segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Com uma abordagem simples e crítica sobre a política, "A Mulher do Prefeito" termina cumprindo sua missão

A série de Bernardo Guilherme e Marcelo Gonçalves (coprodução com a O2 Filmes) infelizmente não fez o sucesso desejado. "A Mulher do Prefeito", cujo último episódio foi exibido nessa sexta-feira (20/12), terminou com baixa audiência e repercussão nula. Entretanto, a história protagonizada por Tony Ramos e Denise Fraga merece elogios por várias razões.


Os responsáveis foram muito felizes na abordagem da corrupção e dos problemas comuns à política no Brasil. De uma forma bem-humorada e reflexiva, a série expôs a vida da mulher honesta de um prefeito corrupto, que se viu encurralada diante de uma inusitada situação (a prisão de seu marido) e tentou de todas as formas ajudar a cidade, mesmo sem poder fazer muito em prol da população devido aos entraves do sistema.

Apesar de não ter cenas propriamente cômicas, a produção abusava dos diálogos ferinos, e às vezes debochados, para criticar e apontar vários problemas do país. A questão da Copa do Mundo, por exemplo, foi muito bem abordada em cima da atitude de Aurora (Denise Fraga), que fez questão de levar
todos os desabrigados pelas fortes chuvas para o 'Pitangão', estádio municipal construído com verba pública por Reinaldo Rangel (Tony Ramos), com o intuito, claro, de se promover.

Outro ponto muito bem explorado, foi o estado de decadência que se encontra a saúde pública. No episódio em questão, Aurora não consegue uma vaga para internar seu marido, que por sua vez obriga um médico a arrumar um lugar pra ele. Apesar da situação ter sido cômica, foi perceptível a crítica feita em cima de algo inaceitável e, lamentavelmente, comum em nosso país. Vale ressaltar, ainda, a paródia divertida dos programas policialescos, vide "Cidade Alerta" (Record) e "Brasil Urgente" (Band). Na série, o apresentador do "Vale do Pitanguá News" sempre atacava o governo e fazia sensacionalismo em cima das tragédias que ocorriam na cidade.

E o elenco esteve impecável. Tony Ramos mais uma vez mostrou o grande ator que é e com certeza brilhará em 2014 no remake de "O Rebu", novela das onze que protagonizará ao lado de Patrícia Pillar. Já Denise Fraga é uma presença rara na teledramaturgia, o que é uma lástima. A atriz fez uma Aurora que misturava inocência com perseverança de forma doce e se destacou em todas as cenas, merecidamente. Malu Galli, Rodrigo Pandolfo, Felipe Abib, Giulia Shanti e Luciana Carnieli também protagonizaram bons momentos e fizeram bonito.

Entretanto, apesar das qualidades, a série combinava mais com o canal a cabo. Há formatos que, por melhores que sejam, não funcionam na tevê aberta, onde o Ibope é o principal objetivo. Séries como "Sessão de Terapia" e "3 Teresas" ---- ótimas produções do GNT ----, por exemplo, dificilmente seriam grandes sucessos de audiência caso fossem exibidos na Globo. São produções que necessitam da atenção do telespectador e não apresentam personagens populares. O mesmo vale para o recém-terminado seriado de Bernardo Guilherme e Marcelo Gonçalves.

O último episódio de "A Mulher do Prefeito" encerrou a série em grande estilo. Reinaldo é execrado pela população e Aurora assume a prefeitura em definitivo. Porém, a prefeita sofre um atentado (planejado por Maria Fernanda, braço direito do, agora, ex-prefeito), mas é salva por seu marido, que se joga na frente dela e acaba levando um tiro pelas costas. Após essa situação inusitada, a protagonista acaba ficando em dúvida com quem deve ficar: seu ex-marido ou Seixas (Felipe Abib). E enquanto se 'decide', Aurora Rangel tenta ajudar a cidade e exercer seu mandato com honestidade e determinação.

Apesar de não ter feito sucesso, a produção chegou ao fim deixando um saldo positivo. Os responsáveis pela série conseguiram cumprir o que prometeram e colocaram no ar uma história que retratou de uma forma despretensiosa, e até simples, a podridão da política e a crise da família de um prefeito corrupto. E tudo com um ótimo elenco, trama interessante, personagens atraentes e uma trilha sonora inspirada, que reuniu sucessos dos anos 70.

18 comentários:

Bia Hain disse...

Oi, Sérgio, como vai?
Confesso que a série não me encantou... gostei dos atores, do conceito, mas não sei... acho que é uma questão de gosto pessoal, talvez. Um abraço!

Anônimo disse...

Nem sabia dessa serie, nunca ouvi falar. Feliz Natal!

Diogo S. disse...

