terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Emanuel Jacobina destrói sua história e subestima o público em "Malhação - Pro Dia Nascer Feliz"

"Malhação - Pro Dia Nascer Feliz" acaba em abril. Emanuel Jacobina emendou duas temporadas (também foi o autor da anterior, cujo subtítulo foi  "Seu Lugar no Mundo") e a atual trama vem repetindo os mesmos problemas da passada: a perda total de rumo do enredo. É evidente que a história se esgotou antes mesmo da metade e muito em virtude da falta de um bom encaminhamento de situações que pareciam promissoras. Quase tudo foi destruído ao longo dos meses, sem maiores explicações.


O escritor se preocupou em criar uma boa trama central e até conseguiu, tanto que a rivalidade entre a mocinha Joana (Aline Dias) e a vilã Bárbara (Bárbara França) é um dos poucos acertos que restou na temporada --- muito embora peque na repetição em vários momentos, cujos diálogos já se esgotaram. Entretanto, tudo que cerca essa rivalidade foi sendo aniquilado aos poucos. Ou seja, os conflitos paralelos (alguns deles inicialmente bem atrativos) foram completamente alterados, ignorando qualquer lógica e subestimando a inteligência do telespectador.

O casal formado por Lucas (Bruno Guedes) e Juliana (Giullia Gayoso), por exemplo, é um dos casos mais gritantes. O grafiteiro tímido sempre foi apaixonado pela patricinha e a aproximação se deu através do clássico jogo de gato e rato, típico da teledramaturgia. Os dois viviam se implicando até que começou a surgir um clima.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Machismo permeia irritante triângulo formado por Tiago, Marina e Letícia em "A Lei do Amor"

Que "A Lei do Amor" se perdeu depois das mutilações em virtude da baixa audiência todos já estão cansados de saber. Porém, uma situação que se mostrou equivocada desde o início da trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari foi o triângulo amoroso composto por Tiago (Humberto Carrão), Isabela (Alice Wegmann) --- agora Marina --- e Letícia (Isabella Santoni), a partir da segunda fase. O machismo sempre esteve presente nessa trama, provocando um sério incômodo que foi aumentando com o tempo.


A filha de Helô começou a história se recuperando de um câncer e os autores já colocaram o namorado Tiago cansado da relação, demonstrando claramente que não a amava mais. Pouco tempo depois, ele se apaixonou perdidamente por Isabela e ela, apesar de uma resistência inicial, retribuiu o sentimento. O rapaz ficou em cima da garçonete, sem demonstrar qualquer remorso em virtude do seu relacionamento com Letícia. Não demorou para os dois iniciarem um caso. E toda essa construção foi feita de forma equivocada por Maria Adelaide e Vincent.

A paixão de Tiago e Isabela ficou rasa e a relação aconteceu rápido demais. Já o fato do personagem ter traído a namorada e adiado ao máximo o término do noivado também prejudicou a empatia do par. A intenção era expor um Tiago humano, longe da perfeição dos certinhos (perfis muitas vezes cansativos). Mas não funcionou. Pelo contrário.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

"Vídeo Show" finalmente reencontra o seu DNA

Um dos programas mais longevos da Globo é o "Vídeo Show". Está no ar há 34 anos. Um período bastante respeitável. Porém, uma atração que fica tanto tempo na grade acaba sofrendo um natural desgaste. E o formato vespertino vinha sofrendo bastante nos últimos anos. A mudança mais drástica e reprovável foi quando Zeca Camargo assumiu a função de apresentador. Nada deu certo. Mas, felizmente, houve uma grande melhora com a escolha de Monica Iozzi e Otaviano Costa como apresentadores, embora o conteúdo tenha continuado equivocado e longe das origens. A saída de Monica foi um banho de água fria no ressurgimento do programa, que havia voltado a ter uma boa resposta do público. Só que aos poucos tudo foi se acertando.


Apesar do erro de Maíra Charken na bancada, fracassando na missão de substituir Monica, a direção foi fazendo um rodízio de apresentadores até efetivar Joaquim Lopes ao lado de Otaviano. Era isso, aliás, que deveria ter sido feito desde a saída dela. Os dois sempre tiveram entrosamento de sobra, formando uma boa dupla. Agora o programa vem sendo muito bem comandado por eles, que claramente se divertem na bancada e têm intimidade para brincadeiras entre as matérias, sem que as mesmas pareçam forçadas ou artificiais. Ou seja, o problema na apresentação havia sido solucionado com sucesso. Só faltava mesmo o conteúdo. Entretanto, não falta mais.

