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sábado, 27 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025: os piores do ano

 As retrospectivas de fim de ano são uma tradição neste blog e há o costume de apresentá-la em partes. Após a lista de tristes perdas do meio artístico em 2025, chegou a hora das listas de piores, melhores casais, cenas, atores e destaques. Começando, como sempre, pela seleção do que teve de pior no ano que passou. Vamos a eles. 



"Vale Tudo": 

Um dos piores remakes já feitos. Manuela Dias destruiu o fenômeno de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bressères. O público nas redes sociais e a imprensa tinham vários pés atrás com essa adaptação porque tinha tudo para dar errado e deu. A autora destruiu personagens icônicos, como Marco Aurélio e Eugênio, tirou o destaque da Raquel e criou inúmeros conflitos novos e todos com a profundidade de um pires, onde os arcos dramáticos eram resolvidos em no máximo uma semana. Foi tudo tão raso que pareceu uma novela vertical antes mesmo do formato ser lançado pela Globo em suas redes sociais. O irônico é que a escritora reclamou várias vezes da abordagem do alcoolismo de Heleninha e acusou falsamente a obra original de tratar o vício como piada. Mas o que Manuela fez? Uma trama panfletária, com a vilã chamando a filha de alcoolista, e no final Heleninha foi presa acusada de assassinar a mãe, um crime que nem existiu porque Odete Roitman apareceu viva no último bloco em uma sequência ridícula e repleta de absurdos. Ou seja, vai carregar uma culpa inexistente pro resto da vida. Isso citando apenas um dos vários equívocos do roteiro. Não por acaso, vários atores demonstraram insatisfação com a trama. Taís Araújo foi a única que expôs sua opinião com a novela ainda no ar, já outros preferiram esperar o término, como Luis Melo e Maeve Jinkings. A Globo forçou a narrativa do êxito da produção, mas a verdade é que patinou na audiência durante toda a sua exibição e só engrenou na véspera do assassinato de Odete, em plena reta final. O único sucesso foi o comercial porque a repercussão, embora alta, teve um massacre de críticas merecidas. 



"Mania de Você": 

A trama que antecedeu "Vale Tudo" foi um fiasco histórico. Após o sucesso de "Todas as Flores" no Globoplay, João Emanuel Carneiro voltou ao horário nobre da Globo e com a missão de elevar a audiência das nove, após o fracasso do remake de "Renascer". Mesmo diante de uma segunda parte muito mal desenvolvida de sua novela na plataforma de streaming, havia uma boa expectativa para sua nova história. E as chamadas eram convidativas. Porém, a produção se mostrou uma completa catástrofe. A primeira fase apresentou ótimos conflitos e personagens ambíguos, mas a correria dos acontecimentos prejudicou a construção do enredo e a compreensão do público. Para culminar, Amauri Soares ordenou o corte de várias cenas, a ponto de capítulos serem jogados no lixo. O todo poderoso do setor de teledramaturgia achou que aumentaria a audiência a antecipação do assassinato de Molina (Rodrigo Lombardi). Mas foi a partir daí que a trama mergulhou em um poço sem fundo. A segunda fase afastou ainda mais o público por conta de péssimos núcleos secundários e situações absurdas, que colocaram o telespectador como idiota. O que se viu foi um amontoado de reviravoltas sem impacto e qualquer lógica, além de um roteiro exaustivo que sempre voltou para o mesmo lugar. Os atores tiraram leite de pedra, mas não conseguiram milagres. Os personagens eram péssimos e com trajetórias constrangedoras. A cena em que Molina tentou afogar Mércia (Adriana Esteves) no mar entrou para a galeria das mais toscas da teledramaturgia diante dos efeitos especiais patéticos. O mocinho, Rudá (Nicolas Prattes), foi assassinato por causa da rejeição do público e o vilão transformado em bonzinho sem uma construção crível. A direção de Carlos Araújo resultou em algumas cenas dignas de um produto amador. A cada capítulo tudo ficava pior e o fim foi um alívio para público e elenco. O título de pior média de audiência da história do horário nobre é merecido.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

"Vale Tudo" foi um remake apolítico, descaracterizado, raso, absurdo e covarde

 O remake de "Vale Tudo" sofreu um massacre de críticas muito antes da sua estreia. A ideia de uma nova versão da melhor novela já feita na teledramaturgia provocou uma série de desconfianças por razões óbvias e a rejeição nas redes sociais foi gigante, o que fez a missão da nova trama ser ainda mais complicada. Afinal, o objetivo era repetir o sucesso, manter a qualidade, não desrespeitar a obra original e provar que todas as críticas tinham sido precipitadas. Porém, a adaptação de Manuela Dias, dirigida por Paulo Silvestrini, chegou ao fim nesta sexta-feira (17/10) sem conseguir alcançar nem um terço das metas.  


