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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Desmascaramento de Naiane resulta em anticlímax e expõe fragilidades de "Coração Acelerado"

 A aguardada catarse em que Agrado (Isadora Cruz) e Eduarda (Gabz) finalmente revelam ao público todas as mentiras de Naiane (Isabelle Drummond) em "Coração Acelerado" ficou muito aquém das expectativas. A cena, que deveria representar um dos grandes momentos da novela, terminou como um exemplo de oportunidade desperdiçada, incapaz de provocar o impacto dramático que a trama vinha prometendo há semanas.


O principal problema está na própria construção de Naiane. A personagem nunca chegou a se consolidar como uma vilã de verdade. Suas armações --- fingir que cantava usando a voz de Eduarda e mentir sobre ser o amor de infância de João Raul (Filipe Bragança) ---- soam mais próximas das intrigas juvenis da extinta "Malhação" do que das grandes manipulações típicas de antagonistas memoráveis das novelas. Naiane é, no fundo, apenas uma jovem mimada que vive em função do protagonista, sem um objetivo próprio ou um arco independente. É uma pena, porque Isabelle Drummond é uma atriz talentosa e vem realizando um ótimo trabalho com o material que recebeu.

A falta de impacto também passa por uma decisão difícil de compreender: Naiane sequer estava presente no momento em que foi desmascarada. Como uma vilã pode ser exposta diante do público sem estar no palco para reagir?

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Gabz transforma Duda no coração mais humano de "Coração Acelerado"

 Em meio aos vários problemas de desenvolvimento de "Coração Acelerado", Gabz acabou encontrando em Eduarda, a Duda, uma rara oportunidade dentro da novela: interpretar uma personagem que ao menos possui uma linha narrativa minimamente consistente. Em uma trama marcada por conflitos superficiais, repetitivas idas e vindas amorosas e arcos que parecem surgir e desaparecer sem muito planejamento, Duda é uma das poucas figuras que realmente despertam interesse contínuo no público.


Muito disso vem da própria trajetória da personagem. A história da menina abandonada pela mãe ainda criança --- deixada sozinha na rua enquanto via a mulher ir embora em um ônibus --- imediatamente cria curiosidade. O roteiro pode até não aprofundar tudo o que poderia desse trauma, mas Gabz consegue dar peso emocional suficiente para que ele nunca pareça apenas um detalhe jogado na trama.

A atriz entende bem o tom da personagem. Duda carrega uma melancolia constante, mas Gabz evita transformar isso em um sofrimento excessivamente dramático. Sua interpretação funciona justamente pela simplicidade.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Por que o público odiava tanto a Eduarda em "Por Amor"?

A reprise de "Por Amor", dirigida por Ricardo Waddington, vem fazendo um grande sucesso no "Vale a Pena Ver de Novo", na Globo, e merece. É uma das novelas mais aclamadas de Manoel Carlos. Não por acaso virou um clássico da teledramaturgia. Mas a reexibição da trama sempre levanta um questionamento até hoje inexplicável: por que o público odiava tanto a Eduarda (Gabriela Duarte) e nunca se incomodou com o Marcelo (Fábio Assunção)?


As "Helenas" do Maneco até hoje são lembradas por noveleiros apaixonados e o escritor carrega essa peculiaridade em suas obras. Mas não é a única. Outra que virou uma espécie de DNA de seus folhetins foi a insuportabilidade das filhas dessas "Helenas". Porém, ao contrário das heroínas de mesmo nome, não virou uma regra. Só que as herdeiras mais marcantes são justamente as mais mimadas e sonsas, vide Joyce (Carla Marins), em ""História de Amor", e Camila, em "Laços de Família". Embora a novela tenha sido o maior fracasso do autor, Luiza (Bruna Marquezine), de "Em Família", também entrou no time. O questionável é justamente Eduarda estar na lista.

É verdade que no início de "Por Amor" a personagem faz jus ao título e se encaixa nos demais perfis citados. A filha de Helena (Regina Duarte) é uma mimada que não tolera ser contrariada e tem um ciúme doentio de Marcelo. Grita com qualquer um que a enfrente e ainda maltrata o pai alcoólatra, Orestes (Paulo José).