quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Os merecidos vencedores do troféu APCA de 2025

 A APCA de 2025 anunciou os vencedores da premiação nesta segunda-feira (26/01) e a categoria televisão agraciou os concorrentes mais justos. Ainda que quase todos os indicados tenha feito por merecer, as escolhas foram incontestáveis e, de fato, consagraram os melhores. 


Na disputa de Melhor Novela, a vitória de "Guerreiros do Sol" (Globoplay) se impõe com justiça. Em meio a concorrentes de peso como "Beleza Fatal", "Garota do Momento" e "Três Graças", a obra vencedora se destaca por revitalizar a força da ficção com densidade dramática, apuro estético e uma abordagem nua e crua da violência e do sofrimento de um povo em plena época do cangaço. Foi a melhor novela de 2025, mesmo com apenas 45 capítulos. Todos os elementos estavam lá, além do irretocável elenco, o texto primoroso de George Moura e Sérgio Goldenberg e a direção precisa de Rogério Gomes. Diante de tamanha grandiosidade, nem deu para entender o remake de "Vale Tudo" ter sido um dos concorrentes. Destoou dos demais indicados e ainda mais do vencedor.

Esse rigor artístico se reflete também em Melhor Ator, categoria especialmente disputada. André Lamoglia, em "Os Donos do Jogo"; Jaffar Bambirra, em "Dias Perfeitos"; Johnny Massaro, em "Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente"; e Thomás Aquino, em "Guerreiros do Sol", entregaram performances consistentes e variadas, mas Irandhir Santos se sobressai ao construir um personagem de camadas profundas, marcado por contradições internas e presença cênica magnética.

Sua vitória não diminui os concorrentes, pelo contrário, evidencia o alto nível da dramaturgia seriada em 2025. Arduíno foi o maior vilão masculino da história da teledramaturgia e seu intérprete impressionou.

Em Melhor Atriz, a escolha de Suely Franco por "Dona de Mim" reafirma a importância da maturidade artística na televisão. Em um páreo que incluía Camila Pitanga ("Beleza Fatal", Carol Castro ("Garota do Momento", Débora Bloch ("Vale Tudo") e Marjorie Estiano ("Ângela Diniz: Assassina e Condenada"), a atriz vencedora, aos 86 anos, deu um show na novela das sete da Globo pela precisão emocional e pelo domínio absoluto do tempo dramático. Sua atuação dispensou excessos e se sustentou na experiência, o que ofereceu uma aula de interpretação silenciosa e potente através da saga de dona Rosa, que sofria com o Alzheimer. Foi a primeira vez que a atriz ganhou o troféu APCA.

A categoria Melhor Série de Ficção talvez seja a que melhor sintetize o espírito do ano. Todas excelentes. "Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente"  venceu enfrentando títulos relevantes como "Ângela Diniz: Assassina e Condenada"; "Os Donos do Jogo"; "Pablo & Luisão" e "Tremembé". A série premiada se diferenciou pela ousadia formal e pela recusa ao didatismo, apostando em narrativas fragmentadas e desconfortáveis, uma escolha que confirma a APCA como defensora de risco criativo através do enredo da série, que abordou o surgimento da epidemia da AIDS no Brasil nos anos 1980.

No campo do real, Melhor Série Documental/Documentário consagrou "Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem". Frente a produções que repercutiram como "A Mulher da Casa Abandonada", "Bateau Mouche - O Naufrágio da Justiça", "Caçador de Marajás" e "Meu Ayrton por Adriane Galisteu", o documentário vencedor ganhou força ao transformar memória em um apanhado rico sobre a vida do humorista, ainda que tenha pecado em alguns pontos a respeito da disputa pela herança.

Já em Melhor Programa, "Show 60 Anos"  superou "Acerte ou Caia", "Globo Rural", "Sem Censura" e "Viver Sertanejo" ao apostar na celebração da história da televisão, que se mistura com os 60 anos da GLOBO, como linguagem e não apenas como nostalgia. O resultado foi um programa que dialogou com o passado e provocou uma nostalgia deliciosa no público, com direito ao encontro de algumas das vilãs icônicas (outras nem tanto) da teledramaturgia.

Por fim, o Troféu Especial concedido a Lima Duarte funciona como síntese simbólica de toda a premiação. Sua trajetória atravessa décadas e estilos, lembrando que a televisão brasileira se construiu pela soma de experimentação, técnica e compromisso artístico, valores que os vencedores de 2025, cada um à sua maneira, ajudaram a reafirmar. Toda homenagem ao genial veterano é merecida.

No conjunto, a APCA 2025 honrou a qualidade dos indicados e a supremacia dos vencedores.

2 comentários:

chica disse...

Que bom quando realmente os premiados são aos que realmente merecem!
Vi teu comentário lá nos 18 anos do sementes. Acho estás mesmo há muiiiiiiitos anos!
Que bom!
Agradeço de coração! abração, chica

Lucimar da Silva Moreira disse...

Parabéns para os vencedores todos merecem, Sérgio abraços.