A Globo promoveu na primeira quinta-feira de março, dia 5, a segunda coletiva virtual de 'A Nobreza do Amor', a nova novela das seis, escrita por Duca Rachid, Elisio Lopes Jr. e Julio Fischer, dirigida por Gustavo Fernandez. Participaram a diretora de conteúdo da Globo, Kellen Julio, e os atores Marco Ricca, Érika Januza Lázaro Ramos, Bukassa Kabengele, Rayssa Bratillieri, Rodrigo Simas,Kika Kalache, Ana Cecilia Costa, Rita Batista, João Fernandes, Nikolly Fernandes, Paulo Lessa, Hilton Cobra, Lucínio Januário, André Luiz Miranda, Welket Bungué, Edu Mosssri, Michel Blois e João Pedro Zappa. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir.
Kellen Julio contou sobre o projeto: "Que honra apresentar esse projeto tão incrível. Sou diretora de inovação, diversidade e conteúdo dos Estúdios Globo. Entrei na empresa em 2018 para desenhar a brasilidade do nosso audiovisual. Entrei na Globosat, que nem existe mais, e com a fusão das empresas saio de um universo menor e desenho a diversidade de toda empresa olhando para o povo negro. 'A Nobreza do Amor' ressignifica a relação do Brasil com a África. A gente resgata um posicionamento e enquadra a África no imaginário, após anos de uma abordagem tão reducionista. O horário das seis é tão precioso porque tem as crianças chegando da escola, os pais chegando do trabalho e trazendo uma estética linda com a novela. É uma revolução. A gente tem um diálogo muito bom para investir na dramaturgia sem estereótipos e com uma proposta de Brasil que a gente acredita. É um orgulho abrir esse debate".
Lázaro Ramos falou sobre seu primeiro vilão: "Nunca foi um sonho da minha vida fazer vilão. Meu sonho era fazer herói. Quando Elisio me convidou pro projeto quis muito fazer. Tá sendo uma descoberta e um prazer falar coisas absurdas e maldades, além de acompanhar esse universo que vem sendo contado.
A cada figurino, atuação e chamada fico mais encantado. Está sendo muito feliz. A gente não está apenas fazendo algo documental, estamos levando uma chuva de referências através de uma fábula. Acho lindo a gente levar o concreto e o subjetivo pro público. Não defendo meu personagem porque comete atos muito condenáveis, mas procuro entender as motivações dele. A história do mundo está repleta de Jendals. Espero que as pessoas, além de se divertirem, reflitam sobre o que as pessoas fazem quando têm poder nas mãos".Érika Januza também não escondeu sua satisfação: "Tô muito feliz. A cada chamada é um 'agora vai'. Desde que soube da existência dessa novela eu quis fazer parte disso. Porque eu já assistiria de qualquer forma. Quando olho tudo isso acontecendo, cada vez que chegava no cenário para gravar e via a representação daquela África... Porque o passado que a gente contava era sempre triste e algo que nos diminui. Agora a gente mostra um outro passado. A gente tá fazendo história por estar contando o nosso ponto de vista de outro lugar. Está sendo muito poderoso. Niara começa guerreando ao lado do marido para salvar o reino e assume um papel de conselheira, é a voz da matriarca. E a filha é meio impulsiva, e minha personagem seria uma mãe que eu seria. Fazer a construção dessa rainha foi difícil porque todas as referências são de rainhas europeias. Então como fazer uma rainha africana? As aulas coletivas nos ajudaram muito na construção, além da estética e do figurino. Ela perde o marido, mas se abre pro novo amor em Barro Preto com meu parceiro Paulo Lessa".
Paulo Lessa complementou: "É inevitável falar da nossa felicidade em fazer parte desse projeto. Tenho amigos queridos nesse elenco e está sendo um sonho realizado pra mim fazer novela com Zezé Motta, Lázaro, enfim. Barro Preto reserva muitas surpresas e fala de assuntos sérios, além de amor. A gente ainda sabe pouco desse possível par do Ronildo com a Vera, que é a rainha disfarçada. Ronildo se encanta por essa mulher. Ele é o médico da cidade, um cara que tem o domínio da palavra e está em contato com todos os personagens. Tem sido incrível de fazer. É um cara bom, mas estamos falando de 1920 no nordeste, no Brasil, e um médico negro. Adorei isso, é mais uma quebra na construção desse novo imaginário, um médico negro com seus quase 40 anos. Pedi pra fazer parte da novela procurei o Elisio, a Duca, e não me vi de fora de jeito nenhum".
