segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Encantadora do início ao fim, "Orgulho e Paixão" foi a melhor novela de 2018

A primeira novela de Marcos Berstein como autor apresentou diversos problemas. "Além do Horizonte", exibida em 2013 na faixa das sete, foi um folhetim ousado e sofreu várias mudanças em virtude da baixa audiência ---- conseguindo ficar atrativa da metade para o final. O escritor desenvolvia a trama em parceria com Carlos Gregório e já havia trabalhado com João Emanuel Carneiro no roteiro do aclamado filme "Central do Brasil" (1998) e na ótima  série "A Cura" (2010). Chegou a ser também colaborador de Lícia Manzo na primorosa "A Vida da Gente" (2011). Após as experiências citadas, Marcos recebeu a missão de escrever um enredo como autor principal na Globo. Assim nasceu a deliciosa "Orgulho e Paixão", que, depois de 161 capítulos, chegou ao fim nesta segunda-feira (24/09), fechando seu ciclo com um capítulo belíssimo.


A estreia do autor em um trabalho solo não poderia ter sido melhor. Berstein foi muito inteligente em adaptar vários romances de sucesso da escritora inglesa Jane Austen em uma só novela, aproveitando todo o potencial que livros como "Razão e Sensibilidade (1811), "Orgulho e Preconceito" (1813), "Mansfield Park" (1814), "Emma (1815), "A Abadia de Northanger (1818)  e "Lady Susan" (1871) poderiam render. E como renderam bem. Ele inseriu vários personagens marcantes da autora em sua criação e conseguiu mesclá-los com outros novos perfis através um enredo bem construído e desenvolvido com habilidade, cuja maior qualidade foi o ritmo ágil. O telespectador não podia se dar ao luxo de perder um ou dois capítulos na semana.

A trama esteve recheada de personagens carismáticos e casais apaixonantes. Aliás, nunca antes um folhetim conseguiu apresentar tantos romances encantadores juntos. Não faltou par para "shippar" e Berstein fez questão de destacar cada um através ciclos que se abriam e fechavam dentro do enredo. Tanto que foram vários casamentos realizados bem antes das últimas semanas de novela. E, quase sempre, quando há casório na ficção antes do final é porque haverá alguma desgraça ao longo dos meses. Não foi o caso da trama das seis.

sábado, 22 de setembro de 2018

Irmãs Benedito foram defendidas por um quinteto de talento em "Orgulho e Paixão"

O elenco de "Orgulho e Paixão" foi bem escalado e quase todos os intérpretes tiveram chance de destaque. Mas o time feminino se mostrou impecável. Não teve uma atriz sequer que deixou a desejar ao longo da trama. Todas convenceram. E o quinteto central do enredo se mostrou um dos maiores êxitos do autor Marcos Berstein e do diretor Fred Mayrink, que escolheram nomes perfeitos para os perfis da família Benedito. Todas jovens talentos: Pâmela Tomé, Bruna Griphao, Nathalia Dill, Anaju Dorigon e Chandelly Braz.


Jane, Lídia, Elisabeta, Cecília e Mariana foram tipos que conseguiram conquistar o público com facilidade graças ao bom conjunto em torno da construção habilidosa do escritor e da interpretação das atrizes, que aproveitaram muito bem as oportunidades do roteiro. Carismáticas e corajosas, as personagens honraram o núcleo principal da trama e todas tiveram chance de um ótimo destaque ao longo dos meses. Claro que Elisabeta teve mais por representar a mocinha, mas as outras não foram subaproveitadas. Houve um esquema de rodízio desenvolvido com competência.

E todas tiveram suas peculiaridades, até mesmo na vestimenta. A preocupação da equipe de figurino em cima da cor preferencial de cada uma se tornou evidente, imprimindo um tom lúdico bem-vindo em uma novela solar e açucarada. Pareciam bonecas. Jane adotava tons azulados claros, Lídia um rosa mais patricinha, Elisabeta um vermelho/vinho poderoso, Cecília um verde limão e Mariana tons alaranjados.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Com a triste morte do Barão, Ary Fontoura fechou sua participação lindamente em "Orgulho e Paixão"

A presença de Ary Fontoura em "Orgulho e Paixão" foi luxuosa. O ator ficaria apenas nos primeiros meses de novela, pois o arrogante Barão de Ouro Verde morreria por volta do capítulo 40. Porém, o personagem fez um grande sucesso e Marcos Berstein mudou de ideia. Resolveu mantê-lo na trama até o final, alegrando o público através de cenas ótimas de pura rabugice de um homem falido que não tinha perdido a pose. Suas cenas com Rodrigo Simas (Ernesto), Agatha Moreira (Ema), Gabriela Duarte (Julieta) e Marcelo Faria (Aurélio) eram sempre merecedoras de elogios. Mas o autor fez questão de manter a morte do personagem na última semana de folhetim.


