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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Laura Cardoso: a atriz que o Brasil chamou de sua

 O Brasil perdeu nesta segunda-feira, dia 17 de agosto, uma de suas maiores atrizes. Aos 98 anos, partiu Laura Cardoso, de causas naturais, deixando para trás uma trajetória que se confunde com a própria história da televisão, do rádio, do cinema e do teatro brasileiros.


A notícia era, de certa forma, aquela que o Brasil mais temia. Porque Laura não era apenas uma atriz admirada: era uma presença familiar. Era como se fosse a avó, a mãe, a vizinha, aquela pessoa querida que atravessou gerações levando talento, delicadeza, humor e humanidade para dentro de nossas casas. Sua partida deixa um vazio imenso, mas também a certeza de que alguns artistas jamais morrem por completo. Permanecem vivos nos personagens que criaram e nas emoções que provocaram.

Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, no Bixiga, em São Paulo, filha de imigrantes portugueses humildes, Laura descobriu ainda adolescente que queria ser atriz. Aos 15 anos, iniciou sua trajetória no radioteatro, numa época em que a televisão sequer havia chegado ao Brasil.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Amado pelo público e odiado pela crítica, Walcyr Carrasco é um sucesso

Ele é praticamente uma fábrica de fazer novelas e um conquistador de sucessos. Mas nunca foi uma unanimidade. É amado e odiado na mesma proporção. É o escritor de maior produtividade da Globo e ainda consegue dividir sua rotina com textos para peças teatrais e lançamentos de livros. Fracassou apenas duas vezes em sua carreira televisiva, algo incomum quando comparado com a trajetória de seus colegas. A crítica nunca viu seus trabalhos com bons olhos. A antipatia é evidente e chegou até a ser confirmada pelo jornalista Flávio Ricco, recentemente em um podcast do Uol. Seu nome? Walcyr Carrasco, claro. O autor, incontestavelmente, é o mais versátil da emissora.


Walcyr já escreveu para todas as faixas da líder e conseguiu emplacar sucessos em todos os horários. Tanto que é um dos escritores mais requisitados da Globo. A emissora sempre encomenda várias novelas a ele, ao contrário do que costuma ocorrer com seus colegas, que têm um período de férias um pouco mais longo quando terminam seus folhetins. No caso do escritor é praticamente uma novela a cada dois anos (vale citar que de 2011 a 2013 foram três em três anos), um intervalo bem curto de uma produção para a outra, ainda mais em se tratando de teledramaturgia que fica no mínimo quatro meses no ar.

"A Dona do Pedaço" é o oitavo sucesso seguido do autor. Uma marca de respeito. A história da boleira Maria da Paz (Juliana Paes) caiu no gosto popular e reergueu o horário nobre, após o fiasco de "O Sétimo Guardião". Elevou a média geral em sete pontos. A produção, dirigida por Amora Mautner, vem alcançando elevados índices de audiência e está na boca do povo.

domingo, 28 de abril de 2019

Os vencedores e os erros costumazes da 61ª edição do "Troféu Imprensa"

O SBT exibiu na noite deste domingo (28/04) a 61ª edição do "Troféu Imprensa". Comandada, como sempre, por Silvio Santos, a premiação contou com Sônia Abrão ("A Tarde é Sua" - Rede TV!), Nelson Rubens ("TV Fama" - Rede TV!), Flávio Ricco (Portal Uol e Diário de São Paulo), Ricardo Feltrin (Portal Uol), Keila Gimenez (R7), Daniel Castro (Portal Uol), Marcelo Bartolomei (Revista Caras e Contigo), Léo Dias ("Fofocalizando") e uma novidade: Maurício Stycer (Portal Uol).


O maior absurdo segue sendo a escolha dos três finalistas para o juri selecionar o vencedor. Todos definidos por votação popular (através do site do SBT e pelo Portal MSN) e isso resulta em situações inacreditáveis. Para culminar, o esquema de selecionar apenas a metade da bancada para escolher o vencedor em cada rodada é equivocado demais. Porém, os responsáveis pela longeva premiação não se importam com nada e dificilmente algo irá mudar.

