quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Tudo sobre a coletiva online de "Laços de Família" - Parte 2

A Globo promoveu duas coletivas on line para a volta de "Laços de Família" no "Vale a Pena Ver de Novo". Uma na última quinta-feira de agosto (dia 27, cujo link pode ser conferido aqui) e a outra na primeira quinta de setembro (dia 03). Fui convidado para as duas. A primeira contou com com Tony Ramos, Carolina Dieckmann, Deborah Secco, Ana Carbatti, Luigi Barricelli, Regiane Alves e Giovanna Antonelli. Já a segunda teve a presença de Marieta Severo, Reynaldo Gianecchini, Juliana Paes, Zé Victor Castiel, Soraya Ravenle e Alexandre Borges. Agora conto um pouco de tudo o que foi falado nesta segunda parte das entrevistas.


Todos falaram com muito carinho do clássico de Manoel Carlos e perguntei para Juliana Paes se a atriz gostou do final de sua personagem ou se mudaria algo caso fosse o autor por um dia. Estendi o questionamento aos demais, menos para Soraya e Zé Victor, pois Yvete e Viriato eram muito queridos pelo público e o final feliz do marido que tinha impotência sexual ao lado de sua esposa era o esperado. Mas os demais finais --- se você faz parte do raro grupo que nunca viu a novela, pode parar de ler porque há vários spoilers a partir deste parágrafo --- são bastante questionáveis e controversos.

Juliana me contou que no primeiro momento ficou muito triste com a morte da Rita, empregada constantemente assediada pelo patrão Danilo (Alexandre Borges). Mas depois percebeu que a repercussão foi alta e gostou. "Morrer numa novela do Maneco é uma experiência inesquecível. Porque parando para pensar, se Rita tivesse os bebês e tocasse sua vidinha não haveria grandes acontecimentos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Repleta de situações constrangedoras e personagens rasos, "Fina Estampa" não merecia qualquer reprise

A audiência prova que a Globo acertou em cheio quando escolheu "Fina Estampa" para ser reprisada no lugar de "Amor de Mãe", que teve as gravações interrompidas por conta da pandemia do coronavírus. Os elevados índices têm feito a alegria da emissora e são bem maiores que os números alcançados pela antecessora, escrita por Manuela Dias. Ainda assim não repetiu o sucesso de 2011, como aconteceu com "Êta Mundo Bom!" e "Totalmente Demais", que repetiram e até superaram as expectativas. Porém, deixando esse fator um pouco de lado, é fato que a trama de Aguinaldo Silva foi uma das piores do autor e só perde (ou talvez empate) para "O Sétimo Guardião", o último grande fracasso recente do escritor no horário nobre.


A trama central se baseia no chavão da mãe batalhadora que é humilhada pelo filho ambicioso e bonitão. A mulher em questão atende pelo nome peculiar de 'Griselda' e é interpretada pela grande Lília Cabral. Ainda entra em um triângulo amoroso com uma perua fútil e um homem educado e rico. René (Dalton Vigh) se interessa pelo lado puro da protagonista, o que provoca o ódio de sua esposa, Tereza Cristina (Christiane Torloni). E a vilã tem um mordomo (Crô - Marcelo Serrado), um gay caricato, que é tratado como um capacho. Um conjunto de clichês que costuma funcionar. Porém, nada disso se sustentou por muito tempo na época e fica possível constatar facilmente na reprise que chega ao fim nesta sexta-feira (18/09).

Tereza Cristina tentava ser engraçada em certos momentos e cruel em outros, mas nunca conseguiu. Christiane Torloni procurava fazer o que era proposto, mas sua vilã era tão irritante e sem rumo que a atriz não conseguia uma atuação digna de aplausos. Nem podia fazer milagre.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Volta de Sofia rendeu a melhor virada de "Totalmente Demais"

A volta de Sofia (Priscila Steinman) movimentou "Totalmente Demais" e promoveu uma atrativa virada na história de Rosane Svartman e Paulo Halm. A sociopata foi responsável por vários momentos tensos na novela das sete e o encerramento do ciclo dessa personagem proporcionou impactantes cenas, implicando em uma sucessão de ótimos acontecimentos que prenderam o público novamente com a reprise, que vem marcando mais audiência que os índices alcançados na época, em 2016. A morte da vilã e o sequestro de Eliza (Marina Ruy Barbosa) resultaram em sequências dignas de último capítulo.