E Berstein reservou uma série de sequências que valorizaram o veterano e aproveitaram toda a capacidade dramática de Ary, que não era vista há um bom tempo, após uma série de perfis mais voltados para a comicidade nos últimos anos. Barão, parecendo que já sabia de sua partida, fez questão de se entender com todas as pessoas que amou. Declarou seu amor ao filho, Aurélio, e se emocionou com o casamento do herdeiro com Julieta. Ary e Marcelo Faria se destacaram com um momento lindo de ser ver.

Durante o Baile de Máscaras promovidos pelos noivos, o personagem resolveu se aproximar da filha, Tenória (Priscila Marinho), e pediu perdão pelo tempo que não tiveram juntos. Pela primeira vez, os dois deram um abraço bonito e selaram a paz. Mais um instante de pura emoção protagonizado pelo ator. O capítulo desta quinta-feira (20/09), por sinal, foi todo dele.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

"Espelho da Vida": o que esperar da próxima novela das seis?

O desafio da próxima novela das seis da Globo será dos maiores: substituir uma trama que caiu nas graças do público e da crítica com um enredo apaixonante, baseado em vários sucessos da escritora Jane Austen. São linguagens totalmente distintas. Sai de cena "Orgulho e Paixão", um folhetim solar e repleto de tipos sonhadores, e entra em seu lugar um enredo mais misterioso, em torno de vidas passadas. Sim, a autora é Elizabeth Jhin, que não esconde seu fascínio pelo tema do espiritismo e reencarnações.


Após explorar a temática na boa "Escrito nas Estrelas" (2010), na equivocada "Amor Eterno Amor" (2012) e na primorosa "Além do Tempo" (2015), a escritora vai repetir a investida em "Espelho da Vida", trama que estreia em 25 de setembro, próxima terça-feira. A premissa da nova novela, por sinal, é bastante parecida com a da última história de Elizabeth. Incluindo até a personalidade dos quatro personagens principais. A maior diferença é a divisão de fases. A anterior teve uma emblemática passagem de tempo de 150 anos, com todos os personagens reencarnados. A nova já começará, digamos, na segunda fase, que terá constantes intervenções de flashbacks de vidas passadas.

Cris Valência ---- Vitória Strada vivendo seu segundo papel na televisão e sua segunda mocinha, após "Tempo de Amar" ---- terá a sensação de estar passando pela mesma situação novamente assim que pisar em Rosa Branca, fictícia cidade de Minas Gerais, onde nasceu seu namorado Alain Dutra (João Vicente de Castro). É na localidade mineira que o rapaz vai filmar seu longa-metragem, que terá Cris como Júlia Castelo, a protagonista do filme.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Nathalia Dill viveu sua melhor mocinha em "Orgulho e Paixão"

Interpretar uma heroína de folhetim não é uma tarefa simples. Embora vários autores estejam se esforçando para construir mocinhas ativas nos últimos anos, esse tipo de perfil exige um cuidado redobrado para não irritar ou cansar o público. E, claro, a interpretação da atriz é vital para o bom resultado final. Nathalia Dill, por exemplo, já pode ser considerada uma especialista no assunto. Está interpretando sua quinta mocinha em "Orgulho e Paixão". Além do risco de ficar estigmatizada, tinha chances de cair na repetição. Mas nada disso aconteceu.


Pelo contrário. A atriz teve a sorte de ganhar um perfil muito bem construído por Marcos Berstein, inspirado na personagem homônima do romance "Orgulho e Preconceito", da escritora inglesa Jane Austen. Elisabeta Benedito é uma protagonista ativa, à frente do seu tempo (licença poética bastante válida, levando em conta o ano que se passa o enredo: 1910), corajosa, leal aos seus amigos e enfrenta seus inimigos de igual para igual. Embora reúna características que até poderiam resultar em um ar de superioridade, a filha mais velha de Ofélia (Vera Holtz) esbanja simpatia.

