sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Rejeitada e marcada pelos equívocos, "Babilônia" chega ao fim responsável pelo próprio fracasso

Para o alívio da Globo, chegou ao fim, nesta sexta-feira (28/08), uma das novelas mais problemáticas que já passaram pelo horário nobre: "Babilônia". Escrita pelo experiente Gilberto Braga, em parceria com Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, a trama (com apenas 143 capítulos) foi o maior fracasso da história do horário e sai de cena com uma amarga média geral de 25 pontos, índice compatível com um folhetim das sete. Encurtada em praticamente dois meses (seu término era previsto para o fim de outubro), a produção --- que chegou a empatar e a ter, algumas vezes, menos audiência que "Malhação", "Alto Astral" e "I love Paraisópolis" --- teve inúmeros equívocos e ficou pouco menos de seis meses no ar.


A história tinha como protagonistas três mulheres, onde duas delas eram as vilãs e uma a mocinha. Beatriz (Glória Pires), Inês (Adriana Esteves) e Regina (Camila Pitanga) seriam os pilares de sustentação do enredo, que despertou boas expectativas, após a exibição das chamadas iniciais e do atrativo primeiro capítulo. Parecia um folhetim promissor, ao menos em torno da trama central. Porém, ironicamente, foi um núcleo paralelo o causador da primeira polêmica: a novela sofreu uma forte rejeição do público logo na estreia em virtude de um beijo lésbico, protagonizado por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, intérpretes de Teresa e Estela.

Claro que o fato de terem exibido o beijo logo na estreia, sem o telespectador conhecer a história das personagens, foi o fato agravante dessa 'rejeição'. Infelizmente não deveria ser assim, mas parte da audiência é muito conservadora. Entretanto, este nunca foi um problema da novela. Pelo contrário, a relação de Estela e Teresa sempre foi muito bonita e telespectador reclamando sempre terá, faz parte. Houve um foco tão grande em cima dessa circunstância que ocorreu um certo 'esquecimento' em torno do conjunto da obra, esse sim equivocado.
O casal era o de menos. Até porque, é preciso relembrar, o par homossexual de "Império" (interpretado por José Mayer e Klebber Toledo) também não foi aceito e nem beijo chegou a ter (o destaque foi nitidamente diminuído e a relação desfeita), mas nem por isso o folhetim de Aguinaldo Silva foi rejeitado ou sofreu números preocupantes no Ibope ---- a história no todo foi 'comprada'.

O erro de "Babilônia" foi a clara fragilidade no roteiro, tanto no núcleo principal, quanto nos paralelos. Os personagens também não foram bem construídos pelos autores, com raras exceções. Não havia estrutura para sustentar a novela por tantos meses e a principal prova foi a rivalidade entre Inês e Beatriz, que se transformou na grande decepção da trama. Após um excelente embate no primeiro capítulo, o ódio mortal aparentemente era a garantia da condução desta relação das inimigas, que prometiam ser vilãs memoráveis. Só que não foram. As duas acabaram virando duas chatas implicantes e o enredo em torno delas ---- o assassinato de Cristóvão (Val Perré) e o controle da empresa de Evandro (Cássio Gabus Mendes) ---- cansou rapidamente. Os autores ainda tentaram provocar algumas viradas, como a 'explicação' para o ódio de Inês (uma vingança nada convincente), que não funcionaram e expuseram incoerências na história.


Além desse sério problema no enredo central, ocorreram ainda modificações no desenvolvimento de algumas tramas paralelas, em virtude das críticas dos telespectadores ---- o chamado 'grupo de discussão'. Alice (Sophie Charlotte) logo no primeiro capítulo revidou um tapa que levou da mãe e mostrou que teria atitude. A garota ainda se apaixonaria pelo cafetão Murilo (Bruno Gagliasso) e seria uma de suas prostitutas. Ela até se apaixonou pelo canalha, mas resolveram transformá-la em uma menininha pura e idiota por medo da reação do público ---- ainda fizeram mãe e filha ter uma relação de cumplicidade, o que era inimaginável e absurdo. Ou seja, o vilão foi perdendo a função e juntaram a menina com o Evandro, que inicialmente era um corrupto, até se arrepender subitamente depois de ficar com a filha de Inês.


