sexta-feira, 8 de maio de 2026

Rogério foi o personagem mais inútil de "Três Graças"

 Todo personagem dado como morto que retorna vivíssimo para se vingar costuma despertar a atenção do público. É um dos maiores clichês da teledramaturgia e um recurso frequentemente utilizado por autores quando precisam criar conflitos capazes de movimentar a trama. Não foi diferente em "Três Graças", novela das nove escrita por Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva.


A suposta morte de Rogério, personagem de Eduardo Moscovis, carregava mistério desde os primeiros capítulos, e seu retorno rendeu uma das melhores catarses da novela. A cena em que surgiu vivo diante de Arminda, vivida por Grazi Massafera, e Ferette, interpretado por Murilo Benício, seus algozes que tentaram assassiná-lo, teve impacto e prometia uma verdadeira virada na história.

O problema é que, ao longo dos meses, Rogério foi sendo escanteado até virar praticamente um espectador da própria trama.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

"A Nobreza do Amor" tem início bem estruturado e sem pressa, mas escassez de figurantes é um problema

 Há um contraste curioso e bastante positivo no trabalho de Duca Rachid, Elisio Lopes Jr. e Julio Fischer em "A Nobreza do Amor". Depois de uma experiência anterior marcada por atropelos narrativos em "Amor Perfeito", o trio demonstra, agora, um domínio muito mais consciente do tempo dramático e isso faz toda a diferença.


Há quase dois meses no ar, a novela das seis se revela um folhetim agradável de acompanhar justamente por aquilo que antes faltou: paciência. A construção das tramas é cuidadosa, sem a pressa que compromete o envolvimento do público. O romance entre a princesa Alika, vivida por Duda Santos, e o plebeu Tonho, de Ronald Sotto, é o melhor exemplo disso. Desde o primeiro encontro atravessado, com direito a esbarrão e troca de farpas, até o início do namoro, houve um percurso gradual, convincente e saboroso de acompanhar. Nada soa apressado, ao contrário, cada avanço do casal parece merecido.

A própria chegada da protagonista a Barro Preto, fugindo do golpe de estado liderado por Jendal (Lázaro Ramos), estabelece bem o tom da narrativa. A perda do pai, a adaptação a uma nova realidade e a construção de novas relações ---- inclusive sob a identidade de Lúcia ---- são desenvolvidas com equilíbrio.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Núcleo da delegacia rouba a cena em "Três Graças"

 O núcleo da delegacia em "Três Graças" se consolidou como um dos grandes acertos da novela, muito por conta da sintonia deliciosa entre Rômulo Estrela, Gabriela Medvedovsky e André Mattos. Desde o início, o trio se destaca ao dar vida aos policiais Paulinho e Juquinha e ao delegado Jairo com uma naturalidade gostosa de ver, daquelas que fazem o público acreditar que eles são, de fato, uma família.


E essa é a palavra-chave: família. André Mattos constrói um delegado Jairo que é firme quando precisa, mas atravessado por uma ternura quase paternal que dá o tom das relações dentro da delegacia. Ele funciona como um eixo emocional, um verdadeiro pai para Juquinha e Paulinho, conduzindo os dois com uma mistura equilibrada de autoridade, afeto e ironia.

Já Gabriela Medvedovsky e Rômulo Estrela entregam uma dupla deliciosa de acompanhar. Juquinha e Paulinho têm uma relação de irmãos que pulsa verdade --- há carinho, cumplicidade e parceria, mas também espaço para implicâncias e provocações que soam absolutamente naturais.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

“Terra Nostra”: um épico da imigração italiana que conquistou o público

 Exibida entre 20 de setembro de 1999 e 2 de junho de 2000, Terra Nostra foi mais um fenômeno de audiência de Benedito Ruy Barbosa, que já havia conquistado enorme sucesso com "O Rei do Gado". A novela — reprisada no “Vale a Pena Ver de Novo” em 2004 e também no Canal Viva em 2019 — foi dirigida por Jayme Monjardim e teve como foco central o romance entre Matteo e Giuliana, ambientado no contexto da imigração italiana no Brasil.


Situada entre o final do século XIX e o início do século XX, a trama se desenvolve majoritariamente nas fazendas de café do interior de São Paulo, destino de muitos italianos que buscavam melhores condições de vida. A história ressalta a importância da imigração na formação da sociedade brasileira, acompanhando o casal vivido por Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda, que enfrenta inúmeros obstáculos para ficar junto.

A narrativa começa em 1894, com o navio Andrea I partindo de Gênova rumo ao Brasil, trazendo camponeses que fugiam da crise econômica na Itália. A bordo estão Giuliana com seus pais (Júlio e Ana — Gianfrancesco Guarnieri e Bete Mendes), além de Matteo, que viaja sozinho em busca de uma nova vida. O romance entre os protagonistas surge rapidamente, mas é interrompido por uma epidemia de peste no navio, que mata os pais da jovem e quase leva Matteo à morte.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fernanda Vasconcellos brilha como Samira em "Três Graças"

 A atuação de Fernanda Vasconcellos em "Três Graças" confirma sua maturidade artística ao assumir um dos papéis mais sombrios da trama. Como Samira, uma vilã psicopata envolvida com tráfico de bebês, a atriz opta por um caminho menos óbvio e justamente por isso mais perturbador na trama de Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgilio Silva. 


Enquanto outros antagonistas da novela seguem uma linha mais expansiva, com explosões, gritos e gestos largos, Fernanda constrói sua personagem com contenção. Sua interpretação é econômica, quase minimalista. A ameaça não está em discursos inflamados, mas na frieza calculada. O olhar parado, o sorriso discreto fora de contexto e a postura sempre controlada criam uma tensão constante. Samira assusta não pelo excesso, mas pelo vazio emocional que transmite.

Essa escolha se mostrou especialmente eficaz nas cenas recentes envolvendo o parto de Joelly. No momento em que a protagonista viveu a vulnerabilidade extrema do nascimento da filha, Samira surgiu como uma presença silenciosa e atenta, mais interessada na “mercadoria” do que no drama humano diante dela.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

As justiças e as injustiças do "Troféu Imprensa" de 2025/2026

 O "Troféu Imprensa, exibido pelo SBT neste domingo, dia 26 de abril, começou de forma especialmente simbólica. A abertura acertou ao revisitar as personalidades mais marcantes dos 75 anos da televisão brasileira, criando um clima de celebração e memória que valorizou a história do meio e emocionou o público.


