terça-feira, 31 de outubro de 2017

"Deus Salve o Rei": visita aos Estúdios Globo

Em janeiro de 2018, a Globo vai estrear uma novela medieval em pleno horário das sete, após uma longa sequência de tramas contemporâneas na faixa. Para apresentar o trabalho da equipe de caracterização e produção de arte, a emissora me convidou (juntamente com outros blogueiros e alguns fãs) para conhecer a cidade cenográfica nos Estúdios Globo (antigo Projac) e o processo de criação desse novo produto ---- na página do blog no Facebook há 113 fotos disponíveis.


Como se nota, a antecipação é grande. A emissora vem se organizando cada vez mais no processo de produção das novelas e quanto mais trabalhoso é um folhetim, mais cedo ele começa a ser preparado. Como se trata de um enredo de época e rico em detalhes, a construção da cidade cenográfica começou em março desse ano, logo depois da aprovação da sinopse de Daniel Adjafre, que estreia sua primeira trama como autor solo, após anos colaborando com outros escritores.

Alguns integrantes da equipe de Mídias Sociais da Globo apresentaram para os convidados o logo da novela e exibiram um vídeo expondo o trabalho dos diretores, cenógrafos e todos os envolvidos na produção da trama, incluindo o autor, em cima da elaboração desse desafio. Sim, a palavra 'desafio' foi repetida inúmeras vezes por eles.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

"Adnight" volta repaginado, mas não merecia uma segunda temporada

A primeira temporada do "Adnight" foi trágica. O programa comandado por Marcelo Adnet foi merecidamente massacrado pela crítica e obteve índices de audiência bastante insatisfatórios para o que a Globo almejava. Porém, ao contrário do que todos esperavam, uma segunda temporada foi encomendada pela emissora e essa nova tentativa de alcançar o sucesso estreou na última quinta-feira (26/10), logo após o "The Voice Brasil".


O programa começou as mudanças no próprio título, que ganhou o "Show" como complemento. E a razão para essa alteração ficou evidente logo no primeiro dia: a bancada clássica de um formato de entrevistas foi retirada do palco, deixando o ambiente livre para o apresentador. Ou seja, não há mais talk-show. As roteirizadas e desinteressantes entrevistas vistas em 2016 ficaram no passado. O subtítulo 'show' significa uma mescla de rápidas provas e improvisações com os convidados, além de algumas esquetes inseridas ao longo da atração.

Portanto, realmente Adnet e sua equipe avaliaram as críticas e a rejeição da primeira temporada para uma reformulação geral do "Adnight". Todavia, essas várias mexidas deixaram claro que ninguém ali sabe muito bem o que fazer com o programa.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Permeada por desgraças, "Tempo de Amar" não honra seu título

Há pouco mais de um mês no ar, "Tempo de Amar" vem se mostrando uma novela belíssima esteticamente e apresentando um ótimo elenco. Entretanto, a novela das seis da Globo vem pecando bastante na narrativa e na elaboração do enredo. Com argumento de Rubem Fonseca e escrita por Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, o folhetim (dirigido por Jayme Monjardim) é arrastado e repleto de desgraças. O telespectador está acompanhando conflitos carregados de sofrimento, casais sem química e muitas vezes uma condução modorrenta.


A trajetória dos mocinhos começou mal, expondo um amor à primeira vista difícil de comprar, com direito a declarações apaixonadas e planos de casamento logo no primeiro capítulo. A pressa em juntá-los fez parecer que havia muita história para contar. Mas foi um ledo engano. Inácio (Bruno Cabrerizo) e Maria Vitória (Vitória Strada) foram separados em virtude da viagem do rapaz para o Rio de Janeiro, em busca de emprego, e desde então houve uma tragédia atrás da outra. Além, claro, de uma quantidade imensa de clichês.