Outra alteração brusca foi a do perfil interpretado por Marcos Pasquim. Carlos seria um gay enrustido que se envolveria com Ivan (Marcelo Mello Jr.); entretanto, foi transformado em hétero porque muitas mulheres não gostaram de ver um 'símbolo do machão' (esteriotipado pelas novelas do Carlos Lombardi) ficando com outro homem. Então, o personagem se interessou por Regina (Camila Pitanga). Já a mocinha, aliás, também sofreu mudanças. Honrando os seus times de mocinhas chatas, os autores criaram uma mulher barraqueira, politicamente correta e que queria mandar na vida de todo mundo. A atriz fez o que pôde, mas não conseguiu evitar a irritabilidade de sua protagonista. Após muita rejeição e gritos (além da cansativa gíria "Playba"), Regina virou uma modelo bem-sucedida e classuda. Parecia outra pessoa.


A importância do casal Teresa e Estela também foi diminuída, privando o público de acompanhar com frequência as grandiosas Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Já Rogéria, que entraria pouco antes da metade de trama na pele da exuberante Úrsula Andressa, só foi inserida no enredo bem depois. E Cris (ótima Tainá Muller) --- uma mulher bem resolvida e arrogante --- virou uma surtada, sem controle emocional algum, que passou a correr atrás do mocinho Vinícius (Thiago Fragoso), seu ex, e ainda começou a praticar crimes. Já Herson Capri entraria para interpretar um bandido perigoso, mas o marginal Osvaldo foi passado para Wernner Schunemann, e ele, no entanto, acabou virando um empresário de caráter duvidoso (Otávio), que enganava Beatriz a mando de Inês. Enfim, foram várias alterações no roteiro. Só que, lamentavelmente, os autores conseguiram piorar o que já estava ruim. Ou seja, mutilaram a própria obra e nem ao menos conseguiram deixá-la atrativa.


Tanto que uma das maiores bobagens citadas ao longo da exibição de "Babilônia" foi a respeito dessas mudanças: muitos disseram que se a novela não tivesse sido alterada em função do público teria sido um baita folhetim. Não é verdade. As falhas na estruturação da obra, na construção dos conflitos e na elaboração dos casais ficaram explícitas em todo momento. Houve ainda um excesso de 'panfletagem' em torno do racismo, homofobia e outros temas importantes, mas, que, não contribuíram para o desenvolvimento da história. Talvez a trama da Alice e do Murilo tivesse ficado mais interessante, mas o restante continuaria com os mesmos equívocos, infelizmente. Faltou dramaturgia, faltou personagem para torcer ou amar odiar.


Além de todas as falhas já mencionadas, é preciso citar ainda o fraco núcleo cômico. As situações envolvendo Clóvis (Igor Angelkorte), Valeska (Juliana Alves) e Norberto (Marcos Veras) eram cansativas e nada engraçadas. Os atores estavam muito bem e entrosados, mas nada em torno dos personagens despertava interesse. O triângulo ficou em meio a 'trapalhadas' repetitivas e parecia uma trama avulsa, sem qualquer ligação com os demais núcleos. O mesmo vale para o núcleo do salão de beleza, encabeçado pela preconceituosa Ivete (Mary Sheila), que mal apareceu e não fez diferença alguma para a história. A família de Luis Fernando (Gabriel Braga Nunes apático) e Karen (Maria Clara Gueiros) também não funcionou e foi lamentável ver a grande Rosi Campos desperdiçada mais uma vez, após "Insensato Coração" (dos mesmos autores), "Amor Eterno Amor", "Salve Jorge" e "Joia Rara" ---- tramas que também não a valorizaram.


