quarta-feira, 22 de maio de 2013

Record acerta com a estreia de "Dona Xepa"

Substituindo a fraca "Balacobaco", estreou nessa terça-feira (21/05) mais uma novela da Record: "Dona Xepa". Ao contrário das últimas produções da emissora, que decepcionaram assim que estrearam, o remake dessa história de sucesso pareceu promissor e, apostando no tradicionalismo,  apresentou um primeiro capítulo bastante agradável.


A novela é inspirada na peça de Pedro Bloch e já foi adaptada várias vezes antes da Record decidir investir no projeto: para o cinema através do filme de Darcy Evangelista (1959) e para a televisão através de duas novelas ---- "Dona Xepa", de Gilberto Braga (1977) , com Yara Cortes de protagonista, e "Lua Cheia de Amor" (1991), de Maria Carmem Barbosa, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn; ambas exibidas na Globo. A razão para tantas adaptações é simples, afinal, a história da mãe feirante e batalhadora, que é desprezada pelos filhos apesar de se esforçar muito para criá-los, é uma trama tradicionalíssima e tem um potencial para agradar todo o tipo de público.

Agora escrita por Gustavo Reiz e dirigida por Ivan Zettel, a história apresentou mudanças, incluindo a inserção de novos personagens. Também foram incluídas outras tramas e situações apropriadas para os 'novos tempos', como por exemplo a influência da internet (um vídeo da Xepa caiu no Youtube), a valorização
imobiliária e a existência de uma mulher-fruta (vivida por Robertha Portella, exagerada no papel). Ao adaptar a trama e modernizá-la, o autor demonstra que está disposto a conquistar novos telespectadores, além do público que guarda, principalmente, o remake de Gilberto Braga na memória.

A escolha da experiente Ângela Leal para viver a carismática Dona Xepa foi um grande acerto. A atriz está ótima na pele da personagem e já protagonizou boas cenas ao lado de Bia Montez (Matilda), outra excelente escolha para viver a 'rival' da feirante. Manoelita Lustoza também é um outro bom nome e sua 'pasteleira' promete divertidas sequências. Castrinho e Bemvindo Siqueira completam o bom time do núcleo da feira. Thais Fersoza é outro nome que já mostrou a que veio. A atriz está (além de linda) totalmente à vontade na pele de uma vilã que tinha grandes chances de cair na caricatura.

O primeiro capítulo foi bastante simpático. Apesar de confusa ---- o telespectador tinha a sensação de estar vendo algum capítulo aleatório e não o que iniciava a história ----, a estreia da novela apresentou muitos pontos positivos. Além dos atores já citados, é preciso destacar a trilha sonora caprichada. Se em "Balacobaco" havia um festival de músicas sofríveis, o mesmo não se pode dizer da sua substituta. Os diálogos estão repleto de clichês, mas vale destacar as frases divertidas ditas por Dona Xepa. Aliás, o núcleo da feira é o melhor da novela. E a trama, tradicional e nada inovadora, é de fato gostosa de se acompanhar. O problema continua sendo o horário. Uma comédia leve como essa não é apropriada para um horário tão tardio (22h15m ou quando terminar a novela das nove da Globo) que é claramente propício para obras mais 'adultas'. Porém, esse é um caso perdido porque, além de ter abolido produções às 19h,  a emissora estabeleceu que a dramaturgia será sempre nessa faixa.

O remake, fugindo dos padrões da Record, terá apenas 96 capítulos, o que é excelente para evitar barriga ou qualquer tipo de enrolação. Já o elenco contará com 31 atores, um número bem reduzido, o que resultará em boas oportunidades de destaque para todos os profissionais. Ainda que todo esse conjunto de medidas tenha sido adotado por causa da contenção de despesas (a emissora enfrenta uma grave crise financeira) e não pela busca de melhor qualidade, é fato que essa medida beneficiará todos os envolvidos.

