora ("Reckoner", do Radiohead, em uma linda versão de Vitamin String Quartet). Foi impossível não ter chorado assistindo. 




Condessa finalmente encontra Bernardo em "Além do Tempo".
Irene Ravache protagonizou inúmeras cenas grandiosas na trama de Elizabeth Jhin e essa foi uma delas. O momento em que Vitória, após anos procurando, reencontra o filho desaparecido foi lindo demais. A atriz expôs toda a alegria da personagem só pelo olhar e Felipe Camargo também merece elogios por sua atuação. Apesar do Conde ter sido amarrado por Bento, a delicadeza do momento se fez presente. A cena ainda culminou em uma virada na reta final da primeira fase da história, o que resultou em ótimas sequências posteriores. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: os melhores casais do ano

Seguindo com a retrospectiva do ano que passou, nada mais justo do que relembrar os melhores casais da ficção. Assim como costuma ocorrer em todos os anos, foram muitos pares que transbordaram química e despertaram torcidas. Claro que os equivocados também existiram, mas esses nem merecem menção. O que vale é a listagem dos romances que engrandeceram os enredos e conquistaram o telespectador.






Lígia e Miguel ("Sete Vidas"): A novela de Lícia Manzo foi um primor e um dos muitos destaques foi o casal protagonista, formado por uma mulher segura de si e um homem complexado. O romance conturbado foi envolvente do primeiro ao último capítulo e os dois não tiveram que enfrentar vilões ao longo da história: o grande impedimento para a felicidade do casal era justamente a vida e todos os traumas que ela causou no sofrido navegador, que se viu no meio de um furacão e cercado por sete filhos completamente desconhecidos. Débora Bloch e Domingos Montagner repetiram a boa química vista em "Cordel Encantado" e combinaram perfeitamente.



Danny Bond e Marília ("Felizes para sempre?"): A prostituta conheceu o amor da sua vida em um programa a três, quando foi chamada para apimentar a relação de um casal que estava em crise. Ela acabou provocando a obsessão de Cláudio (Enrique Diaz) e apresentou a pureza de um sentimento verdadeiro para Marília, mulher que estava a cada dia mais infeliz no casamento. As duas protagonizaram lindas cenas na obra de Euclydes Marinho, onde a cumplicidade se fazia presente em meio a uma trama repleta de podridão e corrupção por todos os lados. O final foi trágico ---- a garota de programa foi assassinada pelo marido do seu amor ----, mas o breve romance foi muito bonito e cheio de sensualidade. Paolla Oliveira e Maria Fernanda Cândido estavam totalmente entregues.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

"Sete Vidas", "Verdades Secretas" e "Além do Tempo" foram as melhores novelas da Globo em 2015

A Globo não tem motivo para comemorar seu cinquentenário levando em consideração a sua principal faixa de teledramaturgia. Rejeitada por crítica e público, "Babilônia" foi o maior fracasso da história do horário nobre e "A Regra do Jogo" encontrou dificuldades em reagir nos números de audiência nos primeiros meses ---- seu início foi prejudicado pelo sucesso de "Os Dez Mandamentos", na Record, e a demora em deslanchar a história também contribuiu para afastar o público. Porém, 2015 foi um ano muito rico 'novelisticamente' para a emissora no horário das seis e das onze.


"Sete Vidas" e "Além do Tempo" engrandeceram a faixa das 18h, enquanto "Verdades Secretas" levantou a chamada 'segunda linha de shows', nome que a Globo usa para classificar os produtos que vêm depois das produções pós-novela das nove. Os três folhetins apresentaram ---- no caso de "Além do Tempo" vem apresentando, pois ainda está no ar ---- qualidade de sobra e tramas muito bem escritas, dirigidas e escaladas, honrando a boa audiência conquistada.

A novela de Lícia Manzo estreou em março (dia 9) e chegou ao fim em julho (dia 10), ou seja, ficou apenas quatro meses no ar ---- tendo 106 capítulos. Após o êxito da impecável e comovente "A Vida da Gente" (2011), a autora novamente conseguiu arrebatar o telespectador com um enredo inovador e repleto de dramas bem escritos.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Com "A Vida da Gente" e "Sete Vidas", Lícia Manzo comprovou que sabe retratar com maestria a alma humana

O Brasil sempre teve grandes autores de novelas. Tanto que o folhetim virou uma das grandes marcas do país, sendo referência em vários lugares do mundo. A Globo exporta produções com grande facilidade e as histórias já foram traduzidas em diversos idiomas. Uma das receitas deste sucesso é a pluralidade do time dos escritores. Cada um tem características específicas, o que implica na identidade de sua obra. E, mesmo tendo escrito apenas duas novelas, pode-se afirmar que Lícia Manzo vem se destacando neste cenário da teledramaturgia.