Um dos completos despautérios da atual edição foi o trio finalista na categoria Melhor Atriz: Adriana Esteves ("Segundo Sol"), Marina Ruy Barbosa ("Deus Salve o Rei") e Sophia Valverde ("As Aventuras de Poliana"). Primeiramente, não há qualquer lógica em uma criança estreante disputar com duas atrizes bem mais experientes. E esse tipo de situação vem se repetindo há anos. A categoria Ator/Atriz Infantil nunca foi criada. A menina está ótima na trama do SBT, mas para concorrer com as colegas, não. Óbvio.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018: os destaques do ano

Após cinco retrospectivas relembrando os artistas que deixaram saudades, os piores do ano, os melhores casais, as cenas mais marcantes e as melhores atrizes e atores de 2018, chegou a hora de listar os destaques do ano que passou. A última retrô do blog é sobre as produções que mais marcaram ao longo destes doze meses e foram vários trabalhos admiráveis que merecem menção. Vamos a eles.





"Orgulho e Paixão".
A melhor novela de 2018 com louvor. Marcos Berstein estreou como autor solo com o pé direito, após um trabalho criticado em parceria com Carlos Gregório, quando escreveu a ousada "Além do Horizonte", em 2013. A novela das seis, baseada em vários livros de sucesso da escritora Jane Austen, foi irretocável. Foram vários casais apaixonantes, um elenco muito bem escalado, personagens construídos com excelência e uma trilha sonora de qualidade. A trama ainda abordou temas importantes, como violência contra a mulher, racismo e homossexualidade, mesmo ambientada em 1910. Vale citar também os lindos musicais e o destaque de vários atores, como Gabriela Duarte, Ary Fontoura, Agatha Moreira, Rodrigo Simas, Nathalia Dill, Alessandra Negrini, Natália do Vale, entre tantos mais. O colorido Vale do Café deixou muita saudade.



"Malhação - Viva a Diferença".
Após duas temporadas repletas de erros escritas por Emanuel Jacobina, Cao Hamburger veio para devolver a qualidade ao longevo seriado adolescente. Com uma direção ótima de Paulo Silvestrini, a trama abordou diversos temas pertinentes com propriedade e presenteou o público com personagens humanos, cheios de qualidades e defeitos. O universo adolescente foi retratado com total realismo, vide festas regadas a drogas e bebidas alcoólicas, além de conflitos verossímeis em torno dos jovens. A história ainda teve o diferencial de não ter sido focada em casais e, sim, na força da amizade do quinteto central, representado por Lica, Tina, Keyla, Ellen e Benê. Mas também houve espaço para bons romances, todos repletos de sensibilidade e química ("Gunê", "Keyto", "Tinderson", "Jotellen", "Limantha", por exemplo). E as cinco atrizes que protagonizaram foram selecionadas a dedo: Manoela Aliperti, Ana Hikari, Gabriela Medvedovski, Heslaine Vieira e Daphne Bozaski deram um show. Pena que a temporada substituta tenha descido tanto o nível.


sábado, 29 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018: as melhores cenas do ano

Mais um ano está chegando ao fim e mais uma vez o telespectador foi presenteado com várias cenas grandiosas da nossa teledramaturgia. Momentos marcantes de novelas, séries e minisséries emocionaram, impactaram ou divertiram ao longo de 2018. E muitas sequências merecem menção para relembrar o show dos atores, a competência da direção e o talento dos escritores. Vamos a elas.





Emília conhece o mar em "Entre Irmãs":
A Globo transformou o ótimo filme em minissérie e uma das mais belas cenas é o momento em que a sofrida e ingênua Emília se depara com o mar graças a Lindalva, mulher moderna com quem teve um rápido relacionamento e conheceu o sexo com amor. Marjorie Estiano nem precisou de falas para expor a emoção da personagem. Letícia Colin ótima também.



Luzia e Emília se reencontram e se despedem em "Entre Irmãs":
Após uma dolorosa separação anos atrás, as sofridas irmãs se reencontraram e Vitrola --- que havia fugido com os cangaceiros e se tornado a líder deles, após a morte de seu amor --- deixou seu filho para a irmã cuidar, já sabendo que dificilmente sobreviveria ao confronto contra a guarda. Que show de Nanda Costa e Marjorie Estiano. Emoção à flor da pele.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018: os melhores casais do ano

Ao contrário de todos os sites e blogs, que optam em apenas selecionar os destaques e os piores do ano, o De Olho Nos Detalhes também engloba outra categorias nas listas de retrospectivas. E um dos diferenciais do meu modesto espaço é listar os melhores pares românticos das tramas. Em 2018, tivemos casais apaixonantes em vários horários, mas "Orgulho e Paixão" foi a novela que mais contou com romances cheios de química. Mas outras faixas também tiveram sua fatia de romantismo. Vamos ao casais.





