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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

"Coração Acelerado" tem início acelerado demais

 O início de "Coração Acelerado", nova novela das sete da Globo, escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, chama atenção menos pelo impacto emocional que promete e mais pela pressa com que tenta chegar a ele. Em seus primeiros capítulos, a trama parece correr contra o relógio, atropelando acontecimentos que, em outra circunstância, pediriam tempo para amadurecer e envolver o público.


Há uma clara sensação de excesso: conflitos surgem e se resolvem rapidamente, personagens são apresentados sem o devido respiro, e pequenas viradas acontecem antes mesmo de o telespectador conseguir compreender plenamente as motivações em jogo. O resultado é uma narrativa fragmentada, que dá a impressão de ainda estar se procurando, sem uma estrutura sólida que organize os eventos de forma orgânica.

O romance dos mocinhos, Agrado (Isadora Cruz) e João Raul (Filipe Bragança), elemento central de qualquer novela, sofre especialmente com essa aceleração. A relação é empurrada goela abaixo do público, sem a construção emocional necessária para gerar identificação ou torcida.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

"Éramos Seis" tem estreia correta e contemplativa

"Os nossos laços se fortalecem com o tempo e com o tempo tudo se transforma. O afeto, a nossa força, os nossos sonhos. Tudo o que importa é ter quem ame por perto. Porque quando éramos todos, éramos um só". O teaser de "Éramos Seis", nova novela das 18h da Globo, que estreou nesta segunda-feira (30/09), transmitiu muito bem o clima da história adaptada por Angela Chaves, baseada no romance de Maria José Dupré, de 1943, e dirigida por Carlos Araújo. É um enredo comovente, onde os problemas do cotidiano e da própria sociedade da época movem os personagens.


É a quinta adaptação da história de uma família contada em três décadas (1920, 1930 e 1940), onde a matriarca, Dona Lola (Gloria Pires), luta para manter a união dos laços que muitas vezes acabam se perdendo com os dramas da vida e o próprio tempo. A saga acompanha os seis integrantes da família Lemos. A mãe considera o casarão em que mora, na capital paulista, a alma da família. Para ela, os quatro filhos e o marido compõem uma instituição a ser preservada a qualquer custo. O conflito surge justamente quando o esposo, Júlio (Antônio Calloni), não consegue mais arcar com os juros altíssimos do casarão, marcando o começo da luta contra as turbulências econômicas e sociais do início do século XX.

A trama tem um ar de melancolia e a maior lembrança do público é o remake exibido pelo SBT, em 1994, escrito por Silvio de Abreu (hoje chefe da teledramaturgia da Globo e responsável pela ideia de uma nova adaptação) e o saudoso Rubens Ewald Filho -- que também escreveram a versão de 1977. Não é exagero afirmar que foi o melhor folhetim já produzido pela emissora de Silvio Santos.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Chamada de supersérie, "Os Dias Eram Assim" não teve nada de super e nem de série

Após seis novelas exibidas na faixa das onze ---- "O Astro", "Gabriela", "O Rebu", "Saramandaia", "Verdades Secretas" e "Liberdade, Liberdade"----, inserindo o folhetim em um horário mais tarde, permitindo maiores liberdades nas cenas, a Globo decidiu mudar a classificação do produto em 2017, optando por chamar "Os Dias Eram Assim" de 'supersérie'. O que seria a sétima novela da faixa (planejada anteriormente para às 18h, inclusive), virou a primeira supersérie da emissora. Mas, não podiam ter escolhido trama pior para fazer essa alteração. Isso porque a produção, que chegou ao fim nesta segunda-feira (18/09), não teve nada de super e muito menos de série.


Primeiro, porque teve 88 capítulos, ficando no ar por seis meses. Foi a produção mais longa das 23h, superando todas as novelas anteriores, que tinham como característica o menor número de capítulos (normalmente em torno de 60). E, segundo, porque o enredo das estreantes Angela Chaves e Alessandra Poggi apresentou todos os clichês possíveis de um folhetim, fazendo do conjunto um dramalhão clássico. Entretanto, infelizmente, todos esses recursos foram muito mal usados pelas autoras. Afinal, não há mal algum no clichê, desde que bem conduzido. Não foi o caso. Ainda mais em um produto que era classificado como 'supersérie'. Inclusive, nem ritmo de uma série teve. O enredo se arrastou ao longo dos meses e parecia interminável.