A cerimônia foi apresentada por Celso Portiolli e Patricia Abravanel, que adotaram um tom mais sóbrio e menos eufórico do que na edição anterior ---- uma mudança que se mostrou acertada e deu mais ritmo e credibilidade à condução do prêmio.

Ao longo da noite, ficou evidente que a premiação teve seus momentos de justiça, mas também acumulou injustiças e indicações difíceis de justificar sob qualquer critério mais rigoroso. Até porque a composição do júri segue controversa.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

"BBB 26": a temporada que superou o fracasso anterior e devolveu intensidade, jogo e relevância ao reality

 Depois do fracassado "BBB 25", o "BBB 26" surge como um raro caso de reconstrução bem-sucedida dentro da franquia. A temporada não apenas corrigiu rumos evidentes da edição anterior, como também conseguiu elevar o nível do jogo em quase todas as suas estruturas, devolvendo ao público a sensação de imprevisibilidade, conflito real e participação ativa na narrativa.


Um dos maiores acertos foi a curadoria do elenco. A mistura entre Camarote, Pipoca e o chamado “Time Veterano” funcionou de forma mais orgânica do que em anos anteriores, evitando a separação artificial entre grupos e criando uma convivência naturalmente tensionada. A decisão de inserir Pipocas em casas de vidro antes da estreia televisiva também foi fundamental: além de ampliar o engajamento pré-programa, dividiu com o público parte da responsabilidade na formação do elenco, fortalecendo o sentimento de participação coletiva.

Mesmo os mecanismos mais polêmicos acabaram se provando eficazes. O chamado “Quarto Branco”, que desta vez se estendeu além do esperado e chegou a gerar questionamentos do Ministério Público, acabou se tornando um dos principais motores de mobilização da temporada ---- especialmente quando o público passou a exigir a entrada de quatro participantes em vez de apenas dois.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Ana Paula Renault construiu sua vitória do primeiro ao último dia de "BBB 26"

 A vitória de Ana Paula Renault no "BBB 26" não foi apenas um resultado de popularidade — foi a conclusão inevitável de uma temporada moldada, conduzida e tensionada por ela do primeiro ao último dia. Raramente um reality show teve uma protagonista tão dominante em todas as frentes: narrativa, conflito, estratégia e, principalmente, engajamento do público. Ela entrou favorita e não perdeu o favoritismo em nenhum momento.


Desde a estreia, Ana entendeu algo que muitos participantes ignoram: o BBB não é um retiro confortável, é um jogo de exposição e movimento. Enquanto parte do elenco parecia disposta a viver num “resort all inclusive”, ela fez o oposto ----- criou enredos, tensionou relações e se recusou a deixar a casa cair no marasmo. Mais do que reagir aos acontecimentos, ela os provocava. Seus embates não eram acidentes, eram construções deliberadas.

Um dos seus maiores trunfos foi a habilidade de traduzir conflitos em linguagem acessível e viral. Os apelidos que dava aos adversários não só funcionavam como ataques irônicos e menos agressivos na forma, como também organizavam a narrativa para o público.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Tia Milena fez história no "BBB 26"

 A trajetória de Milena Moreira Lages no "BBB 26" é daquelas que desafiam qualquer análise rasa. Não se trata apenas de uma participante marcante, mas de um fenômeno raro dentro de realities: alguém que transforma suas contradições em combustível narrativo e entrega, sem filtros, uma experiência humana intensa, imperfeita e absolutamente cativante.


Milena entrou no jogo disposta a não se esconder ---- e isso, por si só, já a colocou em um lugar de destaque. Seu jeito franco, corajoso e muitas vezes errático construiu uma jornada imprevisível, daquelas que prendem o público não pela perfeição, mas pela verdade. Ela enfrentou adversários sem hesitar, comprou brigas que nem sempre eram suas e, em diversos momentos, perdeu a medida ----- como quando ultrapassou limites ao sujar as roupas do Cowboy ou ao arquitetar o inusitado “plano” do suco com limão e caldo de frango congelado. Foram episódios controversos, sem dúvida, mas também profundamente humanos, que reforçaram o quanto Milena esteve 100% entregue ao jogo.

Em uma edição dominada pela força protagonista de Ana Paula Renault, é inegável que o brilho da campeã também se reflete na presença constante e fundamental de Milena. Mais do que escudeira, ela foi complemento.

domingo, 19 de abril de 2026

A noite em que o "Big Brother Brasil" foi atravessado pela vida real

 O último domingo do "Big Brother Brasil 26" entrou para a história como um daqueles momentos em que o entretenimento se dissolve completamente e dá lugar à vida em seu estado mais bruto. Não houve jogo, estratégia ou narrativa construída: houve dor crua, inevitável e compartilhada diante de milhões.


A decisão da produção de comunicar Ana Paula sobre a morte do pai, Gerardo Renault, aos 96 anos, respeitando uma cláusula contratual, foi um ponto de tensão ética evidente. Ainda assim, o que se viu não foi exploração, mas a difícil tentativa de equilibrar humanidade e formato televisivo. A escolha de Ana Paula de seguir no programa, enfrentar o paredão e, sobretudo, silenciar sua dor diante dos colegas, transformou sua trajetória em algo que ultrapassa qualquer arco de “protagonista” típico do reality. Foi uma demonstração de força e choque que não se romantizam, porque não há beleza no sofrimento, mas que impressionam pela dimensão.

O contraste mais dilacerante veio na cena com tia Milena. Após semanas de desgaste, desconfiança e afastamento, as duas se reencontram no momento mais improvável. A ingenuidade de Milena, ao perguntar se o choro era por causa de uma injeção, revela o quanto aquele sofrimento ainda estava encapsulado, invisível.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Daphne Bozaski transforma Lucélia em um dos destaques de "Três Graças"

 A trajetória de Daphne Bozaski até chegar a Lucélia de "Três Graças" é, por si só, um estudo interessante sobre construção de carreira e, sobretudo, sobre expansão de registro interpretativo. Depois de anos marcada por personagens que exigiam um certo “tom acima”, mais estilizado ou mesmo teatral, a atriz finalmente encontra aqui um terreno onde o naturalismo não apenas é possível, como se torna sua principal ferramenta de composição.


