sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Mocinha e vilã vivem à sombra do mocinho em "Coração Acelerado"

 A uma semana de seu fim, Coração Acelerado fracassou em vários aspectos, e o principal deles foi a ausência de enredos próprios para a mocinha e a vilã da trama. Agrado (Isadora Cruz) e Naiane (Isabelle Drummond) viveram em função de João Raul (Filipe Bragança) durante praticamente toda a história.


Agrado até formou uma dupla sertaneja com Duda (Gabz), mas a trajetória das duas sempre esteve subordinada ao que acontecia entre a protagonista e o mocinho. É claro que o romance central costuma ser um dos pilares de qualquer novela, mas, neste caso, isso se tornou uma âncora para a personagem, que ficou refém de um enredo exaustivo envolvendo uma paixão de infância surgida em um único encontro, que durou apenas alguns minutos. As idas e vindas com João dominaram a narrativa, assim como a rivalidade com Naiane.

Com a vilã, o problema foi ainda maior. Naiane não tinha outro objetivo na vida além de conquistar o cantor e aumentar sua popularidade como influenciadora. Não havia qualquer outro conflito que movimentasse a personagem.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Filipe Bragança confirma em "Coração Acelerado" que estava pronto para protagonizar uma novela

 A escolha de Filipe Bragança para viver João Raul em Coração Acelerado foi um acerto por um único fator: ele estava mais do que pronto para protagonizar uma novela.


O protagonista da trama das sete, escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, é um personagem muito difícil de conquistar o público, principalmente pela forma como foi construído. João Raul passou a maior parte da história sendo um babaca: pensou apenas em si mesmo, tirou conclusões precipitadas em praticamente todas as suas decisões equivocadas e protagonizou diversas cenas em que transbordou grosseria com Agrado (Isadora Cruz), seu par romântico.

Todas as suas vulnerabilidades — tanto a insatisfação com a carreira, apresentada nos primeiros meses da novela, quanto a relação de preocupação e ressentimento com o pai, Walmir (Antonio Caloni), por causa do vício em jogos — foram tratadas de forma superficial e mereciam um aprofundamento muito maior.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Romance de Laurinha e Esteban nasce em meio ao maior equívoco de "Coração Acelerado"

 Primeiramente, é importante ressaltar que esta crítica em nada diz respeito ao excelente trabalho de Kamila Amorim, que é uma grata revelação de "Coração Acelerado", e Diego Martins, que está ótimo como Esteban. O problema está em todo o enredo que vem sendo desenvolvido em torno de Laurinha.


Os personagens começaram a novela sendo os braços direitos da vilãzinha Naiane (Isabelle Drummond). Os dois formavam uma dupla deliciosa e completavam muito bem o trio com a vilã. No entanto, foram desaparecendo ao longo da trama e perdendo importância. Naiane passou a agir sem qualquer necessidade de tê-los por perto.

O único conflito minimamente relevante envolvendo os dois aconteceu quando Esteban fingiu ser um estilista fictício para poder criar suas obras para Janete (Letícia Spiller), enquanto trabalhava oficialmente para Zilá (Leandra Leal),

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Tudo sobre a festa de lançamento de "Por Você", a próxima novela das sete

 Com estreia marcada para o próximo dia 17 de agosto, ‘Por Você’ ganhou uma celebração à altura de sua chegada à programação da TV Globo. Na tarde desta segunda-feira, 3 de agosto, elenco, criadores e equipe da nova novela das sete se reuniram no Edifício Touring, na Praça Mauá, para marcar o lançamento da trama criada por Dino Cantelli e Juliana Peres. O encontro também reuniu jornalistas, formadores de opinião e familiares dos atores e atrizes da obra, em uma prévia do universo afetuoso e contemporâneo que o público acompanhará em breve na TV.


As chamadas da novela exibidas pela Globo já vêm despertando expectativa e indicam uma produção promissora. O clima de entusiasmo também tomou conta da festa de lançamento, que foi marcada pela descontração, pela animação do elenco e pela celebração de um projeto que chega cercado de boas expectativas.

Localizado entre o Museu de Arte do Rio (MAR) e o Museu do Amanhã, símbolos da renovação urbana da região portuária carioca, o centenário Edifício Touring foi escolhido para receber a comemoração.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

"A Nobreza do Amor" ultrapassa os 100 capítulos sem fazer a história andar

 A atual novela das seis, "A Nobreza do Amor", escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., merece todos os elogios pelo elenco talentoso escalado, pela ótima construção dos personagens e pelo figurino de encher os olhos. No quesito desenvolvimento da história, porém, a trama vem deixando muito a desejar.


A novela chegou ao centésimo capítulo na semana passada e pouca coisa de realmente relevante aconteceu até agora. Tudo anda em círculos, e os poucos conflitos apresentados estão presos a repetições. Afinal, o que de importante aconteceu na história até o momento? Se você precisou parar para pensar, é porque quase nada.

O único acontecimento realmente marcante ocorreu no início da trama, quando Alika (Duda Santos) e sua mãe, a rainha Niara (Erika Januza), fugiram de Batanga após o golpe de Estado liderado por Jendal (Lázaro Ramos) e se instalaram no Brasil.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Tudo sobre a coletiva online de "Jogada de Risco", a nova série do Globoplay

 O Globoplay promoveu na quinta-feira retrasada, dia 16, a coletiva virtual de 'Jogada de Risco', a nova série da plataforma de streaming criada por Cauã Reymond, Thiago Dottori e Sofia Maria, com supervisão de Lucas Paraizo e direção de Bruno Safadi. Participaram Cauã, Lucas, a produtora Isabela Bellenzani, o diretor e os atores Rodrigo Lombardi, Mariana Sena, Maria Bopp, Bruna Griphao, Marcelo Adnet, Marcos Frota, Breno Ferreira, Ramiro Martinez, Ricardo Theodoro e Juan Paiva. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir.


Cauã Reymond falou de sua realização: "Precisava dar tchau pro César, de 'Vale Tudo', e encontrar o Maurício. Fui idealizador do projeto antes de entrar na Globo. Conversei com jogadores que fizeram sucesso, com outros que não fizeram sucesso. Falei com relações públicas, dirigentes. Quando levei pra Globo e a Globo gostou do projeto todo mundo começou a desenvolver isso. A série não é inspirada em casos reais, mas tem casos reais. A maior preocupação é que a gente não inventasse nada da cabeça, queria algo realmente próximo e que gerasse curiosidade no público".

Lucas Paraizo complementou: "Muitas dessas histórias estão no nosso inconsciente coletivo. A gente está mostrando os bastidores.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Duda Santos e Theresa Fonseca brilham no primeiro embate real entre vilã e mocinha de "A Nobreza do Amor"

 Em A Nobreza do Amor, atual novela das seis escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., aconteceu nesta quinta-feira (23) o primeiro embate de fato entre a vilã e a mocinha. A trama chegou ao capítulo 100 nesta semana e só agora as personagens tiveram um confronto direto, ainda que breve, mas suficiente para marcar uma mudança na dinâmica entre as duas. Pela primeira vez, Virginia (Theresa Fonseca) deixou de lado o comportamento dissimulado e o discurso cuidadosamente calculado para expor, sem qualquer máscara, o preconceito que sempre carregou.