Ernesto e Ema ("Orgulho e Paixão"):
O romance do italiano desbocado com a sua Baronesinha não estava previsto no roteiro da primorosa novela de Marcos Berstein. Na verdade, até estava. Mas seria apenas um rápido conflito para par "oficial": Jorge (Murilo Rosa) e Ema. Todavia, a relação cheia de tapas e beijos conquistou o público e o casal virou um dos trunfos da história, dividindo o protagonismo com os irmãs Benedito. Rodrigo Simas e Agatha Moreira transbordaram química e a música "Ficar", de Anavitória, combinou lindamente com o par.



Clara e Patrick ("O Outro Lado do Paraíso"):
A novela de Walcyr Carrasco foi o maior fenômeno do ano e a cumplicidade da mocinha vingativa com o seu advogado logo despertou torcida por um romance. Os laços cada vez mais fortes acabaram virando uma linda história de amor, após muitas vinganças e planos contra os seus inimigos. O autor adiou o quanto pôde a primeira transa do par e só a exibiu no último capítulo. Mas a espera valeu a pena e a sequência protagonizada por Thiago Fragoso e Bianca Bin elevou a temperatura do final da trama.


domingo, 9 de dezembro de 2018

"Orgulho e Paixão" e "O Tempo Não Para" não existiram para o "Melhores do Ano"

A vigésima terceira edição do "Melhores do Ano" foi ao ar neste domingo (09/12) e nesta premiação sempre há muitas injustiças. Principalmente porque são apenas três indicados por cada categoria, limitando bastante a seleção. Ainda ocorre um claro favorecimento em torno das novelas das nove. Porém, o evento de 2018 já pode ser considerado um dos mais injustos do "Domingão do Faustão".


A premiação simplesmente ignorou a existência de "Orgulho e Paixão" e "O Tempo Não Para", duas novelas elogiadas por público e crítica. No caso da trama das 18h, a produção foi um sucesso e obteve ótimos índices de audiência, mesmo recebendo em baixa da fracassada temporada de "Malhação". Marcos Berstein estreou com o pé direito em seu primeiro trabalho como autor solo e a história baseada em vários livros de Jane Austen foi a melhor novela de 2018, sem qualquer exagero. Personagens bem construídos, casais apaixonantes, elenco entregue e trilha inspirada.

Mas nenhum ator foi indicado para o "Melhores do Ano". E o maior absurdo, sem dúvida, foi a não indicação de Gabriela Duarte como Melhor Atriz Coadjuvante. A atriz deu um banho de interpretação na pele da complexa Julieta e protagonizou inúmeras cenas dramáticas. Sua entrega saltou aos olhos. Não por acaso virou um dos muitos trunfos do folhetim das seis.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Massacrada pela crítica e aclamada pelo público, "O Outro Lado do Paraíso" foi um fenômeno incontestável de audiência

Walcyr Carrasco tinha uma missão ingrata: escrever uma novela em tempo recorde, logo após o sucesso "Êta Mundo Bom!" (2016), em virtude do cancelamento da trama de estreia de Duca Rachid e Thelma Guedes no horário nobre da Globo. Mas, fazendo jus ao posto de autor que mais produz na emissora, aceitou o desafio. E criou "O Outro Lado do Paraíso", folhetim rasgado e repleto de clichês melodramáticos, que contou a saga da vingança de Clara Tavares (Bianca Bin). O enredo sofreu uma forte rejeição de parte da crítica, mas caiu no gosto do público, entrando para a galeria de fenômenos de audiência do escritor ---- maior média do horário nobre desde a inesquecível "Avenida Brasil" (2012), com os mesmos 39 pontos de média, superando nove tramas antecessoras e elevando dois pontos da também ótima "A Força do Querer".


