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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Retrospectiva 2020: os destaques do ano

 Em um ano tão problemático como 2020, foi possível elaborar uma lista de destaques da televisão?  A resposta é sim. Várias reprises tomaram conta da grade de todas as emissoras, mas ainda no primeiro semestre produções iniciadas em 2019 foram concluídas brilhantemente. Séries até então exclusivas da Globoplay migraram para a tevê aberta para ocupar espaços vazios. E algumas reexibições foram muito bem escolhidas. Vamos a elas na última retrospectiva do ano. 




"Éramos Seis":  O quinto remake do romance de Maria José Dupré, baseado na novela exibida pelo SBT em 1994, manteve as qualidades vistas nas produções anteriores, além de algumas diferenças. Angela Chaves conduziu brilhantemente essa versão exibida pela Globo e o folhetim primou pelo capricho da direção de Carlos Araújo. O elenco também foi escalado com precisão e Glória Pires deu um show como Dona Lola, assim como vários outros intérpretes, vide Cássio Gabus Mendes, Nicolas Prattes, Kelzy Ecard, Carol Macedo, Simone Spoladore e Ricardo Pereira. Foram muitas cenas emocionantes e lindamente interpretadas. Pela primeira vez a protagonista teve um final feliz, mas o título continuou fazendo sentido. Antes representava a tristeza. A quinta adaptação expôs o crescimento de uma família, que de seis passou a ter quinze integrantes. A novela foi a última que conseguiu ser finalizada antes da pandemia do novo coronavírus. 



"Bom Sucesso":
A novela das sete de Rosane Svartman e Paulo Halm, dirigida com maestria por Luiz Henrique Rios, foi um fenômeno de audiência e mereceu todo o sucesso. A trama se encerrou em janeiro, época em que a pandemia ainda não existia no Brasil. Quase um outro mundo. Os autores, responsáveis pelas também ótimas "Malhação - Intensa" (2012), "Malhação Sonhos" (2014) e "Totalmente Demais" (2016), emplacaram outro produto de qualidade e conquistaram o público com uma história deliciosa que abordou a literatura com delicadeza, apresentou personagens bem construídos, formou casais apaixonantes e ainda explorou viradas que emocionaram e tiraram o fôlego com boas doses de tensão. Impossível não ter se envolvido com Paloma (Grazi Massafera), Marcos (Romulo Estrela), Alberto (Antônio Fagundes), Nana (Fabiula Nascimento), entre tantos outros bons e bem interpretados perfis. É o melhor folhetim das 19h desde "Totalmente Demais", ironicamente, também escrito por eles e reprisado em 2020.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Retrospectiva 2020: as melhores atrizes e os melhores atores do ano

 Todo ano, a retrospectiva de melhores intérpretes fica gigantesca neste blog. Normalmente, em torno de 160 nomes. Mas 2020 foi um ano atípico. A pandemia do novo coronavírus interrompeu as gravações de todas as novelas e séries. Nacionais e internacionais. As reprises viraram as protagonistas do entretenimento. Mas, ainda assim, alguns nomes merecem entrar na lista por produções encerradas no primeiro semestre ou então breves especiais gravados com todos os protocolos de segurança para presentear o telespectador com cultura de qualidade. Vamos a eles. 


Melhores Atrizes:



1- Marjorie Estiano.
Foram apenas dois episódios de "Sob Pressão - Plantão Covid". Mas o especial valeu por uma temporada inteira somente pela entrega do elenco. E a principal foi Marjorie. Magnífica como sempre, a atriz deu um show de emoção em todas as difíceis cenas de Carolina fazendo de tudo para salvar os vários pacientes da covid-19. A cena mais emblemática do especial foi o momento em que a médica precisou tirar a máscara e sorrir para a foto de seu crachá do hospital de campanha. Um rosto cheio de marcas, os olhos vermelhos de tanto chorar e um sorriso que pareceu um pedido de socorro. Marjorie não precisou nem falar. Que cena! 


