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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

"Malhação - Viva a Diferença" abordou vários temas importantes de forma hábil

Além do ótimo elenco, personagens ricos e boa condução do enredo, Cao Hamburger acertou em outro ponto com a sua deliciosa "Malhação - Viva a Diferença", reprisada atualmente: a abordagem cuidadosa de vários temas importantes. Racismo, gravidez na adolescência, autismo, uso de drogas, alcoolismo, abuso sexual, direitos humanos, assexualidade, problemas de uma escola pública, automutilação, enfim, não faltaram situações exploradas ao longo da temporada, sempre com bons perfis de protagonistas.


Não é fácil inserir tantas temáticas em um enredo ficcional sem parecer gratuito ou forçado, mas o autor conseguiu com louvor. Todos os dramas estão inseridos no contexto, complementando os conflitos da trama e deixando os personagens ainda mais cativantes, despertando atenção de quem assiste. A primeira situação abordada foi a gravidez na adolescência, através de Keyla (Gabriela Medvedoski), que pariu em pleno metrô de São Paulo, implicando na aproximação das cinco protagonistas.

Os problemas da menina em criar um filho sem pai e em época escolar foram o foco do começo da temporada, servindo para reforçar cada vez mais o elo do quinteto central, uma vez que todas ajudavam nos cuidados com o pequeno Tonico. Aos poucos, essa dificuldade de Keyla foi cedendo espaço para outras, que eram inseridas com o intuito de destacar outros personagens.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Talita Younan foi uma das gratas surpresas de "Malhação - Viva a Diferença"

A reprise de "Malhação - Viva a Diferença" vem reforçando todos os êxitos da trama de Cao Hamburger e impressiona como os temas seguem atuais. O autor realmente fez a diferença e abordou temas muito importantes. Um dos mais difíceis de serem explorados ganhou destaque com o drama de K1: o abuso sexual. E Talita Younan aproveitou a chance quando sua personagem ganhou um drama denso.


K1 sempre foi a venenosa da turma e praticou muito bullying com vários colegas, incluindo Benê (Daphne Bozaski). No entanto, a menina sempre teve um lado mais humano e até inocente, principalmente nos momentos de conversa com K2 (Carol Macedo) ou quando tentava escapar das investidas mais pesadas de MB (Vinicius Wester). Foram muitas cenas hilárias e outras mais vilanescas ao longo da trama; mas a curva dramática começou a mudar. A garota passou a chorar escondido e fazia questão de se isolar. Era o primeiro sinal do abuso.

A personagem até se reaproximou de Keyla (Gabriela Medvedovski), que formava o trio K1, K2 e K3 no passado, antes da filha de Roney (Lúcio Mauro Filho) engravidar e formar as 'five'. Foi a partir dessa aproximação que o público teve maior conhecimento do drama que a menina enfrentava.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Daphne Bozaski fez de Benê um dos trunfos de "Malhação - Viva a Diferença"

"Malhação - Viva a Diferença" fez um justo sucesso de público e crítica. A escolha para ser reprisada durante a paralisação das gravações nos Estúdios Globo por conta da pandemia do novo coronavírus não foi por acaso. As razões para tamanho êxito foram muitas e uma delas a escolha certeira do time de protagonistas. Tanto na escalação das atrizes, quanto na construção das cinco personagens. O autor Cao Hamburger e o diretor Paulo Silvestrini foram muito felizes. Entretanto, embora todas as meninas tenham sido apaixonantes, recheadas de qualidades e defeitos, houve uma que sempre se destacou em virtude da sua 'diferença', que acabou sendo a mais visível: a fofa Benê.


Daphne Bozaski esteve perfeita na composição primorosa de sua personagem, que tinha o sério risco de virar uma caricatura pouco crível. A menina doce, extremamente carente e com aspecto de nerd sofria de Síndrome de Asperger, um grau mais leve de autismo. Esse transtorno neurobiológico é pouco conhecido e o autor acertou em cheio quando o colocou em uma de suas protagonistas. Embora só tenha sido falado claramente na trama perto da reta final, o problema foi exposto através das atitudes da menina.