A vilã se colocou completamente às claras diante de Alika (Duda Santos), ao confrontá-la em plena rua e na frente de diversas pessoas. Revoltada após ficar de castigo por decisão dos pais, consequência de ter sido desmascarada pela mocinha, Virginia responsabilizou a rival pelo pior momento de sua vida. Afinal, foi Alika quem revelou que ela havia trazido os cangaceiros para a cidade com o objetivo de destruir seu ateliê e acabar com seu trabalho.

Tomada pelo ódio, Virginia abandonou qualquer tentativa de manipular a situação e partiu para ataques racistas explícitos.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

"Preta – Eu Não Ando Só": documentário emocionou ao retratar, com delicadeza e coragem, a despedida de Preta Gil

 Exibido pela TV Globo na última segunda-feira (20), logo após a novela Quem Ama Cuida, o documentário ""Preta - Eu Não Ando Só" entregou um retrato sensível, íntimo, difícil e profundamente humano de Preta Gil. A produção, que também chegou ao Globoplay, reuniu imagens inéditas --- muitas gravadas pela própria cantora em seu celular --- e cumpriu a missão de mostrar, sem filtros, os últimos anos de sua vida, marcados pela luta contra o câncer de intestino.


Mais do que um registro sobre a doença, o documentário se revelou uma celebração da vida. Com direção delicada e uma narrativa muito bem construída, o filme teve coragem para expor situações extremamente dolorosas e íntimas, sem recorrer ao sensacionalismo. Pelo contrário: tratou cada momento com respeito, sensibilidade e verdade, permitindo que o público acompanhasse não apenas o sofrimento de Preta, mas, principalmente, sua imensa vontade de viver.

Diagnosticada com câncer em janeiro de 2023, a cantora decidiu documentar sua própria jornada ao lado de amigos e familiares.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Renato Machado deixa legado de rigor e elegância no telejornalismo brasileiro

 O jornalismo brasileiro perdeu, na quinta-feira passada, 16 de julho, um de seus profissionais mais respeitados. Renato Machado morreu aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Com uma trajetória marcada pelo rigor jornalístico, pela elegância na condução da notícia e por uma atuação que atravessou diferentes gerações do telejornalismo, construiu uma carreira de destaque na TV Globo ao longo de quase quatro décadas. O jornalista deixa a esposa, Mônica Morel, a filha, a atriz Maria Eduarda Machado, e uma neta.


Renato iniciou a carreira no jornalismo em 1969, no Jornal do Brasil. Em 1982, ingressou na TV Globo e participou da cobertura da Guerra das Malvinas, um dos primeiros grandes acontecimentos internacionais de sua trajetória na emissora. No ano seguinte, assumiu o posto de correspondente em Londres, de onde acompanhou fatos históricos, como o desastre nuclear de Chernobyl e outros acontecimentos de grande repercussão na Europa.

Ao longo de sua trajetória na Globo, Renato apresentou o Jornal da Globo e o RJTV e integrou a bancada do Jornal Nacional. Entre 1996 e 2010, viveu uma de suas fases mais marcantes como apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Caderno de ervas vira roteirista e expõe pobreza narrativa de "Coração Acelerado"

 A atual novela das sete de Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, transformou as poções, chás e combinações de ervas em um dos principais motores de sua narrativa. O problema não é a existência desse elemento fantástico em si, mas a insistência em recorrer a ele para provocar praticamente qualquer reviravolta importante da história, dirigida por Carlos Araújo e a um mês de seu final na Globo.

Curiosamente, Izabel de Oliveira já havia utilizado um recurso semelhante no sucesso "Cheias de Charme" (2012), escrita em parceria com Filipe Miguez. Na ocasião, o famoso chá de ferragoela foi usado pelas vilãs Chayene (Cláudia Abreu) e Socorro (contra as Empreguetes, mas acabou sendo tomado pelas próprias vilãs. A situação era pontual, divertida e coerente com o tom farsesco da novela. Funcionava justamente por ser uma exceção, e não uma muleta narrativa.

Em Coração Acelerado, porém, o expediente virou regra. Logo no início da trama, Naiane (Isabelle Drummond) tenta usar o próprio ferragoela para prejudicar Ana Castela, mas acaba ingerindo a bebida.

terça-feira, 14 de julho de 2026

"Você Decide" no "Domingão": uma ideia que nunca fez sentido

 A Globo parece determinada a colecionar decisões questionáveis nos últimos tempos. Depois da surpreendente escolha de abrir mão dos direitos de transmissão de todos os jogos da Copa do Mundo como forma de economizar dinheiro ---- uma economia cujos efeitos negativos ficaram evidentes no crescimento da CazéTV e no vácuo que abriu em sua programação no horário de partidas relevantes ----, a emissora agora aposta em mais uma ideia difícil de defender: ressuscitar o "Você Decide" como quadro do "Domingão com Huck".


O "Você Decide" foi um enorme sucesso na década de 1990. Em uma época em que a interatividade na televisão ainda engatinhava, o programa inovou ao apresentar uma história cujo desfecho era escolhido pelo público por meio de ligações telefônicas. Para isso, a produção gravava dois finais diferentes, algo impressionante para os padrões tecnológicos da época. Era uma proposta criativa, que ajudou a transformar a atração em um fenômeno.

Como acontece com tantos sucessos da TV, o programa saiu do ar, voltou anos depois em uma nova tentativa de emplacar, mas já não encontrou o mesmo público e acabou sendo encerrado definitivamente. Ou pelo menos era o que parecia.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Benedito Ruy Barbosa levou o Brasil rural para o centro da dramaturgia e não haverá outro igual

 A morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, poucos meses depois da despedida de Manoel Carlos, representa mais do que a perda de um dos maiores novelistas da televisão brasileira. É o fim de uma geração de autores que escrevia a partir de um universo muito particular, reconhecível desde a primeira cena. Se Manoel Carlos eternizou o cotidiano da classe média alta da Zona Sul do Rio de Janeiro, Benedito fez exatamente o oposto: transformou o Brasil rural em protagonista de suas histórias.


Num período em que boa parte da teledramaturgia caminhava para os grandes centros urbanos, ele insistiu em voltar os olhos para o interior. Fazendas, plantações, rios, peões, colonos, boias-frias, jagunços, coronéis e famílias divididas pela posse da terra nunca serviram apenas como pano de fundo. Em suas novelas, a terra era personagem. Produzia riqueza, despertava cobiça, separava famílias, alimentava lendas e moldava o destino de gerações.

Sua identidade autoral já estava evidente em Os Imigrantes, exibida pela Band entre 1981 e 1982, uma superprodução que retratava a formação do povo brasileiro a partir das ondas migratórias.

terça-feira, 7 de julho de 2026

"Coração Acelerado" faz Gabz reviver um roteiro que o público rejeitou em "Mania de Você"

 Entre os muitos problemas de "Coração Acelerado", atual trama das sete escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, um dos mais frustrantes é ver a novela repetir um conflito que o público acabou de acompanhar na problemática "Mania de Você" e, ironicamente, com a mesma atriz no centro da história. 


Em um enredo marcado por personagens rasos, conflitos pouco consistentes e mudanças bruscas de direção, a personagem Duda jamais esteve entre os erros da novela. Pelo contrário: ela era uma das poucas figuras que possuíam um passado sólido e uma trajetória capaz de despertar a empatia do público.

