segunda-feira, 9 de abril de 2012

Amor Eterno Amor: personagens de mais, história de menos

Há mais de um mês no ar, "Amor Eterno Amor" ainda não conseguiu mostrar a que veio. A falta de ritmo é visível e desanimadora. Isso afasta o telespectador, principalmente quando a novela ainda está em sua fase inicial. Essa é a hora de 'conquistar' quem está assistindo e Elizabeth Jhin, a autora, não está sabendo agir. Para piorar, vemos uma quantidade imensa de atores sem a menor função e totalmente desperdiçados.



A trama central é a única que se desenvolve, mesmo que em passos de tartaruga. Com o falecimento de Verbena (Ana Lucia Torre), Rodrigo (Gabriel Braga Nunes) tomou posse da empresa da família e os conflitos com os vilões já começaram. Sua química com Miriam (Letícia Persilles) é um ponto positivo. O casal funciona. Cássia Kiss Magro (Melissa, uma vilã que ainda está fora do tom, diga-se), Carmo Dalla Vechia (Fernando) e Luis Melo (Dimas) ajudam a movimentar esse núcleo.

Porém, os núcleos restantes estão totalmente avulsos. A ótima
Andrea Horta (Valéria) está deslocada, assim como todos os integrantes da Ilha de Marajó: Pedro Paulo Rangel (Zé da Carmem), Vera Mancini (Carmem), Carol Castro (Jacira), Erom Cordeiro (Tobias) e Daniela Fontan (Gracinha). A vinda do protagonista para o Rio de Janeiro acabou 'matando' a função de todos eles.

Giulia Gam (Laura) e todos os atores presentes na redação de um jornal, funcionam como figurantes de luxo. Foi mostrado que Laura teve um envolvimento amoroso com o vilão Dimas, mas ficou nisso. Os demais pouco acrescentam. E Marina Ruy Barbosa, após o sucesso da patricinha Alice de "Morde & Assopra", faz parte desse time. André Gonçalves, que também se destacou como o engraçado Áureo, agora interpreta uma espécie de jornalista atrapalhado. Suas cenas se resumem em ser assediado pela personagem de Daniela Fontan.

E o que dizer do núcleo do edifício São Jorge? Camila Amado (Dona Olga), Nuno Leal Maia (Ribamar) e Hermilla Guedes (Marlene) têm poucas e repetitivas cenas. Olga e Ribamar são vizinhos que reclamam de tudo e se detestam. Não espere mais nada além disso. Já Marlene se preocupa com a filha (Laís-Jessika Alves) e tem medo que ela engravide na adolescência. Uma lástima ver uma atriz do talento de Hermila ter um papel tão bobo. Nica Bonfim, Rosi Campos e Tony Tornado também costumam aparecer por ali, mas o trio acaba tendo mais 'presença' na trama central, uma vez que seus personagens trabalham na mansão de Verbena. Ou seja, têm mais destaque e importância.

Carolina Kasting (Beatriz) dá vida a uma psicóloga que acredita no espiritismo e Felipe Camargo (Gabriel) interpreta um médico cético. Está claro que terão um romance e a função deles é praticamente essa: formar um casal com pensamentos divergentes em relação ao 'sobrenatural'. A filha dele (Clara-Klara Castanho) se comunica com os espíritos e Beatriz se aproxima cada vez mais da menina. Carlos Vereza é Seu Francisco, pai da psicóloga e um senhor solitário, já Suely Franco é Dona Zilda, sogra do médico e que mora com ele. Acabam servindo de escada para os demais. Dois grandes atores que se veem em uma história sem o menor atrativo.

Outro fato para se lamentar é ver Rosane Gofman interpretando mais uma empregada, cujo conflito é sofrer com a ausência da neta, já que sua filha (Regina-Maria Clara Mattos) a proibe de ver a menina porque tem vergonha de sua profissão. História batida demais.
Ainda temos o núcleo de adolescentes, com os clichês de sempre: a menina que dá em cima do pai da amiga, a jovem que não sabe o que fazer da vida, namoros etc. Nada que se relacione com a trama principal e gera pouquíssimo interesse. Para finalizar, Suzy Rêgo é Jaqui, uma mulher ciumenta e com autoestima baixa. É casada com Kleber (Marcelo Faria), um homem bem mais novo que ela, o que gera ainda mais insegurança. Fica difícil a personagem sair do lugar-comum e não ficar repetitiva. Com todo esse excesso de núcleos deslocados, como haver interação entre as tramas?

É inegável que Elizabeth Jhin escalou um elenco maravilhoso para sua novela. Mas se esqueceu de criar histórias atraentes para todos eles. Um bom time de atores é fundamental para o sucesso de uma trama, porém, só isso não basta. O enredo e o ritmo têm o mesmo grau de importância e nessa obra ambos ficam devendo e muito. "Amor Eterno Amor" necessita de vários ajustes para emplacar e é necessário que a autora foque nesses dois problemas principais. Caso contrário, o fracasso será inevitável.