Hilton Cobra falou da importânda da produção: "Acho que essa novela vem coroar o que o movimento negro brasileiro pedia, exigia, há mais de 50 anos na televisão brasileira, que é mostrar a vida da gente negra brasileira. 'A Nobreza do Amor' mostra isso com a ancestralidade do movimento africano. Participar de um projeto desse é estar em um divisor de águas. Como é bonito participar de um projeto em que o povo brasileiro, com 120 milhões de pretos e pretas desse país, vai poder ver nossas problemáticas, ancestralidades e vidas".
Bukassa Kabengele também tocou no tema: "A novela é uma grande reparação de um país plural e inserir o povo africano em uma cidade nordestina de um povo também sofrido é muito importante e representativo. Tive uma química com Ana Cecília muito grande e se ainda tem questionamentos com relações interraciais, imagina naquela época. Fazemos uma construção baseada no afeto com pessoas que se apoiam. Um belo presente dos nossos autores".
Ana Cecília Costa comentou da sua parceria com o ator: "Logo no primeiro capítulo, mostra ele renunciando o reino por uma plebeia e, com o passar dos anos, mostra que valeu a pena. É um amor construído, longevo. Eu e Bukassa trabalhamos juntos em 'Amor Perfeito' e tem sido muito feliz essa nova parceria. Faço uma mulher nordestina dos anos 1920 e ela vai à África. É a única personagem brasileira que viu o reino de Batanga".
André Luiz Miranda: falou brevemente "Nunca tive família em alguns projetos e meu personagem, embora não tenha família, Akin está na grande família de Batanga. Fico ali perguntando e pedindo conselhos nos bastidores. Vai ser bonito contar essa história sob essa perspectiva. Assim que descobri que ia acontecer esse projeto fiquei muito empolgado e quis estar nele".
Lucínio Januário acrescentou: "Essa nossa construção de África agora vem de muitos sonhos e muitas lutas. Vim de Angola pra cá com 18 pra 19 anos e é muito lindo fazer parte dessa novela. A gente assiste às novelas da Globo desde 1995 em Angola e esse imaginário das novelas, por serem em português, traz a possibilidade de sonhar. E hoje dá pra gente se identificar com muita coisa. A novela tem um poder e estamos muito dedicados nisso".
Welket Bungué falou da grandiosidade do projeto: "Interpreto um guerreiro que se torna um rei, ou pelo menos se vê nessa função. É muito comovente ver meus colegas falando desse projeto. É muito importante estar numa equipe que tem consciência histórica. Estar no Brasil, sendo eu uma pessoa que veio ao Brasil em 2008 para viver um serviçal de roça, quase 20 anos depois estar nesse elenco interpretando um personagem que está na função de rei é muito especial. É um grande regozijo dar minha contribuição artística".
Marco Ricca comentou rapidamente de seu papel: "Faço o pai do Omar, vivido pelo Rodrigo Simas, e Omar acaba se envolvendo com a princesa. A composição foi muito legal. Foi decidido não ter muito sotaque, mas uma postura de um homem rico que se confronta com um rei".
Rodrigo Simas acrescentou: "Omar é o filho do pachá, um jovem turco leal e comprometido. Ele vai pra Batanga com o pai para uma negociação e se apaixona pela Alika. Isso muda a trajetória dele e vai ter que ajudar ela a fugir do casamento armado, o que causa uma virada pra ele com a briga com o Jandal. Vem uma vingança junto com o pai. Não sei como vai ser o triângulo com o Tonho porque está distante, mas tem muita coisa pra acontecer".
Rita Batista comentou como foi sair da apresentação no 'É de Casa' para a novela: "Essa mudança depois de duas décadas no jornalismo foi curiosa. Eu bati na porta de Kellen Julio e disse que queria fazer um teste. Não sabia que era pra 'A Nobreza do Amor'. Queria ter a experiência de fazer uma personagem com texto que não pudesse alterar, outra possibilidade artística. Veio o teste, fiz e passei. Aí veio a Ladisa, essa guerreira que tem pouco riso e muita compreensão do que fazer no reino de Batanga. É um campo novo com um estudo e ritmo completamente diferentes. Me criei consumindo esse produto que é a novela. Temos certeza que será um novo sucesso das seis porque tem tudo o que um novelão precisa".
