terça-feira, 19 de setembro de 2017

Impecável, "Sob Pressão" mesclou realidade e ficção com maestria

A famosa expressão "O que é bom dura pouco" pode ser aplicada com facilidade em "Sob Pressão". A melhor série do ano e o mais elogiado trabalho da Globo em 2017, até então, estreou no dia 25 de julho e chegou ao fim nesta terça-feira, dia 19 de setembro. Durou menos de três meses no ar, tendo apenas nove episódios. E esse tempo bastante curto foi sentido porque a trama ---- com direção de Andrucha Waddington e Mini Kerti, baseada no filme homônimo, derivado do livro "Sob Pressão - A Rotina de um Médico Brasileiro", de Marcio Maranhão ---- impressionou pelas inúmeras qualidades.


A produção se mostrou uma obra-prima, provando que o Brasil sabe fazer séries dramáticas tão boas quanto as estrangeiras. Após a tentativa fracassada de "Supermax", exibida ano passado, pairou uma desconfiança em torno da capacidade de elaboração de um seriado que não fosse de humor. Claro que a Globo já produziu alguns enredos fora do campo da comédia e uma de suas melhores séries é "A Cura" (2010), um suspense brilhante de João Emanuel Carneiro. Entretanto, sempre houve uma insegurança em se arriscar por esse caminho e as histórias cômicas eram tratadas como prioridade.

A trama médica tem tudo para ser um incentivo e tanto para outras empreitadas parecidas, valorizando o drama nos seriados. Até porque, vale observar, o contexto de "Mulher", série exibida entre 1998 e 1999, que abordava a rotina de duas médicas dedicadas em um hospital particular, foi primoroso e já era para a emissora ter voltado a investir nisso há tempos. Agora, com "Sob Pressão", o público acabou presenteado com uma história que se mostrou ainda melhor que a contada no filme.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Chamada de supersérie, "Os Dias Eram Assim" não teve nada de super e nem de série

Após seis novelas exibidas na faixa das onze ---- "O Astro", "Gabriela", "O Rebu", "Saramandaia", "Verdades Secretas" e "Liberdade, Liberdade"----, inserindo o folhetim em um horário mais tarde, permitindo maiores liberdades nas cenas, a Globo decidiu mudar a classificação do produto em 2017, optando por chamar "Os Dias Eram Assim" de 'supersérie'. O que seria a sétima novela da faixa (planejada anteriormente para às 18h, inclusive), virou a primeira supersérie da emissora. Mas, não podiam ter escolhido trama pior para fazer essa alteração. Isso porque a produção, que chegou ao fim nesta segunda-feira (18/09), não teve nada de super e muito menos de série.


Primeiro, porque teve 88 capítulos, ficando no ar por seis meses. Foi a produção mais longa das 23h, superando todas as novelas anteriores, que tinham como característica o menor número de capítulos (normalmente em torno de 60). E, segundo, porque o enredo das estreantes Angela Chaves e Alessandra Poggi apresentou todos os clichês possíveis de um folhetim, fazendo do conjunto um dramalhão clássico. Entretanto, infelizmente, todos esses recursos foram muito mal usados pelas autoras. Afinal, não há mal algum no clichê, desde que bem conduzido. Não foi o caso. Ainda mais em um produto que era classificado como 'supersérie'. Inclusive, nem ritmo de uma série teve. O enredo se arrastou ao longo dos meses e parecia interminável.

O início da trama, dirigida por Carlos Araújo, parecia promissor. Ambientada na década de 70, tendo a Ditadura Militar como pano de fundo, a história de amor protagonizada por Renato (Renato Góes) e Alice (Sophie Charlotte) despertou interesse e o primeiro capítulo deixou uma ótima impressão.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Irretocável como Leopoldina em "Novo Mundo", Letícia Colin vive seu melhor momento na carreira

"Novo Mundo" é daquelas novelas que ficarão marcadas pelo contexto histórico. O folhetim de Alessandro Marson e Thereza Falcão aborda alguns dos mais estudados momentos do país nas escolas: a época do domínio de Portugal, das desventuras de Dom Pedro, da soberania da Corte Portuguesa, do Brasil Império, enfim... E, claro, para isso era necessária a presença de tipos que realmente existiram se misturando com personagens fictícios, tornando a escalação um desafio grande. Pois os autores se saíram muito bem na missão. E o maior acerto foi a escolha de Letícia Colin.


