terça-feira, 9 de julho de 2024

"O Jogo que Mudou a História" tem show de sangue, violência e realidade

 Rio de Janeiro, décadas de 1970 e 1980. É para esse período em que o público é transportado em "O Jogo que Mudou a História", série Original Globoplay, inspirada na história de facções reais e mergulhada em realidade. São três as favelas em que a trama se desenvolve, as fictícias Padre Nosso, Parada Geral e Morro da Promessa, e o público pode acompanhar como uma guerra de dentro do presídio de Ilha Grande, outro cenário em destaque, se estende às favelas e invade até mesmo o campo de futebol com uma fatídica e trágica partida. 


Ao longo de 10 episódios, com publicação de dois por semana sempre às quintas-feiras, diferentes tramas se entrelaçam. A trajetória dos múltiplos personagens, heróis e anti-heróis, oscila em conflitos internos e externos. Para contar a história de como o crime organizado surgiu no Rio de Janeiro, a trama, com toda sua intensidade, começa apresentando parte dos seus protagonistas, em um dos cenários de maior destaque da narrativa, o presídio em Ilha Grande. Dois novatos nesse ambiente conhecem as regras desse violento universo junto com o público: Egídio (Ravel Andrade), um jovem sem histórico criminoso ou de militância política que é preso depois de atropelar a filha de um general, e Jesus Pedra (Raphael Logam), um carcereiro iniciante que nem imagina o que lhe aguarda no novo emprego. Desde o primeiro dia, a transformação é inevitável para ambos.

 Na prisão, dois grupos comandam o lugar, de um lado a falange "Jacaré"; e do outro, a "Turma do Fundão", a futura “Falange Vermelha”, composta por presos políticos e assaltantes de banco, como Chico da Cavanha (Rômulo Braga), Rosevan (Bukassa Kabengele), mais conhecido como Mestre, e Hoffman (Babu Santana). Referência para os companheiros, o Mestre também sonha em voltar a morar com sua esposa e os filhos. Dentro de um cenário masculino tomado por contradições, surge uma potência feminina, Irmã Emily, interpretada pela atriz franco-americana Alli Willow. A freira não mede esforços para auxiliar e defender os direitos dos presos. Idealista, além de ensinar a ler e escrever, quer ajudar na modernização e humanização dos presídios com base nos modelos internacionais. Entre os presos com quem ela tem mais afinidade, Belmiro (Jailson Silva), um ex-policial que cumpre pena há duas décadas e tem um passado marcado por truculência. Nesses anos todos, jamais alguém da família lhe prestou uma visita. Falta pouco para ele conquistar liberdade e seu primeiro desejo é refazer sua vida.
 
Do lado de fora do presídio de Ilha Grande, o choque entre os dois grupos dominantes também repercute e a “Falange Vermelha” ganha um forte aliado: o famoso Gilsinho (Jonathan Azevedo), carismático líder do tráfico no Morro da Promessa. Dono de um pensamento estratégico e com sua afeição pelos moradores da favela, se transforma em uma figura mítica. As consequências do embate dentro da prisão também influenciam na rotina de favelas que antes conviviam em harmonia e agora pertencem a facções rivais, como é o caso de Parada Geral e Padre Nosso. Esta última, tem como líder comunitário Amarildo (Pedro Wagner), disposto a fazer de tudo para manter a paz e afastar a violência do local. Durante a trama, um reencontro dele com seu irmão, Belmiro (Jailson Silva), promete reviravoltas em sua vida. Enquanto isso, em Parada Geral, um morador arranca elogios por onde passa, seja por sua beleza ou pelo desempenho dentro de campo: Gegê (Samuel Melo). Craque do time de futebol, deseja uma chance entre os grandes clubes cariocas. Uma dupla de melhores amigos também acompanha o início da rivalidade entre as favelas vizinhas. Os adolescentes Binho (João Fernandes), neto de Amarildo, e Renatinho (Fabrício Assis), sobrinho de Gegê, moram em lados opostos e se conhecem desde a infância. Se a rotina de todos já estava estremecida, quando a guerra do tráfico invade o campo, a história pode mudar para sempre. Durante uma emblemática partida de futebol entre os times, a disputa foi muito além do esporte e do apito final, eclodindo uma duradoura e intensa guerra. 
  
