quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"José do Egito": a interminável minissérie que abusou da paciência do telespectador

A Record estreou mais uma de suas minisséries bíblicas no dia 30 de janeiro de 2013. E a produção só chegou ao fim no dia 9 de outubro, ou seja, nada menos do que 8 meses depois da estreia. Uma duração maior do que a de muita novela. Portanto, a emissora pode usar várias denominações para classificar "José do Egito", menos a de minissérie. E esse equívoco, apesar de ter sido o mais grave, foi apenas um dos muitos apresentados nessa produção.


A minissérie, ou melhor, a série, foi produzida na época em que a emissora dos bispos esbanjava dinheiro. Cada capítulo custou em torno de R$ 850 mil, foram construídas duas cidades cenográficas e o total investido beirou os R$ 23 milhões, números que causam um impacto no orçamento de qualquer empresa. Porém, apesar de ter estreado com um bom índice de 12 pontos, aos poucos a trama foi perdendo audiência, chegando a marcar 6 pontos. E essa variável se manteve presente durante toda a exibição: uns capítulos conseguiam números razoáveis e outros números insatisfatórios.

Ou seja, o elevado investimento acabou não valendo a pena. Até porque, a crise enfrentada pela Record pouco tempo depois de produzir a série, afetou diretamente outras produções, como "Dona Xepa", por exemplo, que teve investimentos bem limitados. Portanto, ao invés de haver uma base parecida nos custos
de toda a área da teledramaturgia, ocorreu uma discrepância entre as produções, favorecendo algumas e prejudicando outras.

No caso da trama bíblica, a linda fotografia, as ótimas locações (gravaram várias cenas no Egito e no Chile) e as belas imagens acabaram fazendo valer o dinheiro investido na obra. A qualidade desse conjunto ficou clara. Porém, o restante não ajudou. Embora o figurino tenha apresentado um certo capricho, a artificialidade da barba de alguns personagens comprometeu a apresentação. A teatralidade das atuações também prejudicou a produção. A direção errou ao explorar os exageros e repetiu equívocos já exibidos em outras produções bíblicas da emissora.

E como já dito anteriormente, a longa duração foi o erro mais grave. Impossível fidelizar o telespectador com uma minissérie que foi exibida só uma vez por semana e ainda ficou 8 meses no ar. Para piorar, vários atores da produção começaram a ser vistos na concorrência e na própria Record, mas em outras tramas. Anna Rita Cerqueira e Binho Beltrão, que participaram da história, por exemplo, foram trabalhar em "Malhação", na Globo. Já Maytê Piragibe, Carla Cabral, Gustavo Leão e Guilherme Winter surgiram na nova novela de Carlos Lombardi, "Pecado Mortal", mesmo ainda estando no ar em "José do Egito". Bianca Rinaldi, outra atriz que participou da produção, não renovou seu contrato, esteve em vários programas da Globo e estará na próxima trama de Manoel Carlos. Isso levando em consideração que apenas alguns exemplos foram citados, há vários outros casos semelhantes.

Os 28 capítulos iniciais acabaram virando 37, o que prolongou ainda mais seu tempo no ar. Se a minissérie tivesse sido exibida diariamente, esse número de capítulos nem seria tão significativo assim, mas a partir do momento em que se optou por exibi-los semanalmente, ficou claro que a medida adotada foi um completo despropósito.

Escrita por Vivian de Oliveira e dirigida por Alexandre Avancini, "José do Egito" foi uma produção que se destacou pelo exagero. E exagero em todos os aspectos: tanto no dinheiro investido, quanto nas atuações e no tempo em que ficou no ar. A minissérie da Record, que de minissérie não teve nada, saiu do ar causando sensação de alívio; afinal, para ter acompanhado semanalmente uma história que começou a ser contada no final de janeiro e só terminou no início de outubro, foi preciso ter muita paciência.

46 comentários:

Filha do Rei disse...

Realmente, foi muito longa,não consegui acompanhar.Foi uma pena.

Milene Lima disse...

Periga eles resolverem filmar a história de Moisés atravessando o deserto e isso demorar pra lá de 40 anos. Já pensou?

Um beijo, Sérgio.

Thairys Moreno disse...

Nem sabia que era uma minissérie, rs. Passei a acompanhar esporadicamente, até gostei da obra, achei as imagens caprichadas, o figurino tb não fez feio, mas a Record pecou gravemente nesse quesito do tempo de exibição, tanto que achei que se tratasse de um seriado, o fato de só ser exibido uma vez por semana e ter se estendido por tantos meses só cansou o telespectador, o que eu achei uma pena, o resultado poderia ter sido melhor, e nós telespectadores poderíamos ter acompanhado melhor a trama se não fosse esse despropósito.
Beijos.

Anônimo disse...

Adorei a serie Jose do Egito, parabéns a Record!

Anônimo disse...

Quem viu isso??????????? Nem os bispos viram!!!!!!!

Marco disse...

