segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Não foi uma boa noite para o Brasil no Emmy Internacional de 2017

O 45º Emmy Internacional foi promovido nesta segunda-feira (20/11), no hotel Hilton, em Nova York, Estados Unidos. A importante e prestigiada premiação teve nove indicações nacionais em oito categorias, sendo elas: melhor série dramática, com "Justiça"; melhor novela, com "Velho Chico" e "Totalmente Demais"; melhor comédia, com "Tá no Ar: a TV na TV"; melhor filme/minissérie, com "Alemão" ---- série derivada do filme homônimo ----; Júlio Andrade como melhor ator pelo desempenho na série da FOX "1 Contra Todos"; melhor programa artístico, com "Portátil" ---- criado pelo Porta dos Fundos e exibido no Comedy Central ----; melhor série de formato curto, com "Crime Time" --- produzida pelo Stúdio+ ---- e Adriana Esteves como melhor atriz pela sua interpretação na pele da Fátima em "Justiça". Infelizmente, ninguém ganhou.



Apesar das derrotas, todas as indicações foram merecidas, com destaque especial para o desempenho irretocável de Adriana Esteves em "Justiça", que também se mostrou uma grandiosa produção de Manuela Dias. A atriz viveu seu auge com a vilã Carminha, no fenômeno "Avenida Brasil", e não teve sorte na fracassada "Babilônia", interpretando um papel que se perdeu totalmente no enredo. Com a sofrida Fátima, a intérprete apagou qualquer vestígio da inesquecível vilã de João Emanuel Carneiro e emocionou o público dando vida a uma mulher que primava pela ética e transbordava integridade, mesmo diante das inúmeras desgraças que ocorriam em sua vida. Foi uma atuação realmente digna de Emmy.

Vale lembrar, inclusive, que é a segunda indicação de Adriana ao prestigiado prêmio. Ela também foi indicada pelo seu grande trabalho na minissérie "Dalva e Herivelto - uma canção de Amor", escrita por Maria Adelaide Amaral e exibida em 2010, onde deu um show na pele da passional Dalva de Oliveira. É uma atriz cada vez mais respeitada no mercado merecidamente. E em "Justiça" ganhou uma das melhores personagens da série, aproveitando a chance para novamente expor seu imenso talento.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Guto e Benê esbanjam delicadeza em "Malhação - Viva a Diferença"

"Malhação - Viva a Diferença" não é uma trama sobre casais. Ela se diferencia das demais temporadas por focar nas questões individuais dos personagens, tendo cinco protagonistas e não um ou dois pares. O foco é a força da amizade, tendo vários conflitos e dramas pessoais correndo por fora, incluindo os relacionamentos amorosos, obviamente. Mas o espaço para momentos românticos existe e a melhor relação da história é a de Guto (Bruno Gadiol) e Benê (Daphne Bozaski).


Primeiramente, porque Benedita é o perfil mais cativante do quinteto central, apresentando particularidades apaixonantes, como levar tudo o que é dito ao pé da letra, além de jogar verdades na cara dos outros de forma natural e até inocente. Ela sofre de Síndrome de Asperger, um grau leve de autismo, mas o 'problema' nunca foi dito no enredo. Todos sabem que a menina é diferente, embora ninguém saiba exatamente o porquê. Sua dificuldade com o toque e o barulho sempre foi seu maior obstáculo, provocando alguns surtos, inclusive. 

Já Guto é um dos tipos masculinos mais complexos da história, carregando um nuvem de incertezas consigo. Tímido e retraído, o rapaz nunca teve facilidade em socializar com as meninas, mesmo sendo considerado o bonitão da escola. O fato de nunca ser visto namorando, por sinal, começou a despertar desconfianças de alguns.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

"O Rico e Lázaro" expôs o esgotamento das tramas bíblicas da Record

Após o fenômeno "Os Dez Mandamentos", maior sucesso da Record, exibida em 2015, deixando a Globo para trás algumas vezes, a emissora resolveu adotar de vez o esquema de obras bíblicas. O canal dos bispos sempre priorizou esse tipo de produção, mas, ainda assim, havia espaço para outro tipo de histórias. Porém, na faixa das 20h30 ficou estabelecido esse padrão. A questão é que depois nenhuma outra chegou perto do êxito ou da repercussão da mesma. E, com "O Rico e Lázaro", esse esgotamento, que era cada vez mais inevitável, chegou de vez.


A trama de Paula Richard, dirigida por Edgar Miranda, estreou em março, substituindo "A Terra Prometida", um folhetim que obteve uma audiência razoável, mas longe do desejado, pois tinha entrado no lugar da equivocada 'segunda temporada' de "Os Dez Mandamentos". Ou seja, foi a quarta produção bíblica seguida. A coprodução com a Casablanca, iniciada durante todo esse processo de padronização de folhetins da emissora, melhorou um pouco a qualidade de alguns cenários e nos efeitos especiais de cenas específicas. O problema foi a mesmice.

A história, que chega ao fim em novembro, seguiu a cronologia das passagens da Bíblia e, teoricamente, o encaminhamento observado nos folhetins anteriores. Mas, claro, com novos personagens e outros conflitos. Só que todo o conjunto permaneceu igual.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Briga do quinteto central promove boa virada e comprova o talento das atrizes em "Malhação - Viva a Diferença"

Quando há assunto de sobra para ser comentado sobre uma trama é sinal de que a produção está no caminho certo. "Malhação - Viva a Diferença" já provou e comprovou isso várias vezes desde a sua estreia, em maio. Após abordagens precisas sobre o uso de drogas na adolescência e racismo, a temporada apresentou uma grande virada na história: o rompimento da amizade do quinteto protagonista. E a cena fez jus ao aguardado clímax.


Cao Hamburger esbanjou criatividade na semana passada, quando resolveu contar o drama de cada personagem em um dia da semana. Para isso, o autor usou o telefonema de Benê (Daphne Bozaski), expondo a tristeza das cinco meninas, plantando a dúvida na cabeça do telespectador a respeito do que teria acontecido com elas. E a 'saga' das explicações começou na terça-feira passada (07/11), com o conflito de Tina (Ana Hikari), sendo obrigada pela mãe a viajar para o Japão, após ter sido flagrada com Anderson (Juan Paiva) em seu quarto.

O drama de Lica foi exposto na quarta, com a garota conversando com Tina, e contando os problemas que enfrentou no período 'pós-balada em seu apartamento', confessando ainda que beijou Deco (Pablo Morais) em outra 'festinha'. A quinta foi o dia de Ellen, protagonizando o capítulo mais dramático. A garota se viu mais uma vez humilhada pelas colegas de escola, sendo vítima do preconceito social e do racismo.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ao explorar declarações racistas de William Waack no "Domingo Espetacular", Record expõe seu telhado de vidro

Neste domingo (12/11), o "Domingo Espetacular" colocou como a matéria da semana as declarações de cunho racista de William Waack, provocando seu afastamento na Globo. Foram onze minutos de reportagem sobre toda a polêmica que ocorreu em torno do jornalista de sua concorrente. Nada de anormal nisso, afinal, foi um assunto de imensa repercussão e toda a imprensa noticiou o caso (provocando atenção até de veículos internacionais). O problema dessa reportagem específica é o telhado de vidro da Record.


A emissora dos bispos exibiu uma longa reportagem, sem apresentar nada de novo, reexibindo o trecho da declaração deprimente do jornalista e expondo as reações negativas de alguns atores da Globo, como Bruno Gagliasso, Cris Vianna e Lázaro Ramos, além de ferrenhas críticas de militantes negros. O programa ainda entrevistou Diego Pereira, operador de TV que presenciou o comentário de Waack e o divulgou um ano depois, quando foi demitido da emissora. Ainda exibiu declarações de Robson Cordeiro, amigo do rapaz que o ajudou a divulgar o vídeo.

Mas, ironicamente, quem estava apresentando a revista eletrônica dominical da Record e ainda anunciou a matéria foi Paulo Henrique Amorim. Para quem não lembra, o jornalista foi condenado por injúria racial em 2015,  quando perdeu definitivamente o processo movido por Heraldo Pereira, comentarista político do "Jornal da Globo" (e cotado para substituir Waack na bancada).

sábado, 11 de novembro de 2017

Márcia Cabrita era o retrato do sarcasmo e da alegria de viver

Nesta sexta-feira (10/11), o Brasil ficou mais triste. Márcia Cabrita faleceu, aos 53 anos, após lutar por sete anos contra um câncer no ovário. Diagnosticada em 2010, retirou os ovários e o útero, iniciando um tratamento que lhe acompanharia até o fim da vida. A atriz estava internada no Hospital Quinta D`Or, no Rio de Janeiro, há dez dias. Apesar de doente, nunca desistiu de trabalhar e sempre que apresentava alguma melhora participava de uma produção, sendo filme, novela ou série.


Sua última aparição na televisão foi na pele da impagável Narcisa, em "Novo Mundo", na Globo. A atriz seria a suja Germana (Vivianne Pasmanter) na novela primorosa de Alessandro Marson e Thereza Falcão, mas, em virtude do estágio do câncer, acabou não conseguindo ficar com um papel tão grande e precisou de um tempo para voltar. Os autores, então, escreveram a nova personagem especialmente para ela, que brilhou sempre que surgiu em cena. As tiradas da esposa de José Bonifácio (Felipe Camargo) eram hilárias e o sotaque português da intérprete idem.