Nathalia Dill sempre esteve muito à vontade no papel e desde a estreia da novela vem protagonizando várias cenas merecedoras de elogios, tanto dramáticas quanto cômicas. Sua química com Thiago Lacerda (Darcy Williamson) é perceptível e sua sintonia com Agatha Moreira (Ema), Pâmela Tomé (Jane), Anaju Dorigon (Cecília), Chandelly Braz (Mariana) e Bruna Griphao (Lídia) resulta em sequências sempre delicadas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

"Popstar" estreia segunda temporada promissora e tem tudo para se firmar na grade da Globo

A primeira temporada do "Popstar" estreou ano passado e a Globo "deu um tiro no escuro". Com o cancelamento do interessante "Superstar", em virtude da baixa audiência, a emissora resolveu usar o formato do antigo programa (que lançava bandas) em uma nova atração com famosos cantando no mesmo palco e sendo avaliados por um juri repleto de estrelas. Não havia a menor ideia se daria certo. Mas deu. Embora o clima de Karaokê tenha marcado presença, o programa funcionou como um despretensioso entretenimento nas tardes de domingo. Então, a segunda temporada foi confirmada em 2017 e estreou neste domingo (16/09) com um novo time de famosos.


A maior mudança foi na apresentação. Fernanda Lima, envolvida em mais uma temporada do "Amor & Sexo", saiu de cena e foi substituída por Taís Araújo, estreando na função de apresentadora de programa de auditório. A atriz se saiu muito bem e não escondeu a emoção em várias apresentações. Nem parecia uma primeira experiência. Já Tiago Abravanel seguiu avulso, sendo o responsável por ler comentários sobre o formato e tendo pouca relevância ---- algo parecido com o que ocorre com Mariana Rios no "The Voice Brasil".

A escolha dos candidatos se mostrou bem interessante e quase todos os selecionados têm uma ótima voz. Jeniffer Nascimento, Lua Blanco, João Côrtes, Jonathan Azevedo, Malu Rodrigues, Renata Capucci, Carol Trendini, Sérgio Guizé, Fafy Siqueira e Samantha Schmutz foram os que mais se sobressaíram, demonstrando potencial para uma longa jornada na competição.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

"Orgulho e Paixão" tem lindos casais para todos os gostos

A atual novela das seis da Globo, infelizmente já na reta final, é encantadora. Mescla drama e humor de forma despretensiosa, apresenta uma história que atrai pela simplicidade e seus personagens se mostram muito bem delineados pelo autor. O fato de ser um enredo de época, ambientado em 1910, imprime um charme a mais ao folhetim e são vários os acertos da obra de Marcos Berstein, baseada em vários sucessos da escritora inglesa Jane Austen. Mas o principal trunfo é a elevada quantidade de bons pares românticos. Tem romance para todos os gostos.


Os mocinhos, por exemplo, são inteligentes e dificilmente são feitos de bobos pelos vilões por muito tempo. Darcy e Elisabeta vem sendo defendidos com competência por Thiago Lacerda e Nathalia Dill, que honram o protagonismo e apresentam uma boa sintonia. Os conhecidos perfis são do livro "Orgulho e Preconceito", de Jane, cuja maior referência até então havia sido no filme homônimo exibido em 2005, protagonizado por Keira Knightley e Matthew Macfadyen. Marcos e o diretor Fred Mayrink, entretanto, suavizaram Darcy, diminuindo a sisudez do rapaz, evitando uma possível rejeição do público noveleiro. Funcionou.

Errar no casal central é um dos muitos medos dos autores, mas Marcos Berstein não se contentou só em acertar com seus protagonistas. Se preocupou também com os demais e conseguiu criar pares tão encantadores quanto o principal. Jane (Pâmela Tomé) e Camilo (Maurício Destri), por exemplo, encabeçam outra deliciosa relação, porém, mais voltada para os clássicos da Disney.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

"Super Chef Celebridades" segue atrativo, mas votação popular prejudica o formato

A sétima temporada do "Super Chef Celebridades" estreou no dia 20 de agosto e o formato segue proporcionando para o público ótimos momentos, mesclando dicas importantes sobre cozinha com uma divertida disputa culinária. São três semanas no ar com várias provas gastronômicas, muitos Workshops e comentários bem-humorados de Ana Maria Braga e Louro José (Tom Veiga) a respeito do desempenho dos participantes.


O time de 2018, inclusive, foi muito bem selecionado. Rainer Cadete, Rafael Cortez, Raul Gazolla, Carla Diaz, Daiane dos Santos, Françoise Forton, Maria Joana e Rafael Zulu foram os escolhidos e todos se mostraram empenhados em aprender ao longo da competição. O fato do quadro estar há seis anos no ar implica, por sinal, em uma maior facilidade na escalação de artistas mais 'famosos' para o reality. No início, naturalmente, era mais complicado levar uma atriz como a Françoise, por exemplo.

