sábado, 24 de dezembro de 2011

A Vida da Gente: uma novela em que o homem não tem vez

A trama da talentosa Lícia Manzo continua ótima de se ver. Difícil não se envolver com os personagens. A autora escreve uma história tão realista e humana, que acabou criando torcedores fervorosos que defedem Ana e Manuela com unhas e dentes. Mas a novela tem pecado em um ponto: há um favorecimento explícito das figuras femininas e desvalorização clara das figuras masculinas.

Praticamente todos os homens da novela são inferiores às mulheres. Jonas, por exemplo, vivido pelo talentoso Paulo Betti, já demonstrou que a honestidade não é muito a sua praia. Além, claro, de ignorar seus filhos e toda a sua família. Seu fiel escudeiro, Klebber (Tadeu di Pietro), é um bocó. Mas é importante destacar que as cenas protagonizadas pelos atores são muito divertidas.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Esquenta!: uma desorganização organizada

Desde a ida de Fausto Silva para a Globo, que a emissora tinha o cada vez mais desgastado "Domingão do Faustão" como o único programa de auditório aos domingos. Mas com o crescimento da tão falada classe C, a empresa acabou investindo em uma atração que foi criada claramente para esse público: o "Esquenta!".

O programa era para ter sido um especial, mas, devido ao sucesso, acabou recebendo mais atenção e passou a ser exibido em regime de curtas temporadas. Regina Casé, além de boa atriz é uma ótima apresentadora. Até aí nenhuma surpresa. Basta se lembrar do seu bom desempenho em programas como o "Brasil Legal" (1995), "Muvuca" (1999), "Um pé de quê?" (2001) e "Central da Periferia" (2006). A apresentadora sabe como ninguém se comunicar com o povão, como a própria gosta de dizer.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Portugal é aqui

Que o Brasil é o país das novelas, todos sabemos. É referência em todo o mundo e merecidamente, diga-se. Um dos países que mais admiram e consomem a nossa teledramaturgia é Portugal. Os portugueses as acompanham graças a um acordo da Rede Globo (principal produtora do gênero) com a SIC --- emissora portuguesa que também tem um núcleo de dramaturgia. E por isso mesmo não é por acaso que temos visto vários atores portugueses marcando presença em nossas produções.

É bem verdade que essas participações acontecem há muito tempo. Em 1970 --- época em que a SIC nem sonhava em existir (foi criada em 1994) --- , os atores portugueses Laura Soveral e Tony Correira participaram da novela "O Casarão" (Globo). O ator ainda marcou presença em outras novelas como "Locomotivas" na Globo e "Aritana" na Tv Tupi, até voltar para Portugal e só retornar ao Brasil anos depois em pequenas participações.

domingo, 11 de dezembro de 2011

As paixões que A Vida da Gente desperta

Apesar de ainda enfrentar dificuldades nos números de audiência (embora tenham apresentado uma boa melhora, os índices andam abaixo do esperado), "A Vida da Gente" conseguiu um feito e tanto através de sua história bem contada: envolver os telespectadores e despertar uma paixão que muitas vezes beira o fanatismo.


Com o despertar de Ana (Fernanda Vasconcellos), a relação de Manuela (Marjorie Estiano) e Rodrigo (Rafael Cardoso) ficou estremecida. A história central da novela viveu seu ápice nos últimos capítulos quando a ex-tenista descobre através de Eva (Ana Beatriz Nogueira) que sua irmã estava casada com o amor de sua vida.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Está na hora de Aquele Beijo mostrar a que veio

A novela do talentoso Miguel Falabella ainda não atingiu a meta para o horário das 19h. Vem marcando em torno dos 27/28 pontos. Nada de desesperador, uma vez que essa dificuldade inicial ocorre em quase todas as obras. O que chama atenção até agora é a falta de acontecimentos de grande relevância na trama. A novela está longe de ser arrastada, mas os núcleos parecem não sair do lugar.

O envolvimento do casal protagonista até agora não aconteceu. Cláudia e Vicente estão comprometidos com seus respectivos parceiros e os conflitos que os rodeiam não são muito empolgantes. Giovanna Antonelli está ótima no papel e Ricardo Pereira tem apresentado seu melhor desempenho até então, mas boas atuações não se garantem sozinhas sem uma situação que realmente desperte um interesse.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Oscar Freire 279: ótima opção para uma segunda-feira à noite

Faz algum tempo que o canal pago Multishow tem optado pela exibição de várias séries nacionais e a maioria voltada para o humor. Algumas são interessantes, como "Adorável Psicose", estrelada pela talentosa Natália Klein (a Nikita de "Macho Man"), por exemplo, e outras nem tanto, como a já encerrada "Será que faz sentido?" protagonizada pelo Felipe Neto.