Entretanto, infelizmente, Márcia precisou se afastar novamente da trama e Narcisa saiu antes do previsto, não retornando mais. Era um sinal da gravidade do seu estado. E a atriz ter conseguido forças para participar ao menos de alguns capítulos do folhetim apenas comprovou o quanto amava seu ofício e a vida.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Novos conflitos enriquecem trajetória de Ellen e destacam Heslaine Vieira em "Malhação - Viva a Diferença"

A atual temporada de "Malhação" tem merecido elogios diários e não é exagero. Cao Hamburger está exibindo uma trama repleta de bons personagens, tratando a adolescência com total veracidade. "Viva a Diferença" não podia ser um subtítulo melhor. O enredo prioriza o cotidiano, valorizando a vivência de cada perfil, revezando o destaque de cada um, focando mais nas cinco protagonistas, obviamente. E, agora, o autor iniciou uma nova saga para Ellen, vivida pela ótima Heslaine Vieira.


A menina do subúrbio foi a mais resistente em iniciar uma amizade com Lica (Manoela Aliperti), Tina (Ana Hikari), Keyla (Gabriela Medvedovski) e Benê (Daphne Bozaski), alegando a diferença social que as separavam. Mas, com o tempo, acabou se apegando demais a essas novas amigas, formando um quinteto inseparável. Ela, Benê e Keyla estudavam no Colégio Cora Coralina, instituição pública, enquanto Tina e Lica frequentam o Colégio Grupo, uma escola particular. Porém, o verbo ficou no passado para Ellen porque a garota conseguiu uma bolsa de estudos no colégio das amigas mais ricas.

E iniciou-se uma nova fase para a personagem a partir desse ponto. Bóris (Mouhamed Harfouch) foi quem conseguiu essa bolsa, após ter enfrentado Malu (Daniela Galli) e Edgar (Marcello Antony). A bolsa só veio, por sinal, depois de uma difícil prova aplicada, em uma tentativa do pai de Lica de barrar a entrada da menina humilde. Mas, ela passou com louvor e agora é uma aluna do Grupo.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Vídeo de William Waack e falas de Nádia em "O Outro Lado do Paraíso" provam que realidade e ficção se misturam

Nesta quarta-feira (08/11), foi divulgado um vídeo com William Waack proferindo comentários de cunho racista, enquanto cobria as eleições americanas em 2016. O áudio, embora de má qualidade, deixa bem claro o teor deprimente e preconceituoso do jornalista, após se irritar com uma buzina de carro. A repercussão, como não poderia deixar de ser, foi péssima e a Globo fez questão de afastar o profissional do "Jornal da Globo" por tempo indeterminado, enviando uma nota de esclarecimento. A coincidência dessa lamentável situação é a abordagem do racismo em "O Outro Lado do Paraíso", nova novela das nove.


Walcyr Carrasco vem explorando esse tema de uma forma bastante direta e forte, o que acaba gerando um certo incômodo em parte dos telespectadores. Alguns dizem (ou diziam) que o contexto era exagerado demais e as frases absurdas ditas por Nádia (Eliane Giardini) sobre os negros soavam irreais nos tempos de hoje. Porém, não há nada de forçado ou absurdo no núcleo da trama e a fala do jornalista da Globo apenas comprova isso, deixando evidente o paralelo entre ficção e realidade. No caso, infelizmente, o contexto real se coloca bastante similar (para não dizer idêntico) ao da história teoricamente fictícia.

O comentário de Waack para o colega Paulo Sotero, em Washignton, é curto, mas revoltante: "Tá buzinando por quê, seu merda do cacete? Não vou nem falar, porque eu sei quem é... é preto. É coisa de preto!" Após essa colocação deprimente, o jornalista ri. Apesar de ter dito isso em 2016 e o vídeo só ter vazado agora, Walcyr parece ter 'adivinhado' essa postura quando criou a Nádia.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

"Vídeo Game" retorna e mata as saudades do público

O "Vídeo Game" ficou no ar por dez anos. Um dos quadros mais longos (era quase um programa independente) e queridos do "Vídeo Show" estreou em 10 de dezembro de 2001 e foi encerrado em 30 de dezembro de 2011. Apesar do evidente desgaste nos últimos anos, o quadro deixou saudades no público e, para a alegria de muitos telespectadores, voltou nesta segunda-feira (06/11), após seis anos de hiato, sem maiores avisos da Globo, com o intuito de melhorar a audiência do formato vespertino.


A emissora não chegou a anunciar com antecedência esse retorno e o anúncio soou surpreendente. Isso apenas prova que foi uma ideia repentina, em virtude do cancelamento do "Estrelas" em 2018. O programa comandado por Angélica já vem se perdendo com o tempo e as últimas tentativas de 'recuperá-lo' não deram certo ---- o "Estrelas Solidárias" e o "Estrelas do Brasil" se mostraram bem desinteressantes. Ou seja, embora a divulgação da volta do "Vídeo Game" descreva a temporada como um 'especial de três semanas', há boas possibilidades de se fixar na grade ano que vem, voltando a compor o "Vídeo Show".

A estreia contou com o casal Fernanda Souza e Thiaguinho disputando com Camila Queiroz e Mariana Santos, colegas de cena em "Pega Pega". Quadros como Tele-Tubo, Tele-Tema e Momento Uepa, por exemplo, estão de volta, presenteando os saudosistas. E os quatro convidados se mostraram claramente felizes com a atração, expondo que também estavam sentindo falta da disputa comandada por uma descontraída Angélica.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Os 30 anos de "Brega & Chique", um dos maiores sucessos de Cassiano Gabus Mendes

Exibida entre 20 de abril e 6 de novembro de 1987, "Brega & Chique" completou 30 anos em 2017. A novela do saudoso Cassiano Gabus Mendes foi um dos maiores fenômenos do horário das sete da Globo, entrando para a história da teledramaturgia e chegando a marcar mais audiência que a trama de horário nobre da época ---- "O Outro", de Aguinaldo Silva. A produção teve como grandes destaques Marília Pêra, Glória Menezes e Marco Nanini, entre tantos outros grandes nomes, como excepcional Raul Cortez. Há três décadas ela chegava ao fim.


Dirigido por Jorge Fernando, o folhetim caiu nas graças do público com um enredo popular,  cuja inverossimilhança não prejudicou em nada o êxito da obra. Ambientada em São Paulo, a novela tinha duas mulheres de universos opostos como protagonistas: a perua Rafaela Alvaray (Marília) e a humilde Rosemere da Silva (Glória), que tiveram suas vidas cruzadas por causa do empresário Herbert Alvaray (Jorge Dória), casado com ambas. Sua família 'oficial' morava em uma mansão de bairro nobre e era a formada por Rafaela e seus filhos Ana Cláudia (Patrícia Pillar), Teddy (Tarcísio Filho) e Tamyris (Cristina Mullins), além da sogra Francine (Célia Biar) e do genro Maurício (Tatu Gabus Mendes).

Ou seja, para Rosemere, o empresário se chamava Mário Francis e os dois tinham apenas uma filha: Márcia (Fabiane Mendonça). Mas, a amante de Herbert tinha outros dois filhos: Amaury (Cacá Barrete) e Vânia (Paula Lavigne), além de um pai que ajudava a sustentar (Lourival - Fabio Sabag). Ao contrário da chique Rafaela, a humilde mulher era brega e morava em um bairro de periferia, lutando com dificuldades para manter a casa.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Em apenas um capítulo, "Malhação - Viva a Diferença" explora o racismo com bastante habilidade

A atual temporada de "Malhação" tem se superado a cada momento. Após a sequência da festa da Lica (Manoela Aliperti), retratando a adolescência com total realismo através de uma confraternização repleta de álcool, drogas e irresponsabilidade, a trama de Cao Hamburger --- dirigida por Paulo Silvestrini --- apresentou em um único capítulo uma sucessão de situações racistas. E o autor conduziu tudo habilmente, provocando uma imediata reflexão.


Durante a festa da filha de Edgar (Marcello Antony), Fio (Lucas Penteado) viu um sujeito furtando um objeto do apartamento de Lica e foi atrás para impedir. Porém, acabou pego por dois seguranças do condomínio. A continuação do momento foi ao ar através de flashback, logo depois do rapaz ter voltado para casa chorando, no dia seguinte, sendo consolado por Ellen (Heslaine Vieira) e sua mãe. Os homens humilharam o menino simplesmente porque ele é negro e pobre. Também não acreditaram que era um convidado da festa. Fio acabou conseguindo escapar em um instante de distração. Mas, já na rua, acabou parado pela polícia, que desconfiou do fato dele estar correndo. Até ser finalmente liberado.

O contexto não foi gratuito, pois estava diretamente ligado aos outros acontecimentos da festa, e expôs uma situação ainda muito comum. Vale destacar o diálogo de Fio com Ellen e familiares: "Você só passou por isso porque é preto, Fio!" "É, mas não tem como mudar a etnia, nem a cor da pele!" "Não, mas tem como lutar para acabar com isso!"

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

"Malhação - Viva a Diferença" retrata a adolescência com total realismo

Elogiar a atual temporada de "Malhação" virou uma rotina. Cao Hamburger está estreando como autor no seriado adolescente da Globo com o pé direito, após produções muito bem-sucedidas na TV Cultura e no cinema. Sua parceria com o diretor Paulo Silvestrini está acima das expectativas. E entre as várias qualidades de "Malhação - Viva a Diferença", é preciso enfatizar o grau de realismo que a adolescência vem sendo retratada.


A festa organizada por Lica (Manoela Aliperti), em seu apartamento, foi apenas mais uma prova do quanto que o mundo dos adolescentes vem sendo exposto com precisão, sem 'fantasias'. A menina mais rebelde da trama novamente procurou extravasar suas frustrações através de um aparente divertimento, sem pensar nas consequências. A 'reunião' teve bebida alcoólica à vontade, muita música, beijos e drogas. Tudo o que várias festinhas desse tipo costumam ter, para o desespero de muitos pais.

