quarta-feira, 25 de abril de 2012

CQC: humor X jornalismo

Na semana passada, mas especificamente na terça-feira (17/04), o "CQC" se envolveu em mais uma polêmica, após alguns meses de aparente tranquilidade com o afastamento de Rafinha Bastos. Agora a confusão foi com os jornalistas. Isso porque durante o encontro --- transmitido ao vivo pela Globo News --- entre Hillary Clinton (secretária de Estado dos EUA) e o Ministro de relações exteriores do Brasil, Antonio Patriota, o repórter Maurício Meirelles gritou "I love you, Hillary" e ainda ofereceu uma máscara juntamente com um charuto, fazendo referência a uma festa em que a secretária participou e ao conhecido caso que Bill Clinton teve com Monica Lewisky há anos atrás.




Embora Hillary não tenha se sentido nem um pouco ofendida pela brincadeira, os jornalistas presentes se aborreceram e iniciaram uma discussão com o repórter, onde teve gritaria e até tentativas de agressão física. O fato foi publicado no blog do jornalista Maurício Stycer, colunista do Uol. Fotógrafos e cinegrafistas endossaram as reclamações dos jornalistas, alegando que Maurício atrapalhou o trabalho deles. Um detalhe importe a ser destacado: o repórter do CQC estava autorizado a cobrir o evento, portanto, não foi nenhum penetra.

A grande questão é: humor e jornalismo podem caminhar juntos? O integrante de um programa humorístico pode participar de um evento onde só há a presença de jornalistas? Durante uma coletiva de imprensa onde se discute assuntos importantes para o país, cabe uma piadinha ou
 alguma brincadeira do tipo? Proibir a presença dos humoristas seria uma espécie de censura? Ninguém tem uma resposta clara para essas dúvidas.

No entanto, é preciso ressaltar que ultimamente está se confundindo muito liberdade de expressão com falta de educação. Uma coisa é você ter o direito de expressar o que pensa, mas desde que tenha bom senso e consciência do que está fazendo e falando; outra completamente diferente é ser ofensivo e desrespeitoso com quem está a sua volta. Não estou nem me referindo especificamente a esse caso recente e sim ao humor como um todo.

A brincadeira de Maurício Meirelles não foi vista com maus olhos pela secretária, mas o que está sendo debatido é o fato de os jornalistas presentes terem tido o seu trabalho atrapalhado pela piada. E se Hilary tivesse se aborrecido e se retirasse do local? Toda a polêmica iria piorar ainda mais, sem dúvida.

O "CQC" não pode ser considerado um programa jornalístico, uma vez que há merchandisings na atração. Jornalista não faz propaganda. E mesmo que não houvesse, os integrantes não seriam considerados jornalistas, e nem deveriam ser. Apesar de sempre enfatizar que eles misturam jornalismo com humor, não há diferença entre a atração da Band e o "Pânico" ou o "Casseta & Planeta", por exemplo.

Na última segunda-feira (23/04), Marcelo Tas defendeu a atuação de seu repórter em Brasília e criticou o Sindicado dos Jornalistas do Distrito Federal, que resolveu restringir o trabalho da equipe do "CQC" após esse epísódio. Alegou que essa atitude contraria o direito de liberdade de expressão. Também disse temer a volta da censura.

O que podemos concluir de mais essa 'polêmica' é que os dois lados estão certos. Realmente não se pode restringir o trabalho da imprensa, ainda que seja de um programa de humor; entretanto, os jornalistas também têm o direito de se sentirem incomodados com a piada fora de hora, atrapalhando o trabalho deles. O ideal seria que o bom senso prevalecesse e que tanto os humoristas quanto os jornalistas pudessem conviver, sem que um atrapalhasse o trabalho do outro. Se isso é possível? Só o tempo dirá.

Links relacionados: Rafinha Bastos e o humor sem limites
                             CQC se desgasta e perde sua suposta credibilidade
                             Agora é Tarde se firma como uma boa opção

16 comentários:

Thallys Bruno Almeida disse...

Gostei da análise, especialmente do quarto e do último parágrafos. Essas duas palavrinhas - BOM SENSO - deveriam prevalecer em casos desse tipo. O CQC também não é nenhum santo (e não estou tomando partido de ninguém). Nunca os considerei jornalistas, e sim, humor - numa proposta mais "cerebral", mais "refinada", em contraponto ao escracho do Pânico.

Atena disse...

Olá Sérgio:
Vim dar uma olhadinha, agradecendo a visita que me fez. Gostei do que vi.
Vou confessar que sou um zero à esquerda em se tratando de canais abertos. Recuso-me a assisti-los. Não tenho paciência nem estômago para a programação deles.
Este CQC eu assisti uma vez só na casa de meu filho e fiquei zonza com a barulheira que eles fazem. rsrs Pareceu-me que os rapazes são inteligentes, mas totalmente vendidos à caça pelo Ibope.
Concordo com você sobre a falta de respeito e má educação, duas característica muito na moda atualmente, não só na televisão.
abraços

Sérgio Santos disse...

Thallys, obrigado pelo comentário. Pois é, o bom senso não tem sido muito utilizado por esses programas, o que é uma pena, pois só teriam a ganhar. O Pânico acaba sendo bem mais escrachado mesmo. Abração.

