A escolha de Filipe Bragança para viver João Raul em Coração Acelerado foi um acerto por um único fator: ele estava mais do que pronto para protagonizar uma novela.
O protagonista da trama das sete, escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, é um personagem muito difícil de conquistar o público, principalmente pela forma como foi construído. João Raul passou a maior parte da história sendo um babaca: pensou apenas em si mesmo, tirou conclusões precipitadas em praticamente todas as suas decisões equivocadas e protagonizou diversas cenas em que transbordou grosseria com Agrado (Isadora Cruz), seu par romântico.
Todas as suas vulnerabilidades — tanto a insatisfação com a carreira, apresentada nos primeiros meses da novela, quanto a relação de preocupação e ressentimento com o pai, Walmir (Antonio Caloni), por causa do vício em jogos — foram tratadas de forma superficial e mereciam um aprofundamento muito maior.