"Dona Xepa" tem boas chances de ser o grande acerto da Record em 2013, porém, tudo vai depender da condução da história e da reação da audiência. A estreia marcou 9 pontos de média, ficando na vice-liderança, mas ganhou do SBT por apenas meio ponto. Gustavo Reiz e equipe têm um remake de uma trama muito bem-sucedida em mãos. Agora só resta torcer para que a emissora não resolva estender a novela (como costuma fazer em quase todas as suas produções) e para que a vida da batalhadora feirante seja contada com competência e sem tropeços.

32 comentários:

Anônimo disse...

Vale lembrar que Fina Estampa lembra Dona Xepa em várias coisas: a vergonha dos filhos, o quadro do pai deles na parede onde a mulher abandonada xinga (haha). Será que a nossa Agaynalda teve uma leve inspiração?

Silvana Haddad disse...

Sergio:
Difícil superar em qualidade e talento, a dona Xepa vivida pela saudosa Yara Cortes.
Não cheguei a ver o 1º capítulo, para analisar o desempenho dos atores que você mencionou no seu post.
Não aprecio as novelas da rede Record, prefiro as mini séries que são produzidas de forma impecável.
Tomara que a direção e os atores, acertem a mão, e a novela consiga ter uma boa audiência, pois a história é muito boa.
Abraços:
Sil
http://meusdevaneiosescritos.blogspot.com.br/

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Já passou por cá há muitos anos e tem um bom elenco.

paulo disse...

Confesso que fiquei surpreso agora com tantos elogios a uma produção da Record, parabéns Sergio, como um bom critico de TV imparcialidade é fundamental. Eu não tenho mais paciência pra novelas, nem da globo nem da Record, mas não sabia que terá "apenas" 96 capítulos então vou tentar dar uma espiadinha de vez em quando. Não assisti a versão dos anos 70 na globo pois era muito pequeno mas o "remake" de 1990 que se chamou "Lua Cheia de Amor" eu vi e foi um total fiasco, péssima mesmo. Vamos ver essa...
Abrçs!

Lulu disse...

Vc gostou?? Achei tão chatinho..
big beijos
Lulu on The Sky

Danizita L. disse...

Tenho curiosidade de acompanha-la, porém acho realmente que o forte da Record são as minisséries.
Bjs.

Anônimo disse...

Eu vou corrigir uma informação que foi dita nesse post: A Rede Record de Televisão NÃO está passando por nenhum crise financeira. Só pelo motivo de Sua má fase nao significar a crise financeira, até por que má fase atinge a todas emissoras. Isses sã só boatos lançados por pessoas que queriam atrapalhar a Record, por que como nós já sabemos qual é a primeira emissora do país, aquela que é da Universal não presta, isso é uma manipulação ereditaria, com principios de qual ver ou qual é a melhor. Sem mais, Obrigado! Amigo pessoal de pessoas da Alta Cúpula da Rede Record de Televisão.

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Sérgio, assisti à versão de "Dona Xepa" na Globo e gostei muito do desempenho da saudosa Yara Côrtes. Não vi essa estreia na Record, mas espero que a talentosa Ângela Leal também se destaque. A trama dos filhos envergonhados com a situação social da mãe é recorrente na ficção.

Barbie Californiana disse...

Nem posso comentar, Sérgio, pois é muito raro eu assistir a programação da Record... ;] beijinhos

Sissym disse...

Estimado Sergio,

Eu não me lembro mais do enredo, mas que adorava assistir, gostava muito da simplicidade da protagonista.

Espero que a novela atualizada seja como uma homenagem aos que marcaram aquela época.

Bjs

Filha do Rei disse...

Sérgio, não assisti ao primeiro capítulo, mas lendo o teu texto deu vontade de assisti-la.Bjs


Thallys Bruno Almeida disse...

Ótimo artigo, Sérgio.

Eu que não esperava muita coisa me surpreendi positivamente. A transposição temporal foi um acerto e fez bem à história. A trilha idem, com destaque pra Top Top na voz da Zélia Duncan.

Ângela Leal se encaixou como uma luva na história da Xepa e Thaís Fersoza deu o tom de sua Rosália logo de cara. O time da feira (Bia Montez, Manuelita Lustosa, Benvindo e Castrinho) foi outro acerto. Em compensação, achei Arthur Aguiar um tantinho inexpressivo. Os exageros da Robertha Portella não se limitam à atuação: nem mulher-fruta da vida real usa aquelas tatuagens.