Abandonada pela mãe ainda criança em uma calçada, enquanto ela fugia em um ônibus, Duda cresceu traumatizada, sobreviveu de pequenos golpes e encontrou na música a oportunidade de transformar sua vida.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

"Por Amor", "Laços de Família" e "Mulheres Apaixonadas" formaram uma trilogia memorável de Manoel Carlos

Não é fácil um autor emplacar um sucesso atrás do outro. Afinal, após uma trama de grande êxito a expectativa para a próxima é ainda maior e muitas vezes a frustração vem. O escritor não consegue repetir o triunfo. Walcyr Carrasco é um dos poucos que consegue com certa facilidade e não por acaso virou o coringa da Globo. Mas é preciso relembrar a trilogia memorável de Manoel Carlos, que faleceu em janeiro deste ano, com "Por Amor" (1997), "Laços de Família" (2000) e "Mulheres Apaixonadas" (2003). 


As três novelas primaram pelo enredos bem estruturados e conflitos arrebatadores que caíram na boca do povo. O curioso foi a diferença das respectivas Helenas. As duas primeiras eram fortes, controversas, grandes protagonistas e ricas dramaturgicamente, enquanto a terceira acabou ofuscada por todas as tramas paralelas, muito mais convidativas. Mas o enredo fraco da Helena de Christiane Torloni não afetou a qualidade de "Mulheres Apaixonadas" e nem prejudicou a ótima audiência da época. Isso porque o conjunto conquistou o público de imediato. 

Todos os núcleos tiveram destaque, onde temas fortes e muitas vezes emocionantes permeavam os conflitos e os dramas dos personagens. O ciúme doentio de Heloísa (Giulia Gam em seu melhor papel na carreira); a bonita relação que Téo (Tony Ramos) tinha com a menina Salete (Bruna Marquezine); o alcoolismo de Santana (Vera Holtz);

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Tudo sobre a 1ª Mostra de Filmes dos Estúdios Globo e o delicioso "Deixa Acontecer"

 A 1ª Mostra de Filmes dos Estúdios Globo teve sua abertura na segunda-feira, dia 8 de junho, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com a pré-estreia de "Deixa Acontecer", dirigido por Natalia Grimberg, criado pela roteirista Renata Corrêa, com produção executiva de Betina Paulon e produção de Leilanie Silva. Voltado aos colaboradores, o evento marca a trajetória do Núcleo de Filmes e abriu uma semana de exibições das produções desenvolvidas pela área.


A pré-estreia reuniu o elenco formado por Paola Antonini, João Vitor Silva, Douglas Silva, Klara Castanho, Lais Lage, Mariana Ximenes, Danton Mello e Débora Lamm, além dos músicos Vitinho e Feyjão e das criadoras do longa. A nova comédia romântica musical estreou no streaming do Telecine, disponível no Globoplay, Prime Video e via operadoras de TV.

Criado em 2023, o Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo nasceu com a missão de produzir longas-metragens para cinema, TV e streaming.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

O brilho de Antonio Calloni faz Walmir se destacar em "Coração Acelerado"

 Em meio aos inúmeros problemas de roteiro e desenvolvimento de "Coração Acelerado", uma certeza permanece intacta: o elenco está longe de figurar entre os defeitos da novela. E poucos atores exemplificam isso tão bem quanto Antonio Calloni. Dono de uma carreira marcada por transformar coadjuvantes em personagens memoráveis, o ator repete o feito na pele de Walmir, um papel que poderia facilmente passar despercebido, mas que ganhou densidade e relevância graças ao seu talento.


Pai do protagonista João Raul (Filipe Bragança), Walmir passou boa parte da trama em aparições discretas. Ainda assim, bastavam poucos minutos em cena para Calloni preencher a tela com uma presença rara. Não por acaso, o personagem foi crescendo gradativamente dentro da narrativa, conquistando não apenas um arco próprio, mas também um par romântico, Irene (Fernanda Pimenta), e até uma nova perspectiva de vida com sua loja de empadões goianos.

A força da interpretação ficou ainda mais evidente no recente arco envolvendo o vício em jogos. Em uma das melhores cenas da novela até aqui, Walmir finalmente encontra coragem para participar de uma reunião dos Jogadores Anônimos e assumir publicamente sua dependência.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Julgamento de Adriana em "Quem Ama Cuida" teve muitos furos, mas rendeu ótimas cenas

 O julgamento de Adriana (Letícia Colin) em "Quem Ama Cuida" foi um daqueles momentos em que a emoção conseguiu superar a lógica. As cenas exibidas entregaram tensão, grandes atuações e momentos marcantes para os personagens, mas também foram marcadas por uma sucessão de situações pouco críveis que enfraqueceram o impacto da injustiça sofrida pela protagonista.


O primeiro problema esteve na própria construção do caminho até o tribunal. A prisão preventiva de Adriana se sustentou em bases extremamente frágeis. A acusação de que ela estaria fugindo da Justiça, feita por Pilar (Isabel Teixeira), dificilmente justificaria tantos meses de prisão quando havia uma explicação simples e facilmente verificável para sua viagem: visitar a mãe no hospital. A novela perdeu ali a oportunidade de conceder uma pequena vitória à protagonista antes da queda definitiva. Se Adriana tivesse conseguido reverter a prisão naquele momento para depois ser condenada injustamente, o impacto emocional do julgamento teria sido ainda maior.

Os problemas aumentaram quando o julgamento finalmente começou. A revelação de que Pedro (Chay Suede) não poderia continuar na defesa porque havia sido arrolado como testemunha pelo Ministério Público funcionou como um plot twist dramático, mas esbarrou na falta de verossimilhança.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Entre o absurdo e o improviso, "E.T." entregou o melhor da dupla Edu & Tatá

 Em tempos em que o humor do Multishow parece presa a fórmulas desgastadas e personagens caricatos (levando em conta também que o humor da televisão aberta praticamente nem existe mais), "E.T: Edu & Tatá", surgiu como uma agradável exceção. A atração, que marcou o reencontro de Eduardo Sterblitch e Tatá Werneck (após o sucesso de "Shippados", em 2019), chegou ao fim após apenas dez episódios, mas deixou uma certeza: ainda existe espaço na televisão para o humor imprevisível, anárquico e genuinamente criativo.


Exibido entre 19 de maio e 19 de junho, sempre às terças e quintas-feiras, o programa apostou em uma proposta simples e ao mesmo tempo ousada: abandonar qualquer compromisso com a lógica. O slogan "tem tudo, menos sentido" não era apenas uma frase de efeito. Em cada episódio, Tatá e Edu mergulhavam em um universo caótico onde a única regra era fazer rir, inclusive eles mesmos.

Ao longo da temporada, os dois interpretaram mais de 200 personagens em esquetes que transitavam entre a paródia, o nonsense e o improviso. E é justamente nesse improviso que reside a grande força de "E.T.".

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Todos os elogios ainda são poucos para "Guerreiros do Sol"

 Os autores George Moura e Sérgio Goldenberg formam uma dupla grandiosa e corajosa. São escritores que valorizam a arte da escrita e o bom melodrama, o que pode ser constatado em "Guerreiros do Sol", novela de 2025 do Globoplay, que estava totalmente gravada desde 2023 e foi exibida na Globo, com muitos cortes, em 2026. O último capítulo foi exibido nesta quarta-feira, dia 17, após "Quem Ama Cuida".