Todos sabem que menores de idade não podem beber, segundo a lei. Porém, é notório que essa legislação nunca é obedecida, ainda mais em festas particulares, promovidas pelos próprios adolescentes. Uma das grandes falhas presente em várias temporadas de "Malhação" era justamente a ausência de bebida alcoólica em momentos festivos ou qualquer momento de confraternização.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

"Deus Salve o Rei": visita aos Estúdios Globo

Em janeiro de 2018, a Globo vai estrear uma novela medieval em pleno horário das sete, após uma longa sequência de tramas contemporâneas na faixa. Para apresentar o trabalho da equipe de caracterização e produção de arte, a emissora me convidou (juntamente com outros blogueiros e alguns fãs) para conhecer a cidade cenográfica nos Estúdios Globo (antigo Projac) e o processo de criação desse novo produto ---- na página do blog no Facebook há 113 fotos disponíveis.


Como se nota, a antecipação é grande. A emissora vem se organizando cada vez mais no processo de produção das novelas e quanto mais trabalhoso é um folhetim, mais cedo ele começa a ser preparado. Como se trata de um enredo de época e rico em detalhes, a construção da cidade cenográfica começou em março desse ano, logo depois da aprovação da sinopse de Daniel Adjafre, que estreia sua primeira trama como autor solo, após anos colaborando com outros escritores.

Alguns integrantes da equipe de Mídias Sociais da Globo apresentaram para os convidados o logo da novela e exibiram um vídeo expondo o trabalho dos diretores, cenógrafos e todos os envolvidos na produção da trama, incluindo o autor, em cima da elaboração desse desafio. Sim, a palavra 'desafio' foi repetida inúmeras vezes por eles.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

"Adnight" volta repaginado, mas não merecia uma segunda temporada

A primeira temporada do "Adnight" foi trágica. O programa comandado por Marcelo Adnet foi merecidamente massacrado pela crítica e obteve índices de audiência bastante insatisfatórios para o que a Globo almejava. Porém, ao contrário do que todos esperavam, uma segunda temporada foi encomendada pela emissora e essa nova tentativa de alcançar o sucesso estreou na última quinta-feira (26/10), logo após o "The Voice Brasil".


O programa começou as mudanças no próprio título, que ganhou o "Show" como complemento. E a razão para essa alteração ficou evidente logo no primeiro dia: a bancada clássica de um formato de entrevistas foi retirada do palco, deixando o ambiente livre para o apresentador. Ou seja, não há mais talk-show. As roteirizadas e desinteressantes entrevistas vistas em 2016 ficaram no passado. O subtítulo 'show' significa uma mescla de rápidas provas e improvisações com os convidados, além de algumas esquetes inseridas ao longo da atração.

Portanto, realmente Adnet e sua equipe avaliaram as críticas e a rejeição da primeira temporada para uma reformulação geral do "Adnight". Todavia, essas várias mexidas deixaram claro que ninguém ali sabe muito bem o que fazer com o programa.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Permeada por desgraças, "Tempo de Amar" não honra seu título

Há pouco mais de um mês no ar, "Tempo de Amar" vem se mostrando uma novela belíssima esteticamente e apresentando um ótimo elenco. Entretanto, a novela das seis da Globo vem pecando bastante na narrativa e na elaboração do enredo. Com argumento de Rubem Fonseca e escrita por Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, o folhetim (dirigido por Jayme Monjardim) é arrastado e repleto de desgraças. O telespectador está acompanhando conflitos carregados de sofrimento, casais sem química e muitas vezes uma condução modorrenta.


A trajetória dos mocinhos começou mal, expondo um amor à primeira vista difícil de comprar, com direito a declarações apaixonadas e planos de casamento logo no primeiro capítulo. A pressa em juntá-los fez parecer que havia muita história para contar. Mas foi um ledo engano. Inácio (Bruno Cabrerizo) e Maria Vitória (Vitória Strada) foram separados em virtude da viagem do rapaz para o Rio de Janeiro, em busca de emprego, e desde então houve uma tragédia atrás da outra. Além, claro, de uma quantidade imensa de clichês.

Nada contra o clichê, até porque toda novela tem e muitos são irresistíveis, prendendo o telespectador quando bem trabalhados. No entanto, Alcides e Bia vêm abusando demais. Vitória engravidou de Inácio logo na primeira transa, implicando em uma briga ferrenha com seu pai, José Augusto (Tony Ramos), que a colocou em um convento como castigo e com o intuito de deixar o neto com as freiras.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

"Lady Night" virou o melhor programa do Multishow

O "Lady Night" foi uma das muitas estreias do Multishow no segmento da comédia. O canal a cabo resolveu investir quase toda a sua programação em formatos de humor, já há algum tempo, sendo vários deles séries ou comédias de situação (Sitcoms). A maioria, vale ressaltar, é bem fraca e sem a menor graça. Até mesmo o sucesso "Vai que cola" já cansou. Porém, o programa criado para Tatá Werneck teve uma primeira temporada boa demais, exibida entre abril e maio deste ano. Uma grata surpresa. Tanto que a segunda voltou em outubro.


A primeira leva de episódios da atração teve uma Tatá totalmente à vontade e convidados que se divertiram com a conhecida habilidade da apresentadora em improvisar, mesmo diante de um roteiro pré-definido. Era um formato claramente criado para aproveitar o melhor dela, que sempre foi uma das comediantes mais talentosas da extinta MTV. E funcionou bastante. O Talk-show entreteve e divertiu o telespectador, além da própria plateia, cujas gargalhadas eram bem espontâneas. Deixou um gostinho de quero mais.

Portanto, esse retorno foi mais do que bem-vindo. E a segunda temporada está conseguindo ser ainda melhor. Isso porque, com o sucesso da primeira, vários famosos se interessaram em participar e a equipe da atração teve muito mais facilidade em arrumar bons nomes para entrevistas. Por sinal, é preciso ressaltar essa questão das conversas.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

"O Outro Lado do Paraíso" estreia com imagens cinematográficas e trama promissora

"Tudo o que você faz um dia volta para você. Se você fizer o mal, com o mal mais tarde você vai ter de viver". A música "Boomerang Blues", da icônica Legião Urbana, é tema da abertura de "O Outro Lado do Paraíso", nova novela das nove, que estreou nesta segunda (23/10), com a missão de manter a qualidade e os elevados índices de "A Força do Querer", trama de sucesso de Glória Perez. E essa canção faz jus ao contexto desse novo enredo, escrito por Walcyr Carrasco e dirigido por Mauro Mendonça Filho, cuja premissa é justamente a popular lei do retorno.


Após vários sucessos seguidos no currículo e escrevendo para todas as faixas da Globo, Walcyr encara mais uma missão e prova é que o autor mais ativo da emissora. Está praticamente todo ano no ar e fazendo a alegria do canal através de expressivos números de audiência ---- "Amor à Vida" (2013), "Verdades Secretas" (2015) e "Êta Mundo Bom!" (2016) tiveram Ibope e repercussão excelentes, citando apenas seus trabalhos mais recentes. Depois de uma novela sobre traumas familiares, outra focada na sensualidade somada a um clima sombrio, e a última explorando o universo caipira, o escritor optou pelo clássico mote da vingança para prender o telespectador.

A partir de agora o público acompanhará a saga de Clara (Bianca Bin), mocinha inocente e íntegra, que jura ter achado um príncipe encantado até se ver no meio de um jogo de interesses, sofrendo ainda violência doméstica, temendo o próprio marido. A menina se encanta por Gael (Sérgio Guizé) logo no primeiro capítulo, sendo correspondida.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Repleta de qualidades, "A Força do Querer" foi a melhor novela de Glória Perez

A missão de Glória Perez era complicada. Levantar a média do horário nobre da Globo, após uma sucessão de novelas fracassadas e/ou problemáticas. Para culminar, o seu retorno era cercado de desconfianças, em virtude da equivocada "Salve Jorge", seu pior folhetim, exibido em 2013. Mas, a autora conseguiu cumprir o objetivo com louvor e calou a boca de quem duvidava. "A Força do Querer" elevou a média da faixa em nove pontos, ao longo de 173 capítulos, obtendo 36 de média geral (contra 27 de "A Lei do Amor"), se firmando como o maior sucesso do horário desde "Amor à Vida" (também com 36 pontos). Não é pouca coisa. E todo esse resultado fez jus ao que foi apresentado para o público.


"A Força do Querer" foi a melhor novela da escritora, conseguindo superar até a elogiada e inesquecível "O Clone", de 2001. Isso porque Glória soube se reciclar, corrigindo os vários erros observados em tramas como "Caminho das Índias", "América" e a já citada "Salve Jorge". Após abusar do recurso da exploração de culturas estrangeiras, a autora resolveu apostar em um enredo 100% nacional, tendo o Pará (através da fictícia Parazinho) como um dos locais de sua história. Ainda assim, o ambiente esteve presente apenas no primeiro mês, sendo logo 'abandonado' quando todos os personagens de lá se mudaram para o Rio de Janeiro. E foi ótimo não ter 'dancinhas' ou bordões com expressões estrangeiras. Estava bastante repetitivo.