O simpático Roland Villard seguiu como chef fixo do juri e novamente se destacou com bons comentários a respeito dos pratos de cada um  dos avaliados. As provas também primaram pelos desafios criativos e complicados para os participantes, que muitas vezes se viram em situações nada tranquilas diante do tempo.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Mocinhos burros e passivos irritam em "Segundo Sol"

Não é fácil construir mocinhos de novela, ainda mais com um público cada vez mais exigente. "Orgulho e Paixão" e "O Tempo Não Para" conseguiram passar com louvor nessa dura missão e as duas deliciosas novelas de sucesso da Globo estão com protagonistas ativos, carismáticos e que enfrentam os vilões sem qualquer receio. Já "Segundo Sol" foi reprovada. A trama de João Emanuel Carneiro falhou totalmente na missão de criar um casal que desperte torcida ou empatia.


Beto Falcão (Emílio Dantas) e Luzia Batista (Giovanna Antonelli) até pareciam perfis promissores no início da novela, mas logo viraram duas pessoas passivas, burras e covardes. O autor, por sinal, vendeu um folhetim protagonizado por um cantor de axé fracassado que forja sua própria morte e acaba virando um sucesso. Mas esse enredo não se sustentou nem por duas semanas. Logo foi engolido pela trama do roubo do filho da mocinha, praticado por Karola (Deborah Secco) e Laureta (Adriana Esteves), que arruinaram a vida da marisqueira.

O irônico é que as duas histórias se mostram limitadas e andam em círculos. Isso porque os personagens simplesmente não movem o roteiro. Nem mesmo as ditas vilãs. Os núcleos paralelos se mostram bem mais convidativos. Beto é um sujeito omisso e às vezes passa a impressão de não saber nem "em que novela está". Enganado por todos, o cantor seguiu casado com Karola mesmo depois de tudo o que Luzia contou sobre seu passado.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Cativantes, Miss Celine e Elmo formam um casal hilário em "O Tempo Não Para"

A atual novela das sete tem feito por merecer os elogios e o sucesso de audiência. "O Tempo Não Para" vem sendo conduzida com habilidade por Mário Teixeira, embora a direção de Leonardo Nogueira deixe a desejar em alguns momentos com cortes bruscos e cenas (publicadas antes pelo site GShow) que nem vão ao ar. A premissa da família de 1886 descongelada em 2018 vem rendendo bem até o momento. E um dos êxitos da trama tem sido o inusitado casal Miss Celine (Maria Eduarda de Carvalho) e Elmo (Felipe Simas).


O descongelamento da preceptora das irmãs menores de Marocas (Juliana Paiva) foi o mais diferente de todos: ela simplesmente se encantou com as novidades no novo século, ao contrário dos demais, que ficaram em choque a cada nova descoberta. E assim que a personagem entrou na história ficou claro que seria um dos destaques, valorizando o talento de Maria Eduarda. Não demorou para a letrada mulher conhecer o amigo atrapalhado de Samuca (Nicolas Prattes). Ele tentou salvá-la de um assalto, mas acabou espancado pelos ladrões. A partir de então os dois não se desgrudaram mais.

E aos poucos foram crescendo em cena, divertindo através das inúmeras diferenças. Miss Celine é refinada e seu vocabulário extenso, enquanto Elmo abusa das gírias e não apresenta um intelecto muito elevado. Tanto que os diálogos da dupla são os mais inspirados da novela, muitas vezes resultando em questionamentos imprevisíveis.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Eternizada como Odete Roitman, Beatriz Segall era uma atriz fantástica

Morreu nesta quarta-feira (05/06), aos 92 anos, Beatriz de Toledo Segall, uma das maiores atrizes do país. Intérprete da icônica Odete Roitman, vilã que entrou para a história da teledramaturgia, a profissional admirada por todos os colegas faleceu no hospital Albert Einsten, em São Paulo, onde estava internada por problemas respiratórios. Os últimos anos não foram fáceis, pois a atriz sofreu duas quedas: em 2013, tropeçou em pedras portuguesas e sofreu graves escoriações no Rio de Janeiro, e em 2015 se machucou com gravidade ao cair no palco durante a apresentação da peça "Nine - Um Musical Feliniano".


Foram mais de 70 anos dedicados aos palcos e à TV. Em 1950, estreou profissionalmente na peça "Manequim" e posteriormente integrou a companhia "Os Artistas Unidos". Em Paris, prosseguiu os seus estudos e conheceu Maurício Segall, filho do pintor judeu lituano Lasar Segall, com quem se casou em 1954 e teve três filhos, adotando o sobrenome que a marcou como atriz. Na época, por sinal, abandonou a carreira para cuidar da família e só retomou em 1964, na peça "Andorra".

