quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: os destaques do ano

A última retrospectiva e a última postagem do ano, honrando a tradição do blog, é sobre os grandes destaques de 2015. A Globo não teve sorte no horário nobre, mas em compensação emplacou o maior sucesso das 23h e exibiu duas novelas das seis primorosas. Já a Record conseguiu um êxito jamais alcançado com sua primeira novela bíblica, enquanto o SBT manteve a boa média alcançada com mais uma novelinha infantil. A Band exibiu duas ótimas temporadas do melhor reality culinário do país e o canal a cabo GNT produziu algumas boas séries. Enfim, vamos aos destaques deste ano:






"Verdades Secretas".
A melhor novela do ano e o maior sucesso de 2015. A primeira trama inédita das 23h (após quatro remakes), com 64 capítulos e média de 20 pontos, foi mais um grande acerto do autor Walcyr Carrasco, que repetiu a bem-sucedida parceria com o diretor Mauro Mendonça Filho, cuja direção primorosa foi um dos trunfos do folhetim. A história abordou com maestria uma sucessão de temas polêmicos e pesados, prendendo o telespectador diante da televisão até o começo da madrugada. Prostituição, submundo da moda, sexo, drogas, traição, enfim, foram várias temáticas fortes que permearam o roteiro da novela das onze. Destaque também para o excelente elenco, os dúbios personagens, a bela fotografia, além da trilha sonora de qualidade e dos instigantes conflitos.




"Sete Vidas".
A segunda novela de Lícia Manzo teve apenas 104 capítulos, ficando cerca de quatro meses no ar. E a autora mais uma vez, após a envolvente e impecável "A Vida da Gente" (2012), conseguiu emocionar o telespectador com seu texto repleto de sentimentos e com sua história recheada de personagens totalmente reais. Dirigida por Jayme Monjardim, a trama sobre um navegador solitário e traumatizado, que se via diante de sete filhos desconhecidos, foi fascinante e ainda abordou muito bem as novas formações familiares. O bem escalado elenco soube representar com competência todas as pessoas criadas pela talentosa autora e foi um prazer acompanhar todos os desdobramentos de uma história onde a grande vilã era a vida. O grau de realismo dos dramas era tão alto que muitas vezes o público tinha a sensação de espiar tudo pelo buraco da fechadura. Linda novela e elevou em dois pontos a média do horário.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: as melhores cenas do ano

Como foi um ano de grandes interpretações, automaticamente foi um ano de grandiosas cenas também. Vários atores se destacaram em 2015 (colocados na lista anterior) e foram muitas as sequências merecedoras de aplausos. Quase todas as novelas e séries contaram com bons momentos que merecem ser mencionados em mais uma retrospectiva. Vamos a eles.






Passeio no parque em "Sete Vidas". 
Foi a cena mais linda e tocante do ano. Lícia Manzo escreveu e os atores interpretaram uma delicada sequência, onde os sete irmãos do título se encontraram em um parque de diversões, retomando uma infância não vivida. Isso depois de uma briga séria protagonizada por todos. O momento serviu para uma bonita reconciliação, que resultou em um show de sensibilidade. Isabelle Drummond, Jayme Matarazzo, Thiago Rodrigues, Michel Noher, Ghilherme Lobo e Maria Eduarda de Carvalho emocionaram em meio a uma perfeita trilha sonora ("Reckoner", do Radiohead, em uma linda versão de Vitamin String Quartet). Foi impossível não ter chorado assistindo. 




Condessa finalmente encontra Bernardo em "Além do Tempo".
Irene Ravache protagonizou inúmeras cenas grandiosas na trama de Elizabeth Jhin e essa foi uma delas. O momento em que Vitória, após anos procurando, reencontra o filho desaparecido foi lindo demais. A atriz expôs toda a alegria da personagem só pelo olhar e Felipe Camargo também merece elogios por sua atuação. Apesar do Conde ter sido amarrado por Bento, a delicadeza do momento se fez presente. A cena ainda culminou em uma virada na reta final da primeira fase da história, o que resultou em ótimas sequências posteriores. 

