sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

"Além do Horizonte": um conjunto de erros

Carlos Gregório e Marcos Bernstein definitivamente não foram felizes quando decidiram escrever "Além do Horizonte". Os autores se preocuparam exclusivamente com a trama central e não souberam amarrar bem a história, que peca pela lentidão de acontecimentos e poucos personagens bem construídos. O conjunto de equívocos tem refletido na audiência, que está abaixo de qualquer estimativa mais pessimista.


O capítulo da quarta-feira da semana passada (04/12) chegou a marcar 15 pontos, o pior índice do horário das sete da Globo. A novela chegou a ficar por alguns minutos em segundo lugar, um feito raro, já que até mesmo uma trama fracassada consegue se manter na liderança isolada com certa facilidade. E claro que o horário de verão é uma das causas para essa queda, entretanto, ele apenas ajudou a derrubar números que já estavam abaixo do esperado.

Audiência nem sempre implica em qualidade e há várias produções que comprovam isso. "A Vida da Gente", "Lado a Lado", "Guerra dos Sexos" e "Sangue Bom" ---- tramas que não mereceram o baixo ibope ---- são apenas alguns exemplos recentes que corroboram essa constatação. Porém, há casos em que

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Com mais um vilão em seu currículo, José de Abreu brilha em "Joia Rara"

Após o sucesso estrondoso em "Avenida Brasil" (2012), onde viveu o sarcástico Nilo, José de Abreu ganhou um outro vilão em "Joia Rara". E interpretar dois vilões seguidamente é um risco para qualquer profissional, que fica muito mais suscetível a repetições e ainda pode ficar estigmatizado como intérprete de um tipo só. Entretanto, o ator conseguiu driblar todas as armadilhas e vem se destacando na pele do poderoso Ernest Hauser.


É bem verdade que esse vilão é bem diferente do Nilo. O antigo personagem era um homem sofrido, que virou catador de lixo e passou a explorar crianças após sofrer inúmeras decepções na vida. O ex de Lucinda (Vera Holtz) ainda tinha uma gargalhada clássica, era covarde e abusava do sarcasmo para debochar dos outros. Já o dono da Fundição e da joalheria Hauser é um rico empresário, tem forte influência, não tolera comunistas, abusa do preconceito e faz o que for necessário para atingir seus objetivos.

Porém, mesmo sendo perfis tão diferentes, José de Abreu corria o risco de não conseguir se livrar (em tão pouco tempo) de alguns trejeitos do marcante Nilo e prejudicar a composição do seu atual personagem.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mateus Solano, Elizabeth Savalla e Bianca Comparato: os grandes vencedores da 57ª edição da "APCA"

A "APCA" (Associação Paulista dos Críticos de Artes) premiou nessa segunda-feira (09/12) os melhores de 2013, em uma assembleia que reuniu 52 críticos do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. Arquitetura, Artes Visuais, Teatro, Teatro Infantil, Música Popular, Música Erudita, Cinema, Dança, Literatura, Rádio e, claro, Televisão, foram as categorias do prêmio, que é considerado um dos mais respeitados do país e está em sua 57ª edição.


Ainda que esse espaço seja sobre televisão, é preciso destacar a categoria Teatro, que homenageou os 60 anos de carreira da grande Eva Wilma, que ganhou merecidamente o Prêmio Especial. Cássio Scapin ganhou como Melhor Ator (atuação na peça "Eu não dava praquilo") e Débora Falabella e Yara de Novaes ganharam como Melhor Atriz (atuação na peça "Contrações). Já Cleyde Yáconis, Fauzi Arap e Ênio Gonçalves foram os artistas falecidos homenageados.

E entre os premiados da categoria televisão, Mateus Solano e Elizabeth Savalla foram os representantes de "Amor à Vida", que ganharam o prêmio de Melhor Ator e Melhor Atriz, respectivamente. Bianca Comparato também ganhou, merecidamente, como Melhor Atriz, empatando com

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Cumplicidade entre Jonathan e Félix expõe a perfeita sintonia entre Thalles Cabral e Mateus Solano em "Amor à Vida"

Walcyr Carrasco iniciou "Amor à Vida" explorando a inveja que Félix (Mateus Solano) tinha da irmã (Paloma - Paolla Oliveira) e os efeitos pérfidos que esse sentimento provocava nele. Entretanto, aos poucos, o telespectador foi percebendo as peculiaridades do vilão. Os complexos foram exibidos, principalmente, em três momentos: na hora que sua homossexualidade ficou exposta, no instante que soube do caso que Edith (Bárbara Paz) teve com César (Antônio Fagundes) e quando descobriram que ele jogou a própria sobrinha recém-nascida em uma caçamba. E, curiosamente, essas situações fizeram nascer uma bonita relação entre Jonathan (Thalles Cabral) e Félix.


