Diante de uma sucessão de retrocessos na atual teledramaturgia da Globo, onde o conservadorismo vem tirando o destaque e a presença de casais homoafetivos na ficção, foi um alento o desenvolvimento do amor de Jânia e Otília em "Guerreiros do Sol", novela do Globoplay, escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg, e dirigida por Rogério Gomes, exibida ano passado e em reta final na Globo. O sucesso que o casal fez com o público nas redes sociais ainda foi fundamental para o êxito do casal lésbico em "Três Graças", encerrada há pouco tempo.
O casal não está no mote central do enredo, mas nem por isso a relação das personagens é tratada de forma superficial. Há uma preocupação dos autores em explorar o sentimento genuíno que surgiu entre as duas e que vem sendo trabalhado com muita delicadeza, em meio a um enredo repleto de assassinatos e cenas fortes. Quando as duas surgem em cena é quase um respiro para o telespectador, que não tem como deixar a tensão de lado enquanto acompanha o enredo impactante e arrebatador, protagonizado por personagens densos e defendidos por um elenco repleto de talentos.
Jânia iniciou a novela como uma típica mulher de 1920: submissa ao marido, Idálio (Daniel de Oliveira), e sem voz na fazenda do sogro, Elói (José de Abreu). Otília também teve um começo parecido: cresceu sendo reprimida pelo pai, Seu Neném (Cláudio Jaborandy), e dedicou sua vida à irmã, Rosa (Isadora Cruz), por quem tem imensa cumplicidade.
As duas se encontraram quando Rosa foi quase obrigada a se casar com o coronel e pediu para a irmã morar com ela na fazenda. A convivência implicou em uma identificação através da leitura, uma vez que Jânia sempre fez da biblioteca da falecida sogra um templo para o seu conhecimento e ensinou Otília a ler.O cuidado com o nascimento daquele amor logo despertou torcida do público diante da sensibilidade das cenas e da sintonia entre as atrizes. Por ser mais estudada e madura, partiu de Jânia o flerte e depois o primeiro beijo, que deixou Otília desnorteada. A irmã de Rosa nunca teve qualquer experiência amorosa e a interpretação irretocável de Alice Carvalho imprimiu bem aquele estranhamento misturado com satisfação. Tanto que a personagem preferiu se afastar inicialmente até entender o que estava acontecendo. Mas pouco tempo depois se reaproximou e resolveu retribuir o carinho, ainda que Jânia tenha prometido não repetir o gesto. Todo esse conjunto de sentimentos originou um arco de sequências lindas e repletas de química, com direito a vários beijos e cenas de sexo, como qualquer casal heterossexual tem em folhetins.
O sucesso de Jânia e Otília em "Guerreiros do Sol" demonstrou de forma clara que o público está cada vez mais interessado em histórias de amor entre mulheres contadas com profundidade, emoção e protagonismo. A forte repercussão do casal nas redes sociais, o engajamento dos fãs e a recepção positiva da crítica mostraram que romances sáficos podem mobilizar audiência e gerar identificação da mesma forma que qualquer outro casal central. Esse cenário ajudou a consolidar a percepção de que há espaço para narrativas mais diversas na televisão brasileira, incentivando autores a investirem com mais confiança nesse tipo de representação e a Globo em não censurar. Não por acaso, Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabi Medvedovsky) tiveram tanta aceitação em "Três Graças". É verdade que a força dos fãs internacionais do casal foi vital para inibir a emissora de cortar ou ordenar a diminuição das cenas das personagens, mas também é inegável que 'Jotília' teve sua parcela de importância na abordagem da representatividade lésbica.
18 comentários:
Acho uma besteira querer ocultar as relações homossexuais, que é coisa corriqueira, nesse mundo 'véio', rsrs. Então, como já disse, creio que alcançaremos o tempo em que o assunto deixará de ser tabu.
Beijão
Elas são o melhor casal da novela.
Elas são o alívio cênico diante da barbárie que era a disputa pelo poder da época.
Olá, tudo bem? Guerreiros do Sol apresenta um texto mais maduro. Direção madura. Abs, Fabio blogfabiotv.blogspot.com.br
a falta de censura deve ser pq acham q no streaming pode ter conteúdo adulto pq a cabeça torta deles duas pessoas do mesmo sexo se beijando é pra mais de 18 anos.
exatamente
são
exato
sim!
pois é
As novelas antigas pouco destacavam os personagens gays,então não acho um problema eles não terem destaque, é uma volta ao estilo antigo,muitas vezes nem precisavam ter personagens gays, isso não afeta a história, Além da Ilusão criou dois personagens avulsos que se não existissem não fariam diferença, várias novelas atuais colocam esses personagens como uma cota,e sinceramente isso é desnecessário. Claro que teve personagens que tiveram destaque e ajudaram a história como Mulheres apaixonadas e Senhora do Destino
sim
Oi querido Sérgio, cá estou de volta, meio cambaleante ainda, mas me recuperando!
Eu fiquei encantada com Guerreiros do Sol em todos os aspectos e realmente quando apareciam Jânia e Otília era como se abrisse um oásis em meio à terra árida. Elas passavam ternura e amor em um cenário de violência cortante!!
Grata pelo carinho de sempre amigo!!
Beijos e lindo final de semana!
A descrição da novela feita através da sua publicação explica a opção homoerótica das protagonistas.
No fundo, nada acontece por acaso.São realidades da vida do dia a dia.
Bom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Não acompanho a novela.
beijos,
www.luluonthesky.com
Oi!
Foi bem divertido de conferir na internet (especialmente no Twitter) Loquinha se tornar um fenômeno global!
https://deiumjeito.blogspot.com/
Bom cara, acho que o de Louquinha é outra coisa. O casal de guerreiros foi no streaming onde os autores tem mais liberdade, aqui (se bem não me importe com o casal da Louquinha) o verdadeiro guerreiro por falar de um jeito foi Aguinaldo e sua novela por ter que enfrentar e não encher o saco da verdadeira tia de sofá.
De fato pode-se falar que foi o sucesso de Loquinha na tevê quem fez a Globo ter menos medo de expôr o casal Jotilia na teve aberta. E não é o mesmo o horário de maior audiência que o outro.
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