A escalação da intérprete para viver a princesa Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena, depois conhecida como Maria Leopoldina de Áustria, foi certeira. A personagem, que foi casada com Dom Pedro I, é uma das mais lembradas e citadas por historiadores, pois teve um papel fundamental para o processo de Independência do Brasil. E sua vida daria mesmo um dramalhão clássico de novela. A escolha para viver um perfil tão rico exigia muita responsabilidade, onde um erro seria fatal para o núcleo principal de "Novo Mundo". Mas, o acerto ficou evidente logo no primeiro capítulo, firmando essa ótima impressão até hoje, em plena reta final.

É nítido o trabalho, tanto de prosódia quanto de postura corporal, que a atriz teve para compor a princesa austríaca. O seu sotaque francês é adorável e deixou a personagem cativante, pois serve para imprimir um toque de doçura que casou perfeitamente com o papel.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

"Tempo de Amar": o que esperar da próxima novela das seis?

A missão da próxima novela das seis será manter a qualidade da faixa, após a elogiada "Novo Mundo", sucesso de público e crítica (cuja média de audiência foi 24 pontos, a maior do horário dos últimos anos, com exceção do fenômeno "Êta Mundo Bom!", que marcou 27). Escrita por Alcides Nogueira, em parceria com Bia Corrêa do Lago, e dirigida por Jayme Monjardim, o folhetim será um clássico romance água com açúcar e vem apresentando chamadas belíssimas, com uma fotografia de encher os olhos.


A história terá dois estreantes vivendo os mocinhos: Bruno Cabrerizo e Vitória Strada. Ele dará vida a Inácio Ramos, um rapaz simples, que mora em um vilarejo, em Portugal, e vive de trabalhos temporários. Ela será Maria Vitória, jovem letrada e de mente aberta, moradora de Morros Verdes, que ficou órfã de mãe muito cedo e foi criada pelo pai, um sujeito muito íntegro. Os dois se apaixonam à primeira vista e começam a namorar, mas logo se separam em virtude de uma viagem que o mocinho tem marcada para o Brasil, onde conseguiu um emprego no Rio de Janeiro. Porém, ele viaja e deixa a amada grávida, sem saber.

O contexto dos protagonistas é um dos maiores clichês já vistos, mas, se bem conduzido, funciona. E a ousadia em escalar dois novatos para a missão é bem válida. Em meio a repetições constantes de elenco, onde vários atores emendam uma novela na outra, sem descansar a imagem nem por sete meses, é preciso elogiar a atitude do diretor e do autor.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Ótima como Kiki em "Os Dias Eram Assim", Natália do Vale fazia falta na televisão

A última novela que contou com a presença de Natália do Vale do início ao fim foi a fracassada e problemática "Em Família", de Manoel Carlos, exibida em 2014. Ela, inclusive, protagonizou uma situação estapafúrdia, interpretando a mãe de Júlia Lemmertz. Dois anos depois, esteve apenas no primeiro capítulo de "Êta Mundo Bom!", vivendo a mãe da personagem de Nathalia Dill. Ou seja, a grande intérprete estava praticamente ausente da televisão há três anos. E agora, em "Os Dias Eram Assim", provou que estava fazendo muita falta.


A atriz está ótima na pele da passional Kiki, mulher que passou anos sendo submissa ao marido e vivendo uma relação conflituada com as duas filhas. Na primeira fase da trama de Angela Chaves e Alessandra Poggi, Natália conseguiu protagonizar grandes cenas ao lado de Sophie Charlotte e Antônio Calloni. As brigas que a personagem tinha com o autoritário Arnaldo eram intensas e os embates com Alice repletos de instantes dramáticos. Ela deu um show. Era uma fase, inclusive, que o enredo se mostrava promissor e atrativo.

Infelizmente, ao longo das semanas, a trama foi se esvaziando e Kiki perdeu a importância com a morte equivocada do marido. O assassinato do empresário em nada contribuiu para o andamento do roteiro e só prejudicou o núcleo central, tendo a intérprete como uma das principais 'vítimas'. Tanto que acabou avulsa na história por um bom tempo.

domingo, 10 de setembro de 2017

"Popstar" foi uma boa aposta da Globo

Chamado sempre pela Globo de um 'formato original', ou seja, criado pela própria emissora, indo contra a constante compra de formatos estrangeiros, o "Popstar" estreou no dia 9 de julho e chegou ao fim neste domingo, dia 10 de setembro. Durou apenas dois meses. Mas, pode-se constatar que foi um programa despretensioso e cumpriu sua proposta, podendo ter ficado no ar por pelo menos mais um mês se a produção quisesse.