Desde os primeiros trabalhos em "Pedro e Bianca" e "Que Monstro Te Mordeu?" (ambas em 2014), onde a expressividade mais aberta era quase uma exigência do formato, Daphne demonstrava presença cênica e domínio técnico. Esse traço se consolidou com a icônica Benê de "Malhação - Viva a Diferença" (2017), papel que exigia precisão, sensibilidade e um cuidado extremo para evitar caricaturas em cima da abordagem do autismo ---- algo que ela realizou com enorme êxito, conquistando público e crítica. Em "As Five" (2020/24), teve ainda a oportunidade de maturar essa criação, explorando novas camadas da personagem.

Mesmo quando o material não ajudava tanto, como em "Nos Tempos do Imperador" (2022), onde viveu a tímica Dolores, ou quando mergulhava de vez no campo da caricatura em "Família é Tudo!" (2024), quando brilhou na pele da estereotipada Lupita,

terça-feira, 14 de abril de 2026

Tudo sobre a coletiva de relançamento de "Guerreiros do Sol" na Globo

 Para marcar a chegada de ‘Guerreiros do Sol’ à TV Globo, elenco, autores, direção e convidados se reencontraram em um evento nos Estúdios Globo, na manhã dessa segunda-feira (13). Eu estive entre os convidados da coletiva, que reuniu elenco e equipe em um clima evidente de felicidade pelo triunfo de um trabalho irretocável. 


Os autores George Moura e Sergio Goldenberg, o diretor artístico Rogério Gomes, o diretor Thomaz Cividanes, a produtora Juliana Castro dividiram o palco com Isadora Cruz, Thomás Aquino, Alinne Moraes, Larissa Bocchino, Ítalo Martins, Vitor Sampaio e Rafa Sieg e dividiram lembranças, curiosidades e bastidores de gravação com o público, uma plateia formada por jornalistas e criadores de conteúdo. A novela estreia no dia 22 de abril, e será exibida, segunda a sexta-feira, após ‘Três Graças’, reafirmando a estratégia multiplataforma da Globo e a força de sua dramaturgia.

Terceira novela original do Globoplay, ‘Guerreiros do Sol’ conquistou público e crítica desde seu lançamento no streaming — onde contou com 45 capítulos — e chega agora à TV Globo carregando um histórico de reconhecimento.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

"Três Graças" prova que o público está sempre pronto para uma boa cena de surra

 A novela "Três Graças" acerta em cheio ao resgatar um elemento clássico da teledramaturgia: o confronto físico como ápice catártico de uma rivalidade bem construída. A sequência em que Gerluce, vivida por Sophie Charlotte, finalmente estapeia a vilã Arminda, de Grazi Massafera, não é gratuita nem apelativa e, sim, consequência dramática de uma escalada de violências emocionais, morais e até criminais.


Há tempos parte da crítica torce o nariz para esse tipo de recurso, sob o argumento de que ele contraria uma desejável sororidade feminina. Mas "Três Graças" demonstra que uma coisa não anula a outra. Aqui, não se trata de mulheres disputando um homem ----- Arminda, aliás, jamais demonstrou interesse por Paulinho (Rômulo Estrela). O embate nasce de algo muito mais grave: as consequências do esquema de remédios falsos comandado por Ferette, papel de Murilo Benício, que quase custou a vida de Lígia (Dira Paes), mãe da protagonista.

Somam-se a isso as humilhações constantes sofridas por Gerluce dentro da casa da vilã, enquanto cuidava de Josefa (Arlete Salles), e, sobretudo, o ato imperdoável de Arminda ao tentar matar Joelly (Alana Cabral), empurrando-a da escada durante a gravidez.

terça-feira, 7 de abril de 2026

"Loquinha" transforma "Três Graças" em um experimento envolvente e mais eficaz que as novelas verticais originais

 Descobertas, afetos e desafios marcam os novos capítulos da jornada de Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky) na nova novelinha vertical da Globo. O casal “sensação” de "Três Graças" ganha uma nova história com foco no cotidiano e na construção de uma vida juntas. Produzida pelos Estúdios Globo, com roteiro de Marcia Prates e direção artística de Luiz Henrique Rios, ‘Loquinha’ estreou nesta segunda-feira, dia 06 de abril, nos perfis da TV Globo nas redes sociais.


Com 25 episódios curtos e no formato vertical, a novelinha mergulha no universo emocional das protagonistas ao retratar os desafios de uma relação que se fortalece em meio a interferências externas, jogos de poder, ciúmes e disputas afetivas. Enquanto Lorena e Juquinha decidem morar juntas, elas se deparam com as maldades de Lucélia (Daphne Bozaski), a mando de Ferette (Murilo Benício), que, na história, é mencionado nas falas de Macedo (Rodrigo García). O capataz se junta a Lucélia com objetivo de separar o casal ‘Loquinha’. Entre intrigas, manipulações digitais e armações, as duas jovens enfrentam desafios que colocam à prova a força do amor que as une. A chegada de Teca (Ingrid Gaigher), ex-namorada de Juquinha, vem balançar os rumos deste enredo.

Ao mesmo tempo em que o romance avança, a novela vertical também acompanha o processo de amadurecimento pessoal e profissional das duas. Um bar surge como ponto de encontro fundamental da história, reunindo personagens, afetos, tensões e descobertas que impulsionam a trama.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

"Rainha da Sucata" sempre será um clássico da teledramaturgia

 Exibida entre 2 de abril e 26 de outubro de 1990, "Rainha da Sucata" foi a estreia de Silvio de Abreu no horário nobre da Globo. Com o objetivo de substituir o fenômeno "Tieta", a novela teve um início turbulento e sofreu com a repercussão de "Pantanal", estrondoso sucesso da Rede Manchete, escrito por Benedito Ruy Barbosa --- vale lembrar que as tramas não concorriam diretamente. A forte linguagem cômica não foi muito bem aceita e o enredo ganhou alguns elementos mais dramáticos. Aos poucos, a trama foi se acertando e conquistando o público.


Reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo" em 1994, no Canal Viva em 2013 e novamente nas tardes da Globo desde 3 de novembro de 2025, a história abordava a ascensão dos novos ricos e a decadência da elite paulistana, através da rivalidade entre a emergente Maria do Carmo (interpretada pela sempre ótima Regina Duarte) e a socialite falida Laurinha Figueiroa (magistral Glória Menezes). A mocinha e a vilã, respectivamente, honraram o destaque que tinham e as atrizes até hoje são lembradas pelo grande desempenho neste folhetim.