Benedita tem problemas de convívio social e sempre foi uma pessoa solitária. Tudo mudou quando conheceu Lica (Manoela Aliperti), Ellen (Heslaine Vieira), Keyla (Gabriela Medvedovski) e Tina (Ana Hikari) no metrô, fazendo questão de adicioná-las no WhatsApp, organizando um novo quinteto que se tornou inseparável. Contudo, as dificuldades da frágil menina sempre se mostraram presentes, apesar dessa evolução em torno de um maior vínculo de amizade.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Quinteto central foi a melhor surpresa de "Malhação - Viva a Diferença"

"Malhação - Viva a Diferença" (exibida entre 2017 e 2018) marcou a estreia de Cao Hamburger na Globo com o pé direito. A temporada, dirigida por Paulo Silvestrini, abordou temas importantes de forma séria e o enredo muito bem escrito pelo autor foi repleto de qualidades. A audiência correspondeu (a média de 20 pontos é um excelente índice e o maior em dez anos de "Malhação", até hoje não superado). A reprise, por conta da pandemia do coronavírus, ajuda a reforçar os inúmeros acertos da trama. E um dos muitos foi a escolha (e construção) das cinco protagonistas.


Keyla (Gabriela Medvedovski), Tina (Ana Hikari), Ellen (Heslaine Vieira), Lica (Manoela Aliperti) e Benê (Daphne Bozaski) são perfis cativantes e totalmente verossímeis, representando a adolescência de uma forma nada maniqueísta. Não há boazinha e nem malvada, há meninas em busca de seus desejos e com muitos dilemas, repletas de virtudes e defeitos. São todas cem por cento humanas, precisando lidar todos os dias com as diferenças que tinham tudo para separá-las, mas que só as unem mais.

Os perfis foram construídos com extrema habilidade pelo autor e a escalação podia colocar tudo a perder. Afinal, atrizes fracas não conseguiriam passar todas as nuances das protagonistas, aniquilando o DNA do roteiro da temporada. E o risco era elevado, pois "Malhação" lança talentos desde a sua estreia, em 1995. Os escolhidos são sempre novatos, implicando em uma chance maior de tropeços.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Reprises reforçam o talento de Malu Galli

A pandemia do coronavírus vem provocando um caos mundial e o isolamento social virou regra imprescindível em tempos de tanto contágio. O primeiro choque no Brasil foi através da paralisação das gravações das novelas da Globo, principal emissora do país. Medida necessária. E assim que passou a exibir reprises de folhetins que fizeram sucesso houve uma previsível coincidência em torno da presença de vários atores. Muitos estão em mais de uma trama no ar. Malu Galli é um dos casos e merece uma menção especial.


O caso da atriz é até diferente. Afinal, estava no ar em "Amor de Mãe" e agora está em "Malhação - Viva a Diferença" e "Totalmente Demais". E nunca foi uma profissional valorizada como merece. Tanto pelo público quanto por vários veículos que cobrem televisão. Com várias peças e filmes no currículo, sua carreira televisiva começou através de pequenas participações em novelas e minisséries na Globo. Seu primeiro papel de certo destaque foi na primorosa série "Queridos Amigos", em 2008. Na trama de Maria Adelaide Amaral foi possível observar que Malu podia muito mais.

E, graças aos papéis densos nos dois folhetins brilhantes de Lícia Manzo, a atriz conseguiu mostrar seu talento dramático. A emocionalmente frágil Dora, de "A Vida da Gente" (2011), e a bem-sucedida Irene, de "Sete Vidas" (2015), foram defendidas com muita entrega.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

"Malhação - Viva a Diferença" é uma reprise muito bem-vinda

A pandemia do coronavírus fez a Globo interromper as atividades nos Estúdios Globo e a principal prejudicada foi "Malhação - Toda Forma de Amar". Ao contrário de "Salve-se Quem Puder" e "Amor de Mãe", a temporada não será continuada depois que o caos passar. Seu fim foi antecipado em um mês e o desfecho da história de Emanuel Jacobina se mostrou deprimente. Como medida de emergência, a emissora escolheu "Malhação - Viva a Diferença" para ser reprisada, uma das mais elogiadas fases do seriado adolescente.