O vilão sempre humilhou o filho e os dois viviam brigando. Era um relacionamento difícil e a convivência sempre causava conflitos, principalmente da parte do pai, que ignorava a existência de Jonathan e só falava com o garoto para xingá-lo. O próprio Jonathan, para se vingar de tantas humilhações, colocou seu skate na escada para o pai cair, o que de fato aconteceu, provocando uma fratura que fez Félix andar de bengala por algumas semanas.

Porém, o que parecia impossível, foi acontecendo em doses homeopáticas. Após ser duramente humilhado por César ---- quando o dono do San Magno descobriu que o filho tinha um caso com um homem ----, o irmão de Paloma recebeu o apoio de Jonathan, que mesmo baqueado com o choque da revelação,

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Apesar do ótimo elenco e da tentativa de sair da mesmice, "Divertics" mostra que precisa de ajustes para honrar seu título

Para ocupar o lugar de mais uma bem-sucedida temporada do "Esquenta!" (que agora se fixou na grade), a Globo lançou um programa de humor que ficará no ar por 18 domingos: "Divertics". Dirigido por Jorge Fernando e com roteiro de Cláudio Torres Gonzaga, o formato apresenta várias esquetes, intercaladas com alguns números acrobáticos para trocas de cenário, e conta com um ótimo elenco, que atua tendo uma espécie de galpão como palco.


Marianna Armellini, Ellen Roche, Nando Cunha, Roberta Rodrigues, Luis Fernando Guimarães, Maria Clara Gueiros, David Lucas, Leandro Hassum e Rafael Infante protagonizam o humorístico, que é quase um ensaio aberto. O diretor (Jorge Fernando) dá várias ordens e tudo é visto pelo público. Ele ainda leva várias broncas da mãe (Hilda Rebelo, mais uma vez trabalhando com o filho), que reclama de várias situações. E de acordo com a premissa da atração, todos os atores podem e devem improvisar diante de cenas que surgem, embora sigam um roteiro pré-determinado.

Entretanto, o único que usou e abusou do improviso foi Leandro Hassum. Ele, aliás, é um ator que sabe improvisar e desconcertar seus colegas de elenco. Justamente por isso, foi o grande protagonista da estreia e provavelmente continuará se destacando nos demais episódios. Maria Clara Gueiros e Luis Fernando

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Autismo, preconceito e a sensibilidade do casal formado por Linda e Rafael em "Amor à Vida"

Entre os muitos temas abordados em "Amor à Vida", o autismo é um dos que mais atraem. Tanto por causa da atuação magnífica de Bruna Linzmeyer, quanto pela forma com que a trama vem sendo conduzida. A relação que Linda vem construindo com Rafael (Rainer Cadete) é de uma sensibilidade tão grande que fica difícil não se emocionar com as cenas protagonizadas por eles.


Walcyr Carrasco começou explorando a ignorância da família em relação ao autismo e como isso prejudicava o desenvolvimento de Linda. A menina fazia xixi na cama, não conseguia olhar para ninguém, odiava ser tocada, inclusive por parentes próximos, e apresentava constantes surtos por causa das ofensas proferidas por Leila (Fernanda Machado), sua irmã. Mas apesar de precisar de cuidados médicos, Neide (Sandra Corveloni) se recusava a levar a filha para ser tratada, alegando que ela preferia ficar em casa e que estava sendo muito bem assistida. 

E foram anos de negligência. Linda era tratada como uma incapaz e assim seria se Daniel (Rodrigo Andrade) e Amadeu (Genésio de Barros) não tivessem insistido para que um tratamento psicológico fosse

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Os exageros de Zeca Camargo e o constrangimento do novo "Vídeo Show"

Após alguns programa exibidos, ficou claro que o "Vídeo Show" foi aniquilado. As matérias sobre os bastidores ficam soltas e entram no ar sem nem ao menos serem anunciadas. E tudo o que é apresentado no palco da atração ---- entrevistas, brincadeiras e música---- cansa ou causa constrangimento. Para piorar, entre tantos problemas, um acaba se 'destacando': Zeca Camargo.


O apresentador está a cada dia mais forçado e os exageros apresentados na estreia, ao invés de irem melhorando com o tempo, foram piorando. Zeca não consegue disfarçar o seu desconforto e ao tentar expor naturalidade, enfia os pés pelas mãos e irrita facilmente quem assiste. Além de sempre fazer questão de dizer que o entrevistado do dia é seu amigo pessoal, ele grita demais e pegou uma mania irritante de pedir aplausos a todo instante.