Mas a série produzida pela emissora que tem se destacado pela qualidade é "Oscar Freire 279". Não é uma história cômica, ao contrário da maioria das produções da casa, e sim um drama vivido pela protagonista Dora (Livia de Bueno, uma grata revelação e totalmente entregue ao papel).

domingo, 27 de novembro de 2011

Malhação: um caso perdido?

A atual fase da "Malhação", que apresenta 'conectados' como subtítulo (e a primeira crítica sobre a temporada você pode ler aqui), enfrenta a pior crise de audiência da sua história. Vem marcando em torno dos 15 pontos e em dias considerados produtivos chega a atingir 18 na média geral. Índices críticos.

Para melhorar esses dados preocupantes várias mudanças no enredo original foram feitas. O telespectador que estava acompanhando com interesse a trama envolvendo a paranormalidade do protagonista (Gabriel - Caio Paduan) --- além dos mistérios envolvendo o número 1046 --- ficou a ver navios. Após ouvirem os grupos de pesquisa da emissora, constaram que essa temática ousada foi rejeitada e seria a causa principal da queda brusca de audiência. Resultado: parte do tema foi solucionado com mais rapidez e o restante dos possíveis mistérios foi jogado para debaixo do tapete. Agora optaram pela volta da mesmice. Os eternos triângulos amorosos e conflitos mais bobildos começaram a ter mais ênfase. Pela busca de um ibope maior a qualidade e a inovação foram deixadas de lado.

domingo, 20 de novembro de 2011

Casos de Família: quando o passado não condena

"O teu passado te condena" é uma frase muito aplicada ao cotidiano de todos. Ela costuma vir à tona quando a pessoa quer intimidar a outra, mostrando que se hoje é ela respeitada, em uma passado distante não era bem assim. Claro que vários programas de televisão se encaixam nessa expressão tranquilamente. Mas o "Casos de Família" pode ser considerado uma das exceções a essa regra.

Quando estreou em 2004, no dia 17 de maio, o programa era apresentado pela competente Regina Volpato. A atração sempre se baseou em contar os problemas que convidados estavam atravessando --- traições, pensões atrasadas, violência doméstica, briga de vizinhos etc --- e havia a interferência da plateia através de perguntas e questionamentos, além de uma opinião final de uma psicóloga (Anahy D`Amico).

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Vida da Gente emociona sem fazer esforço

Após 45 capítulos, "A Vida da Gente" teve a sua tão esperada passagem de tempo. Antes desse fato acontecer, a novela teve uma clara diminuição de ritmo. Mesmo assim, ao contrário do que acontece com as fatídicas 'barrigas' da maioria das novelas, não vimos diálogos avulsos ou cenas desnecessárias. Tudo que era mostrado tinha um objetivo específico. Tanto para mostrar o início da linda relação de amor entre Manuela (Marjorie Estiano) e Rodrigo (Rafael Cardoso); quanto pelos demais acontecimentos envolvendo Vitória (Gisele Fróes), Marcos (Ângelo Antônio), Dora (Malu Galli), o estado de coma de Ana (Fernanda Vasconcellos), o início do próspero negócio de Manu e Maria (Neusa Borges), enfim.


Lícia Manzo criou uma história tão linda e tocante que conquista facilmente o telespectador, e o 'mergulha' naquela gama de sentimentos em que os personagens estão envolvidos. Os atores, obviamente, também são grandes responsáveis por isso. Não há um só capítulo que não se tenha ao menos uma cena que emocione a todos que estão assistindo.

domingo, 13 de novembro de 2011

O problema do Zorra Total é a repetição

No dia 25 de março de 1999, estreou na Rede Globo um programa que tinha como objetivo ser uma espécie de "A Praça é Nossa" da emissora. Escolheram um nome que qualifica muito bem a atração : "Zorra Total". Vários humoristas da casa se reuniram e nos apresentavam pequenas cenas (esquetes) --- e normalmente com um bordão incluído para cada personagem. Apesar de ter sofrido algumas reformulações ao longo do tempo, essa característica permanece até hoje.

Desde a sua estreia, o "Zorra Total" vem nos apresentando um tipo de humor que é constantemente criticado. Apesar das duras críticas, a atração sempre foi um sucesso de audiência. Nunca se viu ameaçado pela concorrência (embora a mesma nunca tenha tido competência para enfrentá-lo de igual para igual), e é o programa humorístico que mais gera repercussão no país. Vários talentos já foram revelados ali.