segunda-feira, 26 de junho de 2017

Bom ator, Fábio Assunção merece respeito e precisa aceitar ajuda

O ator Fábio Assunção foi preso em flagrante no último sábado (24/06), na cidade de Arcoverde (sertão de Pernambuco), sob acusação de dano qualificado ao patrimônio público, desacato a autoridade, desobediência e resistência a prisão. Ele pagou fiança e foi liberado. As imagens divulgadas na internet mostraram o intérprete com o nariz sangrando, bêbado e completamente alterado, esbanjando agressividade.


A 'espetacularização' das imagens do estado degradante do ator mostra que a sociedade está realmente doente. O deboche de várias pessoas, inclusive das que estavam ao redor do ator no local, comprova que muitas vezes o sucesso desperta ódio e inveja a ponto de torcer para o naufrágio de quem conseguiu chegar a um patamar de prestígio. Triste isso. Mas, é fato que não foi a primeira vez que o profissional se envolveu em polêmicas. Sua carreira está marcada por várias situações em torno da dependência química.

Em 2008, o ator foi escalado para viver o malandro Dodi, em "A Favorita" (de João Emanuel Carneiro), mas desistiu do papel e a suspeita na época era justamente o vício em drogas. No mesmo ano, em "Negócio da China", novela das seis de Miguel Falabella, ele ganhou o mocinho Heitor.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Reprise de "Por Amor" no Viva relembra a essência de Manoel Carlos

"Por Amor" foi um dos maiores sucessos do consagrado Manoel Carlos e deixou sua marca na história da teledramaturgia. Qualquer telespectador que ama novelas lembra o enredo desse folhetim tão envolvente do autor. A trama foi reprisada no "Vale A Pena Ver De Novo" entre julho de 2002 e janeiro de 2003, repetindo o êxito com o público. Já em 2010, pouco tempo depois da inauguração do Viva, foi a vez de ser reexibida no canal a cabo. Agora, passados sete anos, a produção vem sendo reprisada novamente pelo mesmo Viva.


Inicialmente, essa re-reprise foi bastante questionada pelos telespectadores do canal, que acharam um absurdo passar mais uma vez uma obra que já tinha ido ao ar anos antes, tendo tantos outros folhetins antigos disponíveis. De fato, a decisão do Viva surpreendeu. Porém, embora realmente reprisar uma trama já reexibida seja discutível, "Por Amor" é um produto que nunca se esgota. Maneco esteve inspiradíssimo e esse foi um de seus melhores e mais aclamados trabalhos. Tanto que a qualidade do conjunto pode ser mais uma vez observada com clareza.

A Helena vivida por Regina Duarte foi uma das melhores do escritor, levando em consideração que a grande atriz já havia interpretado outra Helena em "História de Amor", do mesmo Maneco, tão bem construída quanto ---- e outra em "Páginas da Vida". O título da obra, inclusive, foi claramente referente ao ato assustador da protagonista, que não titubeou em trocar o neto morto pelo seu filho vivo em uma das cenas mais marcantes e densas da teledramaturgia.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Renato Góes e Sophie Charlotte honram o protagonismo de "Os Dias Eram Assim"

A atual produção das onze (que a Globo teima em chamar de "supersérie", mas não passa de uma novela como todas as anteriores) tem qualidades, como a trilha sonora selecionada a dedo e o elenco recheado de talentos. Entretanto, o roteiro é o principal defeito. Há poucos conflitos e a história não se sustenta. O único drama do enredo é o romance dos mocinhos, que movem todos os demais personagens, direta ou indiretamente. E em virtude de tamanha importância, é vital elogiar o desempenho de Renato Góes e Sophie Charlotte.


Os dois estão irretocáveis, fazendo jus ao protagonismo da história. Renato e Alice são perfis bem construídos pelas autoras Alessandra Poggi e Angela Chaves, que se preocuparam em fugir do pedantismo de muitos mocinhos, inserindo uma firmeza admirável na postura de ambos, cujas características se mostram cativantes e humanas. Eles esbanjam integridade, mas não são chatos ou bonzinhos demais. Sabem se impor sempre que necessário e não abaixam a cabeça para ninguém. Posturas assim nas décadas de 70 e 80 (época de Ditadura, conservadorismo e repressão) demonstravam uma coragem bem maior do que hoje em dia.

