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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Retrospectiva 2022: as melhores cenas do ano

 Com a voltas das gravações em virtude do avanço da vacinação contra a covid-19, as novelas retornaram ao ritmo normal. No entanto, no início do ano várias produções ainda enfrentavam as restrições por conta da variante ômicron e algumas já entraram no ar finalizadas, como "Nos Tempos do Imperador", "Quanto Mais Vida, Melhor!" e "Um Lugar ao Sol". Já ao longo de 2022 tudo foi voltando ao ritmo normal. E foram muitas cenas merecedoras de elogios. Vamos a mais uma retrospectiva: 




Paula desabafa com a filha em "Quanto Mais Vida, Melhor!":

Giovanna Antonelli e a grata revelação Nina Tomsic emocionaram no momento em que Paula contou para a Ingrid que antes dela teve uma filha que faleceu. Um raro momento de fragilidade da personagem egocêntrica da novela das sete que ainda culminou em uma nova briga no desfecho da sequência. As duas atrizes brilharam. 


Passagem de tempo em "Um Lugar ao Sol":

Apenas três meses se passaram, mas Lícia Manzo conseguiu transformar a passagem em uma aula de sensibilidade com a exibição de vários momentos da novela das nove enquanto Ravi (Juan Paiva) narrava a metáfora das formigas. A autora é a que melhor consegue criar passagens de tempo. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Retrospectiva 2022: os piores do ano

As retrospectivas de fim de ano são uma tradição neste blog e há o costume de apresentá-la em partes. Após a lista de triste perdas do meio artístico em 2022, chegou a hora de das listas de piores, melhores casais, cenas, atores e destaques. Começando, como sempre, pela seleção do que teve de pior no ano que passou. Vamos a eles. 



"BBB 22": 

A expectativa era alta. Afinal, o maior reality do país vinha de dois grandes sucessos seguidos: o "BBB 20" e o "BBB 21". No entanto, a edição decepcionou do início ao fim. O elenco foi muito mal escalado, tanto no time Camarote quanto no Pipoca. O clima de paz e amor transformou a competição em um marasmo e nada do que a produção fazia surtia efeito nas dinâmicas. Para culminar, o favoritismo de Arthur Aguiar deixou tudo ainda pior e desanimador. A audiência não foi ruim, mas bem abaixo das duas anteriores e a repercussão nem chegou perto. A prova foi o número ínfimo de seguidores nas redes sociais que os participantes ganharam ao longo dos meses. Não por acaso, todos desapareceram da mídia, sem exceção. Para o grande público nem parece que teve "BBB" em 2022 e a última campeã é Juliette. 



"Nos Tempos do Imperador": 

A novela de Alessandro Marson e Thereza falcão foi uma continuação da bem-sucedida "Novo Mundo", escrita pelos mesmo autores em 2017. A intenção era repetir o sucesso. Mas foi um imenso fracasso. Não caiu bem um Dom Pedro II progressista e personagens de época com comportamentos tão evoluídos. A história ainda teve conflitos fracos e a romantização do caso de Pedro (Selton Mello) com a Condessa de Barral (Mariana Ximenes) foi fortemente rejeitada. A novela ainda teve uma cena que revoltou o público nas redes sociais: o mocinho, negro, falou sobre racismo reverso, algo que nem existe. Para culminar, a produção esteve envolvida em várias polêmicas e a mais grave foi o caso de racismo nas bastidores. Várias atrizes do núcleo dos escravizados mencionaram atitudes racistas do diretor, Vinícius Coimbra, que acabou demitido da Globo meses depois. Não por acaso, Roberta Rodrigues, uma das intérpretes que o acusaram, nem apareceu para gravar o desfecho de sua personagem. Novela para esquecer. 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Após participação tripla, Gillray Coutinho merece personagens de destaque na televisão

 Há muitos atores que acabam ficando conhecidos do grande público não por personagens marcantes e, sim, por suas várias participações em novelas e séries. Infelizmente, são profissionais que ainda não ganharam um personagem de destaque na televisão, mas mesmo assim estão sempre presentes na telinha. É o caso de Gillray Coutinho, que recentemente esteve nas três novelas inéditas da Globo. 