Outra medida adotada com êxito foi a escolha do protagonismo. Em meio ao empoderamento feminino, Glória colocou três mulheres como figuras centrais, intercalando o destaque de cada uma. E escalou três atrizes de peso: Paolla Oliveira, Juliana Paes e Isis Valverde. O trio honrou a confiança da escritora, fazendo de Jeiza, Bibi e Ritinha tipos marcantes, que caíram na boca do povo.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Através de Eurico, conservadorismo foi explorado de forma criativa em "A Força do Querer"

A um dia do seu fim, "A Força do Querer deixará saudades. E um dos muitos pontos positivos da novela de Glória Perez foi a figura de Eurico. A autora se mostrou muito criativa na abordagem do preconceito, machismo e conservadorismo, evitando o tradicional maniqueísmo e expondo a ignorância de uma pessoa íntegra. Humberto Martins se destacou cada vez mais na história e a cena mais aguardada foi ao ar somente no penúltimo capítulo: a descoberta da vida dupla de Nonato (Silvero Pereira).


Após meses achando que seu motorista era um conquistador nato e típico machão, Eurico o viu se apresentando como Elis Miranda em um desfile de moda e entrou em estado de choque. Antes de se dar conta que era Nonato no palco, o empresário chegou a elogiar o talento da artista. Esse momento era um dos mais esperados da trama e é uma pena que Glória tenha deixado apenas para o final, deixando de aproveitar todo o período de entendimento e aceitação daquele homem tão machista.

Afinal, o personagem representou uma união de preconceitos. Nunca entendeu a homossexualidade e sempre recriminou o cabelo longo de Nonato, achando coisa de 'maricas'. Achou um absurdo Ivana (Carol Duarte) ter se descoberto trans, virando Ivan, e nunca tolerou mulher mandando mais que homem. O lado criativo dessa situação foi o fato de Eurico não ser um canalha. Pelo contrário, ele é um homem justo, honesto, atencioso com a esposa e fiel.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Débora Falabella mostrou seu conhecido talento na cena final de Irene em "A Força do Querer"

Após longos meses sem dizer a que veio e sendo uma decepção em se tratando de uma vilã, Irene teve um desfecho digno do talento de Débora Falabella em "A Força do Querer". A personagem prometeu bastante, mas cumpriu pouco durante da novela de Glória Perez. A 171 ficou resumida em planos bobos para atormentar Joyce (Maria Fernanda Cândido). A autora provou que realmente não sabe criar víboras marcantes. Uma pena. Porém, a morte da ex-amante de Eugênio (Dan Stulbach) resultou em uma ótima sequência.


A direção de Rogério Gomes e equipe fez toda diferença, transformando uma queda fatal em um momento aterrorizante. Irene se deparou com Eurico (Humberto Martins) e Silvana (Lília Cabral) no estacionamento de um edifício  e, já entrando em surto, foi atrás do marido da inimiga para provocá-la. A intenção funcionou, despertando a fúria de Silvana, que a estapeou várias vezes. Logo depois, Elvira (Betty Faria), Dantas (Edson Celulari) e Garcia (Othon Bastos) chegaram para surpreender a bandida, já desmascarada por Mira (Maria Clara Spinelli), que entregou todos os podres da ex-aliada.

A mau-caráter, então, se assustou e passou a correr pelo estacionamento, sendo perseguida pelos demais. Porém, Eurico e Silvana tinham dado carona para Yuri (Driko Alves) e seus amigos, todos devidamente caracterizados como personagens de animes, pois voltavam de uma festa Cosplayer. A situação fez a vilã surtar ainda mais, entrando em pânico e transformando aquelas crianças em seres tenebrosos.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Apesar da trama repetitiva, Lilia Cabral brilhou em "A Força do Querer"

Uma das qualidades de "A Força do Querer" é o bom espaço que os núcleos paralelos têm no enredo, sendo funcional também para a trama principal. Glória Prez conseguiu corrigir um erro frequente em seus folhetins, cujos conflitos secundários quase sempre se mostravam aleatórios e desinteressantes. Tanto que uma das situações mais atrativas do atual sucesso das nove da Globo foi o drama de Silvana, vivida pela sempre grandiosa Lília Cabral.


A personagem é uma viciada em jogo e esse conflito cumpre a função de 'merchandising social' (drama com função educativa), sempre presente nas novelas da autora. No caso desse enredo, divide espaço com a questão da transexualidade de Ivana (Carol Duarte). A arquiteta é uma mulher com excelente condição financeira, muito em virtude do seu casamento com o empresário Eurico (Humberto Martins). Apaixonada pelo marido e mãe de uma filha exemplar, a sensata Simone (Juliana Paiva), tinha tudo para ter uma vida perfeita. Mas, a jogatina destrói isso.

O que inicialmente era apenas a diversão de uma ricaça, acabou virando um tormento, implicando em uma sucessão de mentiras cada vez mais absurdas. O público acompanha essa 'saga' da cunhada de Joyce (Maria Fernanda Cândido) desde o início da novela e houve uma grande demora no andamento dessa questão. Várias vezes as situações pecaram pela repetição, embora não tenham chegado a se esgotar por completo em virtude do talento dos atores envolvidos.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Zezé Polessa cresceu merecidamente em "A Força do Querer"

"A Força do Querer" foi uma novela de sucesso e de perfis marcantes também. Glória Perez se mostrou bastante feliz na criação de muitos tipos variados, uns dramáticos e outros cômicos. Apesar de alguns atores terem sido subaproveitados (infelizmente), mesmo com o elenco bastante enxuto, vários ganharam um bom espaço no enredo. E um deles foi a hilária Edinalva, vivida por uma inspirada Zezé Polessa.


A personagem teve destaque logo no começo da novela, pois o enredo de Ritinha (Isis Valverde) era o foco inicial, desencadeando os primeiros conflitos da obra. A mãe da irresponsável e egoísta sereia se destacou nos momentos em que tentava dar um corretivo na filha, que sempre conseguia escapar pelas áreas da fictícia Parazinho. Também crescia quando rivalizava com o ranzinza Seu Abel (Tonico Pereira), protagonizando situações engraçadíssimas. Portanto, era um perfil que parecia promissor.

E realmente foi. O receio de que o papel ficasse perdido na história, deixando Zezé como figurante de luxo, logo foi deixado de lado. À medida que os meses passavam, Edinalva ganhava mais cenas e contextos hilários, destacando a conhecida veia cômica da intérprete.

sábado, 14 de outubro de 2017

Glória Perez faz bela homenagem aos policiais mortos em "A Força do Querer"

O Rio de Janeiro vive um período que pode ser considerado catastrófico. O país todo está em um momento caótico, mas a cidade maravilhosa consegue está pior. E um dos casos mais preocupantes é a violência, culminando ainda na falência das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora, antes vistas como uma esperança). Mais de cem policiais já foram mortos só esse ano e até o final desse texto algum outro terá morrido. Com base nisso, Glória Perez resolveu prestar uma justa homenagem aos policiais mortos no capítulo desse sábado (14/10) de "A Força do Querer".


Na penúltima semana de novela, a autora inseriu um novo personagem na trama que tinha como único objetivo morrer: o PM Gerson (Well Aguiar), amigo de Jeiza (Paolla Oliveira), que acompanhou a vitória da colega em uma luta de MMA. A amizade dos dois era antiga, segundo o roteiro, e a cumplicidade ficou mostrada nos breves momentos deles juntos. No final do capítulo de sexta (13/10), o policial foi assaltado e morto por dois marginais assim que a dupla viu a farda e uma arma no carro da vítima. "É policial", gritou um, implicando no imediato disparo do segundo, matando o rapaz.

Foi uma cena aterrorizante e que todo brasileiro já viu ou presenciou. A realidade disfarçada de ficção. Jeiza ainda matou um bandido, mas o outro escapou. O grito de desespero dela, logo após constatar a morte do amigo, representou a dor de 108 famílias de policiais que sofreram (e sofrem) esse ano. Paolla Oliveira deu um show de emoção e o momento arrepiou o telespectador.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Juliana Paes e Elizângela emocionam em "A Força do Querer"

A poucos dias do seu fim, "A Força do Querer" vem obtendo uma audiência acima dos 40 pontos quase diariamente. E merece. O sucesso de Glória Perez é fruto de uma trama repleta de atrativos, tendo ótimos dramas e bons personagens entre eles. Bibi, por exemplo, foi um dos melhores perfis do enredo e Juliana Paes viveu seu melhor momento na carreira. Após um longo tempo nutrindo uma paixão doentia, a mãe de Dedé (João Bravo) finalmente acordou e rompeu definitivamente com Rubinho (Emílio Dantas). Esse fato rendeu grandes momentos para a atriz e Elizângela.


A longa cena em que Bibi deu um basta na relação com o traficante, durante sua visita na cadeia, destacou toda a capacidade dramática de Juliana, que segurou a emoção do início ao fim. Não é fácil manter a carga emocional durante tanto tempo, mas ela conseguiu facilmente, protagonizando um ótimo momento ao lado do igualmente talentoso Emílio Dantas. Aliás, foram muitas sequências merecedoras de elogios desses dois. O público viu ali a libertação de Bibi e o início de uma rivalidade com Rubinho.

A situação implicou em uma fragilidade imensa da personagem, que finalmente se deu conta da desgraça da sua vida. Caminhando pela rua, a poucos metros de casa, e desnorteada, Bibi se viu pela primeira vez no fundo do poço. A dilacerada mulher, então, se sentou na calçada e chorou copiosamente. Até chegar sua mãe e consolá-la, demonstrando apoio mais uma vez, mesmo depois de tê-la alertado inúmeras vezes.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ótimos em "A Força do Querer" e "Carinha de Anjo", João Bravo e Lorena Queiroz são gratas revelações mirins

O tradicional Dia das Crianças (Dia de Nossa Senhora Aparecida) é comemorado em 12 de outubro e nada mais justo do que prestar um merecido reconhecimento ao talento de duas crianças que estão encantando o público, mostrando que vão muito longe na carreira artística. São eles: João Bravo, o Dedé, de "A Força do Querer", na Globo, e Lorena Queiroz, a Dulce Maria, de "Carinha de Anjo", no SBT. Dois pequenos que fazem trabalho de gente grande.