Como acontece em todas as obras do autor, a trama tinha fortes elementos cômicos e uma boa dose de tensão. Maria do Carmo enriquece com os negócios do pai (Onofre - Lima Duarte -, vendedor de um ferro velho) e se torna uma rica empresária, apesar de manter os costumes e hábitos da época que era pobre.

terça-feira, 31 de março de 2026

Tudo sobre a coletiva online de "Juntas e Separadas", a nova série do Globoplay

 O Globoplay promoveu no dia 11 de março a coletiva online de 'Juntas e Separadas', nova série da plataforma de streaming. Participaram a autora Thalita Rebouças, a diretora Mini Kerti e o elenco, que contou com Sheron Menezzes, Debora Lamm, Natália Lage, Luciana Paes, Matheus Costa, Claudia di Moura, Louise Cardoso, Bruno Garcia, Tomtom, Bruno Mazzeo, Thelmo Fernandes, Fábio Ventura e Mateus Solano. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo. 

Thalita Rebouças comentou como criou a trama: "A ideia da série surgiu quando me separei do primeiro marido e tive uma roda de apoio muito grande das minhas amizades. Não podia estar mais realizada. O elenco todo é incrível. É um abraço em todas as mulheres. Não tem diferença na hora de escrever. A diferença é que na série falo palavrão ao contrário dos meus livros e films, mas nunca pensei 'agora vou escrever para criança e agora para adulto'". Mini Kerti acrescentou: "Aos poucos fomos construindo esse elenco estelar maravilhoso". 

Sheron Menezes falou sobre a sua experiência em relação ao enredo de sua personagem: "Minhas amigas são minha base e são amigas de muitos anos. Ter amigas pra mim é indispensável.

segunda-feira, 30 de março de 2026

As justiças e as injustiças do "Melhores do Ano" de 2025/2026

 A edição deste domingo do "Melhores do Ano", exibida no "Domingão com Huck", manteve o tom festivo e grandioso que já virou marca da premiação comandada por Luciano Huck, mas também chegou cercada de mudanças que não passaram despercebidas. O prêmio deixou de ir ao ar em dezembro --- período tradicional da atração ---- e foi exibido no último domingo de março, uma alteração que causou estranhamento e quebrou a sensação de “fechamento de ano” que sempre marcou o especial.


Ao vivo, o programa reuniu nomes de destaque da televisão, música, jornalismo e esporte, apostando em números musicais ---- como a abertura com Marina Senna --- e performances de Ivete Sangalo, Simone Mendes e Diego & Victor Hugo, além da presença de Paulo Vieira interagindo com a plateia. Aliás, Paulo foi um show à parte. Todo ano é, então nem chega a ser uma surpresa. Falou do escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, debochou do power point da Globo News que tentou associar Lula ao banqueiro, ridicularizou as novelinhas verticais que a emissora tem lançado e ainda exibiu um clipe fazendo piada com os investimentos superficiais que a Globo vem fazendo, ao invés de priorizar suas novelas, que mal têm figuração e escassez de externas.

Mas, por trás do brilho e da celebração, a edição também evidenciou ausências absurdas e alguns vencedores que despertaram indignação nas redes sociais.

sexta-feira, 27 de março de 2026

"A Nobreza do Amor": o que esperar da nova novela das seis?

 Uma superprodução que conecta um reino africano a uma pacata cidade do interior do Nordeste do Brasil e propõe uma união intercontinental através do amor, do desejo de justiça e do encontro com a ancestralidade. Em ‘A Nobreza do Amor’, uma fábula afro-brasileira dos anos de 1920 que chegou ao horário das seis da TV Globo no dia 16 de março, a distância de um oceano não é empecilho para um encontro de almas: Alika (Duda Santos) e Tonho (Ronald Sotto), uma princesa da África e um trabalhador do Brasil, protagonistas dessa história que reúne aventura, romance, humor e grandes emoções.


Criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr., com direção artística de Gustavo Fernández e produção de Andrea Kelly, a novela se passa em dois universos fictícios, distantes geograficamente, mas com fortes entrelaçamentos que ajudam a revelar a face de um país que tem na África a fonte de uma das suas mais nobres raízes ancestrais. De um lado do oceano, Batanga, ex-colônia portuguesa, reino da costa ocidental da África, marcada por uma disputa de poder central na trama. Do outro, Barro Preto, interior do Rio Grande do Norte, cidade onde litoral e sertão se cruzam, produzindo paisagens singulares de um microcosmo de Brasil, em seus conflitos e diversidade.

 

Um golpe de estado em Batanga dá início a essa trama envolvente, que reúne grande elenco e conta com cenas de tirar o fôlego. O ambicioso Jendal, vilão interpretado por Lázaro Ramos, é o responsável por trair e derrubar o rei Cayman II (Welket Bungué), usurpando seu trono,

quinta-feira, 26 de março de 2026

Tudo sobre a segunda coletiva online de "A Nobreza do Amor", a nova novela das seis

 A Globo promoveu na primeira quinta-feira de março, dia 5, a segunda coletiva virtual de 'A Nobreza do Amor', a nova novela das seis, escrita por Duca Rachid, Elisio Lopes Jr. e Julio Fischer, dirigida por Gustavo Fernandez. Participaram a diretora de conteúdo da Globo, Kellen Julio, e os atores Marco Ricca, Érika Januza Lázaro Ramos, Bukassa Kabengele, Rayssa Bratillieri, Rodrigo Simas,Kika Kalache, Ana Cecilia Costa, Rita Batista, João Fernandes, Nikolly Fernandes, Paulo Lessa, Hilton Cobra, Lucínio Januário, André Luiz Miranda, Welket Bungué, Edu Mosssri, Michel Blois e João Pedro Zappa. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir. 


Kellen Julio contou sobre o projeto: "Que honra apresentar esse projeto tão incrível. Sou diretora de inovação, diversidade e conteúdo dos Estúdios Globo. Entrei na empresa em 2018 para desenhar a brasilidade do nosso audiovisual. Entrei na Globosat, que nem existe mais, e com a fusão das empresas saio de um universo menor e desenho a diversidade de toda empresa olhando para o povo negro. 'A Nobreza do Amor' ressignifica a relação do Brasil com a África. A gente resgata um posicionamento e enquadra a África no imaginário, após anos de uma abordagem tão reducionista. O horário das seis é tão precioso porque tem as crianças chegando da escola, os pais chegando do trabalho e trazendo uma estética linda com a novela. É uma revolução. A gente tem um diálogo muito bom para investir na dramaturgia sem estereótipos e com uma proposta de Brasil que a gente acredita. É um orgulho abrir esse debate".