Comandado por Fernanda Lima, o reality utilizou o cenário do extinto "SuperStar" (esse, sim, oriundo de um formato de fora), que também era apresentando por ela. Porém, agora, Fernanda se mostrou muito mais à vontade, deixando o nervosismo (sempre visto na outra atração) de lado. Lembrou até, levando em conta o horário vespertino, seu desempenho no "Amor & Sexo". Talvez porque estava entre amigos e não havia tanta gente competindo, como na disputa entre bandas amadoras.

Os convidados do reality musical, por sinal, foram bem selecionados. Fabiana Karla, Lúcio Mauro Filho, Sabrina Parlatore, Mariana Rios, André Frateschi, Érico Brás, Alex Escobar, Eduardo Sterblich, Cláudio Lins, Murilo Rosa, Rafael Cortez, Marcello Melo Jr. e Thiago Fragoso esbanjaram simpatia e mergulharam de cabeça no objetivo do programa, deixando qualquer constrangimento de lado.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Proclamação da Independência em "Novo Mundo" arrepiou e honrou o momento histórico

A ótima novela das seis da Globo está em plena reta final. E uma das muitas qualidades da trama de Alessandro Marson e Thereza Falcão foi a mescla de ficção com fatos históricos. Os autores foram muito habilidosos na construção de um folhetim clássico, tendo uma passagem importante da história do país como enredo central. E um dos momentos mais aguardados de "Novo Mundo" foi ao ar nesta quinta-feira, dia 7 de setembro: a declaração da Independência do Brasil.


Primeiramente, é preciso aplaudir a precisão dos escritores em colocar a cena justamente no dia que realmente aconteceu o fato, em pleno feriado. A coincidência calculada deixou o grito de Dom Pedro (Caio Castro) ainda mais arrepiante, conseguindo cercar esse momento emblemático com todo o clima necessário. Era um clímax bastante esperado, não apenas em virtude do contexto tão presente nos livros de história, como também pela trajetória do príncipe e da princesa que o público tem acompanhado desde a estreia da novela.

A emoção da sequência até pôde ser sentida no capítulo de quarta-feira (06/09), através da belíssima cena em que Leopoldina (Letícia Colin) ignorou as ameaças da Corte Portuguesa e assinou a separação do Brasil de Portugal. Nomeada princesa regente pelo marido, a respeitável mulher reuniu os ministros e, com o apoio deles e de José Bonifácio (Felipe Camargo), tomou a decisão mais importante da história do país.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Júlio Andrade e Marjorie Estiano fazem jus ao protagonismo de "Sob Pressão"

"Sob Pressão" já é uma das maiores surpresas do ano. Baseada no filme homônimo, dirigido por Andrucha Waddington, a série é de uma qualidade ímpar e consegue ser melhor que o longa. Tem sido incrível (e impactante) acompanhar a saga de médicos que lutam para salvar vidas em meio aos caos da saúde pública do Rio de Janeiro (que reflete todo o Brasil). Mas, em meio a tantos pontos extremamente positivos dessa trama da Globo, coproduzida com a Conspiração, há um grande trunfo que deixa o enredo ainda mais imperdível: o talento de Júlio Andrade e Marjorie Estiano.


Nada melhor para uma boa história do que ter intérpretes competentes defendendo perfis bem construídos. E é exatamente isso que acontece na série. Evandro e Carolina são personagens que transbordam densidade, tendo o drama como principal alicerce. Seria catastrófica a escolha de atores ruins ou até medianos. Era necessária a escalação de profissionais irretocáveis. Portanto, a seleção de Andrucha para o filme foi perfeita e a permanência de ambos no seriado comprova a tese de que em time que está ganhando não se mexe.

Afinal, como o restante do elenco mudou (menos Stepan Necerssian e Josie Antello), poderiam ter trocado todo mundo, partindo do zero, mantendo apenas a premissa. Mas, acertadamente, não tomaram essa atitude por causa desse casamento perfeito de perfis grandiosos com intérpretes dedicados.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Divina Diva, Rogéria era a representação da alegria de viver

Hoje, segunda-feira, dia 4 de setembro, o Brasil sofreu mais uma grande perda: Rogéria faleceu, aos 74 anos, no Hospital Unimed Barra, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, depois ter sido internada para tratar de uma infecção urinária, tendo uma complicação após uma crise convulsiva. Em julho, ela tinha sido hospitalizada por causa de uma infecção generalizada e só recebeu alta no dia 25 de agosto, sem estar totalmente recuperada. Infelizmente, não resistiu a essa nova infecção. 