2- Fernanda Montenegro.
Elogiar Fernandona é chover no molhado. E a veterana esteve em dois especiais gravados em plena pandemia (pela sua própria família). A ranzinza Gilda foi brilhantemente interpretada tanto em "Amor e Sorte" quanto em "Gilda, Lúcia e o Bode", exibido na noite de Natal. A atriz mesclou momentos cômicos e dramáticos com a maestria que só alguém de seu talento consegue. A personagem é tão boa que vale a dica para a Globo fixar a série em sua grade. 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Retrospectiva 2020: as melhores cenas do ano

Mais um ano está chegando ao fim e mais uma vez o telespectador foi presenteado com várias cenas grandiosas da nossa teledramaturgia. Momentos marcantes de novelas, séries e minisséries emocionaram, impactaram ou divertiram ao longo de 2020. Porém, a pandemia do novo coronavírus interrompeu as gravações de todas elas. Algumas ainda conseguiram ser encerradas antes do caos mundial. Outras não. A programação de todos os canais foi preenchida com reprises. Ao menos muitas sequências de produções inéditas merecem menção para relembrar o show dos atores, a competência da direção e o talento dos escritores. Vamos a elas.






Adelaide surpreende Justina em "Éramos Seis":
Após um reencontro conturbado, que resultou em um surto da filha autista de Emília (Susana Vieira), a irmã mais velha resolveu surpreender a irmã com um voo de avião. Encantada, Justina lembrou das duas na infância e a cena transbordou sensibilidade. Júlia Stockler e Joana de Verona deram um show.




Vitória conta que é a mãe de Sandro em "Amor de Mãe":
A advogada toma coragem e revela para a babá de seu filho que houve uma grande confusão envolvendo a vida de ambas. Lurdes tenta negar a realidade, mas chora quando vê o resultado do exame de DNA que prova que Vitória é a mãe biológica de Sandro. Lurdes se demite e sai desnorteada. Taís Araújo e Regina Casé perfeitas.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Retrospectiva 2020: os melhores casais do ano

 A pandemia do novo coronavírus, como já mencionado nas postagens anteriores, implicou na interrupção de todas as gravações da teledramaturgia. A programação das emissoras ficou repleta de reprises. E as reexibições ainda dominam as grades. Por conta deste fato, a lista de melhores casais da ficção de 2020 é composta, em grande parte, por pares de tramas que chegaram ao fim ou foram interrompidas no primeiro semestre. Vamos a eles. 



Marcos e Paloma ("Bom Sucesso"):
Rosane Svartman e Paulo Halm foram muito inteligentes. Nada de declarações apaixonadas no primeiro capítulo ou casamento na segunda semana. Marcos e Paloma tiveram um amor construído aos poucos. Ele era um galinha convicto, enquanto ela tentava retomar um relacionamento do passado. Os dois foram se encantando um pelo outro até o amor se instaurar de vez. A química entre Rômulo Estrela e Grazi Massafera se mostrou avassaladora e os atores foram ótimos na deliciosa novela das sete de sucesso. 


Lola e Afonso ("Éramos Seis"):
O quinto remake do romance de Maria José Dupré foi o único que teve um final feliz para a protagonista. A novela, adaptada por Angela Chaves, chegou ao fim em 27 de março, dias antes da pandemia se instaurar no país. As gravações finais tiveram adaptações pela ausência de beijos, mas Dona Lola terminou ao lado de Seu Afonso e a química entre Glória Pires e Cássio Gabus Mendes, parceiros de vários trabalhos, foi um dos trunfos da produção. O casal caiu no gosto do público e foi um alento vê-los juntos no fim. 

sexta-feira, 27 de março de 2020

Com final feliz e surpreendente, "Éramos Seis" se mostrou um remake irretocável

A produção de remakes costuma gerar controvérsias. Vale a pena mexer em um clássico? Afinal, tem releitura que fracassa, vide "Guerra dos Sexos" em 2012. Mas o caso de "Éramos Seis" era atípico. O romance de Maria José Dupré, de 1943, teve quatro versões de folhetins. Uma em 1958, na Record, outras duas em 1967 e em 1977, ambas na Tupi, e a até então última em 1994, no SBT. A mais lembrada e elogiada era a exibida pela emissora de Silvio Santos, protagonizada por Irene Ravache. Ironicamente, a Globo, maior produtora de novelas no mundo, ainda não tinha a sua versão. Será que o risco de produzir um quinto remake foi válido? A resposta é sim.