Lázaro Ramos falou sobre seu primeiro vilão: "Nunca foi um sonho da minha vida fazer vilão. Meu sonho era fazer herói. Quando Elisio me convidou pro projeto quis muito fazer. Tá sendo uma descoberta e um prazer falar coisas absurdas e maldades, além de acompanhar esse universo que vem sendo contado.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Gerluce e Paulinho têm uma construção primorosa em "Três Graças"

 A trajetória de Gerluce (Sophie Charlotte) e Paulinho (Romulo Estrela) em "Três Graças" é um raro exemplo de construção cuidadosa e coerente dentro da teledramaturgia recente. Desde o início, a novela optou por um caminho menos apressado, permitindo que o envolvimento entre os dois florescesse de forma orgânica. O jogo de conquista conduzido por Paulinho deu à narrativa um charme especial, valorizando cada avanço emocional até que a mocinha, aos poucos, cedesse não apenas ao encanto do mocinho, mas também à possibilidade de se permitir amar.


Essa base sólida foi essencial para que o relacionamento alcançasse camadas mais profundas conforme a trama avançava. Quando o amor finalmente se estabeleceu, ele não surgiu como um ponto de chegada, mas como o início de um vínculo que seria testado por circunstâncias complexas e moralmente desafiadoras. E é justamente aí que a novela acerta com ainda mais precisão.

O ponto de virada, o envolvimento de Gerluce no roubo da estátua das Três Graças, não apenas movimenta a trama, mas ressignifica completamente a relação do casal.

terça-feira, 24 de março de 2026

Laurinha Figueroa foi uma das vilãs mais emblemáticas da teledramaturgia

 A reprise de "Rainha da Sucata" no Vale a Pena Ver de Novo, em plena reta final, oferece uma oportunidade de revisitar uma das vilãs mais icônicas da teledramaturgia brasileira, Laurinha Figueroa, e reconhecer a magnitude da interpretação de Gloria Menezes. Laurinha não é apenas má; ela é essencialmente cruel, preconceituosa, racista e elitista, encarnando os vícios e contradições de uma elite marcada pelo poder e pela hipocrisia. A personagem se despediu da trama no capítulo emblemático reexibido nesta terça-feira (24/03).


O único traço de humanidade de Laurinha reside no amor pelo enteado Edu (Tony Ramos), sentimento que rapidamente se transforma em obsessão e catalisa muitas das ações mais perversas de Laurinha, revelando uma complexidade emocional rara para uma vilã da época. O autor Silvio de Abreu fez uma construção hábil.

Mesmo inserida em um enredo maniqueísta, Laurinha apresenta sutilezas que a engrandecem. Cada gesto calculado, cada olhar desconfiado, cada pausa estratégica expõe camadas de vulnerabilidade, frustração e desejo de controle.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Juca de Oliveira: o rigor e a grandeza de quem fez da arte um compromisso eterno

 A morte de Juca de Oliveira, aos 91 anos, neste sábado (21/03), encerra uma das trajetórias mais sólidas e elegantes da dramaturgia brasileira. Dono de uma presença cênica rara, ele construiu uma carreira marcada pela inteligência interpretativa, pela dicção impecável e por uma capacidade singular de transitar entre o teatro, a televisão e o cinema sem jamais perder densidade artística.


No palco, onde muitos o consideram insubstituível, Juca consolidou-se como um ator de rigor técnico e apuro intelectual. Sua formação teatral foi determinante para o tipo de intérprete que viria a ser: alguém que compreendia profundamente o texto, que valorizava o subtexto e que nunca se rendia a soluções fáceis. Essa base sólida o acompanhou também em seus trabalhos na televisão, onde alcançou enorme popularidade sem abrir mão da qualidade.

Entre seus papéis mais marcantes está o inesquecível João Gibão, de "Saramandaia" (1976), personagem que sintetizou bem sua habilidade de equilibrar o fantástico e o humano.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Samuel de Assis emociona em forte e necessária cena de "Três Graças"

 O capítulo exibido nesta sexta-feira (20/03) de "Três Graças" apresentou uma das cenas mais fortes da trama, ao mostrar o momento em que João Rubens (Samuel de Assis) decidiu colocar um ponto final no casamento com Kasper (Miguel Falabella). A sequência também teve um papel importante ao retratar um casal gay enfrentando conflitos profundos e complexos, como qualquer relacionamento heterossexual, reforçando a naturalidade e a seriedade dessas dinâmicas sem reduzi-las a estereótipos.


A cena em que João decidiu encerrar o casamento com Kasper foi daquelas que transcenderam o drama pessoal e se tornaram um comentário social potente e necessário. O texto já era, por si só, um dos mais contundentes da novela, mas ganhou outra dimensão na forma como Samuel de Assis o conduziu. Houve uma firmeza, uma dor que não explodiu gratuitamente, mas se impôs com lucidez, o que tornou cada palavra ainda mais cortante. Quando João expôs o egoísmo de Kasper, por ter roubado a estátua 'Três Graças' apenas por ego e sem pensar nele em nenhum momento, o conflito deixou de ser apenas conjugal: ele se transformou em um retrato das assimetrias raciais profundamente enraizadas na sociedade.

O texto teve um impacto necessário: 'Quando você é preto nesse mundo, o mundo não espera que você acerte. Ele fica parado ali de espreita, esperando pelo mínimo deslize seu pra poder te rotular, te julgar de bandido, de criminoso, de vagabundo.

terça-feira, 17 de março de 2026

Participação de Luiz Fernando Guimarães em "Três Graças" foi breve, mas significativa

 A participação de Luiz Fernando Guimarães em "Três Graças" foi breve, mas cumpriu bem a função de dar densidade a um momento específico da trama. Como Michelangelo, ele apareceu inicialmente como um observador silencioso, acompanhando de longe a leveza do relacionamento entre Juquinha (Gabriela Medvedovski) e Lorena (Alanis Guillen) na piscina de um clube, até encontrar espaço para se aproximar e dividir um pouco de sua própria história.


O texto trabalhou um contraste direto entre gerações ---- de um lado, o passado marcado pelo medo, pela repressão e pela necessidade de esconder afetos; de outro, um presente mais aberto, ainda que não livre de julgamentos. Luiz Fernando Guimarães conduziu essa transição com sobriedade, evitando excessos. Seu Michelangelo não fez um grande discurso, mas um relato contido, quase casual, sobre uma vida inteira vivida com cautela, reprimindo desejos por medo de violência ou julgamento. Essa escolha deu mais naturalidade à cena e evitou que ela soasse didática.