A trama bebe da fonte da saga de Lampião e Maria Bonita, entre 1920 e 1930, mas com novos nomes dados aos protagonistas: Josué (Thomás Aquino) e Rosa (Isadora Cruz). O enredo principal é livremente inspirado no livro "Guerreiros do Sol: Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil", do historiador Frederico Pernambucano de Mello, publicado em 1985. E há uma visível liberdade poética na trama, o que proporciona novos arcos que valorizam as figuras femininas, ao mesmo tempo que não resulta em um produto anacrônico, como costuma ocorrer em tantos folhetins de época da Globo. Aliás, é um acerto colocar a Rosa com narradora de uma história tão violenta e dominada por uma guerra entre inúmeros homens.

A narrativa é ágil, mas não há atropelos de acontecimentos e tudo é muito bem construído, tanto nas relações dos personagens quanto na preparação para o aumento da temperatura a cada capítulo, o que resulta em explosões em forma de guerras sangrentas e sempre com várias vítimas.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Arduíno aterrorizou o público e valorizou o talento de Irandhir Santos em "Guerreiros do Sol"

 "Guerreiros do Sol" foi a melhor novela de 2025 e o melhor folhetim feito por uma plataforma de streaming. Após o sucesso no Globoplay, a trama foi exibida pela Globo com muitos cortes e chega ao fim nesta quarta-feira, dia 17. As várias qualidades da obra de George Moura e Sérgio Goldenberg já foram expostas neste espaço, entre elas o elenco repleto de atores brilhantes e com um destaque especial a Irandhir Santos. 


Embora seja até injusto focar em um nome só diante de tantos profissionais que deram um show ao longo dos capítulos, é necessário aplaudir mais um desempenho irretocável de um dos maiores intérpretes do país. O ator não é uma figura frequente na televisão, ainda esteja bastante requisitado nos últimos anos. Tanto que brilhou como o vilão Álvaro na controversa "Amor de Mãe", em 2019, e em 2022 teve uma jornada dupla no remake de "Pantanal": surgiu logo no primeiro capítulo na pele de Joventino, o pai de José Leôncio, e voltou dois meses depois, na segunda fase, no ingrato papel de Zé Lucas de Nada. Também emocionou como Tião Galinha, ano passado, no insosso remake de "Renascer". 

Em "Guerreiros do Sol", o ator viveu um dos momentos mais desafiadores de sua carreira televisiva. Irandhir interpretou o grande vilão da novela. O maior vilão da história da teledramaturgia, sem exagero. Era aquele tipo de perfil que sempre dava um passo a mais.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Tudo sobre a coletiva online da sexta temporada de "Sessão de Terapia" no Globoplay

 O Globoplay promoveu no dia 30 de abril a coletiva virtual da sexta temporada de  'Sessão de Terapia'. Participaram a autora Jaqueline Vargas, o produtor Roberto d`Avila e os atores Selton Mello, Paulo Gorgulho, Bella Camero, Alice Carvalho, Grace Passô e Olívia Torres. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir. 


Jaqueline Vargas explicou a nova temporada: "O protagonista agora viverá um universo feminino com a irmã dele e com tantas outras mulheres em volta dele, revisitando temas delicados da vida dele. Ele sempre acha que a terapia dele terminou e acaba vendo que não porque a gente está sempre se aprimorando e aprendendo. Quando acabou a terceira temporada disseram que não teria mais, então fui fazer uma formação em psicanálise e quando comecei a atender me disseram que a série ia voltar... E continuei estudando, estudo até hoje. É muito interessante essa série porque ela trabalha com o inconsciente. É muito apaixonante fazer".

Roberto d Avila complementou: "Jaque, Selton e eu estamos desde o início, o que acabou fazendo a série ser uma referência para tantos psicólogos. A outra chave para uma série ser longeva é se renovar a cada temporada.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Sucesso de 'Jotília' em "Guerreiros do Sol" pavimentou o caminho para 'Loquinha' em "Três Graças"

 Diante de uma sucessão de retrocessos na atual teledramaturgia da Globo, onde o conservadorismo vem tirando o destaque e a presença de casais homoafetivos na ficção, foi um alento o desenvolvimento do amor de Jânia e Otília em "Guerreiros do Sol", novela do Globoplay, escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg, e dirigida por Rogério Gomes, exibida ano passado e em reta final na Globo. O sucesso que o casal fez com o público nas redes sociais ainda foi fundamental para o êxito do casal lésbico em "Três Graças", encerrada há pouco tempo.


O casal não está no mote central do enredo, mas nem por isso a relação das personagens é tratada de forma superficial. Há uma preocupação dos autores em explorar o sentimento genuíno que surgiu entre as duas e que vem sendo trabalhado com muita delicadeza, em meio a um enredo repleto de assassinatos e cenas fortes. Quando as duas surgem em cena é quase um respiro para o telespectador, que não tem como deixar a tensão de lado enquanto acompanha o enredo impactante e arrebatador, protagonizado por personagens densos e defendidos por um elenco repleto de talentos. 

Jânia iniciou a novela como uma típica mulher de 1920: submissa ao marido, Idálio (Daniel de Oliveira), e sem voz na fazenda do sogro, Elói (José de Abreu). Otília também teve um começo parecido: cresceu sendo reprimida pelo pai, Seu Neném (Cláudio Jaborandy), e dedicou sua vida à irmã, Rosa (Isadora Cruz), por quem tem imensa cumplicidade.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

"Guerreiros do Sol" mostrou uma Globo dos bons e velhos tempos

 A terceira novela produzida pelo Globoplay teve a sua realização em 2023, mas só estreou em 11 de junho de 2025. Quando "Verdades Secretas 2" foi lançada, em 2021, houve a promessa de que a plataforma de streaming da Globo produziria uma novela por ano, o que não foi cumprido. E até hoje não foi explicado o motivo do adiamento da estreia de "Guerreiros o Sol". E nem a razão de terem a nomeado primeiramente como folhetim, depois como série e por último voltando ao conceito de novela. Mas, deixando todas essas questões de lado, a produção, que está em sua última semana de exibição na Globo, foi um primor. 


A trama de George Moura e Sérgio Goldenberg, dirigida por Rogério Gomes, tem um enredo forte, cenas violentas e impactantes, um elenco repleto de talentos, personagens muito bem escritos, um texto irretocável e uma fotografia de encher os olhos. O que se viu foi uma superprodução, onde ficou notório o elevado investimento do Globoplay, que na verdade é fruto do capital da emissora aberta. Isso era regra no canal desde o seu surgimento e não por acaso surgiu o termo 'Padrão Globo de Qualidade'.

 No entanto, há muito tempo que o tal padrão deixou de existir, principalmente após a pandemia da covid-19. O corte de custos afetou diretamente o nível da teledramaturgia, que passou a exibir muitas cenas restritas a estúdios e com uma repetição exaustiva de cenários e ambientações, além de muitas cenas mal dirigidas e até editadas.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Desmascaramento de Naiane resulta em anticlímax e expõe fragilidades de "Coração Acelerado"

 A aguardada catarse em que Agrado (Isadora Cruz) e Eduarda (Gabz) finalmente revelam ao público todas as mentiras de Naiane (Isabelle Drummond) em "Coração Acelerado" ficou muito aquém das expectativas. A cena, que deveria representar um dos grandes momentos da novela, terminou como um exemplo de oportunidade desperdiçada, incapaz de provocar o impacto dramático que a trama vinha prometendo há semanas.


