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sexta-feira, 9 de julho de 2021

Único triângulo amoroso consistente de "Salve-se Quem Puder" é o formado por Rafael, Kyra e Alan

 A atual novela das sete vai caminhando para seu final e ficou claro que Daniel Ortiz usou e abusou dos triângulos amorosos. O autor já tinha usado bastante o recurso em "Haja Coração", sua novela anterior, e aproveitou bem mais o recurso em "Salve-se Quem Puder". As três protagonistas estão envolvidas em dilemas amorosos e vários outros personagens também não escapam da situação. Mas, analisando friamente o roteiro, o único triângulo que apresenta consistência é o formado por Kyra (Vitória Strada), Rafael (Bruno Ferrari) e Alan (Thiago Fragoso). 

Logo no início da trama, houve uma bonita construção do relacionamento de Kyra e Rafael. O pedido de casamento que o íntegro personagem fez para a atrapalhada companheira, durante um engarrafamento e em meio a um temporal, foi bonito e engraçado, além da química dos atores  ---- vista em "Tempo de Amar", de 2017 ---- ter sobressaído. Era aquele momento da apresentação dos perfis individuais, que acabou somado com a relação 'Kyrael'. Foram poucas cenas porque na mesma semana a protagonista acabou dada como morta, após ter presenciado um crime em Cancún, no México, no meio de um furacão. Ainda assim houve um envolvimento do público. 

Já quando Kyra precisou usar o nome falso de Cleide, diante das condições do serviço de Proteção à Testemunha, foi trabalhar como babá na casa de um advogado, viúvo, pai de duas crianças adotadas. No caso, primo de Alexia (Deborah Secco), sua então nova companheira de 'fuga'.

segunda-feira, 19 de março de 2018

"Tempo de Amar" teve uma linda embalagem, mas pecou no ritmo e na história

A novela das seis de Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, dirigida por Jayme Monjardim, estreou no final de setembro e chegou ao fim nesta segunda-feira (19/03), cumprindo sua missão de manter bons índices de audiência para a faixa na Globo ---- derrubou apenas um ponto da antecessora, a primorosa e bem-sucedida "Novo Mundo". E foi uma novela bonita, com diálogos refinados e belíssimas imagens, incluindo figurino e cenários. Todavia, a produção pecou bastante no enredo e no ritmo, que se arrastou ao longo dos meses, testando a paciência de quem assistia.


O autor baseou seu folhetim no argumento de Rubem Fonseca, que ambientava a história de amor dos mocinhos entre 1886 e 1888, época em que ocorre o movimento abolicionista. Mas, decidiram mudar o contexto para os anos 20 (entre Portugal e Rio de Janeiro, filmando em locações lindas do Rio Grande do Sul). E não foi apenas essa a mudança de percurso dos escritores. Desde o início, ficou claro que seria quase impossível sustentar a trama apenas na separação e, consequentemente, no reencontro de Maria Vitória (Vitória Strada) e Inácio (Bruno Cabrerizo). A necessidade de outros conflitos era vital para o roteiro não ficar limitado. Mas, infelizmente ficou.

O primeiro erro foi juntar os protagonistas de forma tão súbita e pouco consistente. Aquele amor à primeira vista encantava noveleiros nos anos 70/80, mas não cabe mais no mundo atual. Mesmo sendo um enredo de época. A exceção fica por conta do desenvolvimento desse amor. Se o autor ou a autora souber conduzir com precisão, a chance de arrebatar o público é quase certa.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Ao construir o cativante Vicente, Alcides Nogueira admitiu o fracasso de seu mocinho em "Tempo de Amar"

"Tempo de Amar" está em sua última semana e o maior erro da bonita novela de Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, dirigida por Jayme Monjardim, foi a construção e condução de Inácio (Bruno Cabrerizo). O mocinho da história se mostrou um sujeito passivo, bobo e extremamente ingênuo, abusando da paciência de quem assistia. Para culminar, ganhou um intérprete fraco e bastante inexpressivo. Ou seja, não demorou para se apagar no enredo. E quem acabou terminando de 'enterrar' o protagonista foi Vicente (Bruno Ferrari), um tipo que era exatamente o seu oposto.