Seu currículo teatral, inclusive, era vasto: "Marta Saré" (1968), "Hamlet" (1969), "A Longa Noite de Cristal" (1970), "Casamento de Fígaro" (1972), "Maflor (1977), "A Guerra Santa" (1993) "Três Mulheres Altas" (1995), "Estórias Roubadas" (2000), "Quarta-feira sem falta lá em casa" (2003) e "Conversando com a Mamãe" (2011) foram alguns espetáculos que contaram com seu talento.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Repletas de qualidades, "Orgulho e Paixão" e "O Tempo Não Para" honram suas respectivas faixas

A Globo vem enfrentando uma boa maré no quesito audiência com suas três novelas inéditas. O maior problema tem sido a reprise da ótima "Belíssima", com números bem abaixo do esperado, além de "Malhação - Vidas Brasileiras", que vem se mostrando um completo equívoco, fazendo por merecer os baixos índices. Porém, no quesito qualidade somada ao bom resultado com o público, "Orgulho e Paixão" e "O Tempo Não Para" são imbatíveis. Enquanto "Segundo Sol" vem em uma decrescente visível, falhando em vários aspectos de enredo e condução de personagens, as tramas das seis e das sete honram suas respectivas faixas.


A novela de Marcos Berstein, dirigida por Fred Mayrink, estreou em março e está a menos um mês de seu fim. A obra baseada em vários sucessos da escritora inglesa Jane Austen se mostrou um encanto logo no primeiro capítulo e impressiona como desde então nunca se perdeu. O autor vem conduzindo seu enredo com extrema precisão, movimentando os núcleos e promovendo ótimos conflitos ao longo dos meses. A produção não teve barriga (período onde nada de relevante ocorre) e consegue melhorar a cada novo acontecimento, emocionando e divertindo quem assiste.

Não há enrolação e os conflitos se resolvem rapidamente, sendo logo substituídos por novos dramas. Isso tudo sem perder a leveza e o romantismo. A grande quantidade de bons casais é um dos maiores trunfos do folhetim, assim como a presença de vilãs que provocam atrativas viradas no roteiro ---- vide as trapalhadas de Susana (Alessandra Negrini), a dissimulação de Josephine (Christine Fernandes) e a crueldade de Lady Margareth (Natália do Vale).

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Subaproveitados em "A Força do Querer", Juliana Paiva e Edson Celulari brilham em "O Tempo Não Para"

"A Força do Querer" foi a melhor novela de Glória Perez. E fez um merecido sucesso. A autora criou uma trama bem construída e repleta de bons personagens, além de atrativas viradas. No entanto, o folhetim também teve defeitos. E um deles foi o subaproveitamento de alguns atores, entre eles Juliana Paiva e Edson Celulari. Ela até protagonizou algumas boas cenas com a grande Lilia Cabral, mas nunca teve um conflito para chamar de seu. Já ele esteve avulso a trama toda e sua presença no enredo não fez diferença. Agora, todavia, os dois protagonizam "O Tempo Não Para".


Mário Teixeira foi muito feliz na escolha de Juliana para viver a mocinha Marocas e Edson para interpretar o patriarca da família Sabino Machado, congelada por 132 anos em um iceberg que foi parar no litoral de São Paulo. A ideia criativa do autor vem sendo, pelo menos até o momento, muito bem desdobrada e todos os personagens que viviam em 1886 vêm se destacando em cenas que mesclam humor e drama com habilidade em pleno 2018. Os atores são alguns dos principais trunfos da produção.

Juliana empresta seu evidente carisma ao papel e a protagonista conquista o telespectador com grande facilidade. Aliás, já caiu nas graças do público logo na estreia da novela. Ativa, com um vocabulário riquíssimo e um quê de ingenuidade, a mocinha é defendida por uma atriz que domina a cena e profere longos textos sem parecer decoradinho, o que era um risco em virtude da quantidade de palavras pouco usuais que Maria Marcolina usa no mundo contemporâneo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Susana e Petúlia formam uma dupla perfeita em "Orgulho e Paixão"

A atual novela das seis da Globo, agora perto de seu fim, faz por merecer a sucessão de elogios. A trama de Marcos Berstein, dirigida por Fred Mayrink e baseada em vários clássicos da escritora Jane Austen, não perde o bom ritmo em momento algum e está sempre apresentando bons desdobramentos ao longo das semanas. Os perfis carismáticos e o elenco bem escalado são outros pontos positivos já citados do enredo. Entre os ótimos atores que se destacam, é preciso mencionar uma dupla perfeita: Alessandra Negrini e Grace Gianoukas.