O formato trouxe de volta o DNA que o consagrou. O foco das matérias voltou a ser os bastidores das produções da emissora e da televisão, deixando de lado reportagens inúteis sobre cantores sertanejos e celebridades. O "Novelão da Semana" se firmou de vez e agora é apenas "Novelão", pois não há mais uma duração específica, dependendo do folhetim em questão.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Loucura de César em "Sol Nascente" expõe a falta de criatividade de Walther Negrão

É de conhecimento público que Walther Negrão deixou de ser o autor titular de "Sol Nascente" ainda no início da novela em virtude de problemas de saúde (foi internado algumas vezes). A trama das seis ficou sob o domínio de Suzana Pires e Júlio Fischer, dois escritores que nunca assinaram um folhetim (eram apenas colaboradores). Entretanto, claro que Walther segue supervisionando a sua obra. A prova é a presença de vários traços dele no enredo. E a loucura de César (Rafael Cardoso), faltando menos de dois meses para o fim da produção, expõe isso com mais nitidez, evidenciando ainda a falta de criatividade do escritor.


O vilão começou a história tramando para se vingar da família de Alice (Giovanna Antonelli), usando a mocinha através de um relacionamento sem amor, e tudo sob o comando da avó, a maquiavélica Dona Sinhá (grande Laura Cardoso). Com o tempo, no entanto, César se apaixonou de verdade pela mulher, iniciando um comportamento cada vez mais agressivo. Agora o personagem surtou de vez e virou um psicótico, assassinando até mesmo João Amaro (Rafael Zulu), seu comparsa, somente porque a avó demonstrava clara preferência por ele. Fica claro que o inicialmente calculista malvado se transformou em um maluco em potencial.

Só que a grande questão de todo esse encaminhamento do roteiro é a repetição do autor. Praticamente todas as suas novelas tem exatamente o mesmo desfecho envolvendo o vilão: todos enlouquecem no final. E isso já vem de muito tempo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Alice Wegmann tem suas facetas bem exploradas e se destaca em "A Lei do Amor"

Infelizmente, "A Lei do Amor" se perdeu após as mutilações feitas por causa da baixa audiência, cedendo aos grupos de discussão e intervenções de terceiros. Muitas situações ficaram forçadas e inverossímeis, prejudicando o conjunto do enredo. Porém, o elenco segue brilhando, apesar de todos os problemas. E um dos ótimos nomes, que vem ganhando um merecido destaque nas últimas semanas, é Alice Wegmann.


A atriz se saiu muito bem no período que interpretou a destemida Isabela, menina que acabou virando alvo de Tião (José Mayer) quando se envolveu com Tiago (Humberto Carrão), prejudicando o relacionamento do covarde rapaz com Letícia (Isabella Santoni), filha do vilão. Inicialmente retraída e sempre na defensiva, a personagem acabou se desarmando aos poucos em virtude de sua amizade com Flávia (Maria Flor), Élio (João Campos) e Zelito (Danilo Ferreira). Porém, seu passado e sua família nunca foram muito bem explicados. Havia um quê de mistério no ar.

A melhor cena  protagonizada por Alice na novela (até então) foi o momento em que Isabela teve uma briga séria com Tiago no barco, durante um passeio que os dois fizeram. Ela passou com competência a emoção da garota, que se indignou quando foi acusada injustamente pelo rapaz de ter sido comprada por Helô (Cláudia Abreu) para separá-lo de Letícia.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

"Pesadelo na Cozinha": mais um acerto gastronômico da Band

Ainda ancorada no sucesso do "MasterChef", a Band, além de emendar temporadas e ainda criar a versão "Júnior" (já extinta) e "Profissionais", resolveu aproveitar os carismáticos jurados do reality culinário em outras atrações. O primeiro contemplado foi Erick Jacquin, que ganhou um programa para chamar de seu: o "Pesadelo na Cozinha", que estreou na última quinta-feira de janeiro (dia 26).


Adaptação de "Kitchen Nightmares", formato comandado por Gordon Ramsay nos Estados Unidos, o programa consiste na salvação de restaurantes em sérias dificuldades financeiras. O chef se transforma em uma espécie de consultor, verificando primeiramente o que não está funcionando (incluindo cardápio, método de trabalho e higiene) e depois atuando junto da equipe, orientando e virando quase o dono temporário do estabelecimento.

