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segunda-feira, 19 de março de 2018

"Tempo de Amar" teve uma linda embalagem, mas pecou no ritmo e na história

A novela das seis de Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, dirigida por Jayme Monjardim, estreou no final de setembro e chegou ao fim nesta segunda-feira (19/03), cumprindo sua missão de manter bons índices de audiência para a faixa na Globo ---- derrubou apenas um ponto da antecessora, a primorosa e bem-sucedida "Novo Mundo". E foi uma novela bonita, com diálogos refinados e belíssimas imagens, incluindo figurino e cenários. Todavia, a produção pecou bastante no enredo e no ritmo, que se arrastou ao longo dos meses, testando a paciência de quem assistia.


O autor baseou seu folhetim no argumento de Rubem Fonseca, que ambientava a história de amor dos mocinhos entre 1886 e 1888, época em que ocorre o movimento abolicionista. Mas, decidiram mudar o contexto para os anos 20 (entre Portugal e Rio de Janeiro, filmando em locações lindas do Rio Grande do Sul). E não foi apenas essa a mudança de percurso dos escritores. Desde o início, ficou claro que seria quase impossível sustentar a trama apenas na separação e, consequentemente, no reencontro de Maria Vitória (Vitória Strada) e Inácio (Bruno Cabrerizo). A necessidade de outros conflitos era vital para o roteiro não ficar limitado. Mas, infelizmente ficou.

O primeiro erro foi juntar os protagonistas de forma tão súbita e pouco consistente. Aquele amor à primeira vista encantava noveleiros nos anos 70/80, mas não cabe mais no mundo atual. Mesmo sendo um enredo de época. A exceção fica por conta do desenvolvimento desse amor. Se o autor ou a autora souber conduzir com precisão, a chance de arrebatar o público é quase certa.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Vitória Strada e Andreia Horta se destacaram com a surra da mocinha na vilã em "Tempo de Amar"

Não adianta reclamar. O clichê seguirá vivo na ficção e fazendo parte de todos os folhetins, marcando presença também em filmes e peças teatrais. A própria vida às vezes é um clichê. E quando bem trabalhado, esse elemento deixa qualquer produção convidativa. "Tempo de Amar", por exemplo, é uma trama tradicional e não poderia fugir da clássica surra da mocinha na vilã. O capítulo do último sábado (27/01) exibiu esse aguardado momento, honrando a longa espera do público.


O folhetim das seis da Globo, escrito por Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, é muito lento. O telespectador pode se dar ao luxo de não assisti-la por umas duas semanas que não perde nada. Por isso mesmo até agora Inácio (Bruno Cabrerizo) e Maria Vitória (Vitória Strada) não se reencontraram. Ou seja, natural, portanto, o acerto de contas entre mocinha e vilã ter demorado quatro meses  ---- assim como o desmascaramento da víbora. Mas a cena cumpriu tudo o que havia prometido, destacando a entrega das atrizes.

Foi um momento de lavar a alma do público, como costuma realmente ocorrer durante surras em novelas. Na vida real, a violência merece ser condenada, mas na ficção todo mundo pode torcer para esse tipo de catarse. A mocinha fez questão de expor todo o seu nojo pela canalhice da então amiga, que escondeu Inácio o quanto pôde, fingindo que o rapaz estava morto.