sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"Pecado Mortal": a promissora estreia de Carlos Lombardi na Record

Foram 31 anos de Globo e muitas novelas produzidas. As que mais marcaram foram "Bebê a Bordo" (1988), "Quatro por Quatro" (1994) e "Uga Uga" (2000), que até hoje são lembradas pelos saudosistas. "Pé na Jaca" (2007) foi sua última novela na emissora carioca. Antes de se mudar para a Record, ainda escreveu a série "Guerra e Paz" (2008) e alguns episódios de "A Vida Alheia" (2010), produção de Miguel Falabella. Agora o autor iniciou sua trajetória na concorrente, estreando "Pecado Mortal", substituta da fracassada "Dona Xepa".


E a estreia de Carlos Lombardi foi promissora. Apresentando um primeiro capítulo ágil, bem dirigido por Alexandre Avancini e dividido em duas fases, o autor soube prender a atenção do telespectador através de suas já conhecidas cenas de ação e de uma história que primou pela criatividade ao ser apresentada na década de 40 e sendo posteriormente transferida para os anos 70.

A primeira fase (1941) primou pelo capricho dos figurinos e pela tensão da trama, que foi dominada pelo talento de Maytê Piragibe. Afinal, a personagem da atriz, a vilã Donana, matou o bicheiro chefe do morro para que seu marido ocupasse a poderosa posição do contraventor. E para culminar, ainda foi capaz de
roubar a filha da mulher (Stella - Marcela Barrozo) de seu amante para enganar o marido e fingir que o bebê era filho deles. Não satisfeita, depois de fazer o parto da 'rival' e pegar o recém-nascido, mandou matá-la --- o que não aconteceu, diga-se. Após uma passagem de tempo, a trama começa a ser exibida em 1977.

A partir de então, ficou difícil o telespectador não se encantar com os anos 70. Além dos figurinos característicos e dos carros do momento (vide Fusca da polícia, Opala, Corcel, Brasília e outros clássicos), a trilha sonora ---- de grande qualidade, tanto nacional quanto internacional ---- ajudou a mergulhar o público naquele tempo. Uma época não muito distante e que raras vezes foi abordada na teledramaturgia. Aliás, ponto para Carlos Lombardi que foi extremamente criativo ao priorizar um período rico e pouco explorado.

Porém, a história não apresentou nada de novo em relação ao estilo do autor. Muito tiroteio, pancadaria, chefões misteriosos e perigosos, mulheres sensuais e homens descamisados. Estava tudo lá. Ficou nítido, inclusive, que Fernando Pavão (Carlão) será o Marcos Pasquim e Simone Spoladore (Patrícia) a Danielle Winits ---- dois atores que faziam os tipos mais característicos do Lombardi ---- da novela. Em relação ao enredo, é preciso ressaltar que não foi bem apresentado. A trama pareceu confusa em vários momentos. Entretanto, os demais capítulos com certeza ajudarão a deixar tudo mais claro.

O ponto alto da história é a rivalidade entre Donana e Stella. No final do primeiro capítulo, a vilã se assusta ao se deparar com a mulher que mandou matar anos atrás. Jussara Freire e Betty Lago já mostraram que serão as responsáveis pelas melhores cenas da novela. Outro bom destaque foi a personagem de Paloma Duarte: Dorotéia, uma ninfomaníaca que seduz os empregados. Já a situação que envolve Laura (Carla Cabral) lembra muito a de Alzira (Flávia Alessandra) em "Duas Caras" (2007): a mulher que ganha a vida como enfermeira ao dia e como striper à noite.

Mas a verdade é que, independente dos pontos negativos e dos positivos, a novela é totalmente propícia para o horário das 22h30, ao contrário de "Balacobaco" e "Dona Xepa". As cenas mais pesadas e ausência de situações bobinhas deixam o contexto bem mais atraente para o público do horário. Ainda é importante elogiar a abertura --- que a Record insiste em exibir no final ---, que ficou excelente: tanto na música escolhida quanto nas imagens dos personagens aparecendo na cidade cenográfica ---- ainda que em alguns momentos tenha lembrado a abertura de "Senhora do Destino" (2004).

"Pecado Mortal" teve uma excelente estreia e fez Carlos Lombardi voltar aos bons tempos (algo que já não acontecia havia algum tempo enquanto estava na Globo). Apesar dos tropeços mencionados, a novela soube prender o telespectador e apresentou um primeiro capítulo muito interessante e caprichado, alcançando 10 pontos de média ---- ainda abaixo da expectativa, mas conseguindo os dois dígitos que a Record tanto queria ----, mostrando que o esforço do trabalho valeu a pena. Porém, se a boa primeira impressão será mantida e se a audiência irá corresponder positivamente, só o tempo vai dizer. Mas artifícios para prender o público o folhetim tem de sobra.

32 comentários:

Pedro Bertoldi disse...

