sexta-feira, 28 de junho de 2013

Vilão gay, bissexualidade, doença terminal, autismo e a ousadia de Walcyr Carrasco

As novelas completaram 60 anos recentemente. É uma idade respeitável e apenas ressalta o quanto que esse gênero fez e faz sucesso no Brasil. Milhares de histórias já foram escritas e produzidas. A teledramaturgia tem um arquivo gigantesco. Assim sendo, é perfeitamente normal que os autores encontrem dificuldades para inovar ou então fugir da repetição de temas. O principal desafio tem sido encontrar uma forma diferente de contar uma trama batida. Entretanto, Walcyr Carrasco tem conseguido apresentar ao público inúmeros temas que ainda não tinham sido abordados e ainda conduzi-los de forma competente.


Vilão gay, bissexualidade, lúpus, autismo, doença terminal, envolvimento entre um muçulmano e uma judia, enfim, o que não falta é trama ousada e raramente apresentada em folhetins. O autor não poupou temas nessa sua estreia no horário das nove. Ao invés de investir apenas no óbvio, Walcyr optou por uma grande mescla em "Amor à Vida". Em meio a tramas que já foram amplamente exploradas em várias novelas (como a família rica recheada de conflitos e um núcleo pobre que enfrenta as dificuldades com um sorriso no rosto), está havendo espaço para situações novas e atraentes.

Nunca houve na história das novelas um vilão como Félix (Mateus Solano). Os homossexuais sempre entravam para fazer parte do núcleo cômico ou então para integrar o time dos bonzinhos. Colocar as maiores vilanias da história nas mãos de um gay enrustido foi de uma genialidade absurda. E ainda colocar o personagem casado com uma mulher somente para disfarçar seus desejos para a sociedade também foi

quinta-feira, 27 de junho de 2013

"Gabi quase Proibida": uma propaganda enganosa do SBT

Há alguns meses, foi divulgado que o SBT planejava um novo programa para Marília Gabriela. Após algumas especulações, finalmente houve a confirmação dessa nova atração. O intuito era produzir um programa sobre sexo e temas mais picantes para Gabi. Segundo notícias publicadas, a jornalista até exigiu dar algumas sugestões no formato. Assim sendo, estreou no início da madrugada dessa quarta-feira (26/06) o "Gabi quase Proibida".


Contratada da emissora desde 2010, quando retornou à antiga casa após um período fazendo novelas na Globo, a jornalista comanda o "De Frente com Gabi", que ia ao ar em dois dias da semana: domingo e quarta-feira, sempre à meia-noite. Agora, teoricamente, a experiente jornalista tem dois programas. Porém, é só na teoria mesmo. A estreia da nova atração evidenciou o clima de propaganda enganosa do SBT.

"Gabi quase Proibida" tem exatamente o mesmo formato do "De Frente com Gabi" e, inclusive, do "Marília Gabriela Entrevista", programa que ela comanda no canal a cabo GNT. A estreia contou com a luxuosa presença de Ney Matogrosso. A entrevista foi fantástica, o que já virou rotina na carreira de Gabi, principalmente quando há um entrevistado que tem muito o que dizer. Ney falou abertamente sobre sua

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Manifestações, imprensa, Caco Barcellos e a superioridade do "Profissão Repórter"

O Brasil parece ter acordado. Nas últimas semanas, uma onda de manifestações contra os abusivos aumentos do custo de vida, a precariedade dos transportes, a vergonhosa saúde pública, a triste educação, a inescrupulosa corrupção que assola o país, entre inúmeras outras reivindicações, tem tomado conta das ruas. A revolta gerou até uma declaração extraordinária da Presidente Dilma Roussef prometendo uma reforma política. E, obviamente, a cobertura da imprensa tem sido feita desde o início dos protestos. Todas as emissoras passaram a dedicar várias reportagens em cima desse tema.


Entretanto, a hostilidade de parte dos manifestantes acabou impedindo o trabalho dos repórteres, principalmente os da Globo. Para evitar que seus profissionais sofressem agressões, a emissora carioca optou por retirar a canopla (logotipo da empresa) dos microfones enquanto os jornalistas estivessem no meio da multidão cobrindo as manifestações. Agora há até uma medida mais drástica: muitos deles cobrem os protestos dentro de helicópteros ou então em cima de prédios.

