quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Os 90 anos de Fernanda Montenegro

No dia 16 de outubro de 1929 nasceu Arlette Pinheiro da Silva, a mulher que seria conhecida nacional e internacionalmente como Fernanda Montenegro, uma das maiores atrizes brasileiras e a versatilidade em pessoa ---- afinal, também é locutora, radialista e até apresentadora. Como a veterana completou 90 anos nesta quarta-feira, a Globo iniciou uma leva de homenagens já na semana passada, através de um "Globo Repórter" especial sobre sua trajetória.


O jornalístico, obviamente, não conseguiu expor nem um terço da vida da intérprete ---- são mais de 70 anos de carreira em teatro, televisão e cinema ----, mas ainda assim prestou uma merecida reverência. Edney Silvestre acompanhou o trabalho da atriz na primeira fase de "A Dona do Pedaço", onde viveu a sanguinária Dulce, matriarca dos Ramirez, e conversou com o diretor Luciano Sabino sobre o profissionalismo de Fernanda. E palavras nem eram necessárias. Ficou perceptível nas imagens da atriz durante a forte cena em que Dulce matava três inimigos e incendiava a fazenda da família rival. Nem dublê foi necessário. Ela ficou diante do fogo sem problemas.

Os autores Silvio de Abreu e Walcyr Carrasco teceram vários elogios, assim como os colegas Edson Celulari e Renata Sorrah. O depoimento de Fernanda Torres sobre a força da mãe e a saga de uma mulher que sempre lutou pelo teatro brasileiro também foram alguns dos destaques.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Crianças foram muito bem escolhidas em "Éramos Seis"

O quinto remake de "Éramos Seis" vem sendo bem conduzido pela autora Angela Chaves. A atual novela das seis da Globo desperta atenção pelo capricho da produção e, até o momento, bom desenvolvimento da adaptação do romance de Maria José Dupré. É uma história aparentemente simples que cativa pela afeição que o telespectador acaba despertando pelos personagens. E um dos acertos da trama é a escalação do elenco infantil.


Todas as crianças estão muito bem e, aos poucos, vão ganhando cada vez mais destaque. Os quatro filhos de Dona Lola (Glória Pires) e Júlio (Antônio Calloni) são os que mais brilham, em virtude do grau de importância de seus personagens, obviamente. E já vão preparando o terreno para seus substitutos na segunda fase. Mas os demais também conseguem bons momentos e mostram que foram escolhas bastante acertadas.

Xande Valois já havia brilhado em "Se Eu Fechar Os Olhos Agora", minissérie exibida no início do ano, e volta a convencer na pele do tímido Carlos, filho mais velho da protagonista e um poço de virtudes. Estudioso e responsável, o garoto é o orgulho dos pais e o menino ainda esbanja sintonia com Gabriella Saraivah, intérprete da espevitada Inês, filha da enérgica Shirley (Bárbara Reis).

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

"Segunda Chamada" tem tudo para repetir o sucesso de "Sob Pressão"

A parceria entre Globo e O2 Filmes já rendeu ótimos produtos e o mais aclamado é "Sob Pressão", série que retrata com maestria o caos na saúde pública do Rio de Janeiro e do próprio Brasil. Agora a emissora aposta em uma nova coprodução envolvendo outra temática de suma importância: a educação pública. Escrita pelas estreantes Carla Faour e Julia Spadaccini, a trama, que estreou nesta terça-feira (08/10), promete abordar vários dramas envolvendo o ensino da população mais velha e de jovens da periferia.


Dirigida por Joana Jabace, a série expõe a saga de cinco professores que resistem à péssima infraestrutura da escola, ao abandono institucional e à falta de reconhecimento e renovam, dia após dia, a fé no trabalho que realizam. A Educação é a esperança que move o quinteto e mostra que a segunda chance nunca é tarde na vida de tantas pessoas. A personagem que norteia esse enredo é a obstinada Lúcia, vivida pela sempre ótima Débora Bloch. A professora de Língua Portuguesa acaba se envolvendo com os dramas de seus alunos e sempre repete que eles podem até desistir da escola, mas ela jamais desistirá deles.