Nascido Astolfo Barroso Pinto, em Cantagalo, interior do estado do Rio, o artista já mostrava que não teria obstáculo que o segurasse. Nasceu para brilhar. E de fato brilhou. Na adolescência, o Astolfo virou Rogério e trabalhou como maquiador de estrelas do teatro, da música e da extinta TV Rio. Em um concurso de fantasia no Teatro República, em 1964, foi apresentado como Rogério, mas o público só gritava "Rogéria, Rogéria" e assim foi batizada com o nome que viraria referência na classe artística. Já nos primeiros anos de carreira ficou conhecida como símbolo gay e foi uma das pioneiras na luta contra a homofobia, causa que era ainda mais significativa na época (auge da Ditadura Militar). 

Artista multifacetada, Rogéria foi vedete de Carlos Machado e em 1979 ganhou o troféu Mambembe por uma peça que fazia com o também saudoso Grande Otelo. Não demorou para virar uma figura frequente na televisão. Em 1986, estreou no programa "Viva a Noite", no SBT, como repórter, e em 1989 fez uma marcante participação em "Tieta", na Globo, vivendo a espevitada Ninete ---- por uma infeliz (ou feliz) coincidência, o capítulo que marcou a sua entrada na trama de Aguinaldo Silva é justamente o exibido nesta madrugada, pelo Viva.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

"Pega Pega" e "Os Dias Eram Assim" não fazem por merecer seus elevados índices de audiência

A Globo só tem motivos para sorrir. Está em um período de calmaria, com uma audiência excelente em absolutamente todas as suas produções. A emissora foi a única a crescer no Ibope nos primeiros sete meses de 2017. Claro que é preciso levar em consideração o desligamento do sinal analógico de Record, SBT e Rede TV!, que saíram da TV Paga de São Paulo desde março. Porém, no Painel Nacional de Televisão (que faz a média geral em todo o país), a líder também cresceu e está com índices ótimos. Ou seja, está em grande fase mesmo. E vários desses sucessos são merecidos, como "Malhação - Viva a Diferença", "Novo Mundo" e "A Força do Querer", três tramas deliciosas e bem estruturadas. Porém, há duas que têm destoado: "Pega Pega" e "Os Dias Eram Assim".


A novela das sete e a das onze (chamada agora de "supersérie") não fazem jus aos elevados índices que vêm marcando, comprovando que nem sempre audiência e qualidade caminham juntas. Curiosamente, as duas histórias são escritas por autoras estreantes. Mas, esse fato é apenas uma coincidência, pois vários escritores tiveram estreias com o pé direito na emissora. Aliás, levando em consideração apenas resultados que a Globo busca (ou seja, Ibope), elas conseguiram atingir o objetivo. Porém, no caso das três ---- Cláudia Souto, Alessandra Poggi e Angela Chaves ----, é evidente a fragilidade de seus enredos. Definitivamente, não são obras que empolgam, envolvem, divertem ou marcam.  Deixam muito a desejar.

Em "Pega Pega", a desconfiança já ficou plantada em virtude das chamadas pouco convidativas e do enredo limitado. Será que um drama baseado no roubo milionário de um hotel conseguiria se sustentar por tantos meses? A resposta é não. Por sinal, não conseguiu manter o interesse nem por um mês. Cláudia criou uma situação aparentemente atrativa, mas não soube desenrolá-la e nem criar núcleos paralelos que ajudassem a sustentar o conjunto ao longo dos meses.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Homenagem ao centenário de Chacrinha se mostrou nostálgica e acertada

No último sábado (26/08), o Canal Viva exibiu uma ótima homenagem a Abelardo Barbosa (1917-1988), cujo centenário se comemora neste ano. Através de "Chacrinha - o Eterno Guerreiro", o canal a cabo recriou a atração mais lembrada de um dos mais queridos comunicadores do país: o "Cassino do Chacrinha", exibido pela Globo entre 1982 e 1988. O programa ---- que será exibido pela Globo no dia 6 de setembro ---- ficou muito bem realizado, conseguindo provocar uma gostosa nostalgia em quem assistia.


Stepan Nercessian foi o escolhido para representar o velho guerreiro e nem tinha como ser outra pessoa, pois o ator deu um show no espetáculo "Chacrinha, o musical", dando vida a esse ícone. E novamente ele mostrou como conseguiu pegar com maestria vários trejeitos do apresentador, inclusive a maneira de se portar diante dos convidados e números musicais. Chama atenção também a forma não caricata que o ator compõe o personagem. Até porque Chacrinha já era uma grande caricatura, parecendo um carro alegórico em desfile de escola de samba. As imitações de vários humoristas descambam para o exagero e o intérprete acaba se diferenciando por isso. 