A Globo costumava ser rigorosa para não repetir muitos atores, mas o fim dos contratos longos e a chegada da pandemia do novo coronavírus, implicando em um amontoado de reprises, enterrou a prática da emissora. E o fato das três novelas atuais irem ao ar totalmente gravadas também facilitou a aparição tripla do ator. Pois enquanto gravava uma, a outra já tinha sido quase finalizada. A inusitada situação só foi percebida com maior facilidade porque Gillray tem um rosto muito característico e manteve o bigode em todos os papéis. 

A primeira participação foi em "Quanto Mais Vida, Melhor", atual novela das sete, escrita por Mauro Wilson e dirigida por Allan Fiterman, onde interpretou o piloto do avião que caiu e vitimou os quatro protagonistas. No entanto, seu personagem foi o único que morreu de fato e logo se despediu no segundo capítulo com uma ida feliz para o céu.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Problemática do início ao fim, "Nos Tempos do Imperador" provou que não existe fórmula para o sucesso

 Alessandro Marson e Thereza Falcão estrearam como novelistas com o pé direito. "Novo Mundo", exibida em 2017, conseguiu mesclar elementos históricos com dramas folhetinescos de forma hábil e se mostrou uma novela repleta de bons conflitos, ótimos personagens e muita ação. O sucesso foi tanto que a dupla resolveu criar uma espécie de continuação com "Nos Tempos do Imperador", dirigida por Vinícius Coimbra, cujo final foi ao ar nesta sexta-feira, dia 4. Infelizmente, não tiveram o mesmo êxito. 

Os autores acharam que tinham a fórmula do sucesso, mas a verdade é que nunca descobrirão a tão cobiçada receita. Nenhum escritor vai. Ainda mais em novelas, onde a resposta do público vem de forma imediata, ao mesmo tempo que pode ser conquistada ao longo dos meses. Alessandro e Thereza se preocuparam em repetir quase tudo o que deu certo em "Novo Mundo", principalmente no núcleo central e na estruturação do enredo. Quem viu a primeira novela conseguiu identificar todas as similaridades da narrativa. 

Todavia, desta vez praticamente nada que deu certo no enredo passado realmente funcionou. O sucesso de Germana (Vivianne Pasmanter) e Licurgo (Guilherme Piva) virou um dos trunfos de "Novo Mundo" e os personagens participaram da primeira fase de "Nos Tempos do Imperador", bem velhinhos, através de uma licença poética da ficção. Afinal, pobres e sujos como eram, teriam morrido de qualquer doença muito antes da velhice, ainda mais naquela época. Mas foi um artifício válido.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Romance de Vitória e Clemência é o maior acerto da reta final de "Nos Tempos do Imperador"

 A atual novela das seis, escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão, dirigida por Vinícius Coimbra, entra em sua última semana sem grandes viradas ou acontecimentos. A guerra entre Brasil e Paraguai se encaminha para o fim e todos já conhecem os desdobramentos que vêm a seguir. Mas os autores acertaram em cheio em um núcleo que se mostrou deslocado ao longo da história. Isso porque saíram da mesmice e apostaram em um 'plot twist' ótimo: a paixão entre Vitória e Clemência.


Maria Clara Gueiros e Dani Barros sempre estiveram muito bem ao longo da novela. Porém, suas personagens são de um núcleo cômico que nunca teve função no enredo e Clemência chegou a sumir por alguns meses da trama (a personagem tinha abandonado o marido e fugido com um amante). Quando a esposa de Quinzinho (Augusto Madeira) voltou, um triângulo amoroso acabou criado e as duas passaram a brigar por ele. No entanto, com a história entrando em seus momentos finais, os autores desenvolveram um bonito sentimento entre as duas. 

O saturado clichê da rivalidade feminina por causa de um homem foi deixado de lado através do amor que Clemência passou a nutrir por Vitória, que inicialmente não se deu conta do que estava sentindo. Após ter se segurado por um longo tempo, a ex de Quinzinho se declarou para a ex-rival, que se chocou e acabou se afastando.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Letícia Sabatella se destacou em "Nos Tempos do Imperador"

 A atual novela das seis, dirigida por Vinícius Coimbra, está em plena reta final e já foram muitas as críticas em cima do roteiro de "Nos Tempos do Imperador." De fato, a produção teve um desenvolvimento controverso e arrastado. Mas o folhetim de Alessandro Marson e Thereza Falcão passa longe de ser ruim e há qualidades, como a representação da figura de Teresa Cristina, a imperatriz do Brasil. A personagem virou a queridinha do publico nas redes sociais e e destacou o talento da intérprete. 