A protagonista tem um romance secreto com o diretor Jaci (Paulo Gorgulho), que tenta administrar o colégio como pode, embora mantenha uma certa distância em relação aos alunos que a amante nunca consegue. Sônia (Hermila Guedes), professora de História e Geografia; Marco André (Silvio Guindane), professor de Artes; e Eliete (Thalita Carauta), professora de Matemática; compõem o restante do time de educadores.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Segunda temporada de "Filhos da Pátria" debocha do retrocesso atual do Brasil

Rio de Janeiro, sede do governo federal, Outubro de 1930, momento de transição da história do Brasil com o início da Era Vargas. É neste contexto que se passa a segunda temporada de "Filho da Pátria", que estreou nesta terça-feira (08/10), na Globo. Na série, escrita e criada por Bruno Mazzeo ---- dirigida por Felipe Joffily e Henrique Sauer ----, uma típica família da classe média brasileira, já conhecida do público durante a primeira temporada (exibida há dois anos), volta ao ar, mas agora vivendo em outro tempo. Todavia, os problemas que envolvem o país e seus habitantes não mudaram muito.


Os Bulhosa mantêm as mesmas características vistas na série de 2017. Geraldo (Alexandre Nero) segue com sua covardia e passividade diante do sistema que o cerca; Maria Teresa (Fernanda Torres) continua bajulando quem está no poder; Geraldinho (Johnny Massaro) não deixou a preguiça de lado; enquanto Catarina (Lara Tremouroux) avança com sua luta feminista pela independência. Já Lucélia (Jéssica Ellen) virou empregada doméstica da família, uma vez que a escravidão acabou, e seu grande amigo Domingos (Sérgio Loroza) tenta a vida como sambista. Outros personagens que continuam na trama são Leonor (Letícia Isnard) ---- irmã mais nova e esnobe de Teresa ---- e o corrupto Pacheco, vivido pelo ótimo Mateus Nachtergaele, comprovando que sujeitos assim sobrevivem a qualquer regime.

Se na primeira temporada, os Bulhosa viviam no Brasil de 1822 --- um país recém-independente e otimista --- na segunda, o contexto inclui o governo de Getúlio Vargas que enche o Brasil (novamente) de esperança, com promessas de modernidade diante da estagnação após anos da hegemonia da elite no período conhecido como "café com leite".

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Walcyr Carrasco e a valorização dos atores veteranos

A atriz Maria Zilda Bethlem (atualmente como Flávia na reprise de "Por Amor", no "Vale a Pena Ver de Novo") deu uma entrevista relativamente recente ao Universa e suas declarações repercutiram bastante. Entre as várias repostas divulgadas, uma reclamação refletiu a sua mágoa com os autores: "Não tem mais avó em novela. Há uma falta de papéis para atores velhos no Brasil", disse a intérprete. Ela não mentiu. Realmente são poucos os escritores que valorizam os veteranos e por isso é necessário citar uma das exceções: Walcyr Carrasco.


O autor sempre encheu suas novelas de atores mais velhos e na atual "A Dona do Pedaço" não é diferente. O núcleo que mais reflete a presença dos mais experientes no elenco é o da família de Eusébio (Marco Nanini). Betty Faria (Cornélia), Tonico Pereira (Chico) e Rosi Campos (Dorotéia) são alguns dos integrantes do clã de picaretas que invadiram uma propriedade abandonada e fizeram do local um abrigo que todos precisavam. Mais recentemente a ótima Berta Loran fez parte da trama como a mãe do irmão de Eusébio, também vivido por Nanini.

