quarta-feira, 9 de março de 2022

Não havia necessidade da virada de Stephany em "Um Lugar ao Sol"

 A autora Lícia Manzo é conhecida por suas tramas realistas e sem grandes viradas ou acontecimentos catárticos. O que não é demérito. "A Vida da Gente" e "Sete Vidas", suas duas novelas das seis primorosas, são a prova. No entanto, a autora conseguiu mostrar uma nova faceta com "Um Lugar ao Sol". Foram vários momentos de tirar o fôlego e com reviravoltas muito bem construídas. Deixou explícito que também sabe fazer quando quer. Mas o plot criado para Stephany (Renata Gaspar) se mostrou equivocado e desnecessário. 


A personagem protagoniza uma situação grave e muito presente na vida de várias mulheres: a violência doméstica. Vários folhetins já abordaram o tema e Lícia vem tratando com seriedade. Roney (Danilo Granghéia) é um marido violento e abusivo. Stephany nunca conseguiu se livrar do companheiro e acaba sempre cedendo aos teatros emocionais. Demorou muito para ter coragem e denunciá-lo por agressão, mas, retratando a realidade, nada aconteceu com ele. Ainda assim, acaba reatando em vários momentos. 

Ao contrário da irmã, Érica (Fernanda de Freitas), Stephany não tem muita instrução. Já teve atitudes questionáveis, como insinuar que a irmã deu um golpe do baú no ricaço. No entanto, sempre foi uma ótima amiga com Érica e amorosa com o sobrinho. No capítulo de ontem, após mais uma agressão sofrida, recebeu a ajuda de Renato, que atendeu ao pedido da esposa de Santiago (José de Abreu).

segunda-feira, 7 de março de 2022

Gabriela e Ilana formam o melhor casal de "Um Lugar ao Sol"

 A novela das nove de Lícia Manzo está a poucas semanas do fim. E a história de "Um Lugar ao Sol" se mostrou tão realista que ficou difícil torcer para algum casal. Aliás, é uma característica da autora. É complicado torcer fielmente por alguém ou um romance em tramas onde todos têm qualidades e defeitos, muitas vezes protagonizando situações que tiram o telespectador do sério. Mas há uma exceção que vem sendo explorada na reta final: Gabriela (Natália Lage) e Ilana (Mariana Lima). 

O casal foi o que mais demorou a acontecer. Algo, infelizmente, corriqueiro em romances LGBTs na ficção. Sempre ocorre depois da metade de novela no ar e às vezes somente nas últimas semanas, como é o caso citado. Ilana começou a trama casada com Breno (Marco Ricca), um sujeito com a vida profissional frustrada e que vivia insistindo para a esposa engravidar. A questão era motivo de várias brigas. O fato dele ganhar menos que ela também resultava em desentendimentos. Não era uma relação saudável. 

Após muito resistir, a personagem aceitou realizar uma inseminação artificial. Acabou engravidando de gêmeas. E a ginecologista que acompanhou a gestação foi Gabriela, uma grande amiga de adolescência. O público só soube depois que a médica flertou com Ilana na juventude e isso resultou no afastamento delas porque Ilana não se sentiu mais confortável.

sexta-feira, 4 de março de 2022

Jade Picon e Arthur Aguiar são mais parecidos do que imaginam no "BBB 22"

 O "BBB 22" vem decepcionando em vários aspectos e um deles é a falta de visão de jogo de grande parte do elenco. Há um temor tão grande pelo 'cancelamento', fruto do que aconteceu com Karol Conká, Lumena, Nego Di e companhia no ano passado, que muitos se negam a fazer qualquer tipo de jogo que exija o mínimo de estratégia. No entanto, há duas exceções que são ironicamente do grupo 'camarote': Jade Picon e Arthur Aguiar. 

