sexta-feira, 16 de novembro de 2018

"Espelho da Vida" é uma boa novela, mas precisa avançar

A atual novela das seis ainda nem chegou na metade. Há muito drama pela frente. Elizabeth Jhin novamente aposta em um enredo voltado para reencarnações e, após o êxito da elogiada "Além do Tempo", conseguiu elaborar um enredo central promissor. É o maior trunfo de seu folhetim. Tudo o que envolve o passado da enigmática Júlia Castelo (Vitória Strada) desperta atenção e curiosidade a respeito do desenrolar dos acontecimentos. Mas "Espelho da Vida" precisa avançar.


Todo novelista tem um estilo de narrativa e Elizabeth nunca foi caracterizada pela agilidade. Assim como Lícia Manzo e Manoel Carlos, citando apenas dois exemplos, a autora não tem pressa em contar sua história. No entanto, a novela que aborda uma misteriosa viagem no tempo vem pecando na excessiva falta de ritmo. Até o momento, cada semana apresenta apenas um acontecimento relevante e olhe lá. Normalmente, inclusive, é um gancho de um dia que se desdobra brevemente no no início do capítulo seguinte.

É muito pouco para fidelizar o telespectador. Até porque, inevitavelmente, ocorre uma comparação com o folhetim anterior, "Orgulho & Paixão", de Marcos Berstein, que tinha como principal qualidade o ritmo ágil e o dinamismo dos capítulos, sempre repletos de conflito. O público não podia se dar ao luxo de perder um ou dois dias de novela. Não por acaso fez um merecido sucesso.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Jeniffer Nascimento e Malu Rodrigues foram as vencedoras do "Popstar"

A segunda temporada do "Popstar" conseguiu ser melhor que a primeira. A estreia do formato, ano passado, foi cercada de compreensíveis desconfianças. Afinal, daria certo ver atores, atrizes e até jornalistas se apresentando como cantores no palco? Mas deu. Claro, alguns intérpretes dividem as artes cênicas com o meio musical ao longo da carreira e se saem bem melhor que os "amadores". No entanto, essa mistura de participantes funcionou. E as grandes vencedoras da edição de 2018 foram Jeniffer Nascimento e Malu Rodrigues.


Duas vencedoras? Sim. Pouco importa, nesse caso, o título de campeã da competição musical. As duas tiveram uma oportunidade maravilhosa. Além de talentosas atrizes, ambas têm uma trajetória na música, infelizmente, pouco conhecida para grande parte do público. Até porque o espaço no mercado musical segue dominado por sertanejos, gênero não explorado por elas. A primeira faz questão de valorizar o pop e a segunda a MPB. E como valorizam bem. Com vozes potentes e afinadas, as cantoras brilharam em todas as apresentações.

Jeniffer resolveu mostrar seu talento vocal no "Fábrica de Estrelas", reality do canal pago Multishow, em 2012. Foi uma das vencedoras e passou a integrar o grupo "Girls" ---- o intuito do programa era formar uma nova banda de mulheres. Infelizmente, no início de 2014 o grupo acabou desfeito. Porém, ficou evidente o quão promissora era a menina.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

"O Sétimo Guardião" faz boa estreia com toques de mistério e terror

"Existem lugares que guardam grandes histórias e histórias que guardam verdadeiros mistérios. Até quando você conseguiria guardar um segredo?" Esse é o principal questionamento de "O Sétimo Guardião", nova produção das nove. Após a problemática e decepcionante novela de João Emanuel Carneiro, a criticada "Segundo Sol", o horário nobre passa a contar com um folhetim de Aguinaldo Silva. Sai de cena uma história contada na Bahia e entra em seu lugar um enredo ambientado em Serro Azul, fictícia cidade interiorana --- cercada por montanhas que impedem sinal de celular e internet ---, onde tudo acontece.