Letícia Sabatella foi uma escolha certeira para interpretar a esposa de Dom Pedro II (Selton Mello). A atriz adotou um tom ameno e conformista que coube bem ao papel. Teresa Cristina de Bourbon nasceu como princesa no Reino de Duas Sicílias, sendo filha do rei Francisco I, pertencente ao ramo italiano da Casa de Bourbon e de sua esposa, a infanta Maria Isabel da Espanha. Um sotaque carregado para a imperatriz implicaria em uma caricatura ou em um exagero desnecessário. A atriz foi inteligente em não forçar demais e adotou uma prosódia bem sutil, sublinhando apenas algumas breves expressões em italiano, presentes no texto. 

Embora não tenha uma participação relevante no contexto histórico da família imperial, Teresa sempre foi muito elogiada em livros sobre a história do Brasil por conta de sua postura e personalidade, além de seu interesse por arqueologia. Conhecida como a "Mãe dos Brasileiros", a personagem ganhou relevância com a novela. E o telespectador se encantou com o perfil logo no início, ao contrário de Pedro II, que vem despertando mais antipatia a cada capítulo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

"Nos Tempos do Imperador" apresentou seu melhor capítulo com o embate entre Nélio, Dolores e Tonico

 Nesta segunda-feira, dia 10, "Nos Tempos do Imperador" apresentou um capítulo repleto de ação e ótimas cenas. Não por acaso, a trama foi quase toda voltada para o embate do casal Nélio (João Pedro Zappa) e Dolores (Daphne Bozaski) com Tonico Rocha (Alexandre Nero). A novela de Alessandro Marson e Thereza Falcão, dirigida por Vinícius Coimbra, viveu seu momento de maior catarse até então. 

Não por acaso, a trama finalmente colocou o casal que roubou a cena em um momento de grande destaque de movimentação do roteiro. Após um longo tempo escondidos, Dolores e Nélio foram descobertos por Tonico, que não perdoou a traição da dupla. Em meio a dois casais protagonistas que falharam, os dois coadjuvantes viraram os mocinhos do folhetim das seis e nada mais natural que o embate com o maior vilão do enredo era algo bem esperado pelo público. 

Os autores se inspiraram claramente na sequência mais emblemática de "Além do Tempo", novela de sucesso de Elizabeth Jhin, exibida em 2015: quando os mocinhos Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) acabaram encurralados pelo vilão Pedro (Emílio Dantas) em um penhasco.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

"Nos Tempos do Imperador" falhou na construção dos casais protagonistas

 A atual novela das seis da Globo, dirigida por Vinícius Coimbra, começou enfrentando muitas críticas a respeito de distorções históricas em torno do período imperial do Brasil. Porém, folhetim não é documentário e licenças poéticas são compreensíveis. Afinal, é ficção. Nenhuma novela que retrata períodos reais do país agradará todo mundo, principalmente historiadores. O grande problema do roteiro envolve os romances centrais. Algumas observações são necessárias sobre os dois casais principais da história de Alessandro Marson e Thereza Falcão. 

Os romances são vitais em milhares de folhetins. Os autores foram muito felizes na construção dos casais em "Novo Mundo", de 2017. Até conseguiram contornar bem todas as controvérsias em torno da relação de Dom Pedro I (Caio Castro) e Leopoldina (Letícia Colin), ao mesmo tempo que conquistaram o público com um casal aventureiro que representou o lado mais lúdico do roteiro: Anna (Isabelle Drummond) e Joaquim (Chay Suede). Já em "Nos Tempos do Imperador" houve um equívoco na condução dos dois casais.

