terça-feira, 25 de junho de 2013

"Saramandaia" tem uma estreia oportuna e animadora

Estreou nessa segunda-feira (24/06), tendo como missão repetir o sucesso alcançado pelos remakes de "O Astro" e "Gabriela", a adaptação de Ricardo Linhares da marcante novela de Dias Gomes: "Saramandaia". Apresentando um primeiro capítulo colorido e alegre, a trama, que tem como pano de fundo a história da disputa de poder entre duas famílias tradicionais (Rosado e Vilar), começou com o pé direito.


O remake iniciou com a clássica música "Pavão Misterioso" (de Ednardo), tema de abertura da primeira versão, e apresentou João Gibão (Sérgio Guizé) para o público. Logo no primeiro capítulo ocorre uma manifestação em Bole-Bole, liderada por Zélia Vilar (Leandra Leal), contra Zico Rosado (José Mayer), poderoso fazendeiro descendente dos fundadores da cidade. Os 'Saramandistas' exigem que o nome Bole-Bole seja trocado por Saramandaia e ainda lutam por mudanças para acabar com a corrupção do governo de Zico. Em meio à confusão, há o velório de Seu Cazuza (Marcos Palmeira) e a chegada de Vitória Vilar (Lilia Cabral). E quando a imponente mulher chega de helicóptero, o protesto para, as brigas cessam e todos olham assustados para a 'nova' visitante. Para culminar, o morto ressuscita e Dona Redonda (Vera Holtz) grita desesperadamente, quebrando todos os vidros que estavam por perto. Um primeiro capítulo cheio de bons ingredientes.

Na década de 70, "Saramandaia" estreava na época da ditadura e o autor Dias Gomes abusava das metáforas para mostrar as necessidades da população. João Gibão (Juca de Oliveira), por exemplo, tinha asas justamente para que a liberdade que o povo tanto almejava pudesse ser exibida de uma forma poética. Coincidência ou não, a estreia do remake dessa clássica obra não poderia ter chegado em um melhor
momento. O Brasil vive uma fase de indignação popular, onde o povo está indo às ruas protestar contra os abusos do governo e exigindo o fim da corrupção e melhoria na saúde, educação, transportes. A Presidente Dilma até anunciou uma reforma política após as inúmeras críticas feitas pelo povo. Curiosamente, não é a primeira vez que a Globo tem essa sorte. Em 1992, a minissérie "Anos Rebeldes" (de Gilberto Braga) ---- que retratava manifestações contra a ditadura ---- coincidiu com o movimento dos 'Caras Pintadas' contra o governo Collor. Na época, os paranoicos até chegaram a acusar a emissora de 'manipular' as massas e de executar um 'plano muito bem estruturado'. Ou seja, os anos se passaram e a coincidência se fez presente novamente. Agora é hora mais do que propícia para exibir as revoltas populares dos saramandistas e mostrar diálogos recheados de ironia política. É tanta sincronicidade com o atual momento do Brasil que chega a assustar.

Além dessa feliz coincidência, "Saramandaia" também matou as saudades do público saudosista e ainda presentou a nova safra de telespectadores com personagens que abusam do realismo fantástico, artifício dramatúrgico que estava esquecido há muito tempo. Dona Redonda, que explodirá depois de tanto comer; Professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes), que vira lobisomem; João Gibão, que tem asas; Marcina (Chadelly Braz), que queima de desejo; Seu Encolheu (Matheus Nachtergaele), que prevê o tempo conforme a dor em seus ossos; Seu Cazuza, que expele o coração pela boca; Tibério (Tarcísio Meira), que tem raízes nos pés de tanto que fica sentado, e tantos outros, incluindo o próprio Zico Rosado, que solta formigas pelo nariz quando está com raiva, são alguns exemplos de tipos um tanto quanto bizarros. O incomum é muito comum nessa cidade.

Ao contrário da obra original, Dona Redonda só explodirá nos últimos capítulos. Isso se deve ao fato da personagem ter se tornado um ícone da novela, o que também beneficia Vera Holtz que está irreconhecível. A caracterização da gigantesca mulher demora mais de quatro horas e somente os olhos e a boca da atriz aparecem. Todo o restante é artificial. Aliás, Vera está fantástica no papel e será um dos grandes (nos dois sentidos) destaques da trama. Outro diferencial é o mistério que envolve João Gibão. Em 1976, o público só soube que sua corcunda tinha asas escondidas no último capítulo. Agora, como todos já sabem do mistério, o autor optou por exibir essa peculiaridade do rapaz logo no início. Ricardo Linhares também criou novos personagens e novas características fantásticas. Vitória Vilar (Lilia Cabral), por exemplo, não existia na primeira versão e a mulher derrete de amor toda vez que está com Zico Rosado, sua paixão. Já Stela (Laura Neiva) é outra personagem nova. A menina é neta de Zico e suas lágrimas fazem renascer tudo o que está morto, como uma flor murcha. Luiz Henrique Nogueira vive Belisário, a cabeça mumificada de Dona Tutu (Aracy Balabanian). Originalmente o papel era apenas citado, mas agora aparece dentro de uma cúpula de vidro.

