sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ao exibir um episódio musical, "Pé na Cova" ousa no fim de sua primeira temporada

O último episódio da temporada de "Pé na Cova" foi ao ar nessa quinta-feira (20/06). Já com uma segunda temporada garantida em outubro, a série apenas se despediu temporariamente. Mas a despedida foi em grande estilo. Tendo como base os formatos musicais (como a americana "Glee", por exemplo), a produção de Miguel Falabella e Artur Xexéo ousou ao exibir para o público um capítulo repleto de música e muita dança.


O final da primeira temporada funcionou como uma espécie de reflexão sobre a série. Colocando o elenco para cantar, os roteiristas fizeram uma nova apresentação para o telespectador. Comentaram sobre o Irajá (bairro onde se passa a trama), falaram dos personagens e sobre a própria história e evolução deles. Dessa vez a comédia ficou quase toda de lado e a beleza da simplicidade das cenas, quase todas cantantes, se fez presente. Os números musicais foram todos ótimos, especialmente o momento em que foi possível ver o grandioso desempenho de Marília Pêra soltando sua linda voz. Sem dúvida foi uma grande ousadia produzir um episódio como esse, ainda mais levando em consideração a raridade desse tipo de formato em produções nacionais.

"Pé na Cova" cumpriu bem o papel de entreter e divertir. Ainda lançou críticas sociais abusando das frases politicamente incorretas e dos deboches, normalmente com personagens rindo de si mesmos. Embora não seja um humor abrangente e muitas vezes desagrade parte dos telespectadores justamente pela
ênfase no texto e não nas situações, a série pode ser considerada um dos grandes acertos do humor dos últimos anos.

Miguel Falabella já fez questão de dizer que esse foi um dos formatos mais prazerosos que ele produziu mesmo não sendo um sucesso de audiência. E ele tem razão ao demonstrar esse carinho. É perceptível o cuidado que ele e Artur Xexeo tiveram na produção desse seriado tragicômico. E Falabella ainda merece elogios por conseguir fazer um Ruço totalmente diferente de tipos como Caco Antibes ("Sai de Baixo"), por exemplo.

Aliás, o elenco foi excelente do início ao fim. Marília Pêra, Eliana Rocha e Sabrina Korgut se destacaram vivendo respectivamente as impagáveis Darlene, Luz Divina e Adenóide e formaram o trio de ouro da série. Mas todos os atores merecem elogios, assim como os personagens bizarros que eles interpretavam. É um tipo mais esquisito que o outro e todos são responsáveis por ótimas tiradas.

"Pé na Cova" sai de cena temporariamente para ceder lugar ao remake de "Saramandaia". Mas, graças aos constantes elogios recebidos, a produção já teve uma merecida segunda temporada garantida em outubro. E nada mais justo do que reproduzir o que elenco bem disse na última cena, cantando e coreografando: "O Pé na Cova vai se despedir, mas como voltará em breve, só quer deixar um até já! Só quer deixar um até já! Oba!"

30 comentários:

Carlos disse...

Olha, quase que parei no "Marília Pêra soltando sua linda voz". Ótima atriz sim, é afinadinha sim, mas linda voz...

Tentei ver, já que assisti alguns episódios. Quando li a sinopse, imaginei o que viria, porém insisti. Vi essa foto da ilustração e meu ânimo diminuiu, mas deixei a TV ligada após gargalhar com A Grande Família e... Pé na Cova não só fez jus ao nome, como foi um Pé... No saco.

Ok, é um episódio especial, mas precisava fugir TANTO assim? Pra uma série pequena, ela fugiu demais ao longo da temporada. Vimos um Ruço ignorante e machão que rapidamente aceitou a homossexualidade da filha e que em um episódio beijou um homem na boca, mesmo sendo machão. Para completar, hoje, o machão Ruço, sentiu vontade de cantar. E no meio da cantarola, todos os personagens ignorantes deixaram de ser ignorantes (apenas em uma música que a ignorância permaneceu). Sei que musical é "viagem" mesmo, mas nossa, tem que seguir uma linha de raciocínio. São ignorantes no normal? Sejam na música. Teve uma cena que a Marília estava brava, acho que com a maquiagem, e começou a música e ela ficou contente, do nada. Nesse mesmo instante me veio o clássico O Rei Leão. Lá, o vilão quando estava bravo começava a cantarolar... Bravo. Se pegarmos grandes musicais, as pessoas estão tristes, cantam tristes (as vezes, dependendo da letra, ficam alegres no meio da música). Isso não se viu nesse episódio. Eles apenas interpretaram a música, não respeitando a "lógica" dos personagens naquele momento.