A atração recriou com riqueza o cenário do clássico "Cassino do Chacrinha", mas imprimindo características mais modernas em torno da iluminação e de detalhes do palco, naturalmente. Também ficou perceptível um maior afastamento da plateia, evitando aquela sensação de tumulto que existia no formato original. Nesse caso, poderiam ter mantido para preservar o DNA do produto. Afinal, na época era mesmo algo 'trash' (de gosto duvidoso) e extremamente popular. Outra característica que foi visivelmente alterada foi a vestimenta das chacretes.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Brilhante como Ivana em "A Força do Querer", Carol Duarte é a maior revelação do ano

A trajetória de Ivana sempre foi um dos maiores atrativos de "A Força do Querer". Isso antes mesmo da estreia da trama de Glória Perez. Afinal, a autora resolveu abordar um tema complexo, polêmico e ousado: a transexualidade. A transição de uma menina que vira menino nunca havia sido exposta na ficção e o contexto ainda despertou curiosidade em virtude da atriz escolhida: uma estreante. Portanto, tudo resultou em um chamariz para o folhetim. E o conjunto se mostrou um acerto desde o começo, sempre funcionando como um conflito de grande destaque, expondo o imenso talento de Carol Duarte.


Todas as angústias daquela garota que nunca se sentiu à vontade com o próprio corpo foram exploradas com precisão pela autora, que se preocupou em fazer o público se compadecer pelos dramas da filha de Joyce (Maria Fernanda Cândido). A tristeza por não se adequar aos padrões, a indignação de ser cobrada por uma vaidade que nunca teve, o incômodo que seus seios sempre lhe causaram, o desconforto que as roupas femininas provocavam, enfim, tudo foi sendo exibido aos poucos, sem atropelos. O tempo foi fundamental para deixar a situação cada vez mais familiar para o telespectador, que foi entendendo o que estava acontecendo com ela.

E, em todos os momentos, Carol Duarte brilhava. Impressionante a sua dedicação e total entrega ao papel, valorizando cada sentimento daquela menina que procura uma identidade. Já foram muitas grandes cenas protagonizadas pela intérprete, sendo necessário destacar o instante em que Ivana se bateu e quebrou o espelho, demonstrando ódio profundo pelo que é, querendo sair de dentro do seu próprio corpo.

sábado, 26 de agosto de 2017

Elenco emociona durante a revelação da identidade do filho de Amália em "Novo Mundo"

O maior mistério de "Novo Mundo" foi revelado no final do capítulo de sexta (25/08), proporcionando cenas emocionantes, que seguiram no capítulo deste sábado (26/08). O enigma em torno da identidade do filho perdido de Amália (Vanessa Gerbelli) finalmente acabou desvendado e os autores, Alessandro Marson e Thereza Falcão, foram muito felizes na realização de todo esse aguardado momento. O resultado primou pelo capricho dos flashbacks e pela entrega do elenco, que emocionou do início ao fim.


O segredo se revelou bem amarrado pelos escritores e a resolução do mesmo ocorreu de forma muito criativa, pois só foi possível por causa da armação de Thomas (Gabriel Braga Nunes) e Sebastião (Roberto Cordovani). Os vilões descobriram que Dom João (Leo Jaime) tinha um filho bastardo e resolveram usar Hugo (César Cardadeiro) para dar um golpe no governo, aproveitando que o menino tinha a mesma idade de Dom Pedro (Caio Castro). Entretanto, Amália tinha deixado uma cruz de lorena com um rubi no bebê e graças a isso todo o plano dos canalhas ruiu.

A esposa de Sebastião, que salvou a vida da criança na época, deixou essa cruz para o menino lembrar da mãe e Joaquim acabou se identificando com a história, mostrando o símbolo para a Amália, emocionando a todos e acabando com a farsa. O primeiro abraço de mãe e filho primou pela sensibilidade, destacando a entrega de Chay Suede e Vanessa Gerbelli. Os olhares lacrimejados comoveram e passaram todo o sentimento que aquele momento pedia.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Paulo Silvino marcou o humor nacional e nunca será esquecido

Na quinta-feira passada (17/08), o Brasil perdeu um de seus mais conhecidos e queridos humoristas: Paulo Silvino. O ator, que lutava contra um câncer de estômago, morreu em casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, no início da manhã. Segundo a família, ele chegou a ser submetido a uma cirurgia no ano passado, mas o câncer se espalhou e a opção dos familiares foi que ele fizesse o tratamento em casa.