Oi Sérgio!
Gostei do primeiro capítulo. A tensão estava ali na primeira fase, e na segunda fase deu aquele clima de época boa! Eu me surpreendi. Normalmente não curto as novelas da Record, mas essa me passou uma boa impressão.
Uma coisa que eu gostei é que aqui, uma história começou a ser contada, diferente das anteriores em que parecia que assistíamos a um capítulo qualquer.
Abraços!

Pedro Bertoldi disse...
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Anônimo disse...

Assisti a algumas cena e realmente deixou uma boa impressão, mas eu achei que algumas cenas soaram aritificias demais. Abraços!

BIA disse...

Não assisto mas gosto de ler suas análises. Tenha um bom fim de semana Sérgio!!!
Feliz Primavera!!!
Bjs :)

paulo disse...

Uma coisa todo mundo concorda, até quem tem antipatia da Record: o logo da novela, a abertura e a escolha da trilha sonora das novelas da Record dão um banho nas da globo de uns anos pra cá. Parece que Fina Estampa vai ficar mesmo marcada como a ultima produção global com imagem "normal"(e não essa coisa horrível de agora, escura e alaranjada), com abertura e logo decentes. De lá pra cá um desastre atrás do outro. Mas voltando a Pecado Mortal achei que a novela lembra muito as novelas da rede Manchete da década de 80. Quem não se lembra de "Corpo Santo", novelão policial com super elenco de 1987? Quem tinha birra das novelas da manchete hoje se arrepende de não ter acompanhado. Só espero que o Lombardi não exagere na comédia como de costume e mantenha essa pegada de mistério e ação.
ps.: o Nilson Xavier falou que espera que a novela não seja como Amor a Vida que começou bem e desandou completamente.
Abrçs!

Milene Lima disse...

Antes da metade do texto eu pensava: Como o Lombardi vai sobreviver sem o Pasquim exibindo o peitoral? E você citou tanto o Pasquim quando a galêga chata.

Eu vi umas amostras, parece mesmo ser bacana, mas a Record mantém os mesmos autores e tudo parece chato antes mesmo de ser visto. Tem Paloma Duarte nessa também?

Beijo, Sérgio.

Thallys Bruno Almeida disse...

Bem, Sérgio, lembro que do Carlos Lombardi eu gostei especialmente de Quatro Por Quatro, Uga Uga e Pé na Jaca (adorava o personagem do Murilo Benício). Kubanacan é que foi terrível.

Pra mim, que acompanhei a boa fase de tramas da Record entre 2006 e 2009, digo sem medo de errar que Pecado Mortal recuperou o estilo legítimo da Record de se fazer novela. E no melhor sentido. Carlos Lombardi acertou em cheio ao propor um novo tema, o crescimento do jogo do bicho em meio à década de 70. E o primeiro capítulo mesclou o "estilo Record" com o "estilo Lombardi" de se fazer novela: ritmo ágil, direção alucinante e homens descamisados. Sobre a abordagem do tema, de fato algo não ficou muito claro, mas isso será sanado ao longo do tempo.

Sobre inovações, acho muito bem-vindas, mas se o autor que eu gosto traz uma coisa mais tradicional (vide Joia Rara), não vejo problema dependendo da forma como é abordada. Até porque que a graça não é saber O QUE acontece, e sim COMO, QUANDO e PORQUE acontece.

Das atuações, me agradaram em especial Simone Spoladore, Gracindo Junior, Maytê Piragibe, Paloma Duarte e principalmente Jussara Freire e Betty Lago (vide o embate do capítulo de ontem).

Sobre as cenas sensuais, percebo um leve avanço nas insinuações, mas ainda vejo que resiste um certo pudor em relação a isso (ainda mais que a rival Globo voltou a ousar nas antecessoras de Saramandaia e nas atuais das 6 e 9), talvez pelo controle acionário da emissora. E no comparativo entre Laura e Alzira, pouco lembro de ter visto a personagem da Flávia trabalhando como enfermeira (eu a via mais como stripper mesmo). E como me lembro da Carla Cabral em novelas anteriores, quando ainda assinava Carla Regina, eu a achava bem mais bonita há seis anos atrás. O tempo não parece ter lhe feito muito bem (piorou um pouquinho), ao contrário da Flávia.

A abertura (que pra mim tá mais pra fechadura, haha) foi bem sacada e a trilha sonora anos 70 é gostosa de se ouvir, bem adequada ao horário.

Elogiei a iniciativa da Record de iniciar a novela no horário prometido na quarta, mas logo deu pra ver que estava bom demais pra ser verdade. A Globo esticou o cap de Amor à Vida de ontem até quase 23h, muitos especularam que depois de muito tempo a emissora carioca "temeria" uma produção da Record, mas quando eu fui ver, anunciaram ontem pra 22h45 no site e só começaram adivinha que horas? Achei que finalmente a Record confiaria no próprio taco, mas não.