Porém, todas essas medidas só ganharam força depois da tentativa de censura sofrida por Caco Barcellos. O "Profissão Repórter", exibido na terça-feira da semana passada (17/06), mostrou a coragem e a determinação desse renomado repórter e ainda enfatizou o importante papel da imprensa. Logo no início do programa, Caco exibiu as vaias e os xingamentos de um grupo contra ele e sua equipe. Tentando

terça-feira, 25 de junho de 2013

"Saramandaia" tem uma estreia oportuna e animadora

Estreou nessa segunda-feira (24/06), tendo como missão repetir o sucesso alcançado pelos remakes de "O Astro" e "Gabriela", a adaptação de Ricardo Linhares da marcante novela de Dias Gomes: "Saramandaia". Apresentando um primeiro capítulo colorido e alegre, a trama, que tem como pano de fundo a história da disputa de poder entre duas famílias tradicionais (Rosado e Vilar), começou com o pé direito.


O remake iniciou com a clássica música "Pavão Misterioso" (de Ednardo), tema de abertura da primeira versão, e apresentou João Gibão (Sérgio Guizé) para o público. Logo no primeiro capítulo ocorre uma manifestação em Bole-Bole, liderada por Zélia Vilar (Leandra Leal), contra Zico Rosado (José Mayer), poderoso fazendeiro descendente dos fundadores da cidade. Os 'Saramandistas' exigem que o nome Bole-Bole seja trocado por Saramandaia e ainda lutam por mudanças para acabar com a corrupção do governo de Zico. Em meio à confusão, há o velório de Seu Cazuza (Marcos Palmeira) e a chegada de Vitória Vilar (Lilia Cabral). E quando a imponente mulher chega de helicóptero, o protesto para, as brigas cessam e todos olham assustados para a 'nova' visitante. Para culminar, o morto ressuscita e Dona Redonda (Vera Holtz) grita desesperadamente, quebrando todos os vidros que estavam por perto. Um primeiro capítulo cheio de bons ingredientes.

Na década de 70, "Saramandaia" estreava na época da ditadura e o autor Dias Gomes abusava das metáforas para mostrar as necessidades da população. João Gibão (Juca de Oliveira), por exemplo, tinha asas justamente para que a liberdade que o povo tanto almejava pudesse ser exibida de uma forma poética. Coincidência ou não, a estreia do remake dessa clássica obra não poderia ter chegado em um melhor

segunda-feira, 24 de junho de 2013

"O Dentista Mascarado" chega ao fim sem deixar saudades e rindo de seu fracasso

A produção mais fracassada da Globo chegou ao fim em clima de "já vai tarde". Cercado de expectativas, "O Dentista Mascarado" acumulou críticas, recebeu a rejeição do público e foi tendo uma constante queda de audiência. A produção de Alexandre Machado e Fernanda Young prometia boas risadas mas se transformou em um grande equívoco poucos capítulos depois da sua divertida estreia.


Entretanto, mesmo diante desse conjunto nada bom, o último episódio da série acertou ao rir de si mesmo. Os autores admitiram o fracasso e inseriram isso na história. O momento mais evidente ficou na conversa entre Paladino (Marcelo Adnet) e Sheila (Taís Araújo): "Eu vejo um programa que derrubou o ibope do horário!" "Pois é, ninguém gosta da gente!", disseram. Reconhecer o erro e ainda fazer piada com ele foi uma grande sacada. A última cena também foi inspirada: Adnet, depois de ser acordado por Taís, conta para ela e para Leandro Hassum que havia sonhado que os três faziam um programa onde ela interpretava uma vagabunda. Todos riram do sonho. Após esse momento, a atriz vai gravar uma novela e o humorista segue em direção ao estúdio do "Fantástico" gravar seu atual quadro. Um final criativo para uma produção que foi considerada péssima, afinal, nada melhor do que um projeto equivocado se limitar a um mero sonho.