A autora (que também é atriz, diretora, produtora e roteirista) já colaborou em vários episódios do extinto "Sai de Baixo", escreveu, em parceria com colegas, uma temporada de "Malhação" (2003/2004) e estreou como titular na linda série "Tudo Novo de Novo", em 2009, sendo supervisionada por Maria Adelaide Amaral. Mas foi em 2011 que Lícia se tornou mais conhecida do grande público em virtude da impecável "A Vida da Gente", sua primeira novela. Ela emocionou o telespectador com uma história extremamente delicada e dramática. E se ainda havia alguma dúvida do seu talento, a mesma foi aniquilada depois de quatro anos. Afinal, a escritora voltou a sensibilizar com a linda "Sete Vidas", terminada recentemente (primeira semana de julho).

Não é qualquer autor que consegue retratar a alma humana tão bem quanto Lícia. Seu estilo lembra muito o de Manoel Carlos, uma vez que também costuma utilizar as situações cotidianas para desenvolver a história e seus personagens são quase todos de classe média. Outra semelhança é a ausência de núcleo cômico, focando somente nos dramas. Porém, a autora tem uma sensibilidade maior para a abordagem das relações.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Aclamada por público e crítica, "Sete Vidas" foi uma novela que primou pela sensibilidade

"O que é bom dura pouco." Esta frase conhecida pode ser aplicada facilmente ao segundo folhetim de Lícia Manzo na Globo. "Sete Vidas" chegou ao fim nesta sexta-feira (10/07), exibindo um último capítulo recheado de sensibilidade e cenas emocionantes, onde todo o contexto da trama foi fechado com maestria. O horário das seis foi premiado com uma produção que priorizou o cotidiano, excluindo a presença de vilões clássicos. A vida era a antagonista de todos. A novela teve apenas 106 capítulos e ficou cerca de quatro meses no ar. A curta duração evitou qualquer tipo de enrolação, mas não há como negar que deixou um gosto de quero mais.


Após o êxito da elogiada "A Vida da Gente", Lícia se aventurou novamente no horário das seis com uma história que tratava de arranjos familiares. Inicialmente prevista para a faixa das 23h, a duração da obra foi aumentada (seria ainda mais curta do que foi), mas o conjunto não foi mexido. E a autora apenas comprovou a sua competência ao contar uma história tão bem construída e envolvente quanto a exibida em 2011, marcando, na época, sua estreia como autora solo. As novas famílias (nem tão novas assim, diga-se) foram abordadas com um extremo detalhismo e a humanidade dos personagens cativou o telespectador, que logo se viu mergulhado naquele enredo tão bem elaborado.

O drama do solitário navegador Miguel (Domingos Montagner), que doou sêmen anos atrás no Estados Unidos, implicando no surgimento de cinco vidas, despertou atenção logo no primeiro capítulo, quando o mesmo iniciava sua saga, que era atormentada por um traumático acontecimento do passado. Toda a trama foi brilhantemente entrelaçada pela autora, onde a história de cada um foi sendo contada à medida que as semanas se passavam.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Isabelle Drummond viveu seu melhor momento em "Sete Vidas"

Mesmo ainda criança, vivendo a Emília do "Sítio do Pica-Pau Amarelo" --- depois de pequenas participações em "Laços de Família" e "Os Maias" ---, Isabelle Drummond já mostrava que seu futuro no mundo das artes cênicas seria promissor, como de fato foi. Desde então, ela já esteve em seis novelas, onde pôde se destacar em três delas, quando ganhou perfis que fizeram jus ao seu talento: "Caras & Bocas" (Bianca), "Cheias de Charme" (Cida) e "Sangue Bom" (Giane). Mas foi em "Sete Vidas" (cujo fim será exibido nesta sexta-feira) que a atriz viveu seu melhor momento na carreira.


Júlia foi uma das personagens mais importantes da novela e Lícia Manzo confiou plenamente no talento da intérprete. Ela era uma das sete vidas do título e se Miguel (Domingos Montagner) foi o responsável por todo o desenvolvimento da história, pode-se afirmar que a menina foi o grande elo de ligação de todas as pontas do enredo tão bem construído pela autora. E, por ironia, era a única que não tinha qualquer laço sanguíneo com o doador de sêmen, o que deixou a trajetória da personagem ainda mais atrativa e rica dramaturgicamente.