O principal problema está na própria construção de Naiane. A personagem nunca chegou a se consolidar como uma vilã de verdade. Suas armações --- fingir que cantava usando a voz de Eduarda e mentir sobre ser o amor de infância de João Raul (Filipe Bragança) ---- soam mais próximas das intrigas juvenis da extinta "Malhação" do que das grandes manipulações típicas de antagonistas memoráveis das novelas. Naiane é, no fundo, apenas uma jovem mimada que vive em função do protagonista, sem um objetivo próprio ou um arco independente. É uma pena, porque Isabelle Drummond é uma atriz talentosa e vem realizando um ótimo trabalho com o material que recebeu.

A falta de impacto também passa por uma decisão difícil de compreender: Naiane sequer estava presente no momento em que foi desmascarada. Como uma vilã pode ser exposta diante do público sem estar no palco para reagir?

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Morte de Arthur Brandão transforma "Quem Ama Cuida" e marca a despedida magistral de Antonio Fagundes

 A morte de Arthur Brandão entra para a história de "Quem Ama Cuida" como um daqueles capítulos em que roteiro, direção e interpretações alcançam um nível de excelência que transcende o melodrama tradicional. Exibido nesta terça-feira (2), o episódio não apenas marcou uma das maiores reviravoltas da novela até aqui, como também representou a despedida de Antonio Fagundes após 13 capítulos de uma atuação memorável, que deu densidade e humanidade a um dos personagens mais fascinantes da trama.


Arthur Brandão surgiu como um homem ferido pela vida, cercado por familiares que enxergavam apenas sua fortuna e incapazes de oferecer o afeto que ele tanto buscava. Ao decidir se casar com Adriana (Letícia Colin), sua fisioterapeuta e confidente, ele não apenas protegia sua herança daqueles que o abandonaram, mas encontrava uma rara oportunidade de recomeçar. A construção desse arco foi conduzida com sensibilidade pelos autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto, que transformaram um acordo aparentemente pragmático em uma das relações mais bonitas da novela.

Antonio Fagundes brilhou do primeiro ao último capítulo. Seu Arthur alternava amargura, ironia, fragilidade e esperança sem jamais perder a coerência dramática. Era um personagem que carregava cicatrizes profundas, mas que ainda acreditava na possibilidade de ser amado. O perfil era muito parecido com o que viveu em "Bom Sucesso", fenômeno das sete em 2019, escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm. Mas o intérprete conseguiu diferenciá-los.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Capítulo de colecionador confirma o potencial de "Quem Ama Cuida"

 O capítulo deste sábado (30/05) de Quem Ama Cuida foi daqueles que enchem o telespectador de orgulho por ser noveleiro. A novela de Walcyr Carrasco e Claudia Souto ainda está em seu início, mas já vem prendendo a atenção graças aos promissores conflitos que vêm sendo apresentados na obra, todos típicos de um folhetim clássico.


A saga da mocinha Adriana (Letícia Colin) envolveu o público desde o primeiro capítulo, quando perdeu tudo o que tinha em uma enchente, incluindo o marido. Desde que começou a trabalhar como fisioterapeuta do poderoso Arthur Brandão (Antônio Fagundes), o início da relação entre os dois também despertou o interesse dos espectadores.

Mas o capítulo de sábado marcou a primeira grande catarse da história, quando Adriana aceitou o pedido de casamento do ricaço para impedir que sua herança fique com uma família repleta de oportunistas.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Gabz transforma Duda no coração mais humano de "Coração Acelerado"

 Em meio aos vários problemas de desenvolvimento de "Coração Acelerado", Gabz acabou encontrando em Eduarda, a Duda, uma rara oportunidade dentro da novela: interpretar uma personagem que ao menos possui uma linha narrativa minimamente consistente. Em uma trama marcada por conflitos superficiais, repetitivas idas e vindas amorosas e arcos que parecem surgir e desaparecer sem muito planejamento, Duda é uma das poucas figuras que realmente despertam interesse contínuo no público.


Muito disso vem da própria trajetória da personagem. A história da menina abandonada pela mãe ainda criança --- deixada sozinha na rua enquanto via a mulher ir embora em um ônibus --- imediatamente cria curiosidade. O roteiro pode até não aprofundar tudo o que poderia desse trauma, mas Gabz consegue dar peso emocional suficiente para que ele nunca pareça apenas um detalhe jogado na trama.

A atriz entende bem o tom da personagem. Duda carrega uma melancolia constante, mas Gabz evita transformar isso em um sofrimento excessivamente dramático. Sua interpretação funciona justamente pela simplicidade.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Primeiros capítulos de "Quem Ama Cuida" mostram um folhetim clássico, denso e cheio de potencial

 Criada por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com direção artística de Amora Mautner, " Quem Ama Cuida" começa apostando alto no melodrama clássico, mas revestido de uma atmosfera contemporânea e socialmente sensível. Já em sua primeira semana, a novela demonstra segurança narrativa ao construir uma trama central forte sem abrir mão da apresentação gradual dos núcleos paralelos ---- algo cada vez mais raro em folhetins que costumam acelerar demais suas engrenagens logo na estreia.


O início da novela impressiona pela ambientação caótica de uma São Paulo devastada por um temporal. A tragédia climática não funciona apenas como pano de fundo estético, mas como motor dramático que reorganiza completamente a vida da protagonista Adriana, interpretada com intensidade por Letícia Colin. A sequência da enchente é tecnicamente ambiciosa e consegue transmitir urgência e desespero sem soar artificial, mérito da direção de Amora Mautner e do investimento da produção em criar um ambiente visualmente imersivo.

A jornada de Adriana nasce da perda absoluta: desempregada, desabrigada e viúva após o desaparecimento do marido Carlos, vivido por Jesuíta Barbosa, ela imediatamente se estabelece como uma heroína clássica do universo de Walcyr Carrasco ---- alguém destruída pelas circunstâncias, mas movida pela necessidade de sobreviver.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

"Quem Ama Cuida": o que esperar da nova novela das nove?

Quando tudo desmorona, nem tudo se perde. Lições como essa conduzem o público ao longo de ‘Quem Ama Cuida’, nova novela das nove da TV Globo, cuja trama acompanha a transformação de Adriana (Leticia Colin), uma mulher que, diante de perdas irreparáveis, descobre a força de recomeçar, movida por uma profunda sede de justiça. Ambientada em uma São Paulo devastada por uma grande enchente, a novela apresenta uma trama urbana e contemporânea que dialoga diretamente com o melodrama clássico, apostando em grandes emoções, reviravoltas e surpresas. 


O texto, assinado por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com direção artística de Amora Mautner, combina amizade, conflitos familiares, amor impossível, mistério e vingança, a partir das consequências do encontro entre Adriana e Arthur (Antonio Fagundes). Quando um casamento se torna o cenário de um crime que muda o destino de todos, a obra mergulha em uma história de superação, segredos e revelações. 