Outra coisa que me incomodou: roteiro. Onde estava? Começou o tiroteio e a fumaça que fez a galera cantar? Por acaso a fumaça no ar era maconha? Antes fosse um sonho ou imaginação de algum personagem porque fumaça foi bem forçada. Odete foi fazer um filme do nada, e aí no filme aparecia zoombies. Oi? Rsrs. Grávida que dança. Oi? Roteiro não teve, as coisas não faziam sentido, não costuravam. A empregada foi falar com Ruço e aí começam a implicar com o linguajar dela e isso vira música... Isso é genial? Ok.

Volto a falar, sei que musicais viajam. As pessoas falam e, do nada, todos sabem cantar e dançar ao mesmo tempo, só que o que não vi foi ligação. Se num musical aparece uma menina de voz irritante, ela vai cantar com voz irritante, e não surgir com uma voz, roupa e dança de mulher fatal. Em um musical, o roteiro está lá, não só apresenta os personagens, como tem o clímax e o fim. Nesse episódio não teve um início (legal, a fumaça, mas e aí? Odete ia fazer um filme de quê? Com quem?), clímax então menos ainda (seria o bebê?). Só teve fim, e mais do mesmo, porque Falabella já fez essa cantoria de "até breve" no toma lá da cá (ele sempre se repete).

Essa série foi tudo e nada ao mesmo tempo. Foi comédia (inteligente? Se alguns acham...), drama, musical... Mas não pegou. Foi muito chato. Nem sei como esse troço vai ter uma segunda temporada ainda. Merecia ir pra cova... Funda.

Abraços

Fernando Oliveira disse...

Os roteiros e a ousadia de Miguel Falabella fazem a diferença. Para que ser normal? Feijão com Arroz? Bife com batata frita? Esse episodio de Pé na Cova me fez lembrar um de Toma Lá Dá Cá, no qual as personagens contaram "Andanças" foi simplesmente lindo! Depois de todas aqueles situações inusitadas, todos ali, sentados no chão da sala de Célinha cantando. Parabéns Sérgio pela análise.

Lulu on the Sky disse...

Ah que pena, eu perdi.
Ah Sérgio, linkei seu blog ta?
Big Beijos

! Marcelo Cândido ! disse...

Só ano que vem a nova temporada, né?

Kellen Bittencourt disse...

Amigo eu não acompanhei a série, mas ontem tomei um Red Bull as 5 da tarde e cadê sono?? kkkk com as asas nas alturas eu acabei assistindo tudo que tinha na tv, e vi o episódio, achei bem legal o musical, me lembrou musical de teatro mesmo, apesar de me parecer meio pastelão a série, eu achei o musical muito bom! Parabéns aos atores!

Anônimo disse...

Gostei do episódio final, não achei sensacional, valeu por ouvir a voz da Marília e da Karin Hils, que é excelente cantora.
A Série me agradou muito, texto inteligente, personagens sensacionais, realmente não tinha ritmo, e se baseava nos diálogos, em alguns episódios dava a sensação de que terminou do nada, mas nunca deixava de passar a mensagem.
Elenco ótimo, com destaque pra Marília, acho a Darlene uma das melhores personagens e atuações do ano, ás vezes parecia que ela estava realmente bêbada com aquele olhar carregado.
Merecida a segunda temporada, até lá, sentirei saudade.

Adriana Helena disse...

Sérgio,boa noite querido amigo!
Cá estou de volta depois de tantas emoções nos últimos dias...hehehe

Sabe, eu adorei o episódio de ontem!
Assisti alguns anteriormente ao musical e também gostei do humor irreverente! É uma proposta diferente, não há como negar! Mas adoro variações! Chega de mesmice não é mesmo?

Ah, a atriz que interpretou a Luz Divina arrasou! Como eu me identifiquei com ela : ri demais!!! rsrs

Um super beijo amigo e fique bem!
Aproveite o final de semana!! :)))

Rita disse...

Boa noite Sergio mais uma vez não pude ver esse episódio que pena!

Hoje deixo uma frase que gosto muito
pelo carinho de sempre!!

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

=Vinícius de Moraes=

Abraços de bom final de semana
Bjuss
Rita!!!!

Thallys Bruno Almeida disse...

Ótimo artigo, Sérgio.

Foi bem legal ver Pé na Cova se inspirar em musicais não apenas americanos da Broadway, mas também um brasileiro, a Ópera do Malandro, na cena em que Marcão/Markassa canta "Folhetim" do Chico Buarque.

A série em si foi um achado. Um respiro de humor mordaz e incorreto muito bem-vindo em tempos de tanta caretice. Crítica social, referências atuais, nomes bizarros, direção precisa e elenco afiado, com o destaque especialmente a Marília Pêra, Sabrina Korgut, Eliana Rocha e ao carinho que Miguel teve com Ney Latorraca em não substituí-lo (como o referido Dr Zoltar) devido à recuperação do ator. Eu diria que uma "Grande Família às avessas", rs.