Ele começou no sucesso de Glória Perez de forma tímida, até porque quase sempre as crianças não ficam muito em evidência no início de tramas. Mas, à medida que o enredo de Bibi (Juliana Paes) crescia, João ia ganhando mais cenas e já começava a expor seu talento. O filho da impulsiva mulher, que arruinou sua vida por uma paixão cega, passou a naufragar junto com a mãe e o pai (Rubinho - Emílio Dantas), tendo como único grande apoio a avó, Aurora (Elizângela). 

Uma criança atuar não é um tarefa fácil. Difícil explorar a espontaneidade delas, evitando que o texto seja declamado. Tanto que muitas deixam a desejar no percurso, o que é até natural. Então, basta multiplicar esse fato por cinco quando a mesma está envolvida em um enredo pesado. Os cuidados acabam redobrados, evitando deixá-la em momentos de grandes conflitos ou tensão.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Gravidez de Ivana prejudicou a trajetória da personagem em "A Força do Querer"

"A Força do Querer" está perto do seu fim e merece todo o sucesso. Mas, a trama de Glória Perez, dirigida por Rogério Gomes, também apresentou defeitos, já mencionados aqui, como a passagem de tempo de um ano, a vilania fraca de Irene (Débora Falabella) e alguns perfis que prometeram e não cumpriram, por exemplo. E, infelizmente, outro erro foi a desnecessária gravidez de Ivana/Ivan (Carol Duarte), descoberta na reta final da história.


A situação pegou muitos telespectadores de surpresa, afinal, o agora rapaz nunca mais viu Cláudio (Gabriel Stauffer) depois da passagem de tempo de um ano. Então, obviamente, vários questionaram a hora que essa criança foi concebida. Entretanto, a personagem transou com o ex uma única vez depois desse ano. A questão é que ninguém percebeu isso, pois realmente pareceu que foi antes. Ou seja, não teve relevância alguma para o andamento dos conflitos. Portanto, compreensível o estranhamento. O 'curioso' é que isso é o de menos.

Afinal, a demora na descoberta dessa gravidez ficou totalmente inverossímil. Se passaram mais de três meses e todos sabem, até homens, que mulheres ficam com sensibilidade nos seios (e os mesmos crescem) durante a gestação, por exemplo. Mas, Ivana não percebeu nada. Nem mesmo quando enfaixava os seios, os apertando fortemente para fingir que não tinha nada. Não doía mais que o normal, não? E a interrupção da menstruação, claro, é o maior sinal de um bebê a caminho.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

"O Outro Lado do Paraíso": o que esperar da próxima novela das nove?

Após várias novelas problemáticas, tendo como maior catástrofe a equivocada "Babilônia" (2015), o horário nobre da Globo finalmente renasceu. "A Força do Querer" devolveu para a faixa os elevados índices de audiência e ótima repercussão, não obtidos desde o sucesso "Amor à Vida" (2013) ---- sendo necessário citar a boa média de "Império" (2014), outra produção considerada bem-sucedida. Portanto, agora, a missão de "O Outro Lado do Paraíso" será manter os excelentes índices da trama de Glória Perez, deixando a fase de dificuldade definitivamente para trás.


E, curiosamente, Walcyr Carrasco mais uma vez entra após uma novela de sua colega. Aliás, tudo está cercado de situações interessantes. Em 2013, o autor tinha a responsabilidade de salvar o horário, após a problemática "Salve Jorge", que derrubou a média do fenômeno "Avenida Brasil" (2012), sendo massacrada merecidamente pela crítica e público. Era a estreia do escritor no horário nobre, depois de ter escrito para todas as faixas da Globo com êxito. Sua missão foi cumprida. "Amor à Vida" detém a maior média do horário pós-"Avenida Brasil" (36 pontos). Agora, foi Glória que elevou a audiência, conseguindo mais de 35 de média, e com méritos de sobra.

Mas, por tudo o que tem sido visto nas lindas chamadas da nova novela, as chances de manter a qualidade da faixa são altas. Dirigida por Mauro Mendonça Filho ---- parceiro do autor nos sucessos "Gabriela" e "Verdades Secretas", além da já citada "Amor à Vida" ----, a trama é um dramalhão repleto de conflitos polêmicos, prometendo tocar em vários assuntos espinhosos e que rendem bastante quando bem trabalhados.

domingo, 8 de outubro de 2017

Divertido e com bons quadros, "Domingão do Faustão" se diferencia dos seus concorrentes sensacionalistas

O "Domingão do Faustão" está no ar há 28 anos e já teve de tudo ao longo desse longo tempo, incluindo quadros e situações bem questionáveis. Porém, há menos de dez anos, aproximadamente, o programa da Globo acabou se firmando como um grande diferencial da programação aos domingos. Principalmente diante da concorrência, que tem apelado cada vez mais para assistencialismos e 'casos reais' que duram horas com o único intuito de fazer o telespectador chorar miseravelmente com dramas e desgraças.


O programa comandado por Fausto Silva virou sinônimo de diversão e leveza aos domingos. Com o "Ding Dong", o apresentador leva para a atração vários músicos e bandas esquecidos pelo mercado para breves shows nostálgicos --- mesclando também com cantores de sucessos atuais ----, utilizando ainda o velho esquema de disputa entre famosos para movimentar o quadro. Neste domingo, por exemplo, ele levou Jonathan Azevedo (Sabiá), Hylka Maria (Aléssia), Juliana Paes (Bibi) e Emílio Dantas (Rubinho) para a competição musical, aproveitando o sucesso de "A Força do Querer".

O time fez jus ao encerramento da temporada do quadro, que entra em férias por causa do Horário de Verão. E os cantores selecionados também engrandeceram a brincadeira, vide Toquinho, Luan Santana, Pabllo Vittar, o quarteto italiano II Divo e a banda internacional Fifth Harmony. Foram quase duas horas de bate-papo e números musicais que passaram voando.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A Ritinha de "A Força do Querer" tinha que ser da Isis Valverde

Quando Glória Perez apresentou "A Força do Querer" para a imprensa, fez questão de dizer que sua história teria um rodízio de protagonismo. Em cada momento do enredo, uma personagem iria se destacar. E o folhetim é protagonizado por três ótimas personagens, interpretadas por excelentes e lindas atrizes: Paolla Oliveira (Jeiza), Juliana Paes (Bibi) e Isis Valverde (Ritinha). O trio tem honrado a confiança da autora e a egoísta Sereia ganhou uma intérprete que dominou a essência do papel assim que surgiu em cena.


A faceira menina de Parazinho foi a responsável pela movimentação das primeiras semanas da novela. Tudo era voltado para a sedutora Ritinha, que não pensou duas vezes antes de jogar charme para o imaturo Ruy (Fiuk), mesmo estando noiva do machista Zeca (Marco Pigossi), com o intuito de conseguir vir para o Rio de Janeiro e conhecer a cidade grande. Além de só pensar em si mesma, a personagem sempre teve como principal característica sua paixão pelas águas e a bela cauda de sereia que usa quando está nadando, representando uma espécie de liberdade.

O perfil de Ritinha tem um quê de 'místico', muito em função da própria lenda da sereia (figura mitológica que simboliza a sedução mortal, sempre tendo os homens como vítimas) e também da previsão que um índio fez para Zeca e Ruy, logo após terem sido salvos de um afogamento ainda crianças, alertando sobre um misterioso perigo que vinha das águas.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Irene Ravache e Jeniffer Nascimento formam uma boa dupla em "Pega Pega"

"Pega Pega" é um sucesso, mas não faz por merecer números tão expressivos. A trama de Cláudia Souto se mostra limitada e sem atrativos. Entretanto, há acertos na história, dirigida por Luiz Henrique Rios. E um deles é a improvável dupla formada por Irene Ravache e Jeniffer Nascimento, que começou de forma aleatória, mas acabou virando uma boa dobradinha entre a veterana e a grata revelação de "Malhação Sonhos" (2014).


A poderosa sócia do Carioca Palace entrou no enredo depois e ficou um bom tempo sem função, servindo apenas para produzir frases de efeito, típicas de vilãs clássicas ---- sempre criticando o Brasil ou os pobres. Muito pouco para o talento de uma atriz como Irene. Ainda está muito aquém da grandiosidade da profissional, vale ressaltar. Mas, a condução do perfil melhorou um pouco com o tempo, principalmente quando o conflito em torno do filho adotivo surgiu. Dom (David Júnior) é o menino perdido de Cristóvão (Milton Gonçalves) e Madalena (Virginia Rosa), para o horror de Sabine.

A situação passou a render algumas cenas merecedoras de elogios, como os embates da ricaça com os pais de seu filho. E a maior surpresa acabou sendo justamente o destaque de Tânia. A interesseira camareira do Carioca Palace teve apenas algumas cenas de briga com Sandra Helena (Nanda Costa) no começo da novela, mas não passou disso.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Com méritos de sobra, "A Força do Querer" é o maior sucesso do horário nobre desde "Amor à Vida"

A atual novela das nove é um sucesso. "A Força do Querer" afastou a 'nuvem negra' que cobria o horário nobre da Globo desde o retumbante fracasso de "Babilônia", em 2015 (marcando míseros 25 pontos) ---- levando em consideração, ainda, a problemática "Em Família", exibida em 2014, que já havia derrubado os números, obtendo 30 pontos de média. Depois do fiasco da novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, nenhuma outra novela conseguiu atingir o cobiçado sucesso. Parecia uma maldição que insistia em assombrar. Mas, Glória Perez veio para trazer de volta os bons tempos da faixa mais importante da emissora.