Tanto Pilar (Gabriela Medvedovski) e Samuel/Jorge (Michel Gomes), quanto Pedro II (Selton Mello) e Luísa (Mariana Ximenes) foram formados através do amor à primeira vista. Nada contra o clichê, mas esse tipo de situação só emplaca quando há uma química gigantesca entre os atores. Às vezes nem assim. Isso porque não há construção.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Retrospectiva 2021: as melhores cenas do ano

No segundo ano de pandemia, as produções no setor da teledramaturgia seguiram em passos lentos. Reprises dominando a programação no primeiro semestre e novas tramas gravadas em ritmo cuidadoso. No entanto, os folhetins interrompidos em 2020 por conta da pausa nos trabalhos foram finalizados e tiveram seus desfechos exibidos. Novos produtos também foram gravados e agora, no segundo semestre, a Globo já conseguiu estar com três novelas inéditas no ar. A Record conseguiu manter a inédita "Gênesis" no ar durante quase todo o ano, mas atualmente precisou apelar para a reprise da mesma trama antes de produzir a nova. Vamos então para a lista de melhores cenas do ano: 







Eva chora a morte do filho em "Gênesis":
A primeira fase da novela bíblica da Record retratou a conhecida história de Adão e Eva. O sucesso de audiência foi grande e Juliana Boller foi um acerto do elenco. A atriz brilhou como Eva e sua cena mais emocionante foi a morte de Abel (Caio Manhente), assassinado pelo irmão Caim (Eduardo Speroni). A dor daquela mãe com a perda de seu filho foi passada com muita entrega pela intérprete. 



Animais vão para a Arca de Noé em "Gênesis":
A segunda fase da novela bíblica da Record abordou a mais atrativa trama da Bíblia. E os efeitos especiais dos animais correndo para a arca construída por Noé (Oscar Magrini) ficaram muito bem feitos. A sequência emocionou e teve uma dose de adrenalina que fez toda a diferença. 


terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Retrospectiva 2021: os melhores casais do ano

 No segundo ano de pandemia, as produções dramatúrgicas seguiram com sérias dificuldades. As reprises seguiram dominando as programações. Porém, as novelas interrompidas no início de 2020 tiveram suas gravações retomadas e finalizadas. E as novas foram gravadas com todos os protocolos sanitários, estreando no segundo semestre. Embora com um número mais modesto, a lista de casais do ano, sempre elaborada na leva de retrospectivas deste blog, conseguiu ser feita. 





Luna e Téo ("Salve-se Quem Puder"):

Pouco antes de ser interrompida por conta da pandemia do novo coronavírus, a novela de Daniel Ortiz já tinha formado o melhor casal do enredo. Toda a construção do romance entre a sofredora Luna e Téo, rapaz que a salvou de um furacão no México, foi muito bem desenvolvida pelo autor. Ainda utilizou um clichê infalível para conquistar o telespectador: ele precisava ser operado para não perder os movimentos da perna e ela era fisioterapeuta. Juliana Paiva e Felipe Simas estiveram em plena sintonia e a retomada da produção, em 2021, manteve a essência do casal, ainda que o autor tenha forçado uma dúvida na reta final que só prejudicou o roteiro. 



Alan e Kyra ("Salve-se Quem Puder"):

A babá que se apaixona por um viúvo assim que começa a trabalhar como cuidadora dos filhos dele. Um clássico dramatúrgico. E Daniel Ortiz usou do clichê para aproveitar a boa sintonia entre Vitória Strada, pela primeira vez vivendo um perfil cômico, e Thiago Fragoso, na pele de mais um advogado íntegro em sua carreira de ator. Os dois protagonizaram sequências românticas e divertidas. Arrebataram o público. O sucesso foi tanto que o autor estendeu até o final o suspense a respeito do destino da personagem. A música tema do casal "You & me", de James TW, era a melhor da novela. 

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Dolores e Nélio viraram os mocinhos de "Nos Tempos do Imperador"

 A atual novela das seis vem passando por muitos problemas. A trama escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão, dirigida por Vinícius Coimbra, sofreu rejeição do público e a audiência não tem sido satisfatória. A ausência de bons casais protagonistas é um dos erros de "Nos Tempos do Imperador". Mas a trama vem acertando em cheio na construção de um par secundário que vem crescendo a cada semana: Dolores e Nélio. 