Os dois gostam de falar de jogo e elaborar estratégias desde que entraram no reality. Arthur até tentou uma aliança com Jade, já que ambos entraram depois junto com Linn da Quebrada porque contraíram covid-19 uma semana antes da estreia. No entanto, Jade recusou a oferta e ainda não gostou quando, assim que ganhou sua primeira liderança, ouviu do colega que ele estaria 'ferrado' no jogo já que ela tinha lhe prometido a imunidade caso ganhasse o Anjo. Achou Arthur interesseiro. E seu pensamento ainda foi fomentado pelas suas então maiores aliadas, Bárbara e Laís, que nunca suportaram Arthur. 

A desconfiança de Jade resultou na indicação de Arthur Aguiar para o paredão. A partir daquele momento o seu possível aliado virou rival. E nunca é bom ter um rival que gosta e sabe jogar. Ela tem sentido isso na pele.

quarta-feira, 2 de março de 2022

Lícia Manzo e Ana Beatriz Nogueira repetem a bem-sucedida parceria de "A Vida da Gente" em "Um Lugar ao Sol"

 Todo autor tem aquele ator ou atriz com quem gosta de trabalhar. Não por acaso, há intérpretes que estão sempre na lista de escalação de determinados escritores. É a chamada 'panelinha'. É impossível acabar com a prática porque é natural que o roteirista queira trabalhar novamente com quem já defendeu um personagem seu com brilhantismo. Isso tem sido visto, por exemplo, em "Um lugar ao Sol". Lícia Manzo e Ana Beatriz Nogueira estão repetindo a bem-sucedida parceria de "A Vida da Gente". 

A primeira novela de Lícia Manzo, exibida em 2011, é a terceira mais vendida da Globo e foi reprisada recentemente em virtude da paralisação das gravações por conta da pandemia do coronavírus. Ana foi um dos destaques na pele da narcisista Eva, mãe de Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano). A personagem tinha uma veneração doentia pela filha tenista e desprezava a outra de forma cruel. A atriz protagonizou muitas cenas de forte intensidade dramática e despertou a antipatia do público. Foi o papel mais importante da intérprete na televisão. Dava gosto assistir qualquer momento de Eva por conta do talento de Ana Beatriz Nogueira. 

O curioso é que, embora fosse um perfil detestável, Eva tinha seus momentos de humor em virtude da quantidade de absurdos que proferia. Não por acaso, agora, dez anos depois, Lícia Manzo resolveu presentear a atriz com uma personagem que tem a comicidade como principal característica. Parte da crítica especializada costuma apontar a ausência de humor nas novelas da autora como uma espécie de demérito.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

"Quanto Mais Vida, Melhor!" ganha fôlego com a impagável troca de corpos dos protagonistas

 A ousada nova fase da novela das sete da Globo teve início com o gancho do capítulo de sábado, dia 26. Após o primeiro encontro com a Morte (A Maia), os protagonistas receberam o aviso de que todos teriam uma segunda chance na vida, mas um deles morreria em um ano. Nenhum pareceu ligar muito para o ultimato. Não demorou para cada um, ao invés de amadurecer e evoluir, enfiar os pés pelas mãos e piorar tudo o que já estava ruim. Agora, para se vingar e dar uma lição no quarteto, a 'toda poderosa' os trocou de corpos. 

Mauro Wilson sempre deixou claro que a história que ele queria contar é a que começa a ir ao ar a partir de agora. Tudo o que já foi apresentado de Flávia (Valentina Herszage), Neném (Vladimir Brichta), Paula (Giovanna Antonelli) e Guilherme (Mateus Solano) era, nas palavras do autor, uma preparação para a nova fase. Vale ressaltar que o recurso da inversão de papéis é algo corriqueiro no cinema, vide "Se Eu Fosse Você 1 e 2" (2006 e 2009), com Tony Ramos e Gloria Pires, e "Sexta-Feira Muito Louca", de 2003, citando apenas alguns. Mas é a primeira vez que ocorre em uma novela. 

