quarta-feira, 6 de maio de 2026

"A Nobreza do Amor" tem início bem estruturado e sem pressa, mas escassez de figurantes é um problema

 Há um contraste curioso e bastante positivo no trabalho de Duca Rachid, Elisio Lopes Jr. e Julio Fischer em "A Nobreza do Amor". Depois de uma experiência anterior marcada por atropelos narrativos em "Amor Perfeito", o trio demonstra, agora, um domínio muito mais consciente do tempo dramático e isso faz toda a diferença.


Há quase dois meses no ar, a novela das seis se revela um folhetim agradável de acompanhar justamente por aquilo que antes faltou: paciência. A construção das tramas é cuidadosa, sem a pressa que compromete o envolvimento do público. O romance entre a princesa Alika, vivida por Duda Santos, e o plebeu Tonho, de Ronald Sotto, é o melhor exemplo disso. Desde o primeiro encontro atravessado, com direito a esbarrão e troca de farpas, até o início do namoro, houve um percurso gradual, convincente e saboroso de acompanhar. Nada soa apressado, ao contrário, cada avanço do casal parece merecido.

A própria chegada da protagonista a Barro Preto, fugindo do golpe de estado liderado por Jendal (Lázaro Ramos), estabelece bem o tom da narrativa. A perda do pai, a adaptação a uma nova realidade e a construção de novas relações ---- inclusive sob a identidade de Lúcia ---- são desenvolvidas com equilíbrio.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Núcleo da delegacia rouba a cena em "Três Graças"

 O núcleo da delegacia em "Três Graças" se consolidou como um dos grandes acertos da novela, muito por conta da sintonia deliciosa entre Rômulo Estrela, Gabriela Medvedovsky e André Mattos. Desde o início, o trio se destaca ao dar vida aos policiais Paulinho e Juquinha e ao delegado Jairo com uma naturalidade gostosa de ver, daquelas que fazem o público acreditar que eles são, de fato, uma família.


E essa é a palavra-chave: família. André Mattos constrói um delegado Jairo que é firme quando precisa, mas atravessado por uma ternura quase paternal que dá o tom das relações dentro da delegacia. Ele funciona como um eixo emocional, um verdadeiro pai para Juquinha e Paulinho, conduzindo os dois com uma mistura equilibrada de autoridade, afeto e ironia.

Já Gabriela Medvedovsky e Rômulo Estrela entregam uma dupla deliciosa de acompanhar. Juquinha e Paulinho têm uma relação de irmãos que pulsa verdade --- há carinho, cumplicidade e parceria, mas também espaço para implicâncias e provocações que soam absolutamente naturais.