Angela Chaves foi escolhida por Silvio de Abreu ----- que escreveu juntamente com o saudoso Rubens Edwald Filho as versões de 1977 e 1994 da trama ----- para nova adaptação do clássico que já arrebatou vários leitores e telespectadores ao longo dos anos. A autora ainda é considerada uma ''novata", pois seu único folhetim como escritora principal foi "Os Dias Eram Assim", desenvolvido em parceria com Alessandra Poggi, exibido em 2017 na faixa das 23h. E a produção deixou muito a desejar. No entanto, passou com louvor no teste de elaborar uma nova "Éramos Seis".

O quinto remake transbordou qualidade. A escalação precisa do elenco foi a cereja do bolo. E o risco de exibir uma história baseada apenas em situações do cotidiano, sem vilanias ou grandes reviravoltas, era muito alto.

terça-feira, 24 de março de 2020

Nicette Bruno e Irene Ravache engrandecem última semana de "Éramos Seis"

A última semana de "Éramos Seis" tem honrado todas as qualidades que o remake tão bem escrito por Angela Chaves vem apresentando desde a estreia. A quinta adaptação da obra de Maria José Dupré prova como o romance tão triste sobre a dura vida de uma matriarca é atemporal e sempre envolve quem assiste ou lê. Para coroar a trama tão emocionante, duas participações para lá de especiais engrandeceram a história em plena reta final: Nicette Bruno e Irene Ravache.


Nicette foi a Dona Lola do remake exibido na TV Tupi, em 1977. A grande atriz fazia par com o saudoso Gianfrancesco Guarnieri, intérprete do rígido Júlio. Já Irene Ravache é a Lola mais lembrada pelo grande público. A intérprete deu um show na adaptação produzida pelo SBT em 1994, ao lado de Othon Bastos (Júlio), e comoveu o telespectador em um dos poucos folhetins da emissora de Silvio Santos que realmente fez um grande sucesso. Nada mais justo do que homenageá-las na atual versão da Globo, onde a Lola da vez é vivida pela maravilhosa Glória Pires.

Vale lembrar que as duas veteranas sempre estiveram nos planos da autora e do diretor Carlos Araújo, mas infelizmente não puderam ficar no elenco fixo. Nicette tinha acabado de participar de "Órfãos da Terra", novela anterior e problemática, enquanto Irene precisou se afastar, após o término de "Espelho da Vida", para cuidar de um problema no quadril.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Casal formado por Lola e Afonso é uma agradável surpresa de "Éramos Seis"

A atual novela das seis da Globo, em plena reta final, tem feito por merecer vários elogios. E não chega a ser uma surpresa. "Éramos Seis" é uma história querida pela grande maioria do público. O romance de Maria José Dupré (1898 - 1984) rendeu vários remakes. Esse é o quinto. Mas Angela Chaves já mostrou que não seguiu a trama exibida no SBT, em 1994, fielmente. No início, foram pequenas alterações, como um maior números de atores negros no elenco para aumentar a representatividade e uma ligeira mudança na personalidade submissa de Dona Lola (Gloria Pires). A mexida mais significativa do roteiro se deu com um novo amor para a protagonista.


