sábado, 4 de maio de 2019

Herson Capri deu show e saída precoce de Aziz é um risco para "Órfãos da Terra"

A atual novela das seis de Duca Rachid e Thelma Guedes estreou na Globo com imagens belíssimas, direção primorosa de Gustavo Fernández, atrativos personagens e ritmo ágil. Até o momento "Órfãos da Terra" vem mantendo todas essas qualidades, prendendo o público através de ótimas cenas e bons acontecimentos. E um dos principais acertos do enredo foi o vilão Aziz Abdallah, interpretado com maestria por Herson Capri.


O poderoso sheik que se encantou por Laila (Julia Dalavia) transbordou maniqueísmo. Era o típico malvado sem qualquer camada ou nuances. Honra a expressão "mau feito um pica-pau". Sua única 'fraqueza' era o amor genuíno que sentia pela filha, Dalila (Alice Wegmann), e ainda assim tal sentimento nunca o impediu de cometer atrocidades, como assassinar Soraia (Letícia Sabatella), a sua primeira esposa, por conta do adultério cometido pela mãe de sua herdeira.

O papel só poderia ser vivido por um ator experiente, pois o risco de cair no exagero, até por se tratar de um perfil naturalmente caricato, era grande. E Herson foi uma escalação certeira das autoras. O intérprete dominou o personagem logo no início e se sobressaiu na história sem fazer esforço assim que surgiu em cena.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

"Sob Pressão" estreia terceira temporada com as qualidades de sempre

A melhor série produzida pela Globo em anos estreou sua terceira temporada nesta quinta-feira, dia 2, após uma leva de elogios de público e crítica em 2017 e 2018. A trama baseada no filme homônimo, exibido em 2016 e criado em cima do livro "Sob Pressão - A rotina de guerra de um médico brasileiro" (escrito por Márcio Maranhão), se mostrou um acerto em todos os aspectos e o terceiro ano da produção era bastante aguardado.


Não por acaso, o anúncio do encerramento da série em 2019 provocou indignação na imprensa especializada e nos telespectadores. Afinal, o caos na saúde pública brasileira rende infinitos conflitos e os próprios envolvidos no projeto ---- como o autor Lucas Paraizo e o diretor Andrucha Waddington ---- confirmam isso. O mistério envolvendo a estranha decisão da Globo vai continuar por um bom tempo, mas, deixando esse fato um pouco de lado, a estreia da nova temporada manteve todas as qualidades que fizeram da produção um imenso sucesso.

A rotina caótica de Evandro (Júlio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) não acabou, apenas mudou de endereço. O casal agora passa por uma nova experiência. Com o fechamento do hospital público Luiz Carlos Macedo (o Macedão), na zona norte do Rio de Janeiro, e diante da prática de anos no atendimento a casos de emergência, os médicos são contratados para trabalhar no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

terça-feira, 30 de abril de 2019

Débora Falabella e Mariana Ximenes brilharam em "Se Eu Fechar os Olhos Agora"

A minissérie de dez capítulos, escrita por Ricardo Linhares e adaptada do romance de Edney Silvestre, foi um produto muito bem cuidado. "Se Eu Fechar os Olhos Agora" --- encerrada nesta terça, dia 30 --- apresentou um texto inteligente, fotografia de encher os olhos, figurinos e caracterizações impecáveis, personagens dúbios convidativos e ainda teve um elenco escalado com competência. Duas atrizes, por sinal, se destacaram com perfis que representavam os opostos: Débora Falabella e Mariana Ximenes.


Isabel e Adalgisa eram figuras importantes da sociedade da fictícia São Miguel, cidade interiorana do Rio de Janeiro de 1961. A primeira era a elegante primeira-dama, mulher do poderoso prefeito Adriano (Murilo Benício), e a segunda estava casada com o influente empresário Geraldo (Gabriel Braga Nunes), homem que comandava todos ao seu redor através da fortuna de seus negócios. E ambas eram amigas confidentes, ainda que os segredos mais profundos jamais tenham sido revelados.