Vale lembrar que o "Caldeirão do Huck", na Globo, já teve um quadro parecido chamado "Negócio Fechado", exibido em 2008. Luciano Huck recebia cartas de donos de restaurantes quase falidos e fazia uma grande reforma nos estabelecimentos, tendo a ajuda de um chef de cozinha, que orientava no funcionamento do local.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Aline Dias e Bárbara França se entregaram na briga entre Joana e Bárbara em "Malhação - Pro Dia Nascer Feliz"

"Malhação - Pro Dia Nascer Feliz" vem sofrendo do mesmo mal da temporada passada. Emanuel Jacobina se perdeu em seu próprio roteiro, fez e desfez  casais sem a menor noção de coerência, mudou características de personagens de forma rasa, enfim. Porém, a rivalidade entre a mocinha e a vilã da temporada foi um dos poucos casos que o autor conseguiu manter de forma convincente. E o resultado disso foi a ótima cena de briga protagonizada pelas duas semana passada, destacando a entrega das atrizes.


Joana (Aline Dias) e Bárbara (Bárbara França) vêm se enfrentando desde o início da temporada e tudo piorou quando descobriram que eram irmãs. A implicância da vilã virou ódio mortal, resultando em constantes ofensas, muitas delas racistas e xenófobas. A mocinha sempre revidou os xingamentos, não se intimidando com a rival, mesmo sendo sua patroa na academia Forma, local que pertence ao pai delas, Ricardo (Marcos Pasquim). Porém, após tantos enfrentamentos (ao longo de seis meses), uma briga física era mais do que aguardada.

E ela veio honrando a expectativa gerada. As duas se prepararam e desfilaram para o concurso Estrela Carioca, arrancando elogios da plateia presente. Entretanto, Bárbara sabotou Joana e rasgou um dos vestidos da irmã, que quase não conseguiu entrar na passarela ----- só desfilou graças ao plano de última hora das amigas Sula (Malu Falangola) e Tânia (Deborah Secco).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Química entre Nicolas Prattes e Marina Moschen faz de Zac e Yasmin um ótimo casal de "Rock Story"

"Rock Story" não é uma novela repleta de cenas de casais. E o romantismo também não é o mote do enredo. Entretanto, os poucos casais que existem na trama são bem construídos pela autora Maria Helena Nascimento, que vem conseguindo juntar bons perfis, criando belos pares. Curiosamente, os mocinhos Gui (Vladimir Brichta) e Júlia (Nathalia Dill) acabaram ficando em segundo plano atualmente, em virtude da ausência de maiores conflitos na relação, cedendo espaço para os coadjuvantes. E um deles é o ótimo par formado por Zac (Nicolas Prattes) e Yasmin (Marina Moschen).


Os atores foram os mocinhos da fraca temporada "Malhação - seu lugar no mundo" e tiveram química, se mostrando gratas revelações do seriado adolescente. Porém, o roteiro fraco de Emanuel Jacobina e os perfis rasos prejudicaram o casal, que se perdeu ao longo dos meses, assim como toda a história encerrada em agosto de 2016. Agora está tudo diferente, com exceção da boa sintonia cênica já vista anteriormente. A autora e os diretores (Maria de Médicis e Dennis Carvalho) acertaram na escolha dos atores, principalmente porque acabaram corrigindo as falhas do casal Rodrigo e Luciana, mesmo de forma involuntária.

Zac e Yasmin representam o clássico dos opostos que se atraem, uma fórmula que dificilmente dá errado na ficção. Ele é filho de Gui e foi reconhecido pelo pai há pouco tempo, depois que a mãe do garoto sumiu no mundo, 'obrigando' o filho a viver com um sujeito que nunca tinha visto antes. A relação inicialmente foi conturbada, mas a convivência os aproximou, fazendo nascer um sentimento genuíno entre eles.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Ao não homenagear Pedro Bial, "BBB" renega sua própria história

A décima sétima temporada do "Big Brother Brasil" estreou no dia 23 de janeiro, uma segunda-feira. Após 16 temporadas sob o comando de Pedro Bial, o reality passou a ser apresentado por Tiago Leifert. O próprio Bial quis sair do programa e ganhou um novo formato, que entrará na faixa antes ocupada pelo "Programa do Jô". Ao que tudo indica, essa nova fase do jornalista também marca o fim do "Na Moral". Como foi o próprio apresentador que optou pelo fim do longevo ciclo no "BBB", a escolha de Leifert para substituí-lo foi acertada. Entretanto, a produção cometeu um erro grave: ignorou a importância de Bial na estreia e até agora o assunto não foi sequer citado.