O humorista era uma verdadeira fábrica de bordões e virou uma referência na comédia brasileira. Não tinha quem não o conhecesse e isso era fruto de uma galeria de tipos marcantes, graças ao festival de caras e bocas que fazia na hora de proferir suas pérolas em diversas atrações humorísticas. Paulo iniciou sua carreira em 1957, no filme "Sherlcok de Araque", onde surgiu como um cantor de rock, cujo pseudônimo era Dixon Savannah. Estreou na Globo em 1966, um ano após a inauguração da emissora, apresentando o "Canal Zero" (atração que satirizava a programação das emissoras) , e não demorou para ser reconhecido como o melhor comediante do ano.

Entre idas e vindas nas Globo, o ator fez parte de vários programas consagrados e até hoje lembrados com carinho pelo público, como "Balança Mas Não Cai" (1968), "Faça Humor, Não Faça Guerra" (1970), "Uau, a Companhia" (1972), "Satiricom" (1973), "Planeta dos Homens" (1976), e "Viva o Gordo" (1981). Também participou da "Escolinha do Professor Raimundo" (1993 - 1995), interpretando um gari malicioso que vivia reciclando o lixo dos políticos.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Luisa Arraes e Drica Moraes fizeram um trabalho de composição primoroso em "A Fórmula"

"A Fórmula" se mostrou uma produção despretensiosa, cujo maior objetivo era exibir uma comédia romântica deliciosa de se ver. A história escrita por Marcelo Saback e Mauro Wilson, dirigida por Flávia Lacerda e Patrícia Pedrosa, cumpriu a missão com méritos. Foram apenas dois meses no ar, sempre deixando um gostinho de quero mais a cada final de episódio. E um dos grandes feitos dessa série foi o trabalho primoroso de composição de Luisa Arraes e Drica Moraes.


A empreitada das duas era dificílima: interpretar a mesma personagem com idades distintas, mas sem a facilitação da passagem de tempo para imprimir as devidas características. Isso porque o enredo da série era uma criativa fantasia em torno de uma fórmula milagrosa do rejuvenescimento instantâneo, que durava apenas algumas horas depois de aplicada. Ou seja, a protagonista rejuvenescia e envelhecia a todo momento. Imprimir um tom verossímil em cima de uma proposta tão surreal não era nada simples, mas elas conseguiram graças ao talento.

O resultado ficou impressionante. Primeiramente, em virtude da equipe de caracterização, deixando as atrizes com cortes de cabelo idênticos, assim como maquiagem e figurinos. Já o restante ficou a cargo da dedicação delas, que se prepararam bastante para a composição das características de Angélica.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Julia Dalavia se entrega e protagoniza dilacerantes cenas em "Os Dias Eram Assim"

Arrepiante. Impactante. Emocionante. Dilacerante. Enfim, descrever a sequência em que Nanda descobre que é portadora do vírus da AIDS não é fácil. Foi uma mistura de sensações que permeou todo o capítulo de "Os Dias Eram Assim", destacando a total entrega de Julia Dalavia. Foi de chorar do início ao fim. Tanto no momento em que a personagem soube da doença, quanto na hora em que desabou em lágrimas no banheiro e ainda revelou a verdade para a família. Difícil não ter se envolvido.


Essa virada na trama de Nanda era a mais aguardada da história, até porque o resto segue andando em círculos em torno do cansativo imbróglio envolvendo Alice (Sophie Charlotte), Renato (Renato Góes) e Vitor (Daniel de Oliveira). E a longa espera, ao menos, valeu a pena. A personagem estava apenas servindo para ouvir os desabafos da irmã, destacando a boa sintonia das atrizes. O romance com Caíque (Felipe Simas) acabou não deslanchando como se imaginava e os conflitos com a mãe tiveram menos destaque do que mereciam. Mas, agora, chegou a vez dela mostrar a grande atriz que virou.

Após um período apresentando sintomas de fraqueza, mal estar e alguns desmaios, Nanda finalmente descobriu o que tem: Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. E, como é sabido, na década de 80 a AIDS era uma doença aterrorizante e desconhecida, matando todos os portadores. O único objetivo do tratamento era aumentar um pouco a sobrevivência do paciente.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

"Criança Esperança" se encontrou no seu novo formato

Em 2015, o "Criança Esperança" mudou o seu formato e abandonou aquele esquema de shows no estilo do conhecido "Show da Virada", exibido todo dia 31 de dezembro. As apresentações frias e repetitivas cederam espaço para matérias sobre questões sociais, mescladas com números musicais inspirados e interações com os artistas que atendem os telefonemas dos telespectadores. Desde então, o programa se encontrou e a edição de 2017 só comprovou isso.


