terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Cobertura do Carnaval da Globo no RJ foi repleta de erros, mas Milton Cunha passou ileso

 A cobertura do Carnaval pela Globo neste ano foi muito ruim e todas as novidades apresentadas se mostraram um fiasco. As muitas críticas nas redes sociais se mostraram justas diante de tudo o que foi apresentado. Mas, em meio a tantos problema perceptíveis, a presença de Milton Cunha novamente foi o ponto alto das transmissões.


Milton foi, mais uma vez, o verdadeiro espetáculo à parte. Debochado, inteligente e um conhecedor raro do universo do samba, conseguiu traduzir para o público a complexidade dos enredos, explicar referências históricas e culturais com clareza e ainda manter o brilho e a emoção que o Carnaval exige. Seu entusiasmo é contagiante, sua leitura estética é precisa e sua capacidade de contextualização transforma alegorias e fantasias em narrativas vivas. Em vários momentos, o público assistia ao desfile pelos olhos de alguém que realmente entende e ama aquilo que está vendo. Vale destacar ainda suas performances na hora do fechamento dos portões, as entrevistas bem-humoradas e as brincadeiras com os integrantes das escolas.

Infelizmente, o restante da transmissão não acompanhou esse nível. A novidade do rádio aberto para ouvir a comunicação interna das equipes das escolas parecia uma boa ideia no papel, mas na prática se mostrou invasiva e pouco funcional.

Em vez de agregar informação relevante, muitas vezes gerou ruído, quebrou o ritmo da narrativa e tirou o foco do que realmente importa: o espetáculo na avenida. Carnaval é imagem, é música, é emoção e não bastidor truncado.

Outro ponto problemático foi a câmera de qualidade inferior usada pelo Pretinho para filmar as baterias. Justamente em um dos momentos mais vibrantes do desfile, quando a bateria entra com força total e a Sapucaí pulsa, a imagem perdia definição, estabilidade e impacto visual. Em plena era de transmissões em altíssima definição, é difícil compreender a escolha por um equipamento que empobrece visualmente um dos pontos altos de cada escola. O objetivo foi mostrar um amadorismo para gerar identificação? Não deu certo. 

Mas o maior problema foi a falta de foco nos desfiles. Cortes excessivos, enquadramentos que perdiam detalhes importantes das alegorias, pouca permanência nas evoluções coreográficas e momentos decisivos mostrados de maneira apressada comprometeram a experiência. O Carnaval é minúcia, é acabamento, é conjunto e a câmera precisa respeitar o tempo da escola na avenida. Os enredos foram muito mal explicados por Alex Escobar e Karine Alves, que falavam em horas inapropriadas e ainda assim com pouca informação relevante. Tudo ficou em cima da sabedoria de Milton, que sozinho não deu conta de tudo. É preciso criticar ainda a falta de destaque na exibição das rainhas de bateria. O telespectador perdeu parte do espetáculo de Mayara Lima, rainha da Paraíso do Tuiuti, e da vergonha alheia de Virginia, rainha da Grande Rio, citando apenas dois exemplos.

No fim das contas, ficou a sensação de que quem sustentou a grandiosidade da transmissão foi Milton Cunha. Ele foi o fio condutor, o tradutor cultural, o comentarista que elevou o nível quando a parte técnica tropeçava. Se houve brilho constante na cobertura, ele veio da inteligência, da sensibilidade e da paixão de Milton.

7 comentários:

Anônimo disse...

É, achei o carnaval bem fraquinho, curti da Dira de mãe de Lula apenas porque como noveleiro me lembro a Isabel fazendo codsplay da mãe no carnaval da novela Senhora do Destino. Inclusive carregando a filha com os quatro filhos diantes

Anônimo disse...

Daniel

Pedrita disse...

eu vi pouco mas fiquei constrangida com as entrevistas com os neys matogrossos. show de horrores. fiquei chocada. aí fui pra redetv e outro show de horrores. objetificação de corpos nojenta. beijos, pedrita

Anônimo disse...

Sinto falta de uma transmissão com opiniões técnicas. Há muitos anos que a Globo optou por uma cobertura chapa branca, sem apontar os problemas nos desfiles. Para todos eles, inclusive Milton Cunha, estava tudo "lindo, deslumbrante". Na apuração, Milton disse que o samba-enredo da Imperatriz era o "calcanhar de Aquiles" da escola. Era? Por que não disse isso na transmissão? Por que esperou as notas baixas dos jurados para afirmar isso? Assim é mole...

Anônimo disse...

Cada dia pior! Nenhuma inovação na produção acrescentou a narrativa das escolas de samba. Comentários? Onde? Milton novamente um show a parte, mas não podem reduzir nossa inteligência e paciência a figura dele, que também precisa ser produzida para não ficar só caricatura, quando a gente quer assistir ao desfile e ouvir considerações inteligentes. Foi de dar sono!

J disse...

Uma coisa não dá pra entender: atualmente a transmissão dos Desfiles das Escolas de Samba está a cargo da área de Eventos Musicais dos Estúdios Globo(com o jornalismo e o entretenimento dando suporte). Mas se o Carnaval é um evento musical, o que a gente espera é ouvir o samba-enredo tocando e sendo cantado. E mal dava pra ouvir os sambas porque os apresentadores NÃO CALAVAM A BOCA, falavam sem parar. Se pelo menos explicassem os enredos das escolas, mas nem isso. Era só firula. Complicado!

Fá menor disse...

Por vezes há quem salve uma situação.