quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Tudo sobre a segunda coletiva online de "Coração Acelerado", a nova novela das sete

 A Globo promoveu, no dia 11 de dezembro do ano passado, a segunda coletiva virtual de 'Coração Acelerado', a nova novela das sete, escrita por Maria Helena Nascimento e Izabel de Oliveira, dirigida por Carlos Araújo. Participaram as autoras, a cantora Paula Fernandes e os atores Filipe Bragança, Gabz, Claudio Mendes, Elisa Lucinda, Evaldo Macarrão, Lucas Wickhaus, Antônio Calloni, Daniel de Oliveira, Isadora Cruz, Letícia Spiller, Thomás Aquino, David Junior, Yrla Braga, Ricardo Pereira, Renata Caetano e Alexandre David. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir.


Maria Helena Nascimento resumiu como foi a criação da cidade fictícia da novela: "Bom Retorno foi uma criação engraçada. A nossa viagem pra Goiânia nos deixou ligada em cidades grandes, como Anápolis e Caldas Novas, e Bom Retorno é uma mistura das grandes com as pequenas". 

Izabel de Oliveira complementou: "Na cidade fictícia, vai ter as duas coisas: a cidade grande que vai representar o Grupo Amaral, mas também vai ter o rio, a ponte, enfim... Uma coisa legal que teve em 'Cheias de Charme' e que quero resgatar agora são os vilões engraçados.

Os personagens da Isabelle Drummond, da Leandra Leal, Thomás Aquino são muitos engraçados. A Zilá é muito mais terrível que a Chayene (Claudia Abreu), mas vai fazer as pessoas rirem. É dificílimo fazer rir, mas podem contar que vai ter muito humor". 

Paula Fernandes falou da sua personagem: "Minha personagem é determinada. Ela quer muito ser cantora, enfrenta a família, o marido que é machista, é forte e ao mesmo tempo doce. O desenrolar da novela mostra que ela conquista o que deseja. Me sinto privilegiada em fazer parte do elenco. O movimento do feminejo é muito potente e fico honrada em ter sido uma pessoa que tenha encorajado essas garotas atuais. Uma pavimentação em uma estrada difícil de percorrer. O sistema sempre foi preparado para duplas masculinas. Quando eu apareci tive que servir de boi de piranha. Tiveram outras mulheres antes, como a Sula Miranda, as Irmãs Galvão, mas era eu que tava acontecendo na época. Estou extremamente feliz é um dos momentos mais incríveis da minha vida estar num set de filmagem. Cecília é uma artista que enfrenta o machismo. Vai retratar bem a realidade da mulher e fico feliz em ter sido uma raiz para que a Agrado aconteça". 

Gabz comentou sobre sua parceria com o cachorro que fez sucesso em 'Família é Tudo' e da sua personagem: "Maradona é um ator com muita experiência. To apaixonada. Está sendo uma relação genuína porque a Eduarda tem uma forte relação com o Bagunça. Como a Eduarda precisa agir, a vida dela é uma vida de necessidade, o Bagunça é o espaço que ela tem pra sentir. Eduarda é um grande presente pra mim porque todo ator quer uma personagem humana e rica em contradições. Ela é uma menina órfã, teve que se criar sozinha e tem um sonho muito grande. A gente sabe o quanto é difícil ser artista no Brasil. Eduarda é uma menina doce e muita cheia de atitude, ao mesmo tempo que tem um coração muito grande, tem uma moralidade que a leva a conseguir o que tem que conseguir. A Eduarda tem muitos sonhos e vai fazer o que for necessário pra atingi-los. Ela tem uma maturidade muito elevada, mas ainda percorre no terreno da infância por causa do abandono materno. Coloquei ela no mundo imaginário porque não tem como pensar nas consequências dos atos dela e enxerga a vida de uma forma doce. Tô construindo com muito amor e sentimento". 

Filipe Bragança comentou sobre seu protagonista: "Foi muito importante estar em Goiânia para a composição do personagem. Ele está em busca das suas raízes pessoais e artísticas. Um bom retorno ao passado. Eu também tive um bom retorno para Goiás, minha terra, e toda essa experiência foi enriquecedora pra mim. Pude reencontrar muitos amigos de infância e familiares que não visitava há muito tempo. Sou de Goiânia e me mudei para São Paulo para trabalhar. Estou feliz em ver que o texto de Maria Helena e Izabel tem muito cuidado e respeito pela minha terra. Tem sido uma experiência muito legal mesmo". 