Já o casal protagonista não teve química. Camila Pitanga e Thiago Fragoso fizeram um bom trabalho, mas Regina e Vinícius eram cansativos e o romance deles nunca empolgou. Aliás, esse costuma ser um problema de Gilberto Braga (e, claro, de seus parceiros), que raramente consegue criar mocinhos com relacionamentos amorosos cativantes. Afinal, basta relembrar dos últimos protagonistas: Maria Clara Diniz (Malu Mader) e Fernando (Marcos Palmeira) em "Celebridade"; Paula (Alessandra Negrini) e Daniel (Fábio Assunção) em "Paraíso Tropical"; e Marina (Paolla Oliveira) e Pedro (Eriberto Leão) em "Insensato Coração" ---- todos pares rejeitados e fracos. O 'padrão', portanto, foi mantido. Ainda é preciso enfatizar que os demais casais da novela das nove também não foram nada atrativos, com exceção de Rafael e Laís.


Mais um problema que merece menção foi o subaproveitamento de vários atores talentosos. Além do caso de Rosi Campos, nomes como Daisy Lucidi (Dulce), Jacqueline Laurence (Simone), Luisa Thiré (Flávia) e Lu Grimaldi (Olga) ---- que voltou à Globo, após um longo período na Record ---- tiveram pouco destaque e foram apenas figurantes de luxo. Em virtude das mudanças no enredo, Marcelo Mello Jr. foi outro prejudicado, uma vez que seu Ivan ficou avulso durante uma boa parte da novela, ganhando destaque apenas na reta final, quando o rapaz foi atropelado e ficou paraplégico ---- a situação, inclusive, pareceu uma 'saída de emergência' para sobressair o ator ao menos no final. É necessário citar novamente a perda de importância de Teresa e Estela, deixando de lado duas das maiores atrizes brasileiras.


Entretanto, apesar dos inúmeros equívocos, "Babilônia" também teve acertos. O principal deles foi o núcleo do prefeito Aderbal Pimenta. A maravilhosa Arlete Salles pôde brilhar interpretando a preconceituosa Consuelo, que vomitava intolerância e incoerência usando a palavra do 'Altíssimo'. A mistura de religião com política (fato que infelizmente ocorre o tempo todo no Brasil) tocou em uma das feridas da sociedade e foi um tapa nos hipócritas de plantão. Marcos Palmeira se destacou na pele no prefeito canalha e homofóbico, assim como Laila Garin, que viveu Maria José, inocente esposa do corrupto. Essa trama ainda destacou o bonito romance de Rafael e Laís, que funcionou como uma espécie de "Romeu & Julieta". Chay Suede e Luisa Arraes tiveram química e convenceram em cena. Também merecem elogios Tadeu Aguiar (o mordomo Xavier) e Cristina Galvão (Wilma, empregada de Estela e Teresa, que virou amiga do mordomo). O núcleo ganhou uma importância que não tinha e foi merecido.


O casal Rafael e Laís, aliás, acabou favorecendo outro personagem, o bad boy Guto. Bruno Gissoni conseguiu se destacar vivendo o seu primeiro vilão e fez boas sequências com Chay e Luisa. Ele ainda teve uma boa parceria com a talentosa Carla Salle, intérprete da prostituta Helô. Débora Duarte foi mais uma que brilhou e a mesma foi escalada de última hora para fortalecer a frágil trama da vingança de Inês. Apesar da situação ter ficado forçada, a atriz teve um ótimo entrosamento com Adriana Esteves e Sophie Charlotte. Além deles, vale elogiar Sheron Menezzes (Paula), Maira Charken (a delegada Vera), Filipe Ribeiro (Fred), Peter Brandão (Wolnei) e Cláudio Lins (Sérgio). Uma menção especial também precisa ser feita, obviamente, ao talento de Glória Pires, que deu um show com sua Beatriz, e Adriana, que defendeu Inês com competência. Sophie Charlotte, por sua vez, esbanjou profissionalismo, interpretando um perfil modificado bruscamente. E Fernanda Montenegro dispensa comentários, assim como Nathalia Timberg ----- o casal Estela e Teresa, inclusive, foi lindo e as duas cenas de beijo foram repletas de delicadeza.