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: as melhores atrizes e os melhores atores do ano

Assim como ocorreu em 2014, foram muitos os intérpretes que brilharam no ano que passou. A teledramaturgia está muito bem servida de atores e atrizes que dignificam a profissão, ainda que nem todas as produções sejam merecedoras de elogios. Vários profissionais se destacaram, esbanjando talento, tanto nas novelas quanto nas minisséries e séries. Portanto, nada mais justo do que listá-los a seguir.


Melhores Atrizes:


1- Irene Ravache.
Um verdadeiro show de atuação. A atriz é uma das melhores e mais respeitadas do país e ganhou uma personagem à sua altura em "Além do Tempo". Ela simplesmente brilhou absoluta na primeira fase da trama de Elizabeth jhin, quando interpretou a amarga e cruel Condessa Vitória Castellini. Elegante e arrogante, a toda poderosa proporcionou uma sucessão de grandes cenas para a intérprete. Agora, na segunda fase, a atriz continua se destacando, mas na pele de uma Vitória mais sofrida e bondosa. Todos os elogios que Irene vem recebendo desde o início deste folhetim são mais do que merecidos.




2 - Marieta Severo.
Após quase 14 anos dedicados ao seriado "A Grande Família", vivendo a doce Dona Nenê, a atriz voltou às novelas em grande estilo. Walcyr Carrasco a presenteou com uma grande personagem e ela soube aproveitar a chance. A ambiciosa e prepotente Fanny Richard era dona de uma agência de modelos e inseria suas 'meninas' no 'mercado' da prostituição. Ainda tinha um romance cercado de interesses com um homem bem mais novo (Anthony - Reynaldo Gianecchini). Marieta se destacou do primeiro ao último capítulo e não poderia ter retornado aos folhetins de forma melhor.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: os melhores casais do ano

Seguindo com a retrospectiva do ano que passou, nada mais justo do que relembrar os melhores casais da ficção. Assim como costuma ocorrer em todos os anos, foram muitos pares que transbordaram química e despertaram torcidas. Claro que os equivocados também existiram, mas esses nem merecem menção. O que vale é a listagem dos romances que engrandeceram os enredos e conquistaram o telespectador.






Lígia e Miguel ("Sete Vidas"): A novela de Lícia Manzo foi um primor e um dos muitos destaques foi o casal protagonista, formado por uma mulher segura de si e um homem complexado. O romance conturbado foi envolvente do primeiro ao último capítulo e os dois não tiveram que enfrentar vilões ao longo da história: o grande impedimento para a felicidade do casal era justamente a vida e todos os traumas que ela causou no sofrido navegador, que se viu no meio de um furacão e cercado por sete filhos completamente desconhecidos. Débora Bloch e Domingos Montagner repetiram a boa química vista em "Cordel Encantado" e combinaram perfeitamente.



Danny Bond e Marília ("Felizes para sempre?"): A prostituta conheceu o amor da sua vida em um programa a três, quando foi chamada para apimentar a relação de um casal que estava em crise. Ela acabou provocando a obsessão de Cláudio (Enrique Diaz) e apresentou a pureza de um sentimento verdadeiro para Marília, mulher que estava a cada dia mais infeliz no casamento. As duas protagonizaram lindas cenas na obra de Euclydes Marinho, onde a cumplicidade se fazia presente em meio a uma trama repleta de podridão e corrupção por todos os lados. O final foi trágico ---- a garota de programa foi assassinada pelo marido do seu amor ----, mas o breve romance foi muito bonito e cheio de sensualidade. Paolla Oliveira e Maria Fernanda Cândido estavam totalmente entregues.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: os artistas que deixaram saudades

Infelizmente, o Brasil perdeu muitos artistas queridos em 2015. Muitos foram derrotados pelo câncer e alguns sofreram outras complicações. Mas, independente das causas, o cenário artístico brasileiro ficou mais pobre com a partida de todos esses grandes profissionais, que fizeram parte da vida do público. A lembrança sempre existirá e a saudade ficará cada vez maior.