Nada contra o clichê, até porque toda novela tem e muitos são irresistíveis, prendendo o telespectador quando bem trabalhados. No entanto, Alcides e Bia vêm abusando demais. Vitória engravidou de Inácio logo na primeira transa, implicando em uma briga ferrenha com seu pai, José Augusto (Tony Ramos), que a colocou em um convento como castigo e com o intuito de deixar o neto com as freiras.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

"Lady Night" virou o melhor programa do Multishow

O "Lady Night" foi uma das muitas estreias do Multishow no segmento da comédia. O canal a cabo resolveu investir quase toda a sua programação em formatos de humor, já há algum tempo, sendo vários deles séries ou comédias de situação (Sitcoms). A maioria, vale ressaltar, é bem fraca e sem a menor graça. Até mesmo o sucesso "Vai que cola" já cansou. Porém, o programa criado para Tatá Werneck teve uma primeira temporada boa demais, exibida entre abril e maio deste ano. Uma grata surpresa. Tanto que a segunda voltou em outubro.


A primeira leva de episódios da atração teve uma Tatá totalmente à vontade e convidados que se divertiram com a conhecida habilidade da apresentadora em improvisar, mesmo diante de um roteiro pré-definido. Era um formato claramente criado para aproveitar o melhor dela, que sempre foi uma das comediantes mais talentosas da extinta MTV. E funcionou bastante. O Talk-show entreteve e divertiu o telespectador, além da própria plateia, cujas gargalhadas eram bem espontâneas. Deixou um gostinho de quero mais.

Portanto, esse retorno foi mais do que bem-vindo. E a segunda temporada está conseguindo ser ainda melhor. Isso porque, com o sucesso da primeira, vários famosos se interessaram em participar e a equipe da atração teve muito mais facilidade em arrumar bons nomes para entrevistas. Por sinal, é preciso ressaltar essa questão das conversas.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

"O Outro Lado do Paraíso" estreia com imagens cinematográficas e trama promissora

"Tudo o que você faz um dia volta para você. Se você fizer o mal, com o mal mais tarde você vai ter de viver". A música "Boomerang Blues", da icônica Legião Urbana, é tema da abertura de "O Outro Lado do Paraíso", nova novela das nove, que estreou nesta segunda (23/10), com a missão de manter a qualidade e os elevados índices de "A Força do Querer", trama de sucesso de Glória Perez. E essa canção faz jus ao contexto desse novo enredo, escrito por Walcyr Carrasco e dirigido por Mauro Mendonça Filho, cuja premissa é justamente a popular lei do retorno.


Após vários sucessos seguidos no currículo e escrevendo para todas as faixas da Globo, Walcyr encara mais uma missão e prova é que o autor mais ativo da emissora. Está praticamente todo ano no ar e fazendo a alegria do canal através de expressivos números de audiência ---- "Amor à Vida" (2013), "Verdades Secretas" (2015) e "Êta Mundo Bom!" (2016) tiveram Ibope e repercussão excelentes, citando apenas seus trabalhos mais recentes. Depois de uma novela sobre traumas familiares, outra focada na sensualidade somada a um clima sombrio, e a última explorando o universo caipira, o escritor optou pelo clássico mote da vingança para prender o telespectador.

A partir de agora o público acompanhará a saga de Clara (Bianca Bin), mocinha inocente e íntegra, que jura ter achado um príncipe encantado até se ver no meio de um jogo de interesses, sofrendo ainda violência doméstica, temendo o próprio marido. A menina se encanta por Gael (Sérgio Guizé) logo no primeiro capítulo, sendo correspondida.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Repleta de qualidades, "A Força do Querer" foi a melhor novela de Glória Perez

A missão de Glória Perez era complicada. Levantar a média do horário nobre da Globo, após uma sucessão de novelas fracassadas e/ou problemáticas. Para culminar, o seu retorno era cercado de desconfianças, em virtude da equivocada "Salve Jorge", seu pior folhetim, exibido em 2013. Mas, a autora conseguiu cumprir o objetivo com louvor e calou a boca de quem duvidava. "A Força do Querer" elevou a média da faixa em nove pontos, ao longo de 173 capítulos, obtendo 36 de média geral (contra 27 de "A Lei do Amor"), se firmando como o maior sucesso do horário desde "Amor à Vida" (também com 36 pontos). Não é pouca coisa. E todo esse resultado fez jus ao que foi apresentado para o público.