Comecei a acompanhar essa série com entusiasmo,mas não consegui chegar até o final.Parei em abril. Nunca vi algo tão longo assim. É um absurdo uma emissora exibir uma vez por semana uma minissérie e extendê-la até o começo de outubro para garantir ibope e encher buraco da grade.

eder ribeiro disse...

A Record tenta ser gde, mas não consegue. Abçs, Sérgio.

paulo disse...

Tem gente que gosta de Jose do Egito, outras preferem big brother, amor a vida, zorra total... é a vida e suas escolhas!

Pamela Sensato disse...

Eu não assisti, acho que a Record monta muito mal as cenas....
Estou aguardando agora ansiosamente para 'A Bíblia' pelo menos não é a Record que montou....

-Post novo no blog ♥

Beijoss *-*

==> Blog Resenhas da Pâm

Anônimo disse...

melhor assistir historia biblicas,embora demoradas,porem edificantes,do que assistir pornografia,na globo..

Luan Bruno disse...

Olá, Sérgio!

Nossa, nem sabia que essa série tinha demorado tanto! Para falar a verdade, eu imaginava que estava sendo reprisada. (rs)

Se tivesse sido exibida de segunda à sexta, talvez tivesse conseguido uma audiência melhor.

#Abraço #Sucesso

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Sérgio, só assisti aos primeiros capítulos da minissérie. Depois, vi alguns trechos. Não me empolguei em seguir a história, ao contrário do que acontecera com Rei Davi. Percebi que pouco se falou sobre José do Egito, e isso deve ter desagradado à direção da Record, pelos recursos dispendidos. A duração realmente foi excessiva.

Maxxi disse...

"Periga eles resolverem filmar a história de Moisés atravessando o deserto e isso demorar pra lá de 40 anos. Já pensou?"

Ri demais desse comentário rs rs rs

Bem, Sérgio... Gosto demais quando você faz suas análises dos produtos de outras emissoras (em detrimento à Globo). Pois bem, tentei acompanhar José do Egito, porém foi impossível. Vez ou outra ocorria algo que me impedia de ver, como a minha formatura e viagens que fiz. Aío não deu. Mas só tenho elogios, apesar das atuações às vezes teatrais de alguns atores e o texto também, foi uma série gostosa de assistir, interessante que atraiu por boas imagens e personagens cujo interior era lindo, como o próprio José. Mas esse esticamento, realmente comprometeu. Foi estranho acompanhar uma produção que começou em Janeiro, e estar no ar até Outubro. Acredito também que a Record deveria repensar pelo tempo que fica no ar, não necessariamente pela dupla aparição de atores, o que eu até gosto, porque como sou fanático por TV gosto de fazer comparações do desempenho de um mesmo atore em produções diferentes, e isso fica mais fácil quando ele está duas vezes no ar.

Mas valeu a pena. Uma história muito bonita, que me incentivou inclusive a ler a Bíblia. Espero que a Record não desista das produções bíblicas próprias. E que venha THE BIBLE.

Felipe disse...

ahhh, então é por isso que eu esses dias quando eu via comercial da minissérie tinha a sensação que ela era uma reprise, porque já estava há meses no ar! :P

Barbie Californiana disse...

Sérgio, confesso que eu só assistia quando estava acordada e não tinha nada para ver ou fazer... hahaa beijinhos

Demian disse...

Será que teve alguém que assistiu a todos os 37 capítulos??? Alguém conhece??? A Record até tem (ou teve) alguns bons produtos, mas erra feio nas estratégias (ou na falta de) que adota...

Anônimo disse...

Acho bobagem esses comentários sobre ibope, todo mundo sabe que se a globo sair do ar é capaz de dar mais ibope que qualquer outra emissora que tiver transmitindo a volta de Cristo a Terra, por exemplo. O povo é condicionado a assistir a globo, pode ser a porcaria que for.

Mad20 disse...

Essa produção foi ridícula. Depois da bemfeita Rei Davi a Record veio com uma minissérie longa e que parecia um teatro de quinta categoria, com atores beirando o ridículo.Acabou sem repercussão e sem deixar saudades.

Madalena Schutze disse...

Oi Sergio, vim ler a postagem, mas acabei observando o teu blog, fiquei encantada com tudo.
Parabéns ele está lindo.
O meu tem coisas que não estão legal. acho que preciso de alguém para colocar em ordem.
Abrs

Sérgio Santos disse...

Obrigado pelo comentário, Cléu. bjs

Sérgio Santos disse...

Já pensou, Milene? rsrsrsrs bjão

Sérgio Santos disse...

Esse foi o grande erro, Thairys. Deixar um produto chamado de minissérie 8 meses no ar é um despropósito. Ainda foi usado como tapa-buraco da programação. Bjs

Sérgio Santos disse...

Obrigado pelo comentário, anônimo.

Sérgio Santos disse...

Anônimo, a audiência variou mt. Mas não foi um sucesso.

Sérgio Santos disse...

Marco, foi um absurdo mesmo.

Sérgio Santos disse...