E, com o perdão do trocadilho, "Quanto Mais Vida, Melhor!" ficou ainda melhor com a deliciosa novidade. Todo o processo para a mudança na vida de cada um dos protagonistas foi feita de forma habilidosa e caprichada.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Desistência de Tiago Abravanel expõe futuro dos camarotes e prova que ele não queria jogar o "BBB 22"

 Na tarde deste domingo, o botão da desistência criado por Boninho na vigésima segunda edição foi usado pela primeira vez. Tiago Abravanel desistiu do jogo e deixou todos os colegas chocados. O alarme tocou e o participante voltou para sua vida bem-sucedida. A saída do participante abre várias discussões a respeito de sua conduta no jogo e sobre o futuro da presença de camarotes nos próximos anos. 

A verdade é que Tiago nunca quis jogar o "BBB 22". Fã assumido do reality, o neto de Silvio Santos achou que estar lá era assistir ao jogo de forma privilegiada, sem se envolver, comprometer ou combinar voto. Era ter um PPV 'in loco'. Mas não era. Um programa que foi criado para gerar desentendimentos, conflitos e guerra psicológica não é para amadores. Precisa ter muita força para suportar algo do tipo, com o ônus (ou bônus) de ser transmitido para o Brasil inteiro 24h. É uma exposição pesada. 

Tiago Abravanel sempre foi uma pessoa muito querida e se aproveitou disso no jogo. Como se dava bem com todos, estava em uma posição confortável. Não precisava se comprometer criando rivalidades ou inimizades. Bastava ficar na casa como o sujeito amado por todos. Tanto que não quis se aliar a Naiara Azevedo, um grande amiga que tinha no 'mundo real'.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Defendida com talento por Valentina Herszage, Flávia é o perfil mais cativante de "Quanto Mais Vida, Melhor!"

 A atual novela das sete inicia uma nova fase neste sábado, quando os quatro protagonistas trocam de corpos por conta do castigo da Morte (A Maia), que não aguenta mais vê-los cometendo inúmeros erros. Mauro Wilson vem acertando na sua estreia como autor solo em seu primeiro folhetim. E um dos êxitos do autor foi a escolha do quarteto central. Os quatro protagonizam bons conflitos, mas o perfil que mais cativa quem assiste é justamente o mais jovem, a corajosa Flávia, vivida por Valentina Herszage. 

No início da trama, a personagem não despertou uma maior atenção. Parecia uma mera 171 que sobrevivia de golpes. Afinal, só entrou no avião que caiu porque fingiu ser uma aeromoça para fugir da polícia, após ter furtado uma mala cheia de dólares com sua cúmplice, a perigosa Cora (Valentina Bandeira). Mas ao longo dos meses todas as camadas de Flávia foram sendo muito bem expostas pelo autor, o que engrandeceu o perfil e valorizou a intérprete. 

Flávia aparenta ser uma mulher forte e segura de si, mas esconde dentro dela uma menina frágil e carente para conseguir sobreviver. 'Abandonada' pela mãe biológica, foi criada pelo pai, o submisso, mas amoroso, Juca (Fábio Herford), que é casado com a arrogante e ambiciosa Odete (Luciana Paes). A madrasta nunca suportou a enteada e as duas vivem se estranhando. Flávia é a principal provedora da casa e ganha a vida fazendo pole dance em uma boate, adotando o nome de 'Pink'.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Paulo Vieira e Dani Calabresa foram grandes acertos do "BBB 22"

 A atual edição do "Big Brother Brasil" vem deixando a desejar no quesito elenco. Quem esperava o mesmo sucesso do "BBB 20" e "BBB 21" vem se decepcionando bastante. A maioria dos participantes não entrega o mínimo de entretenimento que o telespectador exige em um reality. Até de traçar estratégias nas votações têm medo. Mas se por um lado há uma inevitável frustração, por outro há uma ótima surpresa: a contratação de Paulo Vieira e Dani Calabresa. 