A reta final da história se mostrou tão fraca quanto o conjunto da obra, mas o penúltimo foi atrativo, lembrando a boa estreia que a novela teve. A volta de Otávio foi surpreendente, principalmente porque nenhum veículo da imprensa se preocupou em descobrir os desfechos, uma vez que a trama fracassou. A armação do personagem vivido por Herson Capri lembrou a de Max (Marcello Novaes) em "Avenida Brasil", quando o mesmo retornou, após todos terem pensado que ele havia morrido. A cena em que o empresário surge para Diogo (Thiago Martins) e fala de sua parceria com Osvaldo foi ótima. O mesmo vale para a sua aparição diante de Beatriz, que se chocou ao vê-lo.


Entretanto, o último capítulo foi completamente equivocado. A revelação do assassino de Murilo foi totalmente forçada. Otávio o matou por ciúmes de Beatriz e o festival de explicações dadas só deixou tudo ainda pior. Toda a sequência, aliás ---- incluindo  súbita chegada de Diogo ----, foi fraca e nada empolgante. Inês e Beatriz ficarem em uma mesma cela foi interessante, mas a situação não convenceu, até porque a advogada foi presa por um crime que não cometeu e a 'justiceira' Regina nem se importou. A mocinha, vale ressaltar, mal apareceu. Foram rápidos momentos do casamento com Vinícius e uma cena final na praia. O desfecho das vilãs honrou o que Beatriz falou na estreia ---- "Nós vamos juntas para o fundo do poço de mãozinhas dadas, afinal, é para isso que servem as amigas" ----, porém, a sequência, que tinha tudo para ser ótima, foi mal realizada e a queda do carro do penhasco nem sequer foi mostrada. Elas morreram e ninguém ficou sabendo da fuga do presídio e a delegada nem conseguiu concluir a investigação que passou a novela toda fazendo.


O final só não foi trágico (no pior sentido da palavra) porque a cena do casamento de Regina e Vinícius proporcionou dois momentos ótimos: o beijo de Estela e Teresa, e o beijo de Ivan e Sérgio. Duas manifestações legítimas de carinho para acabar de vez com este cansativo 'tabu' que já deveria ter sido extinto. Outro ponto que merece uma menção honrosa foi o desfecho do prefeito Aderbal, que acabou preso no dia da posse, sendo 'substituído' pela sua vice, a mãe Consuelo. Um triste retrato do Brasil. E esse núcleo foi mesmo o único que funcionou a contento. Arlete Salles e Marcos Palmeira excelentes. Já o restante do capítulo foi facilmente dispensável.


"Babilônia" chegou ao fim sem motivo para comemoração. Com uma audiência catastrófica, a novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga apresentou um conjunto de equívocos e foi rejeitada por público e crítica. A trama 'prejudicou' a festa dos 50 anos da Globo, uma vez que todas as produções exibidas pela emissora em 2015 (pelo menos até agora) tiveram um bom retorno, com exceção desta. Esse folhetim, lamentavelmente, não será lembrado pelas suas qualidades, e sim, pelos inúmeros problemas que o acompanharam. Porém, a nada agradável lembrança poderá servir como um alerta em torno na elaboração das futuras obras de ficção. Claro que outros 'desastres' virão, uma vez que não existe receita de sucesso ---- e audiência nem sempre implica em produto bom, vale ressaltar ----; entretanto, uma história desenvolvida por três autores e vários colaboradores não poderia se dar ao luxo de ter tantos tropeços. A produção sai de cena sem deixar saudade e responsável pelo próprio fracasso.


41 comentários:

Thamires disse...

Os últimos capítulos de Salve Jorge, Em família, Império e agora Babilônia honraram toda a porcaria que essas novelas representaram. QUE VERGONHA. Seu texto final está maravilhoso como sempre faz. Criticou tudo sem dó e nem piedade, isso! O final dessa novela foi um deboche com o público. Mereceu o fiasco.

Anônimo disse...

Parabéns pela crítica, que ao contrário da novela, foi completa e irretocável. Agora eu tirei minhas conclusões, o João Ximenes foi o responsável pelo casal insuportável Zé Maria e Isabel em Lado a Lado, que era justamente a parte mais chata da novela, e a Claudia Lage escreveu toda a trama da Laura e do Edgar. Aquele teatro sem graça com certeza teve dedo dele também.

Galdino disse...