Um forte temporal transforma São Paulo em cenário de caos e dá início à jornada de Adriana (Leticia Colin), que vê sua vida desmoronar. Enquanto volta para casa após ser demitida da clínica onde trabalhava, uma enchente atinge a periferia da cidade, onde mora com sua família. O marido, Carlos (Jesuíta Barbosa), o avô Otoniel (Tony Ramos), a mãe, Elisa (Isabela Garcia), e o irmão Mau Mau (João Victor Gonçalves) estão lá, e Adriana só pensa em chegar em casa, mas a água logo invade o local e força a família a fugir em meio à correnteza que se forma e destrói tudo o que eles levaram anos para construir.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Tudo sobre a segunda coletiva online de "Quem Ama Cuida", a nova novela das nove da Globo

 A Globo promoveu na primeira quarta-feira de maio, dia 6, a segunda coletiva virtual de 'Quem Ama Cuida', a nova novela das nove, escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, dirigida por Amora Mautner. Participaram o autor e os atores Letícia Colin, Isabela Garcia, Tatá Werneck, Rainer Cadete, Tatiana Tibúrcio, Maria Ribeiro, Rodrigo Fagundes, Nanda Marques, Debora Evelyn, Allan Souza Lima, Mariana Sena, Agatha Moreira, Luana Martau, Guilherme Piva, Pedro Alves, Haonê Thinar, Jeniffer Nascimento, Ricardo Theodoro, Pri Helena, Duda Almeida, Igor Rickli, Pietro Antonelli, Henrique Barreira e Cecília Beraba. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir. 


Walcyr Carrasco contou a história central de seu enredo: "A novela começa com uma enchente porque faz parte da história do povo brasileiro. É muito comum famílias perderem tudo. Perdem as próprias vidas. Isso marca a vida da Adriana, uma fisioterapeuta desempregada que está a procura de trabalho e é quando conhece nosso protagonista, o Pedro (Chay Suede), e passa a lutar pela famílias. O avô dela, Otoniel, vende flores e passam a lutar para sobreviver a essa enchente, mas tem uma enchente contínua na vida deles que é a falta de emprego e oportunidades. Ela passa a trabalhar com o Brandão, vivido pelo Fagundes. Me inspirei em mim mesmo pra esse personagem porque precisei de fisioterapeuta para me recuperar e me vi no Fagundes. E essa história, como todas minhas novelas, tem romance, luta e superação. Escrevo por intuição a ponto que os personagens passam a ser pessoas que eu conheço e vão me contando a histórias delas, algo quase espírita. Estou feliz com o elenco, a Letícia é uma atriz muito firme e precisava de uma atriz que fosse firme, mas não antipática. Estou com o elenco dos sonhos e todo mundo que convidei aceitou.

O produtor Thiago Furtado falou do desafio da cena do temporal: "Foi uma das maiores sequências que a gente já fez por aqui.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Tudo sobre a primeira coletiva online de "Quem Ama Cuida", a nova novela das nove

 A Globo promoveu na segunda-feira, dia 27 de abril, a primeira coletiva virtual de 'Quem Ama Cuida', a nova novela das nove escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, dirigida por Amora Mautner. Participaram a autora, a diretora, a produtora Isabel Ribeiro, o produtor Mauricio Quaresma e os atores Chay Suede, Belize Pombal, José Loreto, Letícia Colin, Flávia Alessandra, Isabel Teixeira, Glicério do Rosário, Mariana Ximenes, Dan Stulbach, Eloise Yamashita, Yohana Eshima, Alexandre Borges, João Victor Gonçalves, Bruno de Mello, Gui Ferraz, Antônio Fagundes e Tony Ramos. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir. 


Claudia Souto falou do projeto: "Walcyr fez a sinopse e me convidou para estar com ele. Foi uma parceria longa com ele até eu virar autora titular. É uma história intensa e brasileira, é uma novela que fala de justiça e como enfrentar as injustiças da vida. Essas novelas de vingança que o Walcyr gosta tanto de fazer, e eu de assistir, fazem parte da vida do brasileiro. A gente tá com um novelão na mão, é uma novela sobre família, tem uma família que não se ajusta com seus valores, que é a do Brandão, é uma novela cheia de união que é a da Adriana. E várias configurações do que é uma família hoje. Quero dar parabéns ao elenco, a gente está encantado, a Amora está fazendo um trabalho excepcional, a chamada já mostra que ela vem com o pé na porta com a enchente que desencadeia toda a história. O que está me encantando até agora é a coisa do humano. O ator está no centro da tela e isso é precioso, a gente tem um grande trabalho juntos. Fiz com Walcyr 'Sete Pecados', 'Caras e Bocas' e Morde & Assopra'. Agora a gente cria junto. Quando eu entrei a gente voltou pro capítulo um e a gente tem encontros de criação semanal, a gente bola como vai ser o bloco, e depois vai desenvolvendo. A gente conta com colaboradores, como o Wendel Bendelack, a Julia Lacks, Marta Mendonça e Bruno Segadille. É uma equipe muito ajustada e isso faz a novela ser tão grandiosa, ela passa por vários olhares antes de ir para os atores. Quando o Walcyr me disse que a Letícia faria a Adriana só me lembrei da encantadora Leopoldina que ela fez em 'Novo Mundo'."

Letícia Colin comentou: "As mocinhas podem ser inesquecíveis e encantadoras. Os valores da Adriana são belos e me identifico com os valores da família dela, querer sempre estar junto das gerações diferentes, o respeito que tem pelo avô, o irmão, a mãe que está o tempo inteiro a serviço dessa família, mergulhar no amor me interessa profundamente.

domingo, 17 de maio de 2026

O controverso final do casal 'Loquinha' em "Três Graças"

 O casal “Loquinha”, de Três Graças, entrou para a história recente da teledramaturgia não apenas pela química arrebatadora entre Juquinha, de Gabriela Medvedovsky, e Lorena, interpretada por Alanis Guillen, mas pela maneira como a novela rompeu um padrão cansativo e limitador imposto aos casais lésbicos nas novelas brasileiras. Pela primeira vez em muito tempo, duas mulheres se apaixonaram livremente desde o início, sem um homem servindo como intermediário emocional, sem um casamento hétero frustrado como gatilho narrativo e sem a velha lógica de “descoberta” baseada em sofrimento conjugal. Era desejo, encanto e paixão acontecendo de forma direta, espontânea e luminosa. E talvez tenha sido justamente por isso que o público tenha reagido tão mal ao desfecho.


O desenvolvimento de Juquinha e Lorena foi um pequeno acontecimento cultural dentro da própria Globo. Em uma emissora historicamente conservadora em suas cúpulas, acostumada a impor limites velados à representação LGBTQIA+, a novela surpreendeu ao blindar o casal de censuras tradicionais. Não houve “cota de beijos”, nem aquele constrangimento clássico de sugerir intimidade sem mostrá-la. Juquinha e Lorena tiveram um relacionamento completo: trocaram olhares, desejo, afeto, cenas domésticas e muitos beijos em horários nobres, sem a narrativa pedir desculpas por isso. O sucesso internacional da novela ajudou a consolidar essa liberdade criativa e transformou as duas em um dos casais mais populares da dramaturgia recente. Por isso o final foi tão decepcionante.

O problema nunca esteve na ideia de barriga solidária em si. Famílias plurais existem e podem render histórias emocionantes. O erro foi a escolha completamente artificial de Juquinha como gestante do filho de Viviane, vivida por Gabriela Loran, e Leonardo, personagem de Pedro Novaes.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

“Três Graças” resgatou o novelão clássico e devolveu esperança ao horário nobre da Globo

 Após o problemático e catastrófico remake de "Vale Tudo", é possível afirmar que "Três Graças" foi um verdadeiro sopro de esperança no horário nobre da Globo. A novela, que chegou ao fim nesta sexta-feira (15/05), marcou o retorno de Aguinaldo Silva à emissora após seu desligamento motivado pelo fracasso e pelas inúmeras polêmicas que cercaram "O Sétimo Guardião", sua última obra até então. Naquela produção, tudo deu errado: do enredo aos bastidores, passando pelo elenco e pelas decisões criativas. Ironicamente, Aguinaldo foi recontratado justamente no período em que a Globo produzia o remake de "Vale Tudo", novela da qual foi um dos autores originais ao lado de Gilberto Braga e Leonor Bassères. O único autor vivo do fenômeno viu sua obra ser mutilada por Manuela Dias e, conhecido por sua língua ferina, preferiu não comentar diretamente o resultado. Resolveu responder da melhor maneira possível: escrevendo novela.