Ao não homenagear Pedro Bial, o programa renega sua própria história. Até porque muito do sucesso do reality mais longevo do país se deve a ele. Claro que o formato é um êxito completo e a estrutura criada em torno o transformou em um produto 'salvador' da grade da Globo no início do ano, tapando o 'buraco' deixado pelas produções que entram em férias e ainda gerando ótimo faturamento e boa audiência. Mas a condução do apresentador fez toda a diferença, demonstrando paixão pelo que estava fazendo e pouco se importando para as críticas em cima de 'futilidade', 'lixo cultural' e coisas do tipo. O telespectador percebia que ali estava uma pessoa que vestia a camisa do time.

E não há como negar que a sua simples presença dava credibilidade ao reality. Afinal, é um jornalista com um currículo respeitável e responsável por várias matérias marcantes, como a queda do Muro de Berlim. Bial teve a coragem de mergulhar em um universo que desconhecia e saiu vitorioso da missão. Se transformou no melhor apresentador desse tipo de formato, incontestavelmente.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

"Amor & Sexo" volta lutando contra o machismo e prova que não pode sair do ar

Após o anúncio do final do programa ano passado, o "Amor & Sexo" voltou ao ar tão bom quanto sempre foi e quebrando novamente a 'promessa' da Globo. Já foram anunciados alguns cancelamentos da atração, porém a emissora nunca consegue cumprir para a sorte do público. Mais uma leva de episódios foram encomendados, preenchendo a grade no início de 2017. A nona temporada era para ter sido a última, mas o vitorioso formato retornou e no horário que o consagrou: o fim de noite das quintas-feiras.


O programa segue com a bancada de comentaristas (a melhor reformulação feita na sexta temporada) e conta com uma novidade: a presença de Eduardo Sterblich, ex-Pânico na Band, no lugar de Xico Sá. O humorista agora faz companhia para os velhos conhecidos Otaviano Costa, José Loreto, Mariana Santos, Dudu Bertholini (que entrou ano passado) e Regina Navarro Lins. Tudo, claro, sob o comando de Fernanda Lima. O conjunto não apresentou mudança alguma e nem era necessário, afinal, nada melhor do que debater assuntos sérios de forma descontraída e com brincadeiras.

A estreia da décima temporada (exibido na última quinta - 26/01) contou com várias participações especiais, entre elas a grande Elza Soares, a impagável Grace Gianoukas, a extrovertida Gaby Amarantos e a popular Karol Conka. O tema foi emponderamento feminino, envolvendo o feminismo e todo o preconceito que cerca o universo das mulheres.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Tarcísio Meira fará muita falta em "A Lei do Amor"

Nesta terça (24/01), foi ao ar um dos momentos mais aguardados de "A Lei do Amor": a derrocada de Magnólia (Vera Holtz), sendo desmascarada por Fausto, Pedro (Reynaldo Gianecchini) e Helô (Cláudia Abreu). A cena também marcou a despedida de Tarcísio Meira da novela, uma vez que o patriarca da família Leitão morreu logo depois que conseguiu se vingar da esposa traidora. E com certeza um dos atores mais respeitados do país fará muita falta na trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, dirigida por Denise Saraceni.


A sequência da queda da vilã destacou o imenso e conhecido talento de Tarcísio, que pôde mostrar toda a sua força cênica, após meses deitado em uma cama e praticamente sem texto. O momento em que Fausto desmascara Mag diante de todos, durante a exposição de Helô, primou pelas ótimas atuações de todos os presentes, onde a troca de olhares foi um dos principais elementos durante o embate entre o empresário e sua esposa. Após a exibição do vídeo da sogra e do genro transando, o patriarca fez questão de afirmar que Suzana (Regina Duarte) foi morta pela madrasta de Pedro e que ele ficou em estado vegetativo por culpa dela.