A autora simplesmente resolveu escrever um folhetim clássico, com direito a todos os clichês do gênero e sem qualquer núcleo estrangeiro, característica das suas últimas produções que já estava bastante desgastada e repetitiva. Além disso, Glória, inteligentemente, apostou nas figuras femininas fortes como perfis principais, alternando o protagonismo de acordo com a necessidade do roteiro, dando espaço para todas brilharem. São três protagonistas bem construídas, uma vilã e três coadjuvantes com dramas envolventes. Os homens são apenas elementos complementadores que movimentam o conjunto. O resultado tem sido o melhor possível.

A trama estreou em abril e, em plena reta final, tem conseguido driblar bem o sinal de barriga. Fica evidente em cada capítulo a preocupação da autora em prender o telespectador através de boas viradas e conflitos alternados, valorizando todos os dramas. Inicialmente, Ritinha (Isis Valverde) foi o elemento que movimentava o enredo e depois foi a vez de Jeiza (Paolla Oliveira) crescer. Posteriormente, Bibi (Juliana Paes) passou a ser o centro das atenções, fechando o trio de protagonistas.

domingo, 1 de outubro de 2017

Mesmo em um papel secundário, Juliana Paiva se destaca em "A Força do Querer"

'Orelha' é um termo usado na teledramaturgia para definir um personagem criado exclusivamente para outro, sempre com maior destaque ou até protagonista, desabafar. O perfil não tem trama própria e acaba vivendo a vida dos outros. Quase sempre resulta em um subaproveitamento de atores, caso os mesmos sejam conhecidos ou consagrados. Por isso, muitas vezes os autores optam pela escalação de nomes menos conhecidos ou relevantes. Mas, no caso de Simone, em "A Força do Querer", toda essa 'regra' foi deixada de lado.


A filha de Silvana foi escolhida pela própria Lília Cabral, que adorou o trabalho da colega em "Totalmente Demais" (onde viveu a hilária Cassandra), e já vinha acompanhando a trajetória de Juliana. A veterana sugeriu o nome para o diretor Rogério Gomes, que prontamente atendeu, recebendo o aval de Glória Perez. E a escalação não poderia ter sido mais certeira. A atriz se sobressaiu logo no começo, mesmo tendo ainda cenas pequenas. Pouco tempo depois da estreia, ficou perceptível que era um tipo promissor no enredo. Ou seja, uma expectativa acabou gerada.

Todavia, a ausência de uma trama própria frustrou parte do público e da própria crítica, em virtude do conhecido talento da atriz. Ela não tem um conflito para chamar de seu. Realmente, vive o dos outros, principalmente o da mãe e o da prima(o) Ivana/Ivan (Carol Duarte). E nunca foi prometido algo diferente, até porque era uma personagem inicialmente nem pensada para ela --- e, sim, provavelmente, para uma intérprete menos conhecida.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

"Malhação - Viva a Diferença" faz jus ao seu subtítulo

A atual temporada de "Malhação" está praticamente há seis meses no ar e Cao Hamburger vem presenteando o público com uma história agradável, repleta de personagens reais e cativantes, onde a individualidade é a maior protagonista. Todos têm um caminho a seguir, precisando lidar com obstáculos e problemas comuns a qualquer ser humano. A trama, mesmo sem apresentar grandes viradas ou uma sucessão de acontecimentos, consegue prender muito por causa do conjunto apresentado, onde tudo flui com naturalidade.


Nesta semana, o enredo, dirigido com competência por Paulo Silvestrini, ficou voltado para a Balada Cultural, promovida para celebrar a diferença e unir todas as tribos. Para isso, os alunos do colégio Grupo (particular) e da escola pública foram convidados, organizando vários eventos para a festa. O resultado foi o melhor possível. As cenas ficaram ótimas, valorizando diferentes ritmos, culturas e vestimentas. Enfim, foi uma celebração da própria temporada, que chegou ao capítulo 100 recentemente.

Com o lema 'O Velho é Novo', o desfile comandado por Keyla (Gabriela Medvedovski) teve roupas dos anos 70 e 80 customizadas. A mesma Keyla ainda cantou lindamente ao lado de Tina (Ana Hikari), encantando todos os presentes. Já Fio (Lucas Penteado) mostrou sua dança cheia de ritmo e passinhos, enquanto MB (Vinicius Wester), Samantha (Giovanna Grigio) e Felipe (Gabriel Calamari) fizeram uma apresentação como grupo Lagostins, lançando uma música nova em homenagem a Lica (Manoela Aliperti).

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

"Cidade Proibida" é bem produzida, mas não empolga

Produção de Mauro Wilson e Maurício Farias, dirigida por Maurício, "Cidade Proibida" estreou nesta terça (26/09), ocupando a faixa da extraordinária "Sob Pressão", na Globo. Substituir um seriado de tanto sucesso (de público e crítica), como foi o recém-terminado drama médico, não é simples. E a estreia decepcionou nos números, pois obteve 21 pontos, derrubando em mais da metade os 44 pontos de "A Força do Querer". Mas, a emissora confia no potencial desse novo produto, uma vez que preferiu colocá-la como substituta, ao invés da também recém-iniciada "Filhos da Pátria".


Ambientada no Rio de Janeiro, na década de 50, a trama é permeada por traições, crimes, paixões e tem um toque de suspense. Com mulheres fatais e homens violentos vivendo em uma cidade rica e perigosa, o enredo é focado nas investigações do detetive Zózimo Barbosa (Vladimir Brichta), um sujeito galanteador e malandro. O protagonista é um ex-policial que decide trabalhar sozinho e acaba se especializando em casos extraconjugais, muitas vezes se envolvendo com suas clientes. Entretanto, ele não age tão sozinho quanto aparenta.

Além do personagem principal, há mais três que compõem uma espécie de quarteto inseparável. Zózimo conta com a ajuda da garota de programa Marli (Regiane Alves) ---- com quem tem um caso ----, do delegado corrupto Paranhos (Aílton Graça) e do metido a sedutor Bonitão (José Loreto). Os quatro sempre se encontram no Bar Sereia, onde discutem alguns casos, se divertem e ouvem os desabafos de cada um.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

"Tempo de Amar" estreia com belas imagens e dramalhão clássico

"Para aqueles que amam, o tempo é eterno. Para os que perdem, o tempo é implacável. Para aqueles que partem, o tempo é esperança. Para quem espera, o tempo é mistério". Baseada nessa premissa poética, estreou, nesta terça-feira (26/09), "Tempo de Amar", nova novela das seis da Globo, escrita por Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, dirigida por Jayme Monjardim, baseada em um argumento de Rubem Fonseca.


A missão da nova trama é honrar a qualidade da faixa, após o imenso sucesso de público e crítica de "Novo Mundo". As chamadas iniciais deram uma boa impressão, tanto pela beleza da fotografia quanto pelo elenco escalado. E a história promete apostar em um dramalhão clássico, evitando qualquer ousadia maior. É um enredo típico de novela das seis e o primeiro capítulo deixou isso tudo bem claro, expondo o amor à primeira vista dos mocinhos, a inveja do vilão e o contexto voltado para um clima mais poético, onde o amor é o grande protagonista (para o bem e para o mal).

Uma procissão religiosa em Portugal, em 1927, é o ponto de encontro que transforma a vida de Maria Vitória e Inácio Ramos, interpretados pelos estreantes Vitória Strada e Bruno Cabrerizo. O encantamento é imediato, despertando imediatamente o ciúme de Fernão (Jayme Matarazzo), um médico recém-formado em Coimbra, cuja paixão pela mocinha se torna uma obsessão.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Sucesso de público e crítica, "Novo Mundo" foi uma novela primorosa

A novela das seis que marcou a estreia de Alessandro Marson e Thereza Falcão como autores titulares, após um longo tempo trabalhando como colaboradores (como do sucesso "Avenida Brasil", por exemplo), estreou no dia 22 de março e chegaria ao fim no dia 22 de setembro, ficando exatos seis meses no ar. Mas, "Novo Mundo" acabou terminando nesta segunda, dia 25, por causa da bobagem da nova estratégia da Globo em busca de mais audiência. E nem precisava. A produção fez um imenso sucesso de público e crítica, engrandecendo a faixa das 18h, após a fraquíssima "Sol Nascente".


A trama, dirigida com competência por Vinícius Coimbra, primou pelo capricho do primeiro ao último capítulo, mesclando contextos históricos com o folhetim tradicional, havendo espaço ainda para momentos de pura fantasia, remetendo aos clássicos da Disney, como "Piratas do Caribe". Os autores conseguiram juntar perfis que realmente existiram a outros meramente ficcionais com maestria, presenteando o telespectador com personagens bem construídos e conflitos convidativos, sem poupar história.

Isso porque a novela não teve barriga (período de enrolação, onde nada de relevante acontece), expondo a criatividade dos autores na elaboração de ótimas viradas ao longo do enredo. Claro que deslizaram em alguns pontos, como o já cansativo recurso do sequestro da mocinha no penúltimo capítulo ---- é um clichê, mas absolutamente todos os folhetins recentes da Globo vêm apresentando essa situação.

domingo, 24 de setembro de 2017

"Dança dos Famosos": uma experiência única

Acompanho a "Dança dos Famosos" desde a primeira temporada, em 2005, quando ainda nem existia Twitter e nem sonhava em ter um blog sobre televisão. Sou um péssimo dançarino e nunca me interessei por dança. Mas, o quadro --- versão nacional do formato britânico "Strictly Come Dancing" --- diverte e entretém. Não importa se você gosta de se remexer ou não. Tanto que virou o maior trunfo do "Domingão do Faustão", completando 12 anos no ar.