Na última, a trama chegou ao seu ápice de tensão quando Sofia levou a irmã para jantar com o intuito de dopá-la, sequestrá-la e matá-la com a ajuda de Jacaré (Sérgio Malheiros). Enquanto o plano da sociopata seguia, Cassandra (Juliana Paiva) desmascarava a cunhada com a ajuda da irmã Débora (Olívia Torres), que confirmou todas as acusações da atrapalhada personagem através do resultado do teste feito na comida servida pela víbora no último jantar familiar ---- ela dopou a mãe, o pai, o irmão e os empregados da casa para roubar as joias guardadas no cofre da família.

Todos os acontecimentos estiveram voltados para Sofia, que encerrou o capítulo sequestrando a irmã com a ajuda do comparsa, enquanto todos já haviam constatado que a menina era uma mau-caráter. O capítulo, na época, quebrou o recorde de audiência da novela, atingindo 35 pontos em São Paulo e 39 pontos no Rio de Janeiro, índices impressionantes e que não eram obtidos desde 2012 ---- época de "Cheias de Charme", outro fenômeno das sete.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

"Amor e Sorte" tem deliciosa estreia com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres

A pandemia do novo coronavírus implicou na interrupção das gravações de todas as produções de teledramaturgia da Globo. Agora, aos poucos, as duas novelas interrompidas ("Salve-se Quem Puder" e "Amor de Mãe") retomaram os trabalhos. A emissora conseguiu boas soluções inéditas para engrandecer um pouco seu catálogo na Globoplay (durante os 6 meses de recesso) com produtos gravados na casa dos envolvidos, vide "Sinta-se em Casa", Cada Um no Seu Quadrado" e "Diário de um Confinado". Já "Amor e Sorte" foi produzida para a TV aberta e a nova série estreou nesta terça-feira (08/09).


É o primeiro produto inédito da Globo em meio ao período da pandemia. Não deixa de ser um respiro de novidade para o telespectador; afinal, a grade do setor de teledramaturgia da emissora vem utilizando reprises desde março e assim seguirá até o início de 2021 (com razão). A série é uma criação de Jorge Furtado e tem quatro episódios protagonizados por uma dupla de personagens que muda toda semana. E a ideia para garantir a segurança de todos foi a escolha do elenco: só atores que moram juntos, ou como família ou como casal. Tudo gravado na residência dos intérpretes que estão em quarentena, onde eles mesmos dividiram a função de câmera, iluminação, direção e atuação.

Fernanda Torres e Fernanda Montenegro protagonizam o primeiro episódio chamado "Gilda e Lúcia" ----- os próximos são protagonizados por Lázaro Ramos e Taís Araújo ("Linha de Raciocínio"); Luisa Arraes e Caio Blat ("A Beleza Salvará o Mundo") e Emílio Dantas e Fabíula Nascimento ("Territórios").

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Tudo sobre a coletiva online de "Laços de Família" - Parte 1

Na última quinta-feira de agosto, dia 27, a Globo promoveu uma coletiva virtual, via Zoom, com parte do elenco de "Laços de Família", um dos maiores clássicos de Manoel Carlos. Fui um dos convidados e o bate-papo fluiu com facilidade. O grande sucesso do autor estreou no "Vale a Pena Ver de Novo" nesta segunda-feira, dia 7, e Tony Ramos, Carolina Dieckmann, Deborah Secco, Ana Carbatti, Regiane Alves, Luigi Barricelli e Giovanna Antonelli participaram da conversa sobre a volta de um trabalho tão marcante.


Após o sucesso de "Por Amor" (1997), Manoel Carlos precisava encarar dois difíceis desafios: emplacar uma outra grande novela no horário nobre e ainda substituir o fenômeno "Terra Nostra" (1999), de Benedito Ruy Barbosa, que estava no ar até o final de maio. Apesar da nada simples nova empreitada, a missão foi cumprida com louvor através da envolvente e bem escrita "Laços de Família", folhetim que completou 20 anos no dia 5 de junho, data de sua estreia no ano 2000. Foram 209 capítulos de um dramalhão de qualidade.

Dirigida por Ricardo Waddington, a novela conta a história do amor incondicional que uma mãe tem por sua filha. A mãe foi mais uma Helena do autor e interpretada muito bem por Vera Fisher. Já a filha, a mimada Camila, foi vivida por Carolina Dieckmann. A trama, ambientada no bairro do Leblon, começa às vésperas do Réveillon de 2000, com um pequeno acidente de trânsito envolvendo a protagonista e Edu (Reynaldo Gianecchini estreando na televisão), um médico recém-formado.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Rosi Campos se destacou merecidamente em "Êta Mundo Bom!"