A autora até conseguiu enganar o público e a imprensa no começo do remake, quando as similaridades com a obra de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brassères eram muitas. Mas, ao longo dos messes, foi ficando evidente a precariedade do texto, a destruição de arcos dramáticos fundamentais, a direção repleta de equívocos e novos conflitos que só empobreceram a narrativa, a ponto da essência do enredo ter se perdido por completo. A pergunta central --- "Vale a pena ser honesto no Brasil?" --- perdeu a relevância porque não houve discussão alguma de temas pertinentes e incômodos para a sociedade. 

A principal característica do remake foi a covardia. A história de 1988 transbordava política e abordava assuntos que geravam debates. Mas é importante ressaltar que não se tratava de política partidária e, sim, a política do dia a dia de todo cidadão brasileiro, aquelas atitudes que quase sempre caminhavam na linha tênue entre a integridade e a canalhice. Tanto que não havia personagem perfeito em "Vale Tudo". Todos tinham algum tipo de falha, o que proporcionava uma sucessão de embates éticos e controversos sobre a conduta de cada um.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Última semana de "Vale Tudo" destrói trajetória de Fátima e mistério sobre o assassino de Odete Roitman

 A dois capítulos de seu fim, "Vale Tudo" apresentou uma das piores últimas semanas da história da teledramaturgia. Nem parece que o remake adaptado por Manuela Dias e dirigido por Paulo Silvestrini está acabando. Não acontece praticamente nada de relevante e os poucos acontecimentos exibidos serviram apenas para destruir qualquer resquício de lógica na saga de Maria de Fátima (Bella Campos) e ainda tirou todo o clímax para a revelação do verdadeiro assassino de Odete Roitman (Debora Bloch). 


Para disfarçar a falta de enredo na reta final, a autora optou por reprisar inúmeras vezes as cenas de Odete dialogando com cada um dos cinco suspeitos de seu assassinato, com uma preferência para Celina (Malu Galli) e Heleninha (Paolla Oliveira), que já apareceram em quase todos os capítulos da última semana enfrentando a vilã e apontando a arma para ela. Tanto que as duas já assumiram o crime para uma inocentar a outra. O delegado não fez em nenhum momento o teste de pólvora nas mãos das suspeitas e ambas também confessaram o crime sem a presença de um advogado sequer. Nem cela na delegacia tem para elas ficarem. Tanto que as cenas são sempre em uma sala. Faltou verba para o cenário e para a contratação de um ator?

A quantidade de reprises minou qualquer expectativa para a revelação do assassino de Odete. Claro que a curiosidade persiste, mas já foram exibidas tantas vezes as mesmas cenas que é inevitável a diminuição do impacto da sequência verdadeira no último capítulo. Ficou maçante, o que é raro em se tratando de situações enigmáticas envolvendo um grande crime.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Remake de "Vale Tudo" é um amontoado de conflitos superficiais e absurdos

 O remake de "Vale Tudo" vem enfrentando uma sucessão de críticas e todas em relação aos novos conflitos criados por Manuela Dias são justas e pertinentes. A autora quer abordar milhares de assuntos possíveis e não consegue dar profundidade a nenhum, o que deixa a adaptação da obra original de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brassères superficial e genérica. O pior é que a essência do folhetim é deixada de lado, a ponto da pergunta central --- "Vale a pena ser honesto no Brasil?" --- perder toda a relevância porque não há discussão alguma de temas pertinentes e incômodos para a sociedade. 


É impressionante os inúmeros temas que já foram explorados na história e não houve um sequer que tenha durado mais de uma semana. Todos surgem e são resolvidos em tempo recorde. Não há uma construção mínima para envolver o público, o que esvazia qualquer abordagem e automaticamente deixa os dramas dos personagens sem qualquer impacto. É humanamente impossível o telespectador ter alguma empatia por aquelas pessoas fictícias diante da ausência de uma linha narrativa ou arco dramático sólido. 