A verdade é que o único conflito relevante do folhetim das seis estava em torno do reencontro dos mocinhos. Inácio e Maria Vitória (Vitória Strada) se apaixonaram subitamente, se envolveram e acabaram se separando logo na segunda semana de trama, em virtude das várias armações de todos que os cercavam. Como esse era o único trunfo do autor para despertar alguma expectativa no público, ele adiou o quanto pôde o aguardado momento. Entretanto, enrolou demais e acabou caindo em uma armadilha que o próprio escritor criou ao juntar a mocinha com Vicente.

Os protagonistas ficaram nada menos do que dois anos separados e Inácio foi feito de idiota por Lucinda (Andreia Horta) praticamente a novela inteira. Enquanto isso, Maria Vitória se envolvia com Vicente, um sujeito íntegro, simpático, justo, que nunca tolerou injustiças e sempre lutou pelos seus ideais. Ainda esbanjou compreensão e paciência, mesmo sabendo que a então namorada tinha um amor do passado que jamais esqueceu.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

"Liberdade Liberdade" foi uma boa novela, mas poderia ter sido muito melhor

Apresentando uma estreia caprichada e um desenvolvimento morno, "Liberdade, Liberdade" ficou praticamente quatro meses no ar (67 capítulos) e fechou seu ciclo com uma reta final empolgante, presenteando o telespectador com cenas muito bem realizadas. O último capítulo, exibido excepcionalmente nesta quinta-feira (04) ---- por causa do início das Olimpíadas (a Globo fará uma transmissão intensiva do evento) ----, encerrou o folhetim com dignidade, após momentos finais de tirar o fôlego, principalmente em virtude do início da revolução comandada pela protagonista e o enforcamento de seu irmão.


A novela das onze viveu uma novela própria antes de entrar em produção. Márcia Prates estrearia como autora, mas Silvio de Abreu e sua equipe observaram vários erros históricos no texto da escritora, fazendo muitas modificações. Glória Perez e Alcides Nogueira chegaram a trabalhar como supervisores, mas abandonaram a função. Outros problemas foram detectados, até a responsável pela história ser desligada do projeto, sendo utilizado apenas o seu 'argumento' para o enredo. Mário Teixeira foi chamado às pressas para assumir o controle de um trem que parecia desgovernado e a partir de então finalizaram a escalação do elenco, iniciando de vez a elaboração do folhetim.

Portanto, em virtude de todas as questões mencionadas, a expectativa em torno da novela ---- baseada no livro "Joaquina, filha de Tiradentes", de Maria José de Queiroz ---- não era animadora. Afinal, tudo se encaminhava para um produto retalhado e equivocado. A estreia serviu para diminuir essa 'preocupação', pois a trama promissora, o contexto histórico atrativo, o figurino caprichado e o grande elenco agradaram bastante. Entretanto, as constantes mudanças nos bastidores acabaram refletindo na condução do enredo.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Bem conduzida, "Liberdade Liberdade" vem se mostrando uma boa novela das onze

Após vários problemas de bastidores e trocas de autor, a atual novela das onze estreou no início de abril (dia 11) e desde então vem contando a saga de Joaquina (Andreia Horta) ----- claramente inspirada no livro "Joaquina, filha de Tiradentes", de Maria José de Queiroz ----- de uma forma competente. A trama teve uma rápida primeira fase (com menos de dois capítulos) e logo começou a ser ambientada em 1808, época da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. Ao menos até o momento, pode-se afirmar que Mário Teixeira conseguiu assumir muito bem os rumos da produção de Márcia Prattes (retirada do projeto).


Dirigida pelo talentoso Vinícius Coimbra, a novela tem conseguido despertar atenção através de bons personagens, ótimo elenco e uma história que tem sido costurada para atingir o clímax do embate entre revolucionários e os representantes da Corte Portuguesa. Tendo Vila Rica (atual Ouro Preto, em Minas Gerais) como pano de fundo, o enredo é dividido em poucos núcleos e quase todos os personagens têm uma ligação, direta ou indiretamente. As tramas não apresentam uma sucessão de acontecimentos, mas são bem estruturadas e contêm bons conflitos pontuais.

O maior destaque é a herdeira do homem que iniciou uma revolução silenciosa, vivida impecavelmente por Andreia Horta. A atriz estava merecendo há tempos uma protagonista e ganhou uma destemida Joaquina, que está à frente do seu tempo e não teme nada e nem ninguém. A filha de Tiradentes tem o objetivo de vingar a morte do pai e ainda libertar o Brasil, honrando a missão do inconfidente morto enforcado.