O objetivo do núcleo é representar a parte cômica do folhetim e é verdade que nem todas as situações protagonizadas por eles são de fato engraçadas. Parte da crítica, inclusive, acha um absurdo que atores tão experientes quanto os citados façam parte de uma história tão aparentemente boba.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

"Bom Sucesso" revela vários jovens talentos promissores

Rosane Svartman e Paulo Halm são autores que valorizam novos talentos. Já lançaram vários nomes que se firmaram na carreira. Em "Malhação Intensa" (2012), por exemplo, escrita por Rosane e Glória Barreto (tendo Paulo como colaborador), Agatha Moreira estreou na televisão, enquanto Alice Wegmann e Juliana Paiva (já com participações em novelas anteriores) alcançaram um novo patamar. Já em "Malhação Sonhos" (2014), os escritores apostaram em intérpretes talentosos que chegaram para ficar, como Felipe Simas, Anaju Dorigon, Bruna Hamu, Jeniffer Nascimento, Isabella Santoni, Rafael Vitti, entre outros. Agora não é diferente com "Bom Sucesso".


A novela das sete de imenso sucesso da Globo está repleta de novos e promissores nomes. Quase todos com papéis de destaque e com boas camadas. Bruna Inocêncio é Alice, filha mais velha de Paloma (Grazi Massafera), fruto do relacionamento da protagonista com Ramon (David Junior) no passado. A menina tem um carisma visível e não demorou a brilhar no folhetim tão bem escrito pelos autores. É a típica nerd tímida e doce. A atriz não poderia ter estreado melhor na televisão e vem protagonizando ótimas cenas. A melhor delas, até então, foi a do assalto praticado por bandidos que pretendiam saquear Alberto (Antônio Fagundes). O seu desespero com o quase estupro que sofreu impressionou.

Mas a personagem central da trama ainda tem outra filha interpretada por uma novata. É Gabriela, vivida por Giovanna Coimbra. A garota apaixonada por basquete e sem qualquer vaidade vem ganhando cada vez mais destaque na história. A personagem tem um quê de Karina (Isabella Santoni), de "Malhação Sonhos", e cativa o telespectador com facilidade. É uma garota naturalmente retraída que usa a agressividade como defesa.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

"Se Joga" é uma mistura de tudo e mais um pouco

O encerramento do "Vídeo Show", no dia 8 de janeiro, após quase 36 anos no ar, não beneficiou a Globo em nada. A antecipação da "Sessão da Tarde" não amenizou as constantes derrotas para o "Balanço Geral" da Record. O desrespeito que a emissora teve com um de seus formatos mais longevos até hoje é merecidamente criticado. Agora, quase oito meses depois, o canal resolveu lançar um novo programa para ocupar a faixa e tentar barrar o crescimento da concorrência. Nesta segunda-feira (30/09), então, estreou o "Se Joga".


Comandado por Érico Brás, Fernanda Gentil e Fabiana Karla, o programa tem aproximadamente 55 minutos de duração, quase o mesmo tempo do finado "Vídeo Show". A atração é ''vendida'' como um formato para toda família que reúne entretenimento, jogos, dinâmicas e participação de famosos e plateia. Há também a presença de Marcelo Adnet, Paulo Vieira e Jefferson Schroeder, que se revezam entre repercutir as pautas, nas brincadeiras e em quadros de imitações e paródias. Achou muita informação? Realmente essa é a essência do novo produto da Globo.

Provavelmente sem saber a receita certa para enfrentar as fofocas da "Hora da Venenosa", quadro de Fabíola Reipert do "Balanço Geral", e o próprio sensacionalismo 'natural' da Record, a emissora resolveu juntar tudo o que já funcionou em vários programas da casa em um só.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

"Éramos Seis" tem estreia correta e contemplativa

"Os nossos laços se fortalecem com o tempo e com o tempo tudo se transforma. O afeto, a nossa força, os nossos sonhos. Tudo o que importa é ter quem ame por perto. Porque quando éramos todos, éramos um só". O teaser de "Éramos Seis", nova novela das 18h da Globo, que estreou nesta segunda-feira (30/09), transmitiu muito bem o clima da história adaptada por Angela Chaves, baseada no romance de Maria José Dupré, de 1943, e dirigida por Carlos Araújo. É um enredo comovente, onde os problemas do cotidiano e da própria sociedade da época movem os personagens.