Assexualidade, tráfico de animais, adoção por casais homoafetivos, redução dos gases do efeito estufa, vício em jogo do tigrinho, pensão alimentícia, etarismo, assédio moral, falta de sexo no casamento, Burnout, bebê reborn, onlyfans, racismo, maternidade solo, enfim, nem dá para enumerar todas as abordagens rasas da trama.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Manuela Dias aniquila a força do embate entre Raquel e Fátima em "Vale Tudo"

 Nesta quinta-feira (28/08), foi ao ar em "Vale Tudo" uma das cenas mais aguardadas pelo público em 1988: o momento em que Maria de Fátima (Bella Campos) bate na porta da casa da mãe e pede ajuda, exatamente como Raquel (Taís Araújo) disse que aconteceria no dia do rompimento entre as duas. A cena da obra original de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brassères é de lavar a alma. Só que não teve o mínimo impacto no remake e não por culpa das atrizes, mas do contexto criado por Manuela Dias na nova versão, que esvaziou todo o simbolismo da sequência. 

Há 37 anos, a cena foi ao ar dentro de um contexto que honrou a essência da novela. A pergunta 'Vale a pena ser honesto no Brasil?' foi respondida especificamente nesta sequência, bem antes do final da obra. Raquel estava milionária graças ao sucesso de seu restaurante, fruto de seu trabalho ao lado do melhor amigo Poliana (Pedro Paulo Rangel). Não precisou passar a perna em ninguém, dar golpes, mentir, nada. Enriqueceu com a sua luta. Ainda que seja uma utopia diante de tantas desigualdades no país e da narrativa errônea em torno da meritocracia, uma vez que a oportunidade nunca é igual para todos, foi um momento catártico. 

Raquel se negou a ajudar a filha e a expulsou seu seu apartamento de luxo em 1988. E na trama original, vale lembrar, Fátima já tinha parido e estava com uma criança nos braços para cuidar sozinha. A profecia daquela mãe se cumpriu depois da antológica cena em que Raquel rasgou o vestido de noiva de Fátima e disse em alto e bom som que sua queda era certa e nunca mais contaria com ela para nada.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Manuela Dias repete o erro de "Amor de Mãe" em "Vale Tudo"

 O remake de "Vale Tudo" está a dois meses de seu fim. A adaptação do fenômeno de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brassères reagiu na audiência nas últimas semanas graças aos embates que fizeram sucesso em 1988. Não por acaso, quando a produção mantém as cenas das viradas muito bem construídas pelos autores há 37 anos, há uma resposta nos números. No entanto, tudo o que foi muito bem estruturado no passado vem sendo aniquilado com desdobramentos rasos e eliminação de cenas ou situações fundamentais para uma boa narrativa. 


A mais recente e que vem sendo explorada nos capítulos é a derrocada de Raquel (Taís Araújo). É importante um adendo antes da análise sobre a virada que Odete Roitman (Debora Bloch) provoca na vida da protagonista. Em 1988, a personagem triunfa com o sucesso de seu restaurante e vira uma empresária milionária. A sua trajetória prova que é possível ser bem-sucedido sendo honesto no Brasil, a grande premissa do roteiro. E não retorna para a vida humilde que tinha, até porque não havia possibilidade diante da sua situação financeira. 

Agora, em 2025, nunca pareceu que Raquel ficou rica. Ainda que tenha mudado de roupa, o seu padrão de vida não sofreu alteração. Não comprou carro, apartamento, nada. Uma situação bem parecida com a da família Leonel em "No Rancho Fundo", folhetim das seis de Mário Teixeira, onde todos descobriam uma mina de turmalina paraíba, mas mantinham os costumes de sempre por puro comodismo da narrativa e romantização da pobreza.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

"Vale Tudo" apresenta ótimo começo e tem dura missão pela frente

 O remake de "Vale Tudo" é a maior aposta da Globo em 2025, o que foi refletido na intensa campanha de divulgação, tanto nas redes sociais quanto nos programas do canal, além de ações coordenadas promovidas pela emissora que completa 60 anos no dia 26 de abril. E não por acaso será neste dia que Odete Roitman (Debora Bloch) entrará na história, adaptada por Manuela Dias, dirigida por Paulo Silvestrini e baseada na obra de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brassères.


A coragem de refazer a produção que é considerada a novela das novelas e uma obra prima da teledramaturgia tem o seu preço e um deles é a inevitável comparação. Tanto que a emissora vem sofrendo uma avalanche de críticas nas redes sociais desde que anunciou o remake. A escalação do elenco foi o principal alvo dos ataques, além de possíveis mudanças no texto primoroso do folhetim. Porém, o antídoto para esse veneno é um trabalho bem feito e que ao menos não desrespeite o conjunto tão harmonioso, visto em 1988, e até hoje tão aclamado.