O grau de dificuldade deste papel era muito alto e uma profissional um pouco mais limitada não conseguiria fazê-lo com tanta competência. Júlia iniciou com Pedro (Jayme Matarazzo) uma saga para encontrar seus outros irmãos, mas se apaixonou por ele (sendo correspondida) e viu sua vida virar de cabeça para baixo.

terça-feira, 7 de julho de 2015

O que falta em "Babilônia", sobra em "Malhação", "Sete Vidas" e "Verdades Secretas"

Comparar produções que estão no ar nem sempre é producente. Afinal, cada uma tem suas características e as temáticas, embora usem os vários clichês presentes na teledramaturgia, acabam sendo distintas. Entretanto, analisando os inúmeros problemas de "Babilônia" e as várias qualidades de "Malhação Sonhos", "Sete Vidas" e "Verdades Secretas", todas exibidas na Globo, fica difícil não explorar esta gama de diferenças tão evidentes.


"Babilônia" se mostrou uma novela fraca, independente das inúmeras mudanças feitas em virtude da forte rejeição que a história sofreu. O enredo central escrito por Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, baseado na rivalidade de Beatriz (Glória Pires) e Inês (Adriana Esteves), se mostrou frágil e insustentável para tantos capítulos. Tanto que os embates entre as vilãs cansaram e o tema em torno do assassinato de Cristóvão já deu o que tinha que dar há muito tempo. E as tramas paralelas já eram limitadas e ficaram ainda mais perdidas após as mudanças no roteiro.

As idas e vindas de Alice (Sophie Charlotte) e Evandro (Cássio Gabus Mendes) não despertam interesse e o romance da filha de Inês com o cafetão Murilo (Bruno Gagliasso) foi completamente aniquilado, ficando sem a menor lógica. Os demais núcleos ficam deslocados e os personagens não provocam empatia alguma.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A complexidade de Miguel e o show de Domingos Montagner em "Sete Vidas"

Nada mais gratificante para um ator do que ganhar um perfil complexo para interpretar. Isso proporciona sempre grandes cenas para o intérprete, que precisa vivenciar todas as angústias e mostrar as nuances daquele personagem. E é o que vem acontecendo com Domingos Montagner desde a estreia da primorosa "Sete Vidas", novela das seis que lamentavelmente está perto de seu fim. Ele ganhou um tipo desafiador, brilhantemente escrito pela autora.


Miguel é a figura que move toda a história de Lícia Manzo e o protagonista transborda complexidade. Atormentado por um trauma do passado, o navegador tem uma séria dificuldade de se relacionar com o outro, de criar vínculos, expressar sentimentos, enfim, de viver. Isso porque, quando adolescente (interpretado por Jesuíta Barbosa), ele viu o pai (Celso Frateschi) abusando sexualmente da menina por quem era apaixonado e o confrontou, provocando uma briga séria. A mãe do rapaz (vivida por Cláudia Netto) ouviu tudo e foi atrás do filho, que saiu de casa a toda velocidade em uma moto. Esta perseguição acabou culminando no acidente que matou a mãe, atingida em cheio por um caminhão.

Desde então, a vida deste homem passou a ser um verdadeiro inferno. Além de ter se culpado pela morte da mulher que mais amava, ele ainda achava que havia cometido uma injustiça com o pai. Todo o trágico conjunto deixou Miguel introspectivo e cada vez mais isolado. Porém, uma atitude sua no passado foi a responsável por uma armadilha do destino: ainda adolescente, doou sêmen nos Estados Unidos para ganhar dinheiro e cinco filhos foram originados, sendo que todos eles acabaram se encontrando por meio da internet anos depois.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Triângulo amoroso protagonizado por Pedro, Júlia e Felipe é um dos trunfos da reta final de "Sete Vidas"

Lícia Manzo tem uma capacidade rara de emocionar o telespectador, evitando qualquer tipo de pieguice. A autora também sabe como envolver o público com seus personagens reais, cujas relações são sempre cheias de dificuldades impostas por decisões ou pela própria vida. E uma das muitas questões que tem norteado esta reta final de "Sete Vidas" é o dilema amoroso de Júlia (Isabelle Drummond), personagem que se vê dividida entre a razão e a emoção, encabeçando um triângulo amoroso bastante complexo.