Susana e Petúlia são aquelas vilãs que provocam mais risos do que ódio no público. Interesseiras e debochadas, as duas estão constantemente armando mil planos que raramente dão certo. Para piorar, quando funcionam, não costumam durar muito, ainda que ambas não sejam descobertas. No começo, a patroa descontava na empregada todas as humilhações que era obrigada a ouvir de Julieta (Gabriela Duarte), representando uma espécie de "cadeia alimentar" de poder. Mas a serviçal nunca liga para as patadas e ainda se aproveita dos presentinhos que ganha assim que obedece alguma ordem.

É verdade que Susana parecia ter bem mais importância no enredo nas primeiras chamadas de "Orgulho e Paixão". Teoricamente, seria a grande vilã do folhetim, representando a pedra no sapato do romance dos mocinhos Darcy (Thiago Lacerda) e Elisabeta (Nathalia Dill). E no início da trama isso realmente ocorreu.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Com Maura e Ionan em "Segundo Sol", autor copia o que há de pior nas suas novelas passadas

Enquanto "Orgulho e Paixão" explora a homossexualidade de uma forma delicada e bem construída, "Segundo Sol" desce a ladeira através de um triângulo amoroso desenvolvido de forma totalmente equivocada por João Emanuel Carneiro. A atual novela do horário nobre da Globo vem se perdendo ao longo dos capítulos e agora o alvo da vez foi um dos núcleos secundários que aparentemente mais prometia no enredo, dirigido por Dennis Carvalho e Maria de Médici.


A condição sexual de Maura (Nanda Costa) sempre foi muito clara no folhetim e a retração da personagem era uma das suas principais características. Isso porque tinha medo de assumir o seu relacionamento com Selma (Carol Fazu). As duas tinham um caso e Selma traía o marido (que depois faleceu em um acidente) com a policial. Ou seja, o início dessa relação já não foi bem colocado pelo escritor ---- nem sequer foi exposto como se conheceram. Ainda assim, os perfis cresciam juntos e o momento em que o ''namoro" foi descoberto por Nice (Kelzy Ecard) resultou em uma ótima sequência dramática.

"Estou cansada de fingir ser normal", disse Maura em um diálogo emocionante com sua mãe. Vale lembrar ainda uma cena em que a policial falou com todas as letras para seu colega de farda --- e então melhor amigo --- Ionan (Armando Babaioff) que gostava era de mulher. Ou seja, nunca foi bissexual, ao contrário de Selma.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

"Orgulho e Paixão" trata homossexualidade de forma delicada e bem construída

Não é fácil abordar relações homossexuais em novelas, mesmo em pleno 2018. O beijo de Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), no sucesso "Amor à Vida", em 2013, entrou para a história da teledramaturgia e serviu como incentivo para maiores ousadias em futuras novelas. Walcyr soube criar um casal que caiu no gosto popular, despertando uma imensa torcida. Infelizmente, errou feio com Samuel (Eriberto Leão) e Cido (Rafael Zulu) em "O Outro Lado do Paraíso". Mas esse passo do autor virou um marco. Tanto que o casal "Feliko" pode ter influenciado indiretamente o delicado relacionamento visto em "Orgulho e Paixão".


Além das inúmeras qualidades já listadas da atual trama das seis, Marcos Berstein conseguiu construir uma linda relação que cativou o telespectador aos poucos. Luccino (Juliano Laham) era um perfil de pouca importância no enredo e o Capitão Otávio (Pedro Henrique Muller) mal tinha falas, era apenas a dupla de Randolfo (Miguel Rômulo). Porém, o autor soube aproveitar o contexto envolvendo Mariana (Chandelly Braz) para destacar o italianinho. Isso porque o rapaz se viu confuso quando se interessou pela melhor amiga vestida de "Mário".

O tempo serviu para mostrar ao público a angústia de um homem de 1910 ao se constatar homossexual. Retraído e tímido, Luccino tentou negar a si mesmo sua condição, mas não conseguiu seguir com o autoengano assim que se aproximou do capitão. Otávio, por sinal, ia se casar com Lídia (Bruna Griphao) e ficou aliviado quando a filha de Ofélia (Vera Holtz) fugiu da igreja atrás de Uirapuru (Bruno Gissoni), o pai de seu filho.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

SBT aposta no público adolescente com "Z4", mas não abandona o infantil

O SBT se firmou na produção de novelas infantis e o imenso sucesso de "As Aventuras de Poliana", em segundo lugar isolado desde a estreia, é a prova disso. Mas o canal de Silvio Santos resolveu apostar no público adolescente com "Z4", nova série que estreou no dia 25 de julho, ocupando a faixa que antecede o "Programa do Ratinho". E ficou evidente a preocupação em não afastar as crianças deste novo projeto, procurando apenas agregar uma outra faixa etária.