Houve também um elemento extratextual que acabou enriquecendo a leitura do público. Casado há quase 30 anos com o empresário Adriano Medeiros, com quem tem um casal de filhos, o ator manteve por muito tempo sua vida pessoal de forma discreta, sem grande exposição.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Tudo sobre a primeira coletiva online de "A Nobreza do Amor", a nova novela das seis

 A Globo promoveu na primeira quarta-feira de março, dia 4, a primeira coletiva virtual de 'A Nobreza do Amor', a nova novela das seis, escrita por Duda Rachid, Elisio Lopes Jr. e Júlio Fisher e dirigida por Gustavo Fernandez. Estiveram presentes os autores, o diretor e os atores Ronald Sotto, Duda Santos, Danton Mello, Cesar Ferrario, Nicolas Prattes, Theresa Fonseca, Fabiana Karla, Cássio Gabus Mendes, Vitória Rodrigues, Quitéria Kelly, Daniel Rangel, Fábio Lago, Raíssa Xavier, Marcelo Médici, Samantha Jones, Júlia Lemos, Emanuelle Araújo, João Fontenele, Carol Badra, Ítalo Martins e Lukete. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir.


Julio Fischer comentou sobre a essência do enredo: "É um universo fabular e temos elementos ficcionais, mas não são totalmente fantasiosos. Essa nossa ficção é muito calcada da pesquisa histórica. O protagonismo negro está desde a nossa primeira ideia, que foi contar a história de uma princesa negra. Foi uma preocupação nossa e a semente da novela foi a partir desse propósito. Vai existir um confronto para alcançar uma justiça e existe um confronto, mas visando um bem maior".

Duca Rachid complementou: "África não é uma só e trouxemos várias Áfricas. Trouxemos várias referências da literatura, assim como fizemos em 'Cordel Encantado', e podemos trazer uma riqueza de linguagem, mas calcada em pesquisa histórica. A gente tá fazendo uma novela dois em um e considero essa a mais difícil para mim.

sábado, 14 de março de 2026

Último capítulo de "Êta Mundo Melhor!" desrespeita elenco e público

 É normal que, em qualquer novela, algumas cenas gravadas acabem ficando de fora da edição final. A televisão trabalha com limites rígidos de tempo e, muitas vezes, pequenos ajustes são inevitáveis para que o capítulo caiba na duração prevista. No entanto, o que aconteceu no último capítulo de "Êta Mundo Melhor!" ultrapassa em muito esse tipo de ajuste comum. O episódio final foi marcado por cortes tão significativos que acabaram comprometendo a narrativa e demonstrando um profundo desrespeito tanto com o elenco quanto com o público.


Vários desfechos simplesmente desapareceram da tela. Personagens que acompanharam toda a trajetória da história tiveram seus destinos resumidos de forma abrupta ou sequer mostrados. Um dos casos envolve Olga (Maria Carol) e Carmem (Cristiane Amorim). As duas personagens foram parar na cadeia, mas as cenas gravadas pelas atrizes dentro da cela --- que dariam contexto e encerramento à punição --- não foram exibidas. O público só soube que elas existiam porque as próprias intérpretes publicaram fotos dos bastidores nas redes sociais. Ou seja, o material foi gravado, mas simplesmente não foi ao ar.

O mesmo aconteceu com o casamento de Zenaide (Evelyn Castro) e do detetive Sabiá (Fábio de Luca), outra sequência que acabou cortada.

sexta-feira, 13 de março de 2026

"Êta Mundo Melhor!" provou que "Êta Mundo Bom!" não precisava de continuação

 A continuação de "Êta Mundo Melhor!, que chegou ao fim nesta sexta-feira (13/03), após 220 capítulos, acabou provocando um efeito inesperado: ao tentar prolongar o universo de "Êta Mundo Bom!", a nova novela terminou evidenciando que a história original já estava completa. A obra criada por Walcyr Carrasco tinha um arco narrativo fechado e um desfecho satisfatório. Ao retomar esse universo, primeiro com textos do próprio autor e depois sob o comando de Mauro Wilson, a trama acabou revelando o risco de revisitar uma história cujo conflito principal já havia sido resolvido.


Desde os primeiros meses, a novela apresentou uma estrutura narrativa que parecia andar em círculos. A sensação recorrente era a de que o telespectador podia ficar semanas ou até meses sem assistir e, ao voltar, perceber que quase nada havia avançado. Isso aconteceu porque várias tramas foram reiniciadas ou reconfiguradas de maneira muito semelhante às histórias da obra anterior, criando uma estranha sensação de repetição constante, como se a continuação estivesse refazendo caminhos já percorridos.

A saga de Estela (Larissa Manoela) é um exemplo evidente disso. A personagem teve uma trajetória muito semelhante à de Maria (Bianca Bin) na novela original, inclusive no romance inicial com Celso (Rainer Cadete).

segunda-feira, 9 de março de 2026

Heloísa Perissé e Evelyn Castro formaram uma ótima dupla em "Êta Mundo Melhor!"

 Na reta final de "Êta Mundo Melhor!", uma das duplas mais saborosas de acompanhar tem sido a formada por Heloísa Perissé e Evelyn Castro, intérpretes da ambiciosa Zulma e de sua inseparável escudeira Zenaide. Em meio às tramas românticas típicas da novela, as duas construíram uma relação que mistura humor, afeto e conflito, que resultou em um equilíbrio raro que acabou se tornando um dos pontos mais interessantes da história de Walcyr Carrasco, desenvolvida por Mauro Wilson e dirigida por Amora Mautner.


Zulma e Zenaide são, à primeira vista, a clássica dupla de patroa e empregada: a vilã manipuladora e a assistente que executa seus planos. No entanto, a dinâmica criada por Perissé e Castro vai muito além desse arquétipo. Há entre elas uma cumplicidade evidente, quase como a de duas sobreviventes que se reconheceram no mundo. Mesmo quando discutem ---- e as brigas são frequentes, muitas vezes carregadas de ironia e impaciência ---- o público percebe um carinho genuíno que atravessa a relação. Zenaide reclama, retruca, ameaça ir embora… mas permanece. E Zulma, por trás da arrogância, parece saber que aquela é a única pessoa que realmente a conhece.