Triste, Eder.

Sérgio Santos disse...

É verdade, Paulo, tem gente que gosta até de A Fazenda, veja que desgraça. A vida e suas escolhas.

Sérgio Santos disse...

Pamela, não verei A Biblia porque nunca fui fã de séries bíblicas. Bjs

Sérgio Santos disse...

Nossa, anônimo, vc acha que tem pornografia na programação da Globo? Não sei se vc sabe, mas as novelas da Record tem mta cena de sexo, viu. Só não tem igreja pra casar, mas sexo tem.

Sérgio Santos disse...

Luan, muita gente pensou o que era compreensível, afinal, oito meses no ar nem muita novela costuma ficar. Abraços.

Sérgio Santos disse...

Sim, Elvira, durou demais, investiram demais e a repercussão foi zero. Devem ter se arrependido mesmo, ainda mais porque prejudicaram outras produções, como Dona Xepa. bjs

Sérgio Santos disse...

Maxxi, a Milene é ótima.

A duração foi o erro mais grave da produção. Mas respeito que vc tenha gostado no geral. Se a minissérie tivesse sido exibida diariamente, não teria problema. Mas uma vez por semana foi puxado.

Acho péssima essa repetição de atores e acho amadorismo da emissora, ainda que seja válido valorizar o elenco contratado. Abraços.

Sérgio Santos disse...

Bingo, Felipe. abçs

Sérgio Santos disse...

Entendo, Barbie. rsrs bj

Sérgio Santos disse...

Olha, Demian, eu não sei, mas duvido muito... Abçs

Sérgio Santos disse...

Anônimo, eu nem falei sobre ibope, só citei que os índices foram variáveis e que não valeu o investimento.

Sérgio Santos disse...

Mad20, Re Davi foi uma produção mt elogiada mesmo. Mas José do Egito foi um erro.

Sérgio Santos disse...

Oi Madalena, legal ver vc aqui. Olha, ainda vou tentar mudar o fundo e tirar esse mar que não tem mt a ver, mas o meu blog é bem simples se comparado a outros. E eu também não sou bom nisso não. Bjssss

Thallys Bruno Almeida disse...

A minha com certeza não cansou até porque nem acompanhei essa série, rs. Só zapeava e me perguntava "essa série não acaba nunca?".

Eles programaram a série pra terminar em fins de Julho, mas não deram qualquer tipo de satisfação na época sobre esse "esticamento", o que provocou essa sensação. A menos que tenham feito originalmente 28 capítulos no texto, mas tenham dividido nos 37 após gravados e editados, até porque trama bíblica não permite muito esticamento e as gravações terminaram há SEIS MESES atrás. Seis.

O plano originalmente era fazer José do Egito até julho, depois já emendar a nova série Os Milagres de Jesus, e em 2014 produzir a série sobre Moisés. Mas vieram as demissões em massa, o corte de gastos, a reestruturação, a troca de cúpula, e os planos foram alterados, tanto que optaram pela série bíblica americana e adiaram Milagres pra 2014. Aliás, é curioso que o custo por capítulo seja o mesmo de Joia Rara.

José do Egito nem de longe causou o mesmo furor de Rei Davi, embora tenha sido superior em questões técnicas (o investimento na mais alta definição pra extrair o mais perfeito das locações e cenários). O texto era teatral demais, junto com a maioria das atuações (algumas eram triste de aturar...), parecia um jogral de escola. E a trama em si também não ganhou o público como a de Davi, tanto que o cenário foi totalmente diferente ("Davi" foi líder em 70% dos episódios, "José" por várias vezes vi amargar o terceiro atrás do Ratinho). E nem se deram ao trabalho de atualizar a abertura.

No fim das contas, a série foi uma promessa falida que só agradou ao público fiel da Record. Abç!

Clau disse...

Oi Sérgio,bom dia!
Sua análise está perfeita.
Essa história é muito boa,é uma das histórias bíblicas mais interessantes,porém,a exibição semanal impediu que 'José do Egito' rendesse mais.
Bjs!

Sérgio Santos disse...

Eu só vi mesmo o primeiro e o último capítulos, Thallys. Depois praticamente nada. A longa duração e a exibição semanal foram fatais para a série e a emissora investiu demais num produto em detrimento de outros. Nem se compara com a boa aceitação que Rei Davi teve. Abçs

Sérgio Santos disse...

Clau, obrigado pelo reforço. Beijos.

Anderson Cambises disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Muitos! Eu revejo quase todos os dias. É linda! Cheguei a ver em espanhol. Concordo que foi demorada, mas se ainda estivesse no ar estaria vendo.

Anônimo disse...

De acordo.

Ge Jo disse...

Aqui, em 2016, rindo do comentario sobre Moises (novela de grande audiencia). ��
Mas queria msm comentar sobre José, historia biblica q considero mais bonita e fiel, realmente deveria ter sido exibida como novela, mas assisti toda, inclusive as reprises. E agora vai ser exibida como filme no final de ano da record.