Repleto de sequências de ação e efeitos, ‘O Jogo que Mudou a História’ ganha ainda mais veracidade com locações reais, como o presídio Bangu 1 e as favelas Vigário Geral, Parada de Lucas, Dique, Parque Analândia, Rocinha e Complexo da Pedreira, todas no Rio. A trama é uma nova parceria do Globoplay com a AfroReggae Audiovisual, responsável também pelas séries de sucesso ‘Arcanjo Renegado’, ‘A Divisão’ e ‘Betinho: No Fio da Navalha’. O elenco também reúne nomes como Vanessa Giácomo, Claudia Mauro, Tatiana Tiburcio, Kizi Vaz, Talita Younan, Giulia Tavares, Juliane Araújo, Ana Isabela Godinho, Elizia Gomes, Maha Sati, Álamo Facó, Sergio Laurentino, Leo Bahia, Breno de Filippo, Nicollas Paixão, Diego Raymond, Rogério Blank, Julio Levy, Marcio Borges, Gilson da Maia, Eduardo Dorneles, Patrick Bruno, Leonardo Xavier, além das participações especiais de Otavio Muller, Julio Andrade, Leonardo Bricio, Natália Lage, Marcelo Serrado, Marcello Melo, Wilson Rabelo, Jimmy London, Pretinho da Serrinha, Lucio Mauro Filho e André Mattos. 

A série não é para quem tem estômago fraco. O primeiro episódio já é um festival de sangue, ferocidade, decapitação, estupro grupal, entre outras situações imensamente incômodas. E não vai aliviando ao longo dos episódios. É tudo bem pesado, ainda que tenha um ou outro breve momento com uma certa leveza e até humor. Mas é uma história que ainda nunca tinha sido contada, de fato, sobre um acontecimento que mudou o país para sempre. Até hoje as consequências de erros crassos do passado seguem vivas e dilacerando a sociedade brasileira. Ao contrário do que pode parecer, a trama não transforma os marginais em heróis ou santos. É tudo mostrado sem aquele maniqueísmo tão conhecido em filmes, como o clássico "Tropa de Elite". Não tem bonzinho de nenhum lado. As cenas são defendidas por um elenco repleto de talentos, onde todos conseguem destaque, ainda que uns mais e outros menos. Babu Santana vive um de seus melhores momento na carreira na pele de um sujeito que amedronta e ao mesmo tempo transmite confiança; Jonathan Azevedo imprimiu um dose de ironia deliciosa no seu Gilsinho (inspirado no bandido Escadinha); Ravel Andrade convence na pele de Egídio; Alli Willow é uma grata surpresa interpretando a freira Emily; enquanto a parceria entre as sempre talentosas Vanessa Giácomo e Talita Younan funciona como um bônus ao conjunto tão harmonioso. 

Com criação e produção de José Junior; direção geral de Heitor Dhalia; direção de Heitor Dhalia, Matias Mariani e Claudio Borrelli; com redação final de José Junior e Gabriel Maria; e roteiro de José Junior, Gabriel Maria, Clara Meirelles, Bruno Passeri, Manaíra Carneiro e Bruno Paes Manso, "O Jogo que Mudou a História" é uma produção da AfroReggae Audiovisual e da Paranoid que esbanja qualidades e cospe na cara do telespectador muito sangue, violência e realidade.

4 comentários:

Marly disse...

A série parece muito interessante e com toques de realidade. Tenho evitado trabalhos que mostram muita violência e brutalidade, mas vou tentar ver essa obra.

Beijão e boa semana

Sérgio Santos disse...

Tambem nao curto cenas explicitas, Marly.

Jovem Jornalista disse...

Achei o primeiro episódio muito violento. Não sei se vou dar conta de acompanhar o restante dos episódios.

Boa semana!

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Até mais, Emerson Garcia

Anônimo disse...

Excelente série vale muito assistir!