O novo folhetim, que estreou nesta segunda-feira (12/11), marca a volta do autor ao realismo fantástico, estilo que virou uma de suas principais marcas como novelista. A cidade criada para ambientar a história é vizinha de Tubiacanca e Greenville, cenários de "Fera Ferida" e "A Indomada", respectivamente ---- duas produções de Aguinaldo. O intuito do escritor é justamente misturar as várias novelas fantasiosas que criou ao longo da carreira. É uma espécie de homenagem a si mesmo. Tanto que seu intuito era trazer vários personagens icônicos para a trama, como Nazaré. Mas, como Renata Sorrah não quis reviver a sua vilã inesquecível (decisão acertada, vale ressaltar), o autor acabou se contentando em escalar Paulo Betti e Luiza Tomé para relembrar o sucesso do casal Ypiranga e Scarlet, em "A Indomada" ---- eles aparecerão em breve.

Mas a premissa mesmo da novela é sobre sete guardiães, cuja missão consiste em proteger uma fonte de água com propriedades curativas e rejuvenescedoras. Todos precisam manter a discrição do lugar e impedir que caia nas mãos de pessoas erradas. E os protetores têm uma vida comum.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Silvio Santos precisa aprender a hora de parar

O apresentador, empresário e comunicador Silvio Santos é um ídolo nacional. O povo ama. E há razão de sobra para isso, afinal, são 88 anos de vida e mais de 40 dedicados ao público através de icônicos programas de auditório, além de ter conseguido sua própria emissora, o SBT. No entanto, nos últimos anos, Silvio vem se destacando pelas suas declarações infelizes e piadas de quinta categoria. O que antes era engraçado, de uns tempos para cá ficou constrangedor. E a última temporada do Teleton apenas comprovou isso.


A vigésima primeira edição do programa que busca ajuda para a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), exibida no último sábado (10/11), contou com a presença de vários artistas --- alguns das emissoras concorrentes ---, como ocorre em todos os anos, e mais uma vez a meta foi atingida. A iniciativa é sempre muito importante. Todavia, a presença de Silvio Santos na parte final da atração acabou se tornando um momento de constrangimento ----- vale lembrar que anos atrás era justamente o maior trunfo do formato.

O que o apresentador fez com Cláudia Leitte foi um completo absurdo. Silvio simplesmente se recusou a abraçá-la porque a cantora poderia deixá-lo excitado. Ela não escondeu o desconforto com a situação, mas ele insistiu e chegou a repetir a frase várias vezes. Obviamente, era mais uma piada do comunicador. Mas não teve a menor graça. Para ninguém.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Duramente criticada e com audiência abaixo das expectativas, "Segundo Sol" foi uma grande decepção

O fenômeno "Avenida Brasil", exibido em 2012, colocou João Emanuel Carneiro em um outro patamar. Após três novelas de grande sucesso ---- "Da Cor do Pecado", "Cobras & Lagartos" e "A Favorita" ----, o autor conseguiu emplacar uma produção que parou o Brasil e virou um dos folhetins mais exportados da Globo. Parecia a consagração da sua carreira. Porém, a trama que marcou o duelo inesquecível de Carminha e Rita virou uma espécie de "maldição" para o escritor. Desde então, João não consegue mais desenvolver uma boa história que prenda o público. Fracassou com "A Regra do Jogo", em 2015, e agora produziu o seu pior enredo com "Segundo Sol", que chegou ao fim nesta sexta-feira (09/11).


A novela, dirigida por Dennis Carvalho e Maria de Médici, parecia promissora no início, mesmo diante da avalanche de críticas (merecidas) em torno da ausência de atores negros em um enredo ambientado na Bahia. Afinal, a premissa em torno de um fracassado cantor de axé, que se transformava em ídolo nacional quando sua falsa morte era divulgada na imprensa, despertava interesse. Emílio Dantas logo se destacou na pele do carismático Beto Falcão. Porém, logo no segundo capítulo ficou claro que a história verdadeira da novela não era essa e ,sim, sobre Luzia (Giovanna Antonelli), marisqueira que se apaixonava à primeira vista pelo cantor e tinha sua vida arruinada pelas vilãs Karola (Deborah Secco) e Laureta (Adriana Esteves).