E a resposta veio forte. Aguinaldo declarou que queria descobrir se ainda sabia fazer novelas. Descobriu --- e provou --- que sabe muito. Ao lado de Virgilio Silva e Zé Dassilva, entregou uma obra que abraçou sem vergonha o folhetim clássico, entendendo perfeitamente aquilo que parte da dramaturgia atual parece ter desaprendido: novela precisa de construção, catarse e emoção. Não basta parecer uma série de streaming de quinze capítulos esticada até não poder mais. Em "Três Graças", os conflitos tiveram tempo para amadurecer, as viradas foram preparadas e os dramas nunca surgiam de maneira gratuita. Tudo era cuidadosamente trabalhado para atingir o telespectador no momento certo.

A trama centrada em Gerluce (Sophie Charlotte), Lígia (Dira Paes) e Joélly (Alana Cabral) foi um dos grandes acertos da novela. Três mulheres de gerações diferentes marcadas pela maternidade precoce e pelo abandono masculino serviram como retrato de milhares de brasileiras.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Tudo sobre a festa de lançamento de "Quem Ama Cuida"

 Com a vista do skyline de São Paulo como pano de fundo, a TV Globo realizou, na noite desta quinta-feira, dia 14, a festa de lançamento de ‘Quem Ama Cuida’, nova novela das nove, que estreia no dia 18. Na cidade que ambienta a trama, o evento reuniu elenco, autores, direção, equipe e mais de 400 convidados entre imprensa, mercado e formadores de opinião no Jockey Club de São Paulo – espaço histórico da cidade.


Em clima de emoção e celebração, os principais nomes por trás de 'Quem Ama Cuida' destacaram a força da história e a grandiosidade da festa, que traduziu em cada detalhe o universo da nova novela das nove.

Presente no evento, o autor Walcyr Carrasco celebrou a noite festiva e a estreia da obra: “Estou muito emocionado. É maravilhoso fazer uma novela e ver algo ganhar vida. 'Quem Ama Cuida' traz uma mensagem muito forte sobre cuidado, acolhimento e, principalmente, esperança.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Grazi Massafera fez de Arminda um dos maiores sucessos de "Três Graças"

 Arminda é daquelas vilãs que parecem ter saído diretamente do DNA mais puro de Aguinaldo Silva: excessiva, imprevisível, cruel e deliciosamente sem filtro. Em "Três Graças", a poucos dias de seu fim, a personagem surge como um furacão que bagunça a narrativa e, ao mesmo tempo, a eleva ---- e muito disso se deve ao desempenho afiado de Grazi Massafera, que abraça cada traço da vilã com coragem e precisão.


Depois de um período afastada das novelas longas ---- desde o sucesso de "Bom sucesso" (2019), em que brilhou como a doce Paloma ----, Grazi volta ao horário nobre movida por um desafio que claramente fez a diferença: viver sua primeira grande vilã. E não qualquer vilã, mas uma dessas figuras maiores que a vida, típicas da dramaturgia de Aguinaldo, que exigem entrega total e um domínio fino do exagero sem cair no ridículo.

Arminda reúne todos esses elementos clássicos: é rica, desequilibrada, verbalmente impiedosa, vive à beira de um surto e carrega uma caricatura que poderia facilmente se tornar um risco nas mãos erradas.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Gerluce: a mocinha que reinventou o protagonismo em "Três Graças" e consagrou Sophie Charlotte

 A construção de Gerluce em "Três Graças" é um daqueles raros acertos que lembram por que a teledramaturgia ainda pode surpreender mesmo dentro de formatos tão consolidados. Em vez de seguir o caminho previsível da mocinha irretocável, a novela apostou em uma protagonista complexa, movida por afetos profundos, mas também capaz de atravessar zonas moralmente ambíguas --- e é justamente aí que reside seu maior trunfo.

Gerluce foi apaixonante porque nunca foi idealizada. Sua trajetória não foi diminuída em nenhum momento, nem engolida por tramas paralelas, como tantas vezes acontece. Ao contrário: o enredo orbitou suas decisões, seus dilemas e suas consequências. Mesmo dividindo o protagonismo com Lígia (Dira Paes) e Joelly (Alana Cabral), sua mãe e sua filha, a narrativa soube equilibrar as três forças sem apagar o brilho central da personagem. O título da novela ganha sentido não apenas simbólico, mas dramático ---- são três mulheres conectadas por amor, resistência e sobrevivência.

A ousadia dos autores Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva ao colocar essa protagonista liderando uma quadrilha e arquitetando o roubo da estátua das Três Graças foi um sopro de frescor. Ainda que o pano de fundo remeta ao clássico arquétipo de Robin Hood, a história não suaviza as escolhas de Gerluce.

domingo, 10 de maio de 2026

'Loquinha' quebrou paradigmas em “Três Graças”, mas a reta final ficou aquém da grandeza do casal

 A uma semana do fim de "Três Graças", já é impossível negar o tamanho do impacto causado por Loquinha, o casal formado por Gabriela Medvedovsky e Alanis Guillen. Juquinha e Lorena não apenas conquistaram o público, mas entraram para a história da teledramaturgia como o primeiro casal lésbico da televisão aberta brasileira a receber exatamente o mesmo tratamento dado aos casais heterossexuais. Sem censura evidente, sem “cota de beijos”, sem a limitação constrangedora de um único selinho reservado ao último capítulo.


Durante décadas, a representação homoafetiva nas novelas brasileiras caminhou em passos lentos. Em produções mais antigas, sequer existia beijo. Depois, vieram os rápidos selinhos, geralmente exibidos apenas uma ou duas vezes ao longo de quase 200 capítulos, sempre cercados por rumores de cortes, regravações e pedidos para “amenizar” cenas consideradas ousadas demais. Isso mesmo enquanto a Globo sustentava um discurso progressista diante do público.

Nos últimos anos, porém, a pressão das redes sociais e da imprensa tornou esse tipo de censura cada vez mais difícil de sustentar. Um exemplo recente foi o casal Kelvin e Ramiro, interpretados por Diego Martins e Amaury Lorenzo em "Terra e Paixão".

sábado, 9 de maio de 2026

Reta final de “Três Graças” banaliza os traumas das protagonistas em nome da redenção masculina

 Quando Três Graças foi anunciada por Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva, a promessa era acompanhar a trajetória de três mulheres --- avó, mãe e filha --- marcadas pelo abandono, pela violência e pelas dificuldades impostas pelos homens que cruzaram seus caminhos. A força da novela estava justamente nessa rede feminina construída na ausência masculina. Porém, há poucos capítulos do fim, a sensação é de que a trama decidiu santificar justamente os homens responsáveis pelos maiores traumas das protagonistas.

A história de Lígia, Gerluce e Joelly sempre foi movida pela dor causada por seus parceiros. Dira Paes vive Lígia, abandonada grávida por Joaquim, personagem de Marcos Palmeira. O mais revoltante nem era o abandono em si, mas o fato de Joaquim ter permanecido a vida inteira praticamente ao lado da ex-companheira, na mesma favela da Chacrinha, sem nunca procurar a filha, a neta ou sequer demonstrar qualquer remorso verdadeiro.