"A Força do Querer" foi a melhor novela da escritora, conseguindo superar até a elogiada e inesquecível "O Clone", de 2001. Isso porque Glória soube se reciclar, corrigindo os vários erros observados em tramas como "Caminho das Índias", "América" e a já citada "Salve Jorge". Após abusar do recurso da exploração de culturas estrangeiras, a autora resolveu apostar em um enredo 100% nacional, tendo o Pará (através da fictícia Parazinho) como um dos locais de sua história. Ainda assim, o ambiente esteve presente apenas no primeiro mês, sendo logo 'abandonado' quando todos os personagens de lá se mudaram para o Rio de Janeiro. E foi ótimo não ter 'dancinhas' ou bordões com expressões estrangeiras. Estava bastante repetitivo.

Outra medida adotada com êxito foi a escolha do protagonismo. Em meio ao empoderamento feminino, Glória colocou três mulheres como figuras centrais, intercalando o destaque de cada uma. E escalou três atrizes de peso: Paolla Oliveira, Juliana Paes e Isis Valverde. O trio honrou a confiança da escritora, fazendo de Jeiza, Bibi e Ritinha tipos marcantes, que caíram na boca do povo.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Através de Eurico, conservadorismo foi explorado de forma criativa em "A Força do Querer"

A um dia do seu fim,  "A Força do Querer deixará saudades. E um dos muitos pontos positivos da novela de Glória Perez foi a figura de Eurico. A autora se mostrou muito criativa na abordagem do preconceito, machismo e conservadorismo, evitando o tradicional maniqueísmo e expondo a ignorância de uma pessoa íntegra. Humberto Martins se destacou cada vez mais na história e a cena mais aguardada foi ao ar somente no penúltimo capítulo: a descoberta da vida dupla de Nonato (Silvero Pereira).


Após meses achando que seu motorista era um conquistador nato e típico machão, Eurico o viu se apresentando como Elis Miranda em um desfile de moda e entrou em estado de choque. Antes de se dar conta que era Nonato no palco, o empresário chegou a elogiar o talento da artista. Esse momento era um dos mais esperados da trama e é uma pena que Glória tenha deixado apenas para o final, deixando de aproveitar todo o período de entendimento e aceitação daquele homem tão machista.

Afinal, o personagem representou uma união de preconceitos. Nunca entendeu a homossexualidade e sempre recriminou o cabelo longo de Nonato, achando coisa de 'maricas'. Achou um absurdo Ivana (Carol Duarte) ter se descoberto trans, virando Ivan, e nunca tolerou mulher mandando mais que homem. O lado criativo dessa situação foi o fato de Eurico não ser um canalha. Pelo contrário, ele é um homem justo, honesto, atencioso com a esposa e fiel.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Débora Falabella mostrou seu conhecido talento na cena final de Irene em "A Força do Querer"

Após longos meses sem dizer a que veio e sendo uma decepção em se tratando de uma vilã, Irene teve um desfecho digno do talento de Débora Falabella em "A Força do Querer". A personagem prometeu bastante, mas cumpriu pouco durante da novela de Glória Perez. A 171 ficou resumida em planos bobos para atormentar Joyce (Maria Fernanda Cândido). A autora provou que realmente não sabe criar víboras marcantes. Uma pena. Porém, a morte da ex-amante de Eugênio (Dan Stulbach) resultou em uma ótima sequência.