O casal interpretado por Daphne Bozaski e João Pedro Zappa vem sendo muito bem construído. É justamente por isso que há um encantamento em torno do nascimento da relação, algo que nunca aconteceu com Pilar (Gabriela Medvedovski) e Samuel (Michel Gomes), além de Pedro (Selton Mello) e Luísa (Mariana Ximenes), que se apaixonaram subitamente e logo ficaram juntos. Há um cuidado na construção do vínculo entre os perfis mais menosprezados da trama. 

Aliás, é a humilhação constante que ambos sofrem a principal responsável pela aproximação dos personagens, que também se assemelham na personalidade: tímidos, introspectivos e um pouco atrapalhados. Eles são até parecidos fisicamente. Um telespectador que não acompanha a história pode achar que são irmãos.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Ótimo em "Império", Alexandre Nero também vem brilhando em "Nos Tempos do Imperador"

 A estreia de Alexandre Nero na televisão foi tardia. Com 38 anos, em 2008, o ator caiu nas graças do público logo em sua primeira novela. Na pele do humilde verdureiro Vanderlei, Alexandre se destacou vivendo um dos personagens de menor importância de "A Favorita", primeira novela de João Emanuel Carneiro no horário nobre. Pois seis anos se passaram e o ator ganhou sua melhor oportunidade como o protagonista de "Império", em 2014, na trama de Aguinaldo Silva, cuja reprise se encerra nesta semana. Ao mesmo tempo, o intérprete vem brilhando em "Nos Tempos do Imperador", a primeira novela das 18h inédita em tempos de pandemia. 


José Alfredo foi um personagem bem complexo e engrandecedor para qualquer ator. O protagonista da trama mesclava momentos de vilania com atos enobrecedores. Era machista, frio, amoroso, cruel, heroi, vilão, sonegador, honesto, canalha, sincero, enfim, uma contradição ambulante. Uma escolha ousada do autor que deu certo, já que nem todo personagem central com tais características funciona. O carisma do intérprete ajudou bastante na aceitação popular. 

A complexidade dos sentimentos do comendador ao longo do enredo proporcionou para Alexandre Nero cenas ótimas, que evidenciaram o acerto de sua escalação. O ator esteve impecável na pele do bem construído e machista personagem, que tinha uma amante muito mais jovem, era pai de quatro filhos e casado com uma mulher que só pensava em poder. Aguinaldo escreveu José Alfredo especialmente para o ator e acertou em cheio.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Após sucesso em "Novo Mundo", Vivianne Pasmanter e Guilherme Piva brilharam novamente em "Nos Tempos do Imperador"

 "Novo Mundo", exibida em 2017 e reprisada em 2020, retratou a saga de Dom Pedro I e Leopoldina através de uma boa mescla da história do Brasil com um ótimo folhetim. Iniciada em 1817, acabou encerrada pouco depois da independência do país, em 1822. Agora, com "Nos Tempos do Imperador", os autores Alessandro Marson e Thereza Falcão contam a trajetória de Dom Pedro II, a partir de 1856. É uma continuação. Os elementos que expõem a ligação das tramas são alguns personagens, entre eles Germana (Vivianne Pasmanter) e Licurgo (Guilherme Piva). 

Licurgo e Germana eram os perfis mais engraçados de "Novo Mundo". Representavam a picaretagem, popularizada no país com o termo 'jeitinho brasileiro'. Os dois eram donos de uma taberna caindo aos pedaços e nunca estavam preocupados em atender bem os poucos clientes que chegavam. Viviam tratando todo mundo mal. Ainda serviam pombas assadas fingindo que eram frangos. A cozinha do lugar era um nojo. Tudo que os cercava despertava asco. Rabugentos e sujos (no sentido figurado e literal), estavam sempre pensando em alguma forma de obter vantagem em cima dos outros. Mas os planos nunca davam certo.