"O Dentista Mascarado" apresentou um ótimo elenco e uma história que tinha tudo para emplacar. Mas os autores erraram quando deixaram o contexto de lado para priorizar piadas grosseiras e escatológicas. Piadas essas que eram claramente impostas nas cenas mesmo sem haver a menor necessidade. O resultado acabou

domingo, 23 de junho de 2013

"A Fazenda" estreia sua sexta edição e acerta ao tentar fugir da mesmice

Em meio à crise, a Record estreou nesse domingo (23/06) a sexta edição de "A Fazenda". Apresentado por Britto Jr. e dirigido por Rodrigo Carelli, o reality ---- que agora tem Gianne Albertoni como repórter ---- inicia mais uma temporada tentando angariar os telespectadores que foram perdidos ao longo dos anos. Em comparação com as edições anteriores, o ibope foi igual ao da primeira e quarta edições, o que representa o menor índice das estreias da atração ("A Fazenda 1": 16, "A Fazenda 2": 18, "A Fazenda 3": 20, "A Fazenda 4": 16, "A Fazenda 5": 17 e "A Fazenda 6": 16). Entretanto, pode ser considerado um bom índice, uma vez que liderou no horário por vários momentos. E por tudo o que foi visto, a produção acertou ao tentar fugir da mesmice com a criação de uma polêmica prova que transforma um participante em finalista logo na primeira semana.


Marcado para às 21h30m, o programa só começou às 21h45m. A edição foi lenta como de costume, mas ao menos os momentos finais foram mais animados por causa de uma prova e uma posterior divisão de grupos. Os participantes chegaram de carro importado e foram de helicóptero para a fazenda. Bárbara Evans, Rita Cadillac, Andressa Urach, Aryane Steinkopf, Beto Malfacini, Denise Leitão, Gominho, Ivo Meirelles, Lu Schievano, Márcio Duarte, Marcos Oliver, Matheus Verdelho, Paulo Nunes, Scheila Carvalho, Mulher Filé e Yudi foram os escolhidos para disputar o prêmio de dois milhões de reais e, apesar da Record ter tentado mais uma vez manter o mistério, todos os nomes já haviam sido divulgados pela imprensa dias antes.

Apesar da crise, a emissora investiu alto no reality. A sede contém 60 câmeras de alta definição e segundo especulações o custo do reality foi de 50 milhões. Logo no primeiro programa houve uma divisão de grupos, que foram chamados de Ovelha, Avestruz e Coelho. Após a realização de uma prova, os três melhores

sábado, 22 de junho de 2013

Capítulo que marca um mês de "Amor à Vida" evidencia talento de Bárbara Paz e Mateus Solano

Na última quinta-feira (20/06), "Amor à Vida" completou um mês no ar. E completou da melhor forma possível: apresentando uma memorável cena, onde Félix (Mateus Solano) se desespera e conta seu grande segredo para Edith (Bárbara Paz). A sequência, que representou uma nova virada na trama, exigiu muitos dos atores e já entrou para a lista de melhores cenas dessa novela.


Walcyr Carrasco tem mostrado ao público que não economizará história e a sucessão de acontecimentos desde a estreia apenas comprova isso. Aliás, já aconteceu tanta coisa que o telespectador tem a impressão de que a trama está no ar há uns três meses, no mínimo. Ao descobrir que Paulinha (Klara Castanho) é a filha desaparecida de Paloma (Paolla Oliveira), Félix entra em desespero e constata que todo o 'trabalho' que teve anos atrás foi em vão. Sem conseguir segurar o ódio e o medo, o vilão conta para sua esposa que roubou a filha da irmã e a jogou em uma caçamba de lixo.

A cena foi longa e muito intensa. Mateus Solano e Bárbara Paz fizeram uma grande dobradinha e ambos puderam se destacar igualmente. Félix chorou feito uma criança e Edith, em choque, não conseguiu acreditar na monstruosidade do marido. O ator já vem esbanjando talento desde o primeiro dia, tanto

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ao exibir um episódio musical, "Pé na Cova" ousa no fim de sua primeira temporada

O último episódio da temporada de "Pé na Cova" foi ao ar nessa quinta-feira (20/06). Já com uma segunda temporada garantida em outubro, a série apenas se despediu temporariamente. Mas a despedida foi em grande estilo. Tendo como base os formatos musicais (como a americana "Glee", por exemplo), a produção de Miguel Falabella e Artur Xexéo ousou ao exibir para o público um capítulo repleto de música e muita dança.


