sexta-feira, 8 de maio de 2026

Rogério foi o personagem mais inútil de "Três Graças"

 Todo personagem dado como morto que retorna vivíssimo para se vingar costuma despertar a atenção do público. É um dos maiores clichês da teledramaturgia e um recurso frequentemente utilizado por autores quando precisam criar conflitos capazes de movimentar a trama. Não foi diferente em "Três Graças", novela das nove escrita por Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva.


A suposta morte de Rogério, personagem de Eduardo Moscovis, carregava mistério desde os primeiros capítulos, e seu retorno rendeu uma das melhores catarses da novela. A cena em que surgiu vivo diante de Arminda, vivida por Grazi Massafera, e Ferette, interpretado por Murilo Benício, seus algozes que tentaram assassiná-lo, teve impacto e prometia uma verdadeira virada na história.

O problema é que, ao longo dos meses, Rogério foi sendo escanteado até virar praticamente um espectador da própria trama.

Sua presença pouco acrescentou ao desenrolar dos acontecimentos, e o personagem só voltou a ter alguma relevância quando ofereceu apoio à protagonista Gerluce, de Sophie Charlotte, após o roubo da estátua das Três Graças.

A grande frustração é que Rogério nunca correspondeu às expectativas criadas em torno de seu retorno. Faltando apenas uma semana para o fim da novela, ficou evidente que o personagem jamais recebeu o espaço necessário para agir de maneira efetiva. Analisando friamente, ele não fez nada realmente significativo nem mesmo enquanto estava “morto”. Voltou disposto a se vingar, mas não se vingou. Também nunca conseguiu enfrentar os vilões de verdade, porque passou a maior parte do tempo elaborando teorias e planos que jamais saíam do papel.

A incoerência fica ainda mais evidente quando se observa sua trajetória. Rogério passou cinco anos dado como morto, colocou uma espiã dentro da mansão da própria esposa e, ainda assim, não foi capaz de agir concretamente em nada importante. Não ajudou o filho a lidar com o vício em drogas, não descobriu a gravidez de Joelly, personagem de Alana Cabral, antes de todo o escândalo vir à tona, e tampouco reuniu forças para desmontar os crimes de Ferette.

Para piorar, o personagem ainda foi passado para trás justamente na penúltima semana da novela. Após empossar Gerluce como nova presidente da Fundação ---- rebatizada de Fundação Três Graças ----, viu os vilões conseguirem na Justiça provar um suposto conflito de interesses do desembargador Henrique, personagem de Claudio Gabriel, pai de Juquinha, uma das policiais responsáveis pelas investigações contra Ferette.

Tudo isso seria apenas mais uma reviravolta comum de novela, não fosse um detalhe absurdo: Rogério possuía um vídeo em que Ferette tentava assassiná-lo pela segunda vez e simplesmente nunca utilizou a prova. Também foi incapaz de rebater as acusações do vilão, que afirmou publicamente que ele teria fingido a própria morte por ser o verdadeiro líder do esquema de remédios falsificados.

Claro que tudo não passa de uma conveniência de roteiro para prolongar conflitos, mas o efeito final é desastroso para o personagem. Em vez de um homem consumido pela vingança, inteligente e estrategista, Rogério terminou reduzido a alguém passivo, sem função dramática relevante e constantemente manipulado pelos acontecimentos ao seu redor.

No fim das contas, sua principal utilidade na reta final acabou sendo formar par romântico com Zenilda, personagem de Andreia Horta. Muito pouco para alguém que voltou dos mortos prometendo incendiar a novela. Uma pena.

3 comentários:

Pedrita disse...

ufa! isso mesmo!! um dos maiores vilões. sabia do drama do filho mas continuou escondido. qd voltou jurou q ia ajudar, mas quem o acolheu e deu algum sentido na vida do raul foi a família da filha dele. sim, no retorno do ferrete ninguém disse a imprensa q arminda comprou o raul de um tráfico de crianças. q ferrete é pai do raul. ia abalar a credibilidade do casal. beijos, pedrita

Introduction to Banking: What is a Bank? 🏦💳 disse...

This is a sharp and insightful observation about a very familiar narrative device in television drama 📺✨
The “return from presumed death” trope is indeed one of the most effective tools writers use to reignite conflict, reshape character dynamics, and drive the plot forward—precisely because it plays on shock, memory, and emotional reversal.

Your example from Três Graças fits well into that tradition, showing how even well-established storytelling formulas continue to engage audiences when used in a structured, high-stakes narrative context 🖤📖

Anônimo disse...

Exato Sérgio. Sempre senti isso também e fiquei revoltada com a cena na Fundação em que Ferrete reassumiu a presidência, falou um monte na frente da imprensa e ninguém rebateu.
Ele prometeu muito e até achei que desviaram a função da mocinha de desmantelar o esquema do Ferette e no fim não fez nada. Lembro de vários ganchos encerrando capitulo dele falando em acabar com Ferette e Arminda, ganchos de impacto. E no fim só ficou na promessa