Suas resenhas finais sempre ficam impecáveis.Primeira vez que comento mas é porque essa novela foi horrível e teve um final pior ainda.Os autores pareciam estagiários em fim de expediente.E ainda ganham uma fortuna pra isso.Concordo com cada ponto e vamos parar com isso de proteger o Gilberto Braga culpando só os outros dois.Ele é tão culpado quanto e perdeu a mão pra escrita.

Maíny disse...

Parabéns pela crítica Sérgio, quase não tenho o que acrescentar. Mas só uma correção, a novela nem chegou há 6 meses no ar, ainda bem né? Babilônia foi um equivoco do início ao fim, conseguiu ser pior que Salve Jorge, e só destaco o núcleo Aderbal como um acerto da trama. Fiquei triste pelos atores que gosto e foram mal aproveitados, principalmente a Sophie Charlotte, que fez o que pôde, mas não teve uma personagem a altura. E o último capitulo então, constrangedor e cheio de furos... A revelação do assassinato do Murilo a pior que já vi, enfim, vai tarde.

✿ chica disse...

Como sempre colocas muito bem em palavras a realidade da novela! Foi realmente um fracasso e o final dela me fez pensar na grande perda de tempo que foi assisti-la! abração,chica e lindo fds!

Jorge Fortunato disse...

Enfim, uma ótima análise da novela e do último capítulo. Imparcial, como deve ser. Seu texto deveria ser publicado em algum jornal. PARABÉNS. Babilônia foi um equívoco e logo esqueceremos.

Anônimo disse...

O mais hilário é ver esse povo todo que odeia a novelinha mas não perdia um capitulo porque são escravos da rede globo de televisão, eu não aguento... inclusive o Serginho(o hetero cheio de amigos, rsrs) que não perdia um capitulo, eu hein, coisa de maluco!!!

Arthur Brandão disse...
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Arthur Brandão disse...

Sérgio, muito bom seu texto. Parabéns! Eu acompanhei a novela desde o início, principalmente chamadas bem atrativas e por ter no elenco Sophie Charlotte, uma atriz maravilhosa que só se destaca ao longo dos papéis. Realmente foi triste ver que a sua personagem não decolou por causa das mudanças súbitas da novela. Tenho certeza que se o roteiro original fosse mantido (pelo menos só o dela), iriamos ser presenteados com cenas muito boas e claro, pela sua interpretação. Uma pena mesmo já que seus últimos trabalhos em SANGUE BOM e O REBU, ela estava impecável! O último capítulo foi realmente um fracasso. Ridículo Inês ser condenada por um crime que muitos sabiam que ela não cometeu e Beatriz ainda sair impune de outros vários que foi responsável. A cena do embate final foi estranha e podia ser melhor produzida, valendo ressaltar que ninguém se importou ou ao menos comentou sobre a morte das duas. A novela, infelizmente acabou sendo um conjunto de erros que não deu certo. Pelo menos no final, os dois beijos gays foram responsáveis pelas melhores cenas do final. Abraços, Sérgio!

Arthur Brandão disse...
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Anônimo disse...

"Babilônia" merece ser lembrada como o grande fracasso da globo. A trama se perdeu e mostrou ao telespectador uma série de 'bobagens', sem fôlego quase nenhum na novela inteira. Sem falar no vergonhoso final exibido na última sexta-feira. Merece mencionar como ponto positivo apenas alguns poucos atores e só.

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Falou e disse, Sérgio. Concordo com tudo o que você escreveu, e acrescento que o acidente de Beatriz e Inês, com o carro despencando no penhasco lembrou o do filme "Thelma e Louise".Puro plágio. Eu, que sempre fui fã de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, fiquei decepcionada com Babilônia.

Melina disse...

Sérgio, querido, que final pavoroso. Ainda bem que mal vi essa novela e mereceu ser o maior fracasso da história da Globo. Sua crítica está exemplar, primorosa. E acho engraçado o hater que tem um tesão por vc e vive de olho em tudo o que vc faz, como se ele tivesse um monte de coisa pra fazer. Ainda quer palpitar sobre sua vida. E pior, ainda uso o termo "escravos da Rede Globo." Deve amar Lula e Dilma esse verme. E quanto ao Gilberto Braga, é melhor desistir. Não dá mais e ninguém merece mais suas novelas mal feitas. Um beijo.