Em "Nos Tempos do Imperador", os personagens ficaram ainda mais repugnantes. Com cerca de 80 anos, os personagens viraram aqueles velhinhos inconsequentes e transformaram a vida de Quinzinho (Augusto Madeira) em um inferno.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Crianças foram muito bem escolhidas em "Nos Tempos do Imperador"

 Na reta final de "Salve-se Quem Puder", foi colocado neste espaço uma análise sobre a importância da escalação acertada do elenco infantil de uma novela. É tão necessário quanto a seleção do time adulto de uma obra. E "Nos Tempos do Imperador" tem mostrado que houve um cuidado na escolha de cada nome. Todos têm brilhado na primeira fase da novela de Alessandro Marson e Thereza Falcão, dirigida por Vinícius Coimbra, que chega ao fim na próxima segunda-feira (20/09). 


Primeiramente, é preciso mencionar a semelhança física das crianças. Quase todas realmente se parecem com os colegas que estarão na segunda fase da novela, já adultos. João Victor Menezes vive Guebo, menino que sofre o pior trauma da vida de uma criança: o assassinato dos pais. Filho de Abena (Mary Sheyla) e Baltazar (Alan Rocha), entra em um estado de revolta quando descobre que as pessoas que mais amava foram vítimas da polícia. O menino está muito bem em cena e passará o bastão a Maicon Rodrigues com a passagem de tempo. 

Alana Cabral vive a sonhadora Zayla, menina que se encanta por Samuel (Michel Gomes) e planeja se casar com ele. Filha de Dom Olu (Rogério Brito) e Cândida (Dani Ornellas), a personagem vem sendo retratada como um perfil que terá traços de vilania.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

"Nos Tempos do Imperador" tem início luxuoso e promissor

 A nova novela de Alessandro Marson e Thereza Falcão, dirigida por Vinícius Coimbra, estrearia em abril de 2020. Substituiria o primoroso remake de "Éramos Seis". A coletiva de imprensa estava marcada e tudo parecia certo. Mas a pandemia do novo coronavírus tinha recém-iniciado no Brasil. Não demorou para a Globo cancelar a festa da novela e interromper as gravações do setor de teledramaturgia. Em consequência de todo o caos que se instaurava, "Nos Tempos do Imperador" foi adiada. E só estreou nesta segunda-feira (09/08), um ano e cinco meses depois. 

É a primeira novela totalmente inédita que a Globo inicia ainda em plena pandemia. E a trama marca o começo de uma nova modalidade na emissora: o folhetim que é exibido já quase totalmente gravado (os trabalhos serão encerrados em outubro), sem qualquer possibilidade de alterações no roteiro diante da aprovação ou rejeição do público. O mesmo está sendo realizado em "Um Lugar ao Sol", próxima das 21h, de Lícia Manzo, e "Quanto Mais Vida Melhor", próxima das 19h, do estreante Mauro Wilson. 

Mas, especificamente no caso dos autores da nova produção das seis, os riscos de uma possível rejeição do telespectador é baixa. Afinal, o grande público está ávido por uma história inédita após tantas reprises e o enredo é conhecido de muita gente, ainda que de forma superficial: a saga de Dom Pedro II (Selton Mello), iniciada no folhetim em 1856.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

"Nos Tempos do Imperador": o que esperar da nova novela das seis?

"Novo Mundo" estreou em 2017 e fez um grande sucesso. Alessandro Marson e Thereza Falcão estrearam como autores principais em grande estilo e apresentaram para o público uma trama repleta de ação, drama, humor e elementos da história do Brasil através das figuras de Dom Pedro I, Leopoldina, Domitila, entre outros perfis que realmente existiram. Um folhetim clássico, ambientado em 1817, com elementos históricos. Agora, quatro anos depois, após um adiamento por conta da pandemia do coronavírus, os escritores emplacam um novo projeto na Globo com uma premissa ousada: apresentar uma continuação da primeira trama deles. Com o título de "Nos Tempos do Imperador", a produção tem Dom Pedro II como figura central.


A nova trama é ambientada no Rio de Janeiro, em 1856, um pouco mais de 30 anos após a Independência do Brasil, e explora conquistas, batalhas, vitórias e derrotas. É sobre escolhas e sacrifícios. "Nos Tempos do Imperador" se desenvolve em um Brasil jovem, que ainda busca sua identidade. A novela acompanha momentos importantes da vida de Pilar  (Gabriela Medvedovski), Jorge/Samuel (Michel Gomes), o imperador Dom Pedro II (Selton Mello), a imperatriz Teresa Cristina (Letícia Sabatella) e Luísa, a condessa de Barral (Mariana Ximenes), ao longo dos anos, e traz uma história de amor e esperança, com elementos históricos, que remetem aos dias atuais.

