segunda-feira, 14 de julho de 2014

"O Caçador": mais uma grande série brasileira que chegou ao fim

Com texto de Fernando Bonassi, Sérgio Goldenberg e Marçal Aquino, "O Caçador" ficou três meses no ar e chegou ao fim na última sexta-feira (11/07). Dirigida por José Alvarenga Jr. e Heitor Dhalia, a série, que contou a história de um policial que passou a viver clandestinamente, após sofrer uma grande injustiça e ter sua vida arruinada, começou já expondo toda a trama do protagonista, deixando os episódios seguintes focados quase que exclusivamente nas investigações que André (Cauã Reymond) fazia com seu trabalho de caçador de recompensas.


A fórmula era parecida com a usada em "Força-Tarefa", excelente série protagonizada por Murilo Benício, que tinha no comando praticamente a mesma equipe de roteiristas e o mesmo diretor (José Alvarenga Jr.). Porém, nesta produção, os dramas do protagonista eram bem mais pesados, assim como as cenas, repletas de terror psicológico e violência. E enquanto as investigações de André, para conseguir provar sua inocência, ficavam em segundo plano, as tramas policiais paralelas engrandeciam o seriado, prendendo  a atenção do público. 

Foram várias situações interessantes e bem desenvolvidas, onde André se colocava em sério risco para cumprir suas missões, em parceria com o também ex-policial Lopes (Aílton Graça), que trabalhava mais na procura de 'clientes' interessados em capturar ou achar alguém.
Entre as muitas investigações exibidas, com certeza a melhor foi a da reta final, envolvendo a Máfia Chinesa, que durou dois episódios e foi repleta de meandros e sequências fortes. Embora seja um clichê, vale constatar que deixaram mesmo o melhor para o fim.

O desfecho desta missão ----- onde André quase morreu por overdose, já que a máfia eliminava os inimigos injetando drogas no sangue das vítimas em doses homeopáticas -----, após várias cenas impactantes, culminou com a revelação de todo o plano que levou o protagonista para a cadeia. Isso porque Marinalva (Nanda Costa), ex-prostituta que virou evangélica, resolveu contar sua participação no sequestro do filho de um perigoso traficante. Os fios soltos finalmente se juntaram, chegando inclusive na participação de Saulo (Jackson Antunes) no esquema, pai do protagonista, que faleceu logo no primeiro episódio.

E além do drama de André, a série também explorou a rivalidade que ele tinha com seu irmão (Alexandre - Alejandro Claveaux), também policial, por causa de Kátia (Cleo Pires), mulher bipolar e esquizofrênica que se casou com Alexandre, mas nem por isso deixou de se relacionar com André ---- ela inclusive engravidou, mas perdeu a criança.

Nos dois últimos episódios, novas reviravoltas aconteceram em volta da vida do protagonista. Ele simplesmente perdeu seu parceiro (Lopes), brutalmente assassinado pelo mafioso Manoel Benítes, e acabou descobrindo que o grande mafioso paraguaio era na verdade Ribeiro, o sujeito que participou do plano que culminou na prisão de André. Fechando a sucessão de revelações, o ex-policial descobriu que era filho justamente deste Ribeiro e não de Saulo. Após muitas perdas e traumas, o personagem central acabou provando sua inocência, foi reintegrado à polícia e terminou solitário, mas exercendo a profissão que tanto amava.

Vale destacar o desempenho do elenco. Cauã Reymond, embora esteja com sua imagem desgastada, teve uma ótima atuação e se saiu muito melhor do que na minissérie "Amores Roubados", onde viveu o sedutor Leandro. O ator teve cenas difíceis e se saiu bem em todas. Alejandro Claveaux é uma grata revelação de "Malhação" e vem firmando sua carreira graças ao seu talento. Conseguiu compor um violento e controverso Alexandre com competência. Já Cléo Pires convenceu na pele de sua sedutora Kátia, enquanto que Aílton Graça deu um show interpretando o frio Lopes, comprovando que merece mais tipos dramáticos, após uma sucessão de perfis cômicos que interpretou (muito bem, diga-se) na televisão. E Nanda Costa se sobressaiu na reta final.

"O Caçador" saiu de cena, cedendo espaço para o remake de "O Rebu", e foi uma ótima série policial, repleta de cenas fortes, boas interpretações e interessantes personagens. A Globo chegou a pedir uma segunda temporada para a equipe, mas José Alvarenga recusou porque a trama fechou seu ciclo definitivamente. E o último episódio, de fato, comprovou isso. A história não decepcionou e seguiu seu rumo de forma intensa, onde dramas paralelos muitas vezes se entrelaçaram com os conflitos internos do protagonista. Foi mais uma grande série brasileira que chegou ao fim.

20 comentários:

paulo disse...

Nunca assisti isso, Cauã Reymond de protagonista? E essa outra coisa com Heloisa Perise(?) também, deve ser outra tranqueira. Meu Deus, a que ponto desceu a poderosa. A proposito, não se fala em outra coisa senão a CÓPIA descarada do logo de uma novela de nome estranho que vai estrear no plim-plim com o logo de Pecado Mortal(ÓTIMA NOVELA). Sei que ambas se passam nos anos 70 mas copiar o logo com aquela bola de vidro é demais, imagina se fosse o contrario. A Globo nunca fez uma novela que retratasse os 70s e agora depois de PM resolveu fazer e ainda copia o logo da outra. Que feio, globo. Ah, e pela enésima vez, NÃO sou crente, não sou fã da Record. Apenas acho a globo de hoje irreconhecível, nem sombra do que já foi um dia. E viva a Alemanha(rsrs).