Vencedora do Emmy Internacional Kids na categoria Séries, a trama, brilhantemente escrita por Cao Hamburger e dirigida com talento por Paulo Silvestrini, foi uma seleção muito acertada da Globo. Além de ter sido um dos maiores sucessos recentes de público e crítica, a produção gerou um uma série exclusiva da Globo Play prevista para estrear no segundo semestre com o título de "As Five". Isso porque os telespectadores se apaixonaram pela saga de cinco amigas totalmente diferentes que estabeleceram um elo que originou uma sucessão de dramas e conflitos arrebatadores. A reprise serve para angariar ainda mais audiência para essa espécie de continuação criada para o serviço de streaming.

Assim que estreou, no dia 8 de maio de 2017, "Malhação - Viva a Diferença" deixou a melhor das impressões. Pela primeira vez na história do seriado adolescente não havia um casal protagonista e, sim, cinco meninas totalmente diferentes que se conheceram em um vagão de metrô, inciando um laço futuramente indestrutível graças ao parto de uma delas.

terça-feira, 17 de março de 2020

Mudança na grade da Globo expõe responsabilidade e boa estratégia

A Globo foi a primeira emissora do país a tomar medidas radicais por conta da pandemia do COVID-19 no mundo. Após muitas reuniões, a cúpula da emissora decidiu manter onze horas de programação ao vivo com jornalismo informativo sobre os cuidados necessários para evitar o contágio do corona vírus, cancelando programas como "Mais Você", "Se Joga" e "Altas Horas". Mas a decisão que mais surpreendeu o público foi a interrupção das gravações de todas as produções inéditas, implicando na substituição de todos os folhetins atuais por reprises.


A maior emissora do país e a segunda maior do mundo simplesmente resolveu parar com a produção da teledramaturgia até o surto melhorar ou o mundo entrar em normalidade. A indústria da Globo sempre foi a mais respeitada em virtude da extrema qualidade e organização de produção. Ao interromper os trabalhos, a empresa demonstra total preocupação com seus funcionários e respeito pelo público. Afinal, não adianta orientar a população para ficar em casa e não agir conforme o aconselhado. Mas a difícil e importante medida também expõe a estratégia sempre precisa do canal.

"Malhação - Toda Forma de Amar", escrita por Emanuel Jacobina, já se perdeu há muito tempo e chegaria ao fim com 278 capítulos. Houve um encurtamento grave e as gravações foram encerradas nesta terça.

terça-feira, 9 de abril de 2019

A consagração internacional de "Malhação - Viva a Diferença"

Aclamada por público e crítica, "Malhação - Viva a Diferença" entrou para a lista das melhores temporadas do longevo seriado adolescente da Globo. Exibida entre 2017 e 2018, a produção teve uma gigantesca repercussão e levantou temas importantes dentro de uma dramaturgia de extrema qualidade. Era tudo perfeito. Só faltava mesmo uma premiação que honrasse esse grande trabalho. Não falta mais. A temporada ganhou o "Emmy Internacional Kids" de Melhor Série nesta terça-feira, 09/04, em Cannes, na França.


A história de Cao, dirigida com brilhantismo por Paulo Silvestrini, concorreu com produções da Austrália, Canadá e Alemanha. Os vencedores foram anunciados pela Academia Internacional de Artes e Ciências da Televisão em uma cerimônia durante o MipTV. Essa foi a quarta indicação de "Malhação" no Emmy Kids e disputou duas vezes na categoria Digital ----- antes concorreu com "Malhação Sonhos" (2016) e "Malhação - seu lugar no mundo" (2017). Em 2015, concorreu como Melhor Série. É a primeira vez que a Globo vence essa premiação internacional na categoria "Kids".