Larissa disse...

Final ridículo de uma novela ridícula. Achei que combinou. Que saudade de Amor à vida. Excelente texto!

Fernanda disse...

Estava ansiosa para ler sua crítica final, Sérgio. Pra variar não me decepcionei. Apontou tudo de errado e soube elogiar os raros acertos. Eu abandonei essa novela e sei que vc fez o msmo, mas claro que o final eu quis ver até para saber como os autores encerrariam esse fiasco. E encerraram de uma forma patética e porcamente escrita. E para aqueles que se indignam pq pessoas veem mesmo achando uma droga, é simples: a Globo é líder há 50 anos e criou um hábito inquebrável na população que é ver novelas, principalmente a das oito que agora é das nove. No caso do horário nobre é impossível não saber do enredo da novela mesmo sendo uma droga. E msmo o maior dos fracassos ainda é maior que a soma da média geral de todas as concorrentes. Precisa desenhar? E essa novela, Sérgio, já é uma das piores já produzidas pela Globo. Pra esquecer mesmo. Parabéns pelo texto.

Alinne Bessa disse...
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LUIS disse...

Cara que texto perfeito o seu. Dois grandes defeitos foram os infinitos núcleos e também a fragilidade da trama principal.

Parabéns pelo ótimo texto e que venha A Regra do Jogo.

Lulu on the sky disse...

Que novela chata. Vi o primeiro e o último capítulo inteiro, de resto foram pedaços porque não aguentava assistir.
Boa noite pra vc.
Big Beijos
Lulu on the Sky

Matheus Nogueira disse...

que novela tosca,Sérgio,não aguentei ver nenhum capítulo,nem ví o último.aliás,o final foi Ridículo.
Ps:escrevi ridículo com R maiúsculo.

Raquel disse...

Babilônia já foi tarde, né, Sérgio ?! Assim como tardou muito a rejeição do público a uma novela do Gilberto Braga… Vamos combinar que o universo já estava devendo um fracasso de audiência a esse senhor há pelo menos umas 3 novelas, já que na minha opinião sua última novela razoável foi Celebridades. Faz tempos que ele só escreve novelas na base da pretensão e do nome, mas dá sorte de ter alguns personagens que fazem sucesso com o público (geralmente com intérpretes inspirados) e seguram suas novelas: Bebel e Olavo em Paraíso Tropical e Norma e Léo em Insensato Coração. Nessa não se salvou ninguém. “Karma is a bitch” não é?!

Fiquei também contente de encontrar alguém que concorde comigo sobre o fato de que o fracasso da novela também tem pouco a ver com as mudanças implementadas para “agradar o público”. Li crítica e mais crítica repetindo o mantra de que as mudanças estragaram a história e que deveriam ter sido mantidas as idéias originais para evitar esse festival de incoerências que se tornou Babilônia. Pra mim isso cheira a desculpa do mesmo nível dos autores: “O público é muito conservador e não estava preparado para uma novela audaciosa como a nossa.”. Pra mim o fato da novela cair no mais completo caos e não conseguir apresentar nenhuma história que preste mesmo com as mudanças, retrata justamente as fragilidades do enredo e do argumento dos autores; que nem sabendo o que tinham que fazer, conseguiram tirar um fiapo de história empolgante. Ou seja, tinha que apagar tudo e fazer de novo (tipo o famoso terremoto que Janete Clair escreveu ao assumir uma novela de Gloria Magdan que matou 90% dos personagens).