O conjunto é bem parecido com o de "Novo Mundo", que era protagonizada por um quarteto, no caso o casal de mocinhos ---- Anna (Isabelle Drummond) e Joaquim (Chay Suede) ---- e os personagens históricos Dom Pedro I (Caio Castro) e Leopoldina (Letícia Colin). Quem está na posição de Anna agora na trama é Pilar.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Tudo sobre a coletiva online de "Nos Tempos do Imperador", nova novela das seis

 Nesta segunda-feira (26/07), a Globo promoveu a coletiva online da nova novela das seis escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão, "Nos Tempos do Imperador", que estreia no dia 9 agosto. A trama é uma espécie de continuação de "Novo Mundo", sucesso escrito pela dupla em 2017. É o primeiro folhetim da emissora a estrear já quase todo gravado e ainda durante a pandemia do novo coronavírus. Participaram os dois autores, Selton Mello, Mariana Ximenes, Letícia Sabatella, Rogério Brito, Alexandre Nero, Michel Gomes, Dani Ornellas, Gabi Medvedovski, e o diretor Vinicius Coimbra. A jornalista Monica Sanches mediou a conversa. Fui um dos convidados e conto um pouco como foi esse bate-papo. 

"É uma sequência da ideia de "Novo Mundo", a diferença é que já temos um Brasil estabelecido devido a independência promovida por Dom Pedro I. A Rede Globo solicitou essa continuação logo após o término de "Novo Mundo", mas era uma ideia que nós já tínhamos. Dom Pedro II é um dos brasileiros mais queridos de todos os tempos. Ele fez muitas coisas importantíssimas pro país que temos hoje. A gente tentou fazer uma novela que tivesse algum movimento, alguma aventura, e por isso ela vai até a Guerra do Paraguai. E também colocamos personagens negros que não estão naquela figura dos escravizados. Vamos ver personagens negros complexos, livres e fazendo a sua procura pela abolição. Para a gente ver que a abolição não é resultado de uma canetada", contou Thereza Falcão.

"Hoje entregamos nosso bloco 26 da novela. Fizemos em 26 semanas. Já está quase toda pronta. A gente está há muito tempo com essa novela. Começamos a trabalhar logo depois de "Novo Mundo". Isso em 2017, estamos em 2021. Em março de 2020 estávamos preparados para mostrar isso, mas a coletiva foi cancelada e veio a pandemia.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

O que a televisão reserva para o telespectador em 2021?

 Se 2020 foi um ano trágico, 2021 será um ano de incerteza. A pandemia do coronavírus não acabou com a virada do ano e grande parte da população já não se importa mais em se aglomerar em praias ou festas. A curva de contágio, até então em queda, está aumentando novamente. As vacinas já chegaram no mundo, mas no Brasil segue sem previsão exata. No entanto, a imunização chegará. Ainda assim, não se sabe como será a resposta imunológica. Tudo segue na base do achismo. Isso não difere na programação das emissoras. Muitas produções são incertas. Já outras certamente virão. A primeira postagem deste blog serve exatamente para listar o que virá (ou não).




"BBB 21":
Após o fenômeno do "BBB 20", Boninho tem uma dura missão pela frente: manter o imenso sucesso, uma vez que superar será quase impossível. A vigésima edição com famosos e anônimos deu muito certo, embora a pandemia e o início do isolamento social tenham contribuído para a audiência. O paredão entre Manu Gavassi e Prior ultrapassou um bilhão e meio de votos, além de comemoração nas janelas de várias regiões do país com a eliminação do problemático rapaz. A vitória de Thelma foi merecida e vários participantes marcaram, como Boca Rosa, Rafa Khalimann, Gizelly, Pyong, Flay, Babu, entre tantos outros. A vigésima primeira edição repetirá o esquema vitorioso: metade com "influencers" e metade com desconhecidos. Resta saber se repetirá o sucesso. 