Ao menos por enquanto, a produção não tem feito por merecer críticas. É verdade que está apenas há uma semana no ar e muita água vai rolar até o final do enredo, mas até o momento a novela vem despertando atenção e curiosidade a respeito dos próximos acontecimentos.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

"Vale Tudo": o que esperar do novo remake das nove?

 Vale tudo para vencer na vida? É a questão que separa mãe e filha no novo remake das nove da TV Globo, adaptado por Manuela Dias com direção artística de Paulo Silvestrini. A nova versão de ‘Vale Tudo’, um dos maiores títulos da teledramaturgia brasileira, escrito por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, e exibido originalmente em 1988, estreou nesta segunda-feira (31/03) e promete conduzir o público a uma jornada atual sobre caráter, ética, honestidade, com enfrentamentos morais e romance. 


A relação entre mãe e filha com visões opostas sobre o caminho a se vencer na vida desencadeia um embate sobre se vale tudo para ser bem-sucedido e, ao mesmo tempo, honesto no Brasil. Enquanto Raquel (Taís Araujo), uma mulher batalhadora, típica mãe brasileira, acredita que é possível ganhar a vida com integridade e de forma honesta, sua filha, Maria de Fátima (Bella Campos), se dispõe a fazer qualquer coisa para alcançar o sucesso e abandonar a vida simples que leva em Foz do Iguaçu, no Paraná. O conflito entre essas duas mulheres está no centro da trama de ‘Vale Tudo’. 

A história começa focando em Raquel, que foi criada por seu pai, Salvador (Antonio Pitanga), segundo as mais rígidas regras de ética e moral, e, tenta educar Maria de Fátima da mesma maneira. Mas a jovem não vê a hora de conquistar a vida glamourosa que tanto sonhou, custe o que custar.  

quinta-feira, 20 de março de 2025

Tudo sobre a festa de lançamento do remake de "Vale Tudo"

 Uma festa “bafônica”, como diria Milton Cunha! Assim foi o lançamento de ‘Vale Tudo’, nesta quinta-feira, dia 20, no Copacabana Palace, Rio de Janeiro. A noite foi repleta de experiências imersivas, intervenções e referências à novela em todos os espaços, pensados para traduzir o mundo de luxo da família Roitman e o despojamento do universo dos influencers da agência Tomorrow da trama. 

Um desfile de modelos vestindo as capas de chuva coloridas de cenas do primeiro capítulo deu um toque especial ao evento, enquanto o ponto alto da noite foram os shows. Os  Garotin transformaram o Golden Room num baile coreografado, e uma roda de samba com Pretinho da Serrinha e Mariene de Castro levou o elenco ao palco para cantar “Brasil”, tema da abertura da novela.  

Em um dos salões principais do hotel, a equipe de cenografia reproduziu o ambiente da mansão dos Roitman, com uma atmosfera elegante e aconchegante. O espaço foi decorado com detalhes especiais, como produção de arte com fotos do elenco em porta retratos. O evento ainda teve dois estilos de bar, com drinks nomeados com bordões da novela.

terça-feira, 4 de março de 2025

Tudo sobre a primeira coletiva online de "Vale Tudo", o novo remake das nove

 A Globo promoveu na terça-feira passada, dia 25, a primeira coletiva virtual de "Vale Tudo", remake de Manuela Dias, dirigido por Paulo Silvestrini, baseado na obra original de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brasséres. Participaram a autora, o diretor e os atores Lucas Leto, Cacá Ottoni, Karine Teles, Belize Pombal, Maeve Jinkings, Lorena Lima, Breno Ferreira, Bruna Aiiso, Letícia Vieira, Jéssica Marques e Taís Araújo. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir. 


Paulo Silvestrini comentou sobre a diferença do remake: "A gente assina e entrega uma carta de intenções. A gente espera que tenha tocado no coração dos fãs. Para o fã a essência da obra está preservada, os personagens estão ali. A gente brinda o público com pequenas homenagens, busco homenagear Dennis Carvalho e Ricardo Washington, enfim, é uma releitura vintage e para quem não conhece é uma oportunidade para entrar em contato com essa obra clássica. Vou fazer com muita atenção e vontade que todos se sintam recompensados em ligar a televisão". 