Flávio Canto, Leandra Leal, Dira Paes e Lázaro Ramos se firmaram como comandantes da atração e mais uma vez foram muito bem, sabendo conduzir o formato com competência, mesmo não sendo apresentadores (com exceção do Flávio, que esteve no "Esporte Espetacular"). Em uma hora e meia aproximadamente, o público acompanhou apresentações musicais arrepiantes, relatos importantes sobre racismo, preconceito e desigualdade social, interações divertidas com a bancada dos atores e alertas sobre a importância dessa doação.

Foi um ótimo programa, sendo necessário destacar o número musical de Silvero Pereira (uma das revelações de "A Força do Querer", atual sucesso das nove) e Sandy, cantando "Somos Quem Podemos Ser", bela canção que virou hit com a banda Engenheiros do Hawaii. Um dos mais lindos momentos da atração, que também contou com Luan Santana cantando com Ana Vilela a sensível "Trem-Bala", em uma outra grande apresentação.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Sucesso da reprise de "Tieta" no Viva reforça as qualidades de um clássico da teledramaturgia

Na última segunda-feira (14/08), a estreia de "Tieta" completou 28 anos. O Viva começou a reprisá-la no dia 1º de maio e desde então tem feito a alegria dos telespectadores. A trama de Aguinaldo Silva, escrita com Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn ---- dirigida pelo saudoso Paulo Ubiratan ----, era uma das mais pedidas pelo público do canal a cabo. E a prova da longa espera dos noveleiros saudosistas é o resultado da audiência: é o maior sucesso do canal, desde a sua inauguração, em 2010. Mas, basta rever esse delicioso folhetim para constatar os vários motivos desse êxito.


A novela foi um marco da teledramaturgia e um dos maiores sucessos da Globo ---- exibida entre agosto de 1989 e março de 1990 ----, consagrando Aguinaldo Silva como novelista. O enredo foi uma livre adaptação do romance "Tieta do Agreste", de Jorge Amado, publicado em 1977. Mas, apenas o mote inicial e o perfil dos personagens foram utilizados com fidelidade, pois a liberdade dos autores foi total, transformando o conjunto em um folhetim original, repleto de tiradas cômicas e situações polêmicas, onde a onda do politicamente correto ainda não existia.

O foco principal é um dos maiores clichês da ficção: a vingança. No primeiro capítulo, Tieta, vivida por Cláudia Ohana, é escorraçada de casa pelo pai, o conservador José Esteves (Sebastião Vasconcelos), que não tolera o comportamento 'libertino' da protagonista e ainda é influenciado pelas intrigas da outra filha, a amargurada Perpétua.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Agatha Moreira se destaca com a derrocada de Domitila em "Novo Mundo"

A atual novela das seis da Globo está a pouco menos de dois meses de seu final. E um dos momentos mais aguardados da trama foi finalmente ao ar nesta quarta-feira (16/08): a queda de Domitila (Agatha Moreira). A amante de Dom Pedro (Caio Castro), conhecida nos livros de História como a Marquesa de Santos, acabou mais vilanizada pelos autores Alessandro Marson e Thereza Falcão, privilegiando o bom folhetim, criando assim uma maior rivalidade com a doce princesa Leopoldina (Letícia Colin). A estratégia se mostrou um acerto e o desmascaramento da personagem destacou a atriz.


Inicialmente, Domitila parecia uma vítima sofredora, padecendo com as agressões do marido violento (Felício - Bruce Gomlesvky) e sofrendo nas mãos da irmã, a interesseira Benedita (Larissa Bracher). O início de seu  romance com Chalaça (Rômulo Estrela), por sinal, rendia cenas delicadas para o casal. Entretanto, aos poucos, a verdadeira face da mulher foi sendo exposta para o público através de atitudes egoístas e traiçoeiras. O lado maquiavélico se firmou desde que ela adotou como principal meta a sua aproximação de Dom Pedro, com o intuito de se livrar do marido e conseguir a guarda dos filhos.

Mas, na verdade, Domitila sempre quis uma vida luxuosa e a posição de princesa do Brasil. Tanto que assim que conseguiu a guarda das crianças, as internou em um colégio. Também não pensou duas vezes antes de trair Chalaça, fazendo o amante odiar seu até então melhor amigo.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Química, personagens humanos e boas atuações fazem de 'Cabibi' e 'Jeizeca' os melhores casais de "A Força do Querer"

"A Força do Querer" segue fazendo sucesso e angariando merecidos elogios. Glória Perez tem conseguido prender o telespectador através de bons dramas e personagens bem construídos. Mas, curiosamente, não é um folhetim com muitos romances. São poucos os casais que protagonizam momentos românticos no enredo. Ainda assim, a autora criou dois pares muito interessantes e que se beneficiam da imensa química entre os atores: Jeiza (Paolla Oliveira) e Zeca (Marco Pigossi), e Caio (Rodrigo Lombardi) e Bibi (Juliana Paes).