Eu compartilho da opinião da Bia Hain... Acompanhei a série, gostei da proposta, das situações, do roteiro, da direção, mas algo não me encantou. Talvez eu esperasse mais dela e por isso esteja sendo tão exigente!! ehehehe. Porém seus comentários foram bem pertinentes Sérgio! Abração!

Alexandra Amaral disse...

Nossa, nem sabia que esse seriado estava no fim... Realmente teve repercussão nula. Minha mãe falou: '' Esse tal de Mulher do Prefeito não fez nenhum sucesso né?''
Mas a história é boa, o texto também, e concordo que seria menos fracassada se fosse exibida no canal A Cabo. Combina mais. Aliás, assisti o primeiro e o segundo episódio, mas realmente não me interessei pela série.
Mas com certeza é trilhões de vezes melhor que aquele lixo de O Dentista Mascarado, aquela série era péssima e o texto era pífio, com a personagem da Tais Araujo falando merda, bosta como se estivesse em casa. Ridículo!
E bem melhor também que aquela tal de Suburbia, aquela série era patética, nojenta e extremamente dramática. Realmente um lixo. A história podia ser razoável, mas algumas cenas eram bem estapafúrdias e desnecessárias. Odiei.
Feliz Natal e um próspero ano novo Sérgio, estou me afastando do blog até o ano que vem, hehehe, Beijão!

Sissym Mascarenhas disse...



Querido Sergio, somente hoje estou lendo os comentarios em Vivo Sonhos Vivos. Meu amigo, é interessante que tanto mulheres quanto homens se identifiquem com o que eu disse. Estar sozinho é como uma epidemia.

Bjs

BOAS FESTAS

Residenci-lar disse...

EU ESPERAVA MAIS!
Os atores muito bom o enredo também, mais faltou alguma coisa!
e isso faltou a quele balanço!
Mais como tudo que e bom dura pouco ou não e mostrado!

Anônimo disse...

Esperava mais da série. Foi boa mas você acertou quando mencionou que ficaria melhor num canal a cabo.

Sérgio Santos disse...

Muita gente não gostou, Bia. Eu gostei, ainda que não tivesse achado incrível. Bjssss

Sérgio Santos disse...

Feliz Natal, anônimo!

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Diogo! Eu acho que não era o formato adequado para a tv aberta. Creio que funcionaria melhor num canal a cabo, mas enfim... Abração!

Sérgio Santos disse...

Alexandra, não fez sucesso mesmo! Mas foi bacana, ao contrário de Suburbia e O Dentista Mascarado que eu tb não gostei. Ok, então até o ano que vem. Bom Natal e ótimo ano novo! Bjsss

Sérgio Santos disse...

Oi Sissym, pois é! Bjs e boas festas!

Sérgio Santos disse...

Residenci-lar, realmente não foi uma produção empolgante, mas cumpriu sua proposta. Bjsss

Sérgio Santos disse...

Obrigado, anônimo!

Thallys Bruno Almeida disse...

Não vi todos os episódios, mas do que vi gostei do que foi feito.

Apesar da qualidade da produção e da boa premissa, eu diria que em matéria de repercussão, foi o maior cheque em branco de 2013. Prat. ninguém falava nessa série, nem mesmo pra criticar. Foi muito mal divulgada.

Um elenco impecável, com destaque pra Denise Fraga, Malu Galli, Tony Ramos e Felipe Abib e boas sacadas, como Aurora levando o povo para o estádio elefante-branco criado pelo marido e as sátiras do Rezende e do Datena.

A forma como foi produzida mostrou ser um indício de que a série era de fato mais adequada para a TV a cabo, onde 3 Teresas (cujo elenco a própria Denise integrou) foi elogiada.

Retomando a comparação que fiz na estreia com O Brado Retumbamte, outra diferença surge: AMP termina de uma forma mais esperançosa (já que Aurora assumiu o posto em definitivo), enquanto Brado deixou a dúvida no ar com aquele final. E o irônico é que Brado teve uma audiência não mto alta, mas teve bem mais repercussão na época.

É uma pena mesmo que a série não tenha funcionado como devia na TV aberta. Lançassem isso no GNT, seria um acerto. Abç!

Thallys Bruno Almeida disse...

erratas: "mas gostei do que vi".

Sérgio Santos disse...

A repercussão foi nula, Thallys, mas nem acho que seja por ter sido mal divulgada. Foi um fracasso mesmo. Só.

E a série não era adequada para a tv aberta, era melhor num canal a cabo.

O Brado Retumbante nem se compara com A Mulher do Prefeito. Teve muito mais qualidade e o tema foi abordado de uma forma mt melhor. Merecia até uma continuação. abçs

Sérgio Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.