quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Iza no "The Voice Brasil" foi um sopro de novidade em um desgastado formato

Até os maiores fãs do "The Voice Brasil" hão de concordar que o reality musical da Globo não repercute como antigamente. Há pelo menos uns três anos que o programa vem deixando a desejar e as razões são de conhecimento geral: o natural desgaste do formato, a falta de renovação total dos técnicos e participantes que não ficarão marcados no mercado musical, por mais talentosos que sejam. Todavia, a entrada de Iza na oitava temporada representou um sopro de novidade.


Muitos questionaram a entrada da cantora em virtude de sua curta carreira --- foi lançada oficialmente pela Warner Music no mercado em 2016 e estourou de fato em 2017. Então como colocar como "técnica" uma cantora que ainda nem tem cinco anos trajetória? Afinal, Ivete Sangalo, Lulu Santos e Carlinhos Brown apresentam um vasto currículo musical, além de Michel Teló, que, embora seja mais novo, também começou cedo no grupo Tradição. Porém, essa questão se mostra insignificante.

Primeiramente, a experiência dos técnicos pouco conta na hora das avaliações e o medo do diretor Boninho em renovar o time implicou na repetição das análises dos cantores. Muitas vezes são redundantes e acabam dizendo a mesma coisa para vários candidatos ---- "Sua voz é linda" ou "Como é afinada" são apenas alguns exemplos.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

As Helenas de Manoel Carlos

Uma das marcas de Manoel Carlos é, sem dúvida, a presença de uma personagem chamada Helena em suas obras. A primeira novela do autor, curiosamente, se chamava "Helena" (1952 - TV Paulista) e era baseada no romance homônimo de Machado de Assis. Mas ainda não tinha relação alguma com as nove mulheres que viriam a marcar presença em seus futuros folhetins. Atualmente a reprise de "Por Amor", em exibição no "Vale a Pena Ver de Novo", tem feito um imenso sucesso com a história da complexa Helena vivida por Regina Duarte. Mas esse mundo das personagens de mesmo nome do escritor deixou sua marca da teledramaturgia.


A primeira Helena foi em "Baila Comigo" (1981). Vivida brilhantemente pela grande Lilian Lemmertz, a personagem deu à luz gêmeos (vividos por Tony Ramos), mas não pôde criá-los ao lado do pai (Joaquim Gama - Raul Cortez). Para 'resolver' a dura questão, entregou um deles a Joaquim e o outro criou com seu marido, Plínio Miranda (Fernando Torres). O forte enredo dramático proporcionou grandes cenas para todos os atores envolvidos, incluindo, claro, a saudosa Lilian. Não por acaso, o forte papel presenteou a atriz com inúmeros elogios à sua atuação.

Após este seu bem-sucedido trabalho, Maneco escreveu duas novelas que não contaram com uma Helena: a conturbada "Sol de Verão" (1982) e "Novo Amor" (1986 - Rede Manchete). Mas foi a partir de "Felicidade" que o autor passou a inserir a sua controversa protagonista em todas as suas histórias.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Até quando o beijo gay será um tabu na teledramaturgia?

O título do texto parece bem ultrapassado. Afinal, essa inútil polêmica em torno do beijo entre iguais foi desfeita em 2013 com o inesquecível desfecho de Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) em "Amor à Vida". A novela de imenso sucesso de Walcyr Carrasco entrou para a história da teledramaturgia e abriu as portas para outros romances homoafetivos com direito a beijo. O próprio termo "beijo gay" nem vale mais ser usado. É só beijo e pronto. No entanto, um retrocesso aconteceu em "Órfãos da Terra".


Duca Rachid e Thelma Guedes estão totalmente perdidas na história atual das seis e é uma lástima que a produção tenha se perdido por completo. Em meio a tantos equívocos, todavia, surgiu um acerto: o romance de Valéria (Bia Arantes) e Camila (Anaju Dorigon). As patricinhas interesseiras tiveram a amizade estreitada e o envolvimento das duas virou amor. A construção foi rasa porque as autoras claramente inventaram a situação de última hora, mas funcionou e o público das redes sociais comprou o par.

A novela que nunca teve repercussão, apesar da ótima audiência, começou a despertar um pequeno burburinho nas redes somente por conta do futuro casal lésbico. As demais situações deixaram de interessar há tempos. E o próprio GShow, site de entretenimento da Globo, chegou a divulgar uma entrevista com Bia Arantes a respeito do beijo que as personagens dariam.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Kaysar Dadour é uma boa surpresa de "Órfãos da Terra"

A presença de Kaysar Dadour na décima oitava edição do "Big Brother Brasil" foi marcante. O participante logo caiu nas graças do público com suas brincadeiras e a forma peculiar que falava português, com um forte sotaque sírio (sempre usando o termo "caraca" em todas as frases). Era um dos favoritos para ganhar e sua história de vida cativou os telespectadores (queria trazer sua família para o Brasil e livrá-los da guerra na Síria). Ele foi o vice-campeão, mas conseguiu algo que quase todos os ex-BBBs sonham: trabalhar como ator na Globo.