A matriarca da família Lemos nunca se colocou em primeiro lugar na vida. Sempre viveu em função do marido e dos quatro filhos. A morte de Júlio (Antônio Calloni), de acordo com as produções passadas, deixa a situação econômica da família em estado crítico e a dedicação daquela mãe fica ainda maior. A autora não alterou uma das maiores viradas da história. Tudo isso continua. Porém, agora Lola vê uma chance para amar novamente. Isso porque sua relação com Seu Afonso (Cássio Gabus Mendes) fica ainda mais forte, principalmente depois que viram sócios no negócio da venda de doces caseiros. 

Ao contrário das versões passadas, o clima entre os personagens sempre existiu no atual remake. Na trama do SBT, que serve como base para a produção da Globo, o dono da venda era vivido pelo saudoso Umberto Magnani e tinha uma importância muito menor, mesmo tendo protagonizado os conflitos iguais com a companheira egoísta e o afastamento da querida filha --- a única diferença é que as duas não eram negras e nem da Bahia e, sim, espanholas.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Kelzy Ecard está ótima como Genu em "Éramos Seis"

O grande público só conheceu o talento de Kelzy Ecard em "Segundo Sol", exibida em 2018, no horário nobre da Globo. A atriz deu um show dramático na pele da sofrida Nice, personagem que sofria violência doméstica do marido na história de João Emanuel Carneiro. Com várias peças teatrais no currículo, a intérprete tinha apenas pequenas participações na televisão ---- como em "Três Irmãs" (2008) e "Império" (2014). Agora é um dos muitos pontos positivos de "Éramos Seis".


Após o brilhante trabalho na produção das nove, Kelzy merecia mesmo outra boa oportunidade e conseguiu no quinto remake do romance de Maria José Dupré. E a escolha de seu papel foi a melhor possível: a fofoqueira Genu. A grande amiga da protagonista é a responsável por alguns dos raros momentos cômicos do triste enredo adaptado por Angela Chaves e dirigido por Carlos Araújo. Ou seja, é um perfil completamente diferente do anterior. Um incentivo e tanto para qualquer atriz.

Embora seja a típica vizinha futriqueira, Genu não é um esteriótipo. Isso porque há um laço de amor verdadeiro com Lola (Glória Pires). Ela realmente a considera como uma irmã e está sempre disposta a ajudar no que for preciso. Não é a invejosa que vive falando da vida alheia, destilando maldade. E a família também ajuda a expor mais nuances atrativas da personagem.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Revelação sobre trauma de Justina destaca atrizes em "Éramos Seis"

Uma das qualidades de "Éramos Seis" é a valorização de todos os núcleos. Não existe trama desnecessária. Todas acrescentam algo no enredo do remake do  romance de Maria José Dupré, adaptado por Angela Chaves e dirigido por Carlos Araújo. Até a aparentemente mais deslocada história resultou em uma forte virada na reta final da novela: o mistério envolvendo o passado de Justina (Júlia Stockler) e Emília (Susana Vieira).


O traumático passado da filha mentalmente perturbada da ricaça não existe no livro, mas o público que acompanhou as versões anteriores do folhetim, tendo a do SBT, em 1994, como a mais lembrada, já sabia do enigma. Mas a atual produção conseguiu manter bem o segredo e a revelação implicou em ótimas cenas protagonizadas por Susana Vieira com as revelações Júlia Stockler e Joana de Verona (Adelaide). Era um momento bastante aguardado.

O roteiro sempre induziu o telespectador a pensar que Emília era uma mulher cruel e fria. Sempre isolada em sua luxuosa mansão, a milionária nunca ligou muito para a sobrinha Lola (Gloria Pires) e evitava uma maior intimidade com qualquer um.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Nicolas Prattes vive grande momento em "Éramos Seis"

Há uma parcela do público que sempre reclama de "Malhação". Acham que o seriado adolescente da Globo, lançado em 1995, já deu o que tinha que dar. Mas é incontestável a importância do produto. É verdade que há temporadas péssimas ou que se perdem pelo caminho, como é o caso da atual "Toda Forma de Amar"; entretanto, são muitas tramas que caem no gosto do público e fazem sucesso. E ainda é uma produção que revela muitos talentos. Um deles é Nicolas Prattes, que vem brilhando como Alfredo em "Éramos Seis".