O reconhecimento a respeito das inúmeras qualidades do enredo tão bem construído e desenvolvido por Cao Hamburger é mais do que merecido. O autor conseguiu tratar de assuntos relevantes como racismo, homossexualidade, autismo, abuso sexual, bullying, entre tantos mais, de maneira clara e inteligente para o andamento dos arcos dramáticos dos personagens.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018: os melhores casais do ano

Ao contrário de todos os sites e blogs, que optam em apenas selecionar os destaques e os piores do ano, o De Olho Nos Detalhes também engloba outra categorias nas listas de retrospectivas. E um dos diferenciais do meu modesto espaço é listar os melhores pares românticos das tramas. Em 2018, tivemos casais apaixonantes em vários horários, mas "Orgulho e Paixão" foi a novela que mais contou com romances cheios de química. Mas outras faixas também tiveram sua fatia de romantismo. Vamos ao casais.





Ernesto e Ema ("Orgulho e Paixão"):
O romance do italiano desbocado com a sua Baronesinha não estava previsto no roteiro da primorosa novela de Marcos Berstein. Na verdade, até estava. Mas seria apenas um rápido conflito para par "oficial": Jorge (Murilo Rosa) e Ema. Todavia, a relação cheia de tapas e beijos conquistou o público e o casal virou um dos trunfos da história, dividindo o protagonismo com os irmãs Benedito. Rodrigo Simas e Agatha Moreira transbordaram química e a música "Ficar", de Anavitória, combinou lindamente com o par.



Clara e Patrick ("O Outro Lado do Paraíso"):
A novela de Walcyr Carrasco foi o maior fenômeno do ano e a cumplicidade da mocinha vingativa com o seu advogado logo despertou torcida por um romance. Os laços cada vez mais fortes acabaram virando uma linda história de amor, após muitas vinganças e planos contra os seus inimigos. O autor adiou o quanto pôde a primeira transa do par e só a exibiu no último capítulo. Mas a espera valeu a pena e a sequência protagonizada por Thiago Fragoso e Bianca Bin elevou a temperatura do final da trama.


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Sucesso de "Malhação - Viva a Diferença" ainda rende frutos para a Globo

O sucesso de "Malhação - Viva a Diferença" ainda rende frutos. A temporada de maior audiência do seriado adolescente desde 2009 chegou ao fim em março, com 21 pontos de média, e deixou um gosto de quero mais. Isso porque, embora neguem, a trama foi encurtada pela Globo em um mês por causa da Copa do Mundo. A história muito bem escrita por Cao Hamburger conquistou o público com a saga de cinco garotas totalmente diferentes que criaram um vínculo de amizade lindo. A produção foi indicada ao Emmy Internacional Kids em outubro e a boa notícia é que agora vai virar série.


Vários veículos divulgaram a boa nova na segunda feira (26/11). O autor está trabalhando nos episódios de um revival chamado "As Five", como ficaram conhecidas as protagonistas Benê (Daphne Bozaski), Lica (Manoela Aliperti), Tina (Ana Hikari), Keyla (Gabriela Medvedovski) e Ellen (Heslaine Vieira). As gravações devem começar no próximo trimestre e a série será exibida primeiro na plataforma Globo Play, serviço de streaming da emissora. Depois fará parte da programação da tevê aberta, ao que tudo indica ainda em 2019.

A nova produção vai mostrar as vidas das cinco garotas após uma passagem de tempo. Anos depois e já jovens adultas, elas vão se reencontrar no enterro de Mitsuko (Lina Agifu), mãe de Tina, e terão que reaprender a conviver porque suas vidas mudaram muito. Vale lembrar que no final de "Viva a Diferença", as meninas reafirmaram o pacto de amizade que as uniram na temporada, mas seguiram rumos distintos.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Primorosa, "Malhação - Viva a Diferença" honrou seu subtítulo e será eternamente lembrada pelo conjunto de qualidades

Assim que estreou, no dia 8 de maio de 2017, "Malhação - Viva a Diferença" deixou a melhor das impressões. Pela primeira vez na história do seriado adolescente não havia um casal protagonista e, sim, cinco meninas totalmente diferentes que se conheceram em um vagão de metrô, inciando um laço futuramente indestrutível graças ao parto de uma delas. O nascimento do pequeno Tonico (Danilo Castro de Souza), ao som de Trem Bala (cantada por Ana Vilela), marcou o primeiro capítulo, arrebatando o público imediatamente, que logo se apaixonou pela forma como o quinteto central se conheceu. Uma promissora fase se anunciava.