A novela arrebatou o telespectador com uma história ágil e cheia de reviravoltas, cujo maior trunfo foi a volta por cima dos perfis íntegros, humilhando os vilões em várias viradas ao longo de 173 capítulos. O início, todavia, não foi tranquilo. A primeira fase se mostrou longa demais, cansando pela repetição de conflitos. O sofrimento da mocinha, internada em um manicômio pela sogra (Sophia - Marieta Severo) e cunhada (Livia - Grazi Massafera), e espancada pelo marido violento (Gael - Sérgio Guizé), poderia ser exposto em apenas duas semanas. Entretanto, durou mais de um mês. E a audiência ficou em torno de 33 pontos, um bom índice, mas nada de arrebatador. O famigerado grupo de discussão também considerou o enredo pesado demais, necessitando de mais humor. A solução foi uma sucessão de cortes, resultando no adiantamento da mudança de fase e na consequente fuga de Clara do hospício. 

O resultado foi imediato. A novela passou de 33 para 36 pontos e foi aumentando ainda mais esses índices a cada novo acontecimento. Passou a marcar acima de 40 quase todo dia.  O sucesso já era uma certeza, então, o autor se preocupou apenas em desenvolver seu enredo. Acertou em vários pontos, mas também errou em outros. Como costuma acontecer em várias obras, diga-se. A saga da vingança da mocinha foi o maior êxito do folhetim, prendendo o telespectador do início ao fim.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Ana Lucia Torre se destacou e repetiu a boa parceria com Walcyr Carrasco em "O Outro Lado do Paraíso"

Ela é uma das melhores atrizes do país, embora não receba o devido valor. Sua carreira televisiva foi iniciada em 1977, na novela "Dona Xepa", quando viveu Glorita Camargo, uma perua falida. A partir desse trabalho, emendou várias outras tramas, como "Sinhazinha Flô" (1977), "Marron Glacê" (1979), "As Três Marias" (1980), "Ciranda de Pedra" (1981), "Corpo a Corpo" (1984), "Tieta" (1989), "Renascer" (1993), entre tantas mais. A profissional em questão é Ana Lucia Torre, que atualmente tem se destacado na pele da desbocada Adnéia em "O Outro Lado do Paraíso". 



A atriz iniciou seu trabalho no atual fenômeno das nove com poucas falas, sendo apenas uma coadjuvante de um núcleo paralelo. O foco era apenas a vingança de Clara (Bianca Bin). Porém, em virtude de críticas vindas do famigerado grupo de discussão da Globo, alegando falta de humor no enredo de Walcyr Carrasco, o autor resolveu transformar os conflitos de Samuel (Eriberto Leão) em situações cômicas. O núcleo, infelizmente, perdeu a oportunidade de tratar a homossexualidade de forma séria e várias ''esquetes'' se revelaram grandes bobagens. No entanto, quem ganhou com tudo isso foi Ana. 

Adnéia virou a personagem principal, representando a homofobia, o machismo e o preconceito presentes em tantas famílias. Aliás, é impossível ninguém identificar uma senhorinha dessas em seu seio familiar. Inconformada em ver o filho com Cido (Rafael Zulu), a mãe do psiquiatra fez de tudo para juntá-lo com Suzy (Ellen Rocche) e até chamou Irene (Luciana Fernandes) para reconquistar o atual namorado do médico.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

O show de Marieta Severo em "O Outro Lado do Paraíso"

Todo ator prefere interpretar vilões, por mais que alguns neguem e digam que gostam de qualquer bom personagem. Afinal, o malvado, inevitavelmente, acaba tendo mais cenas impactantes e é o responsável pela movimentação de todo roteiro, fazendo a história andar. Não por acaso há tantos 'diabos' na lista de tipos marcantes da teledramaturgia. E, após 13 anos se dedicando ao seriado "A Grande Família", Marieta Severo conseguiu uma víbora no horário nobre em "O Outro Lado do Paraíso".


Ao contrário da doce e simpática Dona Nenê, Sophia tem tudo o que uma boa vilã precisa: é fria, cruel, só pensa em si, manipula e humilha os filhos, desgraçou a vida da mocinha e ainda só pensa em dinheiro. É um tipo maniqueísta, sem nuances, o que não é um demérito e nem uma qualidade, apenas uma característica do papel. E Marieta estava precisando demais de um tipo assim, depois de tanto tempo vivendo uma senhora tão querida por todos, cuja maior identidade era a paixão pela família.