O horário é complicador ainda mais na quarta-feira, que conta com a exibição de José do Egito às 21h45 e joga Xepa pra mais tarde. A experiência do tão sonhado segundo horário de novelas só funcionou um ano (e ainda assim com Rebelde dançando pela grade por causa de Pan e Olimpíada, além das outras mudanças de horário).

A Record foi feliz em adotar o padrão curto (adotado pela rival em O Astro e Gabriela para o horário das 23h), que tinha Lauro César Muniz como seu principal defensor.

Espero que a trama siga essa mesma pegada da estreia, pois a novela é promissora e é visível a vontade de acertar da emissora, pra consolidar a concorrência e termos mais uma boa opção. Ou seja: nem transformar em trama policial com tiro pra tudo que é lado, nem ficar mudando de horário a grade toda, nem esticar ad infinitum.

E uma coisa que eu tenho percebido: o Carlos Lombardi tem feito um bom trabalho de divulgação de sua "Pecado Mortal" através do twitter. Ele já deixou claro que não faltarão os "descamisados/as" (até porque vai ser uma trama pós 22h, mais adequada ao horário), mas o enredo parece render (ambientada no Rio dos anos 70, sobre o início do "jogo do bicho"), o que pode diferenciá-lo do que ele tem feito em seus últimos tempos na Globo.

Clau disse...

Oi Sérgio,boa noite!
Eu não sabia que Dona Xepa,
era um remake.
Eu não vou assistir,mas tomara que seja um acerto sim,afinal a Record é boa em minisséries,mas quanto às novelas...
Bjs!

Sérgio Santos disse...

É verdade, Anônimo. O engraçado foi ver Aguinaldo chamando o Walcyr de plagiador... abraços.

Sérgio Santos disse...

Sem dúvida, Silvana. Até porque a qualidade das produções da Globo também é infinitamente superior. Mas a estreia foi bacana. bjs

Sérgio Santos disse...

Obrigado pelo comentário, Luís. abraços.

Sérgio Santos disse...

Paul, o problema é que todas as outras produções da Record que eu critiquei foi porque achei horríveis mesmo. Eu detesto a conduta da emissora mas sei separar as coisas, até porque os profissionais não tem culpa da "cúpula" fazer e falar tanta bobagem.

Achei o remake bem bacana e ficou clara a preocupação em investir em algo de mais qualidade. Porque aquela Balacobaco... Abraços!

Sérgio Santos disse...

Eu gostei, Lulu. O que não significa que eu vá acompanhar, mas achei bacana. bj

Sérgio Santos disse...

Danizita, não foi incrível mas é uma produção bem feitinha. Achei infinitamente melhor que José do Egito, fazendo uma comparação meio sem sentido. bjs

Sérgio Santos disse...

Anônimo, vc me desculpe mas está sim. Como vc explica o cancelamento do Programa da Tarde? O fim do Tudo é Possível? O término da faixa das novelas das 19h? A redução de custos nas próximas minisséries bíblicas? A não renovação do contrato de vários atores? As demissões? Desculpe, mas não há informação para ser corrigida.

Sérgio Santos disse...

Yara Cortes era sensacional, Elvira. Que grande atriz! Até hoje me lembro da mãe da Dinah em A Viagem e sua emocionante chegada "ao céu". Não irei acompanhar o remake da Record, mas gostei do que vi na estreia e também no segundo capítulo. bjs

Sérgio Santos disse...

Sem problemas, Barbie.

Sérgio Santos disse...

Tomara que consigam, Sissym A Angela Leal tá ótima. bjs

Sérgio Santos disse...

Cléu, obrigado pelo comentário. bjs

Sérgio Santos disse...

Thallys, também não esperava grandes coisas. Mas foi bacana e a trilha foi muito bem escolhida. Músicas muito boas e completamente diferente daquela desgraça de Balacobaco. Dá pra ver uma preocupação da equipe.