Uma das qualidades de Walcyr Carrasco é a valorização dos atores experientes. Eles são destacados em todas as suas novelas e o autor sempre faz questão de presenteá-los com bons papéis. Tanto que os casais de 'veteranos' costumam ter uma boa importância nas suas histórias, protagonizando cenas sensíveis e bem escritas. Baseado no histórico mencionado, a escalação de Rosi Campos para "Êta Mundo Bom!" foi uma ótima notícia. E, assim que o folhetim estreou, ficou perceptível que a intérprete seria valorizada como merecia.


A atriz ganhou a carismática Eponina ---- que havia sido escrita para a também talentosa Jandira Martini (que não pôde aceitar em virtude de compromissos com o teatro) ----, praticamente uma Cinderela que passou da idade de viver o primeiro amor e encontrar seu príncipe. Ingênua, atrapalhada e com um forte sotaque caipira, a personagem é uma das principais do ótimo núcleo da fazenda e um dos grandes destaques da novela. Considerada um estorvo na família, a irmã de Quinzinho (Arty Fontoura) não tem uma relação amistosa com a cunhada Cunegundes (Elizabeth Savalla), mas foi praticamente a mãe postiça de Candinho (Sérgio Guizé) e Mafalda (Camila Queiroz), tendo ainda um imenso carinho por Filó (Débora Nascimento) e Quincas (Miguel Rômulo).

A virginal senhora ainda é apaixonada pelas rádio-novelas e tem uma autoestima bastante elevada, pois sempre achava que os homens que iam à fazenda estavam interessados em seu decote e suas 'ancas'. Rosi Campos sempre foi uma ótima comediante e incorporou uma caipira pura brilhantemente, se adaptando ao texto do autor, com quem trabalhava pela primeira vez.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Valeu a pena rever o show de Eliane Giardini em "Êta Mundo Bom!"

A reprise de "Êta Mundo Bom!" está quase encerrando seu ciclo. Entre os muitos acertos da novela de Walcyr Carrasco (dirigida por Jorge Fernando), exibida pela primeira vez em 2016, vale destacar a escalação do elenco, repleto de talentos em sua grande maioria, tendo apenas umas três ou quatro exceções. Muitos atores tiveram a oportunidade de brilhar durante a trama. E uma das melhores atrizes do time foi Eliane Giardini, que ganhou um grande papel, cuja importância pôde ser acompanhada ao longo de oito meses de novela.


Anastácia é um dos perfis mais íntegros da história e mãe de Candinho (Sérgio Guizé), o protagonista do folhetim. No início, o telespectador acompanhou a saga da dona da fábrica de sabonetes Aroma em busca do filho. Isso porque seu autoritário pai tirou o bebê de seus braços assim que nasceu e mandou matá-lo. Mas uma empregada se recusou a executar o serviço e acabou colocando a criança em um rio. Tudo foi acompanhado no primeiro capítulo, aumentando o envolvimento do telespectador com aquele tocante e folhetinesco enredo.

Ao contrário do que se imaginava, o reencontro de mãe e filho não demorou muito e ocorreu antes da metade da novela. Eliane e Sérgio protagonizaram a cena mais linda da trama e emocionaram. A partir de então, a personagem entrou em uma nova fase, desta vez ao lado de Candinho e iniciando um romance com o professor Pancrácio (Marco Nanini).

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Daphne Bozaski fez de Benê um dos trunfos de "Malhação - Viva a Diferença"

"Malhação - Viva a Diferença" fez um justo sucesso de público e crítica. A escolha para ser reprisada durante a paralisação das gravações nos Estúdios Globo por conta da pandemia do novo coronavírus não foi por acaso. As razões para tamanho êxito foram muitas e uma delas a escolha certeira do time de protagonistas. Tanto na escalação das atrizes, quanto na construção das cinco personagens. O autor Cao Hamburger e o diretor Paulo Silvestrini foram muito felizes. Entretanto, embora todas as meninas tenham sido apaixonantes, recheadas de qualidades e defeitos, houve uma que sempre se destacou em virtude da sua 'diferença', que acabou sendo a mais visível: a fofa Benê.


Daphne Bozaski esteve perfeita na composição primorosa de sua personagem, que tinha o sério risco de virar uma caricatura pouco crível. A menina doce, extremamente carente e com aspecto de nerd sofria de Síndrome de Asperger, um grau mais leve de autismo. Esse transtorno neurobiológico é pouco conhecido e o autor acertou em cheio quando o colocou em uma de suas protagonistas. Embora só tenha sido falado claramente na trama perto da reta final, o problema foi exposto através das atitudes da menina.