Cláudio Marzo (1940 - 2015).
O respeitado ator estava afastado das novelas desde 2007, quando atuou em "Desejo Proibido", trama de Walther Negrão. Foram mais de 35 novelas e quase 40 filmes. Sua rica carreira se mistura com a história da televisão. Ele faleceu em março, aos 74 anos, por conta de um enfisema pulmonar.





Jorge Loredo (1925 - 2015).
O intérprete do querido Zé Bonitinho, um dos personagens mais clássicos do humor nacional, ainda estava na ativa e marcava presença em "A Praça é Nossa", no SBT. Porém, já com a saúde debilitada --- ele lutava há anos contra uma doença pulmonar grave, além de um enfisema ---, faleceu no final de março, aos 89 anos.



sábado, 26 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: os piores do ano

Como tem acontecido nos últimos anos, este blog fará uma retrospectiva de 2015, abordando os piores produtos, os melhores atores e atrizes, as cenas mais marcantes e, claro, os destaques do ano que passou. A seleção é feita exclusivamente por mim e os leitores, como sempre, estão livres para concordâncias e discordâncias. A primeira lista é sempre a dos piores, justamente para que as próximas sejam apenas ressaltando as coisas boas que aconteceram na televisão brasileira. Portanto, está oficialmente aberta a temporada retrô do "De Olho nos Detalhes", começando pelo que houve de ruim na TV.






"Babilônia": A novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, dirigida por Dennis Carvalho, foi o maior fracasso do horário nobre da Globo. Após chamadas promissoras e um primeiro capítulo excelente, a novela foi se mostrando limitada e ainda sofreu várias modificações em virtude da forte rejeição do telespectador, que não gostou de ver logo na estreia um beijo protagonizado por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Mas o problema do folhetim não estava no casal homossexual, e, sim, em toda a sua estrutura, que não conseguiu se sustentar nem por um mês. A história era fraca, a protagonista (Regina - Camila Pitanga) irritante e o duelo das vilãs (Beatriz e Inês), que parecia promissor no início, ficou repetitivo, apesar do ótimo desempenho de Glória Pires e Adriana Esteves. Ainda teve personagem gay que virou hétero e um desinteressante "quem matou?" na reta final. O problemático folhetim foi tão equivocado que afundou a principal faixa da líder, que viu sua audiência migrar para "Os Dez Mandamentos", da Record. Pra esquecer.




"I love Paraisópolis": A trama de Alcides Nogueira e Mário Teixeira começou agradável e parecia uma ótima história. Entretanto, depois do primeiro mês, o enredo se mostrou raso e repleto de esquetes avulsas, que ficaram cansativas com o tempo. O romance de Mari (Bruna Marquezine) e Benjamin (Maurício Destri), que também iniciou atrativo, logo cansou, assim como toda a história da novela (ou a falta dela). O excesso de personagens foi outro incômodo, implicando em muitos atores subaproveitados. Situações que poderiam ter sido abordadas com sensibilidade, como o Mal de Alzheimer de Izabelita (Nicette Bruno), foi deixado de lado e a novela passou a focar em situações esdrúxulas envolvendo mafiosos e cenas toscas, como mortos ressuscitando e fantasmas beijando peixes no mar. A trama não teve problemas de audiência na média geral, mas os índices tiveram uma boa queda nos últimos meses, o que acabou refletindo a reação do público diante da ausência de bons conflitos na história.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Feliz Natal!


Quero desejar aos leitores um Natal cheio de paz, luz, realizações, saúde e felicidades. Obrigado pela presença constante de todos aqui. Tanto os que comentam os textos, como aqueles que apenas leem as postagens. Que o espírito natalino não esteja presente somente neste dia, mas também em todos os outros 364. Afinal, estamos precisando e muito.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Áudio da primeira fase vira um dos trunfos da segunda de "Além do Tempo"

Que Elizabeth Jhin inovou com "Além do Tempo" não há dúvidas. Afinal, transformar duas novelas em uma, e ainda ter coragem de mudar drasticamente uma trama que estava dando tão certo, é para poucos. Porém, a direção de Rogério Gomes e Pedro Vasconcellos também merece menção pela ótima ideia de inserir vários áudios de diálogos marcantes da primeira fase na segunda. O que começou de uma forma mais comedida no início do enredo ambientado em 2015, acabou virando uma marca do folhetim.