A obsessão da vilã é pelas esmeraldas de Clara (Bianca Bin), usando a família para conseguir atingir seu maior objetivo. Walcyr Carrasco criou uma mulher maquiavélica e todo o processo de destruição da vida da mocinha foi construído ao longo da primeira fase, até a vilã interná-la em um hospício, isolado em uma ilha deserta, ficando com as terras da protagonista, após ter arranjado o casamento dela com o seu violento filho (Gael - Sérgio Guizé).

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Eliane Giardini é um dos ótimos nomes de "O Outro Lado do Paraíso"

A panelinha dos autores, como já foi dito aqui inúmeras vezes, é algo natural. Todo escritor tem predileção por certos nomes e evidencia sempre em seus folhetins. Eliane Giardini entrou no ''time" de Walcyr Carrasco em 2013, na primeira novela das nove dele: "Amor à Vida". Porém, não foi uma experiência muito feliz. Ordália era mãe de Bruno (Malvino Salvador), mocinho do enredo, e acabou aparecendo bem menos do que deveria. Foi uma figurante de luxo. Um desperdício de talento.


Ou seja, parecia que o autor não a chamaria tão cedo. Felizmente, um lego engano. Em 2016, Walcyr a escalou para "Êta Mundo Bom!" e conseguiu se redimir com louvor. Deu para a atriz um dos melhores e mais importantes perfis do enredo: a milionária Anastácia, mãe de Candinho (Sérgio Guizé), o protagonista do sucesso das 18h. Eliane protagonizou grandes cenas ao longo da novela e emocionou no momento mais aguardado e sensível da trama, quando a ricaça reencontrou seu filho perdido, após tanto procurá-lo.

Agora, em "O Outro Lado do Paraíso", o autor novamente presenteou a intérprete com um excelente papel. Nádia é uma vilã cômica deliciosa, provocando ódio pelos absurdos preconceituosos que profere, ao mesmo tempo divertindo com sua total falta de noção e histeria. A personagem sempre foi um dos destaques da trama das nove, dirigida por Mauro Mendonça Filho, protagonizando um núcleo que tem o racismo e o machismo como foco.

terça-feira, 3 de abril de 2018

A valorização dos atores veteranos e o lindo casamento de Josafá e Mercedes em "O Outro Lado do Paraíso"

Não é todo autor que dá o devido valor aos atores que fazem parte da teledramaturgia e da história da televisão brasileira. Muitos acabam ganhando coadjuvantes sem muita função e raramente têm um bom destaque. "Deus Salve o Rei", atual trama das sete da Globo, por exemplo, reflete essa desvalorização. São poucos intérpretes mais experientes e os poucos que tinham morreram ou sumiram da história, como Rainha Crisélia (Rosamaria Murtinho) e Rei Augusto (Marco Nanini). Já o "O Outro Lado do Paraíso" expõe justamente o contrário: a experiência é constantemente valorizada.


Walcyr Carrasco é um escritor que sempre procurou dar destaque aos veteranos em seus folhetins e o atual é mais um exemplo. É até impressionante a quantidade de medalhões da teledramaturgia escalados para essa produção e com perfis de importância. Nesta segunda-feira (02/04), por sinal, foi ao ar o casamento de Mercedes e Josafá. O casal de 'velhinhos turrões' sempre foi um dos pontos altos da trama, destacando o brilhantismo de Fernanda Montenegro e Lima Duarte, figuras tão raras em novelas.

E o casório não tinha como não emocionar o público. Após muitas brigas (resultando em cenas divertidas), os dois finalmente resolveram fazer uma cerimônia, partindo da vidente o pedido de casamento, logo depois que a mesma descobriu pela filha, Diva (Bel Kutner), que estava viúva há um bom tempo.

sexta-feira, 30 de março de 2018

O que está acontecendo com as trilhas de novelas?

A trilha sonora sempre foi uma parte fundamental da telenovela. Além dos personagens, casais, conflitos, mocinhos e vilões, é preciso ter também músicas complementando as cenas e integrando o conjunto do folhetim. Tanto que, ao longo de mais de cinquenta anos de novelas, foram várias canções que marcaram, virando referência de determinada trama, personagem ou casal. E o sucesso era tamanho que vários LPs (Long Play ou Disco de Vinil), e posteriormente CDs, eram vendidos aos milhares.