Rayssa Bratillieri expôs sua empolgação: "Fico muito emocionada em participar desse projeto que é o mais importante, elegante e necessário que já participei. Salma é uma menina de fé, é boa, é genuinamente leal, amorosa e generosa com as pessoas. E muito discreta, diferente da Isis ('Elas por Elas') e da Soraya ('Éramos Seis'), ela tem uma bondade real dentro dela. Ela tem um amor real escondido por Tonho, mas os pais libanesas acham que tem um caminho melhor pra ela que é casar com um cara de origem libanesa".
Kika Kalache adiantou sobre seu papel: "Tô muito emocionada em fazer uma libanesa no momento atual que estamos vivendo. Meu avô era libanês e não percebia quando criança o quanto ele era estrangeiro. E estou resgatando isso fazendo uma estrangeira numa cidade brasileira. Assim como o povo de Batanga, a gente não é dali. E o povo do Líbano está fugindo pra Síria agora e minha personagem foge do Líbano para o Barro Preto também em busca de uma vida melhor. São tantas culturas. São doze milhões de imigrantes árabes libaneses no Brasil".
Edu Mossri complementou: "Na novela temos africanos, portugueses, turcos, libaneses, brasileiros com foco no Rio Grande do Norte, é muito diverso. É sobre a vida e da lembrança de quem somos como país. Somos feitos da mistura, somos todos vira-latas, e nossa força vem justamente disso. Falar de nossas histórias em um folhetim. Falamos aquilo que nos une enquanto indivíduos que é o amor. A novela tem o benefício de atingir uma grande massa. A família Curi tem um pai mais machista, preso na cultura de 1920, e são conflitos que precisam existir".
João Fernandes resumiu seu papel: "Eu chego para casar com a personagem da Rayssa e já fiz outras vezes histórias de casamentos arranjados O Fuad não vem para provar nada, é um cara muito gente boa e vai ser legal ver isso em cena. Vai até ter conflitos entre o pai dela e o noivo sobre o lugar da mulher na sociedade".
Nikolly Fernandes falou de sua migração da novela das seis para a das seis: "'Dona de Mim' foi meu primeiro projeto no audiovisual e enquanto estava na novela eu soube de 'A Nobreza do Amor'. A Stephany representou muitas meninas jovens e a Kenya vem do ancestral. Não temos muitas referências, então tive que fazer uma pesquisa interna. É bonito que a gente volte ao lugar da África mostrar para a população uma jovem preta retinta que vir princesa em um país africano e é feliz de alguma forma. Minha referência de África é de muito sofrimento e faço uma personagem que ri, faz deboche, totalmente diferente da Stephany. Mas foi muito lindo, algo que procurei. Fui atrás, quis participar, fiz testes e deram certo. É um presente ancestral. Foram os Orixás, foi Deus que me deu essa personagem. Nasceu junto comigo. Tá sendo muito bonita minha parceria com o Lázaro. Estar no set com um cara que pavimentou todo esse meio para nós, atores negros, e sei que tudo o que ele tiver que me falar vai me ajudar de alguma forma. A Kenya movimenta as coisas e tá sempre jogando ass tensões pra um lugar mais leve".
Michel Blois comentou rapidamente sobre seu papel: "Faço um explorador, um cara violento que quer mais poder, um clássico colonizador sem escrúpulos, ele financiou um golpe de estado. Mr. Campbell representa o velho, aquele lugar lugar do terror e o que a história nos mostrou a vida inteira e mostra agora. Representa o Trump".
João Pedro Zappa finalizou: "Quero agradecer o convite para esse projeto e me sinto grato e privilegiado. É isso que o Michel falou. O que motivo esses dois ingleses, brancos, colonizadores é o interesse da coroa britânica e vão se associando com quem é mais lucrativo no momento . Eles não têm escrúpulos. São capitalistas clássicos. Mas o Mr. Jones é o subalterno, é submisso ao Mr Campbell, e vai se vendo num lugar em que não manda em nada. Ele vai pisando em ovos, o que vai gerando situações divertidas. Tem sido muito divertido gravar. Nosso núcleo é pequeno e muito bom".
Nenhum comentário:
Postar um comentário