E a promessa de uma grande história acabou sendo cumprida ao longo dos meses. A estreia de Cao Hamburger como autor solo na Globo se mostrou a melhor possível, após brilhantes trabalhos na TV Cultura, como o icônico "Castelo Rá-Tim-Bum" (1994/97), "Um Menino Muito Maluquinho" (2006), "Pedro & Bianca" (2012) e "Que Monstro Te Mordeu?" (2014). O escritor até já tinha trabalhado na Globo escrevendo a série "Cidades dos Homens", em parceria com outros roteiristas, entre 2002 e 2005, além de ter sido redador dos infantis "Disney Club" e "Disney Cruj" (1997 - 2002) no SBT. Acostumado a escrever para crianças, ele mostrou ter total habilidade para representar o mundo jovem e construir adolescentes reais, sem fantasiar ou fugir de temas mais densos.

Além da ousadia em ter cinco meninas protagonizando seu enredo e não um casal, Cao ainda trouxe a trama para São Paulo, após 24 temporadas tendo o Rio de Janeiro como ambientação. Essa mudança pode parecer boba, mas ajudou bastante para ''oxigenar'' o formato, principalmente através de vários diálogos tendo gírias paulistas sendo usadas, como o termo "treta" para se referir a brigas, pouco utilizada pelos cariocas.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Penúltimo capítulo de "Malhação - Viva a Diferença" emociona e tira o fôlego do telespectador

Resta apenas um capítulo para "Malhação - Viva a Diferença" fechar seu ciclo. E Cao Hamburger reservou momentos eletrizantes e emocionantes para esse final de temporada, fazendo jus ao imenso sucesso que a trama fez ao longo dos onze meses de exibição. O penúltimo capítulo presenteou o público com uma sucessão de ótimas cenas que merecem todos os elogios.


Em plena campanha da valorização do ensino público ---- a propaganda exibida no capítulo desta quinta-feira (01/03) passou a ser exibida em toda a programação da Globo -----, o autor resolveu tocar na ferida da ignorância e do conservadorismo através da difamação de Malu (Daniela Galli), que espalhou "Fake News" na internet com o intuito de destruir o colégio Cora Coralina. As fotos tiradas por K2 (Carol Macedo) resultaram em uma ira homofóbica --- em virtude do beijo de Lica (Manoela Aliperti) e Samantha (Giovanna Grigio) --- e depreciadora dos métodos de ensino de Dóris (Ana Flávia Cavalcanti).

A situação, obviamente, remeteu ao Movimento Brasil Livre, que iniciou uma intensa campanha contra uma exposição em um museu ano passado, chamando um dos artistas de pedófilo. E, na ficção, após muitas notícias falsas, houve depredação na escola pública, com direito a pichações e cartazes condenando "viados", "pornografia infantil", entre outros.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A sina de "Malhação"

Mais uma temporada de "Malhação" (cujo nome foi "Malhação - Viva a Diferença") está chegando ao fim. O seriado adolescente, que completou 20 anos em 2015, segue revelando talentos e ocupando o posto de uma das produções mais longevas da Globo. Porém, há uma espécie de sina que vem perseguindo o formato desde 2010: uma temporada ótima é sempre substituída por uma muito ruim. Claro que a conjuntura é apenas uma mera coincidência. Todavia, é algo que, involuntariamente, desperta atenção.