Olha, foi só elogiar que a Record já começou a fazer imbecilidade. Mudaram o horário da novela. Agora será 22h. Ou seja, daqui a pouco vai mudar de novo e de novo... Assim fica difícil.

A última novela boa do Carlos Lombardi foi Uga Uga. Não tenho muita esperança pra essa nova dele, mas quem sabe... Abraços.

Sérgio Santos disse...

É verdade, Clau, a Record é melhor em minissérie. Porém, acho as histórias bíblicas muito teatrais. Bjs

Raquel disse...

Oi, Sérgio!

Não assisto novelas da Record e nem sei se dá pra acompanhar fora do Brasil, mas eu fico muito feliz com a tentativa de se manter um núcleo de dramaturgia. A Record ainda tem um longo caminho pra chegar até a Globo e as coisas não acontecem de uma hora pra outra; parece que o maior promeblema vem do amadorismo da alta cúpula... Mas torço muito para que as coisas melhorem e entrem nos eixos. Afinal, concorrência sempre beneficia o consumidor.

Agora, quanto ao Carlos Lombardi, concordo que sua última boa novela foi "Uga-Uga". Apesar de ter gostado muito de "Quinto dos infernos", acredito que a parceria Pasquim-Lombardi não foi tão benéfica pra nenhum dos dois no longo prazo. Lombardi começou a se repetir muito nos papéis para o ator e este ficou fadado aos papéis descamisados das novelas das sete...

No entanto, na longíqua década de 90 Carlos Lombardi era o meu noveleiro favorito! Jamais vou esquecer Quatro-por-quatro e foi ele que iniciou o meu carinho pela faixa das 19 hs. Espero de coração que esse tempo de geladeira tenha colocado as idéias dele no lugar e mais uma divertidíssima história venha por aí.

Abraços!

Sérgio Santos disse...

Raquel, Qutro por Quatro foi uma das novelas das sete que eu mais gostei. Babalu e Raí são inesquecíveis, asim como a cena do acidente que fez as protagonistas se encontrarem. Uga Uga também foi ótima. Mas depois veio a horrível Kubanakan e a chata Pé na Jaca. O autor começou a se perder.

Achei O Quinto dos Infernos ridícula e vi o autor estragando com a história do Brasil. Tomara que na Record ele se renove, porque, confesso, não lamentei nem um pouco sua saída da Globo. Beijão!

Raquel disse...

Pois é Sérgio, back in the time eu adorava novelas das sete e ansiava pela próxima do Carlos Lombardi. Uga Uga foi realmente a última que eu acompanhei. Kubanacan não me desceu (que ódio da Adriana Esteves falando da tal "costa em V"! >< ) e eu acabei desistindo e nem me dei ao trabalho de tentar Pé na Jaca.

Pode até ser que Quinto dos Infernos não tenha sido muito boa mesmo, talvez eu ainda estivesse anestesiada pela admiração pelo trabalho do autor. Mas minha memória emotiva tá ligada à mini-série principalmente pela trilha-sonora. Sempre vou lembra do Dom Pedro I fazendo estripulias ao som de "September". Adoro essa música! :)

Sérgio Santos disse...

Kubanakan foi ridícula. E o Humberto Martins com aquele clone dele do lado? Nossa, muito ruim. E a novela não fazia sentido nenhum. Pé na Jaca foi um pouco melhor mas também foi fraquíssima. A Trilha de O Quinto dos Infernos era boa mesmo, isso é fato. bjssss

Wander Veroni Maia disse...

Oi Sérgio!
Gostei da estreia de Dona Xepa. É uma novela para cima e que lembra muito as novelas das sete. Não sei se vai funcionar no horário das 22h, mas pelo menos é melhor que Balacobaco e Máscaras.

Abraços,

http://cafecomnoticias.blogspot.com.br

Sérgio Santos disse...

Que é melhor do que esses dois desastres, é fato, Wander. Mas não tem a cara do horário. E a Record já mudou o horário de exibição umas três vezes. E parece que estão pensando em esticá-la, ou seja, vão repetir todos os erros de sempre... Abraços.