As retrospectivas de fim de ano são uma tradição neste blog e há o costume de apresentá-la em partes. Após a lista de tristes perdas do meio artístico em 2025, chegou a hora das listas de piores, melhores casais, cenas, atores e destaques. Começando, como sempre, pela seleção do que teve de pior no ano que passou. Vamos a eles.
"Vale Tudo":
Um dos piores remakes já feitos. Manuela Dias destruiu o fenômeno de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bressères. O público nas redes sociais e a imprensa tinham vários pés atrás com essa adaptação porque tinha tudo para dar errado e deu. A autora destruiu personagens icônicos, como Marco Aurélio e Eugênio, tirou o destaque da Raquel e criou inúmeros conflitos novos e todos com a profundidade de um pires, onde os arcos dramáticos eram resolvidos em no máximo uma semana. Foi tudo tão raso que pareceu uma novela vertical antes mesmo do formato ser lançado pela Globo em suas redes sociais. O irônico é que a escritora reclamou várias vezes da abordagem do alcoolismo de Heleninha e acusou falsamente a obra original de tratar o vício como piada. Mas o que Manuela fez? Uma trama panfletária, com a vilã chamando a filha de alcoolista, e no final Heleninha foi presa acusada de assassinar a mãe, um crime que nem existiu porque Odete Roitman apareceu viva no último bloco em uma sequência ridícula e repleta de absurdos. Ou seja, vai carregar uma culpa inexistente pro resto da vida. Isso citando apenas um dos vários equívocos do roteiro. Não por acaso, vários atores demonstraram insatisfação com a trama. Taís Araújo foi a única que expôs sua opinião com a novela ainda no ar, já outros preferiram esperar o término, como Luis Melo e Maeve Jinkings. A Globo forçou a narrativa do êxito da produção, mas a verdade é que patinou na audiência durante toda a sua exibição e só engrenou na véspera do assassinato de Odete, em plena reta final. O único sucesso foi o comercial porque a repercussão, embora alta, teve um massacre de críticas merecidas.

"Mania de Você":
A trama que antecedeu "Vale Tudo" foi um fiasco histórico. Após o sucesso de "Todas as Flores" no Globoplay, João Emanuel Carneiro voltou ao horário nobre da Globo e com a missão de elevar a audiência das nove, após o fracasso do remake de "Renascer". Mesmo diante de uma segunda parte muito mal desenvolvida de sua novela na plataforma de streaming, havia uma boa expectativa para sua nova história. E as chamadas eram convidativas. Porém, a produção se mostrou uma completa catástrofe. A primeira fase apresentou ótimos conflitos e personagens ambíguos, mas a correria dos acontecimentos prejudicou a construção do enredo e a compreensão do público. Para culminar, Amauri Soares ordenou o corte de várias cenas, a ponto de capítulos serem jogados no lixo. O todo poderoso do setor de teledramaturgia achou que aumentaria a audiência a antecipação do assassinato de Molina (Rodrigo Lombardi). Mas foi a partir daí que a trama mergulhou em um poço sem fundo. A segunda fase afastou ainda mais o público por conta de péssimos núcleos secundários e situações absurdas, que colocaram o telespectador como idiota. O que se viu foi um amontoado de reviravoltas sem impacto e qualquer lógica, além de um roteiro exaustivo que sempre voltou para o mesmo lugar. Os atores tiraram leite de pedra, mas não conseguiram milagres. Os personagens eram péssimos e com trajetórias constrangedoras. A cena em que Molina tentou afogar Mércia (Adriana Esteves) no mar entrou para a galeria das mais toscas da teledramaturgia diante dos efeitos especiais patéticos. O mocinho, Rudá (Nicolas Prattes), foi assassinato por causa da rejeição do público e o vilão transformado em bonzinho sem uma construção crível. A direção de Carlos Araújo resultou em algumas cenas dignas de um produto amador. A cada capítulo tudo ficava pior e o fim foi um alívio para público e elenco. O título de pior média de audiência da história do horário nobre é merecido.