A menina é o grande elo de ligação dos irmãos (todos filhos de Miguel - Domingos Montagner) e foi a responsável, direta ou indiretamente, pela aproximação de todos. E, ironicamente, ela é a única que não é filha do doador 251, uma vez que a mãe Marta (Gisele Fróes) mentiu a respeito de sua origem, provocando uma verdadeira avalanche sentimental em sua vida. O triângulo amoroso que a tem como protagonista, inclusive, é consequência de toda esta rede de mentiras.

Júlia e Pedro (Jayme Matarazzo) se apaixonaram perdidamente assim que se conheceram e logo tiveram que 'interromper' este forte sentimento em virtude da descoberta do laço sanguíneo ---- que nunca existiu, mas, na época, eles sequer imaginavam que não eram irmãos. Os dois tentaram seguir suas respectivas vidas até que ela descobriu toda a verdade e foi correndo contar a ele.

terça-feira, 23 de junho de 2015

"Sete Vidas" e "Verdades Secretas" comprovam o êxito do entrosamento entre autor e diretor

O entrosamento do autor com o diretor da sua novela é de vital importância para que a mesma funcione a contento. Qualquer tipo de divergência (ou métodos de trabalhos que não se complementam) já provoca um efeito imediato no resultado final, prejudicando o conjunto. Em compensação, quando há uma sintonia perfeita, onde um auxilia o trabalho do outro, a novela dificilmente enfrenta problemas. Pois este é o caso de "Sete Vidas" e "Verdades Secretas", exibidas atualmente na Globo.


As duas novelas evidenciam o êxito de uma boa parceria, onde autor e diretor se conhecem e confiam no trabalho um do outro. Para que isso ocorra, aliás, é (na maioria das vezes) preciso que este 'casamento' se perdure. Ou seja, que a dupla dê prosseguimento a uma parceria bem-sucedida. E foi exatamente o que aconteceu em ambos os casos. Lícia Manzo, Jayme Monjardim, Walcyr Carrasco e Mauro Mendonça Filho são responsáveis por dois folhetins repletos de qualidades e as duplas já fizeram outros trabalhos juntos. 

Lícia e Jayme produziram a impecável "A Vida da Gente" (2011) e a novela das seis entrou para a lista de melhores já exibidas no horário, sendo uma das mais vendidas da Globo. A história protagonizada por Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano) emocionou o público e a harmonia entre autora e diretor pôde ser sentida do primeiro ao último capítulo.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Na pele da íntegra e cativante Esther, Regina Duarte brilha em "Sete Vidas"

Tecer elogios ao primoroso conjunto de "Sete Vidas" implica em cair na repetição. Afinal, a novela de Lícia Manzo coleciona congratulações desde que estreou. As qualidades são inúmeras mesmo e uma delas está no talentoso elenco escalado. São muitos destaques e vários desempenhos excelentes. E entre os grandes nomes presentes neste time, está a maravilhosa Regina Duarte, que não participava de uma novela inteira desde 2011, quando viveu a Clô Hayalla de "O Astro", e está completando 50 anos de televisão em 2015.


A atriz havia sido escalada para "Boogie Oogie", fraca trama anterior, mas recusou o papel, que acabou nas mãos de Betty Faria ---- curiosamente invertendo uma situação clássica do passado, quando assumiu o lugar de Betty para viver a Viúva Porcina em "Roque Santeiro". E Regina pediu para entrar na novela de Lícia porque assistiu a impecável "A Vida da Gente", virando, assim como muitos telespectadores, fã da autora. O pedido, claro, foi prontamente aceito e ela ganhou a Esther, uma mulher de personalidade forte que faz jus ao talento da intérprete.

A personagem teve um longevo relacionamento homossexual (com Vivian) e as duas optaram pela inseminação artificial, onde Esther foi a escolhida para engravidar. Ela acabou engravidando de gêmeos ----- Laila (Maria Eduarda de Carvalho) e Luis (Thiago Rodrigues) ----- e o sêmen utilizado foi o de Miguel (Domingos Montagner), protagonista da história. A sua parceira veio a falecer, deixando a companheira encarregada da criação dos filhos sozinha.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Enquanto Débora Bloch e Domingos Montagner se destacam, Lígia e Miguel esbanjam química em "Sete Vidas"

O principal casal de "Sete Vidas" é um dos muitos acertos desta trama tão bem escrita por Lícia Manzo. A conturbada relação de Lígia e Miguel afeta, direta ou indiretamente, todos os personagens da novela e o par tem um enredo denso que os cerca desde o primeiro capítulo. O sentimento que os une é tão intenso que eles sempre estiveram ligados, mesmo com tanto tempo de afastamento e conflitos. Débora Bloch e Domingos Montagner são muito exigidos e vêm correspondendo desde a estreia.