E, para a minha surpresa, a Globo me convidou para ter uma experiência única: ser um participante da "Dança dos Famosos" por um dia. Já participei de alguns eventos da emissora, principalmente envolvendo lançamento de novas produções. Sempre fico muito feliz com a lembrança e com o reconhecimento do meu trabalho. Porém, ter que dançar era algo nunca cogitado por mim. Até porque não gosto de virar foco de atenção, me sentindo sempre mais seguro e à vontade escrevendo e observando. Ou seja, a minha primeira resposta foi um "não, obrigado".

Agradeci imensamente a lembrança e o convite, mas deixei claro que não levava o menor jeito. Todavia, uma das responsáveis pela gestão de Mídias Sociais da Globo, a querida Miriam, insistiu e disse que todos os participantes não levam jeito no início e encaram a missão de aprender. Também garantiu que seria divertido.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Irene foi uma vilã que deixou bastante a desejar em "A Força do Querer"

"A Força do Querer" tem várias qualidades e faz por merecer todo o sucesso, honrando a ótima audiência alcançada. Porém, a novela de Glória Perez também tem alguns problemas claramente visíveis. A passagem de tempo de um ano, por exemplo, foi inútil e só prejudicou a verossimilhança de alguns contextos. Há também alguns personagens avulsos, embora o elenco seja enxuto. E um outro equívoco que está bem evidente, ainda mais com o enredo em plena reta final, é a falta de relevância de Irene (Débora Falabella).


Vendida como a grande vilã da história, a personagem parecia promissora. Interesseira, manipuladora e ardilosa, a arquiteta seleciona vítimas para seduzir e depois roubar tudo o que elas têm. É assim que enriqueceu. Seu objetivo era conquistar Eugênio (Dan Stulbach), precisando primeiro virar melhor amiga de Joyce (Maria Fernanda Cândido) para elaborar seu plano perfeito. Suas armações sempre contam com a ajuda de Mira (Maria Clara Spinelli), uma cúmplice medrosa. Todo o início desse plano foi interessante de acompanhar. Todavia, o contexto acabou se arrastando e perdendo o fôlego.

É importante citar, aliás, que a situação é muito parecida com a protagonizada por Ivone (Letícia Sabatella), Silvia (Débora Bloch) e Raul Cadore (Alexandre Borges), em "Caminho das Índias" (2009), da mesma autora. Esse núcleo da outra novela, por sinal, era muito cansativo e não funcionou. Glória não conseguiu conduzir esse drama de forma atrativa. Por isso mesmo havia uma desconfiança em torno da jornada de Irene.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Sarcástica, "Filhos da Pátria" é uma série perfeita para o atual momento do Brasil

A nova série da Globo foi gravada antes do impeachment de Dilma Roussef. Mas, se tivesse sido realizada semana passada, daria na mesma. Isso porque o Brasil está mergulhado em uma crise avassaladora e repleta de escândalos há muito tempo. Nunca a corrupção e a desonestidade estiveram tão em voga. "Filhos da Pátria" busca tratar justamente a 'origem' de toda essa podridão através de uma história sarcástica recheada de tipos facilmente identificáveis, com o humor provocando risos envergonhados no público.


Escrita por Bruno Mazzeo e dirigida por Maurício Farias, a trama é ambientada no Rio de Janeiro do século XIX, em 1822, logo após a proclamação da Independência. A cidade cenográfica, inclusive, é a mesma utilizada em "Liberdade, Liberdade" (2016) e "Novo Mundo". O 'surgimento' da corrupção e do famoso jeitinho brasileiro é exposto no enredo através dos Bulhosa, típica família de classe média da época, composta pelo ingênuo português Geraldo (Alexandre Nero), sua esposa ambiciosa, a brasileira Maria Teresa (Fernanda Torres), pelo primogênito metido a idealista, Geraldinho (Johnny Massaro), e pela caçula feminista, Catarina (Lara Tremouroux). A escrava empoderada, Lucélia (Jéssica Ellen), e o escravo bonachão, Domingos (Sérgio Loroza), ainda compõem o núcleo.

A série ficou disponível na íntegra pelo aplicativo Globo Play, a partir do dia 3 de agosto, e o primeiro capítulo foi exibido em uma coletiva realizada na luxuosa Casa Julieta de Serpa, no Flamengo, Rio de Janeiro (também no dia 3). Logo no primeiro episódio, fica claro o objetivo da produção em apontar toda a hipocrisia da sociedade, mirando em cada uma de nossas falhas, expondo o deprimente conjunto que acabou resultando nesse Brasil que todos se envergonham tanto.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Impecável, "Sob Pressão" mesclou realidade e ficção com maestria

A famosa expressão "O que é bom dura pouco" pode ser aplicada com facilidade em "Sob Pressão". A melhor série do ano e o mais elogiado trabalho da Globo em 2017, até então, estreou no dia 25 de julho e chegou ao fim nesta terça-feira, dia 19 de setembro. Durou menos de três meses no ar, tendo apenas nove episódios. E esse tempo bastante curto foi sentido porque a trama ---- com direção de Andrucha Waddington e Mini Kerti, baseada no filme homônimo, derivado do livro "Sob Pressão - A Rotina de um Médico Brasileiro", de Marcio Maranhão ---- impressionou pelas inúmeras qualidades.


A produção se mostrou uma obra-prima, provando que o Brasil sabe fazer séries dramáticas tão boas quanto as estrangeiras. Após a tentativa fracassada de "Supermax", exibida ano passado, pairou uma desconfiança em torno da capacidade de elaboração de um seriado que não fosse de humor. Claro que a Globo já produziu alguns enredos fora do campo da comédia e uma de suas melhores séries é "A Cura" (2010), um suspense brilhante de João Emanuel Carneiro. Entretanto, sempre houve uma insegurança em se arriscar por esse caminho e as histórias cômicas eram tratadas como prioridade.

A trama médica tem tudo para ser um incentivo e tanto para outras empreitadas parecidas, valorizando o drama nos seriados. Até porque, vale observar, o contexto de "Mulher", série exibida entre 1998 e 1999, que abordava a rotina de duas médicas dedicadas em um hospital particular, foi primoroso e já era para a emissora ter voltado a investir nisso há tempos. Agora, com "Sob Pressão", o público acabou presenteado com uma história que se mostrou ainda melhor que a contada no filme.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Chamada de supersérie, "Os Dias Eram Assim" não teve nada de super e nem de série

Após seis novelas exibidas na faixa das onze ---- "O Astro", "Gabriela", "O Rebu", "Saramandaia", "Verdades Secretas" e "Liberdade, Liberdade"----, inserindo o folhetim em um horário mais tarde, permitindo maiores liberdades nas cenas, a Globo decidiu mudar a classificação do produto em 2017, optando por chamar "Os Dias Eram Assim" de 'supersérie'. O que seria a sétima novela da faixa (planejada anteriormente para às 18h, inclusive), virou a primeira supersérie da emissora. Mas, não podiam ter escolhido trama pior para fazer essa alteração. Isso porque a produção, que chegou ao fim nesta segunda-feira (18/09), não teve nada de super e muito menos de série.


Primeiro, porque teve 88 capítulos, ficando no ar por seis meses. Foi a produção mais longa das 23h, superando todas as novelas anteriores, que tinham como característica o menor número de capítulos (normalmente em torno de 60). E, segundo, porque o enredo das estreantes Angela Chaves e Alessandra Poggi apresentou todos os clichês possíveis de um folhetim, fazendo do conjunto um dramalhão clássico. Entretanto, infelizmente, todos esses recursos foram muito mal usados pelas autoras. Afinal, não há mal algum no clichê, desde que bem conduzido. Não foi o caso. Ainda mais em um produto que era classificado como 'supersérie'. Inclusive, nem ritmo de uma série teve. O enredo se arrastou ao longo dos meses e parecia interminável.

O início da trama, dirigida por Carlos Araújo, parecia promissor. Ambientada na década de 70, tendo a Ditadura Militar como pano de fundo, a história de amor protagonizada por Renato (Renato Góes) e Alice (Sophie Charlotte) despertou interesse e o primeiro capítulo deixou uma ótima impressão.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Irretocável como Leopoldina em "Novo Mundo", Letícia Colin vive seu melhor momento na carreira

"Novo Mundo" é daquelas novelas que ficarão marcadas pelo contexto histórico. O folhetim de Alessandro Marson e Thereza Falcão aborda alguns dos mais estudados momentos do país nas escolas: a época do domínio de Portugal, das desventuras de Dom Pedro, da soberania da Corte Portuguesa, do Brasil Império, enfim... E, claro, para isso era necessária a presença de tipos que realmente existiram se misturando com personagens fictícios, tornando a escalação um desafio grande. Pois os autores se saíram muito bem na missão. E o maior acerto foi a escolha de Letícia Colin.


A escalação da intérprete para viver a princesa Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena, depois conhecida como Maria Leopoldina de Áustria, foi certeira. A personagem, que foi casada com Dom Pedro I, é uma das mais lembradas e citadas por historiadores, pois teve um papel fundamental para o processo de Independência do Brasil. E sua vida daria mesmo um dramalhão clássico de novela. A escolha para viver um perfil tão rico exigia muita responsabilidade, onde um erro seria fatal para o núcleo principal de "Novo Mundo". Mas, o acerto ficou evidente logo no primeiro capítulo, firmando essa ótima impressão até hoje, em plena reta final.