Entre 2002 e 2004, por exemplo, foi possível observar a alternância de qualidade entre uma estreia e outra. A fase de 2002 foi protagonizada por Juliana Silveira (Júlia) e Henri Castelli (Pedro), entrando para a lista de melhores temporadas do seriado. A trama tinha um enredo principal forte (famílias que passaram a se odiar em virtude de um erro médico) e um casal protagonista repleto de química. A vilã vivida por Bárbara Borges (Thaíssa) também era ótima, assim como os núcleos paralelos, vide a dupla cômica formada por Maumau (Cauã Reymond) e Cabeção (Sérgio Hondjakoff). Fez um merecido sucesso.

Já a temporada substituta, a de 2003, decaiu visivelmente. Ao contrário da anterior, o casal principal era insosso. Manuela do Monte e Sérgio Marone não convenceram e todo o drama do par cansava pelo nível de infantilidade. A vilã obsessiva, interpretada por Nathalia Rodrigues, também não empolgou e o conjunto era fraquíssimo.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

"Malhação - Viva a Diferença" retrata homofobia com muita coragem

Em plena reta final (acaba no dia 5 de março), "Malhação - Viva a Diferença", dirigida por Paulo Silvestrini, não cansa de surpreender o público. O autor Cao Hamburger segue explorando os ótimos conflitos da trama de forma competente e agora mergulhou em outro tema de imensa importância e quase nunca abordado no seriado adolescente: a homofobia.


A entrada do irmão de Keyla (Gabriela Medvedovski) no enredo serviu para inserir essa questão, pois o menino não tem problema algum de se assumir gay. Fala com naturalidade e sem nenhuma vergonha, como realmente tem que ser. Esse jeito dele, inclusive, até resultou em momentos cômicos, como a hora em que Roney (Lúcio Mauro Filho) soube pelo filho que não existia nenhuma 'namoradinha' e sim um namorado. Era o início da abordagem em torno da homossexualidade do menino.

Mas o drama de Gabriel (Luis Galves) começou mesmo na escola, despertando a fúria de um grupo de alunos preconceituosos, que se indignaram quando o viram se assumir gay durante um debate em sala de aula ---- promovido pelo professor Bóris (Mouhamed Harfouch) ----, levantando a temática do preconceito.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Irretocável como Benê, Daphne Bozaski é o grande destaque de "Malhação - Viva a Diferença"

"Malhação - Viva a Diferença" vem fazendo um justo sucesso de público e crítica. As razões para tamanho êxito são muitas e uma delas é a escolha certeira do time de protagonistas. Tanto na escalação das atrizes, quanto na construção das cinco personagens. O autor Cao Hamburger e o diretor Paulo Silvestrini foram muito felizes. Entretanto, embora todas as meninas sejam apaixonantes, recheadas de qualidades e defeitos, há uma que sempre se destacou em virtude da sua 'diferença', que acaba sendo mais visível: a fofa Benê.


Daphne Bozaski está simplesmente perfeita na composição primorosa de sua personagem, que tinha o sério risco de virar uma caricatura pouco crível. Afinal, a menina doce, extremamente carente e com aspecto de nerd sofre de Síndrome de Asperger, um grau mais leve de autismo. Esse transtorno neurobiológico é pouco conhecido e o autor acertou em cheio quando o colocou em uma de suas protagonistas. Embora ainda não tenha sido falado claramente na trama, o problema vem sendo exposto através das atitudes da menina.

Benedita tem problemas de convívio social e sempre foi uma pessoa solitária. Tudo mudou quando conheceu Lica (Manoela Aliperti), Ellen (Heslaine Vieira), Keyla (Gabriela Medvedovski) e Tina (Ana Hikari) no metrô, fazendo questão de adicioná-las no WhatsApp, organizando um novo quinteto que se tornou inseparável. Contudo, as dificuldades da frágil menina sempre se mostraram presentes, apesar dessa evolução em torno de um maior vínculo de amizade.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

"Malhação - Viva a Diferença" novamente ousa e surpreende com relacionamento de Lica e Samantha

E não é que "Malhação - Viva a Diferença" começou 2018 com o pé direito? A elogiada temporada de Cao Hamburger, dirigida por Paulo Silvestrini, foi uma das produções mais aclamadas em 2017 e com certeza continuará sendo até março deste ano. Isso porque, após uma sucessão de abordagens bem-sucedidas, ótimos casais e personagens bem construídos, a trama agora vem explorando com sensibilidade a formação de um novo par: Lica (Manoela Aliperti) e Samantha (Giovanna Grigio).