Antônio Calloni analisou o seu personagem: "O Valmir é um tipo bastante xucro, na minha opinião caminha mais pelo anti-heroi do que pelo vilão. Pelo menos por enquanto. Quem vai decidir é o público e as autoras. Ele é extremamente apaixonado pelo filho, quer ver o filho feliz, mas é viciado em jogo, o que prejudica muito a vida do filho. Esse conflito é muito interessante e vejo o personagem como uma pessoa que não cresceu direito. Apesar de todo o amor, ele prejudica a vida desse garoto. Por mais que ele ame o pai, o pai pisa na bola feio. É uma relação complicada e muito rica. Está sendo interessante fazer, contracenar com o Filipe, um ator maduro e talento gigante. E ele tem uns toques de humor bem saboroso". 

Lucas Wickhaus explicou seu papel: "Luan é o parceiro do João Raul. A ligação dos dois é muito bonita, tem uma irmandade, uma cumplicidade interessante. Um está pelo outro e tem essa defesa na questão profissionais e nas ligadas ao amor. Eles desabafam e tem essa simbiose dos dois. Luan é um cara romântico, apaixonado, do bem, solar, um pouco atrapalhado, aprende a lidar com os sentimentos. Tem uma pureza nele que vai aparecendo no decorrer das cenas, uma inocência, acho que tem uma questão de estar descobrindo a paixão, o amor. E ele é um cara da música, toca muito bem viola. Eu não toco, tô aprendendo, a minha relação com a música é o canto. Canto há um tempo, fiz uns trabalhos musicais e tô me descobrindo um apaixonado em aprender a tocar violão".

Daniel de Oliveira falou de seu retorno aos folhetins longos: "Já trabalhei algumas vezes com Carlos Araújo. Fiz 'Os Dias Eram Assim' e 'Um Só Coração', então essa jornada tem sido frutífera. Fiz 'Guerreiros do Sol', que foi uma novela de 45 capítulos, e morri logo no começo. Minha relação com a Globo é antiga, comecei na 'Malhação' quando a academia virava o colégio Múltipla Escolha, e agora volto. Quis voltar e o personagem é maravilhoso. O Alaorzinho desenvolve o Alô Balada e proíbo o amor da minha vida, que é a Janete (Leticia Spiller), de cantar e a gente se fasta por mais de 15 anos. E acabo me casando com a irmã dela, sem aquele amor que ele sente pela Janete. Depois de 20 anos volta a Janete e aquele amor acontece, o que deixa a Zilá invocada. Meu personagem passa por coisas dramáticas, mas sinto ele também muito engraçado". 

Thomás Aquino resumiu sobre seu papel: "Por ser uma novela das sete, estamos mostrando tudo de forma cômica, mas meu personagem é um empresário que só quer dinheiro e que a Honey Music seja um sucesso eterno. A gente vê muitos artistas que processaram empresários, que sofreram com esses empresários, a novela mostra o que a gente não pode repetir".

David Junior comentou brevemente sobre seu personagem: "O Leandro Brasil é movido por amor e justiça, é rodeado por mulheres, tem a mãe, que já se foi, a irmã e a sobrinha. Ele vai até Bom Retorno buscar justiça e ajudar sua sobrinha a pagar um tratamento. Ele se mostra um ser humano que se mostra amoroso com as mulheres de sua vida a partir da motivação de trazer a justiça. Nossa novela é escrita por duas mulheres e isso já mostra a perspectiva feminina". 

Elisa Lucinda analisou a produção e sua personagem: "Essa novela é muito providencial porque o sertanejo é o local do machismo tóxico e ser escrita por duas mulheres é uma oportunidade de ter uma condução crível e acertiva. Acho que a novela é muito ligada em como o feminismo é enraizado. É novela das sete, mas não tem inocente. Discutir assuntos profundos através da novela é muito importante e conseguimos fazer isso em 'Vai na Fé'. Acho que vamos fazer uma coisa poderosa. O texto é uma delícia. A Zuzu é uma mulher independente, tem uma caravana cultural, e parte pra ser uma empresária informal, acolhe a Janete, e cria um núcleo feminino. Ela é solteira, não porque é rejeitada, mas porque não quis casar e bancou isso. As autoras escreveram a Zuzu sem os maneirismos machistas. É uma referência de forças sem ter sofrimento demais. Tô adorando fazer. Meu coração tá acelerado".

Isadora Cruz não escondeu o entusiasmo com sua mocinha: "Tô muito feliz em dar vida a Agrado, nossa heroína, que vem sendo construída com muito amor e cuidado. Venho de uma novela também escrita por uma mulher, que é a Claudia Souto, e Roxelle tratou da questão da mulher que faz um sinal porque está em perigo (em 'Volta por Cima'). Agora a nossa heroína é um exemplo de coragem, de ética, de uma mensagem de luz e foi criada por duas mulheres. Ela veio de uma família matriarcal e conseguiu florescer como uma mulher corajosa, batalhadora e sem medo. Ela consegue crescer de peito aberto, sem traumas, porque foi criada por duas mulheres. Ela vem de um lar bonito, consistente e, apesar de não ter uma figura paterna, tem esperança que as coisas vão dar certo. Mesmo com as portas fechando, ela vai atrás de outras portas para abrir". 