Thallys Bruno Almeida disse...

Sei que gostou da série, mas pra mim, depois do grande acerto com Força Tarefa, eles erraram agora. Achei confusa, o primeiro episódio não me atraiu e nos outros tudo parecia começar do nada pra levar a coisa alguma.

Sobre o Cauã, ñ sei se é porque já cansei da cara dele desde o escândalo da separação, mas ñ o achei tão ótimo assim. Apenas mediano e olhe lá. Nanda Costa idem (é outra que ñ gosto). Gostei mais da Cleo Pires e principalmente do Alejandro Claveaux e do Ailton Graça. Enfim, ñ me agradou. Espero que Dupla Identidade (da Glória Perez) seja superior.

Anônimo disse...

Concordo. A Série foi perfeita. Queria uma segunda temporada e tinha me animado quando li que a Globo tinha pedido, mas já me decepcionei quando o diretor não quis. Mas talvez tenha sido melhor. Essa foi tão impecável que uma segunda poderia estragar tudo.

Anônimo disse...

Pensei que vc não gostasse do Cauã...

Mauro M. disse...

Essa série foi muito boa. No começo cheguei a achar que não seria tão bem escrita quanto Força-Tarefa mas foi. Um trabalho impecável de toda a equipe que está de parabéns! Concordo integralmente com a postagem e endosso tudo. Acho até melhor que não tenha segunda temporada porque a trama foi redonda e encerrou muito bem.

Amanda Ventura disse...

Acharia melhor se tivessem focado um pouco mais na vida pessoal de André e menos nas suas investigações como caçador de recompensas.
Os personagens de Cléo Pires, Alejandro Claveaux e Nanda Costa poderiam ter tido mais espaço.
O episódio de que mais gostei foi o que contou com a participação de Bárbara Paz e Marcelo Serrado, quando André e outros clientes de um restaurante ficam presos num depósito, reféns de traficantes.

Anônimo disse...

OFF TOPIC: Avenida Brasil fracassa na Argentina. A reprise da novelinha insuportável terminou em quinto lugar. A Globo vende uma falsa imagem dessa novela e dá nisso. As TVs estrangeiras compram, o povo iludido assiste no inicio e depois veem a droga que é e abandonam a novela.

Barbie Californiana disse...

Não consegui acompanhar esta, Sérgio. beijinhos

Sérgio Santos disse...

Paulo, lá vai vc defender a Record de novo. É mt amor. E sabe o que eu acho? Inicialmente não tinha esse Globo no logo de Boogie Ooogie, mas falaram tanto que ela era uma cópia, que colocaram de propósito. Pra tripudiar msm. Até pq Dancing`Days é um pouquinho mais velha que Pecado Mortal, né. Sim, Viva Alemanha, mas eu torcia pro Brasil, claro.

Sérgio Santos disse...

Bem, Thallys, pra dixzer que as histórias começavam do nada pra ir a lugar algum, das duas uma: ou vc não viu nada, ou se viu não entendeu bulhufas, pq a trama era mt bem amarrada, incluindo as investigações em cada episódio.

Não gosto do Cauã, acho no máximo regular, mas nesse trabalho eu achei ele excelente e foi um dos seus melhores desempenhos. Mt melhor que Amores Roubados, onde ele foi inexpressivo.

Sérgio Santos disse...

Tb acho que foi melhor não ter outra, anônimo. Terminou tudo tão bem encaixado que é melhor não mexer.

Sérgio Santos disse...

E não gosto mesmo, anônimo, mas sei reconhecer um bom trabalho.

Sérgio Santos disse...

Foi boa demais mesmo, Mauro. E foi melhor não ter segunda temporada. O desfecho encerrou a série perfeitamente.

Sérgio Santos disse...

Amanda, é verdade, essa trama poderia ser mais explorada. Mas foi tudo tão bem feito que não vi problema. E eu concordo com vc, esse episódio onde todos ficam presos no restaurante foi o melhor. Mas o duplo da Máfia Chinesa foi impecável.

Sérgio Santos disse...

Fracassa na Argentina, anônimo? Foi um fenômeno lá e reuniram 11 mil pessoas em uma praça pra exibir o último capítulo, que marcou 28 pontos na emissora de lá, índice considerado altíssimo. Cauã, Debora Falabella, Vera Holtz, Marcos Caruso e Alexandre Borges foram pra lá a convite deles e foram tratados feito estrelas internacionais.

Tudo bem vc ter odiado, mas acho péssimo quando a pessoa tenta desmerecer o sucesso de algo só pq ela não gostou.

Sérgio Santos disse...

Ok, Barbie. bjs

Anônimo disse...

Eu gostei muito dessa série. Jurava que teria continuação. Pena que não terá.

Fernanda disse...

Também gostei da série embora tenha perdido alguns episódios. Mas não ficou devendo a nenhuma produção americana. Qualidade teve de sobra. Boa crítica.

Sérgio Santos disse...

Foi melhor não ter, anônimo.

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Fernanda. Não ficou devendo mesmo a nenhuma série americana.