A esposa do prefeito sempre foi muito bem vista pela população e seu recato era admirado. Já a mulher do empresário despertava olhares tortos em virtude de suas vestimentas mais ousadas e comportamento nada "propício" para damas da época. O irônico do contexto era o 'pecado' que as duas tentaram esconder.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Público faz justiça com "Espelho da Vida" no "Prêmio Extra" de Televisão


A novela elogiada de Elizabeth Jhin, encerrada no dia 1 de abril, até hoje deixa saudades. Os fãs fiéis que  “Espelho da Vida” conquistou através de sua ousada história que mesclou habilmente viagem no tempo e espiritismo, então, resolveram se empenhar na votação do Prêmio Extra de televisão, promovido todo ano pelo Jornal Extra, do Rio de Janeiro. Embora, infelizmente, a premiação não tenha mais evento e muito menos entrega de troféus, em virtude da crise que a mídia impressa vive nos últimos anos, os indicados pelo menos são agraciados com matérias e fotos no jornal. O enredo tão elogiado por público e crítica da autora acabou vencendo seis, das sete categorias em que concorreu.


Essa merecida consagração fez jus ao conjunto da obra e ainda comprovou como a trama fez um imenso sucesso nas redes sociais através de torcidas fervorosas pelos casais e das mil teorias elaboradas pelos telespectadores sobre as viagens através do espelho interdimensional por Cris Valência. Não por acaso, todos os vencedores da novela ganharam com uma vantagem de votos expressiva. Vitória Strada, intérprete da mocinha Cris e de sua vida anterior, Júlia Castelo, ganhou com muita justiça o prêmio de Melhor Atriz com 68,5% dos votos. Ela concorreu com as competentes Alice Wegmann (“Onde Nascem os Fortes” ), Bianca Bin (“O Outro Lado do Paraíso”), Juliana Paiva (“O Tempo Não Para”) , Marieta Severo (“O Outro lado do Paraíso”) e Alinne Moraes (“Espelho da Vida”).  Em apenas seu segundo trabalho na televisão e o segundo vivendo uma heroína, a intérprete mostrou que veio para ficar e a personagem criada pela escritora parece ter sido escrita especialmente para ela --- embora a primeira opção tenha sido Isis Valverde, que precisou abandonar o projeto pela sua gravidez.

Rafael Cardoso ganhou como Melhor Ator com 67,5%, mas concorrida pelo psicopata Renato, no fenômeno "O Outro Lado do Paraíso".Ele concorreu com os ótimos Edson Celulari (“O Tempo Não Para”), Emílio Dantas (“Segundo Sol”), Fábio Assunção (“Onde Nascem os Fortes”), Johnny Massaro (“Deus Salve o Rei”) e “Julio Andrade (“Sob Pressão”).  Nesse caso específico, todavia, é preciso levar em conta a força do fandom “Junilo” que fez toda a diferença.

domingo, 28 de abril de 2019

Os vencedores e os erros costumazes da 61ª edição do "Troféu Imprensa"

O SBT exibiu na noite deste domingo (28/04) a 61ª edição do "Troféu Imprensa". Comandada, como sempre, por Silvio Santos, a premiação contou com Sônia Abrão ("A Tarde é Sua" - Rede TV!), Nelson Rubens ("TV Fama" - Rede TV!), Flávio Ricco (Portal Uol e Diário de São Paulo), Ricardo Feltrin (Portal Uol), Keila Gimenez (R7), Daniel Castro (Portal Uol), Marcelo Bartolomei (Revista Caras e Contigo), Léo Dias ("Fofocalizando") e uma novidade: Maurício Stycer (Portal Uol).


O maior absurdo segue sendo a escolha dos três finalistas para o juri selecionar o vencedor. Todos definidos por votação popular (através do site do SBT e pelo Portal MSN) e isso resulta em situações inacreditáveis. Para culminar, o esquema de selecionar apenas a metade da bancada para escolher o vencedor em cada rodada é equivocado demais. Porém, os responsáveis pela longeva premiação não se importam com nada e dificilmente algo irá mudar.