Grande parte dessa força vem da química entre as atrizes. Heloísa Perissé dá a Zulma um misto irresistível de veneno e comicidade, enquanto Evelyn Castro constrói uma Zenaide que oscila entre resignação e sagacidade.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Larissa Manoela se destacou em "Êta Mundo Melhor!"

 Faltando pouco mais de uma semana para o fim de "Êta Mundo Melhor!", a participação de Larissa Manoela como Estela se consolidou como um dos acertos da continuação de "Êta Mundo Bom!", escrita por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson dirigida por Amora Mautner. Esta é sua segunda novela na Globo, após a estreia como protagonista em "Além da Ilusão" (2022), e a personagem encontrou um espaço importante dentro da história.


Ao longo da trama, Larissa construiu uma Estela sensível, determinada e muito ligada à filha, sua única família. A atriz teve bons momentos nos embates da enfermeira com os vilões Sandra (Flávia Alessandra) e Ernesto (Eriberto Leão), especialmente nas cenas em que a personagem precisou confrontar ameaças diretas à própria vida e à segurança da filha. Nessas sequências, ela demonstrou firmeza sem perder o tom humano que caracteriza a enfermeira.

Entre os momentos mais marcantes está a delicada sequência da morte da mãe de Estela, em cena com Letícia Sabatella.

terça-feira, 3 de março de 2026

Lauro e Tobias foram apagados em "Êta Mundo Melhor!"

 A atual novela das seis da Globo, escrita por Walcyr Carrasco e desenvolvida por Mauro Wilson, está perto do seu fim, após longos meses andando em círculos. Entre os visíveis problemas de "Êta Mundo Melhor!", está a condução do casal Tobias (Cleiton Morais) e Lauro (Marcelo Argenta). O resultado é, no mínimo, frustrante, especialmente para quem acompanhou a trajetória dos dois em "Êta Mundo Bom!". Na novela anterior, o público viu a relação se encaminhar aos poucos com um raro cuidado dentro de uma narrativa de época. Eles terminaram juntos, consolidando um arco afetivo que, embora bem discreto, tinha significado.


Na continuação, porém, o que se viu foi um verdadeiro apagamento. Em vez de dar sequência natural ao relacionamento já estabelecido, a nova trama optou por regredir a história, recontando praticamente os mesmos conflitos, só que agora esvaziados de destaque e profundidade. Tobias e Lauro passaram grande parte da novela à margem dos acontecimentos centrais, quase como se sua existência fosse um detalhe inconveniente na narrativa.

Isso se torna ainda mais lamentável quando observamos que outras produções contemporâneas conseguiram avançar em representatividade com muito mais coragem.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Dennis Carvalho foi um dos melhores diretores da teledramaturgia brasileira

 A morte de Dennis Carvalho, neste sábado (28/02), aos 78 anos, não representa apenas a despedida de um diretor, como marca o fim de uma era em que a teledramaturgia brasileira consolidou linguagem, escala industrial e ambição estética sob um mesmo comando criativo. Dennis foi, ao longo de cinco décadas, uma engrenagem central da TV Globo, ajudando a moldar sua identidade artística e também suas contradições.


Sua chegada à emissora, em 1975, para atuar na primeira versão de "Roque Santeiro" foi simbólica. A novela acabou censurada pela ditadura militar antes da estreia, tornando-se um dos casos mais emblemáticos de intervenção política na cultura brasileira. A frustração daquele projeto abortado revelava o ambiente de tensão em que a televisão operava  e Dennis testemunhou, desde cedo, como arte e poder se entrelaçavam na dramaturgia nacional.

Como ator, mostrou talento ao viver Inácio, em "Brilhante" (1981), um personagem gay, filho de Chica (Fernanda Montenegro),  em um momento em que a representação LGBTQIA+ na TV aberta ainda era cercada de estigmas e limitações.

Romance de Lorena e Juquinha em "Três Graças" é um marco na teledramaturgia

 A novela "Três Graças" marca um divisor de águas na teledramaturgia brasileira ao construir com sensibilidade, profundidade e naturalidade o romance entre Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovski). Longe de estereótipos ou da superficialidade que por tantas vezes limitou personagens LGBTQIAPN+ na televisão aberta, o casal é desenvolvido com o mesmo cuidado, complexidade emocional e protagonismo tradicionalmente reservados aos pares heterossexuais. 


A construção de Lorena e Juquinha é um dos maiores acertos dramáticos da obra. Os autores Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva pensaram muito bem no desenvolvimento das duas. A relação cresce diante do público de forma orgânica: começa na identificação mútua, amadurece nos conflitos cotidianos e se consolida no afeto explícito, vivido sem subterfúgios. Não há caricatura, nem fetichização e, sim, humanidade. O roteiro entende que o amor entre duas mulheres não é “tema”, é história. E isso faz toda a diferença.

Muito desse êxito se deve à química arrebatadora entre Alanis Guillen e Gabriela Medvedovski. As duas atrizes constroem uma parceria cênica deliciosa: os olhares sustentados, o toque que vira segurança, o riso compartilhado após o aumento gradativo da intimidade, enfim, tudo pulsa verdade.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

"Três Graças" apresenta sequências de tirar o fôlego

 O capítulo deste sábado, dia 21, de "Três Graças'", marcou uma nova virada na trama: Joélly (Alana Cabral) entrou em trabalho de parto depois que Lena (Bárbara Reis) bateu o carro enquanto era perseguida por Samira (Fernanda Vasconcellos). Muito assustada, a jovem, que estava indo ao shopping com a amiga para comprar peças do enxoval do bebê, percebeu que a bolsa estourou. Indecisa, ela acabou aceitando ser levada ao hospital por Samira e Edilberto (Júlio Rocha), já fazendo apelos para que não peguem a criança depois do nascimento. 

No local do acidente, Lena acordou, ferida e desorientada, enquanto Raul (Paulo Mendes) e Jorginho (Juliano Cazarré) a encontraram e perguntaram sobre Joélly. Uma pessoa que observou tudo afirmou que a jovem tinha sido levada por uma mulher de cabelo curto e Raul concluiu que se trata da chef do restaurante da Fundação Ferette. Ele lembrou do cartão que ela lhe entregou com um endereço para o momento de a bebê nascer e correu até o lugar com Jorginho. No trajeto, pressionado, Raul contou para o pai de Joélly sobre o acordo que fizeram com Samira em troca de pagar suas dívidas com Bagdá (Xamã). Revoltado com a atitude de Raul, Jorginho obrigou ele a descer do carro e seguiu sozinho para o endereço.