O ator foi revelado em "Malhação - Seu Lugar no Mundo", onde viveu o protagonista Rodrigo e fez um bonito par com Marina Moschen, intérprete da mocinha Luciana na trama de 2015. Repetiu o par com a colega em "Rock Story" (2016), sua primeira novela, quando interpretou o músico Zac. Se saiu muito bem e cresceu ao longo do folhetim. O resultado do elogiado desempenho rendeu o mocinho de "O Tempo Não Para", produção das 19h, exibida em 2018. Mais uma vez se destacou. O íntegro Samuca foi defendido com competência.

Agora, no quinto remake do romance de Maria José Dupré, o intérprete vive seu melhor momento na até então curta carreira. Escalado inicialmente para viver o correto Carlos, filho mais velho e amado de Dona Lola (Glória Pires), o ator se identificou mais com o controverso Alfredo e acabou ficando com o papel.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Simone Spoladore é um dos destaques de "Éramos Seis"

Há papéis que naturalmente favorecem o ator. Uma heroína destemida, um vilão ou vilã com frases de efeito e uma certa caricatura, enfim, não falta exemplo. Porém, também existe aquele personagem que tem tudo para destruir um ator: a mocinha idiota, o vilão insosso, o coadjuvante apagado, entre outros. Por isso é preciso enaltecer o brilhante trabalho de Simone Spoladore em "Éramos Seis", remake produzido pela Globo na faixa das 18h, na pele de um perfil que é uma armadilha para qualquer intérprete.


Clotilde reúne todas as características que costumam irritar o público e causar uma grande rejeição: é passiva, chorona, submissa, deslocada, religiosa, triste, conformada e sem qualquer leveza. Não é exagero constatar que provoca até uma certa depressão em quem assiste. Ou seja, na pele de uma atriz inexperiente ou fraca seria um verdadeiro fiasco. Seria impossível comover ou despertar qualquer empatia no telespectador. Mas a escalação da autora Angela Chaves e do diretor Carlos Araújo se mostrou certeira.

É impressionante como Simone está irretocável no papel. A expressão de tristeza profunda da atriz é precisa e desperta pena. O olhar cabisbaixo, os ombros curvados, a fala suave, quase se desculpando por existir, são outros elementos que viraram a marca da irmã de Lola (Gloria Pires). A personagem sempre se viu deslocada no mundo.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Gloria Pires tinha que ser a quinta Lola de "Éramos Seis"

"Éramos Seis" é um sucesso atemporal. O fato do romance de Maria José Dupré, lançado em 1943, estar em sua quinta adaptação e seguir arrebatando o público é a prova. Gessy Fonseca foi a primeira Dona Lola, na trama da Record em 1958. Cleyde Yáconis viveu a matriarca no remake da Tv Tupi em 1967 e Nicette Bruno na mesma emissora em 1977. Já Irene Ravache é a atriz mais lembrada na pele da personagem em virtude do sucesso do remake do SBT, exibido em 1994. Agora chegou a vez de Glória Pires dar vida ao papel.


A atriz vive um de seus melhores momentos na carreira na versão produzida pela Globo. A sua Lola é ao mesmo tempo semelhante e totalmente diferente das anteriores. Gloria conseguiu manter a essência da marcante personagem, mas aproveitou as suaves mudanças no texto escrito por Angela Chaves para dar uma nova identidade a essa forte e sofrida mulher. A passividade não é tão preponderante agora e o flerte com Afonso (Cássio Gabus Mendes) permitiu um toque de 'conto de fadas' jamais vista nas outras versões.