É nítido o trabalho, tanto de prosódia quanto de postura corporal, que a atriz teve para compor a princesa austríaca. O seu sotaque francês é adorável e deixou a personagem cativante, pois serve para imprimir um toque de doçura que casou perfeitamente com o papel.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

"Tempo de Amar": o que esperar da próxima novela das seis?

A missão da próxima novela das seis será manter a qualidade da faixa, após a elogiada "Novo Mundo", sucesso de público e crítica (cuja média de audiência foi 24 pontos, a maior do horário dos últimos anos, com exceção do fenômeno "Êta Mundo Bom!", que marcou 27). Escrita por Alcides Nogueira, em parceria com Bia Corrêa do Lago, e dirigida por Jayme Monjardim, o folhetim será um clássico romance água com açúcar e vem apresentando chamadas belíssimas, com uma fotografia de encher os olhos.


A história terá dois estreantes vivendo os mocinhos: Bruno Cabrerizo e Vitória Strada. Ele dará vida a Inácio Ramos, um rapaz simples, que mora em um vilarejo, em Portugal, e vive de trabalhos temporários. Ela será Maria Vitória, jovem letrada e de mente aberta, moradora de Morros Verdes, que ficou órfã de mãe muito cedo e foi criada pelo pai, um sujeito muito íntegro. Os dois se apaixonam à primeira vista e começam a namorar, mas logo se separam em virtude de uma viagem que o mocinho tem marcada para o Brasil, onde conseguiu um emprego no Rio de Janeiro. Porém, ele viaja e deixa a amada grávida, sem saber.

O contexto dos protagonistas é um dos maiores clichês já vistos, mas, se bem conduzido, funciona. E a ousadia em escalar dois novatos para a missão é bem válida. Em meio a repetições constantes de elenco, onde vários atores emendam uma novela na outra, sem descansar a imagem nem por sete meses, é preciso elogiar a atitude do diretor e do autor.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Ótima como Kiki em "Os Dias Eram Assim", Natália do Vale fazia falta na televisão

A última novela que contou com a presença de Natália do Vale do início ao fim foi a fracassada e problemática "Em Família", de Manoel Carlos, exibida em 2014. Ela, inclusive, protagonizou uma situação estapafúrdia, interpretando a mãe de Júlia Lemmertz. Dois anos depois, esteve apenas no primeiro capítulo de "Êta Mundo Bom!", vivendo a mãe da personagem de Nathalia Dill. Ou seja, a grande intérprete estava praticamente ausente da televisão há três anos. E agora, em "Os Dias Eram Assim", provou que estava fazendo muita falta.


A atriz está ótima na pele da passional Kiki, mulher que passou anos sendo submissa ao marido e vivendo uma relação conflituada com as duas filhas. Na primeira fase da trama de Angela Chaves e Alessandra Poggi, Natália conseguiu protagonizar grandes cenas ao lado de Sophie Charlotte e Antônio Calloni. As brigas que a personagem tinha com o autoritário Arnaldo eram intensas e os embates com Alice repletos de instantes dramáticos. Ela deu um show. Era uma fase, inclusive, que o enredo se mostrava promissor e atrativo.

Infelizmente, ao longo das semanas, a trama foi se esvaziando e Kiki perdeu a importância com a morte equivocada do marido. O assassinato do empresário em nada contribuiu para o andamento do roteiro e só prejudicou o núcleo central, tendo a intérprete como uma das principais 'vítimas'. Tanto que acabou avulsa na história por um bom tempo.

domingo, 10 de setembro de 2017

"Popstar" foi uma boa aposta da Globo

Chamado sempre pela Globo de um 'formato original', ou seja, criado pela própria emissora, indo contra a constante compra de formatos estrangeiros, o "Popstar" estreou no dia 9 de julho e chegou ao fim neste domingo, dia 10 de setembro. Durou apenas dois meses. Mas, pode-se constatar que foi um programa despretensioso e cumpriu sua proposta, podendo ter ficado no ar por pelo menos mais um mês se a produção quisesse.


Comandado por Fernanda Lima, o reality utilizou o cenário do extinto "SuperStar" (esse, sim, oriundo de um formato de fora), que também era apresentando por ela. Porém, agora, Fernanda se mostrou muito mais à vontade, deixando o nervosismo (sempre visto na outra atração) de lado. Lembrou até, levando em conta o horário vespertino, seu desempenho no "Amor & Sexo". Talvez porque estava entre amigos e não havia tanta gente competindo, como na disputa entre bandas amadoras.

Os convidados do reality musical, por sinal, foram bem selecionados. Fabiana Karla, Lúcio Mauro Filho, Sabrina Parlatore, Mariana Rios, André Frateschi, Érico Brás, Alex Escobar, Eduardo Sterblich, Cláudio Lins, Murilo Rosa, Rafael Cortez, Marcello Melo Jr. e Thiago Fragoso esbanjaram simpatia e mergulharam de cabeça no objetivo do programa, deixando qualquer constrangimento de lado.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Proclamação da Independência em "Novo Mundo" arrepiou e honrou o momento histórico

A ótima novela das seis da Globo está em plena reta final. E uma das muitas qualidades da trama de Alessandro Marson e Thereza Falcão foi a mescla de ficção com fatos históricos. Os autores foram muito habilidosos na construção de um folhetim clássico, tendo uma passagem importante da história do país como enredo central. E um dos momentos mais aguardados de "Novo Mundo" foi ao ar nesta quinta-feira, dia 7 de setembro: a declaração da Independência do Brasil.


Primeiramente, é preciso aplaudir a precisão dos escritores em colocar a cena justamente no dia que realmente aconteceu o fato, em pleno feriado. A coincidência calculada deixou o grito de Dom Pedro (Caio Castro) ainda mais arrepiante, conseguindo cercar esse momento emblemático com todo o clima necessário. Era um clímax bastante esperado, não apenas em virtude do contexto tão presente nos livros de história, como também pela trajetória do príncipe e da princesa que o público tem acompanhado desde a estreia da novela.

A emoção da sequência até pôde ser sentida no capítulo de quarta-feira (06/09), através da belíssima cena em que Leopoldina (Letícia Colin) ignorou as ameaças da Corte Portuguesa e assinou a separação do Brasil de Portugal. Nomeada princesa regente pelo marido, a respeitável mulher reuniu os ministros e, com o apoio deles e de José Bonifácio (Felipe Camargo), tomou a decisão mais importante da história do país.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Júlio Andrade e Marjorie Estiano fazem jus ao protagonismo de "Sob Pressão"

"Sob Pressão" já é uma das maiores surpresas do ano. Baseada no filme homônimo, dirigido por Andrucha Waddington, a série é de uma qualidade ímpar e consegue ser melhor que o longa. Tem sido incrível (e impactante) acompanhar a saga de médicos que lutam para salvar vidas em meio aos caos da saúde pública do Rio de Janeiro (que reflete todo o Brasil). Mas, em meio a tantos pontos extremamente positivos dessa trama da Globo, coproduzida com a Conspiração, há um grande trunfo que deixa o enredo ainda mais imperdível: o talento de Júlio Andrade e Marjorie Estiano.


Nada melhor para uma boa história do que ter intérpretes competentes defendendo perfis bem construídos. E é exatamente isso que acontece na série. Evandro e Carolina são personagens que transbordam densidade, tendo o drama como principal alicerce. Seria catastrófica a escolha de atores ruins ou até medianos. Era necessária a escalação de profissionais irretocáveis. Portanto, a seleção de Andrucha para o filme foi perfeita e a permanência de ambos no seriado comprova a tese de que em time que está ganhando não se mexe.

Afinal, como o restante do elenco mudou (menos Stepan Necerssian e Josie Antello), poderiam ter trocado todo mundo, partindo do zero, mantendo apenas a premissa. Mas, acertadamente, não tomaram essa atitude por causa desse casamento perfeito de perfis grandiosos com intérpretes dedicados.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Divina Diva, Rogéria era a representação da alegria de viver

Hoje, segunda-feira, dia 4 de setembro, o Brasil sofreu mais uma grande perda: Rogéria faleceu, aos 74 anos, no Hospital Unimed Barra, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, depois ter sido internada para tratar de uma infecção urinária, tendo uma complicação após uma crise convulsiva. Em julho, ela tinha sido hospitalizada por causa de uma infecção generalizada e só recebeu alta no dia 25 de agosto, sem estar totalmente recuperada. Infelizmente, não resistiu a essa nova infecção. 


Nascido Astolfo Barroso Pinto, em Cantagalo, interior do estado do Rio, o artista já mostrava que não teria obstáculo que o segurasse. Nasceu para brilhar. E de fato brilhou. Na adolescência, o Astolfo virou Rogério e trabalhou como maquiador de estrelas do teatro, da música e da extinta TV Rio. Em um concurso de fantasia no Teatro República, em 1964, foi apresentado como Rogério, mas o público só gritava "Rogéria, Rogéria" e assim foi batizada com o nome que viraria referência na classe artística. Já nos primeiros anos de carreira ficou conhecida como símbolo gay e foi uma das pioneiras na luta contra a homofobia, causa que era ainda mais significativa na época (auge da Ditadura Militar). 

Artista multifacetada, Rogéria foi vedete de Carlos Machado e em 1979 ganhou o troféu Mambembe por uma peça que fazia com o também saudoso Grande Otelo. Não demorou para virar uma figura frequente na televisão. Em 1986, estreou no programa "Viva a Noite", no SBT, como repórter, e em 1989 fez uma marcante participação em "Tieta", na Globo, vivendo a espevitada Ninete ---- por uma infeliz (ou feliz) coincidência, o capítulo que marcou a sua entrada na trama de Aguinaldo Silva é justamente o exibido nesta madrugada, pelo Viva.