O final da primeira temporada funcionou como uma espécie de reflexão sobre a série. Colocando o elenco para cantar, os roteiristas fizeram uma nova apresentação para o telespectador. Comentaram sobre o Irajá (bairro onde se passa a trama), falaram dos personagens e sobre a própria história e evolução deles. Dessa vez a comédia ficou quase toda de lado e a beleza da simplicidade das cenas, quase todas cantantes, se fez presente. Os números musicais foram todos ótimos, especialmente o momento em que foi possível ver o grandioso desempenho de Marília Pêra soltando sua linda voz. Sem dúvida foi uma grande ousadia produzir um episódio como esse, ainda mais levando em consideração a raridade desse tipo de formato em produções nacionais.

"Pé na Cova" cumpriu bem o papel de entreter e divertir. Ainda lançou críticas sociais abusando das frases politicamente incorretas e dos deboches, normalmente com personagens rindo de si mesmos. Embora não seja um humor abrangente e muitas vezes desagrade parte dos telespectadores justamente pela

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Saramandaia: o que esperar da próxima novela das onze?

Na próxima segunda-feira (24/06), a Globo começará a exibir o remake de um clássico de Dias Gomes. Adaptada por Ricardo Linhares, "Saramandaia" terá a difícil missão de conquistar o telespectador que não está mais acostumado a ver novelas de realismo fantástico e ainda agradar os fãs da trama original de 1976. Porém, por tudo o que tem sido visto nas chamadas, as chances da trama emplacar são grandes.


A trama principal, e que até hoje é lembrada, se baseia no conflito entre duas facções que se enfrentam por causa do nome do município onde vivem. Os tradicionalistas, liderados por Zico Rosado (José Mayer) querem manter o nome de Bole-Bole; já os mudancistas, liderados por Tenório Tavares (Tarcísio Meira), querem que o nome seja "Saramandaia" por considerar o atual constrangedor. Obviamente que esse conflito também causará uma grande rivalidade entre as famílias. E em torno de toda essa disputa, há diversas situações nada comuns. Entre elas, um homem que tem seu coração saindo literalmente pela boca, uma mulher que explodirá depois de tanto comer, uma garota que pega fogo, um rapaz que tem asas, outro que vira lobisomem, enfim, o que não falta é bizarrice.

O principal ponto positivo desse remake é justamente a modernidade dos efeitos visuais. Se em 1976 houve um árduo trabalho para colocar em prática todas essas situações absurdas, que resultaram em cenas ousadas para a época, pode-se dizer tranquilamente que hoje em dia a tecnologia facilitou e muito a

quarta-feira, 19 de junho de 2013

"Louco por Elas" emociona em seu último episódio e sai do ar na hora certa

Chegou ao fim a ótima série que contava a vida de um homem cercado de mulheres complicadas, controversas, mas muito amorosas. "Louco por Elas" se despediu do público na sua terceira temporada apresentando um episódio emocionante e recheado de frases inspiradas, expressando bem todo o conjunto harmonioso que essa produção apresentou desde a estreia.


O último episódio contou com as divertidas tiradas de Violeta (Glória Menezes) e com as trapalhadas de Léo (Eduardo Moscovis). Ou seja, tudo o que a série tinha de melhor. Porém, o desfecho dessa divertida história foi inusitado e muito bonito: Giovanna (Deborah Secco), Dorothy (Luana Martau) e Bárbara (Luisa Arraes) tiveram seus respectivos filhos ao mesmo tempo e a sequência dos três partos foi lindíssima. Para fechar com chave de ouro, houve uma pose da família e dos agregados para uma bela foto, que foi devidamente sucedida por um compilado de imagens das três temporadas e pela tradicional palavra "fim". Era o adeus dessa turma que tanto divertiu e emocionou o público.

"Louco por Elas" estreou com o pé direito. Mesclando humor com situações tocantes, João Falcão presenteou o telespectador com uma história atraente e cheia de inspirados diálogos, que quase sempre fugiam do humor fácil. Com o tempo, foi perceptível o merecido crescimento de Glória Menezes, que passou a ser considerada