Evaldo Macarrão falou da experiência de conhecer um lugar novo: "To muito encantado com o estado de Goiás, para além do sertanejo, vi todos os ritmos. Vi gente de todo canto, inclusive muitos baianos. Vou manter meu sotaque porque tem gente de todo canto. E fiquei muito feliz com a conexão textual nesse local de pesquisa com a cidade. Fiquei meio melindroso em chegar num universo tão distante porque vim do samba, de Salvador na Bahia, mas to aprendendo muito e feliz. Está sendo uma alegria contar essa história". 

Claudio Mendes explicou um pouco como é o seu papel: "Agenor é um padeiro da cidade e representa a cabeça machista e com olhar conservador, mas está submetido à figura da esposa. A preocupação das autoras sobre a questão feminina está na novela inteira".

Letícia Spiller demonstrou empolgação com sua personagem: "Elisa é uma paixão antiquíssima na minha vida, eu ouço muito, e Isadora a gente teve uma conexão muito grande. Tenho uma influência de Goiás há muito tempo. Tô sempre em contato e está sendo um reencontro. A prosódia pra mim é muito fácil por causa da minha escuta. Tô muito feliz em fazer a Janete, ela é um prato cheio pra qualquer atriz em viver uma heroína tão complexa, com muita vulnerabilidade, com coisas que precisa encarar, verdades escondidas que atrapalham o crescimento dela, a relação com a filha. Mas tem muita força adquirida através dessa vulnerabilidade. Não quero que fique uma heroína melosa e meu exercício de atenção é dobrado com ela. Tudo é diferente de mim, exceto o lado maternal superprotetor. Porque é difícil a gente não ser nesse mundo que a gente vive, sou mãe de menino e de menina, e a gente fica apavorada no equilíbrio entre soltar e proteger. A Janete tenta superproteger a Agrado e seguiu adiante, protegida pela Zuzu. A arte cura e Janete se sentia curada pela arte, mas traumatizada pelo amor". 

Ricardo Pereira falou de sua participação: "Giancarlos é um bandido que aproveita tudo pra se dar bem, seja o que for, e esse cara gravita nos meios todos se aproveitando das oportunidades. Ele fala uma língua de cada canto que vai passando. Um artista do mal, se dá bem com seja quem for. Fui pegar referências em alguns filmes e séries dos caras que sempre estão disponíveis para solucionar problemas para se darem bem. Ele vai tentar tirar proveito de tudo. Ele tem uma filha que deixou para trás e mais não vou dizer". 

Yrla Braga falou da representatividade: "Faço a Rosinha e o mais lindo é o sotaque goiano do meu país Goiás muito bem representado na novela. A Rosinha trabalha com o João Raul, ela ama trabalhar com um grande astro. E vocês vão ver Goiás de verdade, tá muito bonito, muito legal. Vai desmistificar um pouco isso de achar que lá é só onça e gente tocando sertanejo. É um estado muito rico e a oportunidade de trazer tanto artista goiano pro Brasil inteiro". 

Renata Caetano comentou sobree sua estreia na TV: "É minha primeira novela, sou de Goiânia, e quando entrei na cidade cenográfica vendo a estética de Pirenópolis... que emoção. Faço a dona da padaria, contraceno com Claudio Mendes, um amado. Na história tem humor e um pouco de vilania porque a Vilma conta tudo pra Zilá. É muito emocionante estar participando de tudo isso. Minha primeira cena foi com a Letícia Spiller, uma atriz que admiro tanto e já vi em tantas novelas. Algumas fofocas vão passar pela padaria com Vilma e Agenor... Estou ansiosa e extremamente feliz". 

Alexandre David se emocionou no final da coletiva: "Faço o Claudio, o cozinheiro que trabalha com o João Raul. Minha mãe é cantora e quero muito que ela veja essa novela porque a jornada da heroína é uma catarse. Fui ser ator por causa da minha mãe. Ela não chegou aonde queria chegar por causa de mim. É a quarta novela que faço com a Izabel de Oliveira, ela acredita no meu trabalho, e é uma mistura de tudo essa trama. É difícil ser artista no Brasil, a arte nos leva a lugares muito melhores. O meu personagem percebe que a Agrado é um respiro na vida do João Raul".

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