Renato representa a classe média e Alice a elite, onde a família dele foi destruída emocionalmente pela dela. O pai da mocinha, em conluio com o noivo da mesma, obrigou a mãe do mocinho a compactuar com a falsa morte do rapaz com o objetivo de separá-lo da heroína em troca da 'proteção' de Gustavo (Gabriel Leone), que havia sido preso pelos militares.

terça-feira, 20 de junho de 2017

"Malhação - Viva A Diferença" apresenta protagonistas bem construídas e cinco atrizes talentosas

No ar há pouco mais de um mês (estreou no dia 8 de maio), "Malhação - Viva a Diferença" já pode ser considerada um acerto. A temporada de Cao Hamburger, dirigida por Paulo Silvestrini, vem abordando temas importantes de forma séria e o enredo muito bem escrito pelo autor é repleto de qualidades. A audiência, por sinal, está correspondendo (a média está acima dos 20 pontos, excelente índice e o maior em dez anos de "Malhação"). E um dos muitos êxitos da atual fase é a escolha (e construção) das cinco protagonistas.


Keyla (Gabriela Medvedovski), Tina (Ana Hikari), Ellen (Heslaine Vieira), Lica (Manoela Aliperti) e Benê (Daphne Bozaski) são perfis cativantes e totalmente verossímeis, representando a adolescência de uma forma nada maniqueísta. Não há boazinha e nem malvada, há meninas em busca de seus desejos e com muitos dilemas, repletas de virtudes e defeitos. São todas cem por cento humanas, precisando lidar todos os dias com as diferenças que tinham tudo para separá-las, mas que só as unem mais.

Os perfis foram construídos com extrema habilidade pelo autor e a escalação podia colocar tudo a perder. Afinal, atrizes fracas não conseguiriam passar todas as nuances das protagonistas, aniquilando o DNA do roteiro dessa temporada. E o risco era elevado, pois "Malhação" lança talentos desde a sua estreia, em 1995. Ou seja, os escolhidos são sempre novatos, implicando em uma chance maior de tropeços.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Letícia Colin e Isabelle Drummond repetem a bem-sucedida parceria de "Sete Vidas" em "Novo Mundo"

"Novo Mundo" vem presenteando o telespectador com uma produção caprichada, bons personagens e história convidativa. Não por acaso vem fazendo sucesso. E um dos muitos acertos da novela escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão, dirigida por Vinícius Coimbra, foi a escalação de duas atrizes talentosas: Letícia Colin e Isabelle Drummond. As intérpretes de Leopoldina e Anna Millman estão impecáveis desde o primeiro capítulo e ambas repetem a bem-sucedida parceria que tiveram na primorosa "Sete Vidas", trama das seis, de Lícia Manzo, exibida em 2015.


A princesa e sua professora de português são amigas e cúmplices. A relação próxima das duas foi evidenciada logo na estreia e os autores aproveitaram o dado histórico para beneficiar o folhetim. Afinal, segundo consta, Leopoldina realmente teve uma pessoa para auxiliá-la na língua e os responsáveis pela trama resolveram transformar essa mulher na mocinha do enredo e na confidente da personagem histórica. Deu certo. E uma das causas do êxito é, justamente, o elogiado trabalho anterior das intérpretes.

Em "Sete Vidas", as duas eram Elisa e Júlia. Primas que se consideravam irmãs. As meninas também eram confidentes no enredo envolvente e delicado de Lícia Manzo, protagonizando inúmeras cenas emocionantes e complicadas dramaticamente. O desempenho delas foi admirável, imprimindo toda a carga necessária em cada conflito dos perfis. Até porque as novelas da autora têm muito mais texto do que 'ação'.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

"Edifício Paraíso": uma boa série do GNT

Após a exibição da terceira temporada de "Questão de Família" (seguiu ótima) e "Os Homens são de Marte" (já cansativa), o GNT estreou, na primeira segunda-feira de junho (05/06), "Edifício Paraíso", nova série do canal a cabo escrita por Alexandre Machado e Fernanda Young. A produção tem 15 episódios, todos já disponíveis no GNT Play, e é exibida diariamente, ao contrário das duas outras recém-terminadas (exibidas semanalmente).


A premissa é criativa. Aborda a discussão de cinco casais vizinhos, com cada par morando em um andar no tal edifício que corresponde ao título. A briga de um começa depois que eles escutam o barraco de outro e por aí vai. Outra particularidade da série é o tempo: tudo se passa em uma noite. Ou seja, o relógio é mostrado para o telespectador sempre que um embate cede lugar ao outro. Por isso mesmo o cenário da história é o apartamento de cada morador.