Até porque, nem acho que os autores mudaram tanto assim. A maioria dos personagens não tinham uma história com fio condutor claro ou interessante; e aquelas histórias que os autores realmente queriam contar eles deram um jeito de contar mesmo aos trancos e barrancos. Beatriz e Inês esgotaram-se rapidamente e ficaram cansativas; e mesmo com as suavizações (Beatriz apaixonada por Diogo e Inês amiga de Alice) nunca ofereceram algo diferente de uma disputa que anda em círculos, esse mote a gente pode ver desde o primeiro capítulo. A história de Alice e Murilo também não tinha muito pra onde ir: ela seria prostituta de luxo apaixonada pelo cafetão em um triângulo com o empresário Evandro; mas e daí?! O que mais? Na minha opinião a história foi a mesma, mas com menos sex and rock and roll e mais amoooorrr, mas o princípio foi o mesmo. Estela e Teresa sempre tiveram função panfletária na novela de ficar discutindo sobre homofobia e preconceito e continuaram no mesmo tom até o fim, mas com menos cenas (lembre-se que desde a estréia eu avisei sobre esse perigo e que os papéis não honrariam as grandes interpretes). E a trama de Carlos Alberto simplesmente sofreu um ctrl-c ctrl-v para o seu irmão Sérgio, segundo casal gay na história também escrito para levantar bandeira. Aliás, nesse ponto descordo com vc que houve desvalorização do personagem do Marcello, que teve um ator entrando no meio da novela exclusivamente para fazer par romântico com ele e desenvolver sua história e ainda teve todo um drama na reta final ficando paraplégico. Diria que ele foi bem mais prestigiado que muito personagem com potencial e que tinha intérpretes talentosos. Enfim, na minha visão muita pouca coisa realmente mudou e o resultado foi que a audiência continuou a mesma coisa (desastrosa).

Enfim, que venha “O nome do Jogo”. Li hoje sobre parte da trama do Romero que fará parte de uma organização criminosa chamada “a família” e já tive um mau-presentimento. Romantizar e sofisticar o crime organizado brasileiro acho algo muito arriscado. Corre o grande risco de romper o contrato de realidade da obra com o telespectador falando de um tema tão presente no dia-a-dia do brasileiro com esse tipo de licença poética. Que seja menos Sociedade Secreta e mais Tropa de Elite. Senão, corre o risco de virar Salve Jorge.

É isso. Desejo a você e a todos nós uma boa novela das 9. Tem andado difícil, hein?!

F Silva disse...

Algo a comentar...

Caro Sérgio, não tenho condições de tecer muitos comentários sobre "Babilônia". Foi uma péssima novela. Me afastei e estava fazendo outras coisas durante sua exibição. Eu resumiria todo o texto desse post com o 1º e último parágrafo.

Mas posso discorrer um pouco sobre algo...

Ricardo Linhares nunca escreveu nenhum sucesso solo e João Ximenes não possui bagagem. Já Gilberto Braga teve em "Celebridade" seu último grande sucesso popular. Começou a perder fôlego com "Paraíso Tropical" que fez um relativo sucesso. A coisa complicou com "Insensato Coração" e chegou ao retumbante fracasso com "Babilônia". Aliás, se formos fazer um retrocesso, são poucos os grande sucessos do Gilberto. Eu citaria, "Dancing Days" dos anos 70, pois "Escrava Isaura" e "Dona Xepa", foram adaptações bem sucedidas da literatura para o horário das seis. Em 1980 fez sucesso com "Água Viva", tendo como co-autor o Manoel Carlos. Em 1983 e 1984 escreveu "Louco Amor" e "Corpo a Corpo", que não foram consideradas fracassos, mas também não chegaram a ser um grande sucesso. Foram razoáveis e ambas nem são lembradas. Em 1988 conheceu um enorme sucesso com a novela "Vale Tudo", um clássico da teledramaturgia. Mas a novela foi concebida juntamente com Aguinaldo Silva e Leonor Basseres. Depois disso vieram as problemáticas "O Dono do Mundo" em 1991 e "Pátria Minha" de 1994. Antes disso desenvolveu pro horário das seis, a ótima "Força de um Desejo", mas a história era de Alcides Nogueira. Fora isso, há duas grandes minisséries: "Anos Dourados" e "Anos Rebeldes".

Portanto, no horário nobre, Braga só possui em seu curriculum apenas duas novelas solo de sucesso: "Dancing Days" e "Celebridade". E duas parcerias de sucesso "Água Viva" e "Vale Tudo". Sempre quando se anuncia uma novela do Gilberto, sempre fico com um pé atrás.