A emissora resolveu investir no rapaz em virtude de seu incontestável carisma e o enredo de "Órfãos da Terra" parecia perfeito para sua estreia em novelas. Afinal, Duca Rachid e Thelma Guedes criaram uma trama que aborda o tema dos refugiados e a família da mocinha morava na Síria. Todos acabaram vindo para o Brasil, após um violento bombardeio que vitimou milhares. Kaysar deu várias entrevistas confirmando como o roteiro lembra um pouco a sua vida. Mas, ironicamente, o seu personagem é oposto de sua pessoa.

Fauze era o mais fiel capanga do poderoso Aziz Abdallah (Herson Capri) e fazia absolutamente tudo o que o patrão ordenava. Agressivo e frio, o homem assustava suas vítimas até pelo olhar intimidador. E estrear em um papel que não tem nada a ver com sua personalidade é ótimo para Kaysar mostrar seu talento.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

"Malhação - Toda Forma de Amar" chega ao capítulo 100 com trama estagnada

A atual temporada de "Malhação" está surfando na onda de ótimas audiências da Globo nos últimos meses. "Malhação - Toda Forma de Amar" está até agora com média de 18 pontos, um ótimo índice, e um ponto a mais que a péssima fase anterior. E Emanuel Jacobina fez por merecer a aceitação do público, após duas tramas sofríveis do seriado adolescente escritas por ele em sequência entre 2015 e 2016 ("Seu Lugar no Mundo" e "Pro Dia Nascer Feliz"). Todavia, a produção chegou ao centésimo capítulo nesta segunda-feira (02/08) com o roteiro estagnado.


A história teve um início promissor e quase todos os personagens cativam de alguma forma, assim como seus respectivos conflitos. O mote central, inclusive, se baseia no clichê da mãe biológica lutando pela guarda da filha com a família adotiva. É uma temática que costuma conquistar o telespectador e a saga de Rita (Alanis Guillen) desperta interesse, assim como sua relação de discussões e beijos com Filipe (Pedro Novaes), filho da mulher que adotou a menina que a adolescente pariu.

As paralelas também têm várias qualidades, vide o mistério em torno do assassinato de Zé Carlos (Peter Brandão), o romance mais 'bruto' de Anjinha (Carol Dallarosa) e Cleber (Gabriel Santana), as tiradas de Thiago (Danilo Maia) e seu novo relacionamento com Jaqueline (Gabz), o triângulo cômico protagonizado por Carla (Mariana Santos),

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

"A Dona do Pedaço" prende público com uma sucessão de reviravoltas

A atual novela das nove vem fazendo a alegria da Globo. "A Dona do Pedaço", semana passada, quebrou o recorde de audiência semanal com 39,2 pontos de média. A emissora não alcançava esse índice desde a última semana de "O Outro Lado do Paraíso", em maio de 2018, outro fenômeno de Walcyr Carrasco. E o autor tem feito por merecer esses índices elevados. A história se desenvolve em ritmo ágil e praticamente todos os capítulos das últimas semanas vêm apresentando várias viradas e muitos acontecimentos.


Atualmente, quase todos os núcleos estão com conflitos em decorrência de recentes reviravoltas. O esperado flagra de Maria da Paz (Juliana Paes) em Régis (Reynaldo Gianecchini) e Josiane (Agatha Moreira) resultou no recorde de audiência da novela (45 pontos) e rendeu ótimas sequências posteriores. O choro desesperador da boleira da prisão destacou o talento de Juliana e a conversa reveladora entre mãe e filha, que resultou na expulsão de Maria de sua própria casa, proporcionou a aguardada catarse em que Jô tirou a máscara de filhinha inocente. As intérpretes brilharam.

Ou seja, após o flagrante da traição, a protagonista foi presa por ter atirado no então marido e assim que conseguiu um habeas corpus ---- por conta de Amadeu (Marcos Palmeira) ---- se viu expulsa de casa pela herdeira. Três viradas em apenas dois capítulos. Mas não era o bastante para Walcyr. Logo depois Maria se deparou com Jô em sua cadeira na fábrica, a patricinha não pensou duas vezes antes de também colocar para fora a mãe de sua empresa.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Multishow prova que os fãs de "Chaves" e "Chapolin" foram desrespeitados pelo SBT

No dia 21 de maio, o Multishow estreou "Chaves" e Chapolin" em sua programação. Algo que, teoricamente, não teria qualquer relevância. Afinal, as icônicas sérias mexicanas protagonizadas por Roberto Gómez Bolaños viraram uma espécie de marca do SBT, que começou a exibi-las em 1984 e nunca mais parou.  São anos de reprises e mais reprises. Porém, o canal a cabo conseguiu surpreender em vários aspectos, fazendo a alegria dos inúmeros fãs.


Além da boa qualidade de imagem e som, a emissora se preocupou em exibir as séries em ordem cronológica e conseguiu reunir os dubladores clássicos para algumas redublagens que foram necessárias em episódios que o SBT nunca se preocupou em exibir ---- obviamente, os profissionais já falecidos foram substituídos. Ainda deixou como opção o áudio original através de ícones disponibilizados pelas operadoras de canais pagos. E o melhor de tudo foi a compra de mais de cem capítulos inéditos, incluindo alguns considerados perdidos pelos fãs.