Já Gerluce, interpretada por Sophie Charlotte, teve sua juventude destruída por Jorginho Ninja, papel de Juliano Cazarré. Na sinopse original, Joelly nasceria de um estupro cometido pelo traficante. A novela suavizou isso ao longo do caminho ---- talvez por censura da Globo, talvez por recuo dos próprios autores ----, mas manteve um relacionamento igualmente abusivo.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Rogério foi o personagem mais inútil de "Três Graças"

 Todo personagem dado como morto que retorna vivíssimo para se vingar costuma despertar a atenção do público. É um dos maiores clichês da teledramaturgia e um recurso frequentemente utilizado por autores quando precisam criar conflitos capazes de movimentar a trama. Não foi diferente em "Três Graças", novela das nove escrita por Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva.


A suposta morte de Rogério, personagem de Eduardo Moscovis, carregava mistério desde os primeiros capítulos, e seu retorno rendeu uma das melhores catarses da novela. A cena em que surgiu vivo diante de Arminda, vivida por Grazi Massafera, e Ferette, interpretado por Murilo Benício, seus algozes que tentaram assassiná-lo, teve impacto e prometia uma verdadeira virada na história.

O problema é que, ao longo dos meses, Rogério foi sendo escanteado até virar praticamente um espectador da própria trama.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

"A Nobreza do Amor" tem início bem estruturado e sem pressa, mas escassez de figurantes é um problema

 Há um contraste curioso e bastante positivo no trabalho de Duca Rachid, Elisio Lopes Jr. e Julio Fischer em "A Nobreza do Amor". Depois de uma experiência anterior marcada por atropelos narrativos em "Amor Perfeito", o trio demonstra, agora, um domínio muito mais consciente do tempo dramático e isso faz toda a diferença.


Há quase dois meses no ar, a novela das seis se revela um folhetim agradável de acompanhar justamente por aquilo que antes faltou: paciência. A construção das tramas é cuidadosa, sem a pressa que compromete o envolvimento do público. O romance entre a princesa Alika, vivida por Duda Santos, e o plebeu Tonho, de Ronald Sotto, é o melhor exemplo disso. Desde o primeiro encontro atravessado, com direito a esbarrão e troca de farpas, até o início do namoro, houve um percurso gradual, convincente e saboroso de acompanhar. Nada soa apressado, ao contrário, cada avanço do casal parece merecido.

A própria chegada da protagonista a Barro Preto, fugindo do golpe de estado liderado por Jendal (Lázaro Ramos), estabelece bem o tom da narrativa. A perda do pai, a adaptação a uma nova realidade e a construção de novas relações ---- inclusive sob a identidade de Lúcia ---- são desenvolvidas com equilíbrio.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Núcleo da delegacia rouba a cena em "Três Graças"

 O núcleo da delegacia em "Três Graças" se consolidou como um dos grandes acertos da novela, muito por conta da sintonia deliciosa entre Rômulo Estrela, Gabriela Medvedovsky e André Mattos. Desde o início, o trio se destaca ao dar vida aos policiais Paulinho e Juquinha e ao delegado Jairo com uma naturalidade gostosa de ver, daquelas que fazem o público acreditar que eles são, de fato, uma família.


E essa é a palavra-chave: família. André Mattos constrói um delegado Jairo que é firme quando precisa, mas atravessado por uma ternura quase paternal que dá o tom das relações dentro da delegacia. Ele funciona como um eixo emocional, um verdadeiro pai para Juquinha e Paulinho, conduzindo os dois com uma mistura equilibrada de autoridade, afeto e ironia.

Já Gabriela Medvedovsky e Rômulo Estrela entregam uma dupla deliciosa de acompanhar. Juquinha e Paulinho têm uma relação de irmãos que pulsa verdade --- há carinho, cumplicidade e parceria, mas também espaço para implicâncias e provocações que soam absolutamente naturais.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

“Terra Nostra”: um épico da imigração italiana que conquistou o público

 Exibida entre 20 de setembro de 1999 e 2 de junho de 2000, Terra Nostra foi mais um fenômeno de audiência de Benedito Ruy Barbosa, que já havia conquistado enorme sucesso com "O Rei do Gado". A novela — reprisada no “Vale a Pena Ver de Novo” em 2004 e também no Canal Viva em 2019 — foi dirigida por Jayme Monjardim e teve como foco central o romance entre Matteo e Giuliana, ambientado no contexto da imigração italiana no Brasil.


Situada entre o final do século XIX e o início do século XX, a trama se desenvolve majoritariamente nas fazendas de café do interior de São Paulo, destino de muitos italianos que buscavam melhores condições de vida. A história ressalta a importância da imigração na formação da sociedade brasileira, acompanhando o casal vivido por Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda, que enfrenta inúmeros obstáculos para ficar junto.

A narrativa começa em 1894, com o navio Andrea I partindo de Gênova rumo ao Brasil, trazendo camponeses que fugiam da crise econômica na Itália. A bordo estão Giuliana com seus pais (Júlio e Ana — Gianfrancesco Guarnieri e Bete Mendes), além de Matteo, que viaja sozinho em busca de uma nova vida. O romance entre os protagonistas surge rapidamente, mas é interrompido por uma epidemia de peste no navio, que mata os pais da jovem e quase leva Matteo à morte.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fernanda Vasconcellos brilha como Samira em "Três Graças"

 A atuação de Fernanda Vasconcellos em "Três Graças" confirma sua maturidade artística ao assumir um dos papéis mais sombrios da trama. Como Samira, uma vilã psicopata envolvida com tráfico de bebês, a atriz opta por um caminho menos óbvio e justamente por isso mais perturbador na trama de Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgilio Silva. 


Enquanto outros antagonistas da novela seguem uma linha mais expansiva, com explosões, gritos e gestos largos, Fernanda constrói sua personagem com contenção. Sua interpretação é econômica, quase minimalista. A ameaça não está em discursos inflamados, mas na frieza calculada. O olhar parado, o sorriso discreto fora de contexto e a postura sempre controlada criam uma tensão constante. Samira assusta não pelo excesso, mas pelo vazio emocional que transmite.

Essa escolha se mostrou especialmente eficaz nas cenas recentes envolvendo o parto de Joelly. No momento em que a protagonista viveu a vulnerabilidade extrema do nascimento da filha, Samira surgiu como uma presença silenciosa e atenta, mais interessada na “mercadoria” do que no drama humano diante dela.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

As justiças e as injustiças do "Troféu Imprensa" de 2025/2026

 O "Troféu Imprensa, exibido pelo SBT neste domingo, dia 26 de abril, começou de forma especialmente simbólica. A abertura acertou ao revisitar as personalidades mais marcantes dos 75 anos da televisão brasileira, criando um clima de celebração e memória que valorizou a história do meio e emocionou o público.


A cerimônia foi apresentada por Celso Portiolli e Patricia Abravanel, que adotaram um tom mais sóbrio e menos eufórico do que na edição anterior ---- uma mudança que se mostrou acertada e deu mais ritmo e credibilidade à condução do prêmio.

Ao longo da noite, ficou evidente que a premiação teve seus momentos de justiça, mas também acumulou injustiças e indicações difíceis de justificar sob qualquer critério mais rigoroso. Até porque a composição do júri segue controversa.