O início da trama, dirigida por Carlos Araújo, parecia promissor. Ambientada na década de 70, tendo a Ditadura Militar como pano de fundo, a história de amor protagonizada por Renato (Renato Góes) e Alice (Sophie Charlotte) despertou interesse e o primeiro capítulo deixou uma ótima impressão.

terça-feira, 18 de abril de 2017

"Os Dias Eram Assim" tem estreia despretensiosa e promissora

"O que a história separou só o amor pode unir de novo". A nova novela das onze, agora chamada de "supersérie", representa bem a frase dita no teaser da produção: um amor entre dois jovens sendo atingido o tempo todo por um doloroso contexto histórico. "Os Dias Eram Assim" estreou nesta segunda-feira (17/04) com um capítulo despretensioso e que retratou muito bem (em apenas 40 minutos) tudo o que o enredo irá abordar ao longo dos próximos meses. Um romance clássico norteia o roteiro, cujo foco é a Ditadura Militar e todos os processos enfrentados pelo Brasil nas décadas de 70, 80 e 90. Ficção e a realidade que muitos viveram sendo mesclados.


Prevista inicialmente para ser um folhetim das seis, a produção foi transferida para o horário das onze e acabou beneficiada, pois a faixa permite uma exploração bem maior em torno das torturas, crimes e momentos mais fortes envolvendo o regime militar. Angela Chaves e Alessandra Poggi estreiam a primeira novela delas como autoras principais, após anos trabalhando como colaboradoras. A Globo vem investindo cada vez mais em escritores novos e a atitude é mais do que válida. A exibição do primeiro capítulo (disponível uma semana antes pelo aplicativo Globo Play) mostrou um enredo bem estruturado e dramas bastante convidativos.

A trama começou exibindo imagens reais de manifestações a favor da constituição, dos militares revistando pessoas nas ruas e capas de jornal a respeito do "AI-5" (o Ato Institucional mais duro do governo militar), do anúncio dos Gorilas de um golpe contra Jango, entre outras matérias. E toda essa compilação era embalada pela marcante música "Deus Lhe Pague", cantada pela saudosa Elis Regina.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

"Os Dias Eram Assim": o que esperar da próxima novela das onze?

A Globo resolveu chamar as suas novelas das 23h de "supersérie". A razão é desconhecida, mas parece que nada mais é do que uma simples vergonha em assumir o gênero folhetim em mais uma faixa. A questão é que perceberam isso um pouco tarde, após seis novelas já terem sido exibidas ----- "O Astro", "Gabriela", "Saramandaia", "O Rebu", "Verdades Secretas" e "Liberdade, Liberdade". Até porque essa trama terá cerca de 90 capítulos, sendo mais do que os enredos anteriores (que tiveram por volta de 60). Ou seja, essa súbita alteração classificatória soa ridícula. Mas, deixando isso de lado, a nova produção vem apresentando chamadas convidativas e teve um clipe animador (que pode ser conferido aqui).


Com o título de "Os Dias Eram Assim", a novela das estreantes Angela Chaves e Alessandra Poggi foi escolhida às pressas para substituir "Jogo da Vida", folhetim de Lícia Manzo que iria ao ar este ano e acabou transformado em minissérie, adiado para 2018. A trama das autoras novatas --- que já trabalharam como colaboradoras de Manoel Carlos, Gilberto Braga, entre outros ----, dirigida por Carlos Araújo, terá a Ditadura Militar como pano de fundo e aproveitará o horário mais permissivo para cenas fortes para explorar toda essa fase tenebrosa do país. Mas, obviamente, terá uma linda história de amor norteando o roteiro, utilizando as diferentes ideologias políticas como foco de conflito. Vale lembrar de produções icônicas que conseguiram mergulhar no tema e contar uma bela trama, como "Anos Rebeldes" (1992), por exemplo, e até mesmo a primeira fase de "Senhora do Destino" (2004).

A trama começa no dia 21 de junho de 1970, dia da final da Copa do Mundo, com o Brasil terminando o torneio tricampeão. É no cenário de euforia das pessoas nas ruas que Renato (Renato Góes) e Alice (Sophie Charlotte) se conhecem, iniciando uma história de amor que atravessará duas décadas, cruzando com eventos históricos importantes do país --- da repressão às diretas.