Além dele, Vera Holtz, Cláudia Abreu, Camila Morgado, Grazi Massafera, Reynaldo Gianecchini e José Mayer brilharam ao longo da sequência e de todo o capítulo. Já a cena da morte do personagem primou pela emoção, comovendo os familiares, enquanto Fausto se despedia de um por um, após ter sofrido um infarto, já em casa.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

"Big Brother Brasil 17" estreia sem Bial e com bastante diversidade

A missão da décima sétima temporada do "Big Brother Brasil" é, sem dúvida, a mais complicada: seguir com o reality mais longevo do país sem a presença de Pedro Bial no comando. Após 16 anos apresentando o programa, o jornalista decidiu fechar seu ciclo na produção e ganhou uma nova atração que entrará no lugar do "Programa do Jô". O bastão foi passado para Tiago Leifert, uma figura onipresente na Globo ---- além da nova empreitada, apresenta o "The Voice Brasil" e ainda ganhou o recente "Zero Um", formato de cerca de 10 minutos sobre games, que vai ao ar logo após o "Altas Horas".


E o intuito da produção é mesmo apagar a imagem do "BBB" na época do Bial e iniciar uma nova jornada. Tanto que nem houve qualquer homenagem ao apresentador e ainda retiraram uma das marcas das temporadas anteriores: a charge semanal de Maurício Ricardo, satirizando os participantes e os conflitos da casa ---- ele mesmo declarou no Twitter que está fora dessa edição em virtude das novidades programadas para 2017.

A seleção, ao menos aparentemente, está bem promissora, valorizando as diversidades. Tem pessoas de todos os tipos e idades, incluindo até mesmo uma deficiente física: Marinalva (39 anos) é velejadora, competidora paralímpica, e não tem uma das pernas.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

De volta ao drama, Camila Morgado se destaca em "A Lei do Amor"

Entre os problemas de "A Lei do Amor", o elenco escalado com certeza não é um deles. Apesar das críticas em torno do excesso de personagens, os atores escolhidos, em sua grande maioria, são muito talentosos. E uma das estrelas da trama de Maria Adelaide e Vincent Villari, que protagonizou a sua melhor cena, até então, quando Vitória flagrou sua própria mãe e seu marido transando, é Camila Morgado.


A atriz sempre foi um dos destaques do núcleo central e esse papel marca o seu retorno ao drama, após alguns papéis voltados para a comicidade nas novelas. Camila estreou na televisão vivendo a romântica Manuela, na primorosa minissérie "A Casa das Sete Mulheres" (2003), também escrita por Maria Adelaide juntamente com Walther Negrão. Ali tinha ficado claro que seu talento dramático era incontestável e o mesmo pôde ser admirado no filme "Olga" (2004), onde viveu a personagem título, protagonizando cenas pesadas e extremamente difíceis.

Ela ainda brilhou nas minisséries "Um Só Coração" (2004) e "JK" (2006), além de ter se destacado vivendo a vilã May, em "América" (2005). Também fez uma ótima participação na microssérie "Amor em 4 Atos" (2011) e emocionou em "O Canto da Sereia" (2013). Todos perfis voltados para o drama. A sua ida para a comicidade se deu na fraca "Viver a Vida", de Manoel Carlos, em 2009, quando viveu a jornalista Malu. A partir de então só interpretou tipos mais leves nos folhetins.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Atuação visceral do elenco e produção de arte primorosa engrandeceram "Dois Irmãos"

Foram dez capítulos de muito capricho estético, dramas pesados, tons operísticos e completa entrega dos atores. "Dois Irmãos" chegou ao fim nesta sexta-feira (20/01) colhendo inúmeros elogios merecidos e apresentando um último capítulo emocionante. A minissérie, baseada no romance homônimo de Milton Hatoum e adaptada por Maria Camargo, teve a forte marca do diretor Luiz Fernando Carvalho e sua principal qualidade foi a atuação visceral do elenco, além da produção de arte primorosa.


A escalação acertada ficou evidente nas três fases da produção. A começar pela semelhança física dos intérpretes, deixando as passagens de tempo bastante críveis. E, claro, o talento dos atores ainda coroou o êxito do diretor, que conseguiu explorar o máximo de cada um, como costuma fazer sempre no seu método de trabalho (incluindo meses de preparação em um galpão criado exclusivamente para isso). O grau de dramaticidade foi alto (beirando o exagero) em todos os períodos da história, destacando a capacidade cênica do time escolhido para dar vida a perfis repletos de camadas.

