sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Rayssa Bratillieri merece todos os elogios por seu trabalho como Salma em "A Nobreza do Amor"

 "A Nobreza do Amor" está a pouco mais de uma semana de seu fim, e é impossível não destacar o trabalho de Rayssa Bratillieri como Salma, a jovem libanesa que passou boa parte da novela dividida entre a submissão aos pais e a angústia de estar presa a um noivado que nunca desejou. Mais uma vez, a atriz mostrou sua capacidade de valorizar personagens que, mesmo sem ocupar o posto de protagonistas, conseguem despertar o interesse do público graças à força de sua interpretação.


Rayssa tem um talento especial para imprimir personalidade às figuras que interpreta, e não foi diferente agora. Depois de conquistar o público com o casal formado ao lado do amigo Filipe Bragança no remake de "Elas por Elas", a atriz ganhou uma personagem bastante diferente de tudo o que já havia feito. Com delicadeza, construiu uma Salma doce, tímida e sensível, cuja fragilidade inicial escondia uma vontade de conquistar a própria liberdade. Foi justamente essa combinação que tornou a personagem tão cativante.

Uma pena, entretanto, que Salma tenha ficado presa a um ciclo de situações repetitivas durante boa parte da trama. O conflito envolvendo o noivado com Fuad (João Fernandes) e a pressão dos pais, Fátima (Kika Kalache) e Miguel (Eduardo Mossri), que faziam de tudo para vê-la casada com um libanês, acabou se prolongando além da conta.

Até mesmo uma falsa doença cardíaca foi utilizada por Fátima para tentar impedir que a filha seguisse seus próprios desejos. Eram conflitos que se repetiam e, em determinados momentos, pareciam aprisionar não apenas a personagem, mas também os próprios atores em uma dinâmica pouco movimentada.

Salma só ganhou novos contornos quando Oma (Rodrigo Simas) chegou a Barro Preto. O romance dos dois sempre esteve previsto na história, mas a volta do turco e, principalmente, a aproximação do casal demoraram mais do que deveriam. Quando finalmente aconteceu, a sintonia entre Rayssa e Rodrigo ficou evidente. Os dois transbordaram química e mostraram que a relação poderia ter sido muito mais bem aproveitada ao longo da novela. O adiamento desse envolvimento acabou privando o público de acompanhar por mais tempo uma das possibilidades românticas mais interessantes da trama.

Nada disso, porém, diminui o mérito de Rayssa. Pelo contrário: mesmo diante de uma trajetória que poderia ter oferecido mais possibilidades à personagem, a atriz conseguiu encontrar nuances e entregar bons momentos. Seu desempenho brilhou tanto nas cenas com Kika Kalache e Eduardo Mossri, responsáveis por dar vida aos pais controladores de Salma, quanto nos momentos de cumplicidade e desabafo com Duda Santos, intérprete de Alika. Nessas relações, Rayssa demonstrou sensibilidade, espontaneidade e uma ótima capacidade de construir conexões em cena.

Também merece destaque seu trabalho no cinema. A atriz está brilhando em "Pecadora", filme no qual assume o protagonismo e que acaba de chegar aos cinemas, mostrando mais uma vez sua versatilidade e disposição para explorar diferentes possibilidades como intérprete.

Rayssa Bratillieri é uma atriz que merece ser cada vez mais valorizada. Tem carisma, talento, domínio de cena e, sobretudo, uma capacidade admirável de fazer o público se interessar por personagens que poderiam facilmente passar despercebidas. Salma talvez pudesse ter recebido uma trajetória mais movimentada e um desenvolvimento melhor distribuído, mas encontrou em Rayssa uma intérprete capaz de transformá-la em alguém digno de atenção e carinho. Mais um trabalho que confirma a força de uma atriz que, mesmo quando não está no centro da história, sabe muito bem como roubar a cena.

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