A direção de Rogério Gomes e equipe fez toda diferença, transformando uma queda fatal em um momento aterrorizante. Irene se deparou com Eurico (Humberto Martins) e Silvana (Lília Cabral) no estacionamento de um edifício  e, já entrando em surto, foi atrás do marido da inimiga para provocá-la. A intenção funcionou, despertando a fúria de Silvana, que a estapeou várias vezes. Logo depois, Elvira (Betty Faria), Dantas (Edson Celulari) e Garcia (Othon Bastos) chegaram para surpreender a bandida, já desmascarada por Mira (Maria Clara Spinelli), que entregou todos os podres da ex-aliada.

A mau-caráter, então, se assustou e passou a correr pelo estacionamento, sendo perseguida pelos demais. Porém, Eurico e Silvana tinham dado carona para Yuri (Driko Alves) e seus amigos, todos devidamente caracterizados como personagens de animes, pois voltavam de uma festa Cosplayer. A situação fez a vilã surtar ainda mais, entrando em pânico e transformando aquelas crianças em seres tenebrosos.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Apesar da trama repetitiva, Lilia Cabral brilhou em "A Força do Querer"

Uma das qualidades de "A Força do Querer" é o bom espaço que os núcleos paralelos têm no enredo, sendo funcional também para a trama principal. Glória Prez conseguiu corrigir um erro frequente em seus folhetins, cujos conflitos secundários quase sempre se mostravam aleatórios e desinteressantes. Tanto que uma das situações mais atrativas do atual sucesso das nove da Globo foi o drama de Silvana, vivida pela sempre grandiosa Lília Cabral.


A personagem é uma viciada em jogo e esse conflito cumpre a função de 'merchandising social' (drama com função educativa), sempre presente nas novelas da autora. No caso desse enredo, divide espaço com a questão da transexualidade de Ivana (Carol Duarte). A arquiteta é uma mulher com excelente condição financeira, muito em virtude do seu casamento com o empresário Eurico (Humberto Martins). Apaixonada pelo marido e mãe de uma filha exemplar, a sensata Simone (Juliana Paiva), tinha tudo para ter uma vida perfeita. Mas, a jogatina destrói isso.

O que inicialmente era apenas a diversão de uma ricaça, acabou virando um tormento, implicando em uma sucessão de mentiras cada vez mais absurdas. O público acompanha essa 'saga' da cunhada de Joyce (Maria Fernanda Cândido) desde o início da novela e houve uma grande demora no andamento dessa questão. Várias vezes as situações pecaram pela repetição, embora não tenham chegado a se esgotar por completo em virtude do talento dos atores envolvidos.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Zezé Polessa cresceu merecidamente em "A Força do Querer"

"A Força do Querer" foi uma novela de sucesso e de perfis marcantes também. Glória Perez se mostrou bastante feliz na criação de muitos tipos variados, uns dramáticos e outros cômicos. Apesar de alguns atores terem sido subaproveitados (infelizmente), mesmo com o elenco bastante enxuto, vários ganharam um bom espaço no enredo. E um deles foi a hilária Edinalva, vivida por uma inspirada Zezé Polessa.


A personagem teve destaque logo no começo da novela, pois o enredo de Ritinha (Isis Valverde) era o foco inicial, desencadeando os primeiros conflitos da obra. A mãe da irresponsável e egoísta sereia se destacou nos momentos em que tentava dar um corretivo na filha, que sempre conseguia escapar pelas áreas da fictícia Parazinho. Também crescia quando rivalizava com o ranzinza Seu Abel (Tonico Pereira), protagonizando situações engraçadíssimas. Portanto, era um perfil que parecia promissor.

E realmente foi. O receio de que o papel ficasse perdido na história, deixando Zezé como figurante de luxo, logo foi deixado de lado. À medida que os meses passavam, Edinalva ganhava mais cenas e contextos hilários, destacando a conhecida veia cômica da intérprete.