Exemplos, então, não faltam. Como ouvir "Dona", do Roupa Nova, e não lembrar imediatamente da icônica Viúva Porcina (Regina Duarte) em "Roque Santeiro" (1985)? Ou então ouvir "Love By Grace" (cantada por Lara Fabian) e não pensar na marcante cena da Camila (Carolina Dieckmann) raspando os cabelos em "Laços de Família" (2000)? A própria trama de Manoel Carlos, por sinal, virou uma das principais referências em trilha sonora. Vide "Balada do Amor Inabalável" (Skank) como tema das passagens pelo Leblon e "Man I Feel Like a Woman!" (Shania Twain) como tema dos passeios de lancha de Cintia (Helena Ranaldi), entre outros.

Já "Palpite", cantada por Vanessa Rangel, lembra imediatamente o casal Milena (Carolina Ferraz) e Nando (Eduardo Moscovis) em "Por Amor" (1997). "Wishing on a Star" (Cover Girls) virou uma lembrança triste da morte de Daniela Perez em "De Corpo de Alma" (1992). "Velha Infância" remete ao romance açucarado de Edwiges (Carolina Dieckmann) e Cláudio (Erick Marmo) em "Mulheres Apaixonadas" (2003), enquanto "Corazón Partido" (Alejandro Sanz) marcou a sofrida Shirley (Karina Barum) em "Torre de Babel" (1998).

terça-feira, 27 de março de 2018

Na pele do íntegro Patrick, Thiago Fragoso virou um dos destaques de "O Outro Lado do Paraíso"

Atores talentosos sempre merecem espaço na televisão e parece uma afirmação óbvia. Mas não é. Isso porque, lamentavelmente, há muito ator sem talento que emenda uma novela na outra somente pelo fato de ser bonito, preenchendo a cota de "galãs". Várias vezes a competência é deixada de lado. Felizmente, intérpretes que honram as artes cênicas também conseguem seu espaço, embora alguns tenham bem mais dificuldades. Thiago Fragoso, por exemplo, é um dos mais bem-sucedidos. Ele une talento, beleza e carisma. Não por acaso virou um dos destaques de "O Outro Lado do Paraíso", atual sucesso das nove da Globo.


O íntegro Patrick entrou na novela de Walcyr Carrasco na segunda fase e não demorou para se firmar como um dos pontos positivos do enredo. O melhor advogado criminalista do país foi o maior responsável pela volta por cima de Clara (Bianca Bin), ajudando a mocinha a ficar com as telas milionárias de Beatriz (Nathalia Timberg), virando o braço-direito da protagonista, ajudando a heroína em todo o seu processo de vingança, mesmo discordando de algumas atitudes. O parceiro, então, virou melhor amigo e logo nasceu um clima entre os dois, embora ambos tenham tentado deixar de lado qualquer sentimento mais forte.

A torcida pelo casal, obviamente, só foi crescendo e o público passou a "shippar" "Clarick", tendo todos os motivos para isso. A construção dessa relação foi feita sem pressa pelo autor e o laço entre eles ficou cada vez mais forte. Se o ator escalado fosse mediano ou limitado, com certeza nada disso daria certo. Provavelmente, perderia espaço no roteiro, virando um mero coadjuvante.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Ótima como Clara em "O Outro Lado do Paraíso", Bianca Bin fez por merecer uma protagonista no horário nobre

Protagonizar uma novela é um desafio para qualquer ator, incluindo os mais experientes. E quando não é um casal de mocinhos e, sim, uma única personagem? E no horário nobre da Globo? Com certeza, é ainda pior para o intérprete. Se fracassar, a mancha em sua carreira será inevitável. Ser o responsável pelo mote central de um enredo é uma missão complicada, exigindo um grau de entrega muitas vezes exaustivo. Mas, Bianca Bin conseguiu driblar todas as armadilhas possíveis e vive seu melhor momento na pele da vingativa Clara, em "O Outro Lado do Paraíso".


A heroína do fenômeno de Walcyr Carrasco correu um risco alto de ser rejeitada nas primeiras semanas, pois apresentava todas as características irritantes de uma mocinha. Era excessivamente ingênua, passiva e totalmente manipulável. Caiu na lábia do conquistador e violento Gael (Sérgio Guizé) com facilidade e não reagia diante das declarações arrogantes da sogra, Sophia (Marieta Severo), e da cunhada, Livia (Grazi Massafera). Para piorar, mesmo apanhando do esposo várias vezes, se negava a denunciá-lo --- como ocorre mesmo na vida real. Ou seja, um teste de paciência para o telespectador.