A jornalista sempre foi apaixonada pelo oceanógrafo e ambientalista, sendo plenamente correspondida. A relação acabou justamente quando o relógio biológico dela tocou, e o desejo de ter uma família estável afastou o navegador. Em meio ao término da relação, já houve um tudo: uma morte que na verdade era um desaparecimento, culminando em uma fuga; o nascimento de um bebê, fruto deste amor; um casamento; o aparecimento de cinco filhos gerados através da doação de sêmen feita pelo protagonista no passado; um retorno (após um longo isolamento em Fernando de Noronha) que chocou a todos; e um transplante de fígado que provocou sérias complicações. Praticamente uma avalanche de dramas e acontecimentos.

Porém, mesmo com tantas mudanças drásticas, novas formações familiares, mágoas, cruel passagem do tempo e reviravoltas impensáveis, eles nunca ficaram separados no pensamento. E a resistência de Miguel em estabelecer vínculos ---- sendo justamente esta questão a responsável por todos os conflitos gerados ---- está em seu traumático passado, já amplamente abordado na história.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Comemorando 50 anos, Globo foi bem presenteada com "O Rei do Gado", "Malhação Sonhos", "Sete Vidas" e "Alto Astral"

A Globo não tem motivos para comemorar os seus 50 anos no horário nobre. "Babilônia segue com uma audiência preocupante e está cheia de problemas de desenvolvimento. No entanto, este importante 2015 para a emissora tem sido bastante promissor na faixa das 16h30 às 20h30. "O Rei do Gado" no "Vale a Pena Ver de Novo", "Malhação Sonhos", "Sete Vidas" e "Alto Astral" (esta recém terminada) vêm garantindo bons índices e todas são produções de muita qualidade.


A reprise de um dos maiores sucessos de Benedito Ruy Barbosa foi um grande presente para a grade vespertina da Globo. A audiência da reexibição de "Cobras & Lagartos", trama anterior, foi desastrosa e oscilava entre 9 e 12 pontos, números nada atrativos para os padrões da líder. Mas, a trama em torno da inesquecível rivalidade entre os Mezenga e os Berdinazzi ---- somada ao ótimo elenco composto de nomes como Raul Cortez, Antônio Fagundes, Patrícia Pillar, Ana Rosa, Carlos Vereza, entre outros ---- elevou o Ibope, e desde então o folhetim vem obtendo índices em torno dos 17 pontos, com pequenas variáveis.

"Malhação Sonhos", por sua vez, também conseguiu aumentar os números da fraca temporada anterior chamada de 'Casa Cheia'. Rosane Svartman e Paulo Halm vêm conduzindo a história com competência. Eles evitam qualquer tipo de enrolação, procurando sempre manter o enredo movimentado (mesclam momentos cômicos com dramáticos muito bem), e ainda fazem uma boa inserção de pequenos números musicais em algumas cenas.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Encontro dos sete irmãos em um parque de diversões emociona e proporciona uma das cenas mais lindas de "Sete Vidas"

A sensibilidade de "Sete Vidas" pôde ser sentida logo na estreia da novela e quem acompanhou a série "Tudo Novo de Novo" e a novela "A Vida da Gente" não ficou surpreso com esta facilidade que Lícia Manzo tem de emocionar. Mas, ainda assim, a autora conseguiu surpreender com a tocante sequência do reencontro dos sete irmãos em um parque de diversões, exibida no capítulo de quinta- feira (14/05) desta semana ----- o vídeo pode ser assistido aqui.


Antes da reaproximação, houve um sério desentendimento entre eles. Isso porque Laila (Maria Eduarda de Carvalho) falsificou a carteira de identidade de Bernardo (Ghilherme Lobo) para 'ajudá-lo' a arrumar um emprego, uma vez que ele só tem 16 anos. Júlia (Isabelle Drummond) e Felipe (Michel Noher) não aprovaram, mas foram cúmplices do plano. Só que Marlene (Cyria Coentro), mãe do garoto, descobriu, brigou com o filho e ainda contou para Pedro (Jayme Matarazzo), que se indignou ---- aumentando ainda mais a raiva que o mesmo vem sentindo de tudo e de todos. Para culminar, Bernardo ainda desapareceu por um tempo, causando preocupação e despertando a indignação de Luiz (Thiago Rodrigues).