A minissérie adotou a não linearidade, sendo fiel ao livro e provocando um certo estranhamento com as idas e vindas no tempo. Luiz Fernando iniciou a trama partindo do princípio de que todos os telespectadores leram o livro, o que foi um risco. E realmente o resultado no primeiro capítulo não foi bom. O longo flashback para contar como Halim (Bruno Anacleto) e Zana (Gabriella Mustafá) se apaixonaram foi modorrento e cheio de cenas desnecessárias, apesar da ótima química e do talento dos atores.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Destaque de "Dois Irmãos", Antônio Fagundes se "especializou" em cenas emocionantes com seus filhos na ficção

"Dois Irmãos" chega ao fim nesta sexta-feira (20/01) e um dos acertos da minissérie baseada no romance homônimo de Milton Hatoum foi o elenco escalado. Um dos grandes destaques da trama de Maria Camargo, dirigida por Luiz Fernando Carvalho, foi Antônio Fagundes interpretando o libanês Halim. O personagem já entrou para a lista dos melhores de sua carreira e ainda proporcionou para o ator uma cena, entre tantas brilhantes, emocionante ao lado de Cauã Reymond (Yaqub/Omar).


Halim, corroído pelo remorso por ter mandando Yaqub para uma aldeia no Sul, abraçou o filho pela primeira vez (enquanto se despedia do rapaz, que mais uma vez ia embora de Manaus), deixando suas lágrimas escorrerem, e fazendo questão de dizer que aquela também era a casa dele. A cena foi curta. Durou menos de 40 segundos. Ainda assim, o sentimento daquele pai arrependido pôde ser observado com nitidez graças ao talento de Fagundes, assim como a tentativa de controle da emoção de Yaqub, que interrompeu o longo abraço. Cauã também merece elogios.

Porém, essa não foi a primeira vez que Antônio Fagundes protagonizou uma sequência assim. Ele já virou um expert em momentos de pura emoção ao lado de seus filhos da ficção. A cena de "Dois Irmãos" foi a quarta do intérprete vivenciando situações parecidas, guardadas as devidas proporções, obviamente ---- afinal, cada trama tem as suas particularidades.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Dominada por flashbacks, "Cidade dos Homens" não deveria ter voltado

"Cidade dos Homens" ficou no ar entre outubro de 2002 e dezembro de 2005. Foi uma coprodução bem-sucedida da Globo com a O2 Filmes e fez sucesso. Agora, a série voltou ao ar em quatro episódios (de 17/01 a 20/01), doze anos depois. Escrita por George Moura (responsável pelas primorosas "O Canto da Sereia", "Amores Roubados" e "O Rebu") e Daniel Adjafre --- dirigida por Pedro Morelli ---, a trama retorna mostrando os protagonistas mais maduros e com filhos.


Acerola (Douglas Silva) e Laranjinha (Darlan Cunha) mantêm o forte laço de amizade e agora são pais de dois garotinhos: Clayton (Carlos Eduardo Jay) e Davi (Luan Pessoa). As crianças representam uma espécie de substituição, como se assumissem a posição de futuros protagonistas da trama. Os meninos, por sinal, esbanjam carisma e têm a mesma sintonia que os atores agora mais experientes tiveram entre 2002 e 2005.

O enredo que envolve o quarteto é um típico dramalhão. Davi, filho de Laranjinha, tem um problema grave no coração e o rapaz descobre que a sua avó morreu da mesma doença. O menino precisa de uma cirurgia, mas o pai não tem dinheiro para pagar um hospital particular e depender da saúde pública é assinar o atestado de óbito da criança.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

"Sem Volta": um seriado mediano da Record

O seriado de ação da Record estreou, completamente gravado, no dia 4 de janeiro. Com 13 episódios e exibida diariamente, a trama foge da mesmice das produções bíblicas da emissora e só por isso já merece um justo reconhecimento. Criada por Gustavo Lipsztein e dirigida por Edgar Miranda, "Sem Volta" tem um quê de "Lost" (famoso seriado americano que fez sucesso no mundo) e "Supermax", formato exibido pela Globo ano passado.


A história narra a aventura de um grupo de montanhistas que partem para uma excursão na Serra dos Órgãos (Rio de Janeiro), onde escalam o perigoso Pico da Agulha do Diabo. No meio da expedição, já quando desciam, são surpreendidos por uma forte tromba d`água e acabam presos na mata. A partir de então, todos se veem isolados e precisando lutar pela sobrevivência enquanto não surge uma equipe de resgate. Uma situação observada nas séries citadas anteriormente e em outras produções, mas que costuma render momentos convidativos.