Sérgio Santos disse...

Oi, Atena. Obrigado pelo elogio e pelo seu comentário. Volte sempre. Beijos.

Talita Cruz disse...

Essa é uma questão polêmica, e é justamente o tema do meu TCC. Quando escolhi o tema, tinha na cabeça de que o CQC era sim um programa jornalístico, mas com o andamento da pesquisa percebi que o programa tem muito mais elementos de humor e de entretenimento do que jornalismo. Mas como quase jornalista que sou, acredite, jornalista é o povo mais azedo que existe. Os profissionais presentes exageraram...

Sérgio Santos disse...

Oi, Talita. Obrigado pelo seu comentário. É verdade, há muito mais humor e entretenimento do que jornalismo. E ainda há os 'merchans'. Tem muito jornalista azedo, é? rsrs Que bom que você está quase formada em jornalismo! Parabéns! Beijos.

Sozynho disse...

Olá, Sérgio!
Acho que os comediantes podem participar sim, o problema é que esse cara é chato e incoveniente não é de hoje. Na aula de bom senso, com certeza ele faltou!
Abçs!
Rike.

Radio Betel disse...

Olha pessoal eu sou fã do CQC, então talves minha opinião seja valida. Mas mesmo assim deixo ela. Que o CQC é de humor não me resta duvida, Mas que a maioria dos termos abordado por eles é de estrema importancia para nossa sociedade seria ipocresia dizer ao contrario... Deixo uma pergunta; onde fica nosso direito de ir e vir ande e quando e na hora que quisermos? tem uma cambada de estudadinhos que não sabe nem trocar a lampada queimada do seu quarto querendo ditar regras, pra mim um bando de alienados são eles...se estudo e inteligencia foce valido para o bom senso o mundo estaria bem melhor em nosso tempo...o tal bom senso era usado entre os matutos, porque entre os intelectuais é um querendo ser melhor que o outro e para ocupar seu espaço ai sim é um verdadeiro CQC!

Sérgio Santos disse...

Oi, Sozynho. Obrigado pelo comentário. O Maurício Meirelles não é muito carismático e já notei bastante arrogância nele. Abraço!

Sérgio Santos disse...

Radio Betel, obrigado por expor sua opinião. Volte sempre! =)

Flavia Claro disse...

muito boa a análise, gostei do texto, conheci seu blog através do dihitt. Abração

http://meustutoriaisfacinhos.blogspot.com.br/

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Concordo que deveria ter havido bom senso e também ética profissional, justamente o que faltou ao humorista do CQC.
Mas também sou contra a censura, imposta pela presidente Dilma Rousseff. Bastaria uma advertência.

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Flavia. Seja bem-vinda! Beijos!

Sérgio Santos disse...

Elvira, concordo com vc. Tb sou contra essa censura. O "controle dos meios de comunicação" não é nada mais que uma censura de nome bonito. Liberdade sempre e bom senso também. beijos!

Vera Alvarenga ... disse...

Olá Sérgio! Vim, do blog do Pirollo, dar uma espiada.Gostei muito.Não assisto muitos programas de TV, mas vi trechos do CQC e alguns inteiros.Eles eram mais divertidos, agora estão ficando exagerados, na minha opinião. Uma das coisas que me aborrecem é estar ouvindo alguém que está dizendo algo importante e é interrompido por um entrevistador ou jornalista que distorce propositadamente o que ele diz ou se mostra ansioso para falar( o contrário do que você comentou que Marília Gabriela, como boa jornalista, faz). O CQC tem momentos divertidos e um quadro bom em que mostram as falsas promessas de prefeituras e cobram soluções, contudo, estão exagerando nas atitudes rudes beirando mau gosto, infelizmente. Temo então que,como outros programas sensacionalistas jornalísticos que dão ênfase exagerada ao que choca, etc.,acabe por tirar também de nós que assistimos, a oportunidade de receber informação boa e útil. Se os jornalistas sentem-se ameaçados em seu trabalho,por esta atitude grosseira ou piada inadequada, nós, o público, perdemos ainda mais. O pior é que este tipo de moda, pega! O povo também perderá muito se os jornalistas de modo geral não forem mais respeitados, ou alguns políticos sentirem-se no direito de fazer censuras, num tempo em que a impunidade já é uma afronta e tudo deveria ficar mais claro, graças a um bom jornalismo. Claro que não é preciso abolir o bom humor, mas aplaudir a falta de educação e respeito e o exagero, nos tirará direitos duramente conquistados, não é mesmo? É preciso bom senso sim, para não sofrermos censura jamais.Penso que o CQC está num momento em que deveria parar para rever o caminho a seguir, pois teria tudo para ter sucesso mantendo o bom nível humorístico, separando jornalismo sério de um humor debochado que atrairá para si a indiferença dos que deveriam prestar contas públicas de seus atos. Abraço, Vera.

Sérgio Santos disse...

Vera, muito obrigado pelo seu comentário. Concordo plenamente com vc, em gênero, número e grau! Seja bem-vinda ao blog e fico feliz que tenha gostado. Um grande beijo pra vc!