Manuela Dias falou das mudanças ao longo do tempo para a realização do remake: "Depois de 37 anos, a nossa expectativa é que 40% terá contato com a obra original. Mas é uma novela para todos. Está atualizada com um cheiro vintage e acho que para quem já viu é como se reencontrar um amigo, mas com o tempo fazendo seu trabalho. O mundo mudou muito, ainda bem, no quesito de sustentabilidade, enfim.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Globo inicia seu marketing em cima do remake de "Vale Tudo" na CCXP

 No último dia de CCXP, neste domingo, dia 9, a TV Globo mostrou que desistiu de vez do fracasso 'Mania de Você' e a partir de agora focará no remake do sucesso de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brassères ----- que passou a ser chamado de releitura, após as várias polêmicas que notícias sobre a 'nova' trama causaram. Em seu painel no Palco Thunder, a emissora levou alguns atores, a adaptadora e o diretor. O público, atento e curioso sobre a nova versão de 'Vale Tudo', foi surpreendido por um grupo de mascarados com o rosto da vilã icônica Odete Roitman, que subiu ao palco e revelou Paulo Vieira. O ator e humorista comandou o painel em que foram apresentados detalhes sobre a nova produção, com estreia prevista para abril de 2025, ano em que a TV Globo celebra 60 anos.  


A autora Manuela Dias e o diretor artístico Paulo Silvestrini adiantaram curiosidades sobre a obra, que se conecta com a memória afetiva dos brasileiros, e tem a missão de conquistar novos fãs das grandes histórias da dramaturgia. “'Vale Tudo' é uma novela que ajudou a fundar esse gênero tão brasileiro, que é a nossa especialidade. É uma honra pra mim adaptar um texto do Gilberto Braga para os dias de hoje, e acho que todas as histórias incríveis merecem ser recontadas”, disse Manuela Dias. “O clássico, quando a gente relê, continua fazendo sentido, e isso acontece com ‘Vale Tudo’. Mas, como em toda grande história, quando recontada, a gente agrega valores e referências da contemporaneidade. A gente está fazendo ‘Vale Tudo’ para o público de hoje, para quem viu e para quem não viu. Afinal, as grandes histórias da dramaturgia não têm idade”, completou Paulo Silvestrini. 

Integrantes do elenco, como Taís Araujo, Bella Campos, Paolla Oliveira, Alice Wegmann, Renato Góes, Humberto Carrão e Luis Lobianco participaram da conversa e falaram sobre seus personagens e a importância de fazer parte do remake da “novela das novelas”.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

"Justiça 2" foi uma grande decepção

 Manuela dias recebeu a missão de escrever uma nova temporada de "Justiça", após o sucesso da série exibida pela Globo há 8 anos. A autora criou quatro novas histórias que se interligam, repetindo o formato original, e manteve apenas uma personagem da história de 2016. A trama teve uma imensa repercussão na época e foram vários elogios. No entanto, apesar do saldo muito positivo, a produção teve problemas visíveis no desenvolvimento. E as incongruências da narrativa se agravaram em "Justiça 2" (o texto contém spoilers). 


O novo enredo chegou ao fim no Globoplay nesta quinta-feira (23/05), depois da liberação dos quatro últimos episódios, fechando o ciclo com um total de 28 capítulos. A sinopse da série resumiu bem o drama dos protagonistas. O motoboy Balthazar (Juan Paiva) é preso injustamente após ser reconhecido como assaltante do restaurante Canto do Bode em um catálogo digital de suspeitos da polícia. Violentada pelo tio na adolescência, Carolina (Alice Wegmann) muda de cidade para se distanciar da situação. Quando volta para Ceilândia (DF), revive traumas do passado e decide denunciar seu abusador. Renato (Filipe Bragança), um traficante de classe média, se muda para a comunidade do Sol Nascente. Com seu som alto ligado 24 horas por dia, passa a entrar em conflito com as vizinhas Geíza (Belize Pombal) e Sandra (Gi Fernandes). Em um momento de desespero, Milena (Nanda Costa) rouba um carro e acaba presa por um crime que não cometeu. 

Das quatro histórias, a única que não deu para engolir desde o primeiro ato foi a de Milena. A autora subestimou a inteligência do público do primeiro ao último minuto daquele enredo. O objetivo era claro: formar um casal lésbico sem sofrer a censura da televisão aberta. E a química entre Paolla Oliveira e Nanda Costa foi visível. Mas só química não sustenta uma trama.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Trama de Milena em "Justiça 2" faz o público de idiota

 A nova série do Globoplay vem despertando atenção por ser uma espécie de continuação de "Justiça", exibida em 2016, embora as novas histórias não tenham qualquer relação com as exibidas anteriormente. A autora Manuela Dias criou novos enredos que se destacam graças ao desempenho brilhante do elenco. No entanto, uma trama destoa das demais e abusa da quantidade de inverossimilhanças: a da Milena (Nanda Costa). 


