Há um contraste curioso e bastante positivo no trabalho de Duca Rachid, Elisio Lopes Jr. e Julio Fischer em "A Nobreza do Amor". Depois de uma experiência anterior marcada por atropelos narrativos em "Amor Perfeito", o trio demonstra, agora, um domínio muito mais consciente do tempo dramático e isso faz toda a diferença.
Há quase dois meses no ar, a novela das seis se revela um folhetim agradável de acompanhar justamente por aquilo que antes faltou: paciência. A construção das tramas é cuidadosa, sem a pressa que compromete o envolvimento do público. O romance entre a princesa Alika, vivida por Duda Santos, e o plebeu Tonho, de Ronald Sotto, é o melhor exemplo disso. Desde o primeiro encontro atravessado, com direito a esbarrão e troca de farpas, até o início do namoro, houve um percurso gradual, convincente e saboroso de acompanhar. Nada soa apressado, ao contrário, cada avanço do casal parece merecido.
A própria chegada da protagonista a Barro Preto, fugindo do golpe de estado liderado por Jendal (Lázaro Ramos), estabelece bem o tom da narrativa. A perda do pai, a adaptação a uma nova realidade e a construção de novas relações ---- inclusive sob a identidade de Lúcia ---- são desenvolvidas com equilíbrio.