Outra boa ideia do remake foi a criação do Santo Dias em homenagem ao saudoso Dias Gomes. Agora, o autor, que era ateu, é um santo que todos da cidade são devotos. Todas essas pequenas mudanças não alteram a identidade da história e só acrescentam. O que também contribui para a nova versão dessa fantasiosa história é a tecnologia avançada. Agora os efeitos especiais estão infinitamente melhores e deixam o realismo fantástico ainda mais realista. A cena em que Seu Cazuza quase coloca seu coração pela boca foi impressionante. Já a ideia de inserir vocabulários típicos do Prefeito Odorico Paraguaçu, personagem de Paulo Gracindo em "O Bem Amado", outra obra de Dias, foi criativo e muito apropriado. Imorrível, exagerância, furdúncio, prafrentemente, desaforento e apaixonamento são algumas palavras que foram usadas nas chamadas da novela e que integrarão os diálogos dos bolebolenses/saramandistas. No primeiro capítulo algumas expressões divertidas já começaram a ser pronunciadas, vide hipocrisismo, embirranças, apenasmente e desaforamento. Mais um ponto positivo foi a abertura que apresentou várias imagens surrealistas e muitas cores fortes. A trilha incidental foi um complemento perfeito para esse conjunto.

Fernanda Montenegro, Lilia Cabral, Vera Holtz, Débora Bloch, Gabriel Braga Nunes, José Mayer, Leandra Leal, Ana Beatriz Nogueira, Chadelly Braz, Sérgio Guizé e Tarcísio Meira já se destacaram na estreia. O elenco, aliás, foi muito bem escalado e seria difícil esperar outra coisa desse ótimo time que foi selecionado.

"Saramandaia" teve uma estreia promissora e muito oportuna. O remake teve média de 27 pontos e picos de 31, índice inferior ao de suas duas antecessoras: "O Astro" obteve 28 e "Gabriela" 30 pontos no primeiro capítulo. Entretanto, apesar do número menor, o sucesso de Dias Gomes, adaptado por Ricardo Linhares e dirigido por Denise Saraceni (núcleo) e Fabrício Mamberti (geral), começou transmitindo uma ótima primeira impressão. Que venham os próximos capítulos!

40 comentários:

Bruno Marques disse...

Sérgio,de fato Saramandaia não poderia ter começado num momento mais oportuno.
O mais incrível foi que o Linhares pegou um clássico do Dias Gomes de 1976 e fez uma atualização perfeita!!!
Eu curti muito a estreia.Vera Holtz já começou brilhando como a Dona Redonda!!
Sérgio Guizé está perfeito na pele do João Gibão.
Agora é aguardar pra ver se a trama mantém o ritmo!!!

David Lobao disse...

Não esqueça a citação a outras novelas de realismo fantastico que Ricardo escreveu com o Aguinaldo Silva. Neste primeiro ep vi Pedra Sobre Pedra e Porto dos Milagres.

paulo disse...

Os remakes de O Astro e Gabriela não chegaram nem perto do sucesso e da repercussão das novelas originais, a segunda então foi um mico!

✿ chica disse...

Tenho certeza que será legal. Não vi ontem, mas vi as chamadas e deu pra perceber. abração,lindo dia!chica

Fernando Oliveira disse...

Estou fas-ci-na-do! A cena do seu Cazuza colocando o coração pela foi ótima. Tudo na novela se encaixa, inclusive as novas tramas criadas pelo autor.
Abraços!

Rosa Branca disse...

eu adorei, minha mãe sempre me falava da novela e falava que se eu comesse muito doce iria explodir igual a dona redonda kkkk - imperdível, e realmente logo que vi a manifestação achei bem oportuno o momento, rss
Show.
Um abraço carinhoso

Paty Alves
Ágape Amor Verdadeiro
Patyiva
Vou Conseguir

Paty Michele disse...

Sérgio, eu assisti e adorei!
Agora estou de férias, dá pra ver, mas qdo começar a trabalhar, não sei se aguento. Gosto de realismo fantástico, por isso curto tanto esses personagens estranhos.
Pra mim, o ponto alto é o vocabulário, e além dos termos que vc citou, destaco "furibundo", que inclusive uso pra abusar meu filho. kkkkkkkk

bjão.