É a quinta adaptação da história de uma família contada em três décadas (1920, 1930 e 1940), onde a matriarca, Dona Lola (Gloria Pires), luta para manter a união dos laços que muitas vezes acabam se perdendo com os dramas da vida e o próprio tempo. A saga acompanha os seis integrantes da família Lemos. A mãe considera o casarão em que mora, na capital paulista, a alma da família. Para ela, os quatro filhos e o marido compõem uma instituição a ser preservada a qualquer custo. O conflito surge justamente quando o esposo, Júlio (Antônio Calloni), não consegue mais arcar com os juros altíssimos do casarão, marcando o começo da luta contra as turbulências econômicas e sociais do início do século XX.

A trama tem um ar de melancolia e a maior lembrança do público é o remake exibido pelo SBT, em 1994, escrito por Silvio de Abreu (hoje chefe da teledramaturgia da Globo e responsável pela ideia de uma nova adaptação) e o saudoso Rubens Ewald Filho -- que também escreveram a versão de 1977. Não é exagero afirmar que foi o melhor folhetim já produzido pela emissora de Silvio Santos.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Decepcionante, "Órfãos da Terra" só tinha história para um mês

A missão de "Órfãos da Terra", que chegou ao fim nesta sexta-feira, era aumentar a audiência da faixa das seis, após os índices insatisfatórios da maravilhosa "Espelho da Vida", de Elizabeth Jhin. Duca Rachid e Thelma Guedes cumpriram o objetivo da emissora: a trama elevou a média em quatro pontos. Um sucesso. Todavia, a repercussão não chegou nem perto da produção anterior e é preciso mencionar o ótimo momento que a Globo atravessa nos números. Todas as produções estão dando um Ibope altíssimo. E infelizmente o retorno da audiência não fez jus ao que foi apresentado pelas autoras.


A história começou arrebatadora. A temática sobre refugiados atraiu pela importância de uma abordagem tão atual na teledramaturgia e o contexto envolvendo os personagens se mostrou muito bem introduzido. O romance impossível da corajosa Laila (Julia Dalavia) e do destemido Jamil (Renato Góes) despertou atenção, assim como as maldades do implacável vilão Aziz Abdallah (Herson Capri) e a sofrida vida da justa Soraia (Letícia Sabatella). A guerra na Síria proporcionou cenas impactantes e a fuga dos sobreviventes emocionou. A complexidade da filha do sheik, Dalila (Alice Wegmann), também provocou interesse e todo o conjunto parecia promissor.

Até mesmo o núcleo cômico, alvo costumaz de críticas ferrenhas de parte da imprensa em qualquer folhetim, proporcionou uma ótima impressão através da divertida guerra entre uma família árabe e outra judia.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

"Órfãos da Terra" e a obsessão das autoras por sequestros

A atual novela das seis da Globo, lamentavelmente, se perdeu por completo. Não há mais salvação ou esperança. Ainda mais faltando apenas dois capítulos para o final. A possibilidade de um novo fôlego com o desmascaramento de Dalila (Alice Wegmann) logo acabou desfeita em virtude do encaminhamento frágil de uma vingança já sem lógica. E "Órfãos da Terra" ainda expôs a limitação criativa de Duca Rachid e Thelma Guedes através de vários sequestros utilizados com o intuito de "movimentar" o roteiro. Na verdade se trata apenas de uma tentativa de disfarçar a falta de história.


A primeira sequestrada foi Laila (Julia Dalavia). Aziz Abdallah (Herson Capri) mandou um capanga raptar a sua "esposa" no Brasil e Jamil (Renato Góes) conseguiu salvar a amada, ainda que tenha ficado preso no cativeiro por algumas horas com a mocinha. Era o início da trama e até o momento a produção era repleta de qualidades. Até assim o recurso foi utilizado. Mas o enredo começou a se perder com a morte gratuita do sheik e tudo foi piorando ao longo dos meses. Foi uma questão de tempo observar a muleta das autoras sendo utilizada outras vezes e agora com um pano de fundo repleto de equívocos.

Dalila, se vendendo como uma pessoa boa e bem intencionada, já no Brasil, levou o filho de Jamil e Laila para passear e o largou sozinho na rua para se atropelado. Não deixou de ser um outro sequestro. Afinal, levar uma criança para longe dos pais já configura o crime.