Enquanto isso, a chef de cozinha e Edilberto chegaram com Joélly numa clínica clandestina. A jovem estranhou o local e implorou para que Samira não levasse o bebê depois do parto, mas ela ignorou os apelos e disse que Joélly vai se acostumar com a falta da criança, assim como aconteceu na sua experiência pessoal.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

"O Testamento: O Segredo de Anita Harley", novo documentário do Globoplay

 Uma herdeira em coma, um império bilionário em jogo, uma batalha judicial que já dura quase uma década e que expõe laços de afeto, poder e fortuna. Esses são os elementos centrais da série documental ‘O Testamento: O Segredo de Anita Harley’, novo Original Globoplay, que estreia nesta segunda-feira, dia 23 de fevereiro. Com produção do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo, os cinco episódios chegam juntos ao streaming e o primeiro estará disponível para todo o público, incluindo não assinantes. A obra conta a trajetória empresarial e familiar complexa de Anita Harley, maior acionista individual das Casas Pernambucanas – uma das redes de varejo mais tradicionais do país –, e apresenta os bastidores das disputas envolvendo duas ex-funcionárias da empresária e o filho de uma delas em torno de sua curatela e herança avaliada em mais de R$ 1 bilhão. 


Criada no Recife, na década de 1940, Anita cresceu cercada pela tradição e influência da família no varejo nacional: a empresária é filha de Helena Groschke Lundgren e bisneta de Herman Lundgren, fundador da Pernambucanas. Nos anos 1990, após a morte da mãe, assumiu a presidência da companhia. No entanto, um evento inesperado mudou o rumo da sua carreira. Desde 2016, está em coma depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), desencadeando uma batalha judicial em volta da sua curatela – encargo legal atribuído a uma pessoa para representar alguém civilmente quando este não possui capacidade para fazê-lo, como a administração de seus bens. 

Nessa complexa batalha judicial, o documentário apresenta os principais envolvidos: de um lado, Cristine Rodrigues, secretária de confiança de Anita e designada como responsável por seus cuidados em testamento vital – documento em que uma pessoa pode expressar

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Alana Cabral é uma grata surpresa em "Três Graças"

 A estreia de Alana Cabral como uma das protagonistas em "Três Graças" tem sido um dos pontos mais interessantes da atual safra de novelas. Em seu primeiro papel à frente de uma trama, e ainda tão jovem, a atriz demonstra uma segurança que chama atenção na trama de Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgilio Silva, dirigida por Luiz Henrique Rios.


Desde os primeiros capítulos, Alana construiu Joelly com delicadeza, evitando exageros. Sua interpretação aposta no naturalismo, o que faz com que os conflitos da personagem pareçam orgânicos. Para alguém em seu primeiro protagonismo, é notável a forma como ela sustenta cenas longas e emocionalmente exigentes sem perder o tom. Claro que dividir o protagonismo com Sophie Charlotte (Gerluce) e Dira Paes (Lígia) serve como ponto de apoio importante, mas seu bom desempenho merece reconhecimento.

Há ainda um desafio adicional em sua composição: Joelly é uma adolescente impulsiva, que muitas vezes faz o que quer, toma decisões precipitadas e contraria conselhos. Um perfil assim facilmente poderia irritar o público ou gerar rejeição. Ainda mais diante da relação com outra figura irresponsável, o instável Raul (Paulo Mendes).

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Cobertura do Carnaval da Globo no RJ foi repleta de erros, mas Milton Cunha passou ileso

 A cobertura do Carnaval pela Globo neste ano foi muito ruim e todas as novidades apresentadas se mostraram um fiasco. As muitas críticas nas redes sociais se mostraram justas diante de tudo o que foi apresentado. Mas, em meio a tantos problema perceptíveis, a presença de Milton Cunha novamente foi o ponto alto das transmissões.


Milton foi, mais uma vez, o verdadeiro espetáculo à parte. Debochado, inteligente e um conhecedor raro do universo do samba, conseguiu traduzir para o público a complexidade dos enredos, explicar referências históricas e culturais com clareza e ainda manter o brilho e a emoção que o Carnaval exige. Seu entusiasmo é contagiante, sua leitura estética é precisa e sua capacidade de contextualização transforma alegorias e fantasias em narrativas vivas. Em vários momentos, o público assistia ao desfile pelos olhos de alguém que realmente entende e ama aquilo que está vendo. Vale destacar ainda suas performances na hora do fechamento dos portões, as entrevistas bem-humoradas e as brincadeiras com os integrantes das escolas.

Infelizmente, o restante da transmissão não acompanhou esse nível. A novidade do rádio aberto para ouvir a comunicação interna das equipes das escolas parecia uma boa ideia no papel, mas na prática se mostrou invasiva e pouco funcional.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Capítulo 100 de "Três Graças" faz jus ao que a novela apresenta de melhor

 A cerimônia de inauguração da nova farmácia da Fundação Ferette na Chacrinha marcou o capítulo 100 de 'Três Graças', que foi ao ar nesta quinta-feira, dia 12, com uma sequência de acontecimentos impactantes, que se estendem para os capítulos seguintes. O evento foi idealizado por Xênica (Carla Marins) com o objetivo de fazer com que Ferette (Murilo Benício) acreditasse que seria um momento de celebração de suas ações sociais na comunidade, mas a intenção foi mostrar para todos que Rogério (Eduardo Moscovis) estava vivo.


Na ocasião, Gerluce (Sophie Charlotte) encontrou Paulinho (Romulo Estrela) a serviço, acompanhado do delegado Jairo (André Mattos) e Juquinha (Gabriela Medvedovski). O clima estava melhor entre os dois após ela pedir perdão por ter escondido informações sobre Rogério. A cerimônia começou e Ferette discursou para o público, apresentando Leonardo (Pedro Novaes) como seu sucessor no comando da Fundação. Arminda (Grazi Massafera) acompanhou o discurso de perto. Neste momento, Misael (Belo) estava com sua arma na mira do empresário, pronto para colocar o plano em prática no momento mais oportuno.


Enquanto isso, Zenilda (Andréia Horta) apareceu de surpresa no flat de Rogério. Ao saber de tudo o que aconteceu em torno da "morte" do empresário e sobre o esquema dos remédios falsos, a advogada selou com ele uma parceria para acabar com o ex-marido e Arminda e seguiram para o evento.