António Jesus Batalha disse...

Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
decerto que virei aqui mais vezes.
Sou António Batalha.
Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

Diogo S. disse...

Gostei muito da estreia!!!

Patricia Galis disse...

Só vi um pedaço pois não estava em casa, mas espero que seja legal, gosto dessa mistura ficção e realidade gostei do poder da menina que chora e tudo que estava morto volta a vida bem interessante...

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Sérgio, concordo que a estreia de "Saramandaia" não poderia ter sido mais oportuna. O capítulo foi colorido, dinâmico, divertido, realçando o clima de realismo fantástico. Lembrei dos filmes do diretor Tim Burton, especialmente "Alice no País das Maravilhas". Foi ótimo voltar a ouvir a música-tema e ver tantos atores talentosos.
Assim como foi ótimo rever o último capítulo de "Anos Rebeldes", no Canal Viva, igualmente mais do que oportuno.

Barbie Californiana disse...

É verdade, Sérgio, uma época bem oportuna para estreia. Minha mãe falava muito dessa novela, marcou a memória dela, deve ter sido boa mesmo. ;] beijos

Thallys Bruno Almeida disse...

Eu defino essa estreia como: deverasmente sensacionalenta! De uma excelenticidade sem precedíveis! Apenasmente. rsrs

A novela certa no momento certo. A manifestação entre saramandistas e bolebolenses tem lá sua inspiração em protestos anteriores a estes de junho, mas encaixa como uma luva numa ligação com os atuais. E quando Dias Gomes criou a novela original, ele se aproveitou de personagens que estavam previstos para a primeira Roque Santeiro, que foi proibida.

O elenco, então, é sensacional. Um presente para o público ver nomes como Ana Beatriz Nogueira (finalmente valorizada após aquela aberração que foi seu papel em Salve Jorge), Tarcisão, Fernanda Montenegro, Lília Cabral, Zé Mayer e bons jovens como Sérgio Guizé, Leandra Leal e Chandelly Braz. Sendo que o maior nome, claro, foi Vera Holtz e sua Dona Redonda. Irreconhecível de tão perfeita. Ricardo faz bem em só explodi-la no final, já que uma atriz do porte dela não se abre mão tão fácil assim.

Estreia positiva, colorida, divertida e promissora. Adorei de cara. Abçs!

Vera Lúcia disse...


Olá Sérgio,

Vi somente o início e tenho certeza de que agradará aos telespectadores. O elenco é perfeito para o tipo de trama.

Passei para agradecer o carinho e adorei ler suas bem colocadas considerações.

Até breve.

Beijo.

A viajante disse...

Vou tentar ver hoje, Sérgio... valeu pela crítica! Beijão.

Lulu on the Sky disse...

Achei legal a estreia, a Vera Holtz como dona Redonda tá impagável.
Big Beijos
Lulu
http://luluonthesky.blogspot.com.br

Carlos disse...

Queria tentar ver, pra poder falar. E pela novela ser curta então, isso pra mim é ótimo. Entretanto, 23h é puxado. Eu já fico doido com A Grande Família começando 22:40/50, imagina essa trama nos dias de jogos? As vezes tenho insônia, como hoje rsrs, mas não é recorrente.

Globo tem exagerado nas propagandas da novela das 21h, e isso desde que começou. A grade fica toda atrasada. Respeito com os telespectadores passou longe. Por isso nem tento assistir. Mas tem uma coisa que me dá medo nessa novela também: os (d)efeitos especiais. Por ser novela tenho certeza que estarão péssimos, mas por uma boa história, eu relevo isso.

Abraços

Rita disse...

Bom dia de chuva e frio por aqui!!
Muito boa mesmo, espero ver a dona redonda dando um estouro e caindo pedaços por todo lado, atores e atrizes maravilhosos, gostei
Deixo um abraço
Bjuss
Rita!!!

(¯`v´¯)
`·. ¸.·´
☻/
/▌

Felisberto Junior disse...

Olá!Boa tarde
Sérgio
e o "remake" estreou, como citado, num período oportuno e histórico em que os brasileiros clamam por mudanças.
Ao compararmos, fico cada vez mais estupefato de feliz, de como Dias Gomes,que juntamente com Janete Clair , eram únicos autores contratados para fazer telenovela, conseguiam ter tanta criatividade para sem toda essa "modernice", assistentes e tecnologia,mostrar tanto talento e criatividade e ter tanto sucesso, como foi Saramandaia.
Impressionante mesmo a transformação de Vera Holtz, e as poucas "mudanças" no original foram bem sutis e necessárias.
Bela análise!
Obrigado pelo carinho
Bela quarta feira
Abração

Sérgio Santos disse...