Isso não seria um problema se a trama da personagem fosse atrativa e bem conduzida. Mas não foi. A mocinha sofreu o tempo todo e passou a novela inteira fugindo da polícia e das mulheres que a destruíram, enquanto Beto se anulou e teve sua importância bastante diminuída na história. Os ditos protagonistas eram tão burros e passivos que não havia como torcer por eles.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Destaque em "Segundo Sol" e "Assédio", Adriana Esteves é uma atriz que sempre se sobressai

Enaltecer o trabalho de uma grande atriz é sempre necessário, mas, inevitavelmente, acaba caindo em uma espécie de "mais do mesmo". Difícil não cair na repetição de elogios, ainda que merecidos. É o  caso de Adriana Esteves, ótima em "Segundo Sol" e um dos destaques da série "Assédio", cujo primeiro episódio foi exibido recentemente na televisão com o intuito de divulgar a plataforma Globo Play.


A intérprete já é uma profissional consagrada e isso se deve ao longo caminho que vem percorrendo desde que estreou na Globo, como figurante em "Vale Tudo" (1988). Sua carreira começou de fato quando participou de um quadro no "Domingão do Faustão", em 1989, e ganhou a chance de participar de um folhetim com um papel para chamar de seu. E viveu a Tininha em "Top Model" (1989). No ano seguinte, surpreendeu em "Meu Bem, Meu Mal" na pele da Patrícia Melo, uma das personagens principais.

Mas em 1993 enfrentou seu pior momento: duramente criticada pela interpretação em "Renascer", a atriz chegou a entrar em depressão e cogitou desistir da carreira. Porém, seu desempenho na pele da sonsa Mariana não mereceu a quantidade de críticas da época. A verdade é que a personagem foi muito mal conduzida por Benedito Ruy Barbosa e gerou antipatia no público.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

"O Sétimo Guardião": o que esperar da próxima novela das nove?

A próxima produção da faixa nobre da Globo enfrentou uma saga digna de novela antes de ser confirmada como o novo folhetim das nove. Aliás, segue enfrentando. Isso porque um dos alunos de Aguinaldo Silva moveu uma ação contra o autor para ser reconhecido como coautor do enredo de "O Sétimo Guardião", que estreia no dia 12 de novembro. Silvio Cerceau alega que a história nasceu e tomou forma dentro da sala de aula ---- o novelista administra a Masterclass, um curso de roteiro para novos escritores.


A atitude do rapaz, obviamente, gerou uma polêmica que até hoje repercute e rende entraves na justiça. Silvio de Abreu, atual responsável pelo setor de teledramaturgia da Globo, resolveu arquivar a novela ano passado por conta dos possíveis desdobramentos desse processo. Afinal, haveria a chance até de proibir a exibição da trama. Porém, a emissora acabou se cercando de 'medidas protetivas' e se garantiu em torno de qualquer consequência jurídica. Então, a historia foi 'desengavetada'.

O problema é que Aguinaldo já estava produzindo outra novela e não queria retomar esse projeto de jeito nenhum. Outro impasse surgiu. Após um período de convencimento, o autor decidiu aceitar o pedido de Silvio de Abreu e arquivou seu novo projeto para voltar ao folhetim que com certeza rendeu um de seus maiores aborrecimentos na carreira. Detalhe que tudo isso aconteceu em 2017. Mas, ainda assim, a atual produção segue rendendo assunto em torno desse embate entre aluno e professor.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Nem o núcleo da família de Severo, trama mais atrativa de "Segundo Sol", escapou da perda de rumo do autor

"Segundo Sol" está em sua última semana e a trama de João Emanuel Carneiro apresentou um festival de equívocos. O autor enfiou os pés pelas mãos ao longo dos meses e acabou destruindo gradativamente uma trama que poderia ter sido ao menos mediana. Conhecido por criar enredos centrais ótimos e paralelos péssimos, o escritor inverteu a lógica no atual folhetim. Os secundários foram bem mais interessantes que o forçado drama dos pamonhas Luzia (Giovanna Antonelli) e Beto (Emílio Dantas). Ainda assim, só um núcleo realmente se sobressaiu positivamente na produção: o da família de Severo Athayde (Odilon Wagner).