Eu nem digo ainda que vai deixar saudades porque vai voltar em Outubro, mas que a série será bem-vinda novamente. Por enquanto, o maior acerto humorístico global de 2013. Abçs!

Barbie Californiana disse...

Poxa, nem acredito que perdi a melhor parte... rs rs rs Sempre que posso vejo, mas esse episódio perdi, Sergio. :/ beijos

Sérgio Santos disse...

Ah, Carlos, para. A Marília canta muito bem. Melhor, inclusive, que muitas cantoras de sucesso por aí. Eu gostei muito de poder ouvi-la.

Bem, como vc mesmo reconheceu, musicais viajam e eu detesto isso, quero até deixar claro. Nunca gostei de musicais justamente por isso: do nada todos começam a cantar felizes ou então tristes demais. Porém, mesmo detestando, reconheci a ousadia do Pé na Cova em produzir algo assim. Achei o episódio ótimo justamente por isso. E fugir foge mesmo, igual a todos os projetos que usam esse estilo.

Eu gosto muito da série, embora reconheça que muitas vezes a ênfase ao texto acaba deixando as ações de lado, o que prejudica o andamento da trama. Porém, o texto que debocha deles mesmo é muito bom. E sempre no final dos episódio há um momento de melancolia muito bem sacado.


PS: Fugindo do assunto, como agora tenho visto Revenge, te farei uma pergunta: vc nunca questionou o fato do labrador da Emily viver por mais de 20 anos, levando em consideração que a raça não passa dos 13? Eu me dei conta disso no episódio do domingo passado. Ou seja, aquela perfeição toda que vcs falavam não era bem assim... rs Abrção!

Sérgio Santos disse...

Oi Fernando. Obrigado. Eu também gostei da série e acho a segunda temporada merecida. Abraço!!!

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Lulu! =) Bjssss

Sérgio Santos disse...

Em outubro desse ano, Marcelo.

Sérgio Santos disse...

hahahaha Kellen, genial seu comentário! bjssss

Sérgio Santos disse...

Anônimo, também não achei sensacional. Achei bom. Os diálogos são os protagonistas da série e isso é bom por um lado, mas por outro é ruim justamente porque parece que nada acontece a não ser um bate papo entre eles. Mas mereceu uma segunda temporada. abç

Sérgio Santos disse...

Oi Adriana! Foi bem legal o episódio, né? Fugiu da mesmice, valeu por isso.

A Eliana Rocha esteve excelente como Luz Divina. Era uma das melhores personagens. Beijos e bom final de semana pra vc também!

Sérgio Santos disse...

Obrigado pelo gentil comentário, Rita. bjs

Sérgio Santos disse...

Nem vai dar tempo de de ter saudades, Thallys. Será um rápido intervalo. A série foi um achado mesmo e valeu pela ousadia e pelos discursos politicamente incorretos. O elenco então foi perfeito do início ao fim. Bacana msm o Falabella não colocar outro ator no lugar do Ney. Abraços!

Sérgio Santos disse...

Tente dar uma olhadinha no site, Barbie. Bjão!

Carlos disse...

Mas aí você terá que me dizer QUAIS cantoras, né? Melhor que a Kelly "chave", ela é kkkkkkk.

Não nego que seja ousado fazer um musical, o problema é que o projeto não é bem definido, talvez isso que tenha feito alguns fãs (fora o fator Falabella e Pêra).

Como vc disse musicais tem ênfase em algum sentimento, é como aquele pensamento alto que os personagens falam, só que cantado. Contudo, nesse episódio eles não seguiram o que os personagens sentiam, como a cena que falei, da Darlene com raiva e do nada, cantando feliz e não feroz, entendeu? Assim como o Ruço, que tem um perfil e no decorrer da temporada quebrou, porque vamos combinar, eles são ignorantes e parar de ter preconceito em um episódio é bem conveniente pra um tipo de plateia.

Acho o texto debochado mas não bem sacado. Prefiro o deboche dos redatores de A Grande Família (todos), Cláudio Paiva (que agora está em Tapas e Beijos) e do João Emanuel Carneiro (nesse ponto o acho bom). São deboches tão discretos que as pessoas nem percebem. Não vou dizer que o Falabella não saiba fazer, mas o dele é muito nítido e só não dá polêmica porque ele tem fãs. Só pra servir de exemplo, falaram que iria ter beijo gay em Pé na Cova, mas isso não criou tanto burburinho quanto a do Tuco, e mesmo assim no episódio vários "toques" foram dados mas não sentidos graças ao roteiro. Cada um tem um jeito de escrever, a do Falabella não me agrada.