O telespectador acompanha os percalços do grupo, ao mesmo tempo que alguns flashbacks são exibidos mostrando acontecimentos que antecederam a excursão e que ajudam a apresentar os personagens. O mesmo recurso, vale lembrar, foi usado no início de "Supermax", quando os participantes do reality macabro tinham seus passados expostos para o público através de cenas de uns 3 minutos, no máximo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Mudanças não elevam a audiência e ainda prejudicam "A Lei do Amor"

A atual novela das nove estreou no dia 3 de outubro, ou seja, está há quatro meses no ar. Com encerramento previsto para abril, a trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari tem mais três meses pela frente. A produção teve uma ótima primeira fase voltada para o romance dos protagonistas e uma segunda repleta de atrativos em torno do enredo central, cheio de boas amarras. Porém, a audiência não correspondeu, o famigerado grupo de discussão reclamou de várias situações, a crítica especializada criticou o excesso de personagens e o resultado foi o pior possível: a mutilação da história em busca de um crescimento no Ibope.


Mas as alterações no enredo vem sendo feitas há pouco mais de um mês e os índices não apresentaram qualquer melhora. Para piorar, as mudanças na trama prejudicaram a novela significativamente, evidenciando a perda de rumo dos autores. Ou seja, mexeram para nada. Claro que ainda tem três meses de história no ar, entretanto, ainda assim, não deveriam ter mutilado tanto o folhetim visando somente a audiência. Até porque, bem ou mal, os índices são melhores que o do fiasco "Babilônia" e a primeira metade de "A Regra do Jogo".

Aliás, a última novela que sofreu desse mal foi justamente "Babilônia" e nenhuma alteração no enredo surtiu efeito, prejudicando o que já estava ruim. Só que no caso da obra de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga ficou claro que a história era fraca desde o início, ao contrário de "A Lei do Amor", que teve um promissor início, apresentando atrativos capítulos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Gabriella Mustafá, Juliana Paes e Eliane Giardini fizeram jus ao destaque de Zana em "Dois Irmãos"

"Dois Irmãos" vem se mostrando uma minissérie caprichada, repleta de cenas que exigem muito do elenco. A seleção de atores, por sinal, foi muito bem realizada. Luiz Fernando Carvalho foi preciso na escolha dos nomes e também na preocupação com a semelhança física de vários intérpretes em virtude das mudanças de fase (são três no total). E um dos maiores êxitos da produção foi o trio de atrizes interpretando a emocional Zana.


Gabriella Mustafá, Juliana Paes e Eliane Giardini honraram a importância dessa personagem do romance homônimo de Milton Hatoum. Cada uma pôde brilhar na sua fase correspondente e a precisão da caracterização deixou tudo ainda mais crível. As três realmente pareciam a mesma pessoa em épocas distintas. E ainda conseguiram passar toda a transformação emocional da mulher que sonhava em formar uma família, mas tropeçou miseravelmente na missão de ser uma boa mãe para seus três filhos.

A novata Gabriella participou somente do primeiro capítulo, o mais arrastado da minissérie, e se mostrou uma grata revelação. Apesar da sua curta participação, a atriz teve uma ótima química com Bruno Anacleto (Halim jovem) e soube transmitir o ar enigmático que cercava aquela menina sensual e de olhar sedutor.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Homenagem a Laura Cardoso foi o único bom momento de "Sol Nascente"

A atual novela das seis é uma das piores da faixa. A trama de Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer tem atores mal escalados, ritmo modorrento, trama insossa, conflitos desinteressantes e casal protagonista fraco. Um conjunto de equívocos. Portanto, não é surpresa constatar a quase ausência de cenas que mereçam menção no folhetim. São raras as sequências que valem algum elogio, por mais que parte do elenco se esforce. Porém, a volta de Laura Cardoso à produção rendeu uma bonita homenagem.


A grandiosa atriz precisou se afastar da trama por conta de uma infecção urinária e ficou praticamente dois meses ausente. A história, que já era fraca, ficou ainda pior sem ela, pois Dona Sinhá é uma das poucas personagens atrativas da novela. A vovó com cara de meiga finge ser uma velhinha boazinha, mas na verdade é uma estelionatária perigosa que passa por cima de qualquer um para atingir seus objetivos. Usa seu neto, César (Rafael Cardoso), para aplicar seus golpes e lavar dinheiro, ao mesmo tempo que planeja se vingar de Tanaka (Luis Melo).