Embora sejam bem maduros, os personagens parecem viver aquela descoberta do primeiro amor tão comum em livros da Disney. Lola entrou em um inferno astral após a morte do marido Júlio (Antônio Calloni), mas viu um sopro de esperança em sua vida quando começou a perceber o que sentia pelo dono da venda que tanto a ajudava ao longo dos anos. Gloria e Cássio são parceiros de longa data e novamente esbanjam sintonia em cena.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Morte de Carlos promove aguardada virada e comove em "Éramos Seis"

"Éramos Seis" é a melhor novela no ar atualmente. O quinto remake do romance de Maria José Dupré vem proporcionando uma avalanche de emoções no público, honrando esse drama tão triste e envolvente que marcou tantas gerações. Angela Chaves fez algumas mudanças bem evidentes na história, mas a essência segue a mesma e bem ligada ao enredo exibido pelo SBT em 1994. E uma das viradas mais aguardadas era a morte de Carlos (Danilo Mesquita), exibida nesta sexta-feira (07/02) em um capítulo dilacerante.


O filho mais velho e querido de Dona Lola (Glória Pires) tem uma morte mais dolorosa no livro da escritora. Infeliz em seu trabalho e vivendo uma vida que jamais desejou, o rapaz acaba desenvolvendo a mesma úlcera que vitimou seu pai, Júlio (Antônio Calloni). Mas Silvio de Abreu e o saudoso Rubens Edwald Filho criaram uma morte bem mais impactante no remake do SBT e colocaram o jovem para morrer durante o primeiro grande movimento que culminou da Revolução Constitucionalista de 1932. Um final heroico e forte.

Angela quis manter a ótima ideia dos autores e valeu a pena. Toda a sequência da manifestação dos paulistas contra a ditadura do governo de Getúlio Vargas arrepiou e a direção precisa de Carlos Araújo mais uma vez sobressaiu. O trabalho do diretor está impecável na novela.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Núcleo de Itapetininga emociona e diverte em "Éramos Seis"

O núcleo cômico em novela sempre provoca controvérsia. Há os que defendem a obrigatoriedade em qualquer folhetim e os que acham uma inutilidade criada apenas para preencher o tempo dos capítulos. Não existe consenso. O fato é que esse tipo de núcleo às vezes funciona e outras não. Há escritor que simplesmente não se dá bem com comédia. Depende da inspiração de cada autor. Já o caso de "Éramos Seis", atual novela das seis da Globo, é de total êxito.


O núcleo de Itapetininga virou um dos trunfos da trama de Angela Chaves, baseado no romance de Maria José Dupré e no remake exibido pelo SBT em 1994. Assim como na maioria dos núcleos cômicos de qualquer novela, a história dos personagens fica quase totalmente deslocada do enredo central. É praticamente um folhetim paralelo. Mas, no caso, não há demérito porque a narrativa não é quebrada e nem prejudica o andamento dos conflitos. Até ajuda a imprimir um clima um pouco mais leve em uma produção marcada pela tristeza.

No início da história, a casa de Maria (Denise Weinberg) mal aparecia e servia apenas de pano de fundo para Olga (Maria Eduarda de Carvalho) e Clotilde (Simone Spoladore). Quando as duas foram para São Paulo morar com a irmã Lola (Glória Pires), então, o núcleo praticamente desapareceu. Mas, aos poucos, o enredo foi enriquecendo e ganhando importância.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Cássio Gabus Mendes merecia um papel como o Afonso de "Éramos Seis"

A atual novela das seis da Globo vem merecendo os elogios e o prestígio do público. O quinto remake de "Éramos Seis" é um produto de qualidade inquestionável e a trama, baseada no livro de Maria José Dupré e na novela exibida pelo SBT em 1994, prende através de conflitos reais protagonizados por personagens humanos. E um dos perfis mais cativantes do enredo é Seu Afonso, interpretado com brilhantismo por Cássio Gabus Mendes.


O dono do Armazém e grande amigo de Dona Lola (Glória Pires) é um coadjuvante que cresce sempre que surge em cena. E está longe de ser um tipo cuja função é apenas servir de "orelha" para a protagonista. Tanto que o enredo que o cerca desperta tanta atenção quanto a da família central. Afonso tem um drama que provoca grande compaixão no público, principalmente pela forma como tudo acontece em sua vida.