Final de "Amor de Mãe":
A novela de Manuela Dias precisou ser interrompida por conta do fechamento dos Estúdios Globo em virtude da pandemia. As gravações só retornaram em agosto e com todos os protocolos sanitários. O excesso de cuidados implicou em uma maior demora e por isso a emissora resolveu retornar com o folhetim apenas quando estivesse totalmente finalizado. E os trabalhos foram encerrados em novembro. Restavam mais de 50 capítulos para a conclusão, mas a autora foi obrigada a reduzir para 23. Ao que tudo indica, vai ao ar em março, após o término da reprise de "A Força do Querer" e exibição de um compacto dos "melhores momentos" da "primeira fase" para o público relembrar a história. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

O que a televisão reserva para o telespectador em 2020?

Embora todo mundo espere e torça, o ano de 2020 não será muito diferente de 2019 em relação ao momento que o país vive. Portanto, a televisão terá que manter cautela e não abusar muito dos gastos excessivos. Porém, apesar das dificuldades, todas as emissoras conseguiram apresentar produtos de qualidade no ano que passou. E, por tudo o que vem sendo anunciado e noticiado, a Globo seguirá como a maior investidora, por razões óbvias, e as demais economizarão bastante nos próximos doze meses. Ou seja, é provável que a líder domine ainda mais em 2020, principalmente por estar ousando em produções exclusivas da Globo Play. Vejamos o que o público pode esperar.







"Salve-se Quem Puder":
A missão de Daniel Ortiz será complicada, pois substituir o fenômeno "Bom Sucesso" no horário das sete da Globo é um desafio e tanto. Porém, o autor apostará na comédia farsesca para agradar o público. Embora a premissa da história, dirigida por Fred Mayrink, pareça séria ---- as três protagonistas (vividas por Juliana Paiva, Vitória Strada e Deborah Secco) se conhecem e logo precisam mudar de identidade ao presenciarem o assassinato de um juiz ----, o conjunto será baseado em elementos clássicos de folhetim das 19h. O carisma do trio central, pelo menos, o escritor já garantiu. 






"Big Brother Brasil":
A vigésima edição do BBB terá uma comemoração pelas vinte temporadas. Por isso mesmo, Boninho promete um reality "histórico". Resta saber se a promessa será cumprida de fato, afinal, o "BBB 19" foi o pior da história do programa, tanto no quesito participantes quanto no de audiência. Houve até uma especulação a respeito da entrada de pessoas "famosas" em 2020, como alguns Youtubers. Mas o diretor negou. Resta torcer ao menos para ser uma temporada minimamente aceitável e sem comentários desnecessários de Thiago Leifert.



sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O que a televisão reserva para o telespectador em 2019?

Embora todo mundo espere e torça, o ano de 2019 não será muito diferente de 2018 em relação ao momento que o país vive. Portanto, a televisão terá que manter cautela e não abusar muito dos gastos excessivos. Porém, apesar das dificuldades, todas as emissoras conseguiram apresentar produtos de qualidade no ano que passou. E, por tudo o que vem sendo anunciado e noticiado, a Globo seguirá como a maior investidora, por razões óbvias, e as demais economizarão bastante nos próximos doze meses. Ou seja, é provável que a líder domine ainda mais em 2019, principalmente por estar ousando em produções exclusivas da Globo Play. Vejamos o que o público pode esperar.






"Elis - Viver é melhor que sonhar":
Com redação final de George Moura e direção de Hugo Prata, a série é derivada do filme que recebeu muitos elogios em 2016. A trama conta um pouco da trajetória da inesquecível Elis Regina e Andreia Horta está brilhante na pele da cantora. A produção televisiva terá cerca de 15 minutos de cenas inéditas, gravadas especialmente para a produção. Estreia no dia 8 de janeiro, na Globo, logo após "O Sétimo Guardião". 





"10 Segundos para Vencer":
Com roteiro de Thomas Stavros e Direção de José Alvarenga Jr., a série também é derivada do filme (coprodução da Globo Filmes e Tambeline Filmes) e estreia depois de "Elis". A trama aborda a vida de Éder Jofre, lutador de boxe bicampeão mundial, que disputou 81 lutas, com 75 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas, ambas por pontos. Daniel de Oliveira está bem demais na pele do pugilista e faz uma ótima dobradinha com Osmar Prado.