Produzida em parceria com a Disney Channel, a produtora Formata e a Sony Music, a trama conta a história de um grupo de jovens que sonha com o estrelato. O produtor musical Zé Toledo (Werner Schunemann) há anos não emplaca uma banda de sucesso  e, a cada dia que passa, é mais ignorado na indústria fonográfica. Disposto a provar que ainda consegue emplacar um novo fenômeno, Zé decide montar uma boyband.

Para atingir seu objetivo, convoca Luca (Pedro Rezende), youtuber popular com milhões de seguidores; Enzo (Apollo Costa), jovem de família rica criado para apreciar música clássica; Paulo (Gabriel Santana), um dançarino que enfrenta dificuldades na vida; e Rafael (Matheus Lustosa), garoto tímido que compõe canções de amor. Para executar sua missão, o  produtor conta com a ajuda da filha Pâmela (Manu Gavassi), que trabalha como professora de dança.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Casamento de Ernesto e Ema emociona em "Orgulho e Paixão"

A atual novela das seis da Globo tem marcado ponto no blog praticamente toda semana. Isso porque Marcos Berstein vem presenteando o público com vários momentos bem construídos e interpretados. "Orgulho e Paixão" segue repleta de acontecimentos, prendendo o telespectador diante da tela. Não por acaso a audiência está tão satisfatória. Após as cenas tocantes de Mariana (Chandelly Braz) sofrendo nas mãos de Xavier (Ricardo Tozzi) e da constatação de Luccino (Juliano Laham) a respeito da sua homossexualidade, a trama emocionou com o casamento de Ema (Agatha Moreira) e Ernesto (Rodrigo Simas), exibido nesta segunda-feira (20/08).


O italiano sem papas na língua já estava planejando a surpresa para sua Baronesinha e as trapalhadas dos demais personagens para esconder o segredo rendiam momentos hilários. O casório surpresa para a casamenteira do Vale do Café não poderia ter sido mais apropriado. Depois de tanto empenho para juntar vários pares, chegou a vez dos amigos prepararem o momento mais sonhado pela menina. Até mesmo a prova do vestido de noiva resultou em algo delicado em virtude do deslumbramento de Ema com a beleza da roupa, para a alegria de Ludmila (Laila Zaid) e Elisabeta (Nathalia Dill).

A cena do casamento foi uma das mais lindas da novela e arrepiou quem assistiu. O instante em que a porta da igreja se abriu e a melhor amiga da mocinha viu seu pai a esperando para levá-la até Ernesto foi de uma sensibilidade ímpar. Destaque para a direção de Fred Mayrink. A troca de olhares dos atores complementou toda a delicadeza da sequência, expondo a sintonia entre Agatha Moreira e Rodrigo Simas, presente desde o início da história.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Em constante mudança, "Vídeo Show" perde o rumo

O "Vídeo Show" já sofreu tantas modificações que já ficou até difícil enumerá-las. Afinal, está há 35 anos no ar. E nos últimos anos houve até uma certa estabilidade na atração. Após vários tropeços, o formato tinha se encontrado com a dupla Mônica Iozzi e Otaviano Costa em 2015. Porém, o período turbulento voltou com a saída dela (a atitude mais equivocada da apresentadora, vale ressaltar). Ao menos, a produção conseguiu um equilíbrio com o tempo fixando Otaviano ao lado de Joaquim Lopes e depois Sophia Abrahão. Parecia tudo certo. Todavia, um novo maremoto surgiu: Otaviano deixou a apresentação.


Foram cinco anos no comando do programa vespertino da Globo. O apresentador mostrou um projeto para a emissora e o mesmo acabou aprovado, ou seja, ele ganhou uma atração para chamar de sua com previsão de estreia para janeiro de 2019. Nada impediria, portanto, sua permanência ao menos até dezembro. Mas ele deixou a apresentação assim que o "Vídeo Show" voltou do período de recesso da Copa do Mundo, em julho. E a mudança foi drástica.