O novo casal do enredo era totalmente inesperado e acabou funcionando, possibilitando vários conflitos interessantes. Afinal, nenhuma das duas é gay. Elas são simplesmente livres. As personagens sempre foram as mais libertárias da atual "Malhação", incluindo o jeito rebelde e até a característica ''pegadora'', ficando com vários meninos sem medo de julgamentos. No entanto, nunca foram próximas. Cada uma tinha seu grupo e algumas vezes até ocorriam provocações. A aproximação começou a ser mostrada recentemente e de forma singela.

Lica voltou de viagem e viu o ex, Felipe (Gabriel Calamari), seguindo a vida e interessado por uma menina de Recife. A relação deles sempre foi deliciosa, mas o rompimento teve mágoas, fruto da traição dela, magoando, inclusive, uma das melhores amigas (Keyla - Gabriela Medvedovski). Já Samantha, após uma fase 'pegando geral', se estabilizou ao lado de Anderson (Juan Paiva).

domingo, 31 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017: os destaques do ano

Após cinco retrospectivas relembrando os artistas que deixaram saudades, os casais do ano, as melhores cenas e as melhores atrizes e atores de 2017, chegou a hora de listar os destaques do ano que passou. A última retrô do blog é sobre as produções que mais marcaram ao longo desses doze meses e foram vários trabalhos admiráveis que merecem menção. Vamos a eles.






"A Força do Querer".
Após o fracasso de "A Lei do Amor" e da instabilidade do horário nobre desde o fiasco de "Babilônia", a Globo estava temerosa em torno do futuro de sua faixa mais importante. Porém, Glória Perez chegou e exibiu sua melhor novela da carreira. A trama fez um imenso sucesso e teve uma média geral de 36 pontos, empatada com "Amor à Vida", última novela de grande êxito do horário pós-"Avenida Brasil". Com exceção de Fiuk, o elenco foi muito bem escalado e os personagens caíram no gosto do público, assim como os conflitos muito bem desenvolvidos pela autora em torno de Bibi Perigosa, Jeiza, Zeca, Ritinha, Silvana, Ivan e companhia. A abordagem do vício em jogos e da transexualidade foi precisa, assim como o foco em torno do trabalho da Policia Militar. Claro que defeitos ocorreram e o último capítulo ficou corrido demais, porém, o saldo final foi excelente. Destaque para a direção de Rogério Gomes e desempenhos de Juliana Paes, Paolla Oliveira, Elizângela, Isis Valverde, Marco Pigossi, entre outros.




"Novo Mundo".
A primeira novela de Alessandro Marson e Thereza Falcão como autores titulares não poderia ter sido melhor. A trama das seis encantou o público e fez um merecido sucesso de público e crítica, mesclando acontecimentos históricos e personagens que fizeram parte de momentos importantes do Brasil com perfis e dramas tipicamente folhetinescos. O resultado foi uma produção caprichadíssima e repleta de grandes cenas, incluindo momentos de lutas coreografadas e batalhas empolgantes. Vinícius Coimbra dirigiu a trama brilhantemente e Letícia Colin deu show como Leopoldina, assim como Caio Castro de Dom Pedro, Felipe Camargo de José Bonifácio, entre outros. Isabelle Drummond e Chay Suede formaram um lindo casal de mocinhos, enquanto Vivianne Pasmanter, Guilherme Piva e Ingrid Guimarães divertiram com Germana, Licurgo e Elvira. Merece o Emmy Internacional em 2018. 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017: as melhores cenas do ano

Mais um ano está chegando ao fim e novamente o telespectador foi presenteado com várias cenas grandiosas da nossa teledramaturgia. Momentos marcantes de novelas, minisséries e séries emocionaram, impactaram ou divertiram o telespectador ao longo de 2017. E muitas sequências merecem menção, relembrando o show dos atores, a competência da direção e o talento dos escritores. Vamos a elas.





