quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fernanda Vasconcellos brilha como Samira em "Três Graças"

 A atuação de Fernanda Vasconcellos em "Três Graças" confirma sua maturidade artística ao assumir um dos papéis mais sombrios da trama. Como Samira, uma vilã psicopata envolvida com tráfico de bebês, a atriz opta por um caminho menos óbvio e justamente por isso mais perturbador na trama de Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgilio Silva. 


Enquanto outros antagonistas da novela seguem uma linha mais expansiva, com explosões, gritos e gestos largos, Fernanda constrói sua personagem com contenção. Sua interpretação é econômica, quase minimalista. A ameaça não está em discursos inflamados, mas na frieza calculada. O olhar parado, o sorriso discreto fora de contexto e a postura sempre controlada criam uma tensão constante. Samira assusta não pelo excesso, mas pelo vazio emocional que transmite.

Essa escolha se mostrou especialmente eficaz nas cenas recentes envolvendo o parto de Joelly. No momento em que a protagonista viveu a vulnerabilidade extrema do nascimento da filha, Samira surgiu como uma presença silenciosa e atenta, mais interessada na “mercadoria” do que no drama humano diante dela.

A frieza com que observou a situação e a concentração quase clínica ao se aproximar da criança reforçaram o caráter perturbador da personagem. Não há pressa nem descontrole, apenas cálculo.

É nesse contraste que o trabalho de Fernanda se destaca. Em meio a vilões de tintas mais fortes, sua composição contida cria um tipo diferente de medo, mais realista e incômodo. Ao evitar caricaturas, a atriz faz de Samira uma figura verossímil dentro do absurdo moral que representa.

Também é um gosto vê-la de volta às novelas após quase dez anos longe do formato. Seu retorno evidencia uma intérprete mais madura e segura de suas escolhas, que claramente merece ainda mais destaque na reta final da trama. A expectativa cresce especialmente diante dos futuros embates com a vilã Arminda e com a mocinha Gerluce, confrontos que prometem tensionar ainda mais a narrativa e oferecer à atriz novas oportunidades de explorar as camadas sombrias ---- e silenciosamente ameaçadoras --- de sua personagem.

Sem exageros, trata-se de uma atuação segura e coerente com a proposta da personagem. Fernanda Vasconcellos demonstra domínio de cena e confiança ao apostar na sutileza como principal ferramenta e o resultado é uma vilã que inquieta justamente porque parece possível.

2 comentários:

Anônimo disse...

 No pessoal, o tratamento que Fernanda/Samira recebe e a trama da quarta graça no geral vêm sendo uma das minhas maiores decepções com as novelas nos últimos anos, poucas vezes na minha vida olhei uma novela que desperdiçasse tanto uma trama tão clássica do gênero e mais por parte de um autor tão experiente. Mostra deles são as faltas de cenas, feito uma Josefa carregando a quarta graça, falando "choro, porque acho que a minha bisneta seria assim como essa menininha" ou Arminda e o próprio Ferette apaixonados pela quarta graça sem entender bem o motivo. Não entendo para que fazer Herculano primo da Arminda. O pior dos erros foi ter feito essa criança desaparecer da novela (para morar em Portugal) e nunca ter explicado ao detalhe o negócio da Samira e ter outras vítimas da Chacrinha, privado do deleite do povo com a história da criança perdida e as audiências que vêm crescendo como nunca fizeram com a trama da estátua. Aguinaldo tinha toda a história da dramaturgia para saber, é lei desde O Direito de Nascer e o Rei Salomão e o bebê, e não ter uma narrativa com jeito de narrativa de última hora. Com uma trama mais melodramática, a novela já tinha feito 30 pontos, como prova a audiência desta semana centrada no caso. Eu até jurei que Lígia procuraria emprego com Lena, mas o fato de que as três graças sempre foram as estátuas e nunca as mulheres é um problema. Mas ainda assim, mesmo com Aguinaldo falhando, é melhor que qualquer novela na década, a pior que temos. A César o que é de César.  
Daniel

Anônimo disse...

Ela chega a ser tão aterradora que até o Aguinaldo, Zé e Virgílio pegaram medo dela, porque só assim para explicar o jeito de essa mulher não ter aprontado mais na trama e ter seu próprio núcleo. A melhor vila de Aguinaldo, mesmo desde a Nazaré, é uma prova da mudança do público pronto para a realidade e menos afim à caricatura. Uma pena que Fernanda não teve um fanclub de lésbicas para garantir sua permanência na trama, e só aparece agora, faltando três semanas para o final.