Saiu Otaviano e três ex-BBBs foram escolhidas para a composição do time. Sophia ganhou a companhia de Vivian Amorim, Fernanda Keulla e Ana Clara. Já a repórter Marcela Valente (a mais antiga na função) agora passou a dividir as reportagens com o ator Felipe Tito, além de Vivian e Fernanda que também fazem algumas matérias.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Texto repleto de boas tiradas e trama divertida marcam início de "O Tempo Não Para"

A novela das sete ainda não tem nem um mês no ar, mas já é possível afirmar com certa tranquilidade que a história de Mário Teixeira reúne as maiores qualidades de uma ótima novela das sete. Há carisma de sobra em vários personagens e a ideia de inserir uma família de 1886 em 2018 tem sido desenvolvida de maneira genial, resultando em cenas impagáveis. O contexto absurdo não implicou em algo ridículo, o que era um risco bem viável.


Muito pelo contrário, a trama tem um charme que faz o telespectador mergulhar naquela história com facilidade. E Mário foi feliz em descongelar os personagens aos poucos, aproveitando bem o choque cultural de cada um. A primeira foi Marocas (Juliana Paiva), que logo encantou o íntegro Samucas (Nicolas Prattes) e vem protagonizando momentos hilários ao lado do rapaz. A mocinha é uma das melhores personagens da novela e Juliana está irretocável, ainda mais com a quantidade de texto que precisa decorar. Impossível não se apaixonar por Maria Marcolina.

Já o segundo a despertar 132 anos depois foi Dom Sabino (Edson Celulari em grande momento, após ter sido desvalorizado em "A Força do Querer"). O patriarca da família Sabino Machado fez uma bonita amizade com Eliseu (Milton Gonçalves), um humilde catador de rua, e a dupla ainda tem muito para render, principalmente em cima da abolição da escravidão e dos resquícios de um passado não tão distante.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Mesmo ambientada em 1910, "Orgulho e Paixão" consegue abordar temas atuais com habilidade

O popular "merchandising social" pode ser um problema para qualquer trama. O risco de soar gratuito é considerável e o caso da equivocada "Malhação - Vidas Brasileiras" é um bom exemplo. Abordar questões atuais em uma novela de época, então, é ainda mais complicado. Mas, Marcos Berstein vem conseguindo explorar várias situações com maestria em "Orgulho e Paixão".


Elogiar a ótima novela das seis da Globo virou uma constante e o capítulo desta terça (14/08) conseguiu surpreender o público com duas abordagens importantes. A primeira foi a violência contra a mulher, sofrida por Mariana (Chandelly Braz), que se viu sequestrada pelo asqueroso Xavier (Ricardo Tozzi). Após ter se livrado do disfarce de Mário e mostrado para todos os corredores que eles perderam a corrida de moto para uma mulher, a filha de Ofélia (Vera Holtz) quebrou um paradigma em 1910 e provocou a ira do inimigo de Brandão (Malvino Salvador).

Para se vingar, o personagem seguiu ordens de Lady Margareth (Natália do Vale) e prendeu a moça em um cativeiro para cortar os seus cabelos. A cena foi forte e Chandelly protagonizou a sua melhor sequência na trama, emocionando do início ao fim. A atriz expôs o desespero e a dor daquela corajosa mulher que se viu impotente diante da covardia de um homem.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Romance de Aurélio e Julieta encanta em "Orgulho e Paixão"

Marcos Berstein vem conseguindo apresentar para o público capítulos construídos com habilidade no atual folhetim das 18h, ainda que não tenham muitos acontecimentos relevantes em alguns, o que é natural em qualquer novela. "Orgulho e Paixão" é agradável de ser acompanhada até em cenas exclusivamente românticas, mesmo que não afetem o andamento da história. E como há uma sucessão de bons casais, os muitos momentos açucarados recheiam a produção. No último sábado (11/08), por exemplo, chegou a vez de Aurélio (Marcelo Faria) e Julieta (Gabriela Duarte).


A esperada primeira relação do par teve o texto delicado do autor, a química incontestável dos atores e a libertação da angústia da personagem mais complexa da novela. A Rainha do Café nunca se recuperou dos estupros constantes do finado marido e carregava uma energia pesada, representada por uma postura arrogante e intimidadora. Nem mesmo o filho Camilo (Maurício Destri) conseguia quebrar esse ar gélido da mãe, que sempre tocou seus negócios com extremo rigor. Aurélio veio para trazê-la para o caminho da serenidade.

O casal é um dos muitos trunfos da gostosa trama das seis e Berstein sempre fez questão de valorizar os atores, que viraram o destaque do núcleo. Todavia, é preciso mencionar que o início da relação poderia ter sido desenvolvido de forma mais crível pelo escritor.