O bondoso homem se viu abandonado pela então companheira, Shirley (Bárbara Reis), que levou a filha embora para viver com seu verdadeiro amor, João Aranha (Caco Ciocler). Dez anos se passaram e Afonso nunca mais viu Inês (Gabriella Saraivah/Carol Macedo), sua filha de coração.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Antônio Calloni abrilhantou "Éramos Seis"

O remake de "Éramos Seis", na Globo, vem presenteando o telespectador com uma versão bastante fiel ao do até hoje lembrado e elogiado produto do SBT, exibido em 1994, baseado no livro de Maria José Dupré. A história, bem conduzida por Ângela Chaves, está com uma produção caprichada e ótimo elenco. Vários conseguem destaque. Infelizmente, um dos grandes nomes do talentoso time se despediu da trama e deixará saudades: Antônio Calloni.


Júlio era um tipo que despertava uma avalanche de sentimentos no público. Em alguns momentos provocava ódio, em outros pena e até empatia. Um personagem que passou longe do maniqueísmo. O patriarca da família Lemos, que norteia o enredo, teve um início parecido com um quase vilão. Vivia bêbado e não se importava com situações vexatórias que protagonizava. Muitas vezes era extremamente rígido com os filhos e os agredia fisicamente, principalmente Carlos (Xande Valois) e Alfredo (Pedro Sol).

O marido de Lola (Glória Pires) também a traía em muitas noites com Marion (Ellen Rocche) e o remorso pela espera da esposa em casa era nulo. Todavia, Júlio realmente amava a mãe de seus filhos e seu carinho pelos herdeiros existia. Ele só não sabia como demonstrar o seu lado mais sereno.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Gabriella Saraivah se destaca com virada de Inês em "Éramos Seis"

O remake de "Éramos Seis", adaptado por Angela Chaves, e baseado na novela de Silvio de Abreu e Rubens Edwald Filho, por sua vez originado do romance de Maria José Dupré, vem despertando a atenção pela qualidade da direção de Carlos Araújo e bela interpretação do elenco. Entre as outras qualidades observadas até o momento no folhetim, há a precisa escalação das crianças presentes na primeira fase. E Gabriella Saraivah se destacou com a virada de Inês.


A atriz ---- que brilhou no remake de "Chiquititas", no SBT, em 2013 ---- vem emocionando desde que a personagem descobriu que não é filha de Afonso (Cássio Gabus Mendes) e o capítulo desta terça-feira (29/10) foi um verdadeiro vale de lágrimas. O arrogante João Aranha (Caco Ciocler) foi até a venda do até então companheiro de Shirley (Bárbara Reis) para convencê-lo a deixar a filha ir com ele e a mãe. Apesar do inevitável enfrentamento, o rival acabou percebendo que não podia fazer nada e foi conversar com Inês.

A menina não escondeu o sofrimento e a despedida do seu pai de coração proporcionou uma cena triste e comovente protagonizada por Gabriella, Cássio e Bárbara. Impossível não ter chorado junto. E impressiona a segurança da atriz. Era uma sequência complicada, mas parecia uma veterana ao lado dos colegas bem mais experientes.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Crianças foram muito bem escolhidas em "Éramos Seis"

O quinto remake de "Éramos Seis" vem sendo bem conduzido pela autora Angela Chaves. A atual novela das seis da Globo desperta atenção pelo capricho da produção e, até o momento, bom desenvolvimento da adaptação do romance de Maria José Dupré. É uma história aparentemente simples que cativa pela afeição que o telespectador acaba despertando pelos personagens. E um dos acertos da trama é a escalação do elenco infantil.