A saga da personagem já começa cercada de absurdos que vão piorando a cada episódio. É importante ressaltar que cobrar veracidade em obras de ficção é algo que precisa ser feito com certa moderação, afinal, furos de roteiro são comuns, tanto em séries quanto em novelas e como diz a autora Glória Perez: "É preciso voar". Porém, há voos que são impossibilitados de serem feitos diante das inúmeras incongruências no roteiro. E, no caso da quarta protagonista, são tantos que é difícil até listar. 

Logo no primeiro episódio envolvendo a personagem, o quarto da primeira semana, fica impossível comprar a motivação do crime que a leva para a cadeia. Milena é uma mulher que comete furtos para ganhar dinheiro e sonha em ser cantora profissional.

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Tudo sobre a coletiva online de "Justiça 2", a nova série do Globoplay

 O Globoplay promoveu na primeira quarta-feira de abril, dia 3, a coletiva virtual de "Justiça 2", a nova série da plataforma de streaming. Participaram a autora Manuela Dias, o diretor Gustavo Fernández e os atores Murilo Benício, Leandra Leal, Paolla Oliveira, Nanda Costa, Belize Pombal, Juan Paiva, Leandra Leal, Alice Wegmann, Marco Ricca, Maria Padilha, Julia Lemmertz, Rita Assemany, Giovanni Venturini, Danton Mello, Gi Fernandes, Marcello Novaes, Tereza Seiblitz e Danton Mello. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo. 


Manuela Dias analisou sua obra: "Não é uma série focada nas questões judiciais, é focada no que a gente acredita o que é a justiça. A gente acredita tanto na justiça que quando a justiça na terra falha a gente acaba acreditando que uma justiça divina vai acontecer. E há crimes que não há reparação. Se você tem um carro roubado, ele pode ser recuperado. Mas, se você foi abusada, qual a reparação? A maior parte da série se passa em Ceilândia e é uma forma da gente abordar questões sociais ali. Foi maravilhoso gravar lá. A série restitui a humanidade a pessoas que são apagadas pela sociedade. São 28 episódios e as quatro histórias se entrelaçam".

Gustavo Fernández acrescentou: "A primeira ideia era gravar em uma cidade da Bahia, localizada no oeste, próximo da divisa com Maranhão, Piauí e Tocantins.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Parte final desnudou todos os problemas que sempre estiveram presentes em "Amor de Mãe"

 A primeira novela de Manuela Dias estreou logo no horário nobre. Uma responsabilidade e tanto. Normalmente, todos os escritores da emissora estreiam na faixa das seis ou sete e somente depois migram para a cobiçada faixa das 21h. Mas os ótimos trabalhos da autora nas minisséries "Ligações Perigosas" e "Justiça" (ambas em 2016) a credenciaram ao posto. No entanto, não teve sorte. A produção estreou em 25 de novembro de 2019 repleta de louvores da crítica especializada, mas parte do público não comprou a história, que apresentava problemas em vários núcleos. E quando o enredo central parecia engrenar, houve a interrupção das gravações em 21 de março de 2020 por conta da pandemia do novo coronavírus. 

Voltou ao ar praticamente um ano depois, no dia 15 de março de 2021, com apenas 23 capítulos restantes. A produção já estava entrando na reta final, mas mesmo assim sofreu um corte. Porém, não parece ter afetado o roteiro, pois a verdade é que muitas tramas já estavam sem rumo antes da interrupção das gravações. O grande interesse ficou em torno do enredo de Lurdes (Regina Casé) à procura do filho Domênico (Chay Suede). E sempre foi a única parte do folhetim que caiu nas graças do público. O maior clichê dramatúrgico raramente falha. 

Já os demais conflitos, que já estavam se perdendo, tiveram desfechos decepcionantes. A constante troca de casais era um dos problemas do roteiro e seguiu assim até o final. Nunca houve uma construção sólida que despertasse alguma torcida do público. O menos pior foi o par formado por Camila (Jéssica Ellen) e Danilo/Domênico.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Não se preocupe, você não é ignorante por não gostar de "Amor de Mãe"

A crítica especializada colocou "Amor de Mãe" em um pedestal. É uma obra prima da teledramaturgia, uma novela revolucionária e sem qualquer defeito. Não há problemas no desenvolvimento, clichês inexistem, todos os personagens são ótimos, o elenco inteiro é valorizado, enfim. Também ficou comum a narrativa para justificar a audiência aquém do esperado: o grande público não sabe apreciar uma novela que faz pensar e foge dos enredos escapistas. Ou seja, em outras palavras, classifica o telespectador como burro. Mas não se preocupe, caro leitor, não é bem assim que a 'banda toca'.