Os personagens são bem construídos e as relações provocam identificação pela similaridade dos temas explorados em cada "DR" (discussão de relacionamento). Todo mundo já viveu alguma daquelas situações, por mais que o texto ferino dos autores ---- responsáveis pelos ótimos "Os Normais", "Os Aspones", "Separação?!", "Como Aproveitar o Fim do Mundo", "Macho Man", entre outros ---- esteja presente sempre.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Ótimos em "A Força do Querer", Dan Stulbach e Maria Fernanda Cândido voltaram às novelas em grande estilo

Ele estava longe das novelas há seis anos e ela não participava de um folhetim inteiro há 13 anos (as fracas "Fina Estampa" e "Como Uma Onda" foram as últimas de cada um, respectivamente). Agora, Dan Stulbach e Maria Fernanda Cândido estão de volta na ótima "A Força do Querer", escrita por Glória Perez e dirigida por Rogério Gomes, em pleno horário nobre da Globo, e fazendo uma dobradinha merecedora de muitos elogios.


A autora os presenteou com perfis densos e bem construídos. Eugênio e Joyce são casados, mas enfrentam problemas nessa relação e também com os dois filhos. Ele é um sujeito íntegro e doce, enquanto ela é uma mulher autoritária e fútil. As diferenças sempre estiveram presentes, mas o relacionamento conseguia uma harmonia. De uns anos para cá, todavia, essas questões começaram a afastá-los. Tanto que o marido vem mergulhando mais no trabalho e a esposa vem se dedicando cada vez mais a controlar a vida de Ruy (Fiuk) e Ivana (Carol Duarte).

O relacionamento sofreu um abalo maior com a chegada de Irene (Débora Falabella), oportunista que tenta dar um golpe em Eugênio. O contexto, por sinal, lembra muito o triângulo protagonizado por Alexandre Borges (Raul Cadore), Débora Bloch (Silvia) e Letícia Sabatella (Yvone) em "Caminho das Índias", da mesma autora. Porém, a trama atual vem sendo bem melhor desenvolvida, além dos perfis serem bem mais atrativos.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

"A Favorita": a novela mais ousada de João Emanuel Carneiro

João Emanuel Carneiro ainda não tem muitas produções como autor titular na televisão. São cinco novelas e uma série. Levando em consideração os autores mais experientes, é uma lista pequena. Entretanto, sua carreira já é repleta de sucessos. Pode-se constatar, inclusive, que "A Regra do Jogo", seu folhetim mais recente, é a sua pior produção até agora (mesmo tendo sido uma novela regular), comparando com seus bons trabalhos anteriores. E, entre todas as suas histórias já produzidas, não há dúvidas de que a mais ousada e bem escrita foi "A Favorita", exibida em 2008, que completou nove anos no último dia 2.


A novela marcou a teledramaturgia porque começou a ser exibida para o público sem as 'determinações' clássicas a respeito de quem era mocinha e quem era vilã. O telespectador não ficou na condição privilegiada de saber o contexto do enredo, muito pelo contrário, ele simplesmente passou a fazer parte daquela trama, podendo ser enganado ou não pelas duas principais personagens. Eram duas versões de uma mesma história e a pergunta exposta no teaser era: "Quem está falando a verdade?". Um dos atrativos era justamente bancar o detetive, analisando o comportamento dos perfis.

O público se viu na mesma condição dos personagens, não podendo, portanto, julgar quem acreditava ou não acreditava em quem. Afinal, o telespectador ficou tão em dúvida quanto várias figuras pertencentes ao enredo tão bem trabalhado pelo autor. Porém, João, muito inteligentemente, soube induzir com competência, abusando de esteriótipos clássicos em folhetins.

terça-feira, 6 de junho de 2017

"Pega Pega" tem estreia tímida e pouco convidativa

Saiu de cena um romance musical, escrito pela estreante Maria Helena Nascimento, e entrou no lugar uma comédia policial, também de uma autora novata. "Rock Story" foi um êxito e a missão de Claudia Souto é manter o bom nível do horário das sete da Globo com "Pega Pega", uma trama que falará de ética com muito humor, apresentando como foco central um roubo milionário praticado por   quatro pessoas que nunca cometeram um crime antes.