O retorno de Sinhá se deu no bar Rota 94, que estava servindo de ambiente para uma festa com a reunião de todos os personagens. A sua entrada, tímida, com a câmera a focalizando de costas, foi exibida no final do capítulo de segunda-feira (09/01), resultando em uma gancho divertidíssimo, mesclando realidade e ficção. A senhorinha chegou e foi anunciada por Lenita (Letícia Spiller), sendo aplaudida de pé por todos.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"Dois Irmãos" estreia caprichada e com a forte marca de Luiz Fernando Carvalho

A Globo estrear uma minissérie caprichada no início do ano já virou um costume nos últimos anos. "O Canto da Sereia" (2013), "Amores Roubados" (2014), "Felizes para sempre?" (2015) e "Ligações Perigosas" (2016) são a prova disso. Agora, em 2017, a emissora resolveu lançar uma produção adiada por dois anos. "Dois Irmãos" foi gravada no final de 2014/início de 2015 e sua estreia era prevista para o ano seguinte, mas acabou adiada duas vezes. Porém, a espera finalmente acabou. A obra estreou nesta segunda-feira (09/01), logo após "A Lei do Amor", com um capítulo longo (quase uma hora e vinte de duração).


Livremente inspirada no romance homônimo de Milton Hatoum, a trama é escrita por Maria Camargo e dirigida por Luiz Fernando Carvalho. Por sinal, a direção de Luiz já pôde ser notada logo nas primeiras sequências, valorizando as expressões faciais e corporais dos atores, a luz ambiente e os cenários caprichados. O toque de poesia é constante, o que virou uma marca nas produções comandadas por ele ao longo dos anos. Há também uma teatralização em vários momentos, evidenciando mais uma característica do trabalho do diretor, que costuma explorar o máximo do seu elenco.

A história é ambientada em Manaus, entre 1920 e 1980, e conta a trajetória de uma família de libaneses através de Nael (Theo Kasper/Ryan Soares/Irandhir Santos), filho da índia Domingas (Sandra Paramim/Zahy Guajajara/Silvia Nobre), que narra a trama. O foco principal é a relação conflituosa dos gêmeos Omar e Yaqub (Enrico Rocha/Matheus Abreu/Cauã Reymond), que crescem vivendo uma rivalidade cada dia pior.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Elenco brilhou em "Escrava Mãe"

Após oito meses no ar, "Escrava Mãe" chegou ao fim honrando a boa impressão inicial. A produção foi ao ar toda gravada e o risco era alto, afinal, não poderia ser mexida caso houvesse rejeição. Mas não houve e nem poderia. É possível constatar, inclusive, que foi uma das melhores novelas da Record. A trama escrita por Gustavo Reis e dirigida por Ivan Zettel reuniu todos os elementos clássicos folhetinescos, sem se preocupar em fugir dos clichês. E funcionou. Entre os êxitos da produção esteve o elenco bem selecionado, principalmente levando em consideração a dificuldade da escalação, uma vez que a maioria dos nomes conhecidos segue na Globo e uma parte ainda estava trabalhando nas histórias bíblicas.


Ao contrário do que se esperava, o time não ficou frágil em virtude das dificuldades. Pelo contrário, se mostrou bem mais forte que o fraco elenco de "Os Dez Mandamentos", por exemplo. Foram vários os atores que se destacaram desde a estreia, entre eles a grande Zezé Motta. Intérprete da Tia Joaquina, a atriz engrandece qualquer produção e esteve irretocável na pele da escrava mais sábia e experiente da história. Fiel conselheira da mocinha Juliana (Gabriela Moreyra), a personagem foi a responsável pela narração do primeiro capítulo, sendo a representante da luta dos negros.

Apesar da curta participação, Antônio Petrin é outro que merece menção, pois seu Coronel Custódio foi brilhantemente defendido por ele. O fazendeiro era um homem íntegro e tratava seus escravos com respeito. Seu trágico desfecho, assassinado pela própria filha, encerrou o ciclo em grande estilo. Aliás, a assassina foi a arrogante Maria Isabel, vivida pela ótima Thais Fersoza.