O resultado foi uma briga generalizada entre os irmãos, com direito a uma sucessão de verdades vomitadas por Laila, atingindo principalmente o malandro Durval (Cláudio Jaborandy). Esta cena, aliás, foi uma das melhores da novela, evidenciando bem a preciosidade do drama familiar que a autora inseriu em seu folhetim. Depois de tantos desencontros e muita procura, parecia que a reunião de todos aqueles parentes terminaria com um drástico rompimento e inúmeras feridas emocionais.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Volta de Miguel provoca uma aguardada reviravolta em "Sete Vidas" e deixa a novela ainda mais atrativa

Entre as muitas qualidades de "Sete Vidas", o bom ritmo se configura como uma das principais. Lícia Manzo conta sua história sem qualquer tipo de enrolação, ao mesmo tempo que consegue valorizar cada diálogo, cada momento e cada situação vivida pelos seus personagens. Ou seja, é uma novela que não tem um ritmo alucinante, mas apresenta vários acontecimentos diariamente. E, com o folhetim chegando praticamente na metade (ficará cerca de quatro meses no ar), a grande virada da trama aconteceu recentemente com a volta de Miguel (Domingos Montagner).


A razão para este retorno foi alheia à sua vontade, afinal, era uma questão de vida ou morte. Mais um filho do protagonista foi 'achado' e o rapaz corria sério risco de falecer porque precisava urgentemente de um transplante de fígado. Graças ao esforço de sua mãe (Beatriz - grande Lígia Cortez), Felipe (Michel Noher) conheceu Pedro (Jayme Matarazzo), Júlia (Isabelle Drummond), Laila (Maria Eduarda de Carvalho), Bernardo (Ghilherme Lobo) e Luis (Thiago Rodrigues) e logo se afeiçoou a esta 'nova família'. Mas, após a felicidade de ter encontrado vários irmãos, a decepção se fez presente depois que nenhum foi compatível para a doação de parte do órgão. Foi o estopim para a chegada de Miguel.

O navegador, incentivado pelo melhor amigo Lauro (Leonardo Medeiros), deixou a covardia de lado e resolveu voltar para salvar a vida deste novo filho. O retorno do personagem mais importante da trama provocou a mais aguardada virada de "Sete Vidas" e proporcionou uma sucessão de cenas dramáticas, muito bem interpretadas por todos os integrantes do ótimo elenco.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Pedro e Júlia: um casal que transborda sensibilidade em "Sete Vidas"

O que fazer quando você se encontra apaixonado por um(a) irmão/irmã? Luta contra este sentimento? Ignora o incesto e busca a sua felicidade? Foge? Sem dúvida, são questionamentos nada fáceis e muito dolorosos. Mas e quando você descobre que o objeto do seu desejo na verdade não tem vínculo sanguíneo algum com a sua pessoa e que tudo não passou de uma grande mentira do passado? É a hora de finalmente se entregar ao amor ou o tempo passou e já é tarde demais? Estas são algumas questões que envolvem o lindo casal Pedro (Jayme Matarazzo) e Júlia (Isabelle Drummond), em "Sete Vidas".


Lícia Manzo tem uma facilidade gigantesca para emocionar através de envolventes histórias. A série "Tudo Novo de Novo" e a novela "A Vida da Gente" comprovam este fato e agora a autora conseguiu novamente sensibilizar através da impecável "Sete Vidas". E entre os vários acertos da trama está este casal. Pedro e Júlia se apaixonaram assim que se encontraram em uma manifestação, mas logo depois se deram conta que eram os meios-irmãos (filhos de Miguel - Domingos Montagner) que tinham marcado um encontro pelo telefone. A partir desta constrangedora constatação, o par passou a lutar contra a atração e o forte sentimento que os unia.

Em meio a algumas passagens de tempo, um beijo incontrolável foi o responsável pelo afastamento da dupla. Júlia agilizou seu casamento com Edgar (Fernando Belo) e Pedro viajou para Fernando de Noronha para estudar, mas encontrou Taís (Maria Flor) e se envolveu com ela. Ficou perceptível que os dois estavam seguindo a vida, apesar do vazio que sentiam em virtude desta relação interrompida.