Não por acaso, "Chaves" e "Chapolin" entraram para o topo da lista de programas mais vistos do Multishow. E impressiona a quantidade de episódios que o SBT jamais exibiu. Claro que o anúncio de "cem episódios inéditos" adquiridos pelo canal despertou uma grande expectativa, mas havia a chance de a maioria deles serem da década de 90, quando Roberto chegou a regravar várias histórias com parte do elenco e todos bastante envelhecidos.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

"Bom Sucesso" é uma novela para assistir sorrindo

A atual novela das sete da Globo está há pouco mais de um mês no ar e já pode ser considerada um fenômeno de audiência. Com 30 pontos de média até agora ---- desde 2006 uma novela das 19h não superava essa marca no mesmo período ----, "Bom Sucesso" vem fazendo jus ao seu título e merece o prestígio dos telespectadores. A história escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, dirigida por Luiz Henrique Rios, conquistou o público e as razões não são poucas, pelo menos até o momento. Resta torcer para que siga assim.


A premissa do folhetim até parece um pouco fúnebre ou dramática demais: a troca de exames entre um senhor milionário com um câncer terminal e uma humilde mulher trabalhadora do subúrbio  do Rio de Janeiro. Nada contra os dramas, por sinal. Porém, a faixa das 19h se caracterizou por obras mais leves e cômicas. Então, um enredo com uma história 'pesada' poderia afastar o telespectador. Mas os autores estão conduzindo essa temática em torno da chegada da morte com uma sensibilidade ímpar.

A relação de amizade entre Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antônio Fagundes) vem se mostrando a cada dia mais encantadora e a sintonia dos atores salta aos olhos. Rosane e Paulo ainda acertaram com a rapidez do término das confusões envolvendo a troca dos exames.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Fernanda Young deixa uma lacuna que não será preenchida

O ano de 2019 não anda nada fácil. Em meio a inúmeras grandes perdas no meio artístico, o Brasil perdeu Fernanda Young na madrugada do último sábado (24/08). A atriz, autora, apresentadora e escritora sofria de asma e sofreu uma parada cardíaca durante uma crise. Os médicos não conseguiram reanimá-la. Faleceu aos 49 anos. Foi enterrada na tarde de domingo, no cemitério de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo.


A morte inesperada de uma mulher tão jovem chocou todos os fãs e a classe artística. Fernanda deixou o marido, Alexandre Machado, e quatro filhos: as gêmeas Cecília Maddona e Estela May, de 19 anos; Catarina Lakshimi, de 10 anos e John Gopala, também de dez anos. Os nomes de seus herdeiros, por sinal, já deixam claro que Fernanda não era uma pessoa qualquer. Sarcástica, de opiniões firmes e multifacetada, a profissional, que se saía bem em todas as áreas que se dedicava, se consagrou como autora.

Ela e o marido são responsáveis por várias séries de imenso sucesso na televisão, sendo "Os Normais" a mais lembrada até hoje. A trama protagonizada por Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) conquistou o público e durou menos no ar do que se imagina: apenas dois anos (2001/2003). Mas originou dois filmes que repetiram o sucesso.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Reprise de "Por Amor" expõe a mudança de comportamento da sociedade

Normalmente, quando a reprise de uma novela faz sucesso é natural afirmar que a história é atemporal. Ou seja, funciona bem em qualquer época e por isso sempre cai nas graças dos público. É o caso de "Vale Tudo", por exemplo. O fenômeno de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brasséres caiu na boca do povo em 1988 e até hoje é lembrada. Também teve um grande êxito nas três vezes que foi reexibida ---- em 1992, no "Vale a Pena Ver de Novo", e em 2010 e 2018 no Canal Viva. E realmente o enredo segue atual. A corrupção no Brasil pouco mudou. Todavia, "Por Amor", exibida em 1997, tem uma história que é vista de forma bem diferente hoje em dia.


A novela é um dos melhores trabalhos de Manoel Carlos e tudo o que o autor melhor desenvolve está ali: o cotidiano da classe média alta do Leblon, os tradicionais barracos familiares, uma Helena que faz tudo pela filha, uma vilã elegante e debochada, enfim. Não por acaso tem feito um grande sucesso no "Vale a Pena Ver de Novo", desde que começou a ser reprisada no dia 29 de abril, substituindo "Cordel Encantado". Também teve uma ótima audiência nas duas vezes que foi reprisada no Canal Viva, em 2010 e 2017. O bom retorno do público é muito merecido. É um novelão da melhor qualidade.

Mas é preciso ressaltar os vários conflitos da história que eram normais na época e atualmente não são mais tolerados. O próprio texto, sempre elogiado pelo refinamento de Maneco, contém declarações que hoje soam absurdas. Um bom exemplo foi até cortado na reprise da Globo provavelmente porque a cúpula da emissora achou não apropriado para os dias atuais. Mas deveriam ter exibido justamente para comprovar como a sociedade evoluiu com o tempo.