Todas as crianças estão muito bem e, aos poucos, vão ganhando cada vez mais destaque. Os quatro filhos de Dona Lola (Glória Pires) e Júlio (Antônio Calloni) são os que mais brilham, em virtude do grau de importância de seus personagens, obviamente. E já vão preparando o terreno para seus substitutos na segunda fase. Mas os demais também conseguem bons momentos e mostram que foram escolhas bastante acertadas.

Xande Valois já havia brilhado em "Se Eu Fechar Os Olhos Agora", minissérie exibida no início do ano, e volta a convencer na pele do tímido Carlos, filho mais velho da protagonista e um poço de virtudes. Estudioso e responsável, o garoto é o orgulho dos pais e o menino ainda esbanja sintonia com Gabriella Saraivah, intérprete da espevitada Inês, filha da enérgica Shirley (Bárbara Reis).

terça-feira, 1 de outubro de 2019

"Éramos Seis" tem estreia correta e contemplativa

"Os nossos laços se fortalecem com o tempo e com o tempo tudo se transforma. O afeto, a nossa força, os nossos sonhos. Tudo o que importa é ter quem ame por perto. Porque quando éramos todos, éramos um só". O teaser de "Éramos Seis", nova novela das 18h da Globo, que estreou nesta segunda-feira (30/09), transmitiu muito bem o clima da história adaptada por Angela Chaves, baseada no romance de Maria José Dupré, de 1943, e dirigida por Carlos Araújo. É um enredo comovente, onde os problemas do cotidiano e da própria sociedade da época movem os personagens.


É a quinta adaptação da história de uma família contada em três décadas (1920, 1930 e 1940), onde a matriarca, Dona Lola (Gloria Pires), luta para manter a união dos laços que muitas vezes acabam se perdendo com os dramas da vida e o próprio tempo. A saga acompanha os seis integrantes da família Lemos. A mãe considera o casarão em que mora, na capital paulista, a alma da família. Para ela, os quatro filhos e o marido compõem uma instituição a ser preservada a qualquer custo. O conflito surge justamente quando o esposo, Júlio (Antônio Calloni), não consegue mais arcar com os juros altíssimos do casarão, marcando o começo da luta contra as turbulências econômicas e sociais do início do século XX.

A trama tem um ar de melancolia e a maior lembrança do público é o remake exibido pelo SBT, em 1994, escrito por Silvio de Abreu (hoje chefe da teledramaturgia da Globo e responsável pela ideia de uma nova adaptação) e o saudoso Rubens Ewald Filho -- que também escreveram a versão de 1977. Não é exagero afirmar que foi o melhor folhetim já produzido pela emissora de Silvio Santos.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

"Éramos Seis": o que esperar da próxima novela das seis?

É normal a produção de remakes na teledramaturgia com o intuito de repetir o sucesso de novelas que marcaram a memória do público. Muitos telespectadores, todavia, não gostam de adaptações justamente por conta desse carinho pelas obras do passado. Afinal, há o medo de 'destruírem' produções até então elogiadas. Mas normalmente a resistência dilui com o tempo de folhetim no ar. E o caso de "Éramos Seis", a nova novela das seis da Globo, pode ser considerado algo atípico: é a quinta adaptação do romance escrito por Maria José Dupré, lançado em 1943.


A que mais marcou a memória de parte da audiência foi o remake produzido pelo SBT, em 1994, escrito por Silvio de Abreu e Rubens Edwald Filho, dirigido por Nilton Travesso. Foi a melhor novela produzida pela emissora de Silvio Santos até hoje e Irene Ravache brilhou como a protagonista Dona Lola. Mas os mesmos autores foram os responsáveis pela adaptação do romance em 1977 na TV Tupi --- protagonizada por Nicette Bruno ---, que já era a terceira versão, precedida pelas produções da Record em 1958 e pela mesma Tupi em 1967.

E qual a razão de tantos remakes? A explicação está na força da triste e comovente história, onde o drama de Dona Lola para manter a família Lemos unida (ao longo de três décadas) diante das dificuldades financeiras é o protagonista.