Benedita tem problemas de convívio social e sempre foi uma pessoa solitária. Tudo mudou quando conheceu Lica (Manoela Aliperti), Ellen (Heslaine Vieira), Keyla (Gabriela Medvedovski) e Tina (Ana Hikari) no metrô, fazendo questão de adicioná-las no WhatsApp, organizando um novo quinteto que se tornou inseparável. Contudo, as dificuldades da frágil menina sempre se mostraram presentes, apesar dessa evolução em torno de um maior vínculo de amizade.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Reprise de "Novo Mundo" em 2020 merecia o mesmo sucesso de 2017

A Globo teve uma estratégia bem pensada para as suas reprises durante a pandemia do coronavírus que implicou no término das gravações de todas as produções inéditas na teledramaturgia. "Fina Estampa" e "Totalmente Demais" foram escolhidas por conta da elevada audiência e sucesso popular. No caso do folhetim das sete, somado a um conjunto de qualidades que faltou no enredo péssimo das nove. Já "Malhação - Viva a Diferença" e "Novo Mundo" a questão dos ótimos índices também fizeram a diferença, mas houve uma preocupação a mais: o lançamento das "continuações". O seriado adolescente terá um spin-off chamado "As Five" na Globoplay, em novembro, enquanto o caso da trama das 18h será no canal aberto com o título de "Nos Tempos do Imperador", em 2021. E a produção das seis foi primorosa.


O folhetim que fez um grande sucesso em 2017 não repetiu o mesmo êxito na reexibição. Mas a produção foi uma escolha acertada da emissora para preparar o público para a saga sobre Dom Pedro II (Selton Mello) que contará com alguns personagens de "Novo Mundo", como Licurgo (Guilherme Piva), Germana (Vivianne Pasmanter), Quinzinho (Theo de Almeida) e a filha de Anna (Isabelle Drummond) e Joaquim (Chay Suede), citando apenas os mais importantes. Alessandro Marson e Thereza Falcão são os autores das duas novelas e a chance de repetirem os acertos vistos na atual reprise é bem elevada. Até porque não é uma continuação explícita. Quem não viu a obra anterior não terá problemas em entender o novo enredo.

No entanto, quem não viu "Novo Mundo" deveria ter aproveitado a oportunidade. A trama, dirigida com competência por Vinícius Coimbra, primou pelo capricho do primeiro ao último capítulo, mesclando contextos históricos com o folhetim tradicional, havendo espaço ainda para momentos de pura fantasia, remetendo aos clássicos da Disney, como "Piratas do Caribe".

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Candinho, de "Êta Mundo Bom!", foi o melhor papel de Sérgio Guizé

Um dos maiores desafios de Walcyr Carrasco, Jorge Fernando e equipe era a escalação do protagonista de "Êta Mundo Bom!". Afinal, a novela conta a história de Candinho, personagem do clássico "Cândido, ou o otimismo", do filósofo Voltaire, que ainda foi interpretado pelo grande e saudoso Mazzaropi na adaptação da sátira para o cinema em 1954. Era uma responsabilidade imensa a escolha do intérprete para o folhetim. Mas, desde o primeiro capítulo, ficou perceptível que a produção se saiu muito bem na escalação e a escolha foi certeira. Sérgio Guizé esteve impecável e a reprise no "Vale a Pena Ver de Novo" comprova.


O caipira ingênuo coube perfeitamente na figura do ator, que conseguiu incorporar o personagem de uma forma impressionante. O papel exige muitos riscos, pois qualquer deslize implica em uma caricatura desnecessária e prejudicial ao protagonista. A figura central da novela tem um peso ainda maior do que um perfil 'normal'. Há sempre uma linha tênue a ser seguida e Sérgio conseguiu atingir o objetivo com louvor. Muitas vezes pareceu o Mazzaropi, até mesmo no jeito de andar e em alguns trejeitos, enquanto em outras imprimiu um tom particular para Candinho. Uma mistura mais do que bem-vinda.

O protagonista é o grande fio condutor da novela das seis e a representa tudo o que o enredo quer transmitir: o otimismo e a alegria de viver. Tendo como lema "Tudo o que acontece de ruim na vida da gente é para melhorar" ---- frase dita várias vezes pelo professor Pancrácio (grande amigo e praticamente pai do rapaz) ----, Candinho nunca perdeu o encanto pela humanidade, mesmo tendo sido separado de sua mãe assim que nasceu e virado um mero empregado rejeitado na família que o adotou.