Aliás, a presença da plateia só serviu para aumentar a lista de equívocos, uma vez que só serve para aplaudir sempre que solicitada e rir de algumas brincadeiras que não têm a menor graça. A banda também não tem função e o próprio Zeca mostra não saber muito bem qual a utilidade dos músicos. E a sua

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

"A Nova Família Trapo" se inspira no "Sai de Baixo", mas fracassa na tentativa de fazer rir

"A Família Trapo" foi um imenso sucesso da Tv Record nos anos 60 e até hoje o formato é lembrado com saudade. Em 1996, o "Sai de Baixo", na Globo, estreou usando uma fórmula parecida, havendo uma plateia e um único cenário, como se fosse um teatro televisionado. Entretanto, a trama era completamente distinta do humorístico que tinha Golias, Jô Soares, Renata Fronzi, Otello Zeloni, Cidinha Campos e Ricardo Corte Real como protagonistas. E, com o intuito de voltar aos bons tempos de décadas atrás, a Record exibiu um especial que poderá se fixar na grade em 2014: "A Nova Família Trapo".


O sitcom foi ao ar com o claro objetivo de surfar no sucesso alcançado pelos quatro especiais do "Sai de Baixo", produzidos para a comemoração do aniversário do Canal Viva e exibidos recentemente na Globo. E, infelizmente, a semelhança não parou por aí. A 'inspiração' ficou clara do primeiro ao último minuto de programa, deixando qualquer traço da verdadeira Família Trapo de lado.

Quintino (Rafael Cortez) já começou o episódio esbanjando arrogância e chamando a empregada de pobre, o que fez lembrar, obviamente, o clássico Caco Antibes (Miguel Falabella). Outra 'coincidência' foi a presença de uma personagem (vivida por Cacau Mello) vestida de galinha e passando vergonha com

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Na pele da vedete Aurora Lincoln, Mariana Ximenes confirma que é uma verdadeira Joia Rara

De todos os personagens de "Joia Rara", pode-se dizer com uma certa tranquilidade que Aurora Lincoln é um dos melhores perfis da trama de Duca Rachid e Thelma Guedes. Arrogante, sarcástica, presunçosa e amante da vida, a vedete sempre rouba a cena quando aparece e Mariana Ximenes está impecável no papel, o que comprova mais uma vez o seu talento.


A personagem entrou na história algumas semanas depois da mesma já ter sido iniciada e foi a responsável pela virada no núcleo do Cabaré Pacheco Leão. Aurora logo arrumou um emprego no local, virou a principal estrela, despertou a inveja das colegas e livrou o lugar da falência através da sua popularidade. O show protagonizado por ela, aliás, proporcionou cenas dignas de grandes musicais e Mariana explorou sua sensualidade com maestria, respeitando, claro, o restritivo horário das seis.

Mas a atriz não tem boas cenas apenas no Cabaré (que infelizmente vem perdendo destaque). A parceria de Mariana Ximenes e Marcelo Médici deu muito certo. Joel, um gay afetado, é brilhantemente interpretado pelo ator e protagoniza hilárias sequências ao lado da sua ídola. Tanto nos momentos

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

"Junto & Misturado": um programa de altos e baixos

O "Junto & Misturado" estreou em outubro de 2010 e terminou em dezembro do mesmo ano. Ia ao ar às sextas, depois do "Globo Repórter", horário considerado problemático na Globo. O programa chegou a ter uma segunda temporada confirmada e cinco episódios foram até gravados, entretanto, ela nunca foi ao ar e o material chegou a ser arquivado pela emissora. Passado três anos, o formato voltou e foi inserido na grade noturna de domingo, após o "Fantástico", para substituir os especiais de "Sai de Baixo", que por sua vez substituíram a série americana "Revenge".


Pouca coisa mudou em relação aos episódios exibidos há três anos, porém, algumas esquetes ficaram um pouco mais longas e o elenco está mais numeroso. Aliás, o time é muito bom. Letícia Isnard, Gabriela Duarte, Marcelo Médici, Kiko Mascarenhas, Débora Lamm, Fabíula Nascimento, Fernanda de Freitas, Bruno Mazzeo (que também assina o roteiro), Renata Castro Barbosa, Augusto Madeira, Luiz Miranda e Rodrigo Pandolfo protagonizam inúmeras cenas e mostram boa sintonia.

Com direção de Maurício Farias, o programa tem a mesma fórmula do "Porta dos Fundos", canal do Youtube, do site Kibeloco, e que apresenta várias esquetes. A diferença, claro, fica por conta dos palavrões que não são falados na televisão. E, justiça seja feita, o "Junto & Misturado" veio antes do projeto