A autora trabalhou como roteirista de programas como "TV Colosso", "Casseta e Planeta: Urgente", "Sai de Baixo", entre outros. Também foi colaboradora de Walcyr Carrasco em "Sete Pecados", "Caras & Bocas" e "Morde & Assopra", além de ter feito parte da equipe de roteiristas de "Alto Astral", trama de Daniel Ortiz. A responsabilidade de conduzir um enredo de sua própria autoria, dirigido por Luiz Henrique Rios (responsável por "Malhação Sonhos" e "Totalmente Demais"), é grande e agora ela terá que mostrar seu talento A sinopse, por sinal, é arriscada.

Explorar o roubo de um hotel é uma ótima premissa, mas será que tem estrutura para se sustentar por tantos meses? Só o tempo irá dizer e o primeiro capítulo terminou com um gancho que expõe o começo desse plano. Malagueta (Marcelo Serrado) chamou Júlio (Thiago Martins), Sandra Helena (Nanda Costa) e Agnaldo (João Baldasserini) para o roubo dos 40 milhões de dólares que serão usados como pagamento na venda do Hotel Carioca Palace, onde o quarteto trabalha.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Mesclando música e romance, "Rock Story" cumpriu sua missão com louvor

A estreia de Maria Helena Nascimento como autora solo na Globo foi a melhor possível. A sua primeira novela --- após 20 anos de casa e de ter trabalhado como colaboradora de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, entre outros --- ousou ao quebrar a sequência de comédias românticas que a faixa das sete vinha exibindo com êxito e conseguiu conquistar o público com uma história simples, mas repleta de histórias convidativas e bons personagens. O resultado foi um folhetim gostoso de ser acompanhado, cujos deslizes (observados principalmente nos dois últimos meses) ficaram menores que os acertos.


A trama, que teve uma ótima direção de Dennis Carvalho e Maria de Médicis, apresentou a música como protagonista e usou o rock como elemento diferenciador. Afinal, o gênero tem cada vez menos espaço nas rádios e na televisão em virtude da dominação quase total do sertanejo, funk e afins. Portanto, tê-o como foco em um enredo foi muito benéfico e a ideia de contar a trajetória de um roqueiro decadente não poderia ter sido melhor. Gui Santiago foi um protagonista apaixonante e a escolha de Vladimir Brichta --- marcando seu retorno às novelas após 12 anos ---- se mostrou de uma precisão cirúrgica.

O ator deu um show vivendo um perfil nada politicamente correto e cheio de defeitos. Não foi difícil torcer por ele de imediato. Nathalia Dill, por sua vez, novamente se destacou e convenceu na pele da destemida Júlia, tendo uma clara sintonia com Vladimir. Ela ainda brilhou vivendo a gêmea Lorena e é uma pena que a irmã malvada da mocinha não tenha sido bem aproveitada pela autora.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Na pele da emponderada Jeiza, Paolla Oliveira se sobressai em "A Força do Querer"

"A Força do Querer" vem apresentando um ótimo início. Glória Perez está conseguindo despertar a atenção do público com uma trama concisa e bem estruturada, cujos conflitos vêm sendo conduzidos com competência, ao menos até agora. E um dos acertos da novela é a escolha das protagonistas, pois os três perfis femininos são fortes e ganharam intérpretes talentosas. Bibi (Juliana Paes), Ritinha (Isis Valverde) e Jeiza movem o enredo. E Paolla Oliveira tem se sobressaído em virtude do bom destaque da policial emponderada no folhetim dirigido por Rogério Gomes.


A personagem vem se mostrando a mais atrativa do trio. Mulher bem-sucedida no trabalho, dona de si e imponente, Jeiza se destaca como policial e é tratada como líder na sua equipe. Corajosa, a PM não pensa duas vezes antes de prender algum bandido ou ajudar alguém. Mas sua firmeza não a faz antipática ou fria. Ela se mostra bem-humorada e debochada na sua vida 'normal' e vive uma relação de cumplicidade com a mãe, Cândida (Gisele Fróes). Para fechar esse bom conjunto, a mulher ainda luta MMA e é uma campeã nata, amedrontando suas adversárias no ringue.

Portanto, se nota que o perfil é repleto de atrativos. E, claro, o fato de ser linda deixa a situação ainda mais interessante, pois é um 'padrão' que costuma despertar estranhamento diante da profissão ou da luta. Afinal, mulheres belas são sempre taxadas pela sociedade como modelos ou pessoas fúteis.