Um dos completos despautérios da atual edição foi o trio finalista na categoria Melhor Atriz: Adriana Esteves ("Segundo Sol"), Marina Ruy Barbosa ("Deus Salve o Rei") e Sophia Valverde ("As Aventuras de Poliana"). Primeiramente, não há qualquer lógica em uma criança estreante disputar com duas atrizes bem mais experientes. E esse tipo de situação vem se repetindo há anos. A categoria Ator/Atriz Infantil nunca foi criada. A menina está ótima na trama do SBT, mas para concorrer com as colegas, não. Óbvio.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

"Se Eu Fechar os Olhos Agora" é uma adaptação caprichada de um instigante romance

Edney Silvestre sempre foi um grande jornalista e quando se aventurou em sua primeira aventura literária, há dez anos, também ganhou um reconhecimento merecido. "Se Eu Fechar os Olhos Agora" recebeu inúmeros elogios e ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Romance, além de ter feito imenso sucesso em Portugal. O autor Ricardo Linhares, então, resolveu adaptar a obra do amigo para a televisão e a produção já está finalizada desde o início de 2018. Dia 15 de abril, cerca de um ano  depois, estreou na Globo.


A história, ambientada em 1961, começa quando os adolescentes Paulo (João Gabriel D`Aleluia) e Eduardo (Xande Valois) encontram o corpo  da jovem e linda Anita (Thainá Duarte) à margem de um lago. Os dois correm para a delegacia da fictícia e aparentemente pacata São Miguel, mas viram suspeitos sem chance de defesa. Porém, após serem liberados, resolvem investigar esse macabro crime cercado de mistérios que ameaçam o jogo político e social da cidade do interior fluminense. A ousadia da trama, narrada por Paulo já maduro (vivido por Milton Gonçalves), é justamente desvendar um assassinato através de dois jovens que mal saíram da infância.

Dirigida com competência por Carlos Manga Jr., a minissérie tem todos os elementos necessários para prender a atenção de quem assiste e apresenta bem esse conjunto já no primeiro capítulo. A morte da belíssima ''ninfeta" logo promove um reboliço na cidade e expõe lados obscuros de vários personagens aparentemente 'ilibados', como o prefeito Adriano Marques Torres (Murilo Benício) --- um ferrenho defensor da família e da moral ---, a primeira-dama Isabel (Débora Falabella) --- que mantém uma relação de aparências ---,

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Saída de Otaviano Costa expõe despreparo da Globo na área de entretenimento

O comunicado oficial da Rede Globo nesta quarta-feira (24/04) surpreendeu muita gente. A emissora anunciou o desligamento de Otaviano Costa da empresa, após dez anos contratado. Até porque o apresentador acabou de estrear seu novo programa, o "Tá Brincando!", cuja primeira temporada foi exibida entre 5 de janeiro e 16 de março. A segunda, inclusive, chegou a ser confirmada para 2020 na coletiva de lançamento da atração.


Porém, como formato não deu o resultado de audiência que a Globo almejava, a emissora acabou desistindo da continuação ano que vem. O programa se manteve líder e valorizava a terceira idade. Não era um projeto empolgante, mas ao menos cumpriu o que prometeu. No entanto, não foi o bastante. Com esse cancelamento, Otaviano ficou sem projeto na casa (até porque o "Vídeo Show" já foi lamentavelmente extinto) e decidiu não renovar seu contrato que ia até o final de maio. A decisão foi de comum acordo e, segundo consta, saiu da emissora de portas abertas para um retorno futuro.

A questão é a falta de planejamento da Globo na área do entretenimento. Claro que as produções dramatúrgicas não estão incluídas. O problema tem sido na criação de programas. Há apresentadores demais e atrações de menos. Falta espaço até na grade. Com isso, já há uma fila de espera na empresa para o comando de um formato para chamar de seu.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

"Jezabel" apresenta um bom início

"Jesus", novela bíblica da Record que chegou ao fim nesta segunda-feira (22/04), ficou nove meses no ar. Um longo tempo. A trama, escrita por Paula Richard e dirigida por Edgar Miranda, não fez o sucesso esperado, sempre perdeu o segundo lugar para "As Aventuras de Poliana" (do SBT) e a repercussão foi nula. No entanto, conseguiu se manter entre 9 e 10 pontos de audiência, o que não é ruim para os parâmetros da emissora. E o folhetim acabou emplacando nos Estados Unidos, surpreendendo o canal. Agora o objetivo é atrair o público com "Jezabel", nova produção bíblica que estreou nesta terça-feira (23/04).