Zana se despede dos filhos, mas só deixa Yaqub ir embora em "Dois Irmãos":
A preferência da mãe passional, na trama escrita por Maria Camargo, adaptada da obra de Milton Hatoum, foi sacramentada nessa marcante cena, destacando o talento dramático de Juliana Paes, que emocionou com o olhar, expondo o sentimento doentio daquela mulher. Muito antes de surgir da Bibi em "A Força do Querer", outro tipo cego de amor que a intérprete viveu.




Zana e Halim discutem feio em "Dois Irmãos":
O casal principal da trama tinha uma linda história de amor, mas tudo começou a ruir com o nascimento dos gêmeos. O amor exagerado que Zana tinha por Omar era a principal razão para todas as brigas e essa discussão se deu logo após uma transa do par, destacando Antônio Calloni e Juliana Paes na segunda fase do enredo. Os dois brilharam em cenas complicadas e que continham nudez.



quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017: os melhores casais do ano

Ao contrário de todos os sites e blogs, que optam em apenas selecionar os destaques e os piores do ano, o De Olho Nos Detalhes também engloba outras categorias nas listas de retrospectivas. E um dos diferenciais do meu modesto espaço é listar os melhores pares românticos das tramas. Em 2017 tivemos casais apaixonantes em vários horários e vale citar todos os romances da ficção que apaixonaram o público, promovendo um festival de 'shippagem' (termo usado na junção dos nomes dos pares). Vamos a eles.





Jeiza e Zeca ("A Força do Querer"):
O sucesso de Glória Perez teve muitos casais convidativos e o de maior destaque do enredo era, sem dúvida, protagonizado pelo marrento e pela policial militar, que também era lutadora de MMA. A autora nem esperava tamanho êxito do par, aumentando o destaque do romance e atrasando o envolvimento dela com Caio (Rodrigo Lombardi). A química entre Marco Pigossi e Paolla Oliveira foi gigantesca e as cenas deles sempre soltavam faísca.




 Anna e Joaquim ("Novo Mundo"):
Os autores Alessandro Marson e Thereza Falcão aproveitaram a química entre Chay Suede e Isabelle Drummond na primeira fase de "A Lei do Amor", os transformando em mocinhos da irretocável novela das seis, que fez um merecido sucesso de público e crítica. O valente Joaquim e a empoderada Anna Millman formaram um lindo par e a sintonia entre eles era visível o tempo todo, protagonizando sempre cenas delicadas e típicas de romances água com açúcar das 18h.


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

"Malhação - Viva a Diferença" trata temas importantes com propriedade e competência

Além do ótimo elenco, personagens ricos e boa condução do enredo, Cao Hamburger vem acertando em outro ponto com a sua deliciosa "Malhação - Viva a Diferença": a abordagem cuidadosa de vários temas importantes. Racismo, gravidez na adolescência, autismo, uso de drogas, alcoolismo, abuso sexual, direitos humanos, assexualidade, problemas de uma escola pública, automutilação, enfim, não faltam situações exploradas ao longo da temporada, sempre tendo perfis complexos como protagonistas dos mesmos.


Não é fácil inserir tantas temáticas em um enredo ficcional sem parecer gratuito ou forçado, mas o autor vem conseguindo com louvor. Todos os dramas estão inseridos no contexto, complementando os conflitos da trama e deixando os personagens ainda mais cativantes, despertando atenção de quem assiste. A primeira situação abordada foi a gravidez na adolescência, através de Keyla (Gabriela Medvedoski), que pariu em pleno metrô de São Paulo, implicando na aproximação das cinco protagonistas.

Os problemas da menina em criar um filho sem pai e em época escolar foram o foco do começo da temporada, servindo para reforçar cada vez mais o elo do quinteto central, uma vez que todas ajudavam nos cuidados com o pequeno Tonico. Aos poucos, essa dificuldade de Keyla foi cedendo espaço para outras, que eram inseridas com o intuito de destacar outros personagens.