A história de Manuela Dias, que estreia como novelista em pleno horário nobre da Globo, tem qualidades? Com toda certeza. O folhetim teve um início maravilhoso e mereceu a avalanche de elogios. A trama de Lurdes (Regina Casé em estado de graça) é a melhor com larga vantagem e move o roteiro. A complexidade de Vitória (Taís Araújo) também atrai, assim como a redenção de Sandro (Humberto Carrão) e a trajetória linda de Camila (Jéssica Ellen) ---- incluindo seu romance com Danilo (Chay Suede). É um folhetim bem produzido e com boas atuações. Todavia, o conjunto está longe de ser excelente e há muitos problemas visíveis.

José Luiz Villamarim é um dos melhores diretores da Globo, mas trata "Amor de Mãe" como uma série das 23h e não uma novela. É preciso inovar e sair do mais do mesmo? Sem dúvida. Todavia, o filtro escuro e amarelado promove um certo desgaste em quem está assistindo. Há uma sensação de poluição visual. E sua ousadia de exibir vários atores que fazem pequenas participações de costas ou mostrando raramente o rosto incomodou.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

"Amor de Mãe" estreia com forte carga dramática e promissoras protagonistas

"Tudo é incerto, menos o amor de mãe". A frase, adaptada do romancista e poeta James Joyce (1882/1941) ---- "Tudo é incerto neste mundo hediondo, mas não o amor de uma mãe" é a frase original ----, é a premissa da nova novela das nove da Globo, que marca a estreia de Manuela Dias como autora solo. E, por conta dessa afirmação, fica bem claro que o enredo abordará uma visão mais romanceada da maternidade. Com a dura missão de manter os elevados índices do grande sucesso "A Dona do Pedaço", a trama, dirigida por José Luiz Villamarim e fotografia de Walter Carvalho, estreou nesta segunda-feira (22/11), com um emocionante primeiro capítulo.


Regina Casé, Taís Araújo e Adriana Esteves vivem Lurdes, Vitória e Thelma, mulheres que exercem a maternidade em sua plenitude, cada uma à sua maneira. Apesar de viverem em realidades diferentes, com trajetórias distintas, a vida das três se entrelaça ao longo do enredo. Uma proposta parecida com "Justiça", da mesma autora ---- quatro pessoas eram presas por crimes que cometeram em momentos de fúria e ao longo da história tinham suas vidas cruzadas. O trio protagonista foi bem apresentado na estreia através de breves flashbacks e dramas no presente.

Lurdes é babá e mãe de cinco filhos, sendo que um deles não foi criado ao seu lado. Ela busca um novo emprego e consegue uma entrevista na casa de Vitória, uma advogada bem-sucedida que, com a iminência da chegada do filho que pretende adotar, precisa de uma babá. Vitória perdeu um bebê aos seis meses de gestação e não conseguiu superar o trauma.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Não foi uma boa noite para o Brasil no Emmy Internacional de 2017

O 45º Emmy Internacional foi promovido nesta segunda-feira (20/11), no hotel Hilton, em Nova York, Estados Unidos. A importante e prestigiada premiação teve nove indicações nacionais em oito categorias, sendo elas: melhor série dramática, com "Justiça"; melhor novela, com "Velho Chico" e "Totalmente Demais"; melhor comédia, com "Tá no Ar: a TV na TV"; melhor filme/minissérie, com "Alemão" ---- série derivada do filme homônimo ----; Júlio Andrade como melhor ator pelo desempenho na série da FOX "1 Contra Todos"; melhor programa artístico, com "Portátil" ---- criado pelo Porta dos Fundos e exibido no Comedy Central ----; melhor série de formato curto, com "Crime Time" --- produzida pelo Stúdio+ ---- e Adriana Esteves como melhor atriz pela sua interpretação na pele da Fátima em "Justiça". Infelizmente, ninguém ganhou.


Apesar das derrotas, todas as indicações foram merecidas, com destaque especial para o desempenho irretocável de Adriana Esteves em "Justiça", que também se mostrou uma grandiosa produção de Manuela Dias. A atriz viveu seu auge com a vilã Carminha, no fenômeno "Avenida Brasil", e não teve sorte na fracassada "Babilônia", interpretando um papel que se perdeu totalmente no enredo. Com a sofrida Fátima, a intérprete apagou qualquer vestígio da inesquecível vilã de João Emanuel Carneiro e emocionou o público dando vida a uma mulher que primava pela ética e transbordava integridade, mesmo diante das inúmeras desgraças que ocorriam em sua vida. Foi uma atuação realmente digna de Emmy.