O primeiro par arrebatou logo na primeira cena. O clássico jogo do "Gato e Rato" quase nunca falha na ficção. A ideia de juntar um sujeito machista com uma mulher empoderada foi uma ótima sacada da autora. O bronco Zeca é da fictícia Parazinho e teve uma criação em torno da 'valorização' da 'macheza', enxergando a mulher como uma figura frágil. Ou seja, algo inaceitável nos dias de hoje. Porém, o caminhoneiro é um sujeito íntegro. Mas, a passionalidade sempre foi seu maior defeito. Já Jeiza é uma mulher que luta MMA, trabalha como policial militar, sustenta a mãe e não aceita homem lhe impondo regras. Nada melhor, portanto, do que juntar esses opostos.

Glória fez exatamente isso logo no começo e acertou em cheio, deixando os dois como casal principal do enredo. Aliás, eles acabaram assumindo a função dos mocinhos da novela. Até porque Jeiza é a representação da heroína moderna, quase uma Mulher Maravilha. O início do relacionamento foi bastante conturbado em virtude do extremo machismo do rapaz, que não tolerava uma namorada lutadora e se indignava com a falta de tempo que ela tinha para o namoro por causa da profissão de PM.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Ótima como Sandra Helena, Nanda Costa rouba a cena em "Pega Pega"

A atual novela das sete da Globo é um sucesso. Porém, não tem feito por merecer os elevados números de audiência. A trama da estreante Cláudia Souto, dirigida por Luiz Henrique Rios, vem se mostrando boba, sem conflitos interessantes e com um enredo raso demais, recheado de perfis insossos. É um conjunto desanimador. Entretanto, uma personagem vem crescendo cada vez mais na novela e roubando todas as cenas: Sandra Helena (Nanda Costa).


O aumento da importância da periguete não é por acaso. Desde o início, Nanda Costa tem se destacado na trama, dando vida a um dos poucos perfis carismáticos do enredo. O crescimento de sua participação era uma questão de tempo. E agora a intérprete está no auge em virtude da herança que a camareira do Carioca Palace ganhou de uma hóspede, após um longo tempo de forte ligação afetiva que ambas tiveram. Com a morte de Dona Marieta (Camila Amado), a personagem ficou ainda mais milionária.

Afinal, Sandra Helena roubou 40 milhões de dólares da venda do hotel, juntamente com os parceiros Malagueta (Marcelo Serrado), Júlio (Thiago Martins) e Agnaldo (João Baldasserini). Esse, inclusive, deveria ser o mote do enredo, mas acabou se diluindo rapidamente, deixando evidente a limitação da premissa elaborada pela autora.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Apagada em "Os Dias Eram Assim", Letícia Spiller não vem tendo sorte em seus últimos trabalhos na televisão

Ela surgiu na televisão em 1989 como paquita da Xuxa e ficou no programa até 1992. Depois desses quatro anos vivendo a Pituxa Pastel, a linda dançarina começou a se aventurar nas artes cênicas, até virar uma versátil atriz, cuja carreira se mostra estabilizada e bem-sucedida. A pessoa em questão é Letícia Spiller, uma profissional que conquistou seu espaço graças a muito trabalho e dedicação. A intérprete já fez 17 filmes, participou de vários seriados da Globo e "Os Dias Eram Assim" é sua 17ª novela.


Letícia viveu seu auge na pele da Babalu em "Quatro por Quatro" (1994), divertindo com a deslumbrante mulher que encantou Raí (Marcello Novaes), e emocionou quando viveu a Giovanna Berdinazzi na primeira fase de "O Rei do Gado" (1996). Também mostrou talento na fracassada "Suave Veneno" (1998), se destacando com a caricata vilã Maria Regina. Fez muito bem a mocinha Diana, de "Sabor da Paixão" (2002), e brilhou com a interesseira Viviane em "Senhora do Destino" (2004), folhetim reprisado atualmente no "Vale a Pena Ver De Novo".

Entretanto, a atriz não vem tendo sorte em seus últimos trabalhos na televisão. Desde 2007 que Letícia vem ganhando personagens desinteressantes e em novelas ruins. Em "Duas Caras" interpretou Maria Eva, perfil pouco consistente na problemática história de Aguinaldo Silva.