Desde o início da história, dirigida por Dennis Carvalho e Maria de Médici, as situações expostas em meios a barracos cheios de acusações e ofensas se mostraram atrativas em virtude das muitas falhas de caráter de todos os envolvidos. Os personagens despertaram atenção e os atores se destacaram rapidamente, comprovando o acerto da escalação. O corrupto Severo construiu uma família sem um pingo de carinho, cuja a maior identidade era a instabilidade emocional generalizada. Até mesmo a justa empregada Zefa (Claudia Di Moura) acabava responsável por muitas das desgraças que permeavam os moradores da mansão.

Severo sempre foi um sujeito sem escrúpulos e não se preocupou em assumir o filho negro que teve com a empregada. Roberval (Fabrício Boliveira) virou um sujeito vingativo e amargo quando descobriu toda a verdade. O empresário só quis assumir o filho branco, mas nunca deu um pingo de carinho a Edgar (Caco Ciocler) e sentia um prazer mórbido em humilhar o rapaz, que acabou virando um sujeito passivo e instável.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Coletiva de "O Sétimo Guardião" promove um delicioso passeio pelo mundo da fantasia

A Globo promoveu a coletiva de lançamento de "O Sétimo Guardião", nova novela das nove que estreia no dia 12 de novembro, nesta terça-feira (30/10), nos Estúdios Globo --- antigo Projac ---, e fui um dos convidados. A emissora proporcionou um grande passeio da imprensa pela impressionante cidade cenográfica da trama de Aguinaldo Silva e reuniu o elenco de peso da produção, dirigida por Rogério Gomes.


A nova história marca a volta do autor ao realismo fantástico, estilo que o consagrou em folhetins como "Tieta", "Pedra sobre Pedra", "A Indomada" e "Fera Ferida". Tanto que a fictícia Serro Azul é uma cidade interiorana vizinha de Greenville e Tubiacanga, locais cheios de tipos pitorescos criados por Aguinaldo que ficaram na memória do público justamente pelas duas últimas novelas citadas. E, propositalmente, é um lugar cercado por montanhas que impedem a chegada de internet e celular. Tudo para facilitar a vida do escritor, claro.

A equipe produziu casas lindas e simples, remetendo ao interior do país. A emissora, por sinal, apostou alto no enredo do autor. É a maior cidade cenográfica já produzida no Projac, com 18 mil metros quadrados. Tem bordel, delegacia, loja de produtos naturais, prefeitura com dois andares, igreja, vendinhas, hotel, enfim.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Marjorie Estiano impressiona com sua entrega em "Sob Pressão"

As qualidades de "Sob Pressão" são inúmeras e todas já foram detalhadas neste blog. A trama de Jorge Furtado, escrita por Lucas Paraizo e equipe, dirigida por Andrucha Waddington, é a melhor série da Globo em anos. O elenco repleto de talentos e com participações especiais luxuosas expõe a preocupação em engrandecer o enredo com atuações admiráveis. E Marjorie Estiano é um dos maiores destaques.


A atriz, ao lado do seu colega Júlio Andrade (Dr. Evandro), protagonizava o longa homônimo, baseado no livro "Sob Pressão - A Rotina de Guerra de um Médico Brasileiro", escrito por Márcio Maranhão. Ela e Júlio deram um show na pele do casal principal. Mas a série, que estreou em 2017, proporcionou um aprofundamento dos personagens bastante necessário para a compreensão em torno da difícil vida daqueles médicos tão íntegros. E o drama pessoal de Carolina serviu para extrair o melhor de sua intérprete.

Aos poucos, o público foi descobrindo que o trauma que implicava nas automutilações da doutora era a sua relação com o pai. José Luis (Luis Melo) abusava da filha e Carolina cresceu com essa ferida nunca cicatrizada. Com o intuito de "se punir", a personagem sempre acaba se machucando com um canivete (ou qualquer objeto cortante) depois que passa por qualquer tipo de estresse acima do "normal".