Interpretada por Lidi Lisboa ---- atualmente também no ar na minissérie "Se Eu Fechar os Olhos Agora", na Globo, na pele da madre Maria Rosa ----, Jezabel é um tipo bem controverso apresentado no Livro dos Reis (um dos livros históricos do Antigo Testamento da Bíblia) como uma sacerdotisa dominadora, potencialmente religiosa e que se denominava porta-voz de Deus. Isso a categorizava como profetisa. Filha do rei dos Sidónios Etbaal, se casou com Acabe para fortalecer as relações entre Israel e Fenícia. Não demorou para sua forte personalidade apagar por completo o marido, promíscuo e fraco.

A história da nova trama da Record, curiosamente chamada pela emissora de macrossérie e não novela ---- resta aguardar a duração do formato para constatar se acertaram ou não na classificação ----, vai abordar todas as camadas dessa rica personagem. Afinal, aparentemente parece uma grande vilã, mas a autora Cristianne Fridman deixou bem claro logo na estreia que o intuito do enredo será humanizá-la.

terça-feira, 23 de abril de 2019

"Verão 90" é uma novela sem história

A atual novela das sete da Globo está há quase três meses no ar. "Verão 90" estreou com uma avalanche de nostalgia através de várias imagens de shows e costumes dos anos 90. Quem era criança ou adolescente na época tem um carinho especial, embora uma parcela dos 'adultos' (ou maduros) daquele tempo despreze um pouco esse conjunto em virtude da moda mais cafona e dos exageros. Porém, Izabel de Oliveira e Paula Amaral não podiam se apoiar apenas no contexto para contar uma história. Era preciso enredo também. E, infelizmente, o que tem sido visto é uma ausência de história.


Logo no primeiro capítulo ficou perceptível uma correria das autoras. A primeira fase, com o trio  protagonista ainda na infância (na década de 80 em uma clima inspirado no auge do "Balão Mágico"), durou apenas um bloco e logo a trama migrou para 1990. A pressa resultou na construção rasa do romance dos mocinhos, Manu (Isabelle Drummond) e João (Rafael Vitti). O próprio conflito em torno do término traumático da Patotinha Mágica soou raso para quase seis meses de folhetim.

No entanto, Izabel e Paula tinham uma carta na manga: a armação de Jerônimo (Jesuíta Barbosa) para incriminar João pela morte acidental de Nicole (Bárbara França) e com isso conseguir se infiltrar na poderosa família Ferreira Lima.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Tudo sobre a coletiva da terceira e última temporada de "Sob Pressão"

A Globo promoveu nesta quarta-feira, 17/04, a coletiva da terceira temporada de "Sob Pressão", série que faz um imenso sucesso e vem ganhando cada vez mais reconhecimento internacional. O evento foi nos Estúdios Globo e a imprensa foi recebida por parte do elenco, equipe e direção. O diretor artístico Andrucha Waddington e o autor Lucas Paraizo abriram o encontro, chamando a exibição de um vídeo com entrevistas do elenco e cenas exclusivas da nova leva de episódios, gravada no segundo semestre do ano passado. Fui um dos convidados e conto aqui tudo sobre coletiva.


O primeiro capítulo da terceira temporada foi exibido e a qualidade da trama segue a mesma. Prendeu a atenção do primeiro ao último minuto. Impressionante como a questão da saúde pública precária do país rende infinitos conflitos. Por isso mesmo todos os jornalistas e blogueiros presentes lamentaram o fim da série. Há fôlego para muitos anos e o próprio Andrucha admitiu isso. Mas, infelizmente, é mesmo o último ano da história baseada no filme homônimo, por sua vez criado a partir do livro de Márcio Maranhão ("Sob Pressão - A Rotina de guerra de um médico brasileiro"), também presente no evento.

Como sempre, a série aborda temas relevantes e atuais do Brasil, conseguindo ligar todas as questões aos problemas da saúde pública. A estreia já explora a greve dos caminhoneiros de forma inteligente e ainda expõe rapidamente a influência tóxica dos traficantes na vida das crianças das favelas. "As questões do país são tratadas na série desde a primeira temporada. Falando de saúde pública, falamos do país como um todo, do micro ao macro", pontuou Andrucha.