A questão que a humanizava, despertando empatia do público, era a tragédia envolvendo o seu pai, morto quando garimpava as suas terras em busca de esmeraldas. Esse trauma, inclusive, deixava a protagonista firme em relação ao terreno do avô, Josafá (Lima Duarte), negando qualquer chance de garimpo e enfrentando as intimidações da sogra e do marido.

sábado, 10 de março de 2018

"BBB 18" aproveita o sucesso de "O Outro Lado do Paraíso" com o retorno de Gleici e empolga público

A edição desta sexta-feira (09/03) do "Big Brother Brasil 18" entrou para a história do reality com momentos que com certeza ficarão na memória dos fãs do formato. A produção do programa aproveitou com habilidade o estrondoso sucesso de "O Outro Lado do Paraíso" no retorno de Gleici e provocou uma deliciosa catarse no jogo, resultando em uma virada bastante aguardada desde a eliminação falsa da participante na terça-feira (06/03), quando disputou a preferência popular com seus dois amigos: Paula e Mahmoud.


Gleici ficou no quarto de cima da casa por três dias e viu o que os colegas conversavam na casa. Obviamente, não descobriu tudo que deveria e nem teria tempo para isso. No entanto, o momento em que a menina percebeu que não tinha sido eliminada provocou momentos hilários, principalmente quando Tiago Leifert tentou acalmá-la para os demais não ouvirem. O período em que ficou no segundo andar não chegou a render muito, mas a internet ficou em êxtase e fez vários memes (montagens de fotos usando expressões cômicas) comparando com o retorno da mocinha da novela das nove.

A produção, que não tem nada de boba, resolveu aproveitar a ideia dos internautas e fez uma chamada citando o enredo de Walcyr Carrasco: "Hoje tem um retorno digno de novela no BBB". Ainda exibiram Gleici falando "Não imaginam o prazer que é estar de volta", frase dita por Clara (Bianca Bin). Para a sorte da Globo, a participante é fã da trama e repetiu essa frase inúmeras vezes enquanto esperava seu retorno.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Julgamento de Vinícius destaca a total entrega do elenco em "O Outro Lado do Paraíso"

"O Outro Lado do Paraíso" é um fenômeno de audiência e tem feito por merecer os números expressivos do Ibope. O público foi arrebatado pela trama de Walcyr Carrasco e o julgamento de Vinícius (Flávio Tolenezani), exibido entre segunda e terça (19 e 20/02), chegou a uma impressionante média de 46 pontos e picos de 49, dignos de último capítulo. E toda a sequência fez jus ao índice, destacando a coragem do autor, a direção primorosa de Mauro Mendonça Filho e a total entrega de um elenco repleto de talentos.


O aguardado momento contou com a presença de praticamente todo o elenco estelar da história, assim como costuma ocorrer em qualquer julgamento de novela, e o acerto de colocar todos fazendo parte de uma cena tão tensa ficou visível em cada minuto. O depoimento forte e emocionado de Laura provocou angústia e uma forte dose de emoção, valorizando mais uma vez o talento de Bella Piero. Que menina competente e grata revelação de "Verdades Secretas" (2015), do mesmo Walcyr.

O choro doloroso de Rafael também expôs o profissionalismo de Igor Angelkorte, finalmente valorizado em um folhetim, após um papel deprimente na fracassada "Babilônia" (2015). O sofrimento do marido de Laura ao ouvir o depoimento da esposa comoveu do início ao fim, assim como o seu descontrole quando Vinícius tirou a máscara diante de todos no tribunal.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Trama de Estela decepcionou em "O Outro Lado do Paraíso"

Antes mesmo de estrear, "O Outro Lado do Paraíso" despertou uma curiosidade a respeito da abordagem do nanismo. Afinal, pela primeira vez uma novela teria uma anã no elenco fixo e não haveria qualquer característica cômica. Walcyr Carrasco prometeu explorar algo novo na teledramaturgia e a expectativa acabou gerada. No início, o enredo de Estela (Juliana Caldas) realmente despertou interesse. Entretanto, com o tempo, a situação foi se desgastando e se perdeu.