Outra coisa que achei absurda, é a crítica e a chacota que vi à "a família tradicional brasileira". Nunca li tanta imbecilidades nas redes sociais em relação "a família...". blá... blá... blá... por causa dos temas polêmicos abordados no fraco enredo de "Babilônia". O que vi foi um tipo de "Bullying" as avessas. Ao meu ver, faltou respeito a família, só por guardarem suas próprias tradições.

Outro dia vi uma cena, com nudez explicita, em "Verdades Secretas" onde uma jovem transa com o padrasto na mesa da cozinha enquanto a mãe dormia. Qual cena é mais chocante, essa ou a de duas senhoras idosas dando um terno beijo na boca? "Verdades Secretas" não sofreu pressão por parte dos "conservadores de plantão" por possuir um enredo instigante. São cenas polêmicas inseridas dentro de um contexto interessante.

Se uma novela tiver uma saga interessante, diálogos inteligentes, personagens interessantes e um enredo bem desenvolvido, pode tratar do tema que quiser que a "tradicional família brasileira" vai assistir, como em muitas outras obras da teledramaturgia.

abraços e até a próxima...

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Thamires!

Sérgio Santos disse...

Tb acho que ele foi o responsável por esse casal chato aí, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Galdino. E concordo, o Gilberto tem tanta culpa quanto.

Sérgio Santos disse...

Ainda bem mesmo, Maíny. E lamento mt pela Sophie, que depois de duas novelas maravilhosas acabou nessa horrível aí. Não merecia, nem ela e nem 90% do elenco. bj

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Chica. bjs

Sérgio Santos disse...

Nossa, Jorge, mt obrigado. Abração!

Sérgio Santos disse...

É o mesmo caso que vc, anonimo, cheio de amigos, que fica vindo todo dia num blog que odeia. Agradeço o prestígio.

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Arthur. E é verdade, a Sophie não merecia isso. Mas, infelizmente, msm se as mudanças não tivessem ocorrido, tudo continuaria péssimo. Mas concordo que ao menos a personagem poderia ter mais situações interessantes. A condenação da Ines foi ridícula, assim como aquele embate final delas. Nossa, pra esquecer. Os beijos foram as únicas coisas boas do fim. abç

Sérgio Santos disse...

~Concordo, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Decepção é pouco, Elvira. E obrigado. Concordo com vc. bjs

Sérgio Santos disse...

Melina, vc sempre ótima. haha E sim, a novela foi um erro. bj

Sérgio Santos disse...

Saudade tb, Larissa.

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Fernanda. E vc tem toda razão, até o maior fracasso da Globo dá mais que as outras e segue na liderança, isso é fato, não tem o que contestar. Ponto. Mas essa novela mereceu o fiasco e foi ruim demais. Final péssimo tb. bjs

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Luis!

Sérgio Santos disse...

Ruim mesmo, Lulu. bjs

Sérgio Santos disse...

Tem toda razão, Matheus.

Sérgio Santos disse...

Já foi mesmo, Raquel. E todo o seu comentário está muito bom e completo, eu assino embaixo de cada parágrafo. É isso. Já sobre ARDJ, não acho que vão romantizar isso, acho até que a novela tem um quê de Gotham. Vamos ver. bjs

Sérgio Santos disse...

Ah, Raquel, e sim, tb não acho que a trama da Alice ficaria excelente pq não havia fio condutor msm. Mas ficaria melhor do que ficou. Só que a novela toda foi um erro.

Sérgio Santos disse...

F Silva, vc tem razão, o Ricardo nunca fez um grande sucesso mesmo e, parando para pensar friamente, o Gilberto nem tem muitos. E ele nunca esteve na minha lista de autores preferidos. Achei mt bom seu comentário e concordo que quando o enredo é bom, não interessa se a trama é forte ou não, vc vai ficar preso e assistir. Isso da família tradicional foi só uma desculpa para a rejeição de uma novela que foi ruim por si só. bjs

Anônimo disse...

Se a chata da Beatriz não tivesse matado o Carlos Alberto (um personagem que perdeu a função), ela estaria impune de todos os outros crimes que cometeu, inclusive o assassinato de Cristóvão.