Vale lembrar, inclusive, que é a segunda indicação de Adriana ao prestigiado prêmio. Ela também foi indicada pelo seu grande trabalho na minissérie "Dalva e Herivelto - uma canção de Amor", escrita por Maria Adelaide Amaral e exibida em 2010, onde deu um show na pele da passional Dalva de Oliveira. É uma atriz cada vez mais respeitada no mercado merecidamente. E em "Justiça" ganhou uma das melhores personagens da série, aproveitando a chance para novamente expor seu imenso talento.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Narrativa ousada, elenco de peso e tramas fortes marcaram o sucesso de "Justiça"

"Toda justiça termina em castigo? Quem busca justiça aceita o perdão? Justiça a qualquer preço é justiça?" A minissérie escrita por uma inspirada Manuela Dias e dirigida por um brilhante José Luiz Villamarim respondeu essas perguntas na última semana, e ao longo da trama --- ambientada em Recife, fugindo do eixo RJ/SP ---, que já é uma das melhores produções do ano. Foram 20 episódios, exibidos durante cinco semanas, que apresentaram histórias extremamente fortes, prendendo o telespectador através de situações cruelmente reais e com personagens muito bem construídos pela autora.


A ousadia da narrativa foi a principal característica da minissérie, que apresentava um protagonista por dia e interligava os dramas de forma eficiente, exigindo uma maior atenção do público. A personagem principal da segunda era coadjuvante na terça e quase figurante na quinta e na sexta, por exemplo. Todos os perfis acabavam sendo vistos sempre, mas em diferentes posições e ângulos. A mesma cena era assistida várias vezes ao longo da semana, dependendo da mudança de foco do enredo. A 'novidade' bastante arriscada se mostrou um dos pontos altos de "Justiça", destacando o trabalho minucioso do diretor e sua equipe.

José Luiz Villamarim (que novamente teve o grande Walter Carvalho como parceiro, após as primorosas "O Canto da Sereia", "Amores Roubados" e "O Rebu") se preocupou em cada detalhe, valorizando a atuação do elenco, expondo a complexidade, a solidez e a controvérsia de todos aqueles personagens. O grau de dificuldade em gravar várias sequências de ângulos distintos era alto, mas o resultado foi o melhor possível.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Ousada e caprichada, "Justiça" mostra a força de sua história logo no início

"Existe justiça na vingança? Fazer silêncio é fazer justiça? A justiça é mais cega do que a paixão? Se a lei não faz justiça, então ela serve para quê? Falta de justiça tem cura?" Baseada nessas premissas bastante pertinentes, estreou nesta segunda-feira (22/08) a nova minissérie da Globo. "Justiça" ---- escrita por Manuela Dias (responsável pela elogiada "Ligações Perigosas" no início do ano) e dirigida por José Luiz Villamarim (diretor das primorosas "O Canto da Sereia", "Amores Roubados" e "O Rebu") ---- estava cercada de expectativas em virtude das suas chamadas arrepiante. E o início da produção já honrou toda a ansiedade pela estreia, expondo a força de sua história (ambientada em Recife, fugindo um pouco do eixo RJ/SP) logo na primeira semana.


A minissérie conta o enredo de uma forma bem ousada, já observada nas séries "Sessão de Terapia", no canal a cabo GNT, e "Os Experientes", na Globo. São quatro histórias independentes que se cruzam, mudando a condição de destaque dos personagens de acordo com o dia. O protagonista de segunda é o coadjuvante de terça e quase uma figuração na quinta, servindo ainda de elenco de apoio na sexta, ou vice-versa. Mas todos acabam sempre presentes, independente do episódio. Na estreia, por exemplo, o público foi apresentado ao drama de Elisa (Debora Bloch), mulher que planeja se vingar do homem que matou sua filha.

O primeiro capítulo expôs o conjunto muito bem entrelaçado da minissérie, mesmo contando somente o enredo daquela mãe dilacerada por dentro. Isso porque já foi possível ver o estopim das três outras tramas: Rose (Jéssica Ellen) e Débora (Luisa Arraes) comprando drogas --- perfis centrais das quintas ---, e o pânico de Maurício (Cauã Reymond) --- protagonista das sextas ---, assim que sua esposa (Beatriz - Marjorie Estiano) é atropelada. O chocante atropelamento foi visto por Elisa, que saía de um restaurante com um rapaz mais novo.