No primeiro mês de novela, a personagem sofria nas mãos da mãe, a maquiavélica Sophia (Marieta Severo), que nunca tolerou ter uma filha anã. Tanto que, no passado, a vilã despachou a filha para o exterior com o intuito de não mostrá-la para os amigos influentes, deixando bem explícita a vergonha da sua caçula. A menina acabou estudando e virou uma pessoa esclarecida e bem-sucedida. Anos depois, voltou ao Brasil para o casamento do irmão, Gael (Sérgio Guizé), resolvendo permanecer no país. Desde então, passou a sofrer várias humilhações da mãe.

A única amiga de Estela é a empregada Rosalinda (Vera Mancini), que a criou desde pequena. E Gael, apesar do péssimo histórico com mulheres, é um irmão amoroso. Pouco depois da mudança de fase e da passagem de tempo de dez anos, Sophia expulsou a filha de sua mansão, a colocando em uma casa simples no interior de Palmas, bem longe dela. O local, então, acabou virando o núcleo da personagem, que se mudou com a fiel escudeira.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Abuso sexual em "O Outro Lado do Paraíso" destaca a entrega de Bella Piero e levanta um tema de grande importância

A pedofilia é um dos crimes mais asquerosos do ser humano. Um adulto explorar uma criança indefesa para seus desejos sexuais enoja qualquer um e a questão em torno do abuso sexual também acaba sendo debatida. Portanto, abordar um tema delicado como esse em uma novela não é nada fácil. Walcyr Carrasco, todavia, resolveu arriscar e inseriu esse contexto em um núcleo de "O Outro Lado do Paraíso". E agora, que essa situação ganhou destaque, é possível afirmar que a coragem do autor foi um acerto.


A trama da introspectiva Laura (Bella Piero) foi colocada de forma sutil na primeira fase, pois a atriz era uma criança (a talentosa Luísa Bastos). O olhar de ódio que a menina lançava para o padrasto Vinícius (Flávio Tolezani) era impressionante e ela não tolerava chamá-lo de pai. Dez anos se passaram e o núcleo ficou em terceiro plano, enquanto os demais se desenvolviam. Cada etapa da vingança de Clara (Bianca Bin) destaca um enredo paralelo da novela e agora chegou a vez desse.

A mocinha se vingou de Gael (Sérgio Guizé), o mandando para cadeia por violência doméstica; de Samuel (Eriberto Leão), expondo sua homossexualidade (sempre reprimida por ele); e a próxima revanche é a destruição de Vinícius. Para isso, a mocinha tem investigado a vida do delegado e acabou se deparando com Laura, desconfiando de sua tristeza profunda.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Clara e Patrick esbanjam química em "O Outro Lado do Paraíso"

O atual fenômeno das nove da Globo conquistou o público com a saga de Clara (Bianca Bin), comprovando que os telespectadores dificilmente resistem a um bom enredo de vingança. Porém, toda boa novela também precisa de romance e a vida amorosa da mocinha vingativa nunca foi favorável em "O Outro Lado do Paraíso". Quase se relacionou com Renato (Rafael Cardoso) na primeira fase, mas acabou casada com Gael (Sérgio Guizé), homem violento e inconsequente. A dúvida em torno do par romântico da protagonista se fazia presente em uma parcela da audiência. Ela teria um amor, afinal? Mas a chegada de Patrick (Thiago Fragoso) cessou qualquer incerteza.


É importante ressaltar que o personagem sempre esteve na sinopse da trama. Walcyr Carrasco já tinha a sua carta na manga e a usou na hora certa, assim que Clara iniciou sua retomada, após ter escapado do hospício. O íntegro sobrinho de Beatriz (Nathália Timberg) é um clássico herói romântico e virou o braço direito da mocinha, agindo como parceiro nos planos e usando sua capacidade como advogado para colocá-a sempre um passo a frente de seus inimigos. Também foi uma peça fundamental na riqueza da protagonista, ajudando a vender todas as pinturas valiosas que a finada tia deixou para sua discípula e amiga.

A sintonia entre Thiago Fragoso e Bianca Bin se fez presente desde a primeira cena deles juntos. Não demorou para uma torcida pelo casal surgir. Porém, o autor usou esse trunfo a seu favor e adiou o quanto pôde o primeiro beijo dos personagens.