Link relacionado: Amor Eterno Amor: uma estreia sem novidades

15 comentários:

Thallys Bruno disse...

Pra ser bem sincero, Amor Eterno Amor não me conquistou e acho meio difícil isso se reverter. Em Eterna Magia (2007) ocorreu a mesma coisa: não consegui gostar da trama de jeito nenhum. Para mim, das novelas da autora, só Escrito nas Estrelas (2010) foi ótima. Espero que essa situação se reverta em AEA, mas não vejo muita esperança.

Sérgio Santos disse...

Obrigado pelo comentário, Thallys. A novela também não me conquistou. E olhe que gostei das chamadas e estava até otimista. Mas, ao menos por enquanto, o ritmo arrastado, a história fraca e o excesso de personagens sem função desanima bastante. Abraço.

Brenda disse...

Concordo com tudo. As novelas das 18:00 hs sempre foram as minhas preferidas mas dessa não consigo gostar de jeito nenhum, quem sabe mais pra frente melhore um pouco mas acho difícil.

Patricia Galis disse...

Vi so os primeiros 7 capítulos e me desinteressei, não me conquistou como a que estava passando.

ps: meu amigo sei nada, mais de 20 dias se passaram e nada, a unica coisa que recebi e informação é que ele não tinha nenhuma denuncia e nem estava fora do contexto exigido, então vai saber, affff dá uma tristeza que só viu, obrigada pelo carinho.

Sérgio Santos disse...

Brenda, obrigado pelo comentário. As últimas novelas das seis estavam muito boas, mas Amor Eterno Amor não está agradando. Vamos ver se melhora, mas se continuar assim será impossível. Beijos.

Sérgio Santos disse...

Patrícia, entendo. Eu que agradeço. Um absurdo isso acontecer com você! Uma outra amiga minha também sofreu com isso. Beijos!

Mamute disse...

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Charles Netto disse...

Meu amigo Sérgio Santos valeu pela dica de postagem que trás seu título bem assim: "Amor Eterno Amor: personagens de mais, história de menos", mas penso que devemos dar tempo ao tempo a fim de aprofundarmos nossas conclusões que no meu caso vamos ficar sabendo tudinho, ok!

Manoel Angelo Feitosa disse...

Gostei do seu blog, ja estou seguindo..
Abraços..

Sérgio Santos disse...

Charles, obrigado pelo seu comentário. Vamos ver como a novela vai se sair nos próximos meses. Abraço!

Sérgio Santos disse...

Manoel, mt obrigado. Seja bem-vindo! Abraço!

Renato Lima disse...

Sou de Belém, fico feliz por meu Estado do Pará esta sendo lembrado em uma novela da Globo. Porém, a autora precisa pesquisar melhor a forma de falar dos personagens que estão completamente fora do contexto atual.
Outra coisa, aqui, nós também estamos no seculo 21, entrando em desacordo com o que foi dito no dia 20/04... as pessoas que moram tanto em soure como em salvaterra sabem ler e escrever, existe operadores como TIM, OI, VIVO e Claro, iphone 4s, temos banda larga e TV acabo
... entre outra coisa.. por favor, vamos somente ter mais cuidado com coisas que são ditas..

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Gosto do tema "espiritismo" e achei ótimos "Escrito nas Estrelas" e os filmes "Chico Xavier" e "Nosso Lar", mas "Amor Eterno Amor" não me conquistou. Os capítulos iniciais foram bons, especialmente pelas atuações de Ana Lucia Torre, Caio Manhente, Osmar Prado, mas, desde que o Carlos/Rodrigo encontrou a mãe, tudo se tornou monótono demais.
Realmente, o bom elenco é desperdiçado. Gabriel Braga Nunes faz belo par com Letícia Persiles, assim como Felipe Camargo com Carolina Kasting. As músicas dos casais ajudam muito: ""Solitary Man" (country do Carlos), "Ainda bem" e "Everything I own".
Cassia Kis Magro, Luís Mello e Carmo Dalla Vecchia estiveram melhor em outros personagens. Carlos Vereza, Giulia Gam, Suely Franco, Suzy Rêgo, Rosi Campos, Miguel Rômulo, Marina Ruy Barbosa não têm o talento devidamente valorizado.
O ritmo da novela é lento demais.

Sérgio Santos disse...

Renato, obrigado pelo comentário. Também achei interessante essa abordagem, mas reparei no mesmo equívoco que vc. A população é tratada como seres ignorantes e que não conhecem nada sobre tecnologia. Fez bem em falar sobre isso! Abraço!

Sérgio Santos disse...

Elvira, você tem toda razão. Me animei com as chamadas da novela antes da sua estreia, mas a decepção foi grande. História nada atraente, lenta e atores desperdiçados. Poucos são valorizados. Após ótimos desempenhos em Morde & Assopra (Cássia e Luis) e Cordel Encantado (Carmo), eles agora estão fora do tom, embora nada de horrível. O tom didático da novela tb não ajuda. Beijos.