A aposta valeu a pena e Pecado Mortal tem tudo pra se consolidar como mais uma opção pra quem gosta de uma boa novela. Até porque se o produto é bom pouco importa a emissora. Agora, é a emissora fazer sua parte: respeitar de verdade o horário, divulgar a trama em seus programas (como faz a Globo botando o elenco pra participar dos programas) e não sair jogando de um lado pra outro. Espero que a nova gestão da emissora aproveite as lições deixadas pela recente reestruturação. Abç!

Patricia Galis disse...

Gostei do primeiro capitulo depois não consegui ver mais...preciso por em dia, mas não gosto muito do autor, a unica novela dele que gostei por ser diferente na época foi quatro por quatro as outras affff só por Deus.

eder ribeiro disse...

Sergio, ressalto a qualidade da sua crônica. Bem lembrado o Pasquim ( fora das novelas do Lombardi ele é um péssimo ator) e a Wints. Abçs.

Anônimo disse...

Tiroteio, pancadaria, homens sem camisa, ou seja, mais um besteirol do Carlos Lombardi.

Barbie Californiana disse...

Não assisti, Sérgio, mas sua análise ficou ótima! beijinhos

Thallys Bruno Almeida disse...

Retiro a parte do "respeitar de verdade o horário", porque pelo visto o objetivo deles é não disputar com a novela das 8, por isso iniciar sempre depois que AAV acaba. Sendo assim, em vez de anunciar horário nas chamadas, podiam anunciar "depois de CSI/José do Egito".

! Marcelo Cândido ! disse...

Depois de duas cenas vistas, ficou evidente que aquele texto era do Lombardi!

Sérgio Santos disse...

Pedro, também gostei. Porém, confesso, só me interessei pela trama da Betty Lago e da Jussara Freire. A trama do Fernando Pavão é exatamente a mesma que o Pasquim costumava viver nas tramas do Lombardi. abçsssss

Sérgio Santos disse...

Concordo, anônimo. abçs

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Bia. ;)

Sérgio Santos disse...

Paulo, a trilha sonora de Pecado Mortal é excelente. Até porque é de músicas dos anos 70, ou seja...

A trama foi bem feita, mas tem todas as características das novelas do Lombardi. Eu nunca fui fã, mas isso é gosto pessoal.

Sérgio Santos disse...

E, Paulo, o Nilson nunca gostou do Walcyr, então o elogio dele era algo incomum. Agora está de volta ao normal. abçs

Sérgio Santos disse...

Exato, Milene. Ele já o substituiu. Aliás, o perfil do personagem é igualzinho. Tem até cabelo comprido.

Sim, tem Paloma Duarte também e citei no texto. rs bjsss

Sérgio Santos disse...

Eu fui fã de Uga Uga e Quatro por Quatro. Pra mim duas novelas excelentes e as melhores dele, Thallys. Pé na Jaca eu detestei, só gostava do Benício e da Flávia Alessandra.

A nova novela é a representação do Carlos Lombardi e é infinitamente superior às antecessoras, isso não há dúvida.

Dificilmente serei um telespectador assíduo, mas parece ser uma boa novela.

A Record sempre coloca a abertura no final e acho isso ridículo. Sobre os horários, a Record tem esperado acabar Amor á Vida, ou seja, manteve a rotina. Abçs

Sérgio Santos disse...

E eu acho ótima qualquer tentativa de inovação, mas também gosto muito de coisa tradicional. Tudo depende da forma como é apresentado.

Sérgio Santos disse...

PS: Paulo, eu acho ótimo quando tentam fugir da mesmice inserindo uma fotografia diferente na teledramaturgia. Reclamam tanto que tá tudo igual, mas quando fazem diferente também não gostam. Amo a cor escura de Joia Rara, o cinza de Amor a Vida, o laranja de Avenida Brasil, assim como também gosto da 'cor tradicional'.

Sérgio Santos disse...

Patrícia, também nunca fui fã das novelas do autor. Mas gosto dele. bjs

Sérgio Santos disse...

Obrigado, eder. abçs

Sérgio Santos disse...

Todas as características que vc citou realmente estão lá, anônimo.

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Barbie. bj

Sérgio Santos disse...

Verdade, Marcelo.

Flávia disse...

Vi só as chamadas mas já vi que seria mais uma besteirada do Carlos Lombardi. Não gosto das novelas dele.

Sérgio Santos disse...

Obrigado pelo comentário, Flávia. bjs

Sérgio Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Talk_Celebrity disse...

Gosto de novela assim,com emoção e coisas acontecendo todos os dias. Homens descamisados é muito bom de se vê,pk mulheres com a B de fora é o que mais têm,nós mulheres tbm merecemos como dizia minha tia "limpar as vistas"

Sérgio Santos disse...

É verdade, Talk, igualdade de direitos. rs bjs