Dani entrou para substituir Rafael Portugal no quadro de maior sucesso do "BBB" nas duas últimas edições. O humorista estava em grande fase, após ter brilhado com o "CAT - BBB", a Central de Atendimento ao Telespectador", em 2020 e 2021. Porém, a Globo exigiu um contrato de exclusividade para o "BBB 22" e Rafael não aceitou por ter outros trabalhos já encaminhados. Então, a atriz foi a escolhida para ficar no lugar do colega. E que ideia boa tiveram. 

O público fez uma forte reclamação, compreensível, nas redes sociais quando foi noticiada a saída de Rafael Portugal. Mas bastou Dani Calabresa estrear para acabar com grande parte da rejeição. Dona de um carisma incontestável, logo se mostrou à vontade no comando do primeiro "CAT". As piadas e trocadilhos com os participantes se mostraram tão bons quanto os das edições anteriores.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Brilhantemente defendida por Alinne Moraes, Bárbara é a personagem mais complexa de "Um Lugar ao Sol"

 Lícia Manzo é uma autora detalhista. Seus personagens costumam ter várias características que os tornam humanos e nada maniqueístas. Mesmo um perfil que aparenta ser um vilão analisando superficialmente suas atitudes, na verdade não é. Um dos maiores exemplos é a Bárbara, de "Um Lugar ao Sol", interpretada com brilhantismo por Alinne Moraes. 

Bárbara é uma típica patricinha da elite carioca. Mimada e vivendo em uma bolha, a personagem não sabe nada da realidade da vida. As únicas pessoas com quem se importa são Renato (Cauã Reymond), o marido por quem nutre uma assustadora dependência emocional, e Nicole (Ana Baird), a irmã que sempre cuidou dela. Outra pessoa que recebe seu carinho é a sogra, Elenice (Ana Beatriz Nogueira), por se tratar da idealização de uma mãe que ela nunca teve. Isso porque sua mãe sofria de bipolaridade e faleceu por conta da doença --- ainda não ficou claro, mas tudo indica que se tratou de suicídio.

Embora seja arrogante e se ache acima dos outros, a personagem já sofreu muito em sua vida. Problemas de uma branca, jovem, rica e cis? Ok, mas ainda assim questões bem sérias. Os surtos constantes sofridos pela mãe deixaram um trauma em Bárbara e Nicole. Apenas um flashback até o momento retratou a vida das irmãs na adolescência, mas foi o suficiente para observar como nasceu a cumplicidade delas e seus respectivos traumas.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Com uma primeira fase arrebatadora, "Além da Ilusão" apresenta promissor começo

 A nova novela das seis da Globo estreou semana passada e vem se mostrando bem diferente da soturna produção anterior, "Nos Tempos do Imperador". Colorida, bem iluminada e repleta de clichês irresistíveis de um clássico folhetim, a história de Alessandra Poggi, que estreia como autora solo ---- após uma parceria com Angela Chaves em "Os Dias Eram Assim", de 2017 ----, apresentou uma primeira fase com convidativos conflitos, onde o conto de fadas foi mesclado com a tragédia. 

O enredo central foi exposto com uma certa pressa, pois o 'plot' envolvendo os protagonistas apresentou sua maior catarse já no sexto capítulo, exibido no último sábado (12/02). O público acompanhou o amor à primeira vista do simpático Davi (Rafael Vitti), artista de rua que ganha a vida como mágico, e da linda Elisa (Larissa Manoela), filha de um poderoso juiz, Matias (Antônio Calloni), que odiou a possibilidade de romance logo de cara. A construção do amor dos mocinhos foi feita em apenas dois capítulos. Isso porque a felicidade do casal não dura e acabam separados para sempre. 

Poucos personagens foram focados, de fato, fora do núcleo principal. Algo comum no início de toda novela e que ajuda a prender mais a atenção de quem assiste, pois não há maiores dispersões com dramas de perfis secundários. Ainda assim já foi possível perceber a força da trama protagonizada por Heloísa (Paloma Duarte), que nunca perdoou o pai, Afonso (Lima Duarte), por ter dado sua filha para adoção.