A estratégia deixa as situações ainda mais interessantes de serem acompanhadas e muitas vezes provoca um impacto bem maior. Algumas vezes, o áudio é inserido no meio da cena, enquanto os personagens se olham, já em outras é colocado no encerramento do capítulo, enquanto os créditos sobem. A ida para o intervalo, dependendo da cena que acabou de ser exibida em questão, também é contemplada com o som de embates do século XIX, assim como a própria abertura da novela, onde a música tema ("Palavras ao Vento", cantada lindamente por Cássia Eller) é retirada para a inserção dos diálogos mais marcantes da vida passada.

Esta 'mistura' de fases funcionou muito bem no conjunto de "Além do Tempo" e ainda serviu para manter a memória viva de todo o enredo ambientado por volta de 1895. Não que esse recurso fosse necessário para o público se lembrar de tudo o que houve antes, entretanto, funcionou como uma espécie de união do útil ao agradável.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Racismo e a pouca diferença entre ficção e realidade

Em julho deste ano, Maria Júlia Coutinho, que se destacou em 2015 na previsão do tempo do "Hora Um", sendo promovida para o "Jornal Nacional", foi vítima de ataques racistas na internet. Já em novembro, a vítima da vez foi a atriz Taís Araújo. E, poucos dias depois, as atrizes Cris Vianna e Sheron Menezzes foram os novos alvos dos criminosos. Milhares de negros sofrem preconceito todos os dias no país e há séculos, ou seja, nada disso é novidade. Tanto que a teledramaturgia aborda esse assunto constantemente e várias novelas já levantaram a questão, que infelizmente está longe de acabar.


E os casos recentes que aconteceram com as quatro figuras conhecidas mencionadas apenas comprovam que há pouca diferença entre ficção e realidade. Ainda que alguns considerem o tom do racismo explorado em algumas obras 'exagerado' ou 'forçado', a verdade é que o assunto é apenas exposto da forma como ele infelizmente é. E foram muitos folhetins que exploraram a questão racial, tanto que nem tem como citar todos. O preconceito é exibido em função da ficção (retratando também a sociedade, obviamente) desde o surgimento da telenovela e da dramaturgia no geral.

Atualmente, por exemplo, "Além do Tempo" vem abordando o preconceito de uma forma explícita e competente. Na primeira fase da obra de Elizabeth Jhin, ambientada no século XIX, Raul (Val Perré) era um ex-escravo que vivia sendo ofendido por Bento (Luiz Carlos Vasconcelos) e Pedro (Emílio Dantas). Na época, claro, o racismo era vomitado com 'orgulho' e nem era considerado crime.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Os 45 anos de "Chapolin", um dos grandes sucessos de Roberto Gómez Bolaños

No dia 19 de novembro de 1970, ia ao ar pela primeira vez "Chapolin", um dos muitos personagens de sucesso do genial Roberto Gómez Bolaños. A produção mexicana acabou virando uma febre mundial e surgiu, curiosamente, dois anos antes de "Chaves", outro fenômeno (o maior, diga-se) criado pelo ator, roteirista e humorista. Desde então, o 'herói' virou uma febre mundial e até hoje está vivo na memória dos fãs, sendo que muitos deles são brasileiros.


A saga do super-herói mais covarde que já existiu começou na década de 70 e era um quadro do programa "Los Supergenios de la Mesa Cuadrada". Em virtude do imenso sucesso, a produção foi transformada em série e acabou ganhando um horário fixo, com 30 minutos de duração cada episódio. Processo quase igual ao ocorrido com o "Chaves". O formato foi produzido de forma despretensiosa e virou um grande êxito de audiência.

Roberto produziu uma espécie de sátira dos heróis, criando um que era exatamente o oposto de tudo o que os 'salvadores' representavam. Medroso, atrapalhado, convencido, mulherengo e um tanto quanto burro, o Chapolin Colorado sempre enfiava os pés pelas mãos nas suas tentativas de ajudar os inocentes e punir os bandidos.