Verdade, Bruno! A estreia foi muito oportuna. Tomara que a novela mantenha o bom nível das anteriores. Achei o terceiro capítulo pior do que o segundo que foi pior do que o da estreia. Espero que não continue decrescendo assim. Abraços.

Sérgio Santos disse...

Oi David! Bom te ver aqui! Sim, as citações do Ricardo foram muito bacana e ainda mostraram a generosidade dele. Foi bacana. Abraços.

Sérgio Santos disse...

Paulo, é claro. São outros tempos. Fora que as novelas são exibidas depois de onze da noite. Porém, as duas tiveram uma excelente audiência e foram sim consideradas sucessos. abçs

Sérgio Santos disse...

Chica, obrigado pelo comentário. Beijos.

Sérgio Santos disse...

Fernando, foi muito bom, né? Os efeitos especiais convenceram. Hj então foi mt bom ver a Marcina em chamas. Abraços.

Sérgio Santos disse...

Dona Redonda acabou virando a protagonista dessa novela, Paty. Não é por acaso que no remake ela só explodirá no final. bjs

Sérgio Santos disse...

Que bom, então, Paty! rs Os vocabulários são muito divertidos e deram um charme a mais à trama. Fora os tipos bizarros. rs Beijos.

Sérgio Santos disse...

Antônio, seja bem-vindo. abraços.

Sérgio Santos disse...

Também, Diogo! Abraços.

Sérgio Santos disse...

Esse poder é novo, Patrícia. O Ricardo que inseriu essa nova personagem na trama. Achei muito bacana também. bj

Sérgio Santos disse...

Elvira, é verdade. O Viva está reprisando Anos Rebeldes e até nisso houve outra coincidência, como na época. E Saramandaia teve um ótimo primeiro capítulo. Tomara que continue assim. Achei ótima a sua citação de "Alice no país das maravilhas". Lembrou mesmo. bjssss

Sérgio Santos disse...

Verdade, Barbie. bjão

Sérgio Santos disse...

Verdade, Thallys. Foi uma estreia otimamente boa, usando o vocabulário divertido deles.

O elenco é excelente, e isso inclui veteranos e jovens. Chandelly e Sérgio foram escolhas certeiras. Ótimos. Os veteranos obviamente deram o esperado show deles.

Tomara que continue assim. Abraços!

Sérgio Santos disse...

Oi Vera. Eu que agradeço o seu carinho de sempre. bjssss

Sérgio Santos disse...

Ok, Ju!! bjsss

Sérgio Santos disse...

A Vera Holtz tá genial, Lulu! Escalação perfeita e caracterização idem. bj

Sérgio Santos disse...

Carlos, mas isso só ocorrerá nas quartas, infelizmente. Apesar dos dois capítulos posteriores terem sido mais parados, tô achando o remake muito bom por enquanto.

E até agora os efeitos estão ótimos. A caracterização da Vera tá incrível e os efeitos do Zico soltando formigas, da Marcina queimando e do coração saindo pela boca não deixaram a desejar. Resta saber as outras bizarrices.

Tô achando Amor á Vida excelente e não vejo excesso de chamadas, não. Tenho visto sim uma maior duração do JN, o que tem atrasado bastante a grade. Abraços.

Sérgio Santos disse...

Rita, eu nem imagino como será agora. Porque em 76 foi bizarro demais ver aquela mão de plástico caindo no chão. rs bjs

Sérgio Santos disse...

Isso é o que pode ser chamado de baita coincidência, Felis. O autor corria até o risco de ser criticado por exibir no remake jovens protestando, já que isso não ocorria desde 92. Mas, não, ficou muito verossímil graças ao atual período do Brasil. Dias era um gênio e Janete idem. Abraços.

Raquel disse...

Oi, Sérgio!

Estou achando ótima mais essa opção de novela... Essa novelas das 23 hs parecem em geral ter histórias e direções bem melhores do que as tradicionais da 18, 19 e 21 hs. Só uma dúvida: Qual a diferença entre essas novas novelas das 21 hs e as antigas mini-séries, como Muralha, Casa das Sete Mulheres e Um só coração? É somente o fato de essas serem produções originais e agora serem todos remakes?

Beijos!

Sérgio Santos disse...

Oi Raquel! Olha, na verdade a diferença é que a Globo as classificou como novela das onze e até agora só foram exibidos remakes de tramas clássicas, que eram novelas. Teoricamente, minissérie é baseado numa trama verídica ou então em alguma obra literária. Mas há exceções, claro.

Ano que vem estava programado um remake de O SemiDeus, mas parece que agora há um projeto inédito da Lícia Manzo, então ainda há uma dúvida se continuarão só com remakes ou não. Vamos ver. Beijão.