PS.(resposta) - Olha, é bem provável que a série tenha suas imperfeições/furos (como qualquer outra), mas sinto lhe informar que essa não é uma delas. Primeiro, cachorro tem uma média, mas pode viver mais ou menos. Segundo, Emily devia ter uns 8/9 anos quando ganhou, somando a idade de antes com os 13 supostos do cachorro agora, Emily teria 21/22 anos, coerente com a idade dela hoje. Terceiro, acho que você imagina o porquê de eu ter falado que o cachorro supostamente TER 13 anos, né? Sim, já contei. Isso não é furo. O Pendrive e 100 capítulos sem vingança ainda são uma vergonha. Faustão tem que rever o que ele considera "vingancinha", porque se o da Emily for isso quero nem imaginar que palavra usar para o da Nina kkkkkk.

Abraços

Sérgio Santos disse...

Carlos, vc chegou a ver a Marília cantando Carmem Miranda? Eu acho incrível. Bem, todas essas cantoras que fazem um baita sucesso perdem pra ela na minha opinião. Claro, tiro Bethânia, Maria Rita, Gal, etc, só que essas não fazem mais o sucesso a que eu me refiro.

Sim, eu entendi o negócio do musical. Só que a série msm não prioriza lá a lógica. Vc repara na quantidade de absurdos que eles dizem? Não é pra ser levada a sério.

Olha, vc tem razão. Não me deparei com isso. Ela ganhou o cachorro quando era criança e não bebê. Mas eu tenho gostado da série. Porém, é aquilo que eu já disse, essa série é um cópia de novela. Todos os enredos de um bom folhetim estão ali. Talvez por isso eu esteja gostando. Até a clichê de fingir que engole um comprimido e escondê-lo embaixo da cama teve. rs

O Faustão odeia a série. Ele é desses que se revoltam porque a série americana não fica com um nome brasileiro. Isso é o típico nacionalismo inútil. abraços!

Bia Hain disse...

Sérgio, eu gostei muito da série, original e bem humorada sem ser óbvia. Os personagens bizarros eram encantadores e na minha opinião Marília Pêra arrasou! Ainda bem que teremos uma nova temporada. Um abraço!

Sérgio Santos disse...

Bia, eu também gostei muito. Segunda temporada merecida. Beijos!!!

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Sérgio, embora eu não tenha gostado da série, reconheço que Miguel Falabella acertou a mão e criou um seriado diferente dos que se vê por aí.

Carlos disse...

Não vai me dizer que você acha melhor que Sandy e Ivete Sangalo, por exemplo? Marília Pêra é cantriz, nada mais que isso. Ela não tem tecnica, canta mais aberto. Isso não tira mérito dela de ser boa em musicais, mas dizer que ela tem uma linda voz e melhor que muitas cantoras? Depende de quem você estiver falando. Só pra comparar mais e você entender o que quero dizer, a Karin Hils tem sim uma linda voz. Ela sim é uma cantora que põe muitas no chinelo, inclusive as que você citou. Karin Hils tem técnica, interpretação e alma naquela voz.

Reparo nos absurdos que eles falam, por isso não gosto rs. Então a graça é não ter lógica? Isso é ter bom roteiro? Pra mim não. Questão de gosto.

Gosto que Faustão não têm, normal. Nacionalismo barato porque se for assim ele não pode falar pra ninguém mandar um email pra Globo, por exemplo kkkkk.

Sérgio Santos disse...

Oi Elvira. Ele ousou mesmo. Valeu por isso. bjsss

Sérgio Santos disse...

Melhor que a Sandy e a Ivete, não, mas melhor que Elba Ramalho por exemplo eu acho. Eu ia citar Joelma mas aquilo nem cantora é, então deixa.

Karin é ótima mesmo. Ela era vocalista do finado Rouge, o único grupo que realmente fez sucesso por causa de um reality.

Sim, esse tipo de nacionalismo é totalmente idiota. O SBT muda o nome das séries e fica ridículo DEMAIS. Abraço!!!!!

Carlos disse...

Poxa, quando você disse cantora de sucesso me veio cantoras de sucesso, aí você me vêm com Elba Ramalho? haha. Ainda bem que você não disse Joelma, isso iria só piorar pra Marília haha.

Sim, Rouge foi o único que teve vida, mas também porque prestava e tinha personalidade, diferente dos que vieram depois como o Broz.

Abraços

Sérgio Santos disse...

Mas o tal Broz também fez sucesso. Tudo bem que só foi com uma maldita música de não sei o que "sim sim sim...", mas fizeram .Só foi bem mais curto que as meninas. E que bom porque eles eram péssimos.

Sim, ainda